quinta-feira, 26 de março de 2020

Unir e pensar o planejar os passos para depois das mortes

O Estado de São Paulo
Fórum do Leitor

Pensar o planejar os passos para depois das mortes pelo coronavírus é obrigação de todo brasileiro, não só das autoridades ou governadores. Muito antes da pandemia já estava claro que o Presidente da República Jair Messias Bolsonaro olha única e exclusivamente para si e seus interesses mais imediatos, se é que tem inteligência para tanto. O risco de não se aproveitar a oportunidade de todos estarmos parados e disponíveis para pensar possibilidades, alternativas, caminhos, é ver a população abandonada, porque é assim que se sente boa parte dos brasileiros, reagir com um banho de sangue. Ou muito pior, abrir o caminho aberto para populismos de todos tipos, ideologias e fés, que sempre apostaram no quanto pior melhor, incluindo e principalmente aí o próprio Bolsonaro. Neste caso teremos riscado a possibilidade de um futuro próspero para o Brasil.

Sou um dos brasileiros que vai sobreviver a esta quarentena, a não ser pela profunda angústia vendo o drama que já vive boa parte da população que do dia para noite não terá mais renda. O futuro de minha família, filhos, netos, amigos, vizinhos e conhecidos, passa por uma Brasil vivendo em paz. O país parado pelo coronavírus é oportunidade única de acertar o leme do nosso futuro.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Depois do coronavírus; o que se pode fazer para o retorno


Quais são as referências existentes e propostas para a retomada da economia pós coronavírus?
O que se está pensando fora do Brasil?
O que se está propondo para a Itália? Como vai ser?
Comunicar à população

Quais as referências pós WWII?
Primeiros dias, meses, anos do pós guerra
·         dos indivíduos
·         das famílias
·         das comunidades
·         das cidades
·         o que já estava planejado antes do fim da guerra?
·         reconstrução

Outras referências de reconstrução pós guerra.

Ana Flor – Globo News
“Na hora de religar não se sabe quais as lâmpadas que vão funcionar”
·         olhar as lâmpadas durante o apagão
·         conhecer o sistema
·         achar cominhos para revisar e testar o sistema
·         saber como religar o sistema, o que ligar primeiro e passo a passo
·         ligou de qualquer forma corre o risco de explodir o sistema
Quem tem experiência em situações como esta?
·         Defesa Civil
·         Exército
·         quem?

Criar gabinete de reconstrução
·         todas as áreas
·         governo
·         empresas privadas
·         sociedade civil, ONG e outros
·         representantes das comunidades
·         igrejas e outros
·         especialistas, professores, estudiosos
·         etc...

Emergências imediatas durante a crise pandêmica não relativas à doença
·         para quem olhar imediatamente
·         quais são as prioridades deles
·         quais são as prioridades possíveis e realizáveis
·         imediato
·         médio, longo prazo
·         imprevistos com necessidade de ações imediatas
·         o que, porque ou quem descartar / qual impacto social
·         atrapalha, mas não pode ser descartado
·         fluxo de dinheiro
o   como fazer chegar
o   para quem
o   quanto
o   origem
·         como gerar trabalho imediato
·         o que pode ser trabalhado dentro das favelas imediatamente
·         como contornar a Lei de Licitação 8.666 (8: infinito; 666: a besta do apocalipse)
·         o que mais dificulta o poder público
·         o que existe online
·         ONGs e outros

Propaganda de caminhos
·         apresentar o passado por números, sem ideologias, sem teologias
·         mostrar qual a situação hoje
·         explicar – compreensível para grande público
·         apontar caminhos explicando porque sim porque não
·         explicar - compreensível para grande público

Imprimir folha dupla de jornal com dados e propostas
·         ensinar como usa-las para organizar o pensamento e as propostas
·         espalhar em locais públicos, tipo estações de metro e trem
·         planilhar online
Usar outras formas de comunicação da análise realizada
Acompanhar para combater fake fews
Como frear legalmente os sabotadores?
·         imprensa
·         rádio
·         TV
·         rádios comunitárias
·         redes sociais locais
·         redes sociais
·         até pichadores e outros

