Acabei fazendo um vídeo furioso sobre a construção de uma ciclovia de canteiro central na av. dos Semaneiros, Alto de Pinheiros. Nem me lembrava mais do início deste texto sobre o que deveria ser um sistema cicloviário e sobre o temos aqui. O vídeo está no final deste POST. Depois explico.
Entre 2005 e 2012 trabalhei e fui treinado por holandeses e americanos. Mais, coloquei dinheiro do meu próprio bolso para ir in loco ver o que eles estavam falando. Acabei conhecendo muito bem o que foi feito pela bicicleta em Amsterdã, Paris e NYC, e outras, e posso dizer ou repetir o que eu li, vi e me ensinaram: "a bicicleta deve ser uma ferramenta de transformação da vida na cidade". Todo o processo aplicado lá fora extrapola muito o simples "quantos mais km de vias segregadas melhor" que foi a diretriz aqui.
Agora, aviso, a última vez que estive em Amsterdã já senti na pele o que veio a ser a 'delicia' das elétricas estranhas circulando na ciclovia. E lá já começava um discussão pesada sobre o futuro do sistema cicloviario perante as 'autopropelidas'.
Perdemos, aqui no Brasil, a oportunidade de ter usado a introdução da bicicleta como uma ferramenta de transformação profunda no urbanismo errático de nossas cidades. A bicicleta deveria ter invadido e tomado espaços melhorando a vida de mulheres, crianças, idosos e pessoas com necessidades especiais, meio ambiente, ar, verde, paisagem, mobiliário urbano, diminuição da violência, reestruturação da micro economia..., etc..., etc..., etc... Foi para isto que a bicicleta despertou interesse na Europa e Estados Unidos, não foi única e exclusivamente pela mobilidade, pela luta contra os motorizados, pela bicicleta.
Agora é muito difícil que aconteça. A "luta" era uma, agora, com a baderna que instalou, inclusive nas ciclovias e ciclofaixas, é outra. Aliás, o que pretendíamos no passado é completamente irreal frente a realidade das elétricas que infestam tudo. Onde tudo isto vai parar? Ninguém sabe, e creio que mesmo os Europeus também não saibam. O exemplo vindo da Ásia pouco serve pela imensa diferença cultural.
Claro, quantas mais bicicletas elétricas e autopropelidos menos carros nas ruas, mais espaço publico e espaço privado de uso público.
Por outro lado, a magia da bicicleta está na circulação com velocidade em escala humana, o que aumenta a percepção do meio ambiente onde está passando, o que é elemento integrador. Já a velocidade mais alta das elétricas faz com que seus condutores tenham uma percepção muito reduzida do ambiente, quase a mesma de um motorista ou motociclista, o que é desintegrador.
Elétricas, como tudo indica, é o grito de vitória das motociclistas e Scooters. Bicicleta, mas bicicleta mesmo, aquela do arroz com feijão, é mais uma vez perante a história a grande derrotada, e junto com ela seus sonhos e realizações.
Aqui carecemos de um mínimo de noção do que é uma cidade para cidadãos, todos.
Quando ainda existia a Rádio Eldorado eu mandei um áudio para eles furioso sobre a marcação que estava sendo feita no canteiro central da Av. dos Semaneiros e que eu tinha certeza que seria uma ciclovia. Um pouco depois começaram a obra, que não foi para a ciclovia que então pensei, mas a troca da tubulação de água pluvial.
Lembrando a marcação que foi feita, é óbvio que era de uma futura ciclovia de canteiro central, a mesma que está sendo implantada agora. É um nojo. Vão extinguir as ciclofaixas para criar vagas de estacionamento para os fiéis da igreja? Vão.
As notícias bombas vindas de Brasília são resultado de algum desvio social feito a muito tempo atrás, mas de onde? A formação básica vem de casa, da família. A formação social vem de um convívio maior, mais abrangente. É aí que entra a cidade e sua capacidade de formar cidadãos. "O melhor espelho de uma sociedade é seu trânsito", Roberto DaMatta. Trânsito pode ser traduzido como cidade, a relação é praticamente direta.
São raros os cidadãos paulistanos que acham que o que vem acontecendo no desenvolvimento da cidade é bom. Quem tem um mínimo de esclarecimento sobre o que deve ser uma cidade está horrorizado com a selvageria urbana que estamos vivendo. Plano Diretor? O que temos é um abre alas libertino. Algumas das barbáries que vem acontecendo serão prejudiciais até para o mais selvagem dos capitalistas, o que dizer para os cidadãos paulistanos.
Não faltam exemplos sobre qual caminho seguir para a construção e manutenção de uma cidade que proporcione qualidade de vida para seus cidadãos. Assim como não faltam exemplos claríssimos do que não se deve fazer. Infelizmente não damos qualquer atenção aos bons exemplos e achamos lindo absurdos novos-ricos, absolutamente pobres de noção. Infelizmente poucos sabem quem é Jeanette Sadik-Khan e qual o impressionante legado seu trabalho deixou para NYC, mas muitos, muitos mesmo, acham uma maravilha um edifício palito que literalmente arranhe o céu. "Quanto mais alto melhor, mais bonito, mais chique". Quanta pobreza! Provavelmente estes ficariam extasiados frente a um dos edifícios palitos de NYC que provavelmente não sabem que rangem, trincam, fazem sombra, criam turbulências, barulhos, onde seus moradores com vista panorâmica tem que tomar remédio para não vomitar com o balanço. Chiquérrimo! Por isto estão vazios.
O pouco que foi divulgado sobre a liberação de áreas para novos edifícios mostra um completo desinteresse com a cidade, com a vida de seus cidadãos, com o futuro. Um deles tem tudo para ser a ponta de lança para o futuro sumiço da imensa área do Jockey Clube. Faz tempo que querem aquela área para projetos imobiliários. Danem se todos. Para que áreas verdes? De imediato a liberação da ilha entre a avenida Cidade Jardim e o Jockey atende aos interesses de um pequeno grupo de moradores que finalmente se livrarão de suas casas e obviamente aos das construtoras. Será só isto?
Atender a interesses mui particulares vem de longe. A saber, o projeto original do Parque Ibirapuera deveria ter ido até a avenida Ibirapuera. O Parque Dom Pedro... Os poucos luxuosos edifícios a direita da avenida Oscar Americano... São tantos exemplos...
Nunca São Paulo viveu um ciclo tão selvagem, tão depredador, como o que temos agora. Definitivamente isto não é civilizatório, não é urbanismo, não atende a preceitos de cidadania e qualidade de vida. Atende única e exclusivamente a interesses mui mui particulares. E cá para nós, pobres, muito pobres.
