sábado, 31 de agosto de 2013

Meli Malatesta - CET Pró Ciclista

Meli Malatesta foi uma carregadora de pianos. Pelo que conversamos brevemente continuará a ser. Trabalhou durante anos, talvez décadas, com a questão dos pedestres e ultimamente das bicicletas. É inegável que deixou um trabalho extenso que confesso não posso avaliar com alguma precisão, mas sem dúvida é positivo. Tivemos nossas discordâncias, algumas pesadas, mas é impossível não reconhecer que Meli e a equipe que comandou deixa a bicicleta dentro da CET e em São Paulo em um patamar muito mais alto, promissor.

primeira a direita é Meli, numa inspeção em Engenheiro Marsilac.
Ana Hoffmann de preto, Sérgio Luís Bianco e eu 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Esquerda populista, as carícias na marginalia e familia de Igor

A história mostra de forma inequívoca que a esquerda, em particular a populista, precisa fazer carícias em qualquer tipo de desajustado social, dos cidadãos trabalhadores honestos aos que vivem de todo tipo de ilegalidade e bandidagem.
A votação no Congresso Nacional de ontem a noite, 28 de Agosto de 2013, que manteve o mandato do deputado federal (com letras minúsculas) Natan Donadon, condenado em todas as estâncias e hoje um presidiário cumprindo pena, aponta para o já sabido desligamento e desprezo dos políticos brasileiros com seus eleitores e toda demais população brasileira. Está claro que, em nome do interesse de seus amigos e aliados, também julgados e condenados pelo Mensalão, o Governo Federal, sob a o mandato e assinatura de Dilma e responsabilidade direta de Lula, calou-se.
O acontecido na votação sobre o caso Donadon aponta para um grave problema de carácter. Não existe nada mais devastador que do exemplo mal carácter, aquele que acaricia os outros em causa própria. Mal carácter vai dividindo, colocando de um lado os inocentes úteis e doutro os inimigos de suas mentiras. Ao mal carácter interessa o conflito como caminho para manutenção do poder a qualquer custo. Vide os inúmeros exemplos da história.
Infelizmente há uma imensa massa de brasileiros sutilmente doutrinados que realmente acreditam que o caminho estabelecido por esta dita esquerda que ai está é o correto, mesmo que estejam vivendo apavorados no meio de uma violência de guerra civil generalizada. Nunca este país foi tão cor de sangue.
Hoje faz uma semana da morte de Igor, que estava pedalando e foi atropelado por um caminhão quando tentou desviar de assaltantes que saíram do mato. No dia que me deram a notícia simplesmente não consegui escreve. Sentei em frente ao teclado e digitei, digitei, digitei... mas não deu. Tive pouco contato com ele, o suficiente para ver nele qualidade rara de respeito, formalidade e leveza. Lembro bem do último encontro por que foi ali que me contaram que ele fazia provas de longa distância, o que me causou surpresa. Seu perfil era muito tranquilo para uma competição tão pesada. Estava treinando junto com uma menina, Ana creio eu.
Sinto profundamente. Sei que vai virar número, que os assaltantes provavelmente não vão ser pegos e se o forem não serão condenados, e se num caso raríssimo forem condenados rapidinho estarão nas ruas. Sinto profundamente. Com toda a certeza a família de Igor não terá direitos humanos. A carícia continuará sendo oferecida ao outro lado da moeda.
Se este pessoal ai sabe o que é a construção da justiça social eu sou mico de circo de cavalinho.

 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Carta ao Excelentíssimo Deputado Federal Natan Donandon

29 de Agosto de 2013
para:
Fórum do Leitor

O Estado de São Paulo

Excelentíssimo Deputado – Presidiário Federal Natan Donadon

Venho por meio desta pedir a Vossa Excelência que envie, caso possível, suas propostas parlamentares para o Vosso mandato vigente. Como eleitor de um deputado com ficha limpa me sinto um pouco desorientado sobre estes novos tempos. Com a votação ocorrida esta noite na Câmara dos Deputados Federal, quando Vossa Excelência foi mantido Deputado Federal, fica clara a posição do Governo Federal, por meio de sua base aliada, no sentido a dar guarida aos esquecidos, desamparados e injustiçados de tempos passados. Tendo em vista que Vossa Excelência é hoje o maior expoente da Câmara Federal, acredito que não haja ninguém melhor para bem orientar um cidadão comum.
Peço também que esta minha humilde carta seja enviada a todos seus brilhantes eleitores. Nunca o Brasil teve tão esclarecidos cidadãos. Vossa Excelência é prova inequívoca que hoje vivemos uma democracia plena. “Brasil um país de todos”

Arturo Condomi Alcorta
arturoalcorta@uol.com.br

 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

NY Times - Mobilidade no futuro - hoje.

