segunda-feira, 15 de junho de 2026

Acreditar na ciência


Este vídeo é difícil de seguir. A menina fala rápido num inglês claro, mas traz muita informação. O que ela diz está baseado em dados e ciência, é para se pensar, e muito. Fala sobre a questão da poluição causada pelos plásticos nos oceanos, e a partir daí vai questionando uma série de informações que eu tinha como certas, mas não eram. Além de trazer novas informações, com dados, sobre o que realmente está acontecendo.

Quanto mais eu leio, mas me sinto um imbecil funcional em relação a realidade que vivemos. E quanto mais imbecil me descubro, mais quero me aprofundar em informações que provavelmente vão me fazer sentir mais imbecil ainda. Deprimente? Não, não mesmo. Nunca me senti tão forte. Não faz sentido? Faz, se faz.

(Significado de Imbecil adjetivo Desprovido de inteligência; que é tolo ou idiota. Que expressa imbecilidade; que não tem sentido; banal. Que não possui forças; fraco.)

(Significado de Ignorante substantivo masculino e feminino Quem não sabe algo, geralmente por não estudado nem praticado. Pessoa sem instrução; quem não tem conhecimento)


Melhor seria ignorante? Eu diria que não, porque com toda a imensa possibilidade de ter informações corretas e de qualidade que dispomos só minha imbecilidade ainda não foi atrás. Sempre fui curioso, mas limitado. Confesso que tinha horror de entrar em bibliotecas, por diversas razões, mas lia, procurava me informar. 

Talvez o primeiro desejo que tive de mudar as coisas, ainda bem jovem, foi comprar um dos muitos morros carecas e cheios de cupim que via pela rodovia Fernão Dias e conseguir reflorestá-lo. A informação existente sobre cupins é que era dificílimo combatê-lo, que era praticamente impossível reflorestar uma área devastada. 
Não faz muito saiu uma matéria justamente sobre recuperação de áreas cheias de cupinzeiros, e para minha completa surpresa o biólogo simplesmente desmontou tudo que eu sabia sobre o assunto. Reflorestar estas áreas é muitíssimo mais simples do que poderia sonhar. Primeiro, cupins 'adubam' o subsolo, depois basta plantar mudas nativas corretas... Usar o cupinzeiro como adubo..., queria fosse tão simples como o.molagre das respostas da internet. De qualquer forma, não é o bicho de sete cabeças que foi dito.

Ou seja, aquele conto de terror que falavam no passado, dentre eles "ou nós acabamos com o cupim, ou o cupim acaba com o Brasil" ou era baboseira, ou era ignorância, ou ainda não havia conhecimento científico. Talvez um pouco dos três, em especial falta de pesquisa, desconhecimento ou desinteresse pela ciência.

Não tenho a mais remota dúvida que a saída mais fácil para todos nossos problemas está no conhecimento, na ciência. Tenho lido os comentários sobre matérias publicadas no Estadão e confesso que estou pasmado com algumas coisas lá escritas. Tem gente que de fato pensa que 2+2=69 (chupa!), ou 7 (pra dar sorte na bet), ou 98769544 (um celular qualquer), ou... estocar ventos, ou... sei lá, qualquer coisa relacionada a alguma ideologia ou religião (esdrúxula ou não tanto). Terra plana? 

Só sei que nada sei. E estou apavorado por descobrir minha ignorância. Apavorado e feliz. Agora sei quem sou e como crescer e posso ajudar.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

100 dias entre céu e mar, o filme. Entrevista de Amyr Klink

 Amyr deveria ser uma das referências para os brasileiros. Deveria, mas infelizmente não é. É pouco conhecido, pior, pouco compreendido até por quem tem tudo na vida para raciocinar. Referências humanas como Amyr por aqui são peixes fora d'água. Triste.

O Brasil virou um oceano de espertalhões que fazem a população remar rumo ao canto das sereias, muitas delas plastificadas, com botox, preenchimento e sei,lámais o que. Deprimente. É um país de naufrágio certo.

Se a tempestade está brava, se o barco chacoalha para valer, se começa a fazer água, é bom manter a calma, ouvir, se entender e trabalhar em conjunto para a coisa não piorar. Ou o trabalho é coletivo, ou a coisa vai piorar. Enfiar o dedo em riste no nariz do outro responsabilizando a tempestade a ele para depois se trancar na cabine blasfemando não costuma dar certo, diz a experiência secular. Amyr diz este tipo de coisas, e sabe o que fala. Do contrário não falaria porque estaria morto.

Como diz Amyr: eu estudei os erros para encontrar saídas viáveis. É assim Amyr cruzou o Oceano Atlântico. É assim navegou onde praticamente ninguém conseguiu. Não será um exemplo?

Esta entrevista dada pelo Amyr ao Estadão sobre o filme vale a pena ser vista. Não sei como não assinantes conseguirão abrir, mas quem puder, veja.



quarta-feira, 10 de junho de 2026

Construa sua vida. Não se autodestruindo

Eu bem sei quando e quanto errei pela vida, e sei que não tem volta atrás para corrigir o que foi feito. Meu potencial como pessoa e de trabalho foi bem acima do que alcansei e uma das principais razões sei bem: comunicação. Vivo escrevendo que se tenha cuidado com a comunicação porque sei de causa própria a diferença que faz não deslisar nas palavras. Sinceramente espero que eu consiga deixar um pouco da minha experiência para que não repitam a mesma besteira que fiz aos montes.

"Ou você ri da vida ou a vida vai rir de você". Não tenho a mais remota dúvida que levar qualquer situação pelo lado divertido traz melhores resultados, mas também carrega riscos, aliás, como tudo. 

