quarta-feira, 20 de junho de 2018

(O que) Pedir aos futuros candidatos (em) Junho de 2010

Este texto foi publicado em 14 de Junho de 2010 e me impressiona com a atualidade que ainda tem. Serve como reflexão para o que devemos propor para a próxima campanha eleitoral. Esqueçam por agora os problemas locais, pensem nesta próxima eleição que é realmente decisiva para o futuro do país.

Escola Blogspot
14 de Junho de 2010

Pedir aos futuros candidatos

A eleição está bem próxima. Finda a Copa do Mundo de Futebol o circo pega fogo. Entra no jogo quem tiver gasolina. Seria interessante que mais uma vez o pessoal que tem demandas se organize para entregar reivindicações para os candidatos dos três níveis, presidência, governador de estado e deputados federais. Distrito Federal também elege nesta.
A partir da eleição de 2000 um grupo pequeno de ativistas pela qualidade de vida na cidade, em especial o saudoso Sérgio Luiz Bianco, vem entregando um detalhado manifesto pró bicicleta e ciclista para todos os principais partidos, para alguns candidatos majoritários e alguns deputados federais interessantes. Antes de 2000 já havia alguma pressão, mas feita de forma individual e focalizada em alguns candidatos, mesmo assim deu resultados.
Na eleição presidencial de 2002 um acordo para a entrega de reivindicações acabou resultando na primeira manifestação pública da história sobre a bicicleta feita por um candidato à presidência do Brasil, no caso o Serra. Esta entrega de documento acabou gerando uma seqüência de fotos de Rita Camata tomando um tombo da bicicleta que foi primeira página em praticamente todo país. O mesmo documento foi entregue para a campanha de Lula que acabou não se manifestando. Sérgio Luiz Bianco havia trabalhado e assinado o projeto de governo de Lula, Marina Silva para o Senado, e do candidato a governador para o Estado de São Paulo do PT. De qualquer forma a pressão acabou surtindo efeito tempos depois com a criação do Bicicleta Brasil do Ministério das Cidades.
Desde então a situação da bicicleta mudou muito. Há um bom tempo era possível sentir que a bicicleta estava cada vez mais presente no dia a dia. Um pouco depois estourou uma epidemia ciclística mundial, a bicicleta passou a ser um “must” lá e cá. Aqui bicicleta há muito já era o veículo mais usado no país por várias razões: transporte coletivo de massa caro e ineficiente, congestionamentos cada dia piores, busca de liberdade de transporte pessoal e de mercadorias. Muito da mudança foi espontâneo, empurrado pela sociedade civil. E o poder público correu atrás. De qualquer forma o Bicicleta Brasil apareceu, trabalhou no que pode, infelizmente sem a força política e verbas necessárias e esperadas para o tamanho do problema.
Nesta sexta-feira passada, dia 11 de Junho de 2010, houve uma reunião em Brasília para avaliar as propostas apresentadas visando rever e corrigir o rumo do Bicicleta Brasil. Os anos vindouros da bicicleta tem que ser mais produtivos e devem atender melhor as necessidades de todos, ciclistas, pedestres e outros modos de transportes não motorizados. Fomos divididos em grupos de trabalho e para o nosso, Articulação e Integração, chamou atenção o número de propostas enviadas mal feitas ou sem qualquer noção da realidade e possibilidades legais dentro da coisa pública. Passado uma década algumas coisas praticamente não saíram do lugar, principalmente a maturidade política dos ciclistas.

A Escola de Bicicleta dispõe há um bom tempo a página “política e ativismo” - http://www.escoladebicicleta.com.br/politica.html (infelizmente pouco visitada), onde se encontra o texto (explicativo sobre) “o funcionamento da  coisa pública” - http://www.escoladebicicleta.com.br/cicloativ.html, revisado por Laura Ceneviva, ex-diretora do Pró-Ciclista de São Paulo, profunda conhecedora das coisas do setor público, além de uma das melhores cabeças deste país.  O texto foi criado exatamente para evitar que o pessoal fique batendo em tecla desafinada e os sonhos demorem tanto para a se realizar. Quando se fala de ação pública é bom não gastar cartucho à toa ou há o risco de servir de inocente útil ou, pior, virar um idiota.