Quando eu jogava futebol, daqueles que amigos se reúnem num terrão meio esburacado, um dia apareceu um bonitinho pedindo para jogar. O cara era bom. No primeiro jogo fez uma ou outra reclamação, no segundo reclamou mais ainda e assim foi, até a coisa ficar insuportável. O cara jogava bem, mas virou insuportável com suas grosserias. Mas ninguém falava nada, ninguém pedia que ele baixasse a bola, fosse mais respeituoso. Até um dia que ele passou de todos os limites e um dos jogadores se colocou entre ele o amigo que estava quase sendo agredido. Com mãos para trás e olho no olho no bonitinho, foi empurrado, teve sua camiseta rasgada, enquanto gritava que aquele era o final, que o agressor fosse embora. Ninguém ajudou, ninguém se manifestou, ninguém fez nada. O bonitinho sumiu.
Tempos depois soubemos que estava jogando no campo principal com um grupo que entre eles tinha quem disputava o Desafio ao Galo, um torneio de várzea que fazia os times profissionais suar para valer a camisa.
Não demorou muito o bonitinho colocou as manginhas de fora. E logo veio a notícia que num dos seus ataques de fúria durante a partida os outros 21 dentro de campo, todos do outro time mais todos do próprio, cercaram e lincharam ele. Acabou todo quebrado, quase morto, na UTI de um hospital próximo. Nunca mais se ouviu falar dele.
A história é verdadeira, eu a vivenciei pessoalmente. Aqui serve como um conto, uma referência sobre o que vem acontecendo neste Brasil e que agora explode nesta divulgação de mensagens entre um ente do Supremo e o... 'Master', direi eu.
No campinho de futebol todos calaram por meses. Quando um solitário reagiu dando um basta, todos não só continuaram calados, como se distanciaram, quase como um sinal de "Não importa, deixa como está...", como se os meses insuportáveis passados fossem parte da vida.
No outro campo, a reação foi outra, furia coletiva que quase mata o sujeito.
Tenho perguntado em meus posts e comentários como se resolve a baderna que vivemos. Uma coisa tenho certeza, nem é esperar que alguém resolva por todos, muito menos entrar dentro da fúria coletiva e linchar. Sempre há uma saída que realmente dê bons resultados, sem consequências futuras. Via de regra é acalmar, juntar forças, pensar, ouvir, ponderar e agir de forma produtiva.
Eu sei, numa situação como a que vivemos manter a calma está bem difícil, mas é a única saída real para isto tudo. E concordo, que dá vontade de esganar, isto dá, mas repito, não funciona.
Só a inteligência nos salvará, a nossa, não dos outros ou do IA.
A maioria dos que falam sobre El Salvador Bukele não faz ideia sobre o que está falando. Sim, estão exaustos com a violência absurda que vivemos, mas desconhecem o que pode ser um regime autoritário sem freios. Eu vivenciei a vida de Buenos Aires, meses por ano, todos anos entre 1969 e 1986, portanto a dos militares e de Isabelita (peronismo raiz) com seu El Brujo, Jose Lopes Rega, no fim das contas a mesma coisa com roupa diferente. Eu vi a barbárie, escapei dela sem ter feito nada, só pelo cabelo comprido, falando português. Tenho família e amigos lá, falava fluentemente porteño, sem sotaque, não fui tido como brasileiro ou turista. Falar português talvez tenha salvo minha vida. Cabelo comprido era delegacia, sem saber se havia volta. A maioria do meu pessoal de lá, queridos, é de direita e mesmo os mais ferozes um dia deram um basta na estupidez. Aqueles tempos foram um desastre para o futuro da Argentina, os números provam, inclusive para a piora da segurança.
Repito, quem apoia uma loucura destas não sabe o que fala. Uma coisa é querer viver em segurança, outra é ter 'segurança' a qualquer custo, o que via de regra não resulta em segurança. A história da humanidade prova que no hay el salvador para a segurança, mas trabalho inteligente e persistência. Tolerância Zero foi isto, inteligência e persistência, não a besteira do "senta porrada" que repetem por aí.
Quem quer segurança, e todos queremos, está falando em eleger um dos dois lados que já mais que provaram que têm muita responsabilidade em toda a barbárie que vivemos. Os dois lados, um por longa omissão e por fazer ideológica vista grossa, outro por milíciar na cara dura. Qual a diferença entre os dois para nossa segurança futura? Pergunte a quem está no meio do fogo cruzado entre os traficantes e as milicias. Pergunte qual dois traz mais segurança. Quem cobra menos, quem ameaça menos. Quem melhorou as coisas, de segurança a todos. Vai lá, pergunte. E ouça. E não esqueça de perguntar sobre a presença do Estado para protegê-los. Ouça, e pergunte se por que o Estado é ausente.
Pergunta que não quer calar: os assaltos que temos com frequência são frutos do tráfico ou das milicias? Como você sabe que são do tráfico? Quem disse? Vorcaro? Quem então? Disseram? Todo mundo sabe? Estas respostas, tão óbvias, nos tem melhorado a segurança?
"NÓS OU ELES", esta será sua escolha para resolver a violência do Brasil? Sob este prisma, resta saber quem será o "el salvador" do Brasil. Sem dúvida, inteligentíssimo!
Os números que temos depois de décadas da esquerda PT estão ai, ponto final. São péssimos. A incompetência do PT e de suas esquerdas na segurança é notória, inegável. Mais, dados um discreto "Petrolão" (sumiço de 64 bi Euros), um Lava Jato (?), e outras 'cuecas' mais não serão uma razão para pensar? Tudo mentiras? Alguém se lembra dos famosos acordos da esquerda de Brisola com os 'donos' dos morros (publicados nos jornais da época)? O eterno apoio às ditaduras de esquerda nada democráticas, com vastos históricos de corrupção e violência de milícias, inclusive tráfico internacional? São incontáveis posturas e falas de apoio a estes. Não está totalmente errado quem 'imagina' que este governo, por diversas razões, falhou no quesito segurança pública.
Pelo outro lado, Bolsonaro e sua tropa carregam inúmeras 'suspeitas' sobre envolvimento com as milícias e outros 'exterminadores do futuro'. No âmbito pessoal da família, o poleiro também 'parece' estar bem sujo, aliás, e mal preso (entre as telas). A pátria mãe dos bolsonaristas é um estado que tem quantos ex governadores presos? Cinco? Seis? O estado onde mandam e desmandam é o que as maledicências 'dizem' exportar crime organizado, negócio altamente rentável e quase intocável. Que maravilha! Como sequer conseguem resolver a própria segurança correm para baixo das asas de Trump. 'El Salvador' é fiel, nos trará a segurança. Você realmente acredita nisso? Vai continuar acreditando quando seu filho for sumido sem razão, ou, pelo bem da segurança? "Não vai acontecer com os meus". É mesmo? Boa sorte.
Espero que consigam abrir este Instagram do Obama mandando o público, seu público, respeitar um senhor que grita algo no meio do estádio lotado com um cartaz do Trump nas mãos. Obama explica para toda audiência porque ele, o senhor que protesta, de ver respeitado.