Vai o link por que a matéria em si tem um monte de links.
http://cityroom.blogs.nytimes.com/2013/08/28/new-york-today-commute-of-the-future/?nl=nyregion&emc=edit_ur_20130828&_r=0
Me lembra o nosso telefone preto feito em baquelite que ficava embaixo da escada. O nosso número era 2999 - isto ai, 2999, e acabou. Um dia colocaram um número na frente, o que me causou espanto. Meu pai ficou um tempo com uma Lambreta e saímos para dar uma volta pelo bairro: meu pai pilotando, minha mãe atrás dele, minha irmã sentada atrás de minha mãe, e eu entre as pernas de meu pai. Saiu a Lambreta e entrou uma Romiseta, paixão de minha vida, que também ficou pouco tempo por lá. Não sei como entrávamos todos os cinco, contando meu irmão, mas entrávamos e íamos. Muito tempo depois, quando já era um pré-adolescente, fomos para Cambuquira, Sul de Minas, 300 km de São Paulo) num Volkswagem (ainda não era chamado de Fusca) - em 7 primos. O pedaço final da estrada ainda era em terra. Isto é que era mobilidade. Papa-fila!!!

Resposta da CET para São Paulo Reclama sobre área de c aixa de retenção de ciclistas em avenidas


São Paulo Reclama
bom dia

A saber, ontem estive numa reunião do Pró Ciclista, da STM. Enviei o convite que me fizeram para vocês na mensagem anterior para confirmar a reunião.

Os próprios presentes na reunião não sabem bem quem, dentro da CET, fez a pintura dos pictogramas nas avenidas e disseram considerar inapropriada a ação. Perguntei se haviam recebido minha carta para o São Paulo Reclama e disseram desconhecer, o que acredito que seja verdade.

Faço aqui meu elogio ao início de trabalho que está sendo realizado por Ronaldo Tonobon, responsável pela questão da bicicleta na Prefeitura. Confio na forma com que Ronaldo Tonobon irá encaminhar as questões da segurança dos ciclistas, que simplesmente é uma questão de inteligência e capacidade de ouvir, qualidades que não lhe faltam.

Faz muito que venho pedindo que os jornalistas do Metrópole e do São Paulo Reclama tenham interesse jornalístico na verdade da questões do trânsito para que não se publique meias verdades perigosas. Novamente lembro que a imprensa no geral fecha os perigos do trânsito no universo condutores, pedestres, ciclistas, deixando de lado a questão técnica da construção, sinalização das vias e organização destas.

As respostas formais da CET são tipicamente empresariais e normalmente para boi dormir. O problema com os cruzamentos para pedestres é implacavelmente respondido com um “os técnicos estiveram no local e não encontraram problemas”, não interessa que a esquina então citada fosse um dos maiores índices de acidentalidade da cidade, ou que uma sequência de fotos provasse a existência de sérios problemas. Aceita quem quiser ou quem não tem capacidade de enxergar mais longe por falta de interesse. Desta ‘pequena’ confusão ou desinteresse surge números de mortos no trânsito, até absurdamente considerados normais por todos. É óbvio, a culpa é sempre do usuário do sistema viário, e de mais ninguém. A técnica e aplicação da lei (CTB) é prefeita! As pessoas morrem por que querem...

Caixa de espera em avenida com pictograma de ciclista é um erro grave, beirando o absurdo, até por que deixa a própria CET exposta perante a lei.

Venho mais uma vez pedir que este respeitado jornal procure fontes de informação que tenham qualidade técnica e neutralidade para olhar a realidade.
Acreditar em besteiras mata!

