quinta-feira, 16 de agosto de 2018

custo corrupção 3 X 9 custo problema em obras públicas

"O principal problema do Brasil é a corrupção" afirma categoricamente todo o povão mais o "não povão". Não é. Corrupção é um dos problemas do Brasil, mas nem de longe o maior deles.  
O Brasil perde 3 vezes mais do PIB com diversos problemas em obras públicas que com corrupção, ouvi na rádio e é o que se pode ler em vários artigos e estudos publicados. Custo de erro no projeto, construção, atraso na entrega da obra, obra inacabada... Não entra aí custos e prejuízos outros após a entrega da obra. Ou seja, 3 X mais que corrupção só no custo direto de obras. Quais custos indiretos? Congestionamento, acidentes causados por falha de projeto, perdas decorrentes de ineficiência funcional, durabilidade, geração de entulho ou resíduos para consertar... Garantia? Que garantia? Quem consegue acionar garantia de obra pública no Brasil? Quem tem interesse em acionar a garantia? Governo? Não. População? Acha porcaria normal, não faz ideia do que seja qualidade, muito menos garantia. Acha que não tem anda a ver com aquilo, que é coisa de corrupto... Corrupção, o conceito mágico para justificar tudo - e enganar todos.

 
Dois detalhes na foto acima, o remendo na calçada com cavalete e o asfalto refeito. Mais um detalhe: esta rua foi completamente reconstruída e inaugurada faz uns 6 anos. Arrancaram toda calçada, todo asfalto, toda brita, todos canos, tudo, e reconstruíram a rua do zero. A rua Eugênio de Medeiros de Medeiros, junto com boa parte do baixo Pinheiros, foi trazida para o século XXI brasileiro. Eu disse "brasileiro". Enterraram todos os cabos, refizeram todos os dutos e canos, calçadas bonitinhas... Fosse em qualquer país civilizado a rua Eugênio de Medeiros teria este perfil técnico desde o século XIX, ou seja, uns 150 anos antes. Com uma diferença: fosse em país civilizado teria projeto adequado, execução cuidadosa, deixaria mapas \ plantas precisas, teria garantia de obra longa (25 anos na Itália) que nunca seria acionada porque o processo todo teria sido trabalhado com total qualidade.
30 de setembro de 2012, a reconstrução já em estado adiantado  
Voltando a primeira foto e explicando os detalhes. O asfalto teve que ser quebrado em um longo trecho porque uma casa estava com problemas no esgoto, segundo contaram não corretamente ligado ao sistema de coleta (entenda como quiser). Na reconstrução esqueceram algo. O remendo na calçada (com cavalete) teve que ser feito ontem porque só agora, seis anos depois, vão finalmente retirar os postes e enterrar a energia e outros cabos, mas agora os operários não conseguem encontrar várias ligações das casas para o cabo de energia enterrado.
Esta obra pública, a extensa Operação Urbana Pinheiros, com uns 6 anos apresentando seguidos problemas não é novidade. Toda a vez que alguma prestadora de serviço tem que instalar ou mexer nos cabos enterrados acontece alguma coisa errada. Quando a prestadora de serviço é nova no pedaço eles tem que procurar onde estão passando os tubos enterrados. Os mapas existentes do subsolo são imprecisos, indisponíveis ou não existem? Não raro tem que quebrar a calçada. Isto em uma obra realizada faz 6 anos. Fora a calçada que já está se desfazendo em vários pontos. Isto para não falar sobre o concreto das ruas que já quebrou em vários lugares, principalmente nas tampas de bueiro. Fora o..., e o..., e... Uma intervenção imensa numa área extensa de grande circulação poucos anos depois numa condição triste. Deprimente!
Estou cansado de gritar no vazio. Garantia? Como se aciona a garantia de uma obra pública? Como se sensibiliza a administração sobre os problemas? 

Abaixo fotos de uma obra em Milano, Itália, durante as obras em 2015 e logo entregue ao público. Já escrevi sobre esta e outras obras em cidades civilizadas. Na segunda foto é possível notar a esquerda um desnível de 3 mm na tampa de ventilação, que foi corrigido, como se vê na terceira foto. E 25 anos de garantia. 

