Desculpem, senhoras e senhores, mas a responsabilidade não é só do governo, seja municipal, estadual ou federal. A responsabilidade deste e de outros descalabros é de todos. Silenciamos perante absurdos. Alguém aí já viu o rio Tietê ou quase seco ou inteirinho branco de espuma? Alguém aí já viu um vizinho lavando a calçada com esguicho e ensaboando o quintal com muita espuma para ficar limpinho? O que isto terá a ver com a condição do Tiete lá na frente, de Santana do Parnaíba para o oeste? Alguém aí já viu as invasões nos córregos que dão na Billings e Guarapiranga? Alguém se lembra do Projeto Córrego Limpo Sabesp/PMSP? Alguém aí deu bronca quando a água da pia ficou aberta sem parar no lavar dos pratos? Alguém tomou alguma providência para evitar o que temos hoje?
Parabéns pelo projeto de recuperação das águas, mesmo que tarde. Nós, todos, sem excessão, nunca, jamais em sã consciência poderíamos ter abandonado tudo, principalmente a água vital.
O exemplo que dou a seguir é sobre como o poder público é lento, o que já sabemos, mas vale a pena repetir. Acompanhei o projeto de criação da ciclovia do Rio Pinheiros desde sei início. A ideia do projeto remete a 1980, com Sérgio Luis Bianco. Dos anos 80 até José Serra ter ordenado a implantação da ciclovia, passando por cima de muitos, foram 40 anos de reuniões e desacordos e sabotagens de cinco órgãos governamentais que tinham, e talvez ainda tenham, pleno poder sobre o rio, suas águas e margens. Foi dentro do processo que entendi o emaranhado descabido e inútil para o interesse público, mas próprio de vaidades. Pouco depois da inauguração da ciclovia encontrei Fabio Bueno, que por alguma razão estava metido no meio do processo,. Falei sobre o sucesso, o número de ciclistas, e ele disse que o que estava impressionando as autoridades era o aumento assustador das reclamações sobre a condição da água e das margens do rio. Ou seja, 1: chega de morosidade para agir, 2: quem vê se interessa, quem se interessa se mexe, 3: não é o parece, é o que é. Sem informação correta fica difícil.
Pelo que me lembro, responsáveis pelo rio Pinheiros: CETESB, Emae, Enel, PMSP, Governo do Estado de São Paulo, SVMA, Secretaria de Obras, CPTM, STSP, etc... Sem assinatura de todos, não vai. Posso ter errado os nomes e siglas, mas dá uma noção da baderna. Outro exemplo, as pontes velhas e desativadas no Morumbi e Jaguaré tem projeto para servir para cruzar ciclistas entre margens. O projeto tem décadas....







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