Desbocado tem momento e lugar certo para valer a pena. Senso de humor só funciona com desbocamento inteligente, apropriado, não necessariamente chulo. Eu invejo os bons comediantes por sua inteligência e capacidade de dozar o que o pensamente despeja na lingua. Agora, o desbocado que é desbocado pelo simples fato de achar que ser desbocado funciona, este é um idiota, e digo, cara, muitas vezes fui idiota. O mesmo para aquele que acha que fazer piada é estabelecer um poder, ser mais inteligente que o outro. Demorei muito para controlar a boca, pelo menos os ataques e críticas que num passado distante acreditei que valiam algo. Como se diz na Argentina, "não vale um peido".

Vale aqui uma história. Num determinado momento de minha vida senti que tinha alguma coisa enroscando meu trabalho. Não fazia ideia do que estava acontecendo, até o dia que uma pessoa que eu havia contratado fez o seguinte comentário, "Foi ótimo ter trabalhado com você. Não foi nada do que dizem..." Upa! E acabei descobrindo quem estava fazendo comentários, que até hoje não sei se foram brincadeiras ou maledicência. Fato é que prejudicou.

Já magoei e já fui magoado. De minha parte, sinto vergonha por ter magoado. O que me fizeram procurei aproveitar e aprender. Revidar é burrice. Ouça!

O mundo dá voltas, tenha certeza disto. Cuidado com o que faz e diz, uma hora volta. Aliás, é interessante o que o Budismo diz sobre a necessidade de 'fala correta'.

A história contada neste vídeo a seguir é lugar comum em nossas vidas. Eu ouvi a história e tive um nó na garganta lembrando do meu passado, de quanto perdi por inconveniente, não só com comentários jocosos inapropriados, mas pelas maledicentes, ou ainda, pior, falar fora de hora. "Cala a boca!", que conselho sábio, afinal, em boca fechada não entra mosca.

O sábio que mora no cume da sabedoria tem a resposta: "O silêncio vale ouro". Aprenda. Faça!

terça-feira, 9 de junho de 2026

Manifesto contra a PEC 5x2

Este manifesto está publicado no Estadão de hoje, 09 de junho de 2026, e creio que também esteja em outros jornais. Vem com três páginas de jornal de assinaturas em letras pequeninas, da primeira a última de associações e sindicatos. É impressionante. Eu nunca vi um manifesto desta magnitude publicado em jornal. Aliás, volto a repetir, mesmo nos piores momentos da ditadura não me lembro de tanta loucura junta, de tanto desgoverno,  de todos poderes e de tudo. Mesmo os mais malucos daquela época tinham um limite, tinham uma linha que não cruzavam. Agora cruzam todas em nome da manutenção do poder. Pior, esquerda, direita, centrão, tudo populismo puro, da pior espécie.

Óbvio que se tem que melhorar um monte de coisa, mas só se melhora ouvindo, conversando, afinando a orquestra. 
Quem apoia esta mudança, da forma como está sendo proposta, por favor leiam a história da GM de São José dos Campos, que é muito simbólica, boa referência para esta discussão.

O Brasil só entrará nos trilhos quando todos nós começarmos a conversar como adultos. 

De minha parte assino o manifesto. Não sou contra melhorar condições de trabalho e de vida de todos, mas não desta forma.

No Estadão estão quase 3.000 assinaturas. 







sábado, 6 de junho de 2026

Dia D

 


A água do estado de São Paulo está secando

 

Desculpem, senhoras e senhores, mas a responsabilidade não é só do governo, seja municipal, estadual ou federal. A responsabilidade deste e de outros descalabros é de todos. Silenciamos perante absurdos. Alguém aí já viu o rio Tietê ou quase seco ou inteirinho branco de espuma? Alguém aí já viu um vizinho lavando a calçada com esguicho e ensaboando o quintal com muita espuma para ficar limpinho? O que isto terá a ver com a condição do Tiete lá na frente, de Santana do Parnaíba para o oeste? Alguém aí já viu as invasões nos córregos que dão na Billings e Guarapiranga? Alguém se lembra do Projeto Córrego Limpo Sabesp/PMSP? Alguém aí deu bronca quando a água da pia ficou aberta sem parar no lavar dos pratos? Alguém tomou alguma providência para evitar o que temos hoje? 

Parabéns pelo projeto de recuperação das águas, mesmo que tarde. Nós, todos, sem excessão, nunca, jamais em sã consciência poderíamos ter abandonado tudo, principalmente a água vital.



O exemplo que dou a seguir é sobre como o poder público é lento, o que já sabemos, mas vale a pena repetir. Acompanhei o projeto de criação da ciclovia do Rio Pinheiros desde sei início. A ideia do projeto remete a 1980, com Sérgio Luis Bianco. Dos anos 80 até José Serra ter ordenado a implantação da ciclovia, passando por cima de muitos, foram 40 anos de reuniões e desacordos e sabotagens de cinco órgãos governamentais que tinham, e talvez ainda tenham, pleno poder sobre o rio, suas águas e margens. Foi dentro do processo que entendi o emaranhado descabido e inútil para o interesse público, mas próprio de vaidades. Pouco depois da inauguração da ciclovia encontrei Fabio Bueno, que por alguma razão estava metido no meio do processo,. Falei sobre o sucesso, o número de ciclistas, e ele disse que o que estava impressionando as autoridades era o aumento assustador das reclamações sobre a condição da água e das margens do rio. Ou seja, 1: chega de morosidade para agir, 2: quem vê se interessa, quem se interessa se mexe, 3: não é o parece, é o que é. Sem informação correta fica difícil.

Pelo que me lembro, responsáveis pelo rio Pinheiros: CETESB, Emae, Enel, PMSP, Governo do Estado de São Paulo, SVMA, Secretaria de Obras, CPTM, STSP, etc... Sem assinatura de todos, não vai. Posso ter errado os nomes e siglas, mas dá uma noção da baderna. Outro exemplo, as pontes velhas e desativadas no Morumbi e Jaguaré tem projeto para servir para cruzar ciclistas entre margens. O projeto tem décadas....






sexta-feira, 5 de junho de 2026

Revolução industrial? Sabe quanto o Brasil está atrasado?