Corrupção é um dos nossos problemas, nem de longe o maior. Pensar desta forma pode nos fazer votar sem colocar na balança eficiência e qualidade, o real desastre deste Brasil horroroso que vivemos. 

obra em via de Milano, Itália, março de 2015

calçada em construção, Milano, Itália, março 2015

via pronta e entregue ao público em 2018. Garantia da obra: 25 anos
Um bom paralelo:
Bicicleta popular brasileira, as bem baratas, custam pouco e duram menos ainda. O segredo da história está em que o povão paga pouco, compra porcaria e tem que trocar várias peças logo em seguida, o que garante a sobrevivência de boa parte das bicicletarias e do setor. 
Primeiro, é uma sacanagem sem tamanho, ato de profunda má fé do mercado para girar mercadoria. 
Segundo, e ai sim um escândalo: não tenho números recentes, mas faz uns anos uma das concessionárias de rodovia de São Paulo afirmava que pelo menos 35% dos ciclistas mortos em acidentes a causa foi falha mecânica da bicicleta; ou seja, baixa qualidade.

recordações com Paul MacCartney Carpool Karaoke

Quando Paul MacCartney veio pela primeira vez a São Paulo conversei com Renata, "Vamos levar o Paul para pedalar?" Não conseguimos, mas ele pedalou por aqui. Que oportunidade perdida! E aí aparece este vídeo do Carpool trazendo um monte de recordações...

Se tiver que fazer uma relação entre os Beatles e a bicicleta volto aos meus 14 anos passando férias no Guarujá na pequena e charmosa casa dos Falzoni com Renata, Roberto e Ricardo, de vez em quando outros primos, Calico e Roberto em especial. Naquele 1969 Abbey Road tocou na pequena vitrola mono as férias todas, não sei como Yeda, santa mãe, aguentou. Parava quando íamos à praia ou quando saíamos a pé ou em bicicleta. Tínhamos a disposição três bicicletas Caloi Fiorentina, duas aro 26 e uma 24, se não me falha a memória.
Aquela foi uma semana feia, com dias de chuva contínua, céu cinza, enfurnados em casa, lendo e ouvindo música, pela manhã indo à praia para ficar desapontados com o mar furioso em ressaca. Choveu forte toda a manhã e o sol voltou com tudo ardente num céu azul límpido que abriu rápido no meio da tarde. Felizes desligamos a vitrola, guardamos o disco na capa, pegamos as bicicletas no fundo do terreno, eu e Renata. O sol de tão forte já fazia com que um leve vapor começasse a subir do asfalto molhado. Dobramos a esquina, entramos na avenida e subimos na calçada da praia pedalando forte rumo ao centro para tomar um sorvete na Caramba. A calçada levantada pelas raízes das árvores, figueiras-de-jardim, foram rampas para pulos de felicidade com as bicicletas. Pulei a primeira, pulei a segunda, meu pé escorregou do pedal, cai no selim que cedeu e dei forte com o saco no tubo superior. Tentei controlar a direção (e a dor) mas a roda passou sobre uma folha podre e molhada, escorregou, e direcionou a bicicleta para o meio do tronco da árvore seguinte. Pés escorregando no cimento molhado e cheio de folhas podres e parei no meu saco contra tronco e guidão. Caí em dor, retorcido, coloquei a mão nas bolas meio tonto e gemendo. Olho para cima, para os céus, e aparece Renata chorando de rir, tanto que também desandei a gargalhar entre os urros de dor. E foi assim que perdi a capacidade de ter filhos, felicidade para minhas namoradas que nunca engravidaram.
Yeda, santa Yeda, e foi assim que no dia seguinte Yeda devolveu o santinho para minha mãe na balsa Santos - Guarujá. O short não conseguia esconder o saco preto do tamanho de uma bola de futebol de salão, doloroso e vergonhosamente pendurado sob o fino tecido. O andar lento com pernas abertas só piorava minha vergonha. Até os peixes do canal olhavam. Confesso que até hoje não consigo entender como consegui entrar nos carros. O fim daquelas férias me lembro bem; em Santos e com outros primos indo ao quarto para rir. Nem a vitrola tinha.

