segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Códigos de acidentes diferentes

O Estado de São Paulo
Fórum do Leitor:

Estou acompanhando o processo de um acidente de trânsito e acabei descobrindo que cada órgão de trânsito, atendimento ou socorro tem seu próprio código de ocorrências. Fica difícil saber se o acidentado teve uma colisão com outro veículo, se caiu sozinho, se colidiu em obstáculo parado ou o que de fato aconteceu. A unificação dos códigos de ocorrências é elemento básico para a comunicação entre órgãos e facilitaria enormemente a obtenção de dados e estatísticas confiáveis. Samu, Corpo de Bombeiros, Socorro, PM, CET, Polícia Rodoviária, concessionárias, não falam a mesma língua em suas planilhas. Este é o momento para corrigir mais esta distorção já que parece que caminhamos no sentido de ter uma inteligência centralizada para a segurança pública. Por que não fazer o mesmo para a segurança no trânsito?

Declaração Universal dos Direitos do Homem

Preâmbulo 
Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo; Considerando que o desconhecimento e o desprezo dos direitos do homem conduziram a actos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração do homem; Considerando que é essencial a protecção dos direitos do homem através de um regime de direito, para que o homem não seja compelido, em supremo recurso, à revolta contra a tirania e a opressão; Considerando que é essencial encorajar o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações; Considerando que, na Carta, os povos das Nações Unidas proclamam, de novo, a sua fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres e se declaram resolvidos a favorecer o progresso social e a instaurar melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla; Considerando que os Estados membros se comprometeram a promover, em cooperação com a Organização das Nações Unidas, o respeito universal e efectivo dos direitos do homem e das liberdades fundamentais; Considerando que uma concepção comum destes direitos e liberdades é da mais alta importância para dar plena satisfação a tal compromisso: A Assembleia Geral Proclama a presente Declaração Universal dos Direitos do Homem como ideal comum a atingir por todos os povos e todas as nações, a fim de que todos os indivíduos e todos os órgãos da sociedade, tendo-a constantemente no espírito, se esforcem, pelo ensino e pela educação, por desenvolver o respeito desses direitos e liberdades e por promover, por medidas progressivas de ordem nacional e internacional, o seu reconhecimento e a sua aplicação universais e efectivos tanto entre as populações dos próprios Estados membros como entre as dos territórios colocados sob a sua jurisdição. 

Artigo 1.º Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade. 

Artigo 2.º Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autónomo ou sujeito a alguma limitação de soberania. 

Artigo 3.º Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. 

Artigo 4.º Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos. 

Artigo 5.º Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes. 

Artigo 6.º Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento em todos os lugares da sua personalidade jurídica. 

Artigo 7.º Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual protecção da lei. Todos têm direito a protecção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação. 

Artigo 8.º Toda a pessoa tem direito a recurso efectivo para as jurisdições nacionais competentes contra os actos que violem os direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição ou pela lei. 

Artigo 9.º Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado. 

Artigo 10.º Toda a pessoa tem direito, em plena igualdade, a que a sua causa seja equitativa e publicamente julgada por um tribunal independente e imparcial que decida dos seus direitos e obrigações ou das razões de qualquer acusação em matéria penal que contra ela seja deduzida. 

Artigo 11.º 1. Toda a pessoa acusada de um acto delituoso presume-se inocente até que a sua culpabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em que todas as garantias necessárias de defesa lhe sejam asseguradas. 2. Ninguém será condenado por acções ou omissões que, no momento da sua prática, não constituíam acto delituoso à face do direito interno ou internacional. Do mesmo modo, não será infligida pena mais grave do que a que era aplicável no momento em que o acto delituoso foi cometido. 

Artigo 12.º Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito a protecção da lei. 

Artigo 13.º 1. Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um Estado. 2. Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o seu, e o direito de regressar ao seu país.

Artigo 14.º 1. Toda a pessoa sujeita a perseguição tem o direito de procurar e de beneficiar de asilo em outros países. 2. Este direito não pode, porém, ser invocado no caso de processo realmente existente por crime de direito comum ou por actividades contrárias aos fins e aos princípios das Nações Unidas. 

Artigo 15.º 1. Todo o indivíduo tem direito a ter uma nacionalidade. 2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua nacionalidade nem do direito de mudar de nacionalidade. 

