domingo, 24 de maio de 2026

'Brasil Adiante", ciclo de debates, propostas para o futuro imediato

Talvez seja a melhor notícia que leio faz um bom tempo. Vivenciei a Casa Madre Teodora, 1982, onde foi feito o projeto de Governo de Franco Montoro para o Estado de São Paulo, e sei o quão importante foi reunir cabeças de ponta para ter um projeto com propostas concretas de recuperação do desastre deixado pelo governo Maluf, que foi um horror, mas fichinha perto da baderna que vivemos agora. Não falo de ideologias, mas da devastadora desordem geral destes dias. Da Casa Madre Teodora saíram projetos que mais tarde ajudaram a organizar e melhorar e muito o Brasil. Participaram ativamente e assinam o projeto de Governo Franco Montoro especialistas de inúmeras áreas, dentre eles alguns que mais tarde ajudariam a criar partidos ligados a diversas ideologias e princípios, de direita, centro e esquerda. O importante ali foi 'como posso ajudar', ou como posso colaborar para melhorar.

O ciclo de debates 'Brasil Adiante' começa bem, com Fabio Barbosa encabeçando. Conheço histórias da capacidade de Fabio através de pessoas que trabalharam com ele ou foram concorrentes, e só ouvi coisas boas. Uma das histórias sobre Fábio Barbosa me marcou muito: a forma como ajudou amigos vizinhos de infância relatada com emoção por um deles, meu amigo que já se foi.       

'Propostas concretas', claras, acima de tudo factíveis, é disto que o Brasil precisa urgentemente. Como diz Fábio, não havendo dúvidas sobre o diagnóstico e o objetivo final, que se possa divergir sobre o caminho - e ter um plano exequível entregue em mãos do futuro governante para os dois primeiros anos de governo do Brasil. Vamos lá.






quarta-feira, 20 de maio de 2026

A história do Renault Teimoso. (Quem? O que?) Lixo ou luxo

"Tá maluco? História do Renault Teimoso? Que porra é esta?". Este questionamento fiz a mim mesmo, e a ideia do texto ficou nos rascunhos por um bom tempo.

Ok, fiquei maluco, ou sou maluco, pelo menos um pouquinho com certeza, mas, contudo, entretanto, agora, teimoso, consigui fechar o que pensei apoiado em entrevistas / chamamentos para a SP Innovation Week sobre luxo.

Preciso procurar de novo um artigo muito bom comparando o gasto energético dos automóveis de 1960 para os de hoje, o ponto de partida para o que tínhamos em tempos passados e o que temos hoje, e aí não falo sobre automóveis, mas sobre forma, função, e sustentabilidade. Como disse um dos cientistas que participaram para a SPIW: 


‘Não há saída para crise climática dentro dos marcos do capitalismo’
Emergência climática é uma realidade. Não temos planeta B. Não há segunda chance quando se trata de corrigir a rota que estamos percorrendo

Prof. Josemar Carvalho



A história do Renault Teimoso

Luxo e inteligência, ou a íntima ligação do luxo - real - com o melhor da inteligência humana.

E aí vem uma enorme confusão sobre o que é luxo. Os gênios, os que têm uma inteligência acima do normal, os que sabem exatamente o que é luxo, que conhecem o público, que criam luxo, estes olham com muito respeito para algumas coisas - as verdadeiramente geniais - até as que vem da pobreza, que fazem parte da pobreza. Inteligência é inteligência, não é aparência. Em outras palavras, luxo extrapola e muito o conceito rasteiro, e pobre, muito pobre, sobre o que é luxo, e ou sua ligação íntima com custo, dinheiro, riqueza. 
Aliás, o que é riqueza, a real?


Renault Teimoso? Um luxo? Estou louco? Não. Renault Teimoso, VW Pé de Boi, Citroen 2CV, Renault 4, Mini Morris, Fiat Panda, e outros carros extremamente básicos, funcionais, econômicos, eficientes, e principalmente de impacto ambiental baixo na produção e uso. Funcionariam hoje? Aposto que seriam um fracasso. Mas o conceito básico deles é um luxo total, alguns são coisa de gênios, basta colocar na perspectiva correta.

O que é luxo? O que é luxo hoje? O que deveria ser luxo?

Trabant 601 se encaixa aí? A meu ver não, pelo menos no sentido mais amplo. A ideia básica é boa, a qualidade é ruim, o bichinho foi muito mal fabricado, tipo o povo precisa, não tem outra opção, que se danem. Estes são elementos básicos do luxo - da inteligência? Não. Luxo tem uma relação muito forte com qualidade. E qualidade com inteligência.

No meio de um bate papo com uma executiva de primeira linha que tem olhos bem abertos para o que ela considera luxo, veio a baila a importancia de ensinar o que é qualidade para os filhos e mais jovens, quando fui bruscamente interrompido por um "Como assim, qualidade?" disparado por ela. Eu e a senhora ao meu lado ficamos desnorteados com o questionamento, mas não deveríamos, é só mais um sinal claro do porque de nossa pobreza, e aí entenda o que seu luxo de cabeça quiser. 

