domingo, 12 de fevereiro de 2017

Ciclovias paulistana: ...não faz nada e vai desaparecer...

Tem gente que está dentro do circo que diz que "a posição (da Prefeitura) de Doria é simplesmente deixar as ciclovias e ciclofaixas do jeito que estão"..., portanto a pintura vai desbotar, os tijolinhos refletivos vão acabar soltando, e muito das ciclovias (ciclofaixas) do Haddad vai desaparecer. Pura maldade, pura má vontade com os ciclistas?
Muito antes da eleição que levou Doria à Prefeitura já tinha ouvido de vários lados que não havia sido colocada no orçamento de São Paulo verba de manutenção para o sistema cicloviário. Nada de anormal neste país onde ninguém pensa em manutenção, ainda mais no meio do caos econômico dos dois últimos anos da administração Haddad. Mesmo que Haddad continuasse no cargo mui provavelmente os 400 km também estariam fadados a desmanchar lentamente.

E a pergunta continua a ser buzinada sem parar: "O que se faz com isto (os 400 km que por pura maldade serão abandonados a própria sorte)?"
Já publiquei um roteiro do que penso que se deva fazer, mas pensando bem...
O que está sendo usado não vai morrer, isto é liquido e certo. Pensar em complô contra a bicicleta é patético porque ela está ai para ficar - ponto. A questão é outra.
Tem muitos km que se desaparecerem não farão diferença nenhuma. Aliás, farão: dinheiro jogado no lixo. Numas não passa ninguém, noutras são um absurdo técnico sem tamanho e o ciclista prefere pedalar com o trânsito, que diferença faz se sumirem? Quem quer que fosse o Prefeito, com um mínimo de bom senso não se perguntaria "porque colocar dinheiro, que já é curto, em erro grosseiro que não tem futuro?" Mais, politicamente já deu o que tinha que dar.
Nas ciclovias que estão sendo utilizadas há muitos problemas técnicos, de segurança e de manutenção, a serem trabalhados, o que demanda verbas que nesta tormenta pós Dilma inexistente. 
Por exemplo:
A ciclovia da rua Artur de Azevedo, que é bem usada, começa nos fundos do HC, Hospital das Clínicas e termina praticamente na ciclovia Faria Lima. É paralela a av. Rebouças, que tem uma topografia bem mais amigável, plana e com subida suave, calçadas largas, pouco usadas por pedestres e desde sempre usadas por ciclistas. A Rebouças é o caminho mais rápido e lógico para ciclistas num raio de 500 metros, muito mais sensato que a escolhida Artur de Azevedo. 
A ciclovia (ciclofaixa) Artur de Azevedo desce, sobe, desce, sobe, é interrompida exatamente no cruzamento da larga, movimentada e com conversão a esquerda av. Henrique Schaumann. Vale ficar assistindo neste cruzamento as loucuras que os ciclistas fazem para seguir seu caminho natural, seja descendo na mão ou subindo contra o tráfego da Artur e, pasmem!: por milagre ninguém morreu ali. Quando a ciclovia (ciclofaixa) Artur de Azevedo chega na rua Cunha Gago, a 70 metros da rua dos Pinheiros que se vê logo a frente, sabe-se lá porque vira a esquerda para chegar na mesma rua dos Pinheiros, dobrar a direita e seguir para a ciclovia Faria Lima dando a volta no quarteirão e cruzando a Artur de Azevedo. E é óbvio ululante que todos ciclistas fazem o caminho mais lógico, ou seja, seguem reto pela Artur de Azevedo e pedalam sem ciclovia (ciclofaixa), no meio dos carros, na mão e na contramão. Nossa Senhora! Incrível! Ninguém morreu ali. São inúmeros os erros crassos espalhados pelos ditos 400 km de vias cicláveis paulisanasHoje tem ciclista por tudo quanto é lado, não só no que foi implantado por Haddad / Tatto. São Paulo tem mais de 17 mil km de vias. Tudo leva a conclusão que "talvez" os motoristas paulistanos não sejam tão assassinos assim como o movimento cicloativista fez questão de acusar aos gritos e chutando portas de carros. Também "talvez" o trânsito não tivesse vivência e depois de um certo tempo tenha se acostumado com os ciclistas, o que era de se esperar.
Dito isto digo que não estou nem um pouco preocupado se boa parte desta porcariada desapareça. Vai fazer muita diferença para o ciclista? Os números apontam para um não retumbante. Não, não fará diferença. Aliás, fará. O cicloativismo tanto falou sobre os horrores do trânsito que a ladainha colou e tem gente com medo de pedalar, mas não consegue justificar, só repetem que fora da ciclovia é perigoso. E dentro? 
O desmanchar de muitas ciclovias \ ciclofaixas fazer um estrago político / ideológico, e é isto que interessa ao circo: quem sairá perdendo. O prejuízo causado pelo mal feito que se dane.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Comer mal em São Paulo