Artigo 16.º 1. A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião. Durante o casamento e na altura da sua dissolução, ambos têm direitos iguais. 2. O casamento não pode ser celebrado sem o livre e pleno consentimento dos futuros esposos. 3. A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à protecção desta e do Estado. 

Artigo 17.º 1. Toda a pessoa, individual ou colectiva, tem direito à propriedade. 2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua propriedade. 

Artigo 18.º Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos. 

Artigo 19.º Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão. 

Artigo 20.º 1. Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas. 2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação. 

Artigo 21.º 1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte na direcção dos negócios públicos do seu país, quer directamente, quer por intermédio de representantes livremente escolhidos. 2. Toda a pessoa tem direito de acesso, em condições de igualdade, às funções públicas do seu país. 3. A vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públicos; e deve exprimir-se através de eleições honestas a realizar periodicamente por sufrágio universal e igual, com voto secreto ou segundo processo equivalente que salvaguarde a liberdade de voto.

Artigo 22.º Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país. 

Artigo 23.º 1. Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à protecção contra o desemprego. 2. Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual. 3. Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana, e completada, se possível, por todos os outros meios de protecção social. 4. Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos para defesa dos seus interesses. 

Artigo 24.º Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres e, especialmente, a uma limitação razoável da duração do trabalho e a férias periódicas pagas. 

Artigo 25.º 1. Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade. 2. A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimónio, gozam da mesma protecção social. 

Artigo 26.º 1. Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional deve ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do seu mérito. 2. A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos do homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das actividades das Nações Unidas para a manutenção da paz. 3. Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos 

Artigo 27.º 1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso científico e nos benefícios que deste resultam. 2. Todos têm direito à protecção dos interesses morais e materiais ligados a qualquer produção científica, literária ou artística da sua autoria. 

Artigo 28.º Toda a pessoa tem direito a que reine, no plano social e no plano internacional, uma ordem capaz de tornar plenamente efectivos os direitos e as liberdades enunciadas na presente Declaração. 

Artigo 29.º 1. O indivíduo tem deveres para com a comunidade, fora da qual não é possível o livre e pleno desenvolvimento da sua personalidade. 2. No exercício deste direito e no gozo destas liberdades ninguém está sujeito senão às limitações estabelecidas pela lei com vista exclusivamente a promover o reconhecimento e o respeito dos direitos e liberdades dos outros e a fim de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar numa sociedade democrática. 3. Em caso algum estes direitos e liberdades poderão ser exercidos contrariamente aos fins e aos princípios das Nações Unidas. 

Artigo 30.º Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquer Estado, agrupamento ou indivíduo o direito de se entregar a alguma actividade ou de praticar algum acto destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados.

Centro de Informação das Nações Unidas em Portugal 
www.onuportugal.pt

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Pedal Anchieta 2018


Uma das grandes oportunidades perdidas em minha vida foi num 31 de Dezembro de 2002 ou 2003 quando eu deveria descer para o Guarujá e não fui porque o trânsito estava parado desde a avenida dos Bandeirantes na altura da av. Santo Amaro. Demorei algo como uma hora para conseguir sair da loucura e neste meio tempo liguei o rádio para saber o que estava acontecendo. "O trânsito está parado desde Santos e São Vicente e as autoridades estão pedindo que as pessoas não venham para as rodovias (Anchieta e Imigrantes)..." Fiquei sonhando que poderia descer pedalando fácil, fácil. Não fui e me arrependo amargamente. Realizei parte do velho desejo quando pedalei no
último evento da Rota Márcia Prado. Foi das melhores experiências de minha vida, mesmo assim faltava a velha Anchieta que me deu tantas histórias de vida. E me avisaram que iria acontecer. Nossa! É agora! E inscrição feita número 17658. E os inscritos foram aumentando, aumentando, aumentando…

De sexta-feira para sábado tive dificuldades para dormir tão excitado que estava. Se tivesse 10 anos e tivesse ganhado uma passagem com tudo incluso para ir à Disney provavelmente não teria ficado tão excitado. De sábado para domingo consegui ficar mais tranquilo, mas..., mas..., Pedal Anchieta 2018, Pedal Anchieta 2018, Pedal Anchieta 2018... E acordei às 4:00 h como previsto, tomei café da manha, peguei a bicicleta e rua! para encontrar o amigo Zé às 5:15 h; rápida parada num posto para um café e pipi e lá o pessoal estava espantado com a quantidade absurda de ciclistas que passavam por lá. “O que está acontecendo?”, perguntavam. E respondíamos Pedal Anchieta!