O Renault Teimoso é um Renault Dophine / Gordini rapado de toda e qualquer coisa não essencial para a função mais básica de um automóvel, ou seja, transportar pessoas e cargas de lá para cá . Dophine é um projeto muito inteligente, revolucionário para sua época. Não teve o sucesso devido por problemas de qualidade,  não de projeto. O Teimoso é tão espartano, tão limpo, tão cru, que caiu no "tá de gozacão?". 
Agora, Teimoso, Pé de Boi, e outros extremamente básicos são hoje o máximo do luxo ambiental.  Ou seriam caso seus conceitos básicos fossem a base para automóveis modernos que incorporassem tecnologias funcionais que surgiram nestes anos. Nada de vidro elétrico ou de confortos exagerados. Economia, racionalidade, eficiência, isto sim. Para que serve um monte de opcionais que nunca serão usados? São um luxo? Isto é luxo? O meio ambiente que se dane?

Acho que o primeiro Gol, o quadradinho, pesava em torno de 700 kg. Um Teimoso pesava menos. O mais básico dos básicos de hoje pesa uns 300 kg a mais, muito em razão de um montão de coisas dispensáveis. Quanto é o gasto energético por quilo? A resposta mais direta e facil de entender está num comparativo com base científica feito entre ciclistas profissionais de diferentes pesos, e afirmo, é muito. 

Automóvel, luxo, bicicleta, energia? Enlouqueceu de vez?
Básico: quanto mais pesado, maior o gasto de energia para se movimentar; física pura e inequívoca.

No país onde o luxo extravagante surgiu, França, a história dos automóveis que foram criados no pré e pós WWII,  são um luxo de inteligência. Forma e função levados ao mais alto grau de responsabilidade social. Ok, a fabricação foi francesa. "Life is too short to drive a french car", diziam os americanos, lá com suas boas razões. O Daphini vendido no mercado americano derretia - literalmente - em uns dois anos.
 


Este vídeo conta a história do Honda CVCC de 1969, o carrinho que mudou a história da indústria mundial: simples, funcional, durável, economico. Como tudo realmente deveria ser.


E chegam os japoneses, olham, entendem, copiam tudo que aprenderam das melhores ideias e projetos, com uma grande diferença: o fazem com uma qualidade apurada, da correção dos erros, detalhes, ao processo de produção e produto entregue ao consumidor.

Eu teria um Renault Teimoso? Não, por uma simples razão, eu sou muito grande para conseguir dirigi-lo. Mas um Renault 4, um pouco menos básico e bem mais espaçoso por dentro, com certeza. Ou um Fiat Panda, o da primeira geração. Minha dúvida aí é cruel. Hoje dirijo um Honda Fit primeira geração, no final das contas tão genial, tão funcional,  inteligente, tão luxo quanto um destes carrinhos que citei.

Escrever sobre o Teimoso? Não, sobre o luxo que é pensar com qualidade o que é luxo de verdade. Quem não entendeu agora provavelmente entenderá num futuro não muito distante.

‘Não há saída para crise climática dentro dos marcos do capitalismo’
Emergência climática é uma realidade. Não temos planeta B. Não há segunda chance quando se trata de corrigir a rota que estamos percorrendo
Prof. Josemar Carvalho

domingo, 17 de maio de 2026

"Se não fizer o que eu quero, eu me mato..."

- Eu me mato! ela disse pelo telefone.
De saco cheio com as constantes ameaças, não tive dúvidas - Estou almoçando. Faça o que bem entender. 
Nunca mais tive notícias, mas como dizem os franceses, "sem notícias, boas notícias". Ela está viva.
De minha parte, segui meu almoço sem qualquer remorso ou sentido de culpa. Aliás, que alívio!

Bom, e daí, e se tivesse dado ruim? 

Blefe! 

Comparar uma mama iídiche com uma italiana é boa piada;
- Se você não fizer o que eu digo eu me mato! diz a mama iídiche.
- Se você não comer a pasta que eu fiz eu te mato! diz a italiana.
Bom, mais que ameaça, palavras de mãe. Mãe é mãe. Comporte-se!

Mas... e se o mate ou morra pudesse se realizar sem a consequência definitiva? 

Morte: definitivo. Morreu, acabou, ponto final sem retorno. Os espíritas dizem que não é assim, mas isto é outra história.
Suicídio, o mesmo, acabou, ponto final sem retorno.

Aí chegamos às metáforas. E aqui estamos no literal. (Não estendeu?) Vale uma história sobre...

Caminhado com o amigo nascido naquela cidade, o recém chegado foi apresentado para um outro conhecido cidadão da mesma cidade. 
- Vem cá. Deixa te apresentar o seu João. Figura respeitada por aqui.
- Prazer, seu João 
- Prazer, meu filho
- Se alguém criar problema para você, chama seu João que ele resolve.
- Obrigado...
- Seu João é a melhor peixeira da cidade, e custa baratinho. Se o caso precisar de algo mais, ele também resolve.
- Não precisa de tanto elogio, meu filho, a gente faz o que pode.
(Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência)
Literatura de cordel? Ou motoboy com mochila de delivery? Ou pescador que limpa o peixe numa única peixeirada? Mais para a última alternativa.