Arturo Alcorta 



De: Sao Paulo Reclama
Data: terça-feira, 27 de agosto de 2013 17:39
Para: arturoalcorta@uol.com.br
Assunto: RESPOSTA - São Paulo Reclama - Arturo Alcorta - 26/08



De: Cia. de Eng. Tráfego
Enviada em: terça-feira, 27 de agosto de 2013 17:34
Para: Sao Paulo Reclama
Assunto: CET Responde: O Estado de S. Paulo - São Paulo Reclama - leitor Arturo Alcorta


São Paulo, 27 de agosto de 2013
Ao jornal O Estado de S. Paulo
A/C.: SP Reclama

A CET informa ao leitor Arturo Alcorta que para melhorar a segurança de motociclistas, ciclistas e pedestres, lançou no final de abril o Projeto Frente Segura, que consiste na criação de áreas de espera exclusiva para os veículos sobre duas rodas, destinando um espaço para motociclistas e ciclistas pararem e aguardarem a abertura do semáforo veicular. Além da sinalização de solo característica (pictogramas de bicicleta e motocicleta pintados no asfalto), a caixa de acomodação – que está situada entre a faixa de pedestres e os automóveis parados no vermelho do semáforo veicular - tem sua sinalização reforçada com placa educativa, evidenciando que ali é um espaço para a espera de motos e bicicletas.

Desde o início do programa até agora, mais de dez boxes já foram implantados no sistema viário da cidade. Os locais para implantação do Projeto Frente Segura são escolhidos, basicamente, em função de dois critérios: volume considerável de motocicletas e bicicletas que passam pelas vias e conflito veicular, incluindo-se aí o critério da Segurança Viária (ou seja, local com maior número de acidentes envolvendo veículos sobre duas rodas, os mais vulneráveis, nos anos de 2011 e 2012).

A iniciativa do Frente Segura tem como objetivos:

proporcionar maior segurança para as motocicletas e ciclistas, diminuindo o conflito com autos no momento da largada no verde do semáforo;

aumentar o respeito das motos à linha de retenção e à faixa de travessia;

dar maior visibilidade às motos junto às travessias de pedestres;

diminuir o número de acidentes envolvendo motos, ciclistas e pedestres no cruzamento.

A CET informa ainda que a cidade de São Paulo conta atualmente com 242,31 km de malha cicloviária, sendo:

Ciclovias – 60,21 km

Ciclofaixa de Lazer –120,8 km

Ciclofaixa Definitiva – 3,3 km

Ciclorrotas – 58 km

A meta inicial da gestão era implantar 400 km de infra-estrutura cicloviária na cidade até o final da gestão. Dentro desse programa voltado para os ciclistas estão incluídos 150 km de ciclovias que serão instaladas ao lado dos novos corredores de ônibus e a implantação de 60 km de ciclovias que já têm projeto executivo concluído. Além disso, também são sendo elaborados projetos de 140 km de outras infra-estruturas cicloviárias e 300 km de rotas de bicicletas integradas ao projeto de empréstimo de bicicletas, o Bike Sampa. Portanto, a meta inicial deverá ser superada.

Além de investir em infra-estrutura para o trânsito seguro de bicicletas, a CET promove iniciativas na área de Educação de Trânsito: uma pista simulando uma ciclovia, uma rota de bicicleta e uma ciclofaixa, as tipologias encontradas pela cidade, foi especialmente criada no Centro de Treinamento e Educação de Trânsito da CET, na Barra Funda, para viabilizar a parte prática do curso gratuito Pedalar com Segurança. Qualquer ciclista pode se inscrever e a participação é gratuita.

Por último, o Programa de Segurança ao Ciclista, também da CET, já totalizou nos sete primeiros meses do ano 4.160 multas aplicadas de acordo com os enquadramentos 169, 197 e 220 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Atenciosamente,
CET

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Viva! Correr a pé

E se eu voltasse no tempo, o que faria? Não tenho a mais sombra de dúvida: correria a pé. Se tivesse que optar entre a bicicleta e correr a pé? Correr a pé. Futebol? Natação? Bem, de tudo um pouco, mas correr a pé, correr muito a pé, correr em todo lugar, para todo lado, de preferência nas matas, praias, pastagens, pedras, morros...

Minha grande paixão é correr a pé, o único momento que sinto meu corpo completamente livre, integrado à natureza, natural. Nada da chatice que fazem da corrida sempre no mesmo circuito, com os mesmos treinos...; mas simplesmente a liberdade de correr. Não sei bem como comecei, mas depois que aprendi a correr descobri uma sensação de capacidade corpórea e liberdade sem precedentes. Você não precisa de absolutamente nada, basta sair correndo...