Desde os primeiros metros foi tudo muito bem organizado. Meu primeiro medo, proximidade da saída com a Heliópolis, desapareceu imediatamente. Estúpida neurose social. O caminho entre a estação Metro Sacomã e o viaduto que dá início á Anchieta, ainda uma avenida, estava bem sinalizado, conificado e policiado. Muito ciclista chegando, uma faixa da avenida para os pedalantes falantes, felizes e tranquilos. Dois km de avenida depois a Anchieta em si, a estrada, a via expressa.
A massa de ciclistas que foi aparecendo aos poucos, 30 mil, segundo Polícia Militar, 35 até 40 mil segundo outros, foi bem menor do que eu esperava (o dobro), mesmo assim encheu a pista expressa da Anchieta. Foi no limite, um pouco mais ciclistas e iria ficar chato ou até mesmo impossível.
Desde os primeiros metros fiquei espantado com o baixíssimo número de ciclistas sem plaquinha de inscrição e assim foi até Santos. Nunca vi tão pouco pipoca (não inscrito) na minha vida, provavelmente pela chuva do dia e noite anterior. Quando acordei estava um céu maravilhoso, estrelado, com uma lua em sorriso de gato brilhando e pensei “Que benção! Vai ser um dia maravilhoso”, e foi.
Bem no comecinho passei por uma menina que literalmente não sabia pedalar, ou seja, não conseguia sequer colocar a bicicleta em movimento. Os amigos em volta a estimulavam a seguir tentando. Absurdo, insanidade! Espero que ela tenha tido uma luz de consciência e tenha desistido. A quantidade de ciclistas que sem ideia do que é uma bicicleta não me foi surpresa, já que tenho medo de sair pedalando na ciclofaixa de domingo, por exemplo. Reconheço que o pessoal está pegando o jeito, que está melhorando o pedal, mas se faz urgente ter campanhas para aprimorá-los. Segurança no trânsito, meu caro!
Fiquei impressionado como tem gente que não sabe como sair do pelotão e como parar corretamente no acostamento para não atrapalhar os outros. Eu amo as mulheres, sou um mulherengo convicto, não tenho a mais remota dúvida que elas são muito mais seguras no trânsito que os homens, mas neste passeio elas deram show de barbeiragem. Ou talvez tenha sido comigo a coisa; espero que sim. “Eu vou parar ali” e viravam sem olhar para trás de montão. Com bicicleta errada outro montão. Pedalando com selim baixo então! Na altura de São Bernardo do Campo uma menina forte, coisa de academia ou talvez até professora de spining de tão forte e definida, pedalava uma bicicleta bem pequena para seu porte e ainda com selim baixo, mas ia com tanta força e tranquilidade que deve ter chegado ao final girando a uns 100 por minuto os pedais com a mesma carinha “olha como eu sou linda”. Das que pedalavam errado muitas no ABC estavam com cara de “eu vou morrer”. E lá em Santos, numa conversa com um pessoal que tinha descido, homens e mulheres, falavam da loira linda de morrer com macacão rosa e amarelo grudado ao impecável corpo alto e bem definido. Esta não vi. Na serra uma senhora nissei descia a 2 km\h torrando as pastilhas do disco que já gritava mais que os macacos da mata. Todas chegaram lá. A descida da Anchieta é muito mais fácil, muito mais leve, que eu imaginava. É uma baba, dá para qualquer iniciante, mulher ou homem.
A estrada entupiu algumas vezes. Três para e anda. Costumo encarar numa boa, mas minha ansiedade ficou de saco cheio. Fiz o passeio em exatas cinco horas, mas poderia ter feito em umas três e meia fácil, passeando, amando a paisagem. Pelo menos meia hora de para e anda em cada entupimento de ciclistas na Anchieta. Para mim foi o ponto chato do dia. É lógico que numa destas paradas veio um homem de meia idade clipado em sua bicicleta de estrada, passou por mim, parou e não conseguiu soltar do pedal. Caiu feito um poste. “Ai meu saco! Vai dar atendimento. Se quebrou”, mas não, envergonhado desclipou no asfalto e levantou-se resmungando estar bem. Eu quis dar o velho conselho de minha família “Velho não se mete a besta”, mas a sabedoria de maus cabelos brancos decidiu ficar quieto.