Suicídio, é tido como um ato de desespero, uma forma de chamar atenção, ou uma forma de vingança que deixa o outro marcado a ferro e fogo. Ou os outros. Ou pode ser um ato silencioso de auto respeito. Ou pode ser ameaça de mãe-mãe, esta a mais assustadora.

O suicídio do comediante Robin Williams chocou a todos. Como pode uma pessoa tão divertida fazer uma coisa destas? Faz pouco soltaram a história verdadeira por trás da tragédia. Robin Williams estava sofrendo com uma doença degenerativa que demencía muito rapidamente e gera uma profunda depressão. Robin Williams optou por parar o processo.

Na vida só duas coisas são certas: pagar impostos e a morte. 
Bom, e daí, e se você decidisse e conseguisse não pagar impostos? É uma hipótese, ou uma alternativa factível, tem quem consiga fazer. E tem volta, afinal, pelo sim ou pelo não brigar contra o fisco é pior que sair no braço com o capeta. O capeta ainda se pode vencer, já os impostos..., nem o próprio demo arrisca entrar nesta briga.

Bom, e se você conseguisse enganar a morte? Hipótese muito pouco provável, mas vamos brincar. As mamas morrem todos dias e sempre voltam para dar bronca e ameaçar, não é  mesmo? No cinema não dá certo? Vamos supor que a medicina reverta a morte? E daí? Você se mataria para castigar o outro?


Vale a pena e muito a leitura.

Voltando aos impostos, se não resolverem esta baderna que vivemos aqu8 no Brasil nos matamos ou nos suicidamos? Bom, sem dúvida, a não aprovação de uma reforma tributária que diminuía a baderna dos mais de 50 impostos e racionalize nossas vidas será um suicídio coletivo, figurado,  tenho a dizer.

De qualquer forma, morte, assim como impostos, é sobre dinheiro, lucro. Tem muita gente ganhando e muito em cima da morte e do sofrimento de milhares. Quem pensa o contrário que se informe. A história da morte no ocidente é uma ótima leitura esclarecedora.

- Antes de minha mãe ficar doente (está há 10 anos numa cama vegetando) eu tinha horror de falar sobre morte. Agora eu tenho certeza que se deve falar e discutir o tema. Do jeito que está não dá
Sabia constatação de uma conhecida que vive o drama de ter alguém amado caindo aos pedaços e mesmo assim sem o direito a uma morte natural.


Eu sei que este é um tema que não é do agrado geral. Tenho repetido porque é inevitável. Um dia todos morremos. 
Semana passada ouvi pela primeira vez uma materia na grande imprensa exatamente sobre o direito das pessoas morrerem naturalmente, e o busines fortíssimo por trás cujo lucro depende de manter o "paciente" vivo. Quanto mais tempo, mais lucro. Morra com esta!








sexta-feira, 15 de maio de 2026

Eu sou inteligente. O outro é ignorante. Cuma?


Estamos mais inteligentes? Sabemos mais? Provavelmente. Mesmo o mais ignorante dos ignorantes de hoje tem muito mais informação que um qualquer do povão de tempos passados, principalmente nestes tempos de celular e internet. Mas ter informação não significa que o sujeito saiba pensar melhor. Conheço uma tonelada de pessoas ditas de elite, econômica e cultural, que sempre tiveram e continuam tendo pleno acesso a informação de qualidade e são umas bestas quadradas ambulantes.

Eu adoro a expressão que um amigo sempre usava para referir-se a estes que se acham inteligentes: "É um ostra com paralisia mental". É o que não falta. Os ou as piores são aquelas / aqueles que se acham um gênio, os famosos ou as famosas que acham a "Última bolacha do pacote".

Na busca pelo Google: Inteligência é a capacidade mental de aprender com a experiência, adaptar-se a novas situações, compreender conceitos abstratos e usar o conhecimento para manipular o ambiente ou resolver problemas. Envolve raciocínio, planejamento, criatividade e memória, sendo descrita tanto como uma habilidade geral quanto por múltiplos tipos (lógico, emocional, social).

No geral, no jargão popular, quem era considerado inteligente num passado não muito distante, uns 40 anos atrás? Quem conseguia decorar as lições, que por conseguinte tirava boas notas, os CDFs. Os que vão na escola, são bons no trabalho, ou para o povão "os que sabem das coisas". Alguns de fato eram e são. Este conceito geral de inteligência ainda vale ainda para a maioria. Boa memória faz muita diferença na venda de quem se é. Pequeno detalhe, memória até pode ajudar na formação da inteligência, mas não é inteligência, é memória.

Tive a sorte de ter conhecido algumas pessoas bem fora da curva, uns de memória excepcional, outros de inteligência excepcional, e os que juntavam as duas. Não tenho dúvidas que conviver com quem tem memória acima da média é muito mais agradável porque eles a usam como ferramenta de poder social relembrando fatos e nomes com uma facilidade invejável. 
Já os superdotados..., bem, estes são um pouquinho mais complicados, só um pouquinho. Cito dois, um fechado em sí próprio, arredio, difícil de conversar. O outro expansivo, comunicativo, explosivo, como definia seu filho "Não é se ele vai ou não brigar com alguém, é certeza que num momento ele vai aprontar uma discussão pesada, resta saber quando". Os dois fizeram coisas na vida completamente fora da compreensão dos normais, da família, amigos e os que trabalharam junto.