Estou digitando isto no meio de um acesso de choro que não para e casa vez dói mais. Estou velho, fiz o que pude como cidadão, gostaria de ter feito muito mais, mas muito mais mesmo, e tudo que gostaria de ver, de ainda ver, seria um Brasil onde as pessoas conversassem feito gente, que tivessem respeito pelos diferentes.
Ouvi mais de uma vez que o que está acontecendo aqui é um fenômeno mundial, mas eu estou aqui e acredito piamente que o primeiro passo para o bom caminho se dá dentro de casa.
Brasil precisa com urgência urgentíssima um governo que seja socialmente responsável, seja de esquerda ou de direita. Em outras palavras, um programa pragmático que junte as duas pontas, a da urgência social com a ciência do bom capitalismo, ou seja, o que é conhecido como socialismo de resultados ou capitalismo social. Os dois 'semi deuses' que cavalgam em larga vantagem para esta futura eleição não passam de ditadores populistas altamente destrutivos para o país. Seus seguidores, leia-se partidos, querem o poder a qualquer custo, em benefício próprio, creio que está mais que provado.
O PT não é esquerda. O PT usa a esquerda para manter-se no poder, o resto vão levando, os 20 anos de poder que o digam. A qualquer custo, óbvio, no rabo de todos brasileiros, inclusive pobres e oprimidos. O deus dos pobres e oprimidos que carrega o PT e boa parte da dita esquerda brasileira tem um passivo enorme, para começar e principalmente pelo que falou e segue falando, e nos resultados reais apresentados. Educação básica? Escolas, creches? Saúde? Esgoto tratado? Segurança?...
PT, desde seu início, sempre foi o dono da verdade social única e inabalável. Mesmo quem fosse de esquerda, se discordasse era tido como um imbecil de direita. O tempo demonstrou quem eles, PT e petistas, realmente são. Só falta aparecer provas que os fiéis a Lula e os fiéis a Bolsonaro entraram em acordo para apagar a Lava Jato em benefício mútuo, uma teoria da conspiração que tem lá sua razão.
De minha parte tenho alergias a todos estes, e incluo os ditos Fiéis a Deus que não sei por que ninguém fala. Medão? Levantem o histórico dos bíblicos nos legislativos e comparem com o que vem acontecendo no Brasil, e tirem suas conclusões.
Ou seja, o Brasil está repartido em três. O povão gosta. Quanto mais frágil e precário é o ser, mais necessário é ter convicções inabaláveis para se manter em pé. Para populistas, autoritários e ditadores ter um povo que cale com convicção é vital. É o que temos aqui. Seja fiel, ou seja Fiel, a escolha é sua, mas sempre fiel.
PT não deve explicações. O que já fizeram deixa claríssimo quem são. Lula é inocente, nunca soube de nada. Todos petistas são inocentes, o que há de melhor da ética, moral e responsabilidade social que este país teve. Lulinha é inocente. Óbvio que....
Falando em inocência, Bolsonaro não deve explicações. O que já fez deixa claríssimo quem é. Bolsonaro e seus filhos são o que há de melhor na ética, moral e responsabilidade social que este país teve. Todos fiéis bolsonaristas são inocentes, o que há de melhor da ética, moral e responsabilidade familiar que este país teve. São todos inocentes. Óbvio que....
Como sempre os comentários sobre o editorial do jornal são divertidos. Haja fé inabalável, e não só pelo lado do PT. Não resta dúvida que brasileiro é um povo de fé inabalável em suas verdades e convicções. Quando se fala algo contra, tudo são mentiras e ofensas. Que seja.
Como estamos numa era politicamente correta não posso escrever o que corre entre amigos ou qualquer um que se converse, mas garanto que os leitores dariam boas risadas. Num jantar entre conhecidos contei que estava passando um abaixo assinado pedindo uma lei com punição não muito ortodoxa, por assim dizer, para peões de obra que fizessem alguma barbaridade ou descumprissem a palavra. Todos na mesa deram total apoio as gargalhadas, mas uma amiga, das bem politicamente correta, ficou indignada e quase saiu da mesa. Tempos depois foi a vez dela fazer uma reforma, e nós, bons amigos, perguntamos como estava indo. Ela deu um tapa na mesa e falou em alto e bom tom: "Traz o abaixo assinado que eu assino e encaminho".
Sem piadas, é um absurdo o que acontece em obras. E nós somos responsáveis pelas barbaridades. Silenciados, não nos movimentamos para colocar um basta geral, para rever e propor leis que permitem esta situação. "Coitadinhos"? Boa parte do que acontece acredito ser de fé para lá de duvidosa, primeiro ponto. E não sou o único com esta sensação, muito pelo contrário, é reclamação comum até entre os de baixa renda. Eles são os poderosos e nós os idiotas, os imbecis que não sabemos nada, que temos que calar e pagar.
Mas há mais em jogo. O índice de perda e problemas que temos na construção é absurdo, dane-se nosso bolso, a piãozada está fazendo e andando, quer o dela e ouse protestar ou não pagar. Então, o segundo ponto está dentro do custo Brasil. O terceiro, que me foi dito por uma boa advogada ligada ao setor imobiliário: a construção civil continua bombada por que se parar a maioria dos seus trabalhos não conseguem outro emprego, são disfuncionais para as exigências de todo mercado atual. O quarto ponto é.... Dou um doce para quem acertar.
O que acontece numa obra extrapola e muito as dores de cabeça de quem a contrata. É inaceitável que os brasileiros ainda não tenham feito algo para por ordem aí, ou pelo menos fazer com que o processo todo seja respeituoso, o que hoje definitivamente não é. O que está em jogo não é a sua obra, mas o futuro do país.
Só mais um detalhe, quem escolheu aquela foto do cinturão de ferramentas nunca fez uma obra em casa. Caso tivesse realizado, saberia que as ferramentas estariam espalhadas por tudo quando é canto, sujas, deformadas, quebradas, impróprias, e não demorariam a "se perder". Ora, ferramentas tem pernas, e assustadas saem correndo da obra. Como assim voce não sabia?
Lá vem a briga de sempre, o famoso "Eu quero metrô, mas não deste jeito, não como eles (Metrô) querem".
Não defendo ninguém aqui. Coloco minha profunda irritação com a forma como mais esta questão está sendo discutida. Sim, é óbvio, dentro de um grupo social, como numa cidade, há interesses particulares, interesses coletivos de um determinado grupo e interesses gerais da cidade. Reafirmo mais uma vez: brasileiros não sabem o que é uma cidade. Se soubessem as conversas e discussões estariam nos levando a futuro melhor. O que temos hoje é um futuro incerto, um presente caótico, uma falta de inteligência generalizada.
A pergunta óbvia e crucial "que cidade queremos?" Nos faz sentido esta pergunta? Entendemos a importância do que ela nos remete?
