terça-feira, 7 de abril de 2020

Entre a (com) ciência e a verdade (mentira) própria ou selfie

Coloquei os três links abaixo no Facebook, dois textos brilhantes olhando nossas perspectivas futuras e o capítulo do History Guy sobre a história das traduções da Bíblia, que foram várias. Os três estão intimamente ligados e faço questão de deixá-los também neste blog; A escola, a bicicleta e a vida. A escola: educação, formação, respeito pelo conhecimento, aplicação, qualidade. A bicicleta: máquina / veículo de construção / funcionamento muito simples e grande eficiência; responsável por inúmeras revoluções / benefícios para a humanidade e meio ambiente.  E a vida: tema tão vasto, com tantas variantes, mas algo me diz a terra não é plana... 
Juntando tudo com sabedoria funciona. 

O History Guy passa rapidamente pela história da tradução da Bíblia e suas versões, o livro mais vendido e lido da história da humanidade, sem qualquer concorrente.  É impossível falar sobre a vida atual sem entrar ou no mínimo pelo menos tangenciar algum texto bíblico e suas versões, o que gerou vertentes da compreensão da vida. Por uma série de razões, guerras, epidemias, revoluções, pesquisas, a compreensão destas versões e vertentes também foi mudando. Num determinado momento o conhecimento humano se distanciou e até se descolou dos textos sagrados, não só da Bíblia. Isto sem entrar nas possíveis razões pelas quais os textos sagrados foram escritos

Atila Iamarino coloca em sua entrevista algo que está sendo repetido por inúmeros pensadores, especialistas, estudiosos: o mundo que vivíamos até a pandemia não vai existir mais. É uma dedução fácil, a história das grandes guerras e das grandes depressões ensina. Portanto:  
(entre parenteses são comentários meus)

1 – Ame seu negócio, mas não cegamente. ... (Amor cega; razão gera luz)
2 – Não deixe o conhecimento de lado. ... (qualidade sempre é porto seguro)
3 – Chefe, pero no mucho. ... (quanto mais sei mais sei que nada sei)
4 – Você vai precisar de mais dinheiro. ... (there is no free lunch)
5 – Saiba vender seu peixe. (não perca oportunidades, não deixa passar o momento)

O Brasil é um dos países mais empreendedores do mundo. Mas também é um dos países com maior índice de mortalidade de empresas. Temos tempo para pensar e corrigir. Então, o que vai ser?




segunda-feira, 6 de abril de 2020

A reconstrução da vida após a WWII e o que devemos fazer hoje

The London milkman, 1940
Leiteiro trabalhando na Londres bombardeada, Segunda Guerrra Mundial
Começando imediatamente depois da Segunda Guerra Mundial e pelos mais de dois anos depois de terminado o conflito a população alemã se organizou e agiu praticamente sem a presença do estado que estava cuidando de outras coisas, inclusive de se reorganizar. Deve ter acontecido situações semelhantes pelo resto da Europa e do mundo afetado pelo brutal conflito generalizado. A população teve que localizar mortos, amontoá-los, e em muitos casos fazer uma fogueira. Tratar dos feridos, buscar soterrados. Localizar velhos e crianças e acolher. E outras situações imediatas. Fazer a limpeza de montanhas de entulho - literalmente - das ruas para dar fluidez para a chegada de comida, dentre outros essenciais. Tiveram que aprender rapidamente técnicas de contenção de paredes e demolição, fazer a opção correta, iniciar a seleção de materiais aproveitáveis do entulho, separar e estocar o que se podia aproveitar. Aprender técnicas de reconstrução e reconstruir por prioridades: hospitais, cozinhas, abrigos, oficinas, delegacias, o que fosse necessário para dar a partida e recomeçar. Recomeçar! Entrar em acordo com o poder central sobre o que seria restaurado ou reconstruído, como ficaria a cidade, quem fazia o que, estabelecer cronogramas, prioridades, prioridades, prioridades... Durante anos a vida de todos girou em torno de prioridades. Começaram tudo praticamente no dia imediatamente, aliás, começavam a cada momento que paravam os bombardeiros, tiroteios, a guerra. Ninguém teve tempo para ficar pensando pensando, conversando, deixando o tempo passar. A prioridade era a sobrevivência, o se acalmar, pensar, e agir. 