E há o que a ciência definiu não faz muito, faz uns 30 ou 40 anos, como inteligência específica. Garrincha fora das quatro linhas, o campo de futebol, pensava quase como uma criança. Já  jogando um mundial foi 'a' diferença, um gênio, inteligência de jogo e habilidade incomparáveis. Numa partida decisiva para o Brasil, com placar contra, Garrincha entrou sozinho na área, diblou um, diblou dois, ficou de frente para o goleiro sozinho, voltou a diblar os zagueiros, e só então fez o gol. No vestiário os que viram tudo aquilo e quase enfartaram, perguntaram para ele se estava louco, porque não tinha marcado o gol na primeira vez que ficara de frente para o gol. Garrincha respondeu com toda a sinceridade: "O goleiro não abria as pernas".

Voltando: inteligência específica é a capacidade de pensar e resolver bem situações muito específicas. Um favelado criou barracos dobráveis, que permitiam desmontar e montar a pequena favela muito rapidamente, alguém avisava a chegada do rapa, e eles desapareciam. Outro favelado, um velho senhor, criou uma favela com a mesma técnica de castelo de cartas, se tirasse uma parede caia tudo, mas a estrutura era muito firme e estável. Um velho trabalhador de uma tecelagem entrava no setor de produção e sabia qual máquina que estava com qual problema, com um detalhe, um setor de máquinas de tear faz um barulho ensurdecedor, mesmo assim ele não errava. Um pescador, já muito velho, subia num morro e orientava os pescadores onde estavam os peixes, isto a centenas de metros de distância. Inteligências específicas. 
  
Se a sociedade fosse treinada para perceber e aproveitar estas inteligências estaríamos muito mais bem arranjados. Por uma série de razões, inclusive pela venda que todos somos inteligentes e que cada um de nós temos que lutar pela própria inteligência para garantir um lugar ao sol, não interessa reconhecer uma inteligência que seja de fato útil a todos. O outro é uma besta e nós somos inteligentes, ponto final.



Eu sou inteligente? Não! sou invejoso, muito invejoso da inteligência dos outros, as normais e as específicas, e os fora da curva, os superdotados. Adoro conviver com eles, agradeço muito a benção de ter tido vários 'malucos' por perto, da mesma forma agradeço muito não ser um deles.



E não é que a Eldorado silenciou

 Ouvi os últimos minutos de transmissão da Rádio Eldorado. E não é que um pouco antes da meia noite ela silenciou. Confesso que não sei o que pensar. Mais uma perda em minha vida. Mais uma perda em nossas vidas, perda incalculável. Mas quantos saberão calcular, quantos tem a ciência e a consciência para avaliar?

Vivemos uma época de terra arrasada, da vulgarização do passar por cima a qualquer custo para abrir caminhos incertos. O passado é a bússola para o futuro. Cultura!

A vida é como nuvens que passam, não voltam e nunca serão as mesmas. A bússola do passado ensina o saber olhar o caminho das nuvens, as que vem e as que somem no horizonte. Nada será como antes amanhã. Mesmo assim é sábio viver a vida bem, acordar, comer, andar, pensar, trabalhar, descansar, acordar... Moto continuo. Aí entra a bússola, agulha do passado que aponta para o norte do futuro seguro.

Algumas coisas não se deve deixar estragar, acabar. Inteligência é uma delas, talvez a principal. Rádio Eldorado silenciou. Que horror. Silenciou de verdade. Pode?

Nós silenciamos. Há momento para tudo, para o silêncio e para a manifestação. Onde eu errei? Quando troquei de momento certo meu silêncio? Com certeza agora foi. Melhor, foi-se. Deprimente.


quarta-feira, 13 de maio de 2026

O absurdo fim da Rádio Eldorado FM

Fórum do Leitor, O Estado de São Paulo

Quinta-feira, dia 14 de Maio de 2026, se derá a última transmissão da Rádio Eldorado FM, o que é mais um absurdo dentre os inúmeros que este país está vivendo. Pertencente ao Grupo O Estado de São Paulo, a Rádio Eldorado completa 68 anos no ar não só como uma simples rádio, mas como uma emissora que realmente cumpriu o dever civilizatório de informar e transformar para o bem não só a cidade de São Paulo, mas o Estado de São Paulo e o Brasil. Emitiu uma programação musical diferenciada em todo país, muito inteligente, desde seus primeiros dias. Lançou vários artistas de alta qualidade no mercado. Encampou inúmeras ações de melhoria da qualidade de vida da população, como o da recuperação das águas do rio Tiete, o que influenciou em ações semelhantes por todo país. Falando sobre vários esportes, de grande público ou não, dentre eles a vela, se pode dizer que teve uma participação, discreta e pouco conhecida, na conquista até de medalhas Olímpicas.

Sendo leitor do Estadão desde sempre, 71 anos de vida, confesso não entender como foi permitido o fim da Rádio Eldorado. Conhecendo a história deste jornal, simplesmente não consigo entender o que está acontecendo. 