Problemas crônicos do Brasil são bem conhecidos
·         exemplos socias
o   quem é exemplo
o   porque bons exemplos não colam – jogar lixo na lixeira, por exemplo
o   desconfiança como sobrevivência social
·         desemprego
o   trabalhos básicos
o   distorções atávicas
o   o erro ou mal feito como negação da elite
o   empregada doméstica que deixa fora do lugar para provar que ela esteve lá

o   construção civil
o   prestação de serviços
·         violência
·         criminalidade
o   como controlar a violência durante a crise; que leis; qual agilidade
o   real
o   virtual
·         educação
o   analfabetismo
o   analfabetismo funcional
o   distorções culturais – erros de análise
o   falta de informação correta
o   falta de treinamento
o   falta de autoconfiança
o   perenização de erros como autoproteção
o   inclusão social distorcida (adolescente, fala pobre...)
·         habitação
o   a casa em si
o   localização em relação ao trabalho
o   urbanismo do entorno
o    
·         saúde
o   preventiva
o   água
o   esgoto
o   lixo
o   sistema de saúde
·         racismo
·         fome
o   mapeamento dos pontos de distribuição – mercadinhos, supermercados
o   preços
o   diversidade
o   índice de perdas
o   cesta básica X alimentação básica
·         transporte
o   quanto mais pobre, mais distante
o   quanto mais longe pior o transporte – todos
o   quanto pior o transporte pior a noção de coletivo
o   CTB real X a realidade (uso de capacete obrigatório e realidade)
o   erros comuns do Poder Público
o   realidades urbanas diferentes, transporte diferente
o   ser transportado
o   transportar
o   trabalhar com transporte / logística
o   logística atende a quem
·         treinamento
o   público alvo
o   dividir por capacidades / habilidades
o   pedagogia para imbecil funcional – fazer entender o básico do básico
o   entender e limpar distorções, ou pelo menos minimiza-las
·         noções de planejamento
o   familiar
o   administração dinheiro
o   programação futura
o   prevenção
o   o que é um negócio – sistema S
o   o que é uma empresa – deixar de ser assalariado para sentir-se incluído
o   entender o que é o Estado, o que são os três poderes
·         baixa qualidade de produção
o   nós sabemos, eles são uns imbecis; é uma estupidez perigosa
Olhar projetos urbanos que foram trabalhados
·         Projeto Fazendinha – Praça das Corujas: construir praças
·         Córrego Limpo – construção de parques lineares
·         Ruas e rios
·         livro Márcio Moreira Alves sobre Governo Montoro – procurar outros livros com propostas, projetos e outros que funcionaram no passado
·         Equipamentos esportivos
·         projetos construtivos sociais que estavam em andamento e que podem prosseguir

Criar um programa para a retomada da vida dos mais pobres.
Tudo que não precisamos é depois de ter mortes pelo coronavírus termos um banho de sangue deflagrado pela população que se sentiu abandonada.

terça-feira, 24 de março de 2020

A história ensina


Um dos livros que gostaria de ter encontrado e lido é a história da população europeia na reconstrução de suas vidas pós a completa devastação causada pela Segunda Guerra Mundial. O que é fácil encontrar fotos; em algumas, principalmente onde ruas já tinham sido desentulhadas (literalmente), é possível ver bicicletas e ciclistas circulando e perceber a sua importância. Até em situações extremas destes mais de 150 anos a bicicleta mostrou-se crucial como alternativa para melhorar a condição de vida da população e auxiliar na reconstrução da normalidade.