A diferença daquela situação para a que temos hoje é que antes do fim da guerra, do massacre, do inferno, foram dias e mais dias de bombardeamento constante, de um stress brutal, do conviver com cheiro de cadáveres apodrecendo, da fome generalizada, do terror das crianças, de pessoas surtando, do tiroteio... Europeus, asiáticos, africanos, os orientais, boa parte da população do planeta não tiveram um segundo de paz. 
Hoje estamos confinados em casas funcionais, com TV, rádio, telefonia e internet. Temos tempo para pensar, tempo de sobra. O que vamos construir, pergunto novamente?


domingo, 5 de abril de 2020

O futuro do turismo brasileiro e a ajuda do Panrotas

Infelizmente o setor de turismo no Brasil não é grande e forte. 
Felizmente o setor de turismo no Brasil não é grande e forte; ou estaríamos vivendo uma situação dramática de contaminação como estão os grandes destinos de turismo do mundo. Mas temos um país divino e temos que ter um turismo a altura, forte, funcional, de qualidade; e não há alternativa.

Ontem vi o Check Point - Caminhos e Soluções para o Turismo promovido pelo portal do Panrotas com o Ministro de Turismo Marcelo Álvaro Antônio e a participação de Magda Nassar da ABAV, Edu Bernardes da GOL, Guilherme da CVC. Panrotas fez exatamente o que eu acho que se deva fazer em todos setores do Brasil, e que espero que esteja sendo feito. Como escrevi e foi publicado no Fórum do Leitor do Estadão, neste momento de paradeira total temos aproveitar o tempo para pensar e repensar o Brasil que teremos que reerguer e construir. O ideal seria que o projeto de futuro fosse de conhecimento o mais público possível.  

Turismo foi um setores que entraram em coma profundo. É um setor que tem voltar a funcionar o mais breve possível. Diversão, cultura, e turismo são elementos essenciais para o equilíbrio social, saúde pública e desenvolvimento econômico. Turismo hoje é vital para todos os segmentos sociais. 

Cyclists, early 1900s | On the Toll Bar, Freshwater, Isle of… | FlickrA saber, desde o surgimento dos biciclos e sociáveis a partir de 1870, e logo em seguida com as bicicletas de segurança, que geraram as que temos hoje, turismo entrou para ficar na vida da maioria dos cidadãos, sendo acessível inclusive para as camadas mais pobres da população. A documentação de fugas da cidade, idas ao campo, viagens até com toda família é farta. Talvez não existisse a palavra turismo, mas sua prática passou a ser comum.

Por onde e como recomeçar? Turismo interno não está sozinho. Tem que envolver outros setores da economia e sociedade, num trabalho conjunto para encontrar o bom caminho. A discussão e as proposições tem que ser feitas de forma mais ampla possível e apoiada em números, dados, com um mínimo de precisão, focando na qualidade total. 
Como leigo imagino que o turismo mundial não será o mesmo e aí temos uma incrível oportunidade de reposicionar o Brasil no cenário mundial. Só vai acontecer se aproveitarmos o momento para aprimorar nossas qualidades e acertar erros passados, neste sentido Panrotas acerta iniciando estas conversas públicas.
Pelo jeito o setor, pelo menos o formal, está em sintonia com as autoridades, o que é ótimo. Mas e a informalidade, que deve ser grande? Os nanicos, os pequenos, os não tão organizados e representados, como estão e como vão ficar? Deixar quem esteve junto para trás é um erro, como a história está cansada de provar.
O setor de turismo tem números precisos e seguros sobre o que descrevo no break down a seguir?