Novamente, por mais que tente, não consigo entender a posição do Grupo Estado de São Paulo.

A todos que fizeram e fazem a Rádio Eldorado, muito, muito, muito obrigado.

Agradeço muitíssimo a oportunidade que me deram para participar desta rádio sensacional com o Bike Repórter Rádio Eldorado. 


Renata gravou está gravado: eu vergonhosamente pedalando nas calçadas. Mea culpa!


sábado, 9 de maio de 2026

O que deveríamos aprender com os 20 anos do cortiço na Oscar Freire

20 anos? 20 anos? 20 anos! Sim, 20 anos. 20 anos para uma decisão da justiça. Justiça?

Na esquina das ruas Oscar Freire com Haddoc Lobo tem um comércio que está fechando faz sei lá quanto tempo, mas a décadas. Na al. Casa Branca, abaixo da Oscar Freire, um edificio ficou inacabado por mais de 30 anos. Pela cidade são inúmeros os edifícios que estão largados ou invadidos. São inúmeros os casos de disputas judiciais sem fim como o deste pequeno e belo edifício na esquina da Oscar Freire com Peixoto Gomide. Onde está o problema? Nas leis? Desconheço, mas é bem provável. A morosidade de nossa justiça é patente, a probabilidade que as leis existentes ajudem a confusão é grande.

Estas construções abandonadas fazem parte de uma rua, de um bairro, de uma cidade, de uma comunidade, portanto são propriedades privadas dentro de um contexto coletivo. Em NYC os imóveis não podem ficar mais de 6 meses desalugados ou o proprietário sofre sanções pesadas por dano ao coletivo. Em Paris os edifícios são obrigados a restaurar a faixada a cada 10 anos, pelo bem coletivo. Em Detroit a justiça definiu, pela primeira vez na história da humanidade, que a cidade tem prioridade sobre abandonos e disputas judiciais, ou sobre um senso de propriedade nocivo ao interesse,coletivo. Ou seja, pode ser propriedade particular ou o que seja, mas está inserida num contexto coletivo e este contexto coletivo tem prioridade pelo bem de todos.

A cidade não pode ficar refém da vontade de uns e outros, aos interesses particulares, ditos justos ou não. O interesse coletivo tem que estar acima, tem que ser respeitado, ou afetará inclusive o direito individual em questão. Esta é uma posição que interessa e muito inclusive ao capitalista mais aguerrido. Quanto melhor está funcionando, melhor para o social, melhor para a economia, melhor para todos. Um câncer é um câncer e deve ser tratado ou extirpado o quanto antes. É assim que funciona em qualquer cidade do planeta, e é assim que deveria ser aqui.

Convivi com a invasão do pequeno edifício da Oscar Freire. Sujeira, barulho, e outras inconveniências foram um problema, diria gritante numa área nobre de São Paulo. Mas não só lá; pergunte a um funcionário seu que vive numa comunidade se ele está feliz com a sujeira e a barulheira em seu bairro. Se ele gosta de vizinhos que fazem o que querem, não se importando com o coletivo. Que se faça uma entrevista com os funcionários e trabalhadores do entorno do edifício invadido perguntando o que eles acham.

Fato é que o Poder Público é fraco, ineficiente e não raro inexistente, e não é de hoje. O exemplo do edifício invadido na Oscar Freire é piada pronta. Sem trocadilho, drama pronto, e que drama. Grita aos olhos por que envolve pobres. Já os bares que passam as noites ao som altíssimo, que vivem oferecendo aos vizinhos bêbados falando, rindo e brigando alto no meio da rua, manobristas fritando pneus, que no dia seguinte entulham a calçada com lixo mal cheiroso, que geram baratas e ratos... Estes 'passam' por não ser negócio de pobre, por gerar impostos? Pergunte aos vizinhos. Aliás, próximo do edifício invadido na rua Oscar Freire tem exemplos do que digo. Ok, não se vê ratos e baratas, o lixo é recolhido de madrugada por caminhões barulhentos, mas de resto incomodam tanto quanto os invasores do edifício. Maldito cheiro de carne na brasa! É de e para a elite, se houver reclamação vai acontecer algo? Pergunte aos vizinhos?

Toda e qualquer cidade do planeta que tem boa qualidade de vida respeita a regra básica onde o bem coletivo a prioridade máxima. Urge rever as leis. Urge que a população se faca ouvir. Urge a recuperação de um mínimo de qualidade de vida. Urge que tomemos consciência que é para amanhã e não para daqui 20 anos, ou sabe-se lá quando.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Boa entrevista de Sérgio Avelleda

 





Corrupção generalizada / master

 

Fanatismo é a forma mais fácil de se levar a cegueira. Estamos colhendo os frutos do fanatismo, que no passado era chamado de "inocente util", e hoje virou "nós e eles" ou também "nós e eles", escolha seu lado. Não sentiu o cheiro de queimada quem não quis, o fogo ardendo vermelho e quente está lá faz muito.

Depois que foram descobertos os campos de concentração, os aliados pegaram toda a população de cidades no entorno e os levaram para ver a barbárie in loco. Hoje temos informações de qualidade a disposição, basta ler.