Esta entrevista com Paul MacCartney para o Carpool Karaoke toca na alma, não só pelas histórias dos Beatles, mas pelas recordações que traz. Lembro de minha irmã ainda menina ouvindo o disco "A hard day's ninght" no último volume junto com Celinha e Regina num final de tarde de um céu azul mágico e uma temperatura agradabilíssima, provavelmente primavera. A vitrola ficava perto da porta de entrada da casa, que estava escancarada, e fiquei sentado nos degraus do pequeno terraço ouvindo as músicas com as três cantando e esboçando dança. 
Paul fala na entrevista sobre detalhes de várias canções.  Let it be, ligado a um sonho de MacCartney com a mãe, me remete a minha adolescência e uma Buenos Aires que andei, andei, andei por todas as partes simplesmente olhando a cidade e a vida dos porteños. Quando voltava para o apartamento de meu avô Arturo Raul ouvia o então recém lançado álbum branco dos Beatles de meu tio Zé Maria. Podia acompanhar as músicas com um livro ilustrado com as letras, mágico livro que nunca mais vi igual. A sonoridade das composições do álbum branco era nova, num tom especial, desafiadoras. Incrível, mas não me dei conta de Helter Skelter, provavelmente a música mais forte do álbum duplo. Talvez não esteja errado em dizer que foi um prenúncio do barulho punk que surgiria anos depois. Minha bisavó Mamita Elena dizia que ouvir aquelas músicas, mesmo a suave Black bird, durante as refeições fazia mal a saúde e mandava desligar a vitrola. Era uma Argentina fortemente ligada à Igreja e avessa a mudanças.
Ver Paul dobrar a esquina no Carpool Karaoke e falar sobre a Penny Lane me jogou direto aos domingos chuvosos que ficávamos todos, eu e os Falzoni, na sala de TV de Yeda ouvindo Sargent Pepers e Magic Mistery Tour, então desconhecido no Brasil. I'm the Walrus foi o trampolim musical para minha adolescência. Ainda hoje a ouço com raro prazer e emoção. Foi naquelas tardes frias e chuvosas que descobri a obra alucinadamente maravilhosa de Dali, o que dava mais força ao Walrus e Strawberry Fields Forever. Sempre aparecia a portuguesinha com uma grande tigela de pipoca quente e cheirosa. Tardes inesquecíveis. 
Tive a felicidade de poder ouvir não só Beatles, mas a maioria dos discos em aparelhos de som de ótima qualidade. Som de qualidade é outra história, outro universo, outra emoção, outra educação para o espírito. Eu próprio tive um Heico, um amplificador valvulado americano de baixa potência, mas grande precisão, que me foi dado por meu pai junto com caixas acústicas em madeira compensada que respondiam com perfeição aos graves, médios e agudos. E os discos eram LP, bolachas, tocados em uma ótima agulha. Cada detalhe saía das caixas e era apreciado com respeito. Quase enlouqueci meu irmão, vizinho de quarto; e todo edifício (a quem peço desculpas cada vez que passo na porta). 

Acredito que tenha sido o primeiro brasileiro a ouvir Taxman, do Revolver. O disco acabara de sair em Londres e Rodrigo, primo de meu pai, trouxe os primeiros imediatamente depois do lançamento para serem tocados numa rede de rádios espalhada pelo Brasil. Meu pai foi pega-lo no aeroporto e passou a mão num deles para minha irmã Dinorah,  Beatle maniaca. Chegou bem cedo em casa naquela manhã de névoa cerrada, abriu o móvel, colocou o disco num volume bem alto e me disse "Quero ver em quanto tempo sua irmã acorda". No meio da música estava ela e Celinha descem correndo escada e aos berros "O que é isto?" pulavam no meio da sala. 

Quando Paul MacCartney veio pela primeira vez a São Paulo conversei com Renata, "Vamos levar o Paul para pedalar?" Não conseguimos, mas ele pedalou por aqui. Que oportunidade perdida! E aí aparece este vídeo do Carpool trazendo um monte de recordações...