Turismo Brasil

  • agências de viagem
  • autônomos
  • informais
  • internet
  • transporte
    • avião
    • ônibus / van / perua
    • trem
    • navio
    • barco
    • helicóptero 
    • aluguel carro
    • carro próprio
    • moto
    • bicicleta
    • a pé
    • outros
    • integração entre transportes
    • estrutura necessária para funcionamento de cada
  • hotéis
    • classificação
      • só por estrelas?
    • tipo
      • urbano
      • rural
      • praia
      • resort
      • bem estar e saúde 
      • esporte
      • aventura
      • hospitalar
      • encontros
      • festas / casamentos
  • hostel / pousadas / bed and breakfast / quartos / outros
    • o que está catalogado ou tem algum controle; quantos
    • o que é formal pela internet / celular, mas é informal; quantos
    • o que é informal; quantos
    • força dos formais
    • força dos informais
  • potencial
    • quantos quartos
    • camas
    • giro de público / turistas 
  • setor industrial
    • lavanderias
    • alimentação
    • manutenção
      • transporte
      • hotelaria
    • vestuário
    • equipamentos
    • pratos, copos, talheres, guardanapos
    • informática
    • agências de propaganda e comunicação
    •  imprensa
  • estrutura urbana 
    • rodoviária
    • aeroporto
    • receptivo / orientação
    • sinalização 
    • panfletos / outros
    • aplicativos
    • existente na internet específico, gerado pelo local ou outros
    • Google e Google Maps e outros
    • qualidade de cada elemento e qualidade geral
    • limpeza
    • segurança
    • capacidade de comunicação da população 
  • serviços locais
    • diretos para o turista
    • indiretos, mas comuns
    • formalidade
    • informalidade
    • desconhecidos, mas existentes?
  • comércio local
    • direto
    • geral
    • informal conhecido - artesanato, por exemplo
    • informal existente, mas...
  • autônomos 
    • diretos
    • indiretos
  • restaurantes e bares
    • diretamente ligados ao turismo
    • indiretamente, mas influenciados
    • não relacionados, mas afetados
  • shows
    • por tamanho
    • por tipo
    • por localidade
    • pela fama
  • convenções
  • trabalho
  • família
  • diversão
    • legal
    • ilegal
  • esportes
    • familiares
    • de competição
    • radicais
    • permanente
    • sazonal
  • outros
trabalho / fluxo de dinheiro
  • quantos trabalham com turismo
    • diretos total e por setor
    •  direto
      • quantos formados
      • qual é o nível de formação
      • quem deu a formação
      • diálogo entre as escolas, setor e poder público nos três níveis
      • ganho por faixa e posição / comparação outros setores / leis
      • qual é o índice de rotatividade dos trabalhadores
      • porque da rotatividade
      • como perenizar  
    • indiretos, mas dependentes
      • nível / qualidade de trabalho
      • formação
    • poder público
      • histórico
      • burocracia
    • carteira assinada
    • autônomo
      • existência perante a lei? 
    • informal
      • % de informais
      • renda
      • vantagem de não pagar impostos
    • variações, imprecisão, distorções
  • quanto ganha por posição
    • tempo de trabalho X ganho
    • capacitação / formação
    • publico alvo
    • valor agregado
  • como estava organizada as estruturas antes do corona
    • formal
    • profissional
    • amador
    • temporária - quebra galho
    • sazonal 
  • empresas
    • nacionais 
    • internacionais
    • conglomerados
    • mistos: locadora + hotel; agência + hotel...
    • por tamanho: individual, pequena, média, grande
    • capacidade financeira
  • sistema de financiamento
    • quem financia
    • como financia 
    • para quem financia
    • número de financiamentos e volume 
  • entidades representativas
    • quantas
    • quem são
    • forma de atuação
    • profissionalismo
    • capacidade de ação
      • perante autoridades
      • no setor - treinamento, orientação
      • entre entidades
      • perante a população
      • força de agrupamento ou política
      • força financeira
      • número de trabalhadores representados
      • grau de influência no periférico
        • número de trabalhadores
        • ganho médio destes trabalhadores 
    • tipo de ação
    • quantas são coletivas e quantas de uma ou duas pessoas só
    • representatividade perante os Governos e Prefeituras
    • entidades representativas oficiais
      • Federal
      • Estadual
      • Prefeitura
      • internacional?
    • nomes
    • localização
    • tamanho e tipo de turismo envolvido
    • reconhecimento 
      • no setor atuante
      • no setor de turismo geral
      • entre autoridades
    • quem ou o que não está atendido ou representado?
  • referências internacionais
    • organismos, entidades
    • empresas símbolo: Disney, por exemplo
    • grau e nível de contribuição, 
    • assessorias 
    • informações e práticas utilizáveis no Brasil
      • razão para sim ou não
      • adaptação
    • existe sistema algo como sistema ISO para turismo?
    • se existe sistema de qualidade para turismo: 
      • como funciona?
      • como está difundido
      • em que nível
      • eficiência 
público turista Brasil
  • turismo interno
    • perfil público
    • % por $ e nível social / educacional
    • como é visto pelo setor viagem de fim de semana / feriado?
    • como é visto pelo setor romarias e outros?
    • Descida da Serra de Santos: 40.000 ciclistas entrando em Santos numa manha?
    • 300.000 em romaria para Aparecida do Norte, 12 de Outubro. 
    • Caminho da Fé, Caminho do Sol, outros Brasil a fora?
    • por tempo de estadia
    • número de dias / mês / ano
    • custo no orçamento pessoal
    • custo comparado com outras opções
    • custo comparado com outros lugares
    • custo comparado com viagem exterior
    • formação do valor agregado das opções
      • distorções
      • fatores culturais por área geográfica: público SP X nordestinos X fazendeiros
      • $ por fator cultural - compras, destinos da moda...
    • por imagem do que espera do lugar
    • por comentários sobre o lugar e estadia
    • imagens reais X falsas
    • excursões
  • turismo externo
    • comparação com turismo interno
    • como é relacionamento do turismo brasileiro com exterior?
      • qualidades 
      • defeitos
      • buracos
      • deficiências dos dois lados
      • particularidades 