Creio que o Chico Macchione tem a ver com o interesse. Começamos juntos no mountain bike e Chico corria a pé, o que fazia grande diferença no preparo físico. Numa São Silvestre fui acompanha-lo pedalando e fiquei um tanto impressionado com a subida da (av.) Brigadeiro (Luís Antônio) que ele fez. Ali entendi a nossa diferença nas subidas das provas de MTB. Um dia o Felix, um dos primeiros (e injustiçado) organizadores de provas de MTB, contou que corria ultra-maratonas. Ouvi de queixo caído que ele tinha vindo de Campinas para São Paulo de ônibus e que ia voltar correndo a pé. “Como?”

Assinei a Bicycling por décadas. Acho que foi numa propaganda dela que vi a Runner’s World, da mesma editora, Rodale Press, e decidi assinar por curiosidade. Faço aqui um elogio e agradecimento à qualidade editorial da Rodale Press, sempre cuidadosa com o leitor, o que me influenciou demais para o bem. A Runner’s mostrava o passo a passo sensato e comecei a gostar para valer da brincadeira.

Joguei futebol durante décadas praticamente todo fim de semana. Por praticar o esporte de maneira errada tive inúmeras lesões, algumas graves, principalmente no joelho esquerdo. Médicos e ortopedistas repetiram que eu não conseguiria correr mais. Com as dicas da Runner’s fiz duas meias maratonas e três São Silvestres, e na última fiz uma molecagem que me custou mais uma longa parada, que pensei ser a derradeira. Acabou. Acabou? Nada disto; mais uma vez estou de volta.

 Os diagnósticos sobre as dores no joelho esquerdo realizados por especialistas foram todos errados. Ai apareceu o Alberto Minami, ‘mestre’ em massoterapia e acupuntura, que com as mãos e em silêncio provou que estavam errados. Um bom tempo depois fui para no Bruno Bettarello, preparador físico, que começou seu trabalho fazendo testes de equilíbrio, força e agilidade em todo corpo, o que mostrou que a dor no joelho era resultado problemas com as cadeias musculares dos pés, bacia e coluna. E agora Rogério Neves, fisioterapeuta, está completando o trabalho. Estou de volta.

Nosso corpo é um sistema complexo e integrado. A medicina chinesa e a cultura indiana sabem bem disto há milênios. A medicina ocidental, com menos de dois séculos de boa história e grande arrogância, busca a correção rápida dos problemas localizados, pouco ou não levando em consideração que o joelho está entre o pé e a bacia, e que estes fazem parte do todo do corpo, num sistema ósseo, articular, muscular e neurológico completamente interligado. Saúde ocidental é cartesiana. Ótima para extremos.  

Faz uns dias consegui correr sem qualquer dor, uma experiência inacreditável. Minhas corridas ainda são relativamente curtas, mas o que importa, eu corro! Voltei a sonhar em fazer a São Silvestre. Ou talvez mais uma meia maratona. Quem sabe? Estou escrevendo este texto por que no final do dia escapei do trabalho e fui correr na mata do Parque Alfredo Volpi, um pequeno paraíso. Fiquei assustado com trânsito pesado na ida e muito deprimido com o que vi na volta, uma hora depois. Pensei em escrever sobre o colapso de São Paulo, mas para que? Por causa das corridas a pé minhas pernas giraram os pedais de volta para casa com uma consistência maravilhosa. Minhas pernas estão vivas, se precisar delas é só usar, respondem imediatamente. E passando por todos encalacrados senti mais uma vez a liberdade de ter o corpo em ordem, a alma limpa, o rosto leve, sorrindo de bobeira. Tesão!

Mais um pouco vou para cama. Vou ler um pouco e quando desligar a luz cada passada no meio da mata irá embalar o sonho. Vida! Viva a vida!

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

NY - antes e depois (do Prefeito) Bloomberg

A mudança é um tanto mais radical que mostram estas poucas fotos publicadas pelo NY Times. Quem viu este material só consegue dizer: "Que puta inveja!". Quem viu pessoalmente o antes e o depois então...
Vale a pena lembrar o maravilhoso e profético texto Ruas Sustentáveis de NY, de Sérgio Abranches, que divulguei na época em que apareceu, não me lembro quantos anos atrás. É deprimente como só sabemos olhar para trás, como Sérgio diz no final de seu texto. Nosso problema é do tamanho do trem bala..., ou da Copa,... ou principalmente de nós mesmos. Quem não quer mudanças somos nós, esta é verdade. Quando queremos, realizamos, como prova nossa própria história.
NY mudou por que sua população quis. Ponto final! O resto é historinha para boi dormir.
 
