Velho, idoso, a melhor idade, preferencial, ou a PQP. Vamos começar pelo o que as pessoas melhor entendem, dinheiro.
O que é ser velho? Quem é velho? Velho para sí? Velho para a sociedade?
Velho.
Qual é o lado da finitude que praticamente ninguém quer ver? Velhice não é um passo da finitude? O que o idoso é aqui no Brasil? Faço aqui um olhar para o que está fora do prumo, e quem está no meio do pântano sabe bem como é.
Uma coisa é a propaganda, outra é a realidade crua de boa parte dos idosos.
Quanto custa um velho ou velha? Quem tem um velho doente em casa sabe. Custa dindim, custa trabalho, custa desgaste, custa, custa, custa, custa...
"Velho não pode!" Idoso? Melhor idade? É a mesma coisa que velho. Politicamente correto? É mesmo? A designação deve ser correta, o resto é o resto? Fila preferencial? "Vai mais rápido..." Vai mesmo, então entra nela.
Então volto ao ponto que interessa mesmo: quanto custa um velho? Óbvio que custa, para todos, disto não se escapa.
Ok, ela ou ele tem aposentadoria, então não custa nada, muito pelo contrário, responderá. Ok. (Errou!!!) Então vamos ao outro lado das aposentadorias, aquele quando ela ou ele, a ou o aposentada/o, sustenta a família. Bom, e daí é moleza, até quando acabar a aposentadoria, portanto o aposentado morrer, ou seja, a fonte de renda acabar. "O vleho não pode morrer!" E então, como ficam os 'dependentes'? (Dependentes ou chupins?)
Quem paga a aposentadoria? De onde no final das contas sai o dinheiro? Dinheiro público, portanto todos cidadãos estão pagando.
Aposentadoria acaba, a entrada de dinheiro acaba, e um pequeno detalhe que não se fala: é um problema que afeta e afetará a macro economia. Uma série de negócios vão perder um cliente, o dinheiro do aposentado, principalmente o negócio da velhice, que começa na farmácia e termina no sistema hospitalar. Velho dá lucro? Upa! e como!
Em quanto por cento as aposentadorias ativam a estrutura econômica da comunidade, do bairro, da cidade? E do país? Você já viu os dados? Eu não. Sabe o impacto na estabilidade econômica e social que a falta da entrada da aposentadoria causará no macro?
Não faz muito saiu um artigo fazendo uma análise exatamente sobre esta questão macro economia, e é pior do que eu próprio imaginava. Toda uma estrutura imobiliária está pensada para os idosos aposentados, estrutura esta que no futuro não estará ano alcance das gerações mais novas. E é só um lado da questão.
Entre família, com quem sobra o idoso dependente?
"Você é o responsável...". Vamos à verdade, na maioria dos casos a pessoa entra num processo irreversível natural à velhice e todos se afastam, saem correndo. O idiota que sobrar que se vire. Agora, morreu, tem dinheiro na jogada, aparece tudo de volta e começa o salseiro, todos foram bons filhos, netos, sobrinhos, amigos... Estou sendo cruel? Uai, pergunte a qualquer advogado de família e ele vai contar muitas historinhas interessantes. Criminalista acha muito mais leve que (advocacia de) família.
Apoio, presença, uma ligação, saber notícias? Nicas. "Vai mané, vai que a bola é sua!" Você já teve que cuidar de um idoso disfuncional? Já conversou abertamente com quem sobrou com um idoso na mão?
"Bom, se o idoso é uma bomba, o que se pode fazer com ele?"
Você já entrou numa casa de repouso? Já entrou num asilo? Sabe quanto custa?
Uma das melhores respostas que tive foi: "Você já teve uma conversa aberta e honesta com um idoso que está consciente sobre sua situação? Já ouviu de um idoso que é consciente dizer que seu tempo acabou?" Já ouviu "Quero que acabe"?
Morrer em casa ou ser ressuscitado sem parar numa casa de repouso? Morrer ou virar fonte de renda para terceiros? Pelas informações que estou tendo, velhice é muito rentável, para muitos, se não para todo um setor montado para 'acolher e dar uma boa vida ao idoso'.
Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência:
"Eu não sou o que vai decidir (sobre entrar nos cuidados paliativos ou deixar ir)".
"Se não fizermos a intervenção (absurdamente cara), morre" - Conversa entre parentes sobre um paciente já praticamente morto. Intervenção realizada, paciente morto em seguida. Óbvio que a intervenção teve que ser paga pela família.
Acompanhar, vivenciar, tratar, organizar, segurar as pontas. Sim, com certeza, mas de que forma. O que temos agora é mais uma distorção social e econômica que precisa ser discutida se chiliques.
Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência:
A senhora está vegetando faz anos. O filho não consegue aceitar seu fim e gasta fortunas para tê-la maquiada, penteada, bem vestida com roupas que ela teria usado quando tinha lá seus 60 anos ou menos. Hoje está perto dos 100. O filho faz questão de sentá-la na cadeira ao lado, pegar um braço semi morto dela para jogá-lo por trás do seu pescoço, deitar a cabeça no ombro dela. A cabeça da senhora não se sustenta mais. Nada se sustenta. A cuidadora sempre sentada atrás da idosa atenta no teatro de mantê-la 'viva'.
Quantas mulheres deram suas vidas para cuidar dos outros e estão terminando largadas? Homens costumam ir mais cedo, as estatísticas apontam.
Afetuoso não é sinônimo de respeitoso. Cuidadoso não significa respeitoso.
Afeto a que, a quem, por que, com que fim?
Cuidadoso por que, para que?
Quem ganha, quem perde neste jogo de afeto e respeito? Sim, jogo de respeito, por que envolve um forte emocional socialmente bem estruturado e porque não dizer doutrinado pelos mais variados interesses, ou jogos sociais.
A quem interessa o que está aí em relação à velhice? Quem leva vantagem? Quem perde?
Não tenha dúvida que os grandes perdedores são os idosos, até mesmo aqueles que dizem serem tratados com "afeto e respeito".
Escrevo este como um idoso de classe média alta que acompanhou de perto a velhice até seu fim de avô, avó, mãe, pai, amigos e agora prima, além de outros. Escrevo este como alguém que esteva junto a adultos próximos à dita velhice e que viveram aqueles anos com angústia da aposentadoria ou pior, do cancelamento social, sim cancelamento social, e é este o termo correto para a imensa maioria dos que cruzam os 60. Melhor e mais justo, ou muito pior, com as imposições do mercado de trabalho a partir dos 50 anos. Virou velho, "está acabado" ouve-se em sussurros discretos.
Entregar uma boa aposentadoria? Prêmio de consolação?


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