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Pedalar talvez. Dar bom exemplo com certeza

Aviso: mantenho o texto, mas o Ministério da Saúde está neste exato momento pedindo que use máscaras. Provavelmente devem ter algum número para aumentar os cuidados. Mais que nunca cuidem-se e principalmente cuidem dos outros. Meu dogma vem da cultura japonesa: Não interessa como você encontrou o lugar ou a coisa; interessa deixar melhor para o próximo que vier.

Soltei um link onde especialistas ingleses dizem para sair e pedalar, o que confesso que tenho feito. A questão é como pedalar sem se contaminar e sem dar um exemplo muito negativo. Estamos em quarentena, fique em casa, esta é a regra de ouro para evitar que a pandemia seja pior do que já está sendo; portanto, se for pedalar pedale onde não vá dar mal exemplo. No mínimo evite avenidas onde vai ficar mais exposto e aglomerações. O que está acontecendo todos dias na av. Pedroso de Moraes, por exemplo, que está cheia de gente caminhando, correndo a pé e pedalando, como se fosse um domingo normal, é péssimo, seja pelo lado da prevenção, por demonstrar falta de noção de prioridade, desinteresse pela coletividade, e mais triste ainda, por que de uma certa forma dá entender que concorda com o discurso errático, irresponsável e completamente fora do tom deste maluco que temos comandando o Brasil. 
Este é o país do "não vai acontecer comigo". Historicamente não conseguimos nos livrar destas cracas sem fim que só prejudicam o deslizar do nosso barco. É absolutamente certo que a craca coronavírus está parando e vai fazer água em vários países, alguns vão naufragar, como é certo que se todos especialistas e cientistas do planeta estão repetindo sem parar em tom afinado “fiquem quietos, isolem-se”, é sábio pelo menos ouvir e pensar seriamente em ficar quieto ou pelo menos o mais isolados possível. E dar bons exemplos de civilidade.