Começando por um dos comentários publicados numa matéria sobre a nova linha do metrô que passará por baixo dos Jardins: quem já esteve em NYC e Londres, citados no comentário, sabe que são cidades planas, com linhas de metrô correndo em profundidade rasa, uns metros abaixo das ruas. A forma de construção destes metrôs foi em boa parte no sistema de trincheiras, ou seja, abre a rua ou avenida, faz um buracão, constrói o túnel, instala trilhos, sistemas, e tudo mais, e aí fecha. Isto só é possível em terreno plano. O que foi construído nas cidades européias e americanas num passado distante, virada do século XIX para o XX, foi dentro de cidades ainda com baixa população, se comparado a hoje, e com uma carga de trânsito muito muito muito menor que a que temos agora. A brincadeira é outra.
A linha do metrô da Av. Liberdade foi construída na década de 70 neste método de trincheira, o que acompanhei pessoalmente porque a casa de meu bisavô ficava lá, no meio da bagunça que durou anos. Hoje é praticamente impossível repetir o mesmo processo em São Paulo. Imagine só fechar uma rua ou avenida por anos. Aliás, é fácil de imaginar porque há uma gritaria infernal quando há qualquer problema num pequeno trecho de rua e avenida. Fechar por anos ruas ou avenidas levaria a um colapso no trânsito maior do que já temos, se é que é possível piorar o que está aí.
Sim, as estações de lá, nas capitais européias e americanas, são quase invisíveis, mas, de novo, vale perguntar, como e quais as razões para terem sido construídas daquela forma? E o crucial para uma resposta correta: quando foram construídas? Por que não se faz o mesmo aqui? Boa pergunta. Se fez, é há muitas estações que se resumem a quase uma portinhola.
Estação Fradique Coutinho é uma das estações mais ou menos igual as de lá, uma discreta entrada, metrô correndo praticamente no nível da rua. Depois da estação Faria Lima até a Rebouças o metrô corre raso. Quantos anos a rua dos Pinheiros ficou fechada para a construção do metrô?
Estações do metrô quando passam sob o rio ou o espigão têm que ser profundas. A estação Pinheiros tem 10 andares de profundidade. Como se constrói uma estação tão profunda sem abrir um imenso buraco na profundidade e largura? Largura para subir e descer máquinas, entulho, terra, etc... Moro a uns 100 metros da estação Pinheiros e acompanhei sua construção, aliás apareço numa reportagem sobre o desmoronamento. Há uma resposta razoável para algumas estações serem do tamanho que são. A engenharia de nosso metrô, que se saiba, é respeitada mundo afora.
De novo, e mais uma vez, há uma gritaria em cima do trajeto da nova linha. Sempre há e é um direito do cidadão. As alegações são as variadas, algumas facílimas de entender e dar todo apoio, outras... Uma delas é a passagem por áreas tombadas.
Antes do que escrevo a seguir tenho a dizer que sou, aliás, sempre fui favorável ao tombamento do patrimônio histórico e cultural da cidade. É farta a documentação que prova que sem preservação da memória os problemas sociais se seguem. Deve haver um problema com as leis de preservação, talvez precisem de alguma atualização. Não paramos de perder patrimônio histórico. A memória de nossas cidades está sendo varrida, melhor, já foi varrida. Sou contra. Acho que toda a sociedade já deveria ter sentado e conversado séria e abertamente sobre o tema.
Tombadas? Tombamento? "O metrô vai passar por áreas tombadas..." Se passa em toda e qualquer cidade européia tombada, por que não poderá passar aqui?
Estão destombando alguns (muitos) patrimônios históricos da cidade, demolindo na calada da noite, roubando bronze, descaracterizando acintosamente tudo, e vão falar sobre tombamento para tentar frear o metrô? O silêncio geral em relação a estes crimes contra a história é completo. Sim, concordo, também acho uma maluquice mandar abaixo casas numa área tombada, mas para quem passa no dia a dia por lá sabe que falar agora sobre tombamento fica estranho. Pois se quiserem falar sobre tombamento, que falem, mas falem de verdade, falem sobre o que vale de fato, falem sobre manter nossa história viva, sobre respeito ao bem coletivo. Eu sei que tem gente que fala e fala bem, sabe o que está falando, mas e os gritantes de ocasião que estão vencendo de goleada? Por favor, não usem a palavra 'tombamento' para benefícios e interesses particulares, o que há décadas vem acontecendo. De minha parte, sou totalmente a favor da manutenção não só de nossa memória, mas de um urbanismo civilizatório, ou preservação de patrimônio histórico. Mas... volto, faz tempo que se tem muita gritaria em prol de interesses muito particulares, um profundo desinteresse ao bem coletivo futuro.
Sei exatamente onde ficam as desapropriações propostas para a Sampaio Vidal e Praça Morungaba. A da Sampaio Vidal é exatamente em frente ao portão de um amigo. A da Morungaba, fica a alguns metros da casa de uma amiga. Confesso que não sei como ou por que não se encontrou outras técnicas construtivas para evitar as demolições, mas afirmo que na Sampaio Vidal uma das casas a serem demolidas é obra que nunca termina, mais parece abandonada. A casinha que existia ali, tombada, foi-se para dar lugar a mais uma caixa de sapatos abandona.
Eu não gostaria que mudassem mais ainda aquelas áreas que faz tempo estão sendo degradadas.
Como se pode ter uma conversa civilizada? Quem não se interessou ou acompanhou as histórias das 'ex futuras' estações Metrô USP Butantã e Higienópolis, sabe o que digo. Conversa civilizada exige um mínimo de inteligência. "Não quero porque não quero", "Não quero pobre descendo de metrô aqui" (fato real), "Metrô não tem que passar pela universidade" (publicado em jornal), ou qualquer (?) semelhante... acho que não vale.
Uma dos pedidos dos que protestam é que a nova linha do metrô que cortará os Jardins deveria passar por toda a av. Faria Lima, e não só na Faria Lima para lá da av. Cidade Jardim sentido Brooklin. A princípio faz sentido, mas o Metrô alega que tem dados que demonstram que não é viável mais estações nan Faria Lima pela saturação das linhas existentes. Quando ainda trabalhava vi uma planilha de definição de trajeto e, como leigo, me pareceu trabalho sério, bem feito. E, como morador visinho da Estação Terminal Pinheiros e Faria Lima, Linha 4, faço o depoimento que estão muito próximas do limite. Em outras palavras, fazer uma nova linha carregando mais ainda as da CPTM e Linha Amarela mui provavelmente não vai dar certo.
Como resolver tudo isto? Conversando como adultos paulistanos, não como quem olha para seus interesses mais particulares. Perdemos todos.
Passados alguns dias do assassinato do ciclista a cena se repete. O primeiro foi morto a pauladas, o segundo estrangulado. E assim caminha a humanidade... Desculpem minha falha, corrigindo, assim caminha o Brasil.
