Já tomei muita bronca de Teresa porque entrei num processo de neurose completa com a sujeira nas ruas. Hoje trato de me resguardar, de colocar limites, por uma questão de auto-preservação. Para mim "tomar banho de civilização", ou seja, ficar uns dias na Europa, está muito ligado ao prazer de me sentir relaxado ao caminhar por ruas bem cuidadas e principalmente limpas. Dito isto, achar uma chatice o discurso - corretíssimo, sem dúvida - do filme do EcoFalante me fez pensar e chegar a conclusão que não aguento mais ladainha, que na realidade não é. Quero resultados concretos.
Não sei se este filme que coloquei aqui é o mesmo transmitido pela Cultura, mas a fala, as sequências, o contexto é muito parecido.
Tenho acompanhado por alto as notícias sobre a COP30 e para minha surpreza ouvi de um dos bambambans sobre meio ambiente que uma das ações urgentes é justamente mudar o discurso.
A afirmação de Joseph Goebels "Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade", calha aqui, mas com outro sentido: Repita mil vezes a mesma coisa que o saco do ouvinte um dia vai estourar. Ou ainda, Repita a não poder mais que o que você diz entrará por um ouvido e sairá correndo pelo outro. Também pode ser: Quer ter o resultado inverso do que você deseja? Então repita sua verdade até o outro ficar maluco. Todas as afirmações estão comprovadas como fatos reais pela ciência. Enfim, podesse criar um monte de versões, todas sobre a burrice de repetir monte de vezes a mesma coisa, não importando se a afirmação base é correta, verdadeira, justa. Passou de um certo ponto a coisa se transforma em "engula".
Eu não aguento mais ouvir a mesma baboseira sobre bicicletas, meu ponto de partida de trabalho ambiental e, porque não, de vida. Eu não aguento ouvir as mesmas baboseiras sendo repetidas. A questão é que a maioria do que virou uma chatice ou entra por um ouvido e sai pelo outro é coisa muito séria que deveria nos levar a tomar posições, agir e chegar a resultados. Eu próprio acredito que as pessoas estão cansadas de me ouvir repetir que não sobre bicicletas e ciclistas, mas sobre cidades, cidadãos, com possível ajuda da bicicleta.
O discurso de tudo tem sido vertical, quando deveria ser circular e giratório, até para ser interessante. Tem que cativar o grande público ou é difícil conseguir resultados perenes.
Nossa! Incrível! Só agora, depois dos corpos estendidos no chão carioca, o país se deu conta que vivemos numa sociedade insuportavelmente violenta. É novidade? Não. A questão é que todos nós gastamos saliva improdutiva. Goebels na cabeça!
Sou paulistano, do tempo da terra da garoa. Óbvio que o clima mudou. Não sou cientísta, sou um mero cidadão, hoje ciclista, que sempre olhou para o céu para saber se vai ou não chover. Até que tinha um índice de acerto muito bom, mas de um tempo para cá perdi a minha sabedoria de previsão do tempo. Aliás, ninguém está prevendo o tempo, nem nas agências climáticas se pode confiar. Segundo elas, ontem ia cair os céus, ventos fortíssimos, tempestades, alertas no celular, etc e tal. Nicas, não aconteceu nada. A prova que tem algo muito errado é que a previsão do tempo que fazem é baseada em conjunto de aparatos cheios de sensores e medidores, que mandam informações para computadores de grande capacidade de cálculos, que tem uma capacidade de acerto muio maior que de tempos passados quando tudo era feito por poucos e no lapis e papel. Com tudo que existe hoje estão errando uma atrás da outra. Nunca a expressão "O clima está louco" foi tão certa. Mudança climática ou não, algo está errado.
Como outro especialista na causa ambiental disse em entrevista: "Arvores, pássaros, abelhas, fauna, flora não estão sendo debatidos porque são bonitinhos, mas porque são vitais para nós humanos".
"O problema ambiental é uma doença humana". Vivemos uma pandemia.
Temos que desconstruir o desvio causado pela ladainha ambiental que ouvimos durante tantos anos, correta, mas que se transformou numa tramenda chatice.
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