A primeira história que me chamou atenção sobre os efeitos da Segunda Guerra Mundial foi contada por minha tia, Maria Elena, a descrição do viu na primeira vez que foi acompanhando meu tio Mino para a Alemanha, a trabalho, isto lá por volta de 1960, ou seja, 15 anos depois do fim da guerra. Maria Elena entrou numa doceria e pediu um pedaço de bolo e lhe foi servido 1/4 do bolo, uma fatia imensa se comparada ao que serviam em Buenos Aires, sua cidade natal, ou mesmo em São Paulo, onde casada vivia. Curiosa, perguntou para a alemã que acompanhava porque fatias tão grandes. "Durante a guerra todos nós passamos muita fome".

Fala-se muito sobre as bombas atômicas, mas nos dias finais algumas cidades alemãs foram tão bombardeadas que o poder destrutivo foi maior que das bombas atômicas. Muitas cidades foram colocadas no chão, dizimadas, deixando um claro recado que uma terceira guerra mundial seria inaceitável, para resumir o drama.

Vi num documentário sobre a reconstrução da Alemanha que foi colocado que todos, sem exceção, tinham que ajudar na reconstrução das cidades, no pegar tijolo por tijolo, no limpar as ruas, recolher cadáveres, fazer o que tinha que ser feito para bem o coletivo. Se descobrissem que uma criança ou adolescente escondido, principalmente da juventude nazista, estava escondida para não ajudar a população a pegava e fuzilava no meio da rua para deixar claro que ninguém podia ficar de fora do esforço de reconstrução.

Neste exato momento sinto um vazio de nunca ter lido nada mais profundo sobre situações extremas da humanidade, não a guerra em si, mas o efeito e as ações individuais e coletivas para manter e retomar suas vidas. Ninguém sabe ainda o que vai acontecer após o coronavírus, mas todos sabem que é definitivamente um ponto de flexão histórico. Vamos mudar, disto não tenham dúvidas.

Meu caro amigo Álvaro me deu o delicioso "Armas, germes e aço; o destino das sociedades humanas", de Jared Diamond, livro ganhador do Prêmio Pulitzer. Boa ironia do destino ganhei faz tempo e entrou na fila de leituras, acabando por ser aberto uns dias antes desta crise pandêmica do coronavírus. Recomendo.

É crucial que esta gravíssima crise seja documentada em todos seus aspectos. É necessário que seja analisada por especialistas que deem respostas produtivas.

Estamos nos primeiros dias de uma mudança profunda, individual e coletiva. Pelo quanto tudo está meio que em ritmo de festa, mas a coisa vai ficar pesada e não vai demorar muito. Este primeiro momento mostra que o brasileiro quer e muito fazer a coisa certa, ter futuro, respeitar comandos. É bom mantermos assim. Os que tem cultura, os que pensam, os que tem dados ou informações de qualidade, tem o dever de agir pelo bem comum. Dever de agir!

Está morrendo e vai continuar morrendo muita gente. É um bom momento para discutir morte, o que tenho dito. Mortes no Brasil, de todo tipo e forma, é coisa tão banal quanto comprar banana na esquina. A verdade é que não faz diferença, mas faz e toda. Chama-se respeito, essencial. 

Uma excelente e rápida leitura é "A metamorfose" de Franz Kafka, outro que só li agora, também uns dias antes do coronavírus. 

Para terminar: se você tem um mínimo de condição financeira reparta, dê esmolas, ajude. Os miseráveis estão completamente desprotegidos. Infelizmente a parca rede de proteção que tinham deve entrar ou já entrou em colapso.