Já escrevi sobre a decadência da indústria brasileira de bicicletas, que chegou a ser a segunda ou terceira maior do mundo nos anos 80 e praticamente desapareceu. A razão é simples de entender: obsolescência industrial e mental de seus proprietários. A mental foi a mais crítica. O "sabe com quem está falando", tão brasileiro e típico de quem tem o mercado na mão e faz o que bem entende com ele. Aí entra o industrial, com máquinas obsoletas produzindo componentes com tolerâncias inaceitáveis em material de segunda linha, em outras palavras, baixíssima qualidade. Soberba para dar e vender e comemorar. Óbvio que subestimaram os usuários da bicicleta, que no exato momento que descobriram o que era uma bicicleta de verdade... tchau, prazer em conhecê-los.

Hoje num almoço entre ciclistas, se falou sobre porque o Brasil não tem uma indústria de automóveis totalmente nacional? Sacanagem das grandes? Falta de apoio do governo? Não, respondi eu, incompetência. A Embraer não está aí para todo o planeta ver? Então não dá para buscar justificativas em cima de teorias da conspiração.

Voltando às bicicletas, fora os erros grotescos que aconteceram que não estavam restritos ao setor industrial, não tínhamos escala de produção, não tínhamos nome lá fora, o Brasil está longe de todos mercados..., e a questão fiscal, baderna de 54 impostos, burocracia. Enfim, problemas existem para serem contornando - se houver interesse.

Bom, enfim, agora, tempo de campanha eleitoral, é que se discute o que fazer com o atraso da indústria nacional. Só agora? É muito perigoso o Brasil não ter um setor industrial que funcione com um mínimo de qualidade e produtividade rentável. Já era claro que para voltar a ser minimamente competitivo tem que acertar muita coisa para chegar na indústria que se tem lá fora, automatizada, eficiente, precisa, produtiva, competitiva. 

Mas e se o nosso buraco for infinitamente mais embaixo? E se a diferença para a indústria de ponta agora for muitíssimo maior do que o mais eloquente dos delírios de um leigo interessado, aliás até de gente da área possa pensar? Quanto? Um automóvel fabricado, pronto para venda a cada 72 segundos, sim 72 segundos, da injeção da matéria em prensas até o carro completamente finalizado, pronto para venda. Se o vídeo que está ai é fato, e parece que é, não é a indústria brasileira que dançou, é o planeta que vai dançar rapidinho. Tudo indica que não é fake, portanto nós estamos na idade da pedra.

Pequeno estúpido detalhe, a versão esportiva deste treco fabricado em segundos é o carro com volta mais rápida em Nuburbring, o que em outras palavras significa uma inacreditável "estupidez" de tecnologia. 

Prestem atenção nos fatores macro econômicos. É assustador. 

Esta maluquice apavorante, um carro novo a cada 72 segundos, me faz lembrar a história da GM de São José dos Campos. E outras histórias mais de lutas sindicais..


https://youtu.be/kfpRz_GXe1A?si=hARQ4s4Yb4Jg2MKq


segunda-feira, 1 de junho de 2026

Por uma discussão honesta sobre a velhice

Velho, idoso, a melhor idade, preferencial, ou a PQP. Vamos começar pelo o que as pessoas melhor entendem, dinheiro.
O que é ser velho? Quem é velho? Velho para sí? Velho para a sociedade? 
Velho. 

Qual é o lado da finitude que praticamente ninguém quer ver? Velhice não é um passo da finitude? O que o idoso é aqui no Brasil? Faço aqui um olhar para o que está fora do prumo, e quem está no meio do pântano sabe bem como é. 
Uma coisa é a propaganda, outra é a realidade crua de boa parte dos idosos.

Quanto custa um velho ou velha? Quem tem um velho doente em casa sabe. Custa dindim, custa trabalho, custa desgaste, custa, custa, custa, custa...
 
"Velho não pode!" Idoso? Melhor idade? É a mesma coisa que velho. Politicamente correto? É  mesmo? A designação deve ser correta, o resto é o resto? Fila preferencial? "Vai mais rápido..." Vai mesmo, então entra nela.
Então volto ao ponto que interessa mesmo: quanto custa um velho? Óbvio que custa, para todos, disto não se escapa.

Ok, ela ou ele tem aposentadoria, então não custa nada, muito pelo contrário, responderá. Ok. (Errou!!!) Então vamos ao outro lado das aposentadorias, aquele quando ela ou ele, a ou o aposentada/o, sustenta a família. Bom, e daí é moleza, até quando acabar a aposentadoria, portanto o aposentado morrer, ou seja, a fonte de renda acabar. "O vleho não pode morrer!" E então, como ficam os 'dependentes'? (Dependentes ou chupins?)
Quem paga a aposentadoria? De onde no final das contas sai o dinheiro? Dinheiro público, portanto todos cidadãos estão pagando.

Aposentadoria acaba, a entrada de dinheiro acaba, e um pequeno detalhe que não se fala: é um problema que afeta e afetará a macro economia. Uma série de negócios vão perder um cliente, o dinheiro do aposentado, principalmente o negócio da velhice, que começa na farmácia e termina no sistema hospitalar. Velho dá lucro? Upa! e como! 
Em quanto por cento as aposentadorias ativam a estrutura econômica da comunidade, do bairro, da cidade? E do país? Você já viu os dados? Eu não. Sabe o impacto na estabilidade econômica e social que a falta da entrada da aposentadoria causará no macro?