E chegamos à fábrica da Volkswagem, um dos marcos do Brasil moderno. Um pouco mais a frente, antes de chegar à represa, mais ou menos na altura do acesso ao Rodoanel, é um conhecido local de assalto a ciclistas. Dias antes do passeio havia preocupação com assaltos e até mesmo com possível arrastão, mas no meio daquela massa não acredito em tamanha ousadia. Aconteceu na Rota Márcia Prado, lá no fim da estrada de manutenção, dai o temor, mas numa Anchieta completamente abarrotada? Não!
Enquanto cruzávamos a ponte sobre a represa Billings num anda e para infernal, mas ótimo para apreciar a linda vista, passava no acostamento do outro lado da pista montarias, inclusive com algumas crianças. Como deve ser descer, ou subir, a cavalo para Santos? Não monto, não tenho jeito, mas tenho inveja deles e gostaria de fazer a aventura. Quem sabe um dia criem uma trilha para eles. A tropa de Dom Pedro I fazia montado em mulas, não cavalos. O famoso quadro doi grito da Independência ou Morte de Pedro Américo é uma fantasia e como tal uma mentira. Mulas, não cavalos.
Foi nesta ponte que passamos da pista expressa para a pista de subida da Anchieta, e lá ficamos até a baixada, descendo a serra pela subida. É o pedaço mais lindo do passeio. Lindo é pouco, maravilhoso. Mata atlântica dos dois lados… E até o início da descida da serra pedal livre e solto. Na boca da descida da serra outra parada, esta mais breve, mas não menos chata.
E a descida. Agora, depois de uns dias e pensando bem, tendo visto alguns vídeos, a descida foi tranquila. Óbvio que tiveram os imbecis de praxe, mas mesmo estes foram menos imbecis que de costume. Nos pontos onde a vista se abre muita gente parou para apreciar e tirar selfie, e quem vinha descendo rápido gritava “parou! parou! parou!” de maneira muito mais organizado que eu esperava, mostrando que o monte de grupos de passeio que estão por ai estão fazendo um bom trabalho de educação. Eu não vi acidentes, mas passaram por mim dois socorros, um ainda lá em cima vindo na contramão com muito cuidado e todas luzes e sirenes ligadas e o outro no meio da serra para atender um dos tombos graves do passeio. Nesta ficamos parados bem uma meia hora. No fim da serra, no bairro cota, uma viatura da Rota dava segurança aos ciclistas. O local é conhecido pelos arrastões quando o trânsito para. A segurança em todo trajeto do passeio foi muito boa. Não ouvi uma história sobre assalto ou outra violência qualquer.
E felizmente acabou a descida da serra. Não tenho qualquer problema com descidas, mas prefiro subir. Ainda espero um dia subir a Serra do Mar; vamos ver se o velhinho aguenta.
Lá em cima já sabia que na baixada pegaria vento de frente. Estava ventando, mas mais leve do que esperava. Pedalar contra o vento é cansativo, para muitos deve ter sido o vento de misericórdia. Acabou a serra dá a sensação que já acabou, mas não é bem assim, tem ainda uma boa pedalada. O morro com as casinhas vai crescendo, crescendo, até chegar no arco em forma de peixe que dá boas vindas aos visitantes de Santos. Mas ainda tem pedal até chegar na rodoviária e no Valongo, o final oficial do Pedal Anchieta 2018, que nem passei perto. Cruzei o túnel, fui para o Gonzaga e aí sim estava em minha Santos da minha infância. Prazer cumprido!
Entrei na Anchieta exatamente às 7:00 h e cheguei em Santos 12;00 h cravados, seco, só respingado por uma leve e rápida garoa no meio da serra. Por muita sorte no exato momento que entrei no restaurante o mundo caiu. O pessoal do meio para o fundão do passeio tomou sopa de tempestade. Felizes e ensopados.