"Não é bem assim..." É mesmo?
Você já viu ou conviveu com alguém que teve uma crise respiratória aguda? Já segurou na mão de alguém que não conseguia respirar? Ou sendo mais suavezinho; já pinçou a vértebra e teve a respiração travada? Ou quebrou costelas, o que faz a respiração normal ser um inferno? Já ficou sem poder respirar por mais de um minuto? Não? Nunca passou por qualquer destas experiências? Não?

Se sair para pedalar, andar ou correr por favor seja discreto, de preferência invisível, não dê mal exemplo. Não pedale em grupo, não fique próximo um do outro, fique numa distância segura do ciclista da frente de forma que as gotículas da respiração dele não cheguem em você. O mesmo para corrida e caminhada. Evite avenidas. Saia em horários que as ruas estão mais vazias. Seja invisível.
Só lembrando a vocês que a brincadeira aqui no Brasil ainda não começou. Quem acredita que "não é assim" por favor olhem Espanha, Itália e Estados Unidos, ótimos exemplos de "não é bem assim".
Estamos em quarentena, não em lockdown como Espanha, Itália e várias áreas dos Estados Unidos. Aí o bicho pega.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

São Paulo vazia, como na minha infância


Está um silêncio... Lá no fundo, bem baixinho, em algum lugar que não consigo identificar está tocando a música símbolo da Disney.  
Não sei como está sendo a quarentena para vocês, mas espero que estejam passando bem. 
Adoro este silêncio. Adoro a cidade vazia, qualquer cidade. Como vivemos no meio da loucura chamada São Paulo quando todos somem, vão para a praia, a cidade fica uma delícia. 

Sou daqueles paulistanos "chiques" que viu e viveu numa cidade muito tranquila. Nasci e vivi até meus 11 anos no meio do Jardim Europa, rua Sofia esquina com rua Alemanha, por onde passavam poucos carros e praticamente nenhum pedestre, a não ser o "homem da capa preta", que não sei se realmente existia, mas sua imagem servia para apavorar criancinhas que não se comportavam bem. Nunca fui ameaçado por aí mesmo aprontando uma atrás da outra, mas ouvia histórias com frequência sobre o "homem da capa preta". Em 66 uma amiga de minha irmã, bela e despachadíssima adolescente, ficou frente a frente com um homem de capa preta que abriu a capa e mostrou seu pênis. Ela teve um acesso de gargalhada e seguiu em frente. Nunca mais se ouviu falar da capa preta nem do broxa. 