Se tiver que fazer uma relação entre os Beatles e a bicicleta volto aos meus 14 anos passando férias no Guarujá na pequena e charmosa casa dos Falzoni com Renata, Roberto e Ricardo, de vez em quando outros primos, Calico e Roberto em especial. Naquele 1969 Abbey Road tocou na pequena vitrola mono as férias todas, não sei como Yeda, santa mãe, aguentou. Parava quando íamos à praia ou quando saíamos a pé ou em bicicleta. Tínhamos a disposição três bicicletas Caloi Fiorentina, duas aro 26 e uma 24, se não me falha a memória.
Aquela foi uma semana feia, com dias de chuva contínua, céu cinza, enfurnados em casa, lendo e ouvindo música, pela manhã indo à praia para ficar desapontados com o mar furioso em ressaca. Choveu forte toda a manhã e o sol voltou com tudo ardente num céu azul límpido que abriu rápido no meio da tarde. Felizes desligamos a vitrola, guardamos o disco na capa, pegamos as bicicletas no fundo do terreno, eu e Renata. O sol de tão forte já fazia com que um leve vapor começasse a subir do asfalto molhado. Dobramos a esquina, entramos na avenida e subimos na calçada da praia pedalando forte rumo ao centro para tomar um sorvete na Caramba. A calçada levantada pelas raízes das árvores, figueiras-de-jardim, foram rampas para pulos de felicidade com as bicicletas. Pulei a primeira, pulei a segunda, meu pé escorregou do pedal, cai no selim que cedeu e dei forte com o saco no tubo superior. Tentei controlar a direção (e a dor) mas a roda passou sobre uma folha podre e molhada, escorregou, e direcionou a bicicleta para o meio do tronco da árvore seguinte. Pés escorregando no cimento molhado e cheio de folhas podres e parei no meu saco contra tronco e guidão. Caí em dor, retorcido, coloquei a mão nas bolas meio tonto e gemendo. Olho para cima, para os céus, e aparece Renata chorando de rir, tanto que também desandei a gargalhar entre os urros de dor. E foi assim que perdi a capacidade de ter filhos, felicidade para minhas namoradas que nunca engravidaram.
Yeda, santa Yeda, e foi assim que no dia seguinte Yeda devolveu o santinho para minha mãe na balsa Santos - Guarujá. O short não conseguia esconder o saco preto do tamanho de uma bola de futebol de salão, doloroso e vergonhosamente pendurado sob o fino tecido. O andar lento com pernas abertas só piorava minha vergonha. Até os peixes do canal olhavam. Confesso que até hoje não consigo entender como consegui entrar nos carros. O fim daquelas férias me lembro bem; em Santos e com outros primos indo ao quarto para rir. Nem a vitrola tinha.