Pedal Anchieta 2018 - o que melhorar?

O Pedal Anchieta 2018 foi bem organizado e correu tranquilo. Começando no melhor estilo brasileiro: Os 19 acidentes divulgados oficialmente, com dois acidentados graves, quando colocados frente aos mais de 30 mil participantes é um número baixo se for levado em consideração tudo que esteve envolvido.

O que tem que ser trabalhado para a próxima edição do Pedal Anchieta?


As autoridades acreditarem que bicicleta existe

Tenho longa vivência e pelo que vi e ouvi acredito que mais uma vez as autoridades não levaram a sério a força que a bicicleta tem. O trabalho das Polícia Rodoviária, PM e CET São Paulo, Eco Vias foram elogiáveis

Mas o que aconteceu em Santos mostra que teve autoridade que não acreditou no tamanho da brincadeira. Tanto é verdade que os comerciantes não sabiam o que estava acontecendo. É de uma inocência sem tamanho acreditar que os ciclistas chegariam no Valongo e lá ficariam, restritos ao Centro de Santos. Houve leve confusão na boca do túnel completamente desnecessária. 



Todos tiveram muita sorte que na noite anterior tenha chovido e que a meteorologia tenha previsto chuva para todo passeio, chuva que só caiu lá pelo meio dia. Melhor, temporal. Com tempo bom apareceriam muito mais ciclistas e aí teria sido bem complicado.

Mapear acessos ao passeio
Mapear e informar com antecedência os melhores e mais seguros caminhos para acessar o passeio se faz necessário. O próximo passeio deverá ser muito maior que este e não dá para continuar acreditando que ciclista é motorista que só pode acessar por um ou dois locais. Desculpem autoridades, mas creio que vocês deveriam levantar uma bicicleta para descobrir que bicicletas são leves e facilmente podem ser levantadas e colocadas do outro lado da barreira ou guard rail. 

Educar os ciclistas se faz urgente
Problemas de falta de civilidade, companheirismo e coletividade, foram muito menores do que eu esperava. Não se pode esquecer que são um mal nacional, não uma exclusividade dos ciclistas. A verdade é que a cultura do bom pedalar ainda não foi disseminada entre a população. Não se pedala a devida suavidade, sabedoria e inteligência. No mínimo os ciclistas precisam ser educados ou pelo menos informados sobre regras básicas de como pedalar civilizadamente. 

A imensa maioria se comportou bem, mas isto só não basta. Se faz tarde que esta maioria comece a pressionar os pregos, cabeças duras, mal-educados e irresponsáveis para que também se comportem devidamente. A mudança tem que começar em casa, nas ciclovias paulistanas, por exemplo, onde vale quase tudo.

A saber; no dia seguinte tinha bastante santista chateado com o comportamento dos ciclistas que vieram no passeio, a maioria paulistanos. Vi pessoalmente algumas cenas e digo que os ciclistas não fizeram nada mais que repetir o comportamento trivial que se vê nas ciclovias, ciclofaixas e ruas daqui, São Paulo. Pedalam sem se preocupar com os outros, param como querem e onde bem entendem, não se importando se estão atrapalhando a passagem de todos ou os colocando em risco. Pior, não sabem dizer "por favor", "com sua licença", "obrigado', e muito menos "me desculpe". 
Santos já tem um sistema cicloviário acanhado até para o movimento local e com a enxurrada de ciclistas do passeio foi gritante a falta de civilidade. Finalmente: pedestre tem prioridade e ponto final.

Desculpem se generalizo, mas foram tantas as besteiras que têm ser desta forma. Parabéns aos civilizados. Não fizeram nada mais que a obrigação.

Aconteceu bastante besteira na estrada, por parte da eterna minoria dos "eu sou o bom" e por parte dos "eu pedalo" (mas não faço ideia do que estou fazendo aqui).

Deixar fluir o passeio.
Pelo amor de Deus, para e anda, para e anda, não dá, ninguém merece. Coisa mais chata! Foi o ponto negativo do passeio pela Anchieta. Deve haver uma forma mais inteligente de controlar o fluxo que fazer todo mundo ficar numa 'fila de INSS'. Se não foi controle de fluxo foi o que então? As autoridades não acreditaram que desceriam 35 mil? Pois deram sorte de ter chovido até o meio da noite anterior ou teria fugido ao controle.
Acabei de saber que não foi controle de fluxo, mas erro grosseiro de engenharia de fluxos: tenda de apoio, banheiros químicos, desvio, acesso posicionados de forma errada. Provavelmente ou com certeza um projeto subdimensionado para a massa de ciclistas. 
Parabéns pelos pontos de apoio, que evitaram quem mais ciclistas precisassem de atendimento por falta de água e comida, mas que sejam melhor posicionados. Obrigado a SABESP pela água.