 
Relembrando algumas fotos já publicadas sobre a NY de hoje. A primeira sequência mostra o que se transformou a Broadway depois que a circulação dos automóveis foi reduzida ou retirada.
 
 
 




 

 
Creio que esta aqui seja a 5ª av., de qualquer forma é paralela a avenida de onde tiraram os carros
 
 Esta foi uma área onde era perigoso caminhar...


 

 
 A linha de trem abandonada...
 

 

 
 Ciclovia paralela ao rio
 
 
 
 Bairros deteriorados...
 
 
 ...esta praça então... não dava para passar por perto
 
 
 


 


 







estacionamento de bicicletas e beleza urbana

É porque não ajudar a melhorar o ambiente das bicicletas? Porque não colocar bom gosto e criatividade nos paraciclos? Veja o que estão fazendo em Buenos Aires: http://www.revistaohlala.com/1612336-mira-los-biciclceteros-intervenidos-por-disenadores-de-moda .
Não é uma novidade, como mostra este artigo sobre os paraciclos em Nova Iorque:
http://www.davidbyrne.com/art/bike_racks/about/nyt_8_8_08.php
O que se deve evitar é que o estacionamento da bicicleta se transforme em mais um problema, mais uma feiura urbana, o que infelizmente é comum. Porque não reforçar o bom conceito da bicicleta? Vale a pena organizar e embelezar, tornar os estacionamentos de bicicletas mais agradáveis para toda a população. O bom sempre dá bons resultados.
Osasco, em frente a estação CPTM



Ipiranga, São Paulo: paraciclo simples, discreto, de fácil construção. A partir deste projeto é possível criar um paraciclo mais simples, eficiente e belo. Se a ideia é boa é necessário dar um passo a frente


O ideal é que as cidades tivesse bicicletários automáticos e fechados, como o japonês que publiquei faz uns dias. Aqui no Brasil há ótimos projetos neste sentido. Basta implementar.
Projeto Antônio Mirrando para bicicletario com vários andares

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Caixa de reteção para ciclistas em avenidas

av. Rebouças com av. Brasil, sentido Centro
para:
São Paulo Reclama
O Estado de São Paulo


“Precisamos ver bem a segurança dos ciclistas” – com esta reza, repetida a exaustão pela maioria dos técnicos da CET SP, foi descartada boa parte das propostas de melhorias para ciclistas apresentadas nestas últimas décadas para o Município de São Paulo. Ouvi pessoalmente a ladainha inúmeras vezes.

É de estarrecer que a mesma CET que precisa ver bem a segurança dos ciclistas esteja pintando o pictograma da bicicleta nas caixas de retenção de avenidas de trânsito pesadíssimo como Francisco Morato e Rebouças. Acredito que a CET saiba que pedalar no meio do trânsito intenso, pesado, rápido, em especial no meio de veículos grandes, típico de avenidas e vias expressas, é a situação de perigo mais intenso para ciclistas. Pois é o que vem acontecendo exatamente neste momento que a Prefeitura da mesma CET vem a público com uma necessária, bem vinda, mas infelizmente muito tardia campanha de segurança para o uso da bicicleta. Fica um pouco confuso, se não perigoso, muito perigoso.

Pegando estes mesmos dois exemplos, vale lembrar que em paralelo à av. Francisco Morato corre a av. Eliseu de Almeida, também perigosa, mas mais adequada ao uso da bicicleta. A Eliseu conta com um projeto cicloviário, provavelmente o mais abrangente do país. Ninguém explica bem por que a ciclovia Eliseu de Almeida não sai do papel; e muito menos o que foi feito do projeto de sistema cicloviário interno de bairro que serve de alimentação para ciclovia Eliseu apresentada oficialmente pelo ITDP (Institute for Transportation & Developmet Policy - ONG).

No caso da av. Rebouças recomendo aos técnicos da CET irem até o local. A maioria dos ciclistas está circulando pelas largas e pouco usadas calçadas e, creio, seria mais inteligente ordenar o uso estabelecido do que induzi-los a circular o meio do trânsito pesado do asfalto. Descer pedalando a Rebouças no corredor de ônibus ou meio do trânsito com os motoboys por perto é quase a definição mais pura de loucura.

