Rádio Eldorado FM está pedindo comentários sobre nossa vida no trânsito de São Paulo, que vem piorando de maneira assustadora.
Mandei para eles um pouco do que conheço desta história de como chegamos nesta situação horrorosa.
Em 1965 Arturo José Condomi Alcorta levou para o então diretor de trânsito, Coronel Fontenelle, a mudança das parábolas dos semáforos, o que tornou visível as luzes vermelha, laranja e verde. Projeto dele Arturo José e de seu primo José Luiz Whitaker Ribeiro (fundador da Engesa).
Logo após Arturo José apresentou um projeto de sincronização sequêncial dos semáforos, como usado em Buenos Aires e em diversas capitais do mundo. Foi recusado.
A história de um olhar para o trânsito errada vem de longe e foi alertada por diversos estudiosos e especialistas sobre cidades.
Na década de 70 houve uma gritaria por parte de eminentes urbanistas contra a construção do Minhocão e de outras obras viárias pontuais que estavam fadadas a criarem problemas futuros. Criaram, a prova está ai.
É o caso do Boulevard Paulista, obra primordial para o trânsito não só local, morreu nos seus primeiros metros. Como estaria a Av. Paulista se seu trânsito tivesse dois níveis, um deles privilegiando pedestres?
Desde 1898 as grandes cidades se reúnem para trocar experiências que melhorem a qualidade de vida dos cidadãos. Desde que me conheço por gente ouço "somos diferentes, sabemos o que estamos fazendo".
Nós anos 80 Mario Covas Prefeito deu início a um projeto de transporte coletivo baseado na experiência de Curitiba. Seu sucessor, o personalista Jânio, deformou a ideia inicial.
Erundina declarou que um de seus maiores erros foi acabar com o projeto Boulevard JK. Ou seja, trânsito expresso no subsolo, e local privilegiando pedestres e ligação entre bairros.
Visitei a Central CET Bela Cintra em 2005 e pasmado constatei quase a metade dos monitores apagados, outros sem nitidez, e o uso de computadores ainda de tela verde.
Na administração Haddad se tentou fazer uma gambiarra no sistema dos semáforos, mesmo com inúmeros alertas que não funcionaria. Não funcionou.
Os novos semáforos, outra solução mais em conta, como manda a lei de licitação, já estão apagando.
Faz muito que parte do corpo técnico da própria CET pede a mudança completa de todo sistema semafórico e outros investimentos urgentes para o trânsito de MSP.
A pergunta que tem uma resposta consistente se deve fazer é para a população: vocês se interessam mesmo, de verdade, pela melhora no trânsito? Sinceramente, eu duvido. Que realmente se interessa vai atrás.
Muda administração, mudam as prioridades. Não há continuidade. Não há projeto. E vale afirmar, a população entalada no trânsito não se manisfesta.
Nenhum comentário:
Postar um comentário