Quando criança eu corria para a janela do quarto de minha mãe, que ficava de frente para a esquina, quando ouvia algum motor acelerando rua Alemanha abaixo. Adorava um Rover verde quatro portas que cantava pneus na curva para a rua Bucareste ou passava direto e cantava na entrada da rua Inglaterra. Era minha diversão, me colocava em contato direto com os carros de corrida que via pela TV branco e preto, minha outra diversão. Meu vizinho Edson tinha uma moto Gilera 175, linda, que me arrepiava todo quando acelerava. Jardim Europa era ruas curvas perfeitas para os malucos de então, que eram poucos, passavam muito de vez em quando, quando passavam. Uma tranquilidade. Motorista tranquilo só o nosso padeiro que entregava pão em casa com uma perua Ford Prefect 1948 preta, pequenina, linda, parecendo um brinquedo para minha idade de então. O resto meio a mil. Carros eram então o must, qualquer um, bastando ser carro. Um dia meu pai chegou com uma Romi Isetta e eu tive a brilhante ideia de colocar nossa tartaruga na frente da roda dela. Coitada na tartaruga, minha consciência chora até hoje.
Há uma pequena praça triangular gramada e com arbustos entre a rua Sofia e a Bucareste, esquina com Alemanha. E tinha tia Lígia com seu Chevrolet Bel Air 1951 que não raro dirigindo completamente bêbada ignorava a praça, a guia, as plantas, e passava direto com o carro dando um pulo de cavalo de cowboy que eu achava o máximo. Ela telefonava dizendo que estava vindo e eu ia para a rua assistir o rodeio. Não tinha perigo, tia Lígia com o tranco fazia uma curva perfeita manobrando e estacionando o carro em nossa porta como se nada houvesse acontecido. Não resta dúvida que o Bel Air era um tanque de guerra.
Jardim Europa daqueles tempos, acreditem, era muito menos agitada que a São Paulo de quarentena que estamos vivendo. A bem da verdade era uma bosta para qualquer criança ou pelo menos para mim que não parava quieto. Não tinha com quem brincar, era um deserto, um saco. O máximo que fazia era pedalar meu jeep de bombeiros até a outra esquina e voltar. Numa destas pedaladas conheci Paulinha, que tinha a mesma idade e pedalava um triciclo. Pedalamos juntos algumas vezes, era divertido, mas morreu de sarampo logo depois. Foi bem pesado. Assim que meus pais souberam da trágica notícia me enfiaram no carro e me levaram para tomar a vacina. Nunca mais vi seus pais ou qualquer movimento na casa castelinho que viveram até também morrer.
Paciência, esta São Paulo me lembra minha infância, mas vai passar.
No pré primário do Branca de Neve, 1959,
no centro da fileira de cima, cabelo preto.

segunda-feira, 30 de março de 2020

Necessidade da PMSP e Governo não deixar parar o que é seu

Fórum do Leitor
O Estado de São Paulo

Em relação à pandemia tudo indica que a Prefeitura do Município de São Paulo está fazendo o correto, mas este é o momento para resolver problemas da cidade que podem afetar as boas ações em relação ao coronavírus. A cidade está vazia, perfeita para realizar obras emergenciais nas ruas, avenidas e pontes, dentre elas e principalmente as que envolvem concreto que demanda bom tempo de cura. O aumento do número de leitos vai bem, mas é necessário olhar com urgência a condição de ambulâncias, carros de bombeiros e PMs, e outros necessários para o transporte de suplementos. É ótimo momento para unificar os códigos internos usados por todos que trabalham com urgências e atendimento ao público. Não temos um 911, mas 190 para PM, que não é o mesmo do SAMU ou dos bombeiros ou da Defesa Civil. Alguém da Prefeitura ou Governo está cuidando da instabilidade que estamos tendo na Internet. São Paulo tem uma central de inteligência digital unificada que colha dados, os processe, analise, e apresente respostas para todos os problemas periféricos, diretos ou indiretos, mas estratégicos ao combate da pandemia? Com o que Prefeitura e Governo do Estado vão mostrar que a vida continua para as administrações e que o povo pode ficar quieto em casa com tranquilidade?

Aproveitar diminuição de trânsito
·         tapar buracos – muitos perigosos
·         consertar problemas de pavimento em concreto
·         trabalhar problemas nas pontes
·         critério de prioridade pontos estruturantes do combate do corona
o   hospitais
o   centros de acolhimento
o   distribuição de alimentos e remédios

·         fluxo de emergências
o   ambulâncias
o   bombeiros
o   PM
o   aeroportos
o   heliportos

·         consertar semáforos
·         cuidar da sinalização viária
·         controlar velocidade máxima – evitar acidentes


·         aproveitar e colher dados sobre variação de circulação e mobilidades
·         ter números sobre circulação de prioritários para sobrevivência da cidade
·         estabelecer e comunicar planejamento fluidez de emergência
o   CET, DETRAN, PM, Choque
o   logística transporte – ordenar pequenos - educar entregadores bicicleta
o   população geral
·         mapear casos, ações, emergências da pandemia
·         entender a evolução da logística do “colapso”

·         temos um grupo que esteja centralizado dados periféricos à pandemia?
·         quem são?