Esta entrevista com Paul MacCartney para o Carpool Karaoke toca na alma, não só pelas histórias dos Beatles, mas pelas recordações que traz. Lembro de minha irmã ainda menina ouvindo o disco "A hard day's ninght" no último volume junto com Celinha e Regina num final de tarde de um céu azul mágico e uma temperatura agradabilíssima, provavelmente primavera. A vitrola ficava perto da porta de entrada da casa, que estava escancarada, e fiquei sentado nos degraus do pequeno terraço ouvindo as músicas com as três cantando e esboçando dança. 
Paul fala na entrevista sobre detalhes de várias canções.  Let it be, ligado a um sonho de MacCartney com a mãe, me remete a minha adolescência e uma Buenos Aires que andei, andei, andei por todas as partes simplesmente olhando a cidade e a vida dos porteños. Quando voltava para o apartamento de meu avô Arturo Raul ouvia o então recém lançado álbum branco dos Beatles de meu tio Zé Maria. Podia acompanhar as músicas com um livro ilustrado com as letras, mágico livro que nunca mais vi igual. A sonoridade das composições do álbum branco era nova, num tom especial, desafiadoras. Incrível, mas não me dei conta de Helter Skelter, provavelmente a música mais forte do álbum duplo. Talvez não esteja errado em dizer que foi um prenúncio do barulho punk que surgiria anos depois. Minha bisavó Mamita Elena dizia que ouvir aquelas músicas, mesmo a suave Black bird, durante as refeições fazia mal a saúde e mandava desligar a vitrola. Era uma Argentina fortemente ligada à Igreja e avessa a mudanças.
Ver Paul dobrar a esquina no Carpool Karaoke e falar sobre a Penny Lane me jogou direto aos domingos chuvosos que ficávamos todos, eu e os Falzoni, na sala de TV de Yeda ouvindo Sargent Pepers e Magic Mistery Tour, então desconhecido no Brasil. I'm the Walrus foi o trampolim musical para minha adolescência. Ainda hoje a ouço com raro prazer e emoção. Foi naquelas tardes frias e chuvosas que descobri a obra alucinadamente maravilhosa de Dali, o que dava mais força ao Walrus e Strawberry Fields Forever. Sempre aparecia a portuguesinha com uma grande tigela de pipoca quente e cheirosa. Tardes inesquecíveis. 
Tive a felicidade de poder ouvir não só Beatles, mas a maioria dos discos em aparelhos de som de ótima qualidade. Som de qualidade é outra história, outro universo, outra emoção, outra educação para o espírito. Eu próprio tive um Heico, um amplificador valvulado americano de baixa potência, mas grande precisão, que me foi dado por meu pai junto com caixas acústicas em madeira compensada que respondiam com perfeição aos graves, médios e agudos. E os discos eram LP, bolachas, tocados em uma ótima agulha. Cada detalhe saía das caixas e era apreciado com respeito. Quase enlouqueci meu irmão, vizinho de quarto; e todo edifício (a quem peço desculpas cada vez que passo na porta). 
Acredito que tenha sido o primeiro brasileiro a ouvir Taxman, do Revolver. O disco acabara de sair em Londres e Rodrigo, primo de meu pai, trouxe os primeiros imediatamente depois do lançamento para serem tocados numa rede de rádios espalhada pelo Brasil. Meu pai foi pega-lo no aeroporto e passou a mão num deles para minha irmã Dinorah,  Beatle maniaca. Chegou bem cedo em casa naquela manhã de névoa cerrada, abriu o móvel, colocou o disco num volume bem alto e me disse "Quero ver em quanto tempo sua irmã acorda". No meio da música estava ela e Celinha descem correndo escada e aos berros "O que é isto?" pulavam no meio da sala. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Mais uma perda com a saída de Marta Suplicy