O primeiro pegou a bicicleta da irmã e no meio da rua foi tido como um ladrão de bicicletas, pelo menos foi o que alegaram os dois primeiros que o atacaram e lhe tiraram a bicicleta. Depois convidaram mais dois entregadores de bicicleta que estavam de passagem para acertar as contas com o "ladrão de bicicletas" e juntos encheram o "ladrão de bicicletas" de pauladas até ele apagar. Justiça feita, foram embora abandonando o corpo no meio da rua, que minutos depois foi pego pelo SAMU já sem vida. Como esta história horrorosa é mais ou menos conhecida por todas não entro em detalhes, mas não vou deixar de dar o gran finale, a sutileza no capricho: um dos que fez justiça voltou à delegacia para dar depoimento pedalando a bicicleta do "ladrão". Assim caminha o Brasil varonil.
No segundo caso, um jovem teve um surto no meio da rua, tentou esganar uma palmeirinha num vaso (literalmente), largou a coitada da palmeirinha e seu vaso, colocou a mão na cabeça, urrou aos céus, e aí chegaram os heróis para normalizar a situação e dar paz a todos. Um deu um mata leão, o outro subiu em cima no corpo que estrebuchava na calçada, e quando a rua voltou a calma e o silêncio devidos abandonaram o corpo estendido no chão e se foram.
Pergunta: qual a diferença destes dois absurdos com a forma como os "nós" vêem e tratam os "eles"; e os "eles" vêem e tratam os "nós"? "Vai de retro Satanás! Sai deste corpo!" Haverá alguma correlação entre estas duas barbáries e os exemplos dados pelos que servem de exemplo público? "Eu sou o bem e o outro, aquele diferente, aquele que tem o mal em si, aquele que não crê no eu creio, o que nós, os bons cremos, tem que arder no inferno". "Torcedor do outro time tem que morrer!" "Intrigas..."
Não sei como estará agora, mas não faz muito Brasil era um dos campeões mundiais em lixamento. E, convenhamos, profusão de linchamentos, os mais diversos tipos e modos, os públicos, os coletivos, os ao livre, os nas mídias, os dos tribunais do crime, e os das frequentes desvirtuações da coisa pública, aquela que está fazendo e andando para os brasileiros, aquela que está hoje, esteve ontem, e mui provavelmente estará amanhã nos jornais em meio a notícias 'deliciosas' de se ler. Não escapa um. Aquele maravilhoso exemplo que vem de cima, aquele que nos dá pauladas, mata leões, que são donos do poder de fazer o que bem entenderem, nos deixam largados em frangalhos e se vão para suas casas, seus lares, suas famílias, seus amigos com certeza de dever cumprido.
Caprichei nas tintas? O quadro geral saiu bom? Ou poderia seu um pouco mais..., mais... Não tenho palavras para expressar me. (Burro!)
O primeiro, o rapaz da bicicleta, tinha alguma deficiência, era tímido, quieto, e a única reação foi tentar não perder a bicicleta da irmã que o amava e ama. O segundo tinha acabado de receber a notícia da morte do pai. Quem se importa? Quem se interessa?
Estes e tantas outras barbáries que vivemos há tempo... (que chatice de texto repetitivo)
Enfim, em quem você vai votar nas próximas eleições? "Nossa, que coisa chata! Que coisa fora do contexto! Que absurdo! O que tem a ver uma coisa com outra?" Boa pergunta!: o que tem a ver uma coisa com outra? Responda você.
Quanto vale uma vida no Brasil?
Numa das apresentações do movimento Brasil Adiante uma debatedora colocou que urge entender a situação não só com os dados (estatísticas) de mortes, mas com os dados que apontam a realidade das ocorrências.
Pergunta final: será que é necessário estar morto para estar morto?
Que vida você quer? Eu não tenho duvida: civilidade, respeito, diálogo, bom senso, união para a construção de qualidade de vida para todos.
A importância do trabalho realizado por Lito extrapola muitíssimo a aviação. Lito abriu um canal para falar sobre 'qualidade' e como alcançá-la através de investigação que não busque culpados, mas que vá atrás das causas que evitem a repetição futura do erro.
Outro dia fiquei surpreso quando descobri que um improvável está seguindo o Músicas e Aviões faz tempo, o que deve estar acontecendo aos montes, já que o canal criado por Lito tem uma audiência grande. E aí entra um maravilhoso efeito colateral das ótimas falas de Lito: fazer entender o que realmente é qualidade, o que num país como o nosso, Brasil, onde a baderna generalizada impera, acende uma luz direcional na cabeça de muitos, o que pode e deve dar ótimos frutos futuros.
Poucas vezes na minha vida uma notícia pegou tão pesado. Fui educado para buscar constantemente qualidade e evitar o máximo possivel deslizes e erros. O que aprendi com o Musicas e Aviões e o fantástico contador de histórias Lito foi e seguirá sendo uma preciosidade. Tenho certeza que o legado para o Brasil já é imenso. Como brasileiro não tenho como agradecer.
Ainda muito atordoado com as notícias, faço todos os votos possíveis para que se recupere. Obrigado Lito e a todos envolvidos no Músicas e Aviões
(publicado nos comentários do Estadão)
Aqui:
Poucas vezes uma notícia me pegou tão pesado. Primeiro porque a qualidade do trabalho do Lito e equipe é ótimo, depois porque mesmo antes de ter descoberto o Músicas e Aviões já vinha escrevendo que a única saída para todos é qualidade porque acredito piamente que só qualidade salvam qualidade é o caminho. Mesmo antes de ter trabalhado para a Specialized Bicycle Components, que na época buscava a qualidade total, mas muito antes mesmo, venho de uma família onde o tema qualidade, em praticamente tudo, sempre esteve presente, do colocar a mesa para as refeições, do fazer a cama, dos pequenos detalhes, até ter o carro e a bicicleta em perfeita condições mecânicas para o uso com a melhor técnicade condução possível. Sem neuroses, sem loucuras, só buscando fazer o melhor possível, buscando o que se pode fazer na tradução das palavras repetidas por minha mãe - "não seja medíocre". E no espírito de minha família: faça o melhor possível para todos.
Músicas e Aviões e Lito se encaixam na mosca com o que desejo para todos, para este país.
Escrevi e participei de vários manifestos, isto num passado que agora parece distante. Em todos eles, uns 10, fui o redator da base, passei para quem se interessava, eles revisavam, e saíamos para entregar aos candidatos ou partidos, que então eram poucos. Hoje são 27, se não me engano.
O pessoal que colaborava e assinava o fazia por pura civilidade, vontade de melhorar as coisas para todos. A bem da verdade e puxando da memória, não me lembro que os manifestos levassem nossa assinatura ou mesmo nossos nomes. Acabamos conhecidos por que a entrega era feita na mão, pessoalmente. O Manifesto pelas bicicletas e ciclistas foi o mais trabalhado e entregue. Demorou para dar algum resultado, nem tudo aconteceu como propúnhamos, mas no fim das contas valeu e muito. Entre os que estiveram envolvidos no processo alguns se beneficiaram depois, bem depois, porque passaram a ser reconhecidos pela boa vontade e seriedade.