Não faz muito saiu um artigo fazendo uma análise exatamente sobre esta questão macro economia, e é pior do que eu próprio imaginava. Toda uma estrutura imobiliária está pensada para os idosos aposentados, estrutura esta que no futuro não estará ano alcance das gerações mais novas. E é só um lado da questão. 

Entre família, com quem sobra o idoso dependente?
"Você é o responsável...". Vamos à verdade, na maioria dos casos a pessoa entra num processo irreversível natural à velhice e todos se afastam, saem correndo. O idiota que sobrar que se vire. Agora, morreu, tem dinheiro na jogada, aparece tudo de volta e começa o salseiro, todos foram bons filhos, netos, sobrinhos, amigos... Estou sendo cruel? Uai, pergunte a qualquer advogado de família e ele vai contar muitas historinhas interessantes. Criminalista acha muito mais leve que (advocacia de) família.
Apoio, presença, uma ligação, saber notícias? Nicas. "Vai mané, vai que a bola é sua!" Você já teve que cuidar de um idoso disfuncional? Já conversou abertamente com quem sobrou com um idoso na mão?

"Bom, se o idoso é uma bomba, o que se pode fazer com ele?"

Você já entrou numa casa de repouso? Já entrou num asilo? Sabe quanto custa?

Uma das melhores respostas que tive foi: "Você já teve uma conversa aberta e honesta com um idoso que está consciente sobre sua situação? Já ouviu de um idoso que é consciente dizer que seu tempo acabou?" Já ouviu "Quero que acabe"? 

Morrer em casa ou ser ressuscitado sem parar numa casa de repouso? Morrer ou virar fonte de renda para terceiros? Pelas informações que estou tendo, velhice é muito rentável, para muitos, se não para todo um setor montado para 'acolher e dar uma boa vida ao idoso'.

Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência:
"Eu não sou o que vai decidir (sobre entrar nos cuidados paliativos ou deixar ir)". 
"Se não fizermos a intervenção (absurdamente cara), morre" - Conversa entre parentes sobre um paciente já praticamente morto. Intervenção realizada, paciente morto em seguida. Óbvio que a intervenção teve que ser paga pela família.

Acompanhar, vivenciar, tratar, organizar, segurar as pontas. Sim, com certeza, mas de que forma. O que temos agora é mais uma distorção social e econômica que precisa ser discutida se chiliques.


Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência:
A senhora está vegetando faz anos. O filho não consegue aceitar seu fim e gasta fortunas para tê-la maquiada, penteada, bem vestida com roupas que ela teria usado quando tinha lá seus 60 anos ou menos. Hoje está perto dos 100. O filho faz questão de sentá-la na cadeira ao lado, pegar um braço semi morto dela para jogá-lo por trás do seu pescoço, deitar a cabeça no ombro dela. A cabeça da senhora não se sustenta mais. Nada se sustenta. A cuidadora sempre sentada atrás da idosa atenta no teatro de mantê-la 'viva'. 

Quantas mulheres deram suas vidas para cuidar dos outros e estão terminando largadas? Homens costumam ir mais cedo, as estatísticas apontam.

Afetuoso não é sinônimo de respeitoso. Cuidadoso não significa respeitoso. 
Afeto a que, a quem, por que, com que fim?
Cuidadoso por que, para que?
Quem ganha, quem perde neste jogo de afeto e respeito? Sim, jogo de respeito, por que envolve um forte emocional socialmente bem estruturado e porque não dizer doutrinado pelos mais variados interesses, ou jogos sociais.  

A quem interessa o que está aí em relação à velhice? Quem leva vantagem? Quem perde? 
Não tenha dúvida que os grandes perdedores são os idosos, até mesmo aqueles que dizem serem tratados com "afeto e respeito". 

Escrevo este como um idoso de classe média alta que acompanhou de perto a velhice até seu fim de avô, avó, mãe, pai, amigos e agora prima, além de outros. Escrevo este como alguém que esteva junto a adultos próximos à dita velhice e que viveram aqueles anos com angústia da aposentadoria ou pior, do cancelamento social, sim cancelamento social, e é este o termo correto para a imensa maioria dos que cruzam os 60. Melhor e mais justo, ou muito pior, com as imposições do mercado de trabalho a partir dos 50 anos. Virou velho, "está acabado" ouve-se em sussurros discretos.

Entregar uma boa aposentadoria? Prêmio de consolação? 



Olhar a rua, ver a cidade

No vídeo é citado o absurdo Minhocão do Maluf. Primeiro, foram pouquíssimos os que se manifestaram contra o projeto e sua construção, mesmo entre urbanistas e arquitetos. Uma reportagem publicada faz muito levantou o nível de degradação que o Minhocão causou até bem além das redondezas. No entorno direto a degradação é absolutamente clara e inegável. Segundo, o longo tempo de discussão sobre o que fazer com aquele aborto urbano diz muito sobre nossa total falta de compreensão do que deveria ser a dinâmica organizacional e de crescimento de uma cidade. Terceiro, a luta para transformar aquilo em um parque é triste, porque não se importa se alguns problemas crônicos causados pelo viaduto permanecerão, e estejam certos, permanecerão.

A luta deveria ser por colocar aquilo no chão, seja por uma questão de qualidade de vida nas avenidas e ruas que estão debaixo ou ao redor dele, como pelo custo de médio e longo prazo para sua manutenção. Estudos mostram que desmontar e aproveitar as vigas é a saída mais barata em vários sentidos. 

Digo que o Minhocão foi e continua sendo um simbolo da ignorância brasileira sobre o que deveria ser uma cidade. Não é sobre a criação de um parque para um número de cidadãos, mas sobre a vida de todos cidadãos, incluindo os moradores do entorno. Não é sobre o desejo de um determinado grupo, é sobre a cidade.