Sugestão:
É muito importante não perder o que já foi alcançado. Portanto é crucial que haja pressão da sociedade civil para que o processo avance. A página “bicicleta, política e ativismo” - http://www.escoladebicicleta.com.br/cicloativismoEB.html - oferece uma espécie de manual de feitura de uma documento de reivindicações, que nós chamamos de manifesto. A formula é a mesma de outros carnavais, ops..., desculpem, outras eleições. O que se quer é dar objetividade ao que se pede, fazendo assim que o documento tenha a maior força possível perante os partidos e candidatos.
Talvez o ponto mais importante seja manter o que já existe para aperfeiçoá-lo para frente. Manter o Bicicleta Brasil e sua micro estrutura é crucial. Do contrário se perde muito tempo para fazer a máquina engrenar, e tempo é justamente o que a questão da bicicleta não tem para desperdiçar. Infelizmente o Bicicleta Brasil existe por decreto e não por lei, o que faz deste avanço muito frágil. Não há nenhuma garantia de sua continuidade.

Outro ponto que para mim básico é organizar o setor da bicicleta no Brasil, que hoje pode ser definido como muito precário. Eu simplesmente não acredito em resultado pleno dos esforços para implantar sistemas cicloviários de qualidade sem ter todo o setor produtivo, distribuidor, bicicletarias e oficinas funcionando com um padrão mínimo de qualidade. O que temos é inaceitável em termos de política estratégica para o desenvolvimento da segurança, conforto e prazer do ciclista. 

Ponto zero da questão é rever todos impostos que incidem sobre o setor, que hoje são os mesmos dos veículos motorizados. Segundo, é crucial uma política de treinamento para todas as bicicletarias, que quem faz a ligação mais direta entre o setor produtivo e distributivo com o ciclista, e é quem difunde conceitos que influenciam diretamente na integridade do ciclista, portanto nos resultados de segurança dos projetos cicloviários. De novo e sempre lembrando que técnicos de trânsito acreditam que 35% morrem por falha mecânica da bicicleta, o que é uma vergonha nacional.

É impossível pensar numa política urbana que exclui a bicicleta porque ela faz parte da cidade. O que necessitamos é construir uma cidade melhor para todos onde a bicicleta seja parte da construção desta melhoria. Pedestres e deficientes físicos e de mobilidade devem caminhar juntos, quando não a nossa frente.

Sobre os candidatos
Dois dos três mais fortes candidatos à Presidência eu tenho certeza que têm em seus times lutadores da  causa da bicicleta. Serra, que em sua época de universitário usou a bicicleta, conta com o deputado Walter Feldman, há muito apresentando leis e empurrando a causa; Stela Goldenstein, ex-chefe de gabinete; Aloísio Nunes, ex-Casa Civil e pedestre apaixonado; Gilberto Nataline, para citar alguns nomes que já vi resultados. Marina tem no time de ponta Soninha Francine, Vereadora em São Paulo e ex Sub Prefeita da Lapa, e Eduardo Jorge, ex Secretário do Meio Ambiente do Município de São Paulo, ambos ciclistas no dia a dia e muito briguentos pela causa; além do Gabeira, a quem conheci pessoalmente quando da longa visita dele ao Museu da Bicicleta de Joinville.
Sobre o pessoal da Dilma eu desconheço, mas sei que no partido há quem realmente gosta da bicicleta. O que não sei é quem do núcleo quer para valer resolver a questão da bicicleta. Como fui visinho do Suplicy, quando ele morava na rua Grécia, e o conheço faz tempo, digo por experiência suas falas são bastante oportunistas e só. Diferente do caso do Nabil Bonduki e do Chico Mascena. Mascena em especial mostra que o objetivo é a bicicleta e que é aberto para chegar aos resultados. Enfim, não sei quem são e como é “núcleo duro” da campanha de Dilma.

O fato que nos interessa agora, ciclistas, é pressionar. Quer ajudar seu candidato, ótimo. Mas se quiser resultados de fato para nossa questão é necessário pressionar todos os lados, independente de nome ou partido. Vamos a luta!

Nenhum comentário:

Postar um comentário