segunda-feira, 23 de março de 2020

Oportunidade única: Brasil quatro meses parado

Fórum do Leitor
O Estado de São Paulo

Temos uma oportunidade única: ou escolhemos de fazer com que "Muitos pequenos riachos façam um grande rio". O Brasil vai ficar parado por pelo menos quatro meses o que é uma maravilhosa oportunidade para pensar ordenadamente e apresentar propostas realistas que corrijam nossos erros crônicos, todos, sem exceção, em todas as áreas, não só a da saúde, que neste momento está sendo pensada intensamente, apresentando respostas e agindo, como deveria ser com tudo. Levantar as prioridades conhecidas, ouvir todos brasileiros, com mediadores e coordenadores, mas sem os eternos proprietários ou paizões, e terminar esta quarentena com um plano de ações realizável. Os grandes jornais têm importância capital num processo destes porque podem imprimir em folha dupla números, gráficos, e outros dados que possam ser abertos em casa, um ao lado do outro, e sirvam como referência para o pensar de todo brasileiro que queira ajudar na criação de um projeto de planos e metas, repito, reais e factíveis para o Brasil. O Brasil que vivemos hoje é uma pandemia de absurdos, erros e mal feitos sem qualquer controle. Se quisermos colocaremos um fim e teremos futuro.

domingo, 22 de março de 2020

Planejamento e comunicação sobre os efeitos da pandemia

O Estado de São Paulo
Fórum do Leitor

A solução para o drama do coronavírus definitivamente não termina em manter a população em casa evitando o contato humano. O Brasil tem perdido inúmeras oportunidades de avanço por centrar foco em um única questão ou problema não dando importância ao periférico do mesmo. Num país com alto índice de violência doméstica manter uma população acostumada a viver nas ruas trancada em casa sem orientação tem tudo para ser um grande problema. Com o altíssimo número de trabalhadores informais estancar os ganhos de um dia para o outro, sem previsão de entradas futuras, é falar em fazer a família passar fome, apavorante. A possibilidade de termos um novo baby boom é imensa, principalmente entre adolescentes de baixa renda. As incertezas são inúmeras, sob inúmeros aspectos; os possíveis erros e descuidos decorrentes de falta de informação de qualidade também. A resposta da população aos pedidos das autoridades tem sido excelente, mas as informações passadas e retransmitidas por TV, rádios e redes sociais têm que sair do foco e imediatamente começar a trabalhar o periférico, dos grandes aos pequenos dramas. É vital que tenhamos uma central de crise que dê respostas certas, confiáveis, por prioridades e compreensivas imediatamente, via redes sociais ou o como for. O Brasil não pode desperdiçar mais esta oportunidade de educar a população para o fazer correto, o que claramente todos estão predispostos a fazer. Não dá para manter a coisa solta com tantas besteiras sendo disparadas a cada segundo. Da forma que está, com a pressão social que já tínhamos antes do coronavírus, com um Presidente errático, a chance de sair dos trilhos é muito grande.

sábado, 21 de março de 2020

Saúde pública: reurbanização para o drama da Rocinha


Com crise do corona se fala na rapidíssima propagação do vírus em favelas porque as condições são propícias: baixa ventilação e insolação das residências, alto número de pessoas vivendo e dormindo juntas num espaço exíguo, esgoto correndo a céu aberto, não raro falta de água encanada, lixo e entulho não recolhido e outros mais. No caso específico das favelas do Rio de Janeiro a situação deve ser mais trágica pelos problemas já existentes na saúde pública. Pior ainda na Rocinha, um dos mais altos índices de tuberculose do país.
Faz muito tempo que fico imaginando e sonhando como se poderia fazer uma reurbanização nas favelas para melhorar as condições de sanidade urbana e das moradias. As leis brasileiras praticamente inviabilizam uma intervenção como a que foi feita em várias partes do mundo e em vários momentos da história, principalmente porque favelas são construídas em áreas invadidas e normalmente não há posse legal do terreno. Por outro lado, e dificultando mais, há o populismo, de todas as linhas ideológicas (são ideologias?), da esquerda à direita, cada uma com suas intenções, todas asquerosamente populistas com certeza absoluta. Estes aproveitadores só sobrevivem se "proteger" estas populações pobres lutando com todas as forças para manter o status quo. O mesmo em relação à educação. Favelado, analfabeto, doente e outros horrores mais são um puta negócio rentável.