Querem um parque ali? Acho mais que justo, acho necessário. Pois então que lutem para transformar algumas ruas em vias livres de veículos motorizados, incluo aí as malditas auto propelidas. 





Brasileiro aceita corrupção

Brasileiro aceita corrupção? Que é isso? Você jura? Todos, sem exceção, e não estou falando dos que estão lá, mas cada um de nós, todos. Quem aí não joga lixo no chão? Quem aí se comporta com civilidade no trânsito? Quem aí não pagou um guardador de vaga, um segurança particular? Quem aí deixou de fazer algum B.O. que por lei seria obrigatório? Quem aí não silenciou perante uma ilegalidade, uma contravenção? Quem aí não se fez de guardião da lei e dos bons costumes passando por cima da lei e dos poderes constituídos? Quantos estão se movendo para frear este país indescritível? Faz mais de duas décadas que o que acontece neste país é mais que incompreensível, é absolutamente inaceitável em todos termos. Faz mais de duas décadas que o pais vem degringolando pesado, com sucessivos escândalos de cá, de lá, de acolá, dos grandes, dos médios e dos pequenos, de todos, de todo mundo. Quem se mexeu para dar um basta? Quem teve coragem? Agora, quando está escancarado que nada mais escapa da vergonha, vai faltar coragem, vai faltar bom senso, hombridade, para buscar uma saída. Vamos apostar numa solução, num caminho que nós levará a três décadas de escândalos, corrupção, roubos, assaltos, mortes, insegurança, analfabetismo funcional generalizado, nem-nem... É isto? Este será nosso marco civilizatório que deixaremos para o futuro de nosso filhos e netos? É com isto que você quer viver o resto de sua vida? Uau! Parabéns, você merece!

https://www.instagram.com/reel/DZAapGkxVZb/?igsh=Ym45aHlldWo3bm9z

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Brasil, o que eu posso ajudar?

Estou feliz. Tem gente da sociedade cívil se mexendo para tentar recolocar este país nos trilhos. O SPIW, São Paulo Innovation Week, foi um grande passo para entender onde estamos e discutirmos o que fazer com o nosso futuro. O 'Brasil Avante', ciclo de debates e propostas para o futuro governo do Brasil é um importante passo para o país corrigir erros crônicos, parar com o desgoverno, a baderna, a maluquice que vivemos. Tenho 71 e nunca vi nada igual ao que esta acontecendo. Deprimente. A sociedade cívil se mexer - civilizadamente - tem tudo para dar bom resultado. É assim que foi feito e assim que se faz em todo lugar e por toda história moderna da humanidade. Sempre foi a alternativa mais acertava para chegar os melhores resultados.

Hoje aconteceu o primeiro debate, que prefiro dizer 'falas'. Foi bom, mas esperava mais, mais tempo, mais respostas... Acredito que eles saibam o que fazem, e tenho certeza do nível de ansiedade que tenho para ver um rumo certo tomado.

Enfim, é um ótimo passo a frente.

Eu cito com frequência a Casa Madre Teodora. Achei no Google uma explicação breve sobre o que foi realizado ali. Sei que o detalhamento do plano de governo Montoro foi muito mais profundo. Lembro do grupo que trabalhou a questão ambiental urbana e que dentre outras coisas já pedia que fossem plantadas árvores frutíferas originárias da Mata Atlântica para trazer de volta a cidade pássaros que se alimentassem de insetos, em particular cupins, um problema ainda hoje sério. Encabeçando o grupo de estudos e propostas estava Aziz Ab'Saber, já então considerado como uma sumidade internacional em geologia.

Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Eduardo Suplício, Orestes Quércia, Walter Feldman, economistas que estruturaram o Plano Real, Miguel Reale, José Carlos Dias, participantes da Constituinte, e inúmeros outros mais nomes de destaque na história do Brasil não só participaram, mas estruturaram o Plano de Governo Montoro, que acabou fazendo muita diferença boa para todos nós.

Da pesquisa no Google:

A "Casa da Madre Teodora" foi a residência paulistana onde intelectuais, técnicos e militantes elaboraram o plano de governo de Franco Montoro para o Estado de São Paulo (1983-1987). O endereço tornou-se o berço da chamada "Turma Sorbonne", grupo que desenhou propostas democráticas fodas na descentralização e participação popular.O Grupo da Madre Teodora localização: A casa servia como um espaço aberto e informal de debate.Integrantes: Reunia jovens acadêmicos, sanitaristas e especialistas, muitos dos quais assumiriam posições de destaque na política nacional.Apelido: Devido ao peso intelectual das discussões, o grupo foi carinhosamente apelidado de "a turma Sorbonne".Pilares do Programa de Governo participação e Descentralização: O programa baseava-se em uma gestão democrática e participativa, buscando descentralizar o poder estadual e valorizar os municípios.Questões Sociais: Houve forte priorização de problemas concretos da sociedade, como educação (municipalização da merenda), saúde pública e agricultura.Legado: As propostas forjadas nessa casa transformaram-se em ações governamentais amplamente debatidas pela sociedade civil.Para aprofundar-se no contexto e nos impactos do plano elaborado, a trajetória e a documentação desse período podem ser exploradas através do acervo histórico do Memorial da América Latina ou do histórico da Fundação ITESP.

domingo, 24 de maio de 2026

'Brasil Adiante", ciclo de debates, propostas para o futuro imediato

Talvez seja a melhor notícia que leio faz um bom tempo. Vivenciei a Casa Madre Teodora, 1982, onde foi feito o projeto de Governo de Franco Montoro para o Estado de São Paulo, e sei o quão importante foi reunir cabeças de ponta para ter um projeto com propostas concretas de recuperação do desastre deixado pelo governo Maluf, que foi um horror, mas fichinha perto da baderna que vivemos agora. Não falo de ideologias, mas da devastadora desordem geral destes dias. Da Casa Madre Teodora saíram projetos que mais tarde ajudaram a organizar e melhorar e muito o Brasil. Participaram ativamente e assinam o projeto de Governo Franco Montoro especialistas de inúmeras áreas, dentre eles alguns que mais tarde ajudariam a criar partidos ligados a diversas ideologias e princípios, de direita, centro e esquerda. O importante ali foi 'como posso ajudar', ou como posso colaborar para melhorar.