Caixa de retenção para motos e bicicletas é velha, conhecida e reconhecida medida de segurança para ciclistas e motociclistas, aplicada em várias cidades do mundo. Aqui chegou agora como novidade. Só se for para leigos e desavisados. Funciona, como toda outra técnica de segurança, quando usada com sensatez. Como velho usuário da bicicleta como modo de transporte me arrepia ver qualquer estímulo à circulação de bicicletas em avenidas muito saturadas, que é o que sinaliza a CET com estas novas caixas de retenção.

av. Brasil com av. Rebouças, sentido Henrique Schawman, sinalização vertical indicando caixa de retenção, ou área de espera, posicionada à esquerda, no canteiro central.
 

Mendigos e desabrigados do Centro de São Paulo

para:
São Paulo Reclama
O Estado de São Paulo

 
O passeio de bicicleta noturno predileto dos paulistanos sempre foi ir para o Centro. Foi. Hoje não dá mais. O ambiente é muito desagradável e inseguro. A bem da verdade, dependendo onde você esteja, ninguém se sente seguro no Centro, independente da hora do dia. Como está tudo de pernas para o ar hoje é politicamente incorreto comentar estas coisas. Caso você diga que não pode continuar assim é acusado de querer higienizar, sumir com os pobres coitados (coitado não pode mais?), de discriminação social, e outros mais. Ok, eu vou vestir esta carapuça. Para começar vou usar matemática básica: segundo li são aproximadamente 14 mil mendigos (mendigo pode?) e desabrigados no Município de São Paulo. Não sei quantos destes vivem no Centro da cidade. A população paulistana é de um pouco mais de 11 milhões. Não sei ao certo qual é a população residente, circulante e trabalhadora no Centro, nem qual o potencial não realizado em razão da presença destes mendigos, mas é fácil crer que o problema criado por estes coitados deve ser de grande ordem, principalmente em termos financeiros, portanto geração de impostos, portanto dinheiro para investimento no social, inclusive para eles.

Higienizar? Sim higienizar! Até para o bem estar e a saúde dos próprios mendigos e desabrigados. Salve Oswaldo Cruz e todo e qualquer sanitarista. Higienizar, sem a mais remota sombra de dúvida. É inteligente, não é hipócrita, é socialmente honesto. Mendigos e desabrigados são encontrados em todas as grandes capitais do mundo. A diferença é que em qualquer parte do planeta eles, mendigos, desabrigados e desajustados, tem consciência que vivem numa sociedade e que por isto devem respeitar regras, ter limites. E respeitam. Aqui situações degradantes são usadas como massa de manobra que facilmente acusam toda a sociedade, mas, como prova a história, não conseguem ou não tem qualquer interesse em dar solução para valer para o gravíssimo drama destes verdadeiramente coitados que empesteiam nossas ruas. Neste contexto o resto da população que se dane. Somos todos malvados! Se fossemos mesmo muito provavelmente o drama deles seria muito menor: teríamos acabado com os aproveitadores. Estes nos custam absurdamente caro.
O volume marrom escuro no meio do caminho é merda humana, bem fedorenta, das insuperáveis, verdadeiras, cheias de mosquinhas... As duas escadas da passarela estão todas cagadas, mijadas, etc... Uma maravilha! O verdadeiro step cross shit
 

sábado, 17 de agosto de 2013

antigas engenhocas, de patins com rodas de bicicleta a própria bicicleta (?!?)

É imensa a quantidade de engenhocas, como estes patins com rodas de bicicleta, que foram criadas e que hoje pouco conhecemos.

video
E um pouco de história da bicicleta

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

My generation

Passamos pelo grupo de ciclistas paramentados, encapacetados, iluminados, piscantes, falantes, que ficou preso no semáforo da Estados Unidos com Nove de Julho. Fiquei curtindo em silêncio. Abriu o sinal e dei um “boa noite”. Do grupo, mais de cinquenta ciclistas, só um respondeu. Elogiei a resposta solitária. O resto do pessoal simplesmente ignorou seguindo em frente pedalando e conversando, mas era assim como motoristas que dirigem trancados em suas verdades, vidinha e pressa, e levam um passageiro ao lado que até pode ser o viva voz do celular.