Ontem, domingo, saímos para pedalar num grupo de velhos e bons amigos. As meninas do Saia na Noite, Vera, Vera, Laura, Teresa, Lola; mais Zé e o filho Paulinho, o casal Tomaz e Cintia, e a família Fila, Laura e as meninas Bruna e Helena. Zé, Tomaz e Fila, velhos e bons amigos, infelizmente eu não via faz tempo. Ótimo passeio pela Pompéia e Centro. E ai bateu a fome na tropa.
Restaurante é o que não falta em São Paulo. Muita enganação, mas muita enganação mesmo. Alguns poucos bons e bem poucos que realmente valem a pena. E um pequeno detalhe: onze bicicletas para estacionar. Ai complica muito. Deixar as bicicletas na rua nem pensar; os roubos são cada dia mais frequentes e os ladrões cada dia mais rápidos e sofisticados. (No final conto uma historinha a respeito).
Lá no Centro se fez a sugestão de “massa” e no começo da descida para os bairros, ou seja, lá pela Paulista. Por minha sugestão fomos para uma cantina que fica na Haddock Lobo logo depois da Al. Santos que tem estacionamento ao lado. Hoje é o dia seguinte e comida continua passeando. Não é esta cantina que é fraca, são praticamente todas. Genérico sim!
Como a maioria das cantinas o local é alegre, cheio de bandeiras, camisetas de times, fotos e mapas penduradas no teto e paredes. O couvert vem com um ótimo pão italiano (e custa caro) os pratos são imensos, servem duas ou mais pessoas, o gosto para lá de duvidoso, e a conta, é..., a conta, pesada, bem pesada. Deu praticamente R$ 100,00 por pessoa. Ops!
Vamos lá: R$ 100,00 por pessoa, quais seriam as outras opções?
Se tivéssemos ido no Pasta Gialla da Lorena ou no Zena da Peixoto Gomide, só para citar dois restaurantes italianos bons, confiáveis, nas proximidades, a conta sairia praticamente os mesmos R$ 100,00 por pessoa, provavelmente menos. Eu pensei no Viena do Conjunto Nacional, que é buffet variado e de ótima qualidade, que tem um preço que a princípio parece salgado, mas vale cada centavo e também custaria menos que a cantina. Onde colocar as bicicletas? (O estacionamento de bicicletas no subsolo do Conjunto Nacional é complicado de usar, fica longe do Viena, e mesmo todo fechado e aparentemente seguro tem histórias estranhas).
Vai em cantina paulistana quem não sabe comer e não faz ideia do que seja comida italiana. Talvez minha dor matinal no estomago seja pela comida, talvez um pouco pela raiva do que paguei, jamais pela companhia dos bons amigos. Cantina? Jamais!


Enquanto esperávamos por todos numa padaria da Faria Lima, de frente para a rua Eliza Pereira de Barros, de onde partimos, vimos um cara com uma bicicleta vagabunda parado sobre a faixa de pedestres olhando as bicicletas passar e logo em seguida falando no celular. Ladrão selecionando o que roubar? Bem provável.  Mais estranho, passando pela porta da padaria um “mendigo” de cobertor velho nas costas, bermuda de ciclismo em lycra e.... no celular. Chamei 190 e espero que tenham ido atrás para verificar.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Ciclistas assassinados? Como assim?

Mais uma vez recebi uma mensagem na qual se lê

ciclistas foram assassinados... Os dois casos acabam de acontecer em Manaus.
  