E cá estou eu novamente envolvido com um manifesto. Exatamente como nas outras vezes escrevi o básico e passei a chamar pessoas interessantes para revisar e ou incluir algo novo. Aos do meu passado não precisei avisar porque a maioria foi-se, morreu. Mas tem gente nova com boa cabeça. Avisei-os que para funcionar bem é crucial a neutralidade do documento. Diferente do passado, dos já se foram, a alguns da nova geração parece não poder ou conseguir ficar neutros, ou ainda, não entendem o que é. Outros tempos.
Outra diferença, e esta me deixou impressionado, foi os que simplesmente não deram sequer retorno. Simplesmente sumiram. E pela primeira vez um dos que contatei não entendeu o espírito da coisa, construir um manifesto, e perguntou literalmente "quanto eu levo?". Confesso que errei ao reagir de bate pronto e ficar muito irritado. Um pouco depois, mais calmo, pedi desculpas pela minha reação no meio de muita confusão na cabeça. Não faço ideia do que realmente aconteceu, se foi erro de comunicação ou se as coisas mudaram tanto daquela velha época de sonhos de um Brasil melhor que agora, para esta jovem geração cheia de selfies, um manifesto só faz sentido caso tenha no jogo um algo mais.
Estou sendo bem sarcástico, até sacana. Fato é que há uma enorme diferença entre como nós, os velhinhos, víamos o Brasil, e estes jovens vêem. Espero que eu esteja complemente errado e que esta molecada (40 anos ou menos) vá mostrar sua cara e fazer isto aqui melhorar. Infelizmente, minha sensação é que o "eu selfie" uniu se ao "nós ou eles" e encrustou para valer um individualismo libertário populista igualzinho para direita como esquerda. "Que se dane tudo, eu quero o meu" perece que colou colado.
Hoje, depois de muito tempo, mas muito tempo mesmo, acabei de olhar para o relógio e vi que trabalhei praticamente 14 horas, um prazer que, repito com prazer, não sentia faz muito. Que dia maravilhoso! Vocês não fazem a mais remota ideia de como foram divinos meus anos de trabalho. De quantas vezes tomei bronca, "Larga isto e vem dormir!"
Sim, mesmo sem trabalho remunerado, aposentado como se diz, continuo fazendo minhas coisas, mas com menos tempo para mim mesmo, para meu trabalho, para meus trabalhos, para mim. A vida vai atropelando, ou, eu fui permitindo que me atropelassem, melhor dito.
Não faz muito separei um dia da semana para mim. Uau! que delícia. Me acalmou muito, eu próprio não podia imaginar quanto.
Ócio, hoje foi meu dia do ócio. Se pudesse continuaria no trabalho, mas amanhã será outro dia.
Cara, que dia!
Bom dia. Acordei. Agora pela manhã percebi o que aconteceu ontem. Abri o celular para ler as notícias, cada dia mais desconfortáveis, e depois vi algumas besteiras, e o tempo passa. Estamos todos vivendo uma fábrica de dispersões que me parece vai muito além de uma simples teoria da conspiração. Nunca foi tão significativa a expressão "recuperar o tempo perdido", no caso o tempo imediato, o que passa agora. Tive um dia para lá de feliz no meu ócio do tempo perdido, estranho dizer, mas ócio realizado no trabalho, uma inversão do velho sentido de ócio, mas sem qualquer dúvida um ócio literal.
Estou lendo "História da Felicidade". Maravilhoso. Recomendo. Reposiciona muito do que pensamos sobre quem somos e nossa época.
Eu me sinto envergonhado de ter entregue para algumas pessoas este manifesto sem ter realizado uma revisão cuidadosa. Mais uma vez fui estabanado, o que não é legal. Agora foi. A revisão mais cuidadosa está aqui.
Sempre se diz "esta eleição é a mais importante da história", e não resta dúvida que a que teremos dentro de uns dias terá um peso no nosso futuro que nenhuma outra teve. Vide a baderna institucional generalizada que estamos vivendo. Nunca o Brasil viveu um caos igual, isto é líquido e certo.
Eu acredito que para começar arrumar a casa os votos mais importantes serão os dos deputados estaduais, federais e senadores, muito mais decisivos que os dos governadores e presidente da República.
Por outro lado, acredito que mingau quente se come pelas bordas, ou seja, sem a vontade popular, sem um tomar de consciência coletivo, entre quem entrar a coisa vai ficar mais ou menos igual, ou pior, bem pior, acredito eu. Sem pressão pública não saímos desta.
O Manifesto pela Cidade quer propor mudanças na forma como nos comportamos como cidadãos. Sem esta mudança continuaremos a merce dos outros. Com uma melhora da qualidade de vida urbana diminui tensões e coloca as ideias mais claras, o que está provado pela história e principalmente pela evolução de 'n' cidades mundo afora no sentido da qualidade de vida de todos cidadãos.
Se acharem pertinente façam bom uso deste manifesto - proposta.
Sou turista e concordo em grau gênero e número que se coloque um freio no que está acontecendo, principalmente quando entra álcool na história. Alcoolizado e bêbado é um porre, literal e mataforicamente. Álcool aliado ao comum pensamento "estou fora de casa então vale qualquer coisa", muito comum entre alguns tantos turistas, causa problemas em todas as partes, aliás, neste estado de espírito com ou sem álcool. Reprimir turista que acha que tudo aquilo é seu e pode fazer o que quiser é crucial para a saúde pública de curto, médio e longo prazo.
Infelizmente somos uma espécie com uma grande capacidade de adaptabilidade, o que faz com que alguns desvios que não parecem daninhos ganhem uma escala não desejada e prejudicial ao coletivo. Nada a ver com moralismo barato, politicamente correto, ideologias, ou religiões, mas com um sadio controle de limite social, que deve ser pensado com inteligência. Contam histórias maravilhosas da Croácia e esta notícia do Estadão dá mais vontade de conhecer.
Saúde pública começa na qualidade de vida coletiva sadia. Permitir perturbar muitos porque uns têm o direito de ganhar seu dinheiro é um tiro no pé futuro. Vila Madalena e Pinheiros que o digam, e a cidade que o pague. Sim, os custos da festança geral é paga por todos nós, e não deve ser barata. Gera empregos, impostos, o povo precisa se divertir, com certeza, mas a que custo/benefício? É isto que está sendo repensado em vários destinos turísticos.
Brasil tem números pífios no receptivo de turistas estrangeiros vindos do hemisfério norte, os que podem mais, portanto gastam mais. As razões são várias, mas tudo que vi publicado não cita uma vergonhosa inversão de valores bem a la brasileira. Aqui quem incomoda e muito, mas muito mesmo, começa nos prestadores de serviço de baixa qualidade de atendimento, e outros 'pobreminha', e termina (ou passa por) em muita barulheira e sujeira. Maldito som alto! Aliás, não raro vira uma baderna generalizada envolvendo comportamentos nada civilizados dos clientes. São poucos os restaurantes onde se pode conversar em voz baixa.
