terça-feira, 19 de junho de 2018

... não é a quilometragem, mas a qualidade - Zé Lobo

Em entrevista recente para o Cidades e Soluções da Globo News Zé Lobo disse algo como "...não é a quilometragem (de ciclovias), mas a qualidade (do sistema cicloviário) que faz diferença (para estimular o uso da bicicleta)". Infelizmente o programa exibido neste sábado, 16 de Junho de 2018, só está disponível para assinantes e não tenho a frase exata, mas é por aí. A entrevista dada por Zé Lobo, sensata como de habitual, me lavou a alma.
Como devem saber sou aqui de São Paulo e fui contra a maré dos que deram pulinhos de alegria a cada quilômetro implantado na cidade, até mesmo os que não faziam o menor sentido. Dinheiro público jogado no lixo? Até hoje tem quem continue no discurso "nem um km a menos!", para mim uma besteira, uma forçação de barra desnecessária mesmo com esta administração "me aDória!". Quem não sabe reconhecer erros não saberá fazer com correção. (Verdade que vale para todos os lados.)
Não tenho os números exatos nem fui lá medir, mas mesmo o pessoal mais radical pró 400 km que foram implantados aqui em São Paulo reconhecem que pelo menos uns 100 km foram um erro. Ou seja, uns 25%. Mas falam a boca pequena. Assim como falam a boca pequena, esta nem tanto, que nunca entenderam os custos para pintar ciclovias e ciclofaixas. Ou seja, 25% + quanto?

O que me leva a um outro ponto: o que pesa mais no nosso bolso, ineficiência ou corrupção? Ineficiência brasileira está por volta de 8% do PIB enquanto a corrupção leva uns 2% do mesmo PIB (links das matérias referência abaixo). Começa nas obras públicas bobas e não termina só na construção da Norte - Sul de trem que nunca termina. 
Não me irrita só a questão da forma como foram feitas as ciclovias daqui de São Paulo, mas a forma estúpida como aceitamos qualquer "pôgresso" (sim, pôgresso. Progresso é outra história) A qualidade da imensa reforma que fizeram aqui em Pinheiros por conta da Operação Faria Lima é ridícula. Passados uns 8 anos, se tanto, já falam em refazer as calçadas, já se faz necessário refazer o concreto da via, as concessionárias de comunicação e energia tem dificuldade em descobrir onde estão os dutos enterrados... Fora o crime que fizeram derrubando boa parte do patrimônio histórico no Largo da Batata e Largo de Pinheiros. 
Usando e parafraseando: "É a economia, estúpido!"; "Não é a ciclovia, é o picar dinheiro público não importa em que nome ou sob qual razão,...."

Simples: ou todos nós, brasileiros preparados, forçamos uma discussão séria com números e visões diferentes da situação geral do Brasil, dos Estados e Municípios, Executivo, Legislativo, Judiciário, ou condenamos este país a miséria da discussão surda de ideologias, crendices e cretinices, toneladas de cretinices. 
Fala Zé Lobo! Não é quanto, mas é com que qualidade. 2+2=4. O resto é populismo destrutivo.

Daria para ter sido feito com qualidade. Não quiseram. Estranho, não era um carro a menos? Então como apoiaram quem tirou o IPI dos carros e colocou nossas cidades em colapso?
Poderíamos ter um outro país agora, bastava não apoiar populismos

Links referências, mas tem muito mais no Google, inclusive números oficiais do Governo Federal de 2002, 2003,... 2014...:

Vídeo gravado em 2012:

Projeto Cicloviário de Taboão da Serra, continuação da Eliseu de Almeida

Este é o projeto que foi apresentado em 2008 para um sistema cicloviário de Taboão da Serra, vizinho de São Paulo e que seria a continuação da ciclovia da Av. Eliseu de Almeida, que está na ponta superior à direita. A via superior é a continuação do córrego Pirajussara, a inferior do córrego que acompanha a Campo Limpo.
Junto com o projeto do sistema cicloviário proposto para alimentar as ciclovias da Eliseu de Almeida e av. Jorge João Saad - Paraisópolis daria a uma extensa região muito mais que ciclovias, mas uma série de parques lineares criados a partir do Projeto Córrego Limpo da Sabesp, 7 em São Paulo e mais alguns em Taboão da Serra, beneficiando morados de bairros, em especial mães, crianças, idosos, pessoas com deficiência, e novos ciclistas, isto para dar uma explicação muito básica do que se pretendia na época

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Breve história do olhar. E o reaprender a olhar

Tire os olhos de sua telinha do celular e olhe para qualquer lado. Se estiver no meio do povo mui provavelmente vai ver uma quantidade de pessoas com o olhar enterrado no celular. E dai? Normal. 
E dai? Normal? Nós estamos desaprendendo a olhar, a ver, e isto tem consequências sérias.