Temos um país com uma riqueza natural sem igual. Como só olhamos para o próprio umbigo destruímos sistematicamente nosso potencial, e com ele nosso futuro. Alguma novidade no que está vindo a tona? Não sei, mas não me surpreende muito, aliás, não me surpreende nada.

Aos "nós e eles", dos dois lados, que tal vocês deixarem de ser fanáticos inocentes úteis para se transformar em brasileiros?

A única verdade na história da humanidade é "unidos venceremos". Fraticidio é para os doentes. A maluquice que vivemos só irá parar quando nós quisermos - todos, unidos, mesmo discordantes. Não há outra saída. O problema não são diferenças, mas a cegueira que não deixa ver a realidade. E a realidade não está no proprio umbigo, ou dos iguais.

Diferenças, com o uso da inteligência, aponta caminhos e soluções novas. Não sabe disto quem não quer ou não tem capacidade.


PS.: a cegueira, o desinteresse, o olhar só o próprio umbigo, é fato corriqueiro deste Brasil desde sempre, em tudo, em todos setores da sociedade e economia. Os erros que cometemos em tudo beiram o absurdo. "O Brasil não é para iniciantes", dito lá pelos anos 60 ou 70, já deveria ter acabado há muito, mas muito tempo mesmo. O que nos destrói é uma soberba altamente destrutiva embutida no "nós somos diferentes, fazemos do nosso jeito". O jeitinho Brasileiro é mágico quando olha para a eficiência, o contexto, o futuro, o que os outros fazem e nós podemos melhorar. 

Nós e eles é de uma mediocridade sem tamanho. Remete a falência de inúmeras sociedades, a História prova de maneira farta.


Olha só que boa coincidência. O segundo Opinião do Estadão traz o seguinte. 

Meu comentário, ainda no Opinião "O ecossistema da corrupção"

Recomendo a leitura do outro Opinião de hoje, "Um grito de socorro pelas universidades", pricipalmente os três últimos parágrafos. Não se faz necessário lembrar que o mesmo texto poderia ter sido escrito como um olhar sobre a outra face do " nós e eles". Infelizmente, não terá a universidade se transformado numa nova religião? Que diferença há?





quarta-feira, 6 de maio de 2026

Resposta a Miguel Reale Junior

 


Excelentíssimo Senhor Miguel Reale Junior
Antes de mais nada, agradeço e muito suas falas e ações em prol da construção de um país mais justo.

O que respondo aqui tem como ponto de partida uma conversa que quis ter com o senhor durante um jantar em apartamento de um amigo comum.

Na época, por volta de 2005, o senhor teve uma reação imediata e furiosa quando iniciei uma explicação sobre a questão legal da bicicleta. Não tive tempo, aliás, sequer me foi permitido evoluir dada a reação as minhas primeiras palavras. Não pude argumentar que na época o transporte de uns 40 milhões de brasileiros se fazia praticamente só por bicicleta, ou seja, era uma questão de amplo impacto social.

Aziz Ab'Saber, geógrafo brasileiro reconhecido por sua importância mundo afora, um dia declarou que a cidade de São Paulo não tinha topografia própria para o uso de bicicletas. Alertado sobre o erro de sua fala, o sábio, tranquilo e querido Aziz veio a público corrigir sua fala. São Paulo está assentada sobre vastas áreas de várzeas, Tiete, Pinheiros, Tamanduateí, Aricanduva, etc...  

Interessante ver uma eminência se interessando agora por temas, digo eu, mundanos e populares, como a segurança no trânsito de pedestres e motociclistas. Entendo que o desconhecimento sobre bicicletas foi, naqueles anos geral. Bicicletas eram, como continuam a ser para boa parte, um brinquedo, lazer ou esporte de elite, dita sem muita importância no contexto dos temas prioritários ou do social. Mesmo que esta miopia tenha melhorado, ainda representa uma visão de classe média e alta sobre a realidade, aliás, não só sobre bicicletas.

A motocicleta vem substituindo a bicicleta, mesmo assim o número de usuários da bicicleta como meio de transporte nas classes menos abastadas é relevante. Quando tive a infeliz tentativa de conversa, um pedido de orientação, com Miguel Reale Junior, quase um terço dos brasileiros faziam uso intenso da bicicleta no dia a dia, mas eram, como continuam sendo, invisíveis por simples razão: onde circulam e horários de uso constitui um universo fora da realidade das classes média e alta motorizadas.

Interessante o interesse pela segurança de pedestres, outro cidadão praticamente invisível aos olhos de usuários de veículos motorizados.

Por fim, é sabido que temos uma intelectualidade um tanto fechada, restrita a suas áreas específicas de atuação, o que prejudica muito a perspectiva de um Brasil mais funcional e justo.
Devemos e muito a sábios do calibre de Miguel Reale Junior. Ninguém, nem os que tem notório saber, tem obrigação de conhecer a fundo todo o universo. Mas ouvir não faz mal a ninguém, afinal, o mundo não acaba no que se vê.

domingo, 3 de maio de 2026

Zanardi; renascer, reinventar, renascer, reinventar, renascer....