Nunca gostei da Marta Suplicy em si, mas não só reconheço o seu precioso valor na luta vitoriosa por causas nobres que vinham secularmente sendo consideradas menores ou ridículas, como fico triste em saber que ela está definitivamente fora da política, mesmo não concordando com alguns pontos de vista dela. 
Meu problema com Marta vai além da forma política que ela adotou. Para mim uma coisa é vaidade e a busca pela beleza; outra é exagero, chegar a situações que fogem à normalidade e podem prejudicar a saúde para atender parâmetros sociais, para mim uma forte expressão de fraqueza na justa ambição feminina. Ai a mulher Marta, cheia de plásticas e outros, me incomoda.
Marta e Eduardo moravam próximos de minha casa. Encontrei inúmeras vezes Eduardo na rua, sempre acessível, sorridente e mentirosamente político nas respostas e ações em relação ao que eu lhe falava sobre a situação dos ciclistas. Resposta zero, desinteresse absoluto, sorrisos inúteis mil! Detalhe: na época bicicleta, década de 80, bicicleta era o veículo mais usado no Brasil (IBGE 1981), era sim coisa de pobre, de operário de fábrica, com bicicletários monstros espalhados pelo ABC, berço do PT, e em todos cantos onde houvesse uma fábrica ou obra. O Bicicleta era sim prioridade social (IBGE), artigo de primeira necessidade para os miseráveis do interior deste país. Marta era uma loira que passava na rua de nariz em pé, na época bonita aliás, e só. A minha impressão cada vez pior de Eduardo colou em Marta. 
Marta fez o útil programa na TV voltado às mulheres. Logo após saiu candidata, se elegeu, e veio a público com o discurso de PT populista, já um tanto nós e os outros. Mesmo nas vezes que Marta teve razão a forma do discurso azedou muito a compreensão de sua boa causa, não só para mim. Um dia saiu com o famoso "Relaxa e goza"; depois a história do namorado golpista argentino e suas palmeiras imperiais..., e a venda da casa deles, Marta e Eduardo, com contrapartida da troca do terreno onde estão uma escola, posto de saúde, teatro, AACD, tudo muito mal explicado... Marta, vaidosa e cheia de si, não foi reeleita para a Prefeitura de São Paulo muito por causa da imagem que deixou. Depois foi eleita Senadora. Inteligência e energia ela tem de sobra para fazer bom trabalho, mas a vaidade atrapalha.
Não perdoo a grosseria com que fomos tratados, eu, Renata Falzoni, Sérgio Luís Bianco (petista de carteirinha) e mais alguém que estava conosco, creio que Teresa, quando entregamos reivindicações para os ciclistas que por pouco não foram jogadas no chão por Marta. O encontro desastroso aconteceu num evento na Praça Patriarca, onde Marta vomitou toda sua prepotência em breves palavras e gestos ásperos, inclusive pelo ostensivo do segurança ameaçador ombro a ombro com ela. Saímos de lá com uma Renata dizendo "Queria estar com a filmadora ligada".
É inegável a importância de Marta em causas cruciais para a construção de uma sociedade justa. Não ter simpatia pela causa da bicicleta é um posicionamento completamente aceitável. Ser grosseria, pesada, prepotente, não. Lembro a ela que a bicicleta foi de grande importância para a causa feminista em seus primeiros passos no final do século XIX, assim como para a causa operária e o nascimento da esquerda. “Ao socialismo se vai de bicicleta”. Marta não tem obrigação de saber, mas dado a sua brilhante inteligência e viés de esquerda, sendo ela atrelada a um partido operário, era de se esperar que pelo menos entendesse.
Infelizmente o Brasil, no meio desta baderna, deste caos, desta guerra civil não declarada, tem perdido inteligências imperdíveis. Marta é uma destas. E assim a cada dia imbecis ganham mais espaço. Só posso dizer uma coisa: estamos fu!
Marta, obrigado.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Jotta Santana

Ontem fui avisado sobre a morte do Jotta Santana, uma das figuras mais simpáticas com quem trabalhei e que me ajudou muito nos tempos da Bicisport. Tenho que agradecer toda a equipe de redação da Bicisport, Panara, Marc, e muito em particular o Jotta, que foi de uma paciência e cortesia impar. A bem da verdade agradecer a todos de lá que me abriram as portas para o que vim a fazer depois. 
Abraço e boa viagem meu caríssimo Santana, como sempre chamei esta figura maravilhosa.

Infelizmente se perdeu numa enchente todo material fotográfico da Bicisport, que tinha fotografias do.... do... (vergonhosamente não me lembro do nome do excelente fotógrafo da época) e provavelmente também de Jotta Santana. 
Encontrava eventualmente Jotta pelas ruas que sempre estava sorrindo e leve. Neste exato momento está sendo cremado em Vila Alpina numa cerimônia discreta, como foi sua vontade. 


terça-feira, 31 de julho de 2018

a sensatez de uma punição merecida

Lá pela década de 70 uma das cidades mais sujas da França era a que ficava do outro lado do lago e mais próxima de Lausanne, Suíça. Quem contou isto foi Bernard Zen Ruffinen, um suíço. A razão era simples: os suíços cruzavam o lago e iam se divertir com a liberdade que tinham na França. Na Suíça jogar qualquer coisa no chão é ter problema certo, tanto com a polícia como com os locais sempre atentos à boa ordem das coisas e sem o menor constrangimento em apontar o dedo para quem faz coisa errada. Outra história veio do Dani, outro suíço, que vivia no Brasil e já tinha se acostumado à falta de regra do trânsito brasileiro. Numa cidade suíça pequena, praticamente sem trânsito, ele cruzou a rua fora da faixa de pedestre. Um motorista viu, parou o carro e foi dar uma tremenda bronca. Chatice? Desnecessário? Por isto eles são a Suíça e nós somos...
NY não foi a primeira cidade a ter a política de tolerância zero, mas é a mais conhecida. Demorou, mas deu certo; hoje NY é uma cidade segura, cheia de turistas, que continua se recuperando de um tempo onde tudo foi permitido. A mudança ocorreu porque ficou provado que ilegalidade, irresponsabilidade, inconsequência tem um custo alto e empobrece todos, independente do nível social, e inviabiliza o futuro. 