Confesso que tenho sentido saudades da época que éramos uma meia dúzia de gente pedalando nesta São Paulo de classe média e alta, o muito extenso e conhecido Centro Expandido. Antes do mountain bike era muito raro cruzar com uma bicicleta. A maioria de nós, que não nos dizíamos ciclistas (“Ciclista é esportista”), quando se cruzava soltava algumas palavras cordiais, brincalhonas ou simpáticas, acabou se conhecendo e tendo algum grau de amizade. Quando ao acaso nos encontrava era o mínimo emparelhar os caminhos por um trecho, que facilmente se perdia, e colocar as fofocas em dia. Sempre dava tempo; sempre havia tempo; sempre havia vida, prazer. Éramos espécie rara, um tanto diferentes dos outros, mais livres, livres, completamente livres. Eles não entendiam, mas quem se importava.

A bicicleta oferecia uma liberdade impressionante de caminhos, paisagens e de espírito. O dia que vi fotos e soube que muitos chegaram pedalando ao Festival de Woodstock, o original, em 1969, percebi que estávamos vivendo com a bicicleta o nosso próprio paz e amor paulistano. Era maravilhoso.

Aquela era a era da inocência. Revolução bicicleteira? Até passava pela cabeça alguma coisa, mas em uma forma leve, utópica, divertida, sem os dramalhões de hoje. Não precisava. Era difícil ter problema com o trânsito ou de roubo; ou outro qualquer. O maior problema eram as bicicletas de baixa qualidade, mas achávamos normal carregar muitas ferramentas, cola, remendo, tesoura... Pneu furado? “Faz tempo que não fura”. “Quanto tempo?”. “Ah, uns dias...” A vida era agradável, mais ainda para nós, os usuários da bicicleta.

O grande momento da bicicleta era o Passeio Ciclístico da Primavera, criado por Caio Pompeu, que uma vez por ano enchia as ruas de ciclistas no entorno do Ibirapuera. Também havia a Prova Nove de Julho, no mesmo local, mas era para outro público. Só nas proximidades ou dentro de bicicletarias especializadas via-se um ciclista. “Nossa! Olha lá! Um ciclista!” Já havia conflitos, mas com os entregadores em bicicleta ou nos imensos triciclos, principalmente no Centro, onde estes achavam-se donos do pedaço e eram odiados por todos pedestres, sem exceção.

Nos primeiros dois anos do mountain bike o ambiente seguiu mais ou menos o mesmo, mas mais amigável, mais divertido ainda, cheio de festas, a maioria se conhecendo bem. Época de ouro! Em 1988 Renata Falzoni organizou o primeiro Night Biker, o primeiro passeio noturno organizado da história do Brasil. Saímos da Praça Charles Miller, Pacaembu, e fomos para o Centro. Não acredito que alguém, mesmo a Renata, fizesse a mais remota ideia do que aquela noite maravilhosa iria gerar. Aquilo deu nisto.

Um pouco depois veio o status e com ele o início do fim da era da inocência. Fomos incrivelmente felizes e não sabíamos.

Infelizmente não conheço mais ninguém. Sou mais um. Estou um pouco cansado de cumprimenta-los e passar por bobo. Conversar? Quem quer? Quem tem tempo? Quem se interessa? O celular quase diz tudo. Pode até ser normal (ou parecer normal), mas para mim é estranho e um tanto dolorido. Não consigo olhar para trás e ver o que imaginávamos para estes tempos, mas tenho certeza que esperávamos algo mais amigável, familiar, parecido com o que estávamos vivendo então. A sensação que dá é que hoje a maioria é motorista pedalando.

(Creio que tenha sido numa matéria na Bicycling sobre os que foram ao Woodstock pedalando, alguns fazendo longas viagens, cicloturismo paz e amor. Fiz uma pesquisa para ver se encontrava fotos, mas não consegui. Só quem viveu aquela época consegue dimensionar a real dimensão da esperança que se abriu com o que aconteceu no festival. Não qualquer termo de comparação.)
 

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Seu Oliveira, padeiro e ciclista

Oliveira vinha entregar os pães em casa muito cedo numa bicicleta que tinha uma imensa cesta de vime na frente. Eu era muito pequeno, não me lembro se era ou não uma bicicleta cargueira preta com roda pequena na frente, mas lembro muito bem do pão doce recheado com creme que algumas vezes chegava ainda quentinho e muito de vez em quando minha mãe autorizava que eu pegasse.