Pelo que se entende do que li nesta mensagem o processo sobre estes acidentes em Manaus envolvendo os dois ciclistas estão transitados e julgados e os responsáveis foram considerados por jure popular culpados por homicídio doloso, provavelmente dolo direto, vulgo assassinato.
Palavras tem peso. Não medir palavras normalmente gera atritos, o que via de regra é contra produtivo. Deixar portas abertas é bom para qualquer processo, até quando um “inimigo” está envolvido.
Qualquer sistema que seja realmente seguro evita afirmações drásticas porque levam a desvios, a erros, a enganos e não a verdade.  Só se chega a segurança através de uma análise fria, algumas vezes dolorosa, dos fatos reais. Segurança está diretamente ligada à verdade, nunca a especulações. Especulações geralmente levam a repetição do acidente.
Mesmo que não haja qualquer dúvida sobre o culpado é sempre recomendável perguntar “bom, e aí, o que mais, o que está faltando neste quebra-cabeças?”. Quanto mais dúvida sobre o que parece lógico mais se caminha no sentido da segurança.


  • Poucos aqui no Brasil levam em consideração a condição da via e do local onde ocorreu o acidente. Caso via ou localidade não estejam em conforme com a lei (e com o bom senso), o que é comum principalmente no viário brasileiro, a responsabilidade também deve ser imputada a quem é responsável dentro do poder público.
  • É relativamente comum ocorrerem acidentes que são causados por falha mecânica da bicicleta, ou falta de refletores, obrigatórios por lei e importantíssimos para a segurança do ciclista na falta de luz do dia.
    O próprio setor da bicicleta reconhece que há um problema (que considero gravíssimo) de qualidade nas bicicletas nacionais, que falham e ou quebram com facilidade colocando em risco o ciclista. Uma das concessionárias de rodovias de São Paulo, se não me falha a memória a da rodovia que passa por Rio Claro, levantou dados que apontam que mais de um terço dos acidentes fatais com ciclistas ocorrem por falha mecânica da própria bicicleta.
    Os refletores fabricados e distribuídos no Brasil têm fixação à bicicleta frágil e, via de regra, caem ou mudam da posição correta, se transformando em objeto inútil. A falta de um refletor é responsabilidade do ciclista, do fabricante da bicicleta ou do governo que não controla a qualidade destes?
  • Bicicleta é considerado pelo CTB um veículo, portanto o ciclista é condutor de um veículo.  Vendo a situação como ciclista sei que tem muito ciclista que pedala mal ou de forma imprudente. Mesmo que o ciclista não tenha responsabilidade no acidente é útil para segurança de todos tentar ver o que este ciclista poderia ter feito diferente.  
  • Não cumprimento da responsabilidade sobre a educação pelo trânsito...
  • Problemas na manutenção da frota de veículos...
  • Falta de polícia técnica e legistas...
  • Falta de banco de dados confiável...
  • DENATRAN que ficou um ano sem presidência e inoperante...
  • CTB com falhas e rodoviarista...
  • Técnicos mal treinados...
  • Falta de verbas...
  • Silêncio macabro da sociedade, de toda sociedade, sem nenhuma exceção, com o genocídio geral...
  • Etc...
  • Etc...
Fico muito feliz que os ciclistas pressionem as autoridades, mas me preocupa este tipo de discurso, mesmo que seja de uns poucos. O Brasil é um dos campeões mundiais de violência e só vamos sair desta situação horrorosa quando começarmos a buscar as verdadeiras razões para este banho de sangue. Apontar o dedo na cara do outro só vai prolongar nossa absurda agonia.

Como ciclista tenho certeza de minhas responsabilidades com a sociedade, com o Brasil, não só com os ciclistas. Acredito piamente que a bicicleta pela bicicleta só complica, só atrasa, só serve para uns poucos.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Os 7X1 e a perda da metade dos leitores

Perdi praticamente metade dos meus leitores no dia seguinte que soltei o texto sobre a Copa do Mundo de Futebol e os 7X1. E nunca mais voltaram. Infelizmente não posso ficar desgostoso com aquele texto, muito pelo contrário, fico feliz.