Sobre os beubos... falar o que?
Turismo vem se transformando em algo tenso. Você sai para descansar e dá com situações desagradáveis, exaustivas, desnecessárias. Não é legal para quem viaja e está se tornando um pesadelo para os moradores locais. Mesmo como negócio está começando a não valer a pena.
Brasil tem um potencial imenso, mas desperdiçamos. No turismo não poderia ser diferente.
Como se pode chegar a um meio termo? Turismo, festas, eventos, todo tipo de reunião popular é importantíssimo tanto para o equilíbrio social quanto para a economia. Deve haver um jeito para frear o desequilíbrio que estamos tendo em todas as partes do planeta.
Perdão. Muito mais fácil perdoar o outro que a si próprio. O perdoar o outro implica em uma série de fatores emocionais, numa espécie de negociação consigo próprio onde entra o vale a pena ou não, o é bom negócio ou não, que vantagem eu levo nesta, se o conflito ou a paz de espírito se encaixam melhor para a situação.
Já o auto-perdoar entra num pântano cheio de crocodilos que foram criados, acariciarinhados, alimentados por nós mesmos, até não caber mais no nosso quartinho, ou pior, no armário. A solução mais fácil costuma ser sair ou fugir de lá de dentro, da área de conflito, e trancar a porta muito bem trancada pelo lado de fora. A cervejinha nossa de cada dia que o diga. Mas é quem não consegue?
Perdão está nos livros sagrados, e não é como receita de biscoito.
E lá vem o inferno, criado muito depois dos escritos sagrados.
A questão é não conseguir se perdoar, ou não saber se perdoar. Quem tem um minimo de consciência difilmente perdoa seus erros mais pesados. Consciência? Ou inconsciência? Olhe se no espelho e não saberá, ou nunca saberá (eis a questão). Na tentativa de se perdoar, de se aceitar como quem realmente se é, está o real inferno, aquele que a gente vê nas ilustrações bíblicas, as que descrevem os piores horrores que algum pecador pode sofrer.
Dizem que é sadomasoquismo. Não é. Quem o diz ou não tem espelho ou vê-se no reflexo sendo um outro, delírio de si próprio. Óbvio que o mundo está cheio dos que não fazem ideia sobre o que aqui se fala e um selfie para comemorar. Clic! Que inveja destes. A ignorância é uma benção.
Pecador? Sim, pecador, pecado, aquela instituição religiosa doutrinada tanto pelos seguidores da fé quanto pela sociedade que nos atormenta a todos. Sem este sentido, o da culpa (religiosa), que nos leva à responsabilidade coletiva, ou nos impõe goela abaixo a responsabilidade, provavelmente não teríamos chegado aonde estamos como sociedade. "Minta, minta, minta mil vezes e a mentira se transformará em verdade", maldita sábia eficiente técnica de controle social, e caímos nesta feito peixes na rede.
Taoismo e confucionismo têm inferno? Numa pesquisa mequetrefe a resposta é não, mas ditam sobre disciplina para se ter uma vida harmoniosa com o ambiente externo (por assim dizer), portanto o perdoar e o subsequente inferno devem estar ali em algum canto.
Somos uma sociedade moderna, temos o direito a escolha. "E a escolha certa é..." "Ser livre e feliz, mandar a culpa para o inferno". "Você está absolutamente correto! A escolha correta é ser feliz sem culpas". "Podemos tirar um selfie?" "Mas é claro! Sorria!"
No não se perdoar a tortura é constante, inacabável, ferroz. "Ajoelhe-se no milho, reze todas as contas, pague seus pecados para entrar no céu". Quando você imagina que conseguiu fugir do peso torturante da memória, e consegue, sempre de alguma forma se consegue, logo algo vem de surpreza e traz de volta a agonia da culpa. A vida não perdoa.
"Nossa, que drama!" Minha confusão, ou conclusão, é que não tenho dúvida que aprendi e amadureci, e me tornei maduro e feliz, com o peso da consciência de meus erros, muitos dos quais não consigo me perdoar. Bom, e daí, e se não tivesse passado por eles, como eu seria? Um ignorante abençoado. Eu não. Prefiro morrer queimado na fogueira da auto Inquisição.
Quem não sabe o que é esta barreira, a barreira das culpas entalhadas? Quem é livre, será um sociopata? Um libertino? A liberdade é sua ou emprestada pela sociedade? Ou serão as duas, unidas numa força imparável na qual sempre aceitamos com frequência o Cavalo de Tróia, lindo, imponente, que dentro de nossas porteiras nos trai?
Fato: somos erráticos. Fato, a história da WWII começa a ser aberta de uns anos para cá. Antes era propaganda ou o que seja. Quem viu os últimos documentários sobre o que aconteceu, mesmo ainda com censura, começa a entender que a história foi outra, e que no meio daquela barbárie decisões foram tomadas sob condições que agora, mais de 80 anos depois, simplesmente não são compreensíveis ou são distorcidas. Mesmo para historiadores é difícil contextualizar e precisar os fatos, imagine para nós, simples mortais que vivemos esta época absurdamente diferente. Outro dia estive com uma brilhante jovem mulher esclarecida e muito vivenciada, Marina, que disse, corretamente, que nós que estamos nos Jardins, na Zona Oeste de São Paulo, fazemos comentários sobre quem vive a uns 20 km de distância sem nunca ter ido lá, sem saber onde fica, só tendo um breve e muito limitado contato com os de lá. Se sequer se faz ideia destas realidades, como julgar decisões tomadas no meio de um massacre generalizado na Europa e Asia dos anos 30 e 40? Telefone a manivela! Máquina de fotos caixote. Telégrafo. Rádio amador. Mata borrão... Cara a cara. Tempo para pensar. A instrução base de tomada de decisões tinha outra carga de veracidade e, mais importante, tinham tempo para serem pensadas, discutidas e definidas. E assumidas. Nada de imediatismos e muito menos distorções na escala que estamos vivendo agora. Fato, parou definitivamente a WWll. Fato, a barbárie generalizada da WWll foi responsabilidade direta de fanatismos de várias espécies, tão parecidos com as dos sabichões que temos agora. Este estúpido fator humano é a única coisa que nos une aquele passado. De resto...
A única coisa que quero é que passemos a conversar feito gente civilizada. O passado serve de referência, ou pelo menos deveria servir.
Massacres, barbáries, monstruosidades foram e seguem sendo fatos corriqueiros da humanidade. O que choca é um ineditismo. Não, não estou reduzindo as duas bombas atômicas ao ineditismo, mas colocando mais um fator de peso no entendimento que temos hoje. Junte-se ao emocional individual e vivido no coletivo.
As imagens do momento são fortes, os depoimentos mais ainda, as imagens do pós então... E foram usadas com determinados fins.