Como qualquer animal o homem primitivo usava todas as possibilidades de seu corpo, movimentando-se para todos lados, de todas as formas possíveis, em todas as posições necessárias para sua dura sobrevivência, usando praticamente todos os músculos e sentidos. Sua visão tinha que ser aguçada para poder caçar e não ser caçado. 
Com a formação de uma estrutura social mais organizada a necessidade de uso pleno do corpo e sentidos foi diminuindo em consequência do aumento da segurança e conforto que esta oferece. Só os que se lançavam à caça ou a guerra precisavam ter sentidos apurados, em especial a visão, os demais podiam relaxar e manter o olhar mais focado nos afazeres para a comunidade.
Com a formação das propriedades, vilas e cidades as necessidades de uso do corpo, de sua musculatura e sentidos, foi diminuindo, sendo aos poucos mais focada em trabalhos e esforços cada vez mais mecanizados e de curto alcance. O horizonte visual vai ficando mais curto, restrito, o muda a forma do olhar.
A cidade em si muda completamente a forma do olhar, não só pelas distâncias e larguras do que se vê, num horizonte de curta distância, mas também pela importância crescente da forma de organização social que as cidades trazem, o que faz cada vez mais os cidadãos olharem para dentro de si. Templos, igrejas e mais tarde os livros, mudam completamente a função do olhar, do ver, do sentir.
Com o aumento da velocidade, principalmente a partir do trem, e o consequente abandono do campo pela cidade, mais a revolução industrial, as revoluções sociais, iniciamos o olhar moderno, um olhar rápido que capta fragmentos da realidade.
Por uma questão de funcionalidade desta nova sociedade cada vez mais veloz toda a vida dos cidadãos, dentro de casa, nas ruas, no trabalho, na diversão..., foi e segue sendo construída para que as funções do corpo, todas, do sistema ósseo-muscular à visão, funcionem basicamente em uma única direção, a que está a frente do "ser humano".
E vem a TV e olhar fixo numa realidade que não é realidade. O computador; agora a revolução das mídias sociais numa telinha mínima, que mudou todas as dinâmicas do olhar e ver. A base "cultural" do olho é o celular; o mundo fora dali virou abstrato. Realidade virtual. Mais, é um olhar e ver parado, estático, sem necessidade do uso do corpo, do movimento. Aliás, em nome da segurança recomenda-se que se faça uso do celular "parado". A desconexão com o homem primitivo, com a natureza mais profunda do animal homo erectus, se dilui assustadoramente.
Com as mudanças do olhar vieram mudanças emocionais. Vários estudiosos de saúde mental e vícios consideram a realidade virtual uma questão pandêmica de saúde a ser tratada.
Hoje, o que é de nosso olhar?
Pare um pouco e olhe em volta. Talvez valha a pena reaprender a olhar e ver. Faz toda diferença para sua segurança.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Copa da Russia começou?

Tive que comprar tenis novo. O velho derreteu. Fui muito bem atendido pela vendedora Gilmara Lima, lutadora de jiu jitsu e, pelo que ela contou, campeã mais de uma vez. Tentei confirmar no Google, não consegui, só achei o Facebook e fotos dela, uma delas capa de revista. As ferramentas do Google são eficientes na busca de besteiras, gente que está na moda, acontecimentos loucos, coisas do gênero que passam e não deixam nada para trás. Insignificancias. Gilmara é vendedora porque não tem patrocínio, história típica brasileira. Conhecemos inúmeros casos de esportistas de ponta que aqui, Brasil, não são ninguém, incluindo aí vergonhosamente até mesmo medalhistas olímpicos. Pelo menos fiquei feliz porque dentro da Decatlhon, loja de todos esportes, nem percebi que a Copa do Mundo de Futebol começa agora. Talvez os 7X1 tenham servido para algo mais.
Terminado o jogo contra a Alemanha, 7X1, peguei a bicicleta para voltar para casa. O número de bandeiras do Brasil jogadas nas ruas foi impressionante. Catei muitas que ainda estão aqui em casa. Hoje continuo com a esperança, vã provavelmente, que um dia o Brasil seja o país de todos esportes, não só o pão e circo das arenas do futebol. Sim, faz sentido: futebol é o ópio do povo. Todo povo, sem excessão.
Até agora vi menos de 10 carros decorados e só uma rua pintada. Quer saber? Acho ótimo. Que Brasil queremos?

