segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Contagens de bicicletas em São Paulo

Os números apresentados das contagens realizadas em São Paulo são mais que promissores. Para quem pedala pelas ruas não há novidade, as bicicletas estão ai, por todo lado, para todo gosto. Não via e não vê quem não quer.
O pessoal que acompanhou a pesquisa realizada pela Ciclocidade conta que na av. Faria Lima com av. Rebouças passaram bem mais de 100 ciclistas por hora. Numa outra contagem, Zona Norte creio, deu um pouco menos de 100 ciclistas/hora.
A CET apresentou contagem nos diversos trechos das Ciclo Faixa de Domingo com média aproximada superior a 1.300 ciclistas/hora. Na tabela da ciclofaixas há um número pífio de 35 ciclistas no horário de 19:00h às 20:00h para a ciclofaixa permanente de Moema, que prefiro não comentar dado o tamanho da besteira toda. Apresentar este último número, desta forma, só pode ser sacanagem da grossa.
As contagens da CET na avenida Paulista, entre 21:00h e 01:00h, fora de horário de pico e em horário de ciclista fazendo passeio noturno, são bem altos. Mas, de novo, só pode ser sacanagem não fazer contagem em horário de trabalho.

Estes números me faz lembrar o momento que a Meli, então CET, entrou numa reunião do GEF Banco Mundial com uma planta debaixo do braço, estendeu o papel na mesa, que era uma contagem aleatória da CET no Centro Expandido realizada lá por 2005. Feita em horário de pico da circulação de carro paulistano, entre 08:00h e 10:00h; e entre 18:00h e 20:00h, tinha números que pareciam irrelevantes, tipo 4 ciclistas/dia na rua Gabriel Monteiro da Silva com rua Mariana Correia; 10 ciclistas na Ponte Cidade Universitária; e outros mais promissores lá pelo lado de Santo Amaro ou Socorro. Eu dei um pulo de alegria com o que vi e comecei a rir. Simples: Os horários escolhidos não era os dos ciclistas da época, a maioria trabalhadores de baixa renda; muito menos os horários de entrada e saída dos alunos e funcionários da USP que cruzam a ponte Cidade Universitária. Ademais, os quatro ciclistas da Gabriel Monteiro circulando àquela hora naquele local, miolo de bairro riquíssimo, insinuava que a bicicleta ali não era exatamente coisa de pobre. Chique, muito chique! Ciclistas ricos mapeados pela primeira vez? Possivelmente. O mapa tinha outras pitadas de ciclistas aqui e ali de áreas ricas e apontava a existência sim da bicicleta – como algo que tinha chegado para ficar mesmo!

É sabido que a implantação de qualquer estrutura cicloviária, principalmente vias segregadas, solta a demanda reprimida, que os manuais afirmam ser um crescimento rápido de mais ou menos 30%. Também é lógico que as Ciclo Faixa de Domingo estão empurrando novos ciclistas para o uso da bicicleta como modo de transporte. O que não me convence é o discurso que este crescimento surpreendente acontece por razão única e direta destas ações. Não dá para descartar o saco cheio de toda a população com o caos criado pela socialização do carro com IPI zero%. Também não dá para descartar a questão da violência, assalto e latrocínio, que é ocorrência quase nula com ciclistas que se transportam. E vai lá saber quais outras razões.

Qualquer pesquisa é muito bem vinda, mas é necessário ir mais longe para entender o que está realmente acontecendo. É certo que o uso da bicicleta cresce muito rapidamente na maioria das cidades, mas só isto não basta. Se faz urgente conhecer o que é a nova vida da cidade que chega como tsunami.

7 comentários:

  1. Olá Arturo!

    As coisas não andam na velocidade que gostaríamos, mas pelo menos estão andando!

    Esses dias, estava em uma bicicletaria, e estava lá um ciclista com mais dois amigos de trabalho que tinham sido convencidos por ele a deixarem seus carros na garagem! Eles eram funcionários de um Banco, neste caso, era do Santander (rs).

    Nossa sociedade atual também está muito mais organizada e empenhada em cobrar os órgãos públicos, e mostrar-lhes os caminhos, já que eles tem uma dificuldade ou falta de capacidade em sentir as mudanças que ocorrem por vários motivos como você citou. Acredito que essa mesma contagem daqui um ano terá um crescimento de 30% (contanto com a estrutura ou falta dela que temos hoje) e esse crescimento se dará pelo simples convencimento de uns pelos outros como no caso que citei!

    Abs

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    1. Concordo com suas posições. Não faz muito havia gente dentro dos órgãos da Secretaria de Transporte que batia o pé que o número de ciclistas não era o que dizíamos e ainda fazia promessa para o santo das causas impossíveis, Santo Expedito, para que nós e o Professor Carlos Paiva estivéssemos errados. O resultado está ai.
      O que me preocupa é o abismo entre a ação do poder público e as mudanças da sociedade. Eu mudaria a Lei de Licitação, 8.666, ontem. Eu mudaria um monte de leis imediatamente. Do jeito que está estamos fadados a continuar Brasil o país de pobres.

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  2. Arturo...posso publicar esse texto em meu blog?

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  3. Arturo...essa contagem foi feita pelo CicloBR ou pelo Ciclocidade?

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    1. Pode publicar o texto, só checa se foi CicloBR ou Ciclocidade. Se errei manda para cá que corrijo. Telefonei para a Teresa que me disse que errei. Obrigado pela correção. Abraço - quem quer que seja você

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    2. Obrigado Arturo! Publicado com os devidos créditos!

      Abs

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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