Conter quem estraga prazer.
Brasileiro tem que parar com esta burrice de passar a mão na cabeça de quem estraga prazer de todos. Dos 19 acidentes, quantos foram causados pelo pessoal sem limite? Vi Polícia Rodoviária parando "super ciclistas" que saíram do espaço estabelecido para o passeio para pedalar mais rápido no acostamento da via aberta aos veículos, e só tenho que parabenizar esta ação da polícia. Não dá mais para aceitar o "eu faço o que quero", "eu sou esperto", "vocês que se f...." como um grito de liberdade. Não é. Um evento coletivo deve ser respeitado como tal. Liberdade é uma coisa, imbecilidade é outra.

Descida:
Vendo o vídeo da Renata Falzoni sobre o Pedal Anchieta 2018 no Bike é Legal lembrei de um detalhe importantíssimo: a descida da serra, o ponto mais perigoso do passeio. Seria interessante que antes do passeio a pista fosse lavada, pelo menos nos locais onde há maior retenção de gordura, óleo, na pista. O ideal seria que lavassem toda descida. O que acontece é que no início da chuva ou, pior, com chuvisco, a pista fica mais escorregadia do que já é. O banho diminui a gordura aumentando a segurança dos ciclistas.

Faltaram banheiros químicos.
Como diabético vi pouquíssimos. Dois estavam posicionados no acostamento atrapalhando o fluxo, quando poderiam estar um pouco mais a frente num acesso. E vi nenhum depois da Represa Billings. Se havia faltou sinalização indicando "... a frente banheiros". 

Turismo:
Mais uma vez o turismo perde uma preciosa oportunidade. Deprimente. Os santistas poderiam ter feito um bom dinheiro com este evento.

A boa nota é que as empresas de ônibus aguentaram o tranco bem, trabalhando meio de um quase caos. Conversei com funcionários da Cometa e eles elogiaram os ciclistas. Já os ciclistas disseram que na rodoviária foi um caos de verdade. Parece que a experiência passada da última descida da Rota Márcia Prado foi esquecida ou não serviu para nada. É sempre assim, por isto não vamos para frente. 

Informações mais bem divulgadas
Informação houve, estava na mídia social, mas poderia ter sido mais divulgada ainda. A questão é que divulgam mais e o passeio tem grande possibilidade de crescer junto, até de sair do controle. O que fazer? A pensar.

Acidentes:
Oficialmente foram 19 acidentes; ou terão sido 19 atendimentos? Tenho um número, algo em torno de 40 atendimentos, que me parece mais realista. E tenho notícia que a maioria destes foi por falta de alimentação ou hidratação; não tomaram café da manha, não levaram comida ou água. 
Os dois acidentados sérios continuam hospitalizados, um em estado grave. Há uma filmagem que mostra um acidente gravíssimo na serra, com o ciclista capotando de frente porque caiu na valeta de escoamento de água da pista, que é bem profunda e perigosa. Vi um filme que um ciclista também cai, sem gravidade, nesta valeta. 

Enfim, quais as causas de cada um dos acidentes? Esta é a única forma de se melhorar a segurança geral. O resto é fofoca que só leva a outras bobagens e a futuros perigos. Segurança é informação precisa, não suposições.

Terminando: 
Discordo do jovem químico formado pelo Ita, a elite da elite de nossa educação, que disse algo como “por ser a primeira vez...” Inteligente, articulado e boa conversa, ele reflete ´na sua juventude uma verdade brasileira que trouxe este país a esta situação horrorosa que vivemos. Desculpe, mas tem que acertar de cara. A informação necessária para isto está aí a disposição de quem quiser. Basta usa-la corretamente. 