O Maracanã vergonhosamente está fechado e sem previsão para abrir. Vários estádios da Copa enfrentam problemas praticamente insolúveis. Legado da Copa? Respondam vocês. Era claro que ia acabar assim e não podia ser diferente. Assim como era óbvio ululante que também o legado (legado?) das Olimpíadas iria se transformar, como se transformou, num elefante multicolorido sentado no nosso sofá de pernas abertas assistindo um futebolzinho, tomando wisky 12 anos e girando as pedrinhas de gelo depois de ter comido muito feijão branco com repolho, sob nossas custas é lógico.
Como bem disse um comentarista - de futebol é lógico - o Maracanã esculhambado e fechado é notícia em todo mundo porque Maracanã é uma das referências de Brasil. O estrago para nossa imagem resultante do Maracanã fechado extrapola muito o negócio "futebol". Você investiria num país dito do futebol onde a sociedade sequer respeita sua maior paixão?
O jogo só está ganho quando se cruza a linha de chegada ou o juiz apita o final do jogo.  A vida ensina que cegueira, burrice e soberba normalmente causam derrotas. Sinto pelos que são sérios e acreditaram em semideuses e outras bobagens. Sinto pelo país divido em dois, a única vitória que espero passageira daquele pessoal. 
Aquele foi o Brasil 1X7. Espero que tenhamos aprendido.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Garantia de obras públicas realizadas

Fórum do Leitor
O Estado de São Paulo
26 de Janeiro de 2017

Passados menos de 5 anos da reforma do baixo Pinheiros realizada pela Operação Faria Lima \ Largo da Batata temos uma quantidade grande de defeitos nas calçadas novas: piso em pedra lascando, solto ou soltando, buracos, deformidades, tampas de cabeamento desalinhadas ou com acabamento quebrado, meio fio e calçada afundados, remendos mal realizados..., isto para não enumerar defeitos no leito carroçável ou postes que não foram retirados até hoje. Problemas inaceitáveis principalmente por se tratar de obra pública recém concluída. Ando esperneando pelo acionamento da garantia da obra, mas nunca obtive resposta. Ontem descobri que só duas Secretarias, a de Obras e outra qualquer, tem condição de acionar a garantia de uma obra. Estranho, mas talvez explique porque tem tanta obra nova por toda a cidade e de todos tamanhos que mal é concluída vira um tormento para os cidadãos em tão pouco tempo. Da forma como está não funciona, ninguém duvida disto. O correto deveria ser qualquer cidadão ter facilidade de acionar a garantia de uma obra, o que estimularia a cidadania, pressionaria para a execução de um bom serviço e com certeza facilitaria o trabalho dos funcionários responsáveis. Simples: você está feliz com nosso asfalto? (só para começar)

Cidade sem condição de gerenciar

Fórum do Leitor
O Estado de São Paulo
26 de Janeiro de 2017


Abrindo o mapa oficial das ciclovias de São Paulo que está no site da CET dei mais uma vez com um mapa viário com pequenos erros. Pode parecer besteira, mas definitivamente não é. Por incrível que pareça, o Município de São Paulo até hoje não conta com mapas confiáveis. O mínimo que a cidade deveria ter é um mapeamento oficial e confiável do subsolo, solo e construções. Sequer temos mapa de solo, e ou viário, confiável e atualizado, o que dizer do resto. A consequência deste descaso é fácil de entender: um conserto de uma concessionária pode afetar o de outra e demora mais que o necessário, criando mais problemas para todo cidadão e aumentando muito o custo cidade. Qualquer cidade civilizada tem vários níveis de mapas quem permite controlar e organizar minimamente a gestão. É só o primeiro e importante passo para o bom senso. Doria fala em gestão, mas pouco poderá fazer sem ferramentas para gerir. Outro ponto crucial é a criação de um banco de projetos e outro banco para ações em andamento. Banco de projetos até para não ocorrer duplicidade de projetos em andamento, o que é bem mais comum que se possa imaginar. E banco de ações para saber quem está fazendo o que na cidade. Ou seja, ter uma administração que de fato administre a cidade, que é o sonho de Doria. Eu disse sonho.