Primeiro, reagir de bate pronto pode levar a ações que não sejam as adequadas ou que sejam incorretas. De certa forma foi o que aconteceu aqui quando ouvi pela metade uma notícia na rádio e minha caixola ligou imediatamente o legalizar com ações populistas realizadas num passado não muito distante.
Reagi de bate pronto aos montes na minha vida e se arrependimento matasse... Confesso que me sinto não morto, mas numa eterna auto santa inquizição.
Se conselho fosse bom seria vendido, mas ouço aconselhar: segure seu bate pronto, nunca vale a pena.
Hoje saiu no Sustentabilidade do Estadão uma entrevista com José Renato Nalini, diretor da Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas, sobre as ações que a Prefeitura tem realizado para minimizar os problemas que São Paulo tem. Dentre eles, o controle constante e a remoção de invações em áreas de mananciais, com o que concordo totalmente. Bom, enfim, espero que o que ele disse na entrevista esteja de fato acontecendo.
O que ouvi na rádio foi sobre um projeto ou programa do Governo do Estado de regularização de terras fora da área urbana. Preciso ler mais para opinar.
Fato é que a forma como está sendo conduzido o desenvolvimento urbano paulistano não me agrada nem um pouco, e não é saudosismo, mas leitura e conhecimento obtido ouvindo especialistas.
Já escrevi e não vou entrar de novo no assunto, mas fato é que não se deve apagar na porrada a história afetiva, os usos e costumes, as tradições de uma comunidade, muito menos de uma cidade, com a probabilidade de perda de referências e consequente aumento de tensão social.
Cidades mudam, se transformam com o tempo, é natural, é desejável, mas há formas ideais de realizá-las. O que vem acontecendo há muito com São Paulo é, por um lado, ações 'milagrosas' pontuais, por outro, uma falta de planejamento de longo prazo que respeite o mais profundo interesse dos cidadãos. Incrível que o povo ainda não se deu conta que não funciona. É óbvio que se tem que recuperar o Centro de São Paulo, mas da forma como foi feita na administração PT. É óbvio que se tem que ampliar o número de moradias, mas não da forma da forma maluca que se está fazendo agora. É óbvio que se tem que melhorar o transporte, mas... Os erros são genéricos, de todos, populismo puro, a pior das opções.
Sobre o que eu achei que tinha entendido da matéria da rádio, vamos lá:
A estabilidade social tem como base a saúde mental de sua população. É de pleno conhecimento público e não resta qualquer dúvida que o convívio social faz toda diferença na saúde mental individual e coletiva, daí a importância de ter e manter com zelo espaços públicos, de preferência tornando-os o mais prazeros possível. Quantos mais espaços de convívio melhor para todos e tudo, do social ao econômico. Creio que eu tenha ouvido na rádio que pretendem legalizar espaços públicos invadidos. Só de pensar tenho arrepios. Sem antes discutir com toda a população, incluindo é lógico os mais carentes, não só que cidade eles querem, mas que futuro desejam para sí como indivíduos, sou contra em grau, gênero e número colocar em pauta a hipótese de se legalizar qualquer posse privada de qualquer área pública invadida. Há um drama social, o da moradia, que não é o único que afeta a cidade e de cidadãos. A violência desenfreada está aí, e dentre suas causas está a precariedade, para dizer o mínimo, de espaços de convivência coletiva para crianças e jovens. Dentre os mais prejudicados, senão os grandes prejudicados por esta carência, está a populção carente. Legalizar mais uma vez uma ilegalidade é de um populismo monstruoso. De boa intenção o inferno está cheio, se bem que eu acredito que a boa intensão aí seja para proveito de alguns com interesses mui particulares. É sobre uma cidade, portanto sobre problemas multi disciplinares. A tentativa de resolução de problemas pontuais já mais que se provou um erro grosseiro que vem prejudicando e se repetindo há décadas e que só conseguiram encurralar todos pela desordem, melhor, baderna que está aí. Quem sempre foram os mais prejudicados?
Sou contra legalizar a posse de qualquer espaço público urbano invadido