O Pedal Anchieta 2018 foi ótimo, mas poderia ter sido muito melhor. Sempre pode ser melhor. E será melhor no próximo. O que me deixou feliz foi saber que a primeira reunião de avaliação a fala geral foi "o que podemos fazer melhor..." Tenho certeza que farão. 
Parabéns aos organizadores. Parabéns aos participantes, a maioria deles. Parabéns.
De minha parte digo: muito, muito, muito obrigado a todos organizadores. Bravo! Bravo!




Contos brasileiros:
O embarque de volta para São Paulo foi complicado, com muita gente não respeitando o bilhete comprado com antecedência e na mão do próximo. Numa destas um grupo apresentou bilhetes, colocou as bicicletas no bagageiro, entrou no ônibus e na hora de sair deu com as bicicletas jogadas no chão. Alguém, que já estava dentro do ônibus, simplesmente abriu o porta malas e tirou as bicicletas de lá para colocar as próprias e seguir viagem. Se os donos das bicicletas que foram retiradas não tivessem percebido chegariam em São Paulo sem elas. Os responsáveis pelo absurdo? Sei lá? Dá para acreditar? Dá, ô se dá.

Vera saiu catando a grande quantidade de saquinhos de gel que ficaram espalhados pelo caminho. "Para que usar gel (energético) num passeio destes?" perguntava ela. A brincadeira de jogar no chão saquinhos com alimento, principalmente estes de gel, mata macacos, lagartos e outros animais silvestres. Segundo Vera, na descida Márcia Prado o número de animais mortos e autopsiados foi grande. Crime ambiental

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Mythbusters - o que é mais rápido no trânsito - uma divertida aula

Permanecer numa faixa de rodagem ou costurar no trânsito? Mythbusters fizeram a comparação. 

Cruzamento com placa de pare, cruzamento com policial orientando ou rotatórias? 
Agradeço ao Eric Ferreira que num piscar de dedos encontrou o programa completo: https://www.wimp.com/mythbusters-four-way-stop-vs-roundabout/ . O vídeo abaixo mostra o pós programa com uma série de ponderações interessantes.

O programa é dividido em três partes e na última os Mythbusters percorrem um pouco mais que os 616 entre San Francisco e L.A. num carro e num avião de carreira para ver quem chega mais rápido. O resultado é divertido. Eu não conseguiria fazer o teste porque minha diabete me obriga a ficar parando nos banheiros com um cachorro que sai mijando nos postes. 
Não consegui encontrar esta parte do programa, mas vale a pena procurar. Para quem não se der ao trabalho conto que até 600 km e com estradas boas carro e avião fazem praticamente o mesmo tempo de viagem. Como? Sempre lembre-se que viagem é de porta a porta, não o trajeto específico.

Na verdade é um programa só que tem os três mitos, ou dúvidas. Para quem pensa em segurança é informação precisa em formato de diversão pura. Para quem quer melhorar a cidade e os transportes também.
Não dá para pensar no ciclista sem olhar o trânsito como um todo. É impossível excluir automóveis. A melhoria na circulação dos motorizados faz parte da melhoria na segurança no trânsito para mobilidades ativas, incluindo bicicletas, pela simples razão que quanto mais calmo estiver o motorista ou motociclista mais capaz será de ter uma condução preventiva e segura.

Para que repintar a Ciclovia Rio Pinheiros?

O Estado de São Paulo
Fórum do Leitor:

Estão repintando de vermelho a ciclovia CPTM \ Rio Pinheiros entre o Parque Villa Lobos e a Estação Vila Olímpia. Como ciclista faço aqui meu veemente protesto. O dinheiro gasto nesta pintura, que não é nada barata, deveria ser redirecionado para a manutenção e correção da série de falhas que vem acontecendo nas linhas da CPTM, ou se isto não for possível por razões legais, para a montagem da ponte \ passarela para ciclistas que está desmontada e jogada no chão há anos debaixo do mesmo viaduto sobre a CPTM que sofreu afundamento.

Não faz sentido sinalizar pintando de vermelho uma via que está completamente isolada do trânsito da cidade e que não tem um cruzamento sequer. Os pouquíssimos veículos que lá circulam fazem parte da manutenção e segurança da CPTM e trafegam com muito cuidado e respeito pelos ciclistas. A via, cuja função original é estrada de manutenção da CPTM, está dividida em duas pistas claramente sinalizadas, na pista e em placas; a que margeia o rio é para veículos motorizados e a outra, ao lado da linha férrea, para ciclistas. Estranho que as duas pistas estejam sendo repintadas, o que dobra o custo da obra. Além de tudo espero que esta repintura não seja tão escorregadia quanto a original que andou derrubando ciclistas profissionais com larga experiência e vitórias internacionais. 