·         São Paulo tem um centro tecnológico de controle de emergências?
·         como está a estrutura tecnológica da Defesa Civil?
·         como estão as centrais da CET?
·         como estão as centrais da PM?
·         qual a estrutura de comando do Prefeito e Secretários?
·         como está organizado a Região Metropolitana para emergência?
·         unificar códigos de emergência – hoje todos diferentes – e toda comunicação
·         existe capacidade computador para absorver e cruzar toda informação
·         quanta e que tipo de informação tem empresas de segurança privada?
·         quem mais da sociedade civil ou privada tem informação valiosa?

·         A PMSP e Governo do Estado têm um sistemas de internet internos, eficientes e confiáveis

·         como a inteligência do Exército está acompanhando?
·         especialistas de cenários do Exército

Comunicação
aproveitar o momento para corrigir erros / distorções de informação passados e atuais
apresentar o lado do inimigo / problema e reposicionar perante opinião pública
qualidades / defeitos / problemas
                Hospitais:
·         apresentar a estrutura de um hospital para a população
o   atendimento direto ao paciente
o   indireto: cozinha, estoque remédios, lavanderia...
o   administração: diretor, gerentes, responsáveis...
o   outros
·         mostrar perfil dos atendimentos:
o   porque brasileiro prefere ficar doente durante a semana
o   pacientes que poderiam ser evitados:
§  saúde preventiva – erros do poder público
§  saúde preventiva – erros da população
§  problemas criados por curandeiros e outros
·         qual a falha da comunicação oficial para os que ainda não creem?
·         quem manda no que?
o   (exemplo: como assim a administração do CEASA é Federal?)
o   o rio Pinheiros (e provavelmente o Tiete) tem cinco autoridades mandando
o   como está o sistema de saúde, quem manda realmente?
·         o que não pode abrir para a população
·         o que não pode abrir para a população abrir em off para imprensa
·         imprimir imediatamente informações e fixar onde a população leia
·         quais as práticas comuns da população que são perigosas
·         diferenciar comunicação para homens e mulheres – limpar-se, por exemplo; menstruação, cuidados íntimos, piercing...
·         propaganda de utilidade pública pouco usada
·         nomes confiáveis que trabalham com populações carentes
o   mapear
o   locais
o   brasileiros
o   estrangeiros
·         quem destes que prestam serviços para os carentes é bom no que?
o   quais os prioritários
o   14% da população brasileira tem algum tipo de deficiência
o   o número de deficientes graves é alto
o   quais os grupos de maior risco de contaminação própria
o   quais os com maior risco de contaminação social
·         divulgar nomes que estão sendo cruciais neste momento?
Exército
·         temos especialistas em contaminação biológica ou viral
·         o que trouxemos de inteligência do Haiti e outros
·         o que estão falando os especialistas em cenários militares
·         qual é o nível de prontidão
·         estão treinando as PMs
·         bombeiros

Para a população:
·         fazer a população acompanhar diariamente a saúde de médicos, enfermeiros e outros – melhorar a compreensão e imagem do que é o sistema de saúde
·         usar agência de propaganda e comunicação para trabalhar imagens dos servidores – não políticas. Humanizar o sistema
·         ensinar a ouvir e organizar ideias
·         aproveitar que os estudantes estão em casa
·         usar Universidades, escolas modelos, professores aposentados, pensadores
·         apresentar de maneira fácil de compreender a parte econômica

·         resolver o problema do entulho: usar como exemplo / referência
·         porque os trabalhadores que trabalharam no sistema ISO e outros não transferiram o aprendizado e a prática para suas casas e bairros?
·         qual é a movimentação / deslocamento das populações pobres e carentes
·         vir a público e mostrar ações reais que estão sendo feitas para protege-los
·         como favelados devem agir com um doente em casa