O ciclo de debates 'Brasil Adiante' começa bem, com Fabio Barbosa encabeçando. Conheço histórias da capacidade de Fabio através de pessoas que trabalharam com ele ou foram concorrentes, e só ouvi coisas boas. Uma das histórias sobre Fábio Barbosa me marcou muito: a forma como ajudou amigos vizinhos de infância relatada com emoção por um deles, meu amigo que já se foi.       

'Propostas concretas', claras, acima de tudo factíveis, é disto que o Brasil precisa urgentemente. Como diz Fábio, não havendo dúvidas sobre o diagnóstico e o objetivo final, que se possa divergir sobre o caminho - e ter um plano exequível entregue em mãos do futuro governante para os dois primeiros anos de governo do Brasil. Vamos lá.






quarta-feira, 20 de maio de 2026

A história do Renault Teimoso. (Quem? O que?) Lixo ou luxo

"Tá maluco? História do Renault Teimoso? Que porra é esta?". Este questionamento fiz a mim mesmo, e a ideia do texto ficou nos rascunhos por um bom tempo.

Ok, fiquei maluco, ou sou maluco, pelo menos um pouquinho com certeza, mas, contudo, entretanto, agora, teimoso, consigui fechar o que pensei apoiado em entrevistas / chamamentos para a SP Innovation Week sobre luxo.

Preciso procurar de novo um artigo muito bom comparando o gasto energético dos automóveis de 1960 para os de hoje, o ponto de partida para o que tínhamos em tempos passados e o que temos hoje, e aí não falo sobre automóveis, mas sobre forma, função, e sustentabilidade. Como disse um dos cientistas que participaram para a SPIW: 


‘Não há saída para crise climática dentro dos marcos do capitalismo’
Emergência climática é uma realidade. Não temos planeta B. Não há segunda chance quando se trata de corrigir a rota que estamos percorrendo

Prof. Josemar Carvalho



A história do Renault Teimoso

Luxo e inteligência, ou a íntima ligação do luxo - real - com o melhor da inteligência humana.

E aí vem uma enorme confusão sobre o que é luxo. Os gênios, os que têm uma inteligência acima do normal, os que sabem exatamente o que é luxo, que conhecem o público, que criam luxo, estes olham com muito respeito para algumas coisas - as verdadeiramente geniais - até as que vem da pobreza, que fazem parte da pobreza. Inteligência é inteligência, não é aparência. Em outras palavras, luxo extrapola e muito o conceito rasteiro, e pobre, muito pobre, sobre o que é luxo, e ou sua ligação íntima com custo, dinheiro, riqueza. 
Aliás, o que é riqueza, a real?


Renault Teimoso? Um luxo? Estou louco? Não. Renault Teimoso, VW Pé de Boi, Citroen 2CV, Renault 4, Mini Morris, Fiat Panda, e outros carros extremamente básicos, funcionais, econômicos, eficientes, e principalmente de impacto ambiental baixo na produção e uso. Funcionariam hoje? Aposto que seriam um fracasso. Mas o conceito básico deles é um luxo total, alguns são coisa de gênios, basta colocar na perspectiva correta.

O que é luxo? O que é luxo hoje? O que deveria ser luxo?

Trabant 601 se encaixa aí? A meu ver não, pelo menos no sentido mais amplo. A ideia básica é boa, a qualidade é ruim, o bichinho foi muito mal fabricado, tipo o povo precisa, não tem outra opção, que se danem. Estes são elementos básicos do luxo - da inteligência? Não. Luxo tem uma relação muito forte com qualidade. E qualidade com inteligência.

No meio de um bate papo com uma executiva de primeira linha que tem olhos bem abertos para o que ela considera luxo, veio a baila a importancia de ensinar o que é qualidade para os filhos e mais jovens, quando fui bruscamente interrompido por um "Como assim, qualidade?" disparado por ela. Eu e a senhora ao meu lado ficamos desnorteados com o questionamento, mas não deveríamos, é só mais um sinal claro do porque de nossa pobreza, e aí entenda o que seu luxo de cabeça quiser. 

O Renault Teimoso é um Renault Dophine / Gordini rapado de toda e qualquer coisa não essencial para a função mais básica de um automóvel, ou seja, transportar pessoas e cargas de lá para cá . Dophine é um projeto muito inteligente, revolucionário para sua época. Não teve o sucesso devido por problemas de qualidade,  não de projeto. O Teimoso é tão espartano, tão limpo, tão cru, que caiu no "tá de gozacão?". 
Agora, Teimoso, Pé de Boi, e outros extremamente básicos são hoje o máximo do luxo ambiental.  Ou seriam caso seus conceitos básicos fossem a base para automóveis modernos que incorporassem tecnologias funcionais que surgiram nestes anos. Nada de vidro elétrico ou de confortos exagerados. Economia, racionalidade, eficiência, isto sim. Para que serve um monte de opcionais que nunca serão usados? São um luxo? Isto é luxo? O meio ambiente que se dane?

Acho que o primeiro Gol, o quadradinho, pesava em torno de 700 kg. Um Teimoso pesava menos. O mais básico dos básicos de hoje pesa uns 300 kg a mais, muito em razão de um montão de coisas dispensáveis. Quanto é o gasto energético por quilo? A resposta mais direta e facil de entender está num comparativo com base científica feito entre ciclistas profissionais de diferentes pesos, e afirmo, é muito. 