 


Sem mais palavras. Aliás, muito obrigado, muito obrigado 

Inaugurada a terceira maior ponte marítima do Brasil

Quarenta anos de projeto? Aos brasileiros, assistam os capítulos sobre a China atual que está passando no JN da Globo para entender onde nós, brasileiros, estamos. E o que significa estes 40 anos de projeto. Me faz lembrar a Serra do Café na Regis Bitencourt.

Sobre o ambiental, óbvio que uma nova obra cria problemas. A questão é que nós, brasileiros, riscamos do dicionário "contornar com inteligência", que vai ou deveria ir mais ou menos pelo mitigar. Em outras palavras, como mitigar, como transformar um problema em uma alavanca para a solução prática, eficiente e inteligente? Sem números, muitos números, dados precisos sobre todos ângulos, fica difícil saber. 

Números, dados, pesquisas, ciência? Não é nosso forte. Planejamento bem estruturado, de curto, médio e longo prazo? Também não.

O que me assusta nesta história é alavancar o turismo. Este sim poderá ser o pior problema ambiental. Pior mesmo! Os exemplos, inúmeros, quase todos, não deixam dúvidas. 

Valor agregado? Aqui? O que é isso? O Brasil que funciona para valer, e como funciona bem, só nos dá prazer porque trabalha sob os sistemas ISO e outros de qualidade. Quando chegamos a coisa pública... ah! a coisa pública! caímos num populismo Balneário Camboriú. 

Medo do turismo? Lógico que tenho. É para menos?

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Lixo, reciclável

O saco plástico cinza é para lixo comum, úmido, descartável; o verde deve ser usado para o reciclável. Já comecei errado, não é lixo, é... resíduo? Resíduo. Depois procuro, ou lembro.

Nós pegamos muitas e muitas mais destas sacolas plásticas. Eu sou cuidadoso com o meio ambiente, mas de vez em quando esqueço minha sacola em casa, então taca pegar sacolinha plástica (paga) no supermercado. Quantas? Sei lá. A verde é para reciclagem, a cinza para resíduos úmidos. Isto todos sabemos, ou deveríamos saber. 
Resíduos úmidos no verde, é isto? Mas quem se importa? 
Um passo atrás, quem se lembra o que é o que? Não sei qual é o percentual de clientes que na correria do caixa do supermercado vão se lembrar que tipo de lixo tem em casa. Desculpem, quanto resíduo, politicamente ou ambientalmente correto tenho em casa? Quem vai se lembrar se precisa de uma sacolinha cinza ou verde? Faz diferença? O lixeiro, desculpem, o coletor olha e separa por côr? Não tem tempo para tanto. Ele desce do caminhão de lixo correndo, pega os sacos plásticos e o que mais for, correndo, joga tudo no triturador e se pindura na traseira do caminhão para a próxima coleta, correndo. Ele tem tempo para ver a cor da sacola? Alguém fiscaliza?

Chego do supermercado com as benditas, que na realidade são malditas sacolinhas plásticas, tiro tudo delas em cima da mesa, guardo tudo, geladeira, armário, lavanderia, e sento com copo de água gelada para um breve descanso, recuperar as forças do calor fornalha da rua. Dou um gole, pego uma delas para dobrar bonitinho, tipo terapia. UAI? Nunca tinha visto aqueles desenhos estampados na sacola. Ou não prestei atenção. Ou não me lembrava mais. Pego a segunda e vejo que são uma explicação / propaganda de qual uso correto se deve dar a elas.

Não tem nada mais ineficiente que repetir a mesma coisa sempre, principalmente se a informação não for entendida como prioridade. Meio ambiente é prioridade? No Brasil boa parte diz que sim, mas dizer é uma coisa, agir é outra. Em se falando sobre meio ambiente urbano a coisa então fica feia. Coitados dos varredores, coletores de lixo, lixeiros, para muitos cidadãos eles são o fim da linha social. Fim da linha social? Upa! Fim da linha social???? 

Um minuto para nossos comerciais. Esta é a cor da água captada da chuva do telhado de minha casa. O telhado foi lavado na última chuva, faz uns cinco dias, mesmo assim... 

Seguimos com nossa programação.

Toda terça-feira pela manhã passa o caminhão de lixo reciclável. Eu prefiro levar meu reciclável até um centro de coleta aqui próximo. Fato é que cada vez que levo fico espantado com a quantidade de lixo que eu sozinho gero. E olha que me preocupo, tento reduzir. Você já se preocupou em ver quanto lixo gera?

O Brasil recicla muito pouco. Exceto alumínio. O resto, plástico, papel, outros metais e sei lá mais o que, é menos reciclado do que deveria ou poderia. Há técnicas modernas de reciclagem que não sei se são aplicadas por aqui já que nunca vi notícias. Hoje existem máquinas com uma capacidade incrível de separação e preparo do material para reuso. 

Na Holanda estão testando pavimentação com placas modulares feitas de plástico reciclado. Os primeiros resultados são ótimos.


Falando em reciclagem, alguém sabe que fim se está dando para a quantidade absurda de entulho que vem sendo gerada pela demolição de casas e edifícios, mais o entulho das construções? Onde vai parar tudo isto.

