domingo, 4 de setembro de 2011

Direito de pensar: Liberdade; libertinagem; respeito

Liberdade. Libertinagem. Eis a questão? O que é mais precioso? Não dá para chegar ao refinamento de ter liberdade com libertinagem? Ou de ter libertinagem com liberdade? Qual será o mais difícil? Talvez seja a definição de nossos dias, desta “belle époque” do canibalismo socialista liberal tão banal? Ou a dúvida aqui possa ser colocada de outra forma: Quais são as demandas reprimidas de nossa sociedade? Quanto de liberdade e quanto de libertinagem? Qual o ponto de equilíbrio? Mas a questão é mais em baixo: nós sabemos o que é liberdade? Você sabe qual é seu ponto de liberdade? Sabemos o que é libertinagem? Qual é o seu grau de libertinagem? Sim, libertinagem! Ou você se considera livre, mas não libertino? Somos uma sociedade libertina que tem sua base na rigidez, no ortodoxo, no moralismo, num processo egocentrado. “Sabe com quem está falando?”. Somos infantis, erramos sem a real liberdade da brincadeira.

Liberdade só existe sob o manto da disciplina. Só a disciplina permite o controle da liberdade. Cultura, educação, prática, abandono da soberba, consciência, execução, bem de todos. Liberdade. Simples. Ou há liberdade para todos ou nunca seremos livres individualmente. Somos uma sociedade, um sistema. Como no trânsito. Você foge às regras e coloca o sistema em risco. Com o sistema em risco você está em risco. Quem é este você? Somos individualmente fruto do sistema, totalmente associados ao sistema, por mais diferentes e individuais tentemos ser. No caso do trânsito, um ótimo espelho da vida, “você” pode ser um técnico de trânsito; o povo que votou em quem está no poder e quem governa em nome destes, portanto, a política empregada no local; o motorista, motociclista, ciclista, pedestres..., todo universo de mobilidades de uma cidade. Enfim, você é você próprio e você “somos” ao mesmo tempo todos nós. Genética e culturalmente assim é. Exatamente como no trânsito. A liberdade de ir e vir em segurança e conforto. Simples. A verdade não é simples assim como queremos pensar. Trânsito é um bom exemplo desta nossa baderna filosófica e de medos. A bem dizer um caos ordenado. Sabemos bem dos benefícios da ordem, mas nossa imaturidade sobrevive nas delícias do caos permissivo. A liberdade com o privilégio à libertinagem. Pelo menos em países menos desenvolvidos, de terceiro mundo.

Num dos países nórdicos, que não me lembro bem qual, qualquer número que não seja zero acidentes é considerado um desastre. No Brasil se fala com orgulho de que as mortes diminuíram alguns dígitos, quando número oficial de acidentes vem há anos na base de 35 mil/ano. “No carnaval deste ano o número de acidentes nas rodovias federais diminui...” anuncia o locutor do jornal noturno da TV. A nossa liberdade se mede no fato de, por lei, a posição dos radares terem que ser avisados antes. Em qualquer país civilizado a carteira de habilitação é uma concessão dada pelo estado para o cidadão. Aqui é um direito, não pelo que a lei diz, mas por privilégio social. “Brasil, o país dos coitadinhos”. (Se não sabe o que é um “coitado”, recomendo que procure num dicionário de boa qualidade; mas em resumo pode-se dizer também que é aquele que sofre coito). Tem lei que cola, tem lei que não cola. O trânsito brasileiro não é pior porque nós gostamos de ordem e mesmo abandonados a deriva pelas autoridades tratamos de respeitar as regras. Não fosse assim não teríamos a economia que temos. A questão é que nossa atual liberdade veio em um carro zero pago em trezentas suaves prestações, uma libertinagem bastante interessante para os vendilhões de nosso futuro. Em de educar para a vida, nos treinam para serem novamente votados. Acidente zero seria o suicídio para eles. Viva a Copa!

A liberdade será o que compramos? E a libertinagem será o que nos vendem? Dá para acreditar numa matemática tão simplória? Ou será o inverso; a liberdade é o que nos vendem e a libertinagem é o que compramos? Valem todas as fórmulas e mais quantas combinações se possa fazer com a nossa liberdade e libertinagem de cada dia. Assim como dirigir um carro, moto ou pedalar uma bicicleta. No skate pelo menos este jogo de palavras e valores vai por água abaixo porque vale tudo, com direito a um tombo homérico, cheio de arranhões, quando não alguma fratura. Skatista pelo menos é honesto consigo e com os outros. Motorista tem uma grande diferença: se errar pode machucar ou matar o outro. Motorista que não entende a regra do jogo é desonesto. Ciclista que pedala sem cuidado com os pedestres também é socialmente desonesto. É uma questão de entender não a regra do jogo naquele exato momento, mas a regra maior, a do jogo macro. Brincar de liberdade e libertinagem no micro cosmos é fácil. Jogar o jogo do respeito para valer é outra coisa, é brincadeira para adultos, civilizados, honestos, livres e libertos. No respeito todos ganham e tem irrefutável direito à liberdade e libertinagem. Cabe a quem pensa dar um passo a frente e assumir suas responsabilidades. Liberdade e libertinagem. Só a cultura ampla e irrestrita nos salva.

E me pergunto: as mesquitas cinco chamadas daqui, Istanbul, fazem religiosa e pontualmente 5 chamadas por dia. As regras sociais são claríssimas. E o trânsito é isto que se pode ver.

Quanto menor o poder da religião melhor é qualidade do trânsito, menor o número de mortes violentas. Estranha realidade.

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