Automóvel, luxo, bicicleta, energia? Enlouqueceu de vez?
Básico: quanto mais pesado, maior o gasto de energia para se movimentar; física pura e inequívoca.

No país onde o luxo extravagante surgiu, França, a história dos automóveis que foram criados no pré e pós WWII,  são um luxo de inteligência. Forma e função levados ao mais alto grau de responsabilidade social. Ok, a fabricação foi francesa. "Life is too short to drive a french car", diziam os americanos, lá com suas boas razões. O Daphini vendido no mercado americano derretia - literalmente - em uns dois anos.
 


Este vídeo conta a história do Honda CVCC de 1969, o carrinho que mudou a história da indústria mundial: simples, funcional, durável, economico. Como tudo realmente deveria ser.


E chegam os japoneses, olham, entendem, copiam tudo que aprenderam das melhores ideias e projetos, com uma grande diferença: o fazem com uma qualidade apurada, da correção dos erros, detalhes, ao processo de produção e produto entregue ao consumidor.

Eu teria um Renault Teimoso? Não, por uma simples razão, eu sou muito grande para conseguir dirigi-lo. Mas um Renault 4, um pouco menos básico e bem mais espaçoso por dentro, com certeza. Ou um Fiat Panda, o da primeira geração. Minha dúvida aí é cruel. Hoje dirijo um Honda Fit primeira geração, no final das contas tão genial, tão funcional,  inteligente, tão luxo quanto um destes carrinhos que citei.

Escrever sobre o Teimoso? Não, sobre o luxo que é pensar com qualidade o que é luxo de verdade. Quem não entendeu agora provavelmente entenderá num futuro não muito distante.

‘Não há saída para crise climática dentro dos marcos do capitalismo’
Emergência climática é uma realidade. Não temos planeta B. Não há segunda chance quando se trata de corrigir a rota que estamos percorrendo
Prof. Josemar Carvalho

domingo, 17 de maio de 2026

"Se não fizer o que eu quero, eu me mato..."

- Eu me mato! ela disse pelo telefone.
De saco cheio com as constantes ameaças, não tive dúvidas - Estou almoçando. Faça o que bem entender. 
Nunca mais tive notícias, mas como dizem os franceses, "sem notícias, boas notícias". Ela está viva.
De minha parte, segui meu almoço sem qualquer remorso ou sentido de culpa. Aliás, que alívio!

Bom, e daí, e se tivesse dado ruim? 

Blefe! 

Comparar uma mama iídiche com uma italiana é boa piada;
- Se você não fizer o que eu digo eu me mato! diz a mama iídiche.
- Se você não comer a pasta que eu fiz eu te mato! diz a italiana.
Bom, mais que ameaça, palavras de mãe. Mãe é mãe. Comporte-se!

Mas... e se o mate ou morra pudesse se realizar sem a consequência definitiva? 

Morte: definitivo. Morreu, acabou, ponto final sem retorno. Os espíritas dizem que não é assim, mas isto é outra história.
Suicídio, o mesmo, acabou, ponto final sem retorno.

Aí chegamos às metáforas. E aqui estamos no literal. (Não estendeu?) Vale uma história sobre...

Caminhado com o amigo nascido naquela cidade, o recém chegado foi apresentado para um outro conhecido cidadão da mesma cidade. 
- Vem cá. Deixa te apresentar o seu João. Figura respeitada por aqui.
- Prazer, seu João 
- Prazer, meu filho
- Se alguém criar problema para você, chama seu João que ele resolve.
- Obrigado...
- Seu João é a melhor peixeira da cidade, e custa baratinho. Se o caso precisar de algo mais, ele também resolve.
- Não precisa de tanto elogio, meu filho, a gente faz o que pode.
(Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência)
Literatura de cordel? Ou motoboy com mochila de delivery? Ou pescador que limpa o peixe numa única peixeirada? Mais para a última alternativa.

Suicídio, é tido como um ato de desespero, uma forma de chamar atenção, ou uma forma de vingança que deixa o outro marcado a ferro e fogo. Ou os outros. Ou pode ser um ato silencioso de auto respeito. Ou pode ser ameaça de mãe-mãe, esta a mais assustadora.

O suicídio do comediante Robin Williams chocou a todos. Como pode uma pessoa tão divertida fazer uma coisa destas? Faz pouco soltaram a história verdadeira por trás da tragédia. Robin Williams estava sofrendo com uma doença degenerativa que demencía muito rapidamente e gera uma profunda depressão. Robin Williams optou por parar o processo.

Na vida só duas coisas são certas: pagar impostos e a morte. 
Bom, e daí, e se você decidisse e conseguisse não pagar impostos? É uma hipótese, ou uma alternativa factível, tem quem consiga fazer. E tem volta, afinal, pelo sim ou pelo não brigar contra o fisco é pior que sair no braço com o capeta. O capeta ainda se pode vencer, já os impostos..., nem o próprio demo arrisca entrar nesta briga.

Bom, e se você conseguisse enganar a morte? Hipótese muito pouco provável, mas vamos brincar. As mamas morrem todos dias e sempre voltam para dar bronca e ameaçar, não é  mesmo? No cinema não dá certo? Vamos supor que a medicina reverta a morte? E daí? Você se mataria para castigar o outro?


Vale a pena e muito a leitura.

Voltando aos impostos, se não resolverem esta baderna que vivemos aqu8 no Brasil nos matamos ou nos suicidamos? Bom, sem dúvida, a não aprovação de uma reforma tributária que diminuía a baderna dos mais de 50 impostos e racionalize nossas vidas será um suicídio coletivo, figurado,  tenho a dizer.