Problemas de insolação e ventilação não é uma exclusividade dos mais pobres. A baderna no urbanismo e construção civil brasileira é histórica e inacreditável, e os problemas se sucedem. Exemplo fácil fácil são os edifícios altos construídos a beira mar fazendo sombra nas praias e cortando a ventilação do resto da cidade. Copacabana que o diga, burrice brasileira que se espalhou por praticamente todas as capitais litorâneas. Daí para frente temos infinitos exemplos de aberrações. O título do El Pais, jornal espanhol respeitado como um dos melhores do mundo, diz tudo: “Tuberculose na Rocinha expõe o Brasil que estacionou no século XIX ; Favela do Rio de Janeiro tem uma das maiores taxas de incidência da doença no país.”

Para conter revolucionários, por razões militares e sanitárias, dentre outras, foi criada a Paris que hoje todo mundo ama. Georges-Eugène Haussmann foi o responsável por mandar abaixo a Paris medieval e abrir novas e largas avenidas, ruas planejadas, espaços abertos de uso público, os ótimos sistemas de captação de esgotos, de águas pluviais, de distribuição de água tratada que funcionam com eficiência notável até hoje. Criou novos parques, construiu novos edifícios, deu um padrão moderno e eficiente para a cidade e a vida dos cidadãos. Os trabalhos começaram em 1853 e terminaram em 1870, mexeu com a vida de muita gente, deve ter criado inúmeros dramas, mas deu resultado. A saber, Paris recebe mais de 25 milhões de turistas/ano, o que rende mais de 25 bilhões de Euros/anos, nada mal; só por aí já valeu.

Algumas favelas estão para ficar. É impossível e impensável tirar uma Paraisópolis, uma Rocinha, ou outra favela que já virou cidade. Aí não é mais uma questão de legalidade ou não, de posse ou não. Em São Paulo são mais de 1.700 ocupações irregulares, com quase 400 mil residências e 11% da população paulistana. No Rio de Janeiro são 763 favelas com algo em torno de 1.4 milhão de cidadãos, 22% da população carioca. Não dá para mexer em tudo, mas é possível fazer intervenções pontuais para ir minimizando passo a passo os problemas mais graves. Faz muito tempo uma grande favela que não tinha lazer derrubou barracos, em comum acordo, para ter um campo de futebol. Em Heliópolis, São Paulo, foram feitas várias melhorias, de pintura das fachadas, construção de escola e centro cultural, onde está a Orquestra Sinfônica de Heliópolis. Há precedentes de melhoras, é possível fazer.
Mas um detalhe: um dia a TV Cultura teve que pedir autorização ao chefe do tráfico de Heliópolis para conseguir gravar a orquestra. Em outras favelas seria para as milícias, e aí vai. Fui fazer uma vistoria na favela do Sapê e não me permitiram entrar. Voltei anos depois e fiquei feliz que a favela foi mandada abaixo e em seu lugar construíram edifícios bem urbanizados. Portanto, para fazer melhorias é necessário contornar problemas legais, populistas, ideológicos, interesses comerciais, e finalmente ou não, conquistar os donos do pedaço. Difícil, mas definitivamente não impossível. Basta querer.
Nós, brasileiros, se pensarmos de forma mais sensata e racional realizaríamos melhorias para a vida coletiva e individual. Para isto tem que entender que tudo tem seu preço. Lembro da gritaria que se armou com a demolição dos edifícios São Vito e Mercúrio, dois famosos treme-tremes de São Paulo, que ameaçavam cair ou pegar fogo, como aconteceu com o prédio Wilson Paes de Almeida em 1º de Maio de 2018. Se demole é um crime, se pega fogo também é acusado de crime, mas se faz bem pouco se fala.
Em alguns casos se faz urgente ação. Tivemos recentemente uma profunda crise de água e se falou praticamente nada sobre as invasões que degradam e poluem represas e nascentes, inviabilizando a água servida para dezenas de milhões. Temos que ir atrás dos que comercializam desgraças e de alguns políticos que apoiam a loucura.