Proposta de lei descartada 
Quando mandei as propostas projetos de lei do que viria a ser este Código de Trânsito Brasileiro promulgado em 1997 estavam algumas que não foram aprovadas e uma em particular que foi descartada de cara por considerada absurda. Pois bem, a descartada propunha que acidentes provocados por infrações gravíssimas tirasse o direito do responsável de ter atendimento gratuito no sistema de saúde. Provocou o acidente, não só paga pelos danos à terceiros, à coisa pública, custos para a sociedade (congestionamento) e próprio tratamento. Malvado? São Paulo chegou a ter mais de 30% dos leitos hospitalares ocupados por motoboys que se orgulhavam em ser chamados de "cachorros locos". Até pouco eram 70 atendimentos \ dia de SAMU e ou Corpo de Bombeiros, com seus respectivos congestionamentos monstros e custos imensuráveis. Mossoró chegou a ter 78% dos leitos ocupados por motociclistas. Estes números se repetem neste Brasil afora sem lei. Acidentes absurdos, idiotas, injustificáveis, com um custo altíssimo, direto e indireto, imediato, de médio e longo prazo. E que se danem os outros que necessitam de tratamento médico.
Bumbum lindo? No bumbum de quem?
Lembrei da história deste projeto de lei considerado absurdo e imediatamente descartado por causa da confusão que está dando a mulherada querer ficar com bumbum lindo a qualquer custo; o maior gerador de notícias do momento. Fora a questão da pobreza de espírito como as mulheres brasileiras veem e entendem o que é beleza, que por si só é deprimente, existe a questão de quem é a responsabilidade legal sobre os erros que estão acontecendo. É do Estado que não fiscaliza? Dos órgãos responsáveis pela medicina? Das pseudo médicas e charlatonas? E de mais ninguém???? As irresponsáveis que foram atrás da beleza a qualquer custo são vítimas? As pseudo médicas e charlatonas sem dúvida são claramente culpadas. E sem dúvida as que aceitaram correr risco na busca da beleza a qualquer custo, seja pela lei quanto pela burrice sem tamanho, o pior de tudo. Hora, quem não cumpre a lei, mesmo que seja por desconhecimento, não incorre em crime? Sim, incorre em crime. Ponto final. As vítimas não são só vítimas, neste caso são responsáveis pelos próprios atos. De novo, quem paga os custos da palhaçada somos todos nós. 

Temos que parar de passar a mão na cabeça dos que fazem coisas erradas, conscientes ou não de seus atos ilegais. Porque toda a população tem que pagar um dizimo para cobrir a imbecilidade do próximo? Mesmo em situações menos polêmicas como o simples entortar um poste, derrubar uma árvore, quebrar um muro numa colisão você alguma vez em sua vida ouviu que o estado veio cobrar pelos danos ao patrimônio público? 

Que Brasil você quer? Eu quero um Brasil com direitos e deveres, um Brasil sem coitadinhos, onde se cumpra a lei e a maioria não pague pelos erros e inconsequências de uma minoria irresponsável. 