De qualquer forma, morte, assim como impostos, é sobre dinheiro, lucro. Tem muita gente ganhando e muito em cima da morte e do sofrimento de milhares. Quem pensa o contrário que se informe. A história da morte no ocidente é uma ótima leitura esclarecedora.

- Antes de minha mãe ficar doente (está há 10 anos numa cama vegetando) eu tinha horror de falar sobre morte. Agora eu tenho certeza que se deve falar e discutir o tema. Do jeito que está não dá
Sabia constatação de uma conhecida que vive o drama de ter alguém amado caindo aos pedaços e mesmo assim sem o direito a uma morte natural.


Eu sei que este é um tema que não é do agrado geral. Tenho repetido porque é inevitável. Um dia todos morremos. 
Semana passada ouvi pela primeira vez uma materia na grande imprensa exatamente sobre o direito das pessoas morrerem naturalmente, e o busines fortíssimo por trás cujo lucro depende de manter o "paciente" vivo. Quanto mais tempo, mais lucro. Morra com esta!








sexta-feira, 15 de maio de 2026

Eu sou inteligente. O outro é ignorante. Cuma?


Estamos mais inteligentes? Sabemos mais? Provavelmente. Mesmo o mais ignorante dos ignorantes de hoje tem muito mais informação que um qualquer do povão de tempos passados, principalmente nestes tempos de celular e internet. Mas ter informação não significa que o sujeito saiba pensar melhor. Conheço uma tonelada de pessoas ditas de elite, econômica e cultural, que sempre tiveram e continuam tendo pleno acesso a informação de qualidade e são umas bestas quadradas ambulantes.

Eu adoro a expressão que um amigo sempre usava para referir-se a estes que se acham inteligentes: "É um ostra com paralisia mental". É o que não falta. Os ou as piores são aquelas / aqueles que se acham um gênio, os famosos ou as famosas que acham a "Última bolacha do pacote".

Na busca pelo Google: Inteligência é a capacidade mental de aprender com a experiência, adaptar-se a novas situações, compreender conceitos abstratos e usar o conhecimento para manipular o ambiente ou resolver problemas. Envolve raciocínio, planejamento, criatividade e memória, sendo descrita tanto como uma habilidade geral quanto por múltiplos tipos (lógico, emocional, social).

No geral, no jargão popular, quem era considerado inteligente num passado não muito distante, uns 40 anos atrás? Quem conseguia decorar as lições, que por conseguinte tirava boas notas, os CDFs. Os que vão na escola, são bons no trabalho, ou para o povão "os que sabem das coisas". Alguns de fato eram e são. Este conceito geral de inteligência ainda vale ainda para a maioria. Boa memória faz muita diferença na venda de quem se é. Pequeno detalhe, memória até pode ajudar na formação da inteligência, mas não é inteligência, é memória.

Tive a sorte de ter conhecido algumas pessoas bem fora da curva, uns de memória excepcional, outros de inteligência excepcional, e os que juntavam as duas. Não tenho dúvidas que conviver com quem tem memória acima da média é muito mais agradável porque eles a usam como ferramenta de poder social relembrando fatos e nomes com uma facilidade invejável. 
Já os superdotados..., bem, estes são um pouquinho mais complicados, só um pouquinho. Cito dois, um fechado em sí próprio, arredio, difícil de conversar. O outro expansivo, comunicativo, explosivo, como definia seu filho "Não é se ele vai ou não brigar com alguém, é certeza que num momento ele vai aprontar uma discussão pesada, resta saber quando". Os dois fizeram coisas na vida completamente fora da compreensão dos normais, da família, amigos e os que trabalharam junto.

E há o que a ciência definiu não faz muito, faz uns 30 ou 40 anos, como inteligência específica. Garrincha fora das quatro linhas, o campo de futebol, pensava quase como uma criança. Já  jogando um mundial foi 'a' diferença, um gênio, inteligência de jogo e habilidade incomparáveis. Numa partida decisiva para o Brasil, com placar contra, Garrincha entrou sozinho na área, diblou um, diblou dois, ficou de frente para o goleiro sozinho, voltou a diblar os zagueiros, e só então fez o gol. No vestiário os que viram tudo aquilo e quase enfartaram, perguntaram para ele se estava louco, porque não tinha marcado o gol na primeira vez que ficara de frente para o gol. Garrincha respondeu com toda a sinceridade: "O goleiro não abria as pernas".

Voltando: inteligência específica é a capacidade de pensar e resolver bem situações muito específicas. Um favelado criou barracos dobráveis, que permitiam desmontar e montar a pequena favela muito rapidamente, alguém avisava a chegada do rapa, e eles desapareciam. Outro favelado, um velho senhor, criou uma favela com a mesma técnica de castelo de cartas, se tirasse uma parede caia tudo, mas a estrutura era muito firme e estável. Um velho trabalhador de uma tecelagem entrava no setor de produção e sabia qual máquina que estava com qual problema, com um detalhe, um setor de máquinas de tear faz um barulho ensurdecedor, mesmo assim ele não errava. Um pescador, já muito velho, subia num morro e orientava os pescadores onde estavam os peixes, isto a centenas de metros de distância. Inteligências específicas. 
  
Se a sociedade fosse treinada para perceber e aproveitar estas inteligências estaríamos muito mais bem arranjados. Por uma série de razões, inclusive pela venda que todos somos inteligentes e que cada um de nós temos que lutar pela própria inteligência para garantir um lugar ao sol, não interessa reconhecer uma inteligência que seja de fato útil a todos. O outro é uma besta e nós somos inteligentes, ponto final.



Eu sou inteligente? Não! sou invejoso, muito invejoso da inteligência dos outros, as normais e as específicas, e os fora da curva, os superdotados. Adoro conviver com eles, agradeço muito a benção de ter tido vários 'malucos' por perto, da mesma forma agradeço muito não ser um deles.