Soube se dos bombardeios na Alemanha muito depois, não faz muito. Foram piores, mais violentos que as duas bombas juntas, mas era história que não interessava, talvez sequer aos perdedores.
A história é a história do vencedor. A versão é feita pelos interesses do indivíduo que as diz. A compreensão está nos olhos e ouvidos que cada consegue assimilar
Quando a Fiat decidiu entrar no mercado brasileiro eles precisavam descobrir com que modelo começar a produção. Na Argentina eles já produziam o Fiat 128, um compacto de quarto portas, motor transversal e tração dianteira, ótimo espaço interno, um projeto maravilhoso. Eu ia com frequência para Buenos Aires e Fernando, um grande amigo, comprou um assim que foi lançado. Maravilhoso, maravilhoso mesmo.
Mas o mercado brasileiro era outro e Fiat quis saber se aqui haveria espaço para um carrinho pequeno, urbano, bem menor que um 147 ou Uno, com preço final ao público bem barato. E trouxeram doze Fiat 126, o sucessor do Fiat 500 na Europa. Dez ficaram com pilotos de teste profissionais e dois acabaram nas mãos de duas senhoras, não me pergunte porque, mas provavelmente para eles saberem como seria recebido pelo público feminino. Um destes 126, lindo, quadradinho, genial projeto de Sérgio Sartorelli, veio parar com uma senhora que era socia do Clube Paulistano, que fica no Jardim América, São Paulo. Que por sua vez tinha do outro lado da rua a casa aonde morava um amigo meu, o Zé.
Entre os amigos do Zé, que eram sócios do Paulistano, estavam uns fortinhos, um deles bem grande, jogador de pólo aquático. Só aprontaram. Um dia passaram pelo pequeno 126 e decidiram ver se conseguiam levantar o bichinho. Se levantavam um Fusca, o 126 foi moleza. E para completar a brincadeira inverteram a posição do carrinho na vaga, e lá ficaram esperando a dona de dentro da casa do Zé. Óbvio que a senhora não entendeu nada, e que a brincadeira estava só começando para eles.
Bastava o 126 ser encontrado pelos pastilhas para ser carregado para lá e para cá, enlouquecendo sua dona cada vez que ela saia do clube. Um dia pegaram o 126 e carregaram para dentro do jardim da casa do Zé (na realidade a casa dos santos avós dele). A senhora vai pegar o carro e nada. Olha para um lado, olha para outro, anda para cá e para lá, é finalmente vê a cor do carrinho por entre a cerca viva da casa. Vai até lá, toca a campainha, aparece a Terezinha, a santa empregada de 1,48 m de altura, e a senhora com calma pergunta se ela poderia entrar para pegar o carro dela... E antes que ela terminasse o pedido ouviu-se um urro da santa Terezinha - José, venha imediatamente devolver o carro da senhora. Urro seguido por uma gargalhada da tropa escondida na janela do segundo andar.
Não faz muito, por uma ironia do destino, encontrei um dos envolvidos no projeto 126. Ele conhecia a história, não em detalhes, riu muito e confirmou que a bricadeira pesou na decisão da Fiat começar a operação no Brasil com o 147, que é derivado do 127.
Um pequeno detalhe de velhas molecagens também pesou na decisão final. São várias as histórias da garotada pegar as Romi-Isetas e colocá-las entre dois obstáculos para travar a única porta, dianteira, do carrinho minúsculo. E a história do problema que a VW teve com seus "CornoWagen", apelido dado aos fuscas 1965 com teto solar. Enfim, com brincadeira de povão não se brinca.
Quem puder, por favor, leiam este Opinião. Absolutamente na mosca, absolutamente um comentário acertado e terrível para minha geração, absolutamente fiel aos acontecimentos. Publico printes como se fosse minha palavra, e é, como um pedido de desculpas, vergonhoso, dolorido, agora inútil, aquele Brasil virou isto. Deprimente.
Levanta-se ela é vai até ele, explica que o marido está num número dois.
- Número dois? Minha senhora, que número dois? Os próximos são vocês, esta é a ordem dos números. Que número dois?
- Olha lá. Ele está chegando. E a passos largos e sorrindo lá vem ele
- Me acompanhem, por favor. Sentem-se. Quem vai ser o primeiro. Ele aponta para ela.
- Nome, data de nascimento, naturalidade... e é interrompido pelo marido.
- Desculpe, mas o senhor pode prosseguir com o passaporte dela que eu já volto.
E no meio da fuga, ouve-se um - O senhor não pode sair daqui!, mas não adianta, a passos curtos e rápidos o marido some.
- Por favor, tenha um pouco de paciência com ele. É o número dois.
- Minha senhora, de uma vez por todas, que número dois?
- Montezuma's revende, responde ela com cara consternada
- Montezumas Revenge? Quem é este Montesumas? O que ele tem a ver com o número dois? Ele é o número dois? Minha senhora, esclareça!
- Meu senhor, número dois, Montezuma's Revenge, piripiri, dor de barriga.... Ontem fomos convidados para um almoço mexicano... E reaparece o marido sorrindo meio amarelo, mas com expressão feliz.
- Acho que está resolvido, diz ele.
- Ok. Vou deixar passar. Vamos recomeçar. O senhor está bem? Se sair de novo vou ter que parar e vocês vão ter que remarcar.
- Estou bem. Por favor, temos viagem marcada, não temos tempo, não dá para remarcar, peço desculpas.
- Ok. Então vamos recomeçar, desta vez pelo senhor. Nome, data de nascimento... E ouve-se um peido alto, forte e em pouco tempo a sala fede terrivelmente. - Dá para o senhor se controlar? pede o federal levantando a voz.
- Dá. Peço desculpas, não vai acontecer novamente.
- Está bem, vamos lá, nome... e mais uma vez ouve-se um peido alto. A mulher não se aguenta e dispara a rir.
- Se o senhor soltar outro peido vou dar ordem de prisão. Remarquem... e ouve-se mais outro peido, agora com os dois caem às gargalhadas. O federal pasmado fica mudo, respira fundo e decreta,
- Vocês estão presos por desrespeito à autoridade.
A mulher consegue se controlar um pouco e no meio de suas gargalhadas e lágrimas nos olhos diz para o federal
- Com todo respeito, se eu fosse o senhor não faria isto. Com todo respeito e com idade para ser seus avós, a nossa experiência de vida diz que se o senhor nos prender por - e cai na gargalhada, lágrimas escorrem e molham a blusa, mas toma fôlego, consegue controlar se e termina, - se o senhor prender dois velhinhos por soltarem peidos numa entrevista - e cai na gargalhada de novo - o senhor vai virar o meme de toda PF. Por favor pense bem.
O federal, pasmado, cabeça baixa, olhos na mesa, mãos na testa, pergunta: - Pelo menos o senhor tem condições de terminar a entrevista sem cagar na minha cadeira? Aí os três caem num incontivel acesso de gargