Choveu três meses em uma hora e encheu o túnel do Anhangabau. Vários carros e ônibus ficaram submersos. Parou tudo. Prejuízo para todos.
A solução? Uma série de ações, alguns piscinões nos corregos da Nove de Julho e da 23 de Maio e outras obras. Piscinões, a obra predileta entre politicos e população para controlar as enxurradas enfurecidas. Única solução? É grande, é visível, dá voto, o povo gosta, o povo acredita, o povo apoia.
Quais são as prioridades máximas da cidade neste momento? Alguém sabe? Não falo sobre as que cada um de nós tem na cabeça, mas prioridades, urgências urgentíssimas vitais para o futuro de todos? Prioridades que resolverão problemas graves que nos afetam que trarão benefícios a médio e longo prazo para todos?
De uma maneira muito fria: quanto custa postergar prioridades prioritárias que beneficiarão milhões de cidadãos comparado com evitar que algumas dezenas ou mesmo centenas de carros naufraguem algumas poucas vezes por ano? Sim 'prioridades prioritárias', um erro de linguagem ou uma hipérbole para denunciar a nossa despreocupação, desinteresse, com o que realmente é prioridade?
Como evitar naufrágios generalizados e previsíveis pela cidade que por mais que se faça continuam acontecer? Será a repetição do mesmo a solução? E daí, o que mais?
Deveriam ser divulgados a público estes projetos de contenção de enchentes, pelo menos o funcional, que é o primeiro estágio de qualquer projeto público. É nosso dinheiro que paga e temos o direito de palpitar. Aliás, deveriam ser colocados a público todos projetos e ideias de como resolver a situação, esta atual e todas outras, sem exceção.
Ter que lidar com um clima tão imprevisível é um grave problema para qualquer administração. Uma chuva de três meses em uma hora é um absurdo que dificilmente será resolvido definitivamente, esta é a verdade. Nada é projetado sob a ótica do excepcional. Tudo é projetado dentro de uma tolerância, de um nível de excepcionalidade, mas não absurdos.
Seria interessante os jornais e meios de comunicação publicar matérias sobre como se constrói os custos / benefícios de uma cidade, de seus projetos e obras. Quais são os desvios e tolerâncias estabelecidas por lei?
A pergunta que deve ser respondida é 'vale a pena deslocar uma montanha de dinheiro para uma obra que terá uso uma ou duas vezes por ano, ou mesmo em anos? Não haverá outras soluções?'
Nenhuma cidade do planeta está preparada para uma mudança climática radical. As cidades brasileiras contam com um problema extra: o que está debaixo da rua é invisível e não dá votos. Em outras palavras, a cidade explodiu, cresceu uma barbaridade, e as obras de suporte para este crescimento são raramente vistas.
Como pensar prioridades? Temos que pensar com pragmatismo o que queremos como prioridades. Se fizermos, com conhecimento de causa e efeito, provavelmente algumas obras mágicas (eleitoreiros) vão desaparecer do mapa.









