Aproveitando a oportunidade, esta que agora se apresenta onde até Nossa Senhora Aparecida virou cabo eleitoral... Minha Nossa Senhora, que bagunça!
Então, cá estamos, no meio de um messias e de um salvador dos pobres e oprimidos. Não, não o "Messias", aquele enviado por Deus; nem o Salvador que cuidou de pobres e oprimidos, não, não é Jesus Cristo, mas um dos Bolsonaros que por sobrenome tem 'Messias' e Lula, que é conhecido por muitos como o salvador dos pobres e oprimidos. Pensando bem, só nesta frase eu poderia considerar finita as minhas considerações.
Mas arderei no inferno com minha língua solta e meus dedos que insistem em digitar.
A história de Jesus Cristo começou a ser escrita 60 anos depois de seu desaparecimento. Faz pouco descobri que os primeiros escritos foram em hebraico e aramaico arcaicos, ainda abjad, o que não fazia ideia o que fosse, mas pela explicação de Leandro Karnal, abjad é uma forma de escrita onde as palavras ainda não tem vogais, não há separação entre palavras, e a compreensão do que está escrito tem variáveis. O mesmo Karnal soltou um texto sobre o 'tradutor' São Jerônimo, 347 - 420 D.C., o responsável da tradução da Bíblia para o latim e nesta tradução também há uma série de palavras com mais de um sentido ou com diferenças sutis na escrita. Um dos inúmeros exemplos atuais e besta é a palavra casa. Estamos falando do que do lar, da moradia, ou de casamento, ou ainda de casar, juntar? Agora imagine em épocas que haviam pouquíssimos escritos e leitores, pouquíssimos documentos para referenciar.
Voltando para os dias de hoje, neste totalmente aloprado, desvairado.
Como Cristo pensa sobre esta baderna e sobre estes pretendentes a um lugar no Céu dos bons? O que Cristo acha sobre as religiões que tem como base sua história? E sobre seus fiéis seguidores? Um passo atrás, como Cristo leria a sua própria história contada pelas mais diversas e inúmeras traduções, versões e outras 'cositas mas'? Ele embarcaria? Ele ficaria feliz com os seus 'retratos', suas inúmeras imagens criadas pelos séculos e séculos, Amem? No loiro de olhos azuis das traseiras dos caminhões?
O que Ele deve estar pensando sobre a forma como os dois lados se engalfinham? E sobre os seus seguidores tão fanáticos que se dizem proprietários do bem? Se estivesse aqui o que faria? Eu aposto que ele teria um ataque e expulsaria de novos os vendilhões do templo.
O Cara, Jesus Cristo, deve ter sido alguém muito muito especial, não há outra forma de sua vida ainda ser contada com tantas celebrações. Tudo leva a crer que neste ponto não há discórdia. Quis a vida me fazer conviver com simples mortais muito especiais e não teve um único que não fosse perspicaz e de bom humor, humor inteligente. Pelo que se sabe, o Cara tinha uma forte capacidade de agregação, então é de se acreditar que Ele esteja um pouco, vamos dizer, chateado com esta história de nós ou eles. Aliás, acabei de ver uma entrevista de um cientista político que afirmou que as gerações mais novas não aguentam mais esta imbecil polarização, boa notícia.
Sempre gostei de qualquer evento popular, daqueles que junta um povão, mas de preferência sem barulheira ensurdecedora. Ir pedalando no meio da romaria de Nossa Senhora de Aparecida é bem divertido, recomendo. Qualquer com faz, com juízo. Nada de brincar de super herói. Tem ajuda por todo percurso da Dutra, barracas, grupos, amigos, famílias, gente que vai para lá para distribuir água, bananas, maçãs, dar uma sombra, em alguns pontos oferecem massagistas, atendimento médico básico... Que eu me lembre, no meio destas boas almas tem evangelistas e messiânicos oferecendo conforto aos cristãos.
Que seja. O nosso país, Brasil, é um Estado laico. Religião é uma coisa, política de Estado é outra. Diz a sabedoria, e a inteligência também, que não se deve misturar as coisas. Perdemos a noção de limites e aceitamos enfiar Nossa Senhora Aparecida na bagunça. Quanta burrice! O que o Pessoal lá de cima estará achando desta discreta gritaria alucinada?
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