Lembrando que há uma política federal sobre destino deesíduos que, como tudo neste país, deveria estar muito mais adiantada do que está. Pelo país lixões pupulam nos lugares mais distantes e escondidos. Já o entulho é frequente de se ver pela cidade, inclusive em bairros ricos. A rua Canada, no Jardim América, bairro para lá de nobre da cidade de São Paulo, que o diga. Alguém reclama? 

PSG 5 X 4 Bayern



O futebol que se prática por aqui é um bom reflexo do que é o Brasil: arbitragem que lembra o STF, jogadores caindo como que quisessem falar no celular durante o trabalho, visual selfie para se diferenciar, o técnico sempre é o culpado, assim como o empresário, patrocinadores ricos, mas curiosos, assim como os carrões milionários que circulam esnobando pelas ruas...

Vale notar que na Europa futebol é um dos esportes populares, uma das modalidades de grande público, sem esquecer as outras. Em outras palavras, todos importam, todos interessam. Aqui, Futebol, Ponto final. Lá, Europa, ou primeiro mundo, unidos, mesmo que diferentes, num objetivo coletivo, o que se reflete no esporte, nos esportes, na noção de trabalho coletivo, responsável, responsável pelo próprio grupo e consciente da responsabilidade por todos outros. Aqui, nós e eles, o outro é um inimigo, eu sou o único, eu sou o bom, eu sei, o que valida qualquer simulação de dor, o urrar o mal que outro faz, o erro grotesco do juiz em nome de uma "vitória arrasadora sobre o adversário, leia-se inimigo.

Nelson Piquet, o tri campeão de F1, disparou que para o brasileiro o segundo colocado é o primeiro perdedor. Definição correta, brilhante e trágica ao mesmo tempo. Assim trágica que terá quem qualificará ou desqualificará qualquer palavra de Piquet num nós e eles, coisa de país de semi deuses a serem seguidos.

"Perdemos porque ele não estava em campo". Responsabilidade coletiva?

Gostaria de estar da saída do estádio deste PSG 5 x 4 Bayern para ouvir os comentários do público. Duvido que os torcedores franceses tenham pensado de forma tão desrespeitosa dos torcedores alemães. Antes de ser futebol, é a arte de um continente. Por isto são o que são.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Anunciado o fim da Rádio Eldorado

Enviada a Rádio Eldorado 

A notícia é horrorosa, no que mais literal há no termo. E não digo isto de forma emocional, mas racionalmente, sim com uma forte dor emocional. Não sei o que acontece, mas posso imaginar, ou não. O ou não me preocupa mais ainda, a saúde do Estadão.

Um país, um futuro, se constrói sobre o respeito ao passado. Brasil está sendo trucidado faz tempo, em vários sentidos, mas especialmente em sua memória. O que vem acontecendo aqui em São Paulo é deprimente.

A perda de uma rádio de importância histórica, como a da Rádio Eldorado, deveria ser inaceitável, mas não é.

Nasci junto a ela, a Rádio Eldorado. Morro muito se realmente dia 15 de maio ela silenciar.

Ironia do destino, ao qual não tenho como agradecer, trabalhei para a Eldorado por dois anos.

Enfim, estou destruído.

Não tenho como agradecer a todos vocês que estão aí, por trás dos microfones, do aquário (estúdio), na redação e em outros.

Com profunda dor e de longe, estou com vocês neste tétrico velório.


Forte abraço a todos. Muito, muito, muito obrigado



quarta-feira, 22 de abril de 2026

Quem censurou?

Escrevi comentários em jornais sobre textos e artigos publicados. Publiquei e depois descobri que foram despublicados, ou seja, retirados dos comentários. Aconteceu duas vezes. A primeira veio uma explicação que li, mas não tinha nada a ver com meu texto. Não ofendi, não xinguei, não escrevi palavrões. Fiz críticas para alguns dos comentaristas generalizando: "precisamos conversar feito adultos", uma resposta aos que insistem em apontar o dedo para o outro, aquela história de "nós e eles" que trouxe o país, Brasil, onde estamos. Aliás, onde estávamos, a coisa dia a dia fica muito mais feia, coisa de aluno de 5ª série, como acaba de dizer um senador sobre o bate boca dos chefões, os pederosos lá de cima. 

Já entrei em jornal grande, no Estado de São Paulo, na Folha de São Paulo e Diário do Comércio de Recife. Em todos eles, num canto, em uma sala fechada e silenciosa, ficavam (e devem continuar) os revisores, um grupo de experientes leitores que lêem o jornal de cabo a rabo a procura de erros ou impropriedades. (Rindo vou escrever que) A redação é o inferno e os revisores são os santos da casa. Se não é isto, deve ir por aí.

A pergunta que me faço é se os comentários estão sendo revisados por IA. Como no fim de alguns dos textos publicados vem a informação do uso do IA, acredito que a triagem dos comentários também esteja sendo realizada por IA, o que acho muito perigoso. Aliás, depois da entrada em cena do IA nas redações o número de erro crassos, os que até eu pesco, aumentou muito, muito mesmo. De qualquer forma, tendo a acreditar que meus comentários caíram pelo IA. Se for isto, uau!