segunda-feira, 30 de julho de 2018

lixeiras subterrâneas X mapas e postes

Até que enfim estão começando a instalar as primeiras lixeiras subterrâneas em algumas cidades do Brasil. Do lado de fora é uma lixeira comum, mas abaixo dela há um grande depósito de lixo que é limpo de tempos em tempos por um caminhão especial. É fácil encontra-las lá fora. As vantagens são inúmeras: é quase impossível transbordar, o volume de resíduos recolhido é grande, a sujeira não fica a vista, não emite cheiro, evita ratos e baratas... É civilizado, mais barato, mais sensato. A população vai adorar. 
O problema é que na maioria de nossas cidades grandes não temos mapas de subterrâneo, portanto é difícil saber onde é possível cavar para instalar uma destas volumosas lixeiras. Se na minha rua, que foi totalmente reconstruída faz uns 8 anos o pessoal não sabe por onde passa o que, imagine numa rua comum onde cada companhia de serviço público cava onde quer para passar seus canos e ou dutos? Tem outro problema, os postes. Estas lixeiras costumam ser instaladas nas esquinas, exatamente onde aqui no Brasil se faz plantação de postes. Você já contou quantos postes tem numa esquina? Poste é poste, portanto têm contar os postes de luz, os de energia, mais os postes de sinalização, os de semáforo, e em muitas esquinas os de orientação, aqueles que indicam um caminho. Quantos postes! Então, onde se encontra espaço para a instalação de lixeiras modernas? Quanto custa contornar estes detalhes de nossas cidades?
Será que um dia teremos bicicletários subterrâneos como os de Tóquio? Eu duvido. 
Tem gente que não entende quando eu tanto martelo sobre a importância dos mapas urbanos. Tai um exemplo, dos muitos que se pode dar justificar a existência de mapas corretos do solo, subsolo, e de corte das construções. 







terça-feira, 24 de julho de 2018

Nos falta agir!

Um especial da Folha de São Paulo, E agora, Brasil? Transporte urbano - Um diagnóstico do transporte urbano, os problemas e as propostas vindas de pesquisas, dados nacionais e internacionais e análises, traz mais uma vez apontamento de soluções para o caos que já vivemos há muito em nossas cidades brasileiras e que pelo andar da carruagem só tende a piorar. O texto acima linkado é boa leitura para aqueles leigos que pelo menos esboçam alguma preocupação com o futuro da própria vida. A notícia velha e gasta, que não precisa estar estampada na matéria da Folha, é que nossa sociedade, tão congestionada e poluída, não faz nada consistente para pressionar por melhorias factíveis, sensatas, e principalmente perenes. Zero! Não basta a leitura e falatório; é necessário ação.
Estou lendo O triste fim de Policarpo Quaresma do Lima Barreto, escrito em 1915. Leitura maravilhosa, de uma qualidade rara, mas deprimente: o Brasil praticamente nada mudou nestes 100 anos. Nossa incapacidade de objetividade e de ter bom senso continua praticamente a mesma. As mazelas são praticamente as mesmas.

O nosso problema não é um plano, o que de certa forma já existe por que há mais ou menos um consenso sobre o que se deve fazer, para onde devemos ir. Alguns erros em nosso país são tão grosseiros que não precisamos sequer de plano; temos que agir, consertar, e não repetir os mesmos erros, mas nem isto fazemos. O nosso problema é a inércia completa. Ou será a inépcia completa? Fico com inépcia. 
Até que a molecada, a geração mais nova, conseguiu empurrar bravamente algumas coisas para frente, mas dentro de um plano restrito e com os vícios típicos da juventude, o que leva a saturação de bons resultados em um prazo relativamente curto, prejudica um planejamento maior e a sedimentação do bem e do bom. 
O Como avançar / Propostas para melhorar o transporte urbano no país / Mudar a forma de financiamento do setor, eliminar a prioridade do carro e reduzir vias de trânsito são algumas das sugestões para uma política nacional de desenvolvimento simplesmente repete o óbvio,  o que o planeta civilizado está cansado de saber, fazer, e viver de seus bons resultados. Não faço aqui uma crítica à Folha de São Paulo, muito pelo contrário, dou parabéns. Não há outra forma. Repete, repete, repete, repete, que talvez um dia entre nas cabecinhas. A inércia brasileira é o escárnio do que somos. Inépcia é sempre vergonhosa, mas nem isto nos toca mais.

Como ficaremos depois das eleições? Quem irá mudar nossas vidas? Ninguém além de nós mesmos, de nossa vontade de bem fazer.

O que oito sábios demoraram 40 dias para construir um único imbecil destrói em 4 minutos; ditado árabe. Você prefere ser sábio ou continuar imbecil?