NYC não foi a primeira. Muito antes várias cidades européias usaram instrumentos para frear o uso indiscriminado do automóvel nos centros urbanos. Não só pedágio.
Como europeu passou por duas guerras brutais, a forma de pensar é outra, pragmática. Eles até acreditam em milagre, mas meio da boca para fora. Na hora de resolver as coisas, pensam de maneira prática e realista, o que definitivamente não é nosso caso.
Até dá para impor um pedagio urbano em São Paulo, eu até sou a favor, mas há uma série de senãos aí, começando pela questão social, que aí sim é uma questão a ser muito bem pensada. Em NYC, ou em qualquer cidade européia, não há o abismo social que temos por aqui, o que é um fator a se pensar bem. Pedágio urbano gera mudanças significativas no fluxo de dinheiro. Quanto maior a diferença social, maior o impacto na macro economia urbana.
Temos que resolver o caos que estamos vivendo e que só piora. Para isto precisamos de um planejamento que olhe para a cidade e seu cidadãos, sem imediatismos ou delírios. É mudança de médio longo prazo, mesmo que necessitemos de uma ação dura para sanar gravíssimos problemas ontem.
NYC começou um plano de recuperação e reestruturação da cidade na década de 80, quando disseram um basta a uma violência incontrolável de 82 assassinatos por 100 mil. O primeiro passo foi colocar ordem na questão social, diminuindo a violência brutal, através do Tolerância Zero. O segundo passo foi iniciar o que é conhecido como Cidade Sustentável, que teve Jeanette Sadik Khan e sua reforma da Broadway av inaugurada em 2007. Pedágio urbano faz parte do processo, de certa forma está contabilizado e equacionado pela população.
Em Bogotá, outra cidade que teve uma profunda mudança urbana, o que Penalosa fez só foi possível porque foi preparado o caminho pelo prefeito anterior Antanas Mockus. Ou seja, houve um planejamento de longo prazo que foi seguido.
Não há referência histórica do "faz que dá certo" que tenha realmente dado certo. O melhor exemplo de que o "eu sei, eu faço, vai dar certo..." não funciona está aí e tem nome: Trump. Os próprios americanos estão só començando a pagar o pato.
Outro exemplo deste tipo a não ser seguido chama-se São Paulo, o Município e sua área metropolitana. Desde a década de 70 se faz tudo no "eu sei, vai dar certo..." O resultado está aí. Planejamento? De longo prazo?
Interessante é que nos dois casos, Bogotá e NYC, o ITDP teve atuação marcante na transformação das mobilidades destas cidades. Na mesma época, o ITDP estive aqui, deixaram muitos ensinamentos, mas parece que não aprendemos nada.
"Nós sabemos, nos somos diferentes, faz isto que vai dar certo..." dito e repetido aqui sem parar parece, repito, parece que não deu certo, só parece.
Eu definitivamente não quero mais.
A saber, em plena ditadura, em seus momentos mais duros, houve por parte dos que sabiam o que era uma cidade uma gritaria contra a construção do Minhocão. O sonho destes estudiosos então era a construção de uma cidade em cima de um plano diretor organizado e realista a ser seguido, que tinha como base experiências nacionais e internacionais. Curto, médio e longo prazo. Venceu o "eu sei o que estamos fazendo, nós somos diferentes..." É isto aí, somos diferentes, o resultado está aí, no sonho de boa parte dos brasileiros que todas cidades se transformem em Balneários Camboriu. Que beleza! Igualzinho a Manhattan.
Que pobreza vergonhosa!

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