Sou ouvinte da Rádio Eldorado desde que não lembro mais, e isto faz muito tempo. Nos velhos tempos sabía-se pela Eldorado um pouco sobre vários esportes: automobilismo, vela, nautica, hipismo, golf, atletismo, natação.... Hoje o "Esportes" deles, com s, é futebol e ponto. E a Eldorado é joia raríssima num universo de  número de rádios com baixíssima qualidade de programação

Outro dia ouvi histórias da Dailza Damas... a primeira brasileria a cruzar o Canal da Mancha

pequenas referências que fazem um país



Esta é Beethovenstraat, em Amsterdam. A motorista do Fiesta errou a entrada numa rua e ficou parada no meio da passagem dos ciclistas sem saber o que fazer. Todo trânsito do fim de tarde parou até que ela se ajeitasse, o que demorou um bom tempo. Foi mais uma pequena e absolutamente normal referência de quem são os holandeses.

Um país se constrói com referências, algumas insignificantes, mas profundamente expressivas. Via de regra a construção destas referências é fruto de elites...
Origem   ⊙ ETIM fr. élite 'o que há de melhor'
 
Voltando: ...elite cultural, musical, esportiva, educacional, política, social, economica, religiosa, gastronômica, comunitária...  de todas as crenças, credos, ideologias e pensamentos Elite: os melhores. Acho necessário dar esta explicação porque quando se fala "elite" no Brasil é líquido e certo que alguém vai ter um ataque histérico na defesa ou ataque das elites. Nós, brasileiros, conseguimos elevar a palavra "elite" ao patamar do politicamente correto, sem dúvida um feito. Ou do pecado, como queira. Brilhante! De uma inteligência...

Mas só se ouve e dá a devida atenção ao valor das elites (bem dito, as verdadeiras, as que tem  essência) quando os ouvintes tem um mínimo de civilidade.

civilidade
substantivo feminino
  1. 1.
    conjunto de formalidades, de palavras e atos que os cidadãos adotam entre si para demonstrar mútuo respeito e consideração; boas maneiras, cortesia, polidez.
  2. 2.
    o fato e a maneira de observar essas formalidades.

Fomos tomar café numa padaria. Do lado de fora tinha uma mesa livre mas só com uma cadeira. Ao lado estavam sentados em duas mesas um casal com seu cachorro, uma amiga e duas bolsas, cada qual em sua cadeira. Fiquei em pé ao lado da mesa, eles olharam, não deram bola. Seguiram  conversando sobre a maravilhosa viagem a uma praia do Caribe, cada qual abundado em sua cadeira: uma mulher numa cadeira, a segunda mulher noutra cadeira, homem noutra cadeira, cachorro que latia sem parar aboletado em sua cadeira; as duas bolsas em silêncio, cada qual também em sua cadeira. Cada qual em sua cadeira. E eu em pé sem cadeira. E assim fiquei até o dono da padaria vir lá de dentro com uma cadeira e pedir desculpas pela falta de civilidade dos três. Ou serão seis? Meu complexo de inferioridade me diz que tenho menos valor que uma bolsa.
Moral da história: o outro simplesmente não existe. Salve-se quem puder.
Elite. Elite?

A comparação entre as duas situações é raza e inadequada? Pode ser, mas a frequência com que se vê falta de civilidade aqui no Brasil é espantosa, começando pelo lixo espalhado por todas partes. Nossas referências são pobres, são ruins, são perigosas. Perdemos a referência do coletivo, o que é uma tragédia sem tamanho.


Não temos só um problema de educação formal, aquela da escola, mas do que se pode chamar de educação social, coletiva: bom dia, boa tarde, boa noite, por favor, a senhora quer sentar, posso ajudar?..., uma espécie de educação empírica que se estabelece por acordo histórico social, um cooperativismo espontâneo, digamos assim. Civilidade.

"Sabe com quem está falando?" lembra que povo? Precisamos urgente mudar este país e muito se fala de escola como salvação, mas escola não resolverá. Ou estabelecemos um acordo social ou o Brasil acabou - literalmente!

terça-feira, 12 de junho de 2018

Bicicletas do Itaú

As novas bicicletas coletivas do Itaú pegaram. Mudaram as bicicletas, mudou o aplicativo, mudou o visual, a forma de pagar, as estações, mudou tudo. Tem aumentado muito a quantidade de ciclistas pedalando pelas ruas com elas e tem de tudo, desde os que é visível que sabem pedalar até novatos, que neste momento parece ser a maioria.
Eu gostava muito das bicicletas antigas do Itaú. Eram simples, como uma bicicleta deve ser, mas viviam cheias de problemas. Pecavam por alguns problemas de qualidade, em especial da manutenção, tanto pelos critérios adotados quanto pela finesse muito difícil de conseguir em grande escala. Um dos erros do velho projeto foi apostar no simples, básico, funcional, para o que definitivamente nossa sociedade não está preparada. Bom lembrar que a primeira geração do Bike Sampa foi inaugurada em Maio de 2012. Fez sucesso e funcionou bem enquanto o sistema era novidade. Tudo envelheceu, inclusive o aplicativo.
As bicicletas novas do Itaú e seu novo sistema foram projetados a partir de uma consistente coleta de dados, o que faz toda diferença. São melhores que as de Paris, Londres, NY, Munique, e todas outras de primeira geração. São bem mais agradáveis que as do Bradesco, bicicletas de ótima qualidade, muito bem construídas, fortes, mas pesadas de pedalar. E os responsáveis por este novo projeto Bike Sampa tiveram uma boa sacada de usar rodas aro 24 em vez das aro 26 comuns, o que melhora a relação de marchas do Nexus e proporciona acelerações bem mais rápidas, importante fator para quem pedala no trânsito.
Tudo indica que o aplicativo e as estações estão funcionando bem. Varias estações foram criadas e algumas antigas remanejadas para locais mais adequados. As bicicletas receberam luzes dianteira e traseira que pisca sem ofuscar outros ciclistas e o resto do trânsito, o mesmo sistema das Velib de Paris. 
Falta dar orientação aos usuários do sistema, principalmente a boa leva de novatos que saem pedalando felizes, mesmo sem saber o que estão fazendo em cima da bicicleta, apavorando todo mundo, incluindo ciclistas mais experientes. Já vi e passei por cada barbaridade que nem conto! Esta seria a hora de entrar em ação bike anjos oficiais do Bike Sampa Itaú orientando de forma realista, não com baboseiras de legalista que nunca colocou a bunda num selim ou de histéricos. 
Minha experiência recomenda que infelizmente não busque ajudar ou orientar, o que na maioria das vezes é tomado como desnecessário ou até ofensivo pelo prego (aquele que pedala mal). Seria uma ótima oportunidade do Itaú aprofundar seu marketing já que outras bicicletas coletivas estão chegando às ruas e mais pregos irão pedalar.

Froome e o pedalar preservando energia


Ontem pedalei ao lado de um ciclista jovem e muito forte, vestido de terno e mochila, provavelmente voltando do trabalho para casa. Estávamos rápido pela rua Paes Leme e tive vontade de orienta-lo sobre a forma de pedalar nas ruas e no meio do trânsito. Infelizmente não deu. Não senti que havia espaço para comentar os erros dele, que provavelmente pedala bicicleta de estrada. Bicicleta na rua não é ciclismo, mas se pode aprender muito do ciclismo esportivo para para melhorar a segurança nas ruas.
"Ciclismo é a arte da suavidade", ou em outras palavras "Ciclismo é a arte de preservar energia". No ciclismo de competição ser suave, que outras palavras significa preservar energia, é essencial para obter bons resultados. O ciclista que não consegue antever, pensar, prever as situações e o pedal como um todo fica desperdiçando energia que no final, ou em algum momento, fará falta. No Giro d'Italia deste ano tivemos ótimo exemplo do que se deve e não deve fazer. Yates era lider e venceu uma prova de montanha como há muito não se via, deixando o pelotão para trás, indo só de cara para o vento os últimos 8 km e chegando muito a frente dos demais. Errou feio. Nas etapas seguintes desapareceu do Giro, morreu como se diz. E Froome mais uma vez provou que o uso inteligente das próprias forças é o melhor caminho para o bom resultado, no caso uma vitória incontestável neste Giro d'Italia 2018.
Ser suave e preservar energia nas ruas e principalmente no meio do trânsito é mais que essencial para a própria segurança e chegar bem em casa. Ser suave para evitar incidentes desnecessários e assim ter energia para situações inesperadas ou de emergência. Ver o sinal fechado e continuar pedalando até ter que frear com força é mais que um simples desperdício de energia, é colocar-se em risco mais a frente. 
"Quem só pensa em perigo não tem tempo para ser seguro" pode ser lido como "...e os outros? O perigo está nos outros". Segundo pesquisas não está no outro, pelo menos não como o dito popular erroneamente faz crer. Os números não mentem: não há qualquer sombra de dúvida que conduzir qualquer veículo, incluindo bicicleta, com suavidade praticamente zera a possibilidade de acidente, independente dos outros. É a famosa "direção defensiva".
Cris Froome tomou um senhor tombo na primeira etapa deste Giro 2018, colocou a cabeça no lugar, olhou para prova como um todo, manteve a calma, deixou para trás o acidente, coisa que acontece, e teve mais uma vitória incontestável em sua carreira. Prevaleceu a inteligência. Porque não aprender com os campeões?