Passou da hora de uma mudança no CTB para racionalizar custos e ser realista em relação a segurança no trânsito. Pintar de vermelho indiscriminadamente toda e qualquer ciclovia em toda sua extensão, independente do grau de risco local e real, serve muito mais como propaganda, para não falar em gastos altos e duvidosos como vimos em passado recente, do que para a segurança dos ciclistas e trânsito geral. 















Em vermelho, entre o viaduto e a pista da Marginal Pinheiros, quatro partes da futura ponte passarela de ligação da Ciclovia Rio Pinheiros com Parque Villa Lobos. Um pouco a direita é possível ver alguns pilares deitados


quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Pedal Anchieta, ansiedade para chegar o dia


Desde que fiz a última descida Márcia Prado estou completamente ansioso para descer pedalando para Santos. Foi quase, mas não aconteceu. Desta vez acontece, não tem escapatória. É triste que o Poder Público só tenha decidido entrar oficialmente no evento depois da pancadaria e baderna que se armou ano passado. Pelo menos agora caiu a ficha que não dá para frear esta massa de ciclistas. 
Confesso que a primeira vez que me falaram que neste ano ia ter descida com a participação do Governo do Estado eu desandei a rir. Tenho muitas razões para tal. As primeiras falas, talvez boatos, falavam que iriam limitar o "passeio" da descida a 15 mil ciclistas e que só os inscritos no site Pedal Anchieta 2018 poderiam descer. Como? Não entendi. E me repetiram a conversa. Aí é que desandei a rir com gosto. Como diria Suzaninha "Eles não fazem ideia!". Como diria Garrincha "Tá legal, seu Feola.  Mas o senhor combinou tudo isso com os russos?". As inscrições já estão em 29 mil e não param de crescer rapidamente. Onde vão parar?

O vídeo da Renata é ótimo, dos melhores que ela já fez, mas tem um levíssimo tom de preocupação com que vai acontecer. Aí eu passei das risadas para uma certa preocupação. Explico. 
Ri a não poder mais porque se dizem 15 mil fácil aparecem 30 mil. Quando se falava nos 15 tinha gente também rindo foi logo apostando nos 45 mil. Eu truco e aposto mais. Rede social é uma maravilha e uma praga epidêmica ao mesmo tempo. Qual vai ser o tamanho do treco? Nem Deus sabe; só vai saber domingo a noite no Fantástico, se é que dão a notícia. Talvez não seja uma loucura porque está prevista chuva para o domingo, mesmo assim a possibilidade de pelo menos dobrar o número de inscritos é grande. Daí para muito mais. Duvido que as autoridades consigam frear a massa para manter o evento sob controle, o que quer que eles pensem que seja isto. Tem horário para começar e terminar. Como? Fala sério, vai ser cumprido? Tem local para entrar na Anchieta e poder fazer o passeio. Como? É mesmo, como barra a entrada dos penetras? E por aí vai...
Espero do fundo do coração que tudo corra bem, mas é muito provável "não tenham combinado com os ciclistas".
Eu vou. Não só vou; vou mesmo! Fiz inscrição e pretendo fazer como manda o figurino. O número de ciclistas não me assusta mesmo, muito pelo contrário, mas não nego que vou adorar se aparecerem uns 100 mil e a coisa correr sem grandes problemas. Aqui no Brasil nunca ouvi falar de alguém que tenha conseguido controlar os pipocas. Já fiz 5 São Silvestres e sei muito bem como é. Não vou correr mais a prova porque virou uma festa completamente lotada, alegre, feliz, onde correr é o que menos importa. 
Meu sonho é que na segunda-feira os olhos das autoridades estejam ainda arregalados com a massa de ciclistas que eles viram na Anchieta. Afinal, a Ciclo Faixa de Domingo foi criada porque na época, 2007, foram contados 700 mil ciclistas paulistanos (sem região metropolitana) pedalando aos domingos sem qualquer estrutura ou organização. Quantos ciclistas domingueiros tem agora?