Oliveira continuou servindo minha família por muitos anos. Progrediu, comprou uma VW Variant vermelha nova. Certa vez conversamos sobre a época que ele pedalava para entregar os pães, que agora iam e quantidade muito maior e mais organizada no porta-malas da sempre bem cuidada perua. Foi nesta época que eu havia tirado a carta e a bicicleta ficou completamente fora de minha vida. Normalmente encontrava o seu Oliveira quando chegava da namorada. Desligava o carro, ia até o porta-malas dele, pegava um pãozinho e ou deixava o dinheiro ali mesmo ou pagava depois. Subia, entrava em casa, dava uma rápida cochilada, tomava um banho e saia para a faculdade com minha Variant Azul calcinha, que judiei a não poder mais. No princípio era fácil estacionar, algumas vezes até dentro do terreno da faculdade. Com o tempo fui estacionando mais longe, mais longe, mais longe, não tão longe e difícil como estacionamos hoje, mas o suficiente para começa a me deixar irritado. E ai meu irmão comprou uma bicicleta para ele, uma Caloi SS 1977.

Quando seu Oliveira me viu com a bicicleta pediu para relembrar os velhos tempos. Não pedalava fazia anos. Entreguei a bicicleta vendo o sorriso nostálgico de seu Oliveira. Ela a segurou com o braço estendido, rosto baixo e em silencio. Passou a perna por trás, ficou um bom tempo em pé com o olhar baixo e perdido. Sentou-se no selim, olhou para baixo verificando cada detalhe da bicicleta de tubos finos e cor prata, colocou o pé no pedal, empurrou com o outro pé a bicicleta para frente e retomou seus muitos anos de ciclista padeiro furando a fria neblina nas madrugas paulistanas. “Era muito frio”, disse enquanto se distanciava. Ficou um bom tempo girando no estacionamento, mostrando intimidade com os pedais, passando raspando entre os carros, pelo corredor do elevador, subindo a rampa para rua e voltando, como uma criança. A partir deste dia nos fizemos mais amigos do que já éramos. Ele passou a contar, sempre com forte sotaque, a sua vida de português imigrante, o trabalho dos pães, a bicicleta, sobre a mínima e delicada furgoneta Ford Prefect que sucedeu a bicicleta e que eu não me lembrava mais; casamento, família, o profundo amor pela mulher e filhos... e falta que sentia da bicicleta, de pedalar...

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Bicicletario subterrâneo no Japão

 
"Minha bicicleta vai ficar segura no subsolo", diz o repórter.
Roubo de bicicletas em cidades grandes é um problema sério e comum a praticamente todas elas. Em Amsterdam, talvez o pior dos casos, aproximadamente 1/5 de toda a frota de bicicletas é roubada por ano, umas 150 mil/ano. Ademais, as bicicletas ficam entulhadas nos espaços públicos causando transtorno para todos, principalmente pedestres e pessoas com deficiência, e incluindo os próprios ciclistas. Encontrar sua bicicleta num mar de bicicletas estacionadas é um inferno.




 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Veja - ASSASSINOS AO VOLANTE























Fica aqui a recomendação da leitura da revista Veja desta semana, que traz a matéria de capa: Assassinos ao Volante / As mortes no trânsito no Brasil já superam os crimes de homicídio.
Vamos fazer uma continha:
+ 60 mil mortos em acidentes de trânsito
+ 55 mil mortos por homicídio
= 115 mil mortes violentas / ano
Os números apresentados na matéria, todos oficiais, são por si só uma insanidade completa, mas é necessário lembrar que a realidade deve ser ainda pior, já que não se faz ideia do número de mortes violentas não oficializadas em B.O.s. Sempre repito, especialistas dizem que deve bater na casa dos 35% a mais.
Nesta brincadeira temos mais de 350 mil inválidos permanentes, só do trânsito. Mais algumas centenas de milhares de inválidos por violência. Deve-se adicionar também os órfãos, famílias desfeitas...
Aproveitando a ocasião, hoje foi divulgado que o Brasil produz 43 mil crianças abandonadas / ano, a maioria resultado da pandemia das drogas. Parabéns a todos.
Parabéns em especial aos responsáveis pelo Brasil do antes. Isto é que é justiça social!