Há entidades civis fazendo um belíssimo trabalho para melhorar a vida destas populações vulneráveis, mas isto não basta. É necessário que haja uma política de estado para realmente chegarmos a resultados de qualidade que sejam perenes. 
O primeiro passo deveria ser pegar todos que fizeram estudos e já tem alguma proposta, todos que tem informação e experiência com o problema, colocar todos juntos com urbanistas, arquitetos, historiadores, sociólogos, engenheiros, sanitaristas, médicos, defesa civil, Chefe da Casa Civil, Secretários, órgãos estaduais e municipais... e favelados ou vulneráveis - repito - e favelados ou vulneráveis, para estabelecer um cronograma de ações. E agir.

Qualquer que seja o resultado deste cornonavírus sobre as favelas, os mais pobres e vulneráveis deste país não dá para continuar fechando os olhos para a barbárie instalada. Mesmo que as previsões estejam todas erradas melhorar a condição de vida dos necessitados é melhorar a saúde de todos, sem exceção. É provável que venhamos aprender isto da maneira mais estúpida.

quinta-feira, 19 de março de 2020

A delícia de pedalar em tempos de coronavírus

Já tinha me passado pela cabeça que a bicicleta me daria liberdade numa situação destas. E dá. As cidades estão parando, o que é triste, muito triste, mas necessário. Para quem se transporta por bicicleta a cada dia pedalar fica mais legal. Ontem voltando para casa me senti pedalando de volta aos anos 70, sem qualquer preocupação com trânsito e num delicioso silêncio. Tinha mais gente na ciclovia que motoristas na avenida e ruas. Maravilha!
Bicicletas traz desde seus primórdios uma história de liberdades e revoluções libertárias. Na Segunda Guerra Mundial uma das primeiras ações do exército nazista na Holanda, melhor, Países Baixos, foi recolher todas as bicicletas. Na mesma época Itália Gino Bartali, um dos melhores ciclistas da história, usava seus treinos para transportar documentos através das barreiras o que possibilitou a liberdade para perseguidos dos nazistas e fascistas, salvando muitos judeus e outros perseguidos. A história heroica só veio a tona bem depois da guerra. 
É sem fim as histórias sobre a liberdade que a bicicleta oferece em situações semelhantes a que estamos vivendo com o coronavírus.
Agora em NY o número de ciclistas nas ruas cresceu para evitar aglomeração dos transportes de massa, principalmente metro e trens - A Surge in Biking to Avoid Crowded Trains in N.Y.C. - o que provavelmente deve estar acontecendo em todas as partes. Ontem tive que dar uma entrevista na av. Paulista, e fui de bicicleta saindo do Parque Villa Lobos, alto de Pinheiros, um trajeto de uns 7 km. Todo trânsito, incluindo de ciclistas, estava muito mais calmo, mas devo dizer que foi durante a tarde e não no horário de pico. 
Na Rádio Eldorado acabam de entrevistar um médico e também um preparador físico, que disseram o óbvio: parar de fazer exercícios piora a condição de saúde e aumenta o risco de contaminação. Eu traduziria dizendo "pedalem!" A cidade está uma delícia como a imensa maioria de vocês nunca experimentou. Sair a noite quando a cidade está muito mais vazia e pedalar, andar ou correr, pode ajudar e muito na passagem desta crise pandêmica, mesmo que acompanhado, basta seguir as recomendações das autoridades médicas evitando contato. Outra precaução: chegou em casa coloca a roupa suada para lavar imediatamente. 
Aproveitem e descubram o interior dos bairros; saiam das avenidas. É muito mais seguro, basta não usar fone de ouvido para ouvir os carros, o que no silêncio dos bairros se ouve lá longe. E ladrão ou assaltante fica a espreita onde tem muita mercadoria disponível ou passando. Sofrer um assalto no meio de um bairro é muita falta de sorte, mas muita mesmo.
Eu espero que a experiência nestas cidades vazias as populações repensem suas vidas e como fazem uso do espaço coletivo, das ruas, avenidas, dos bairros, como se mobilizam, se transportam... Pedalar pode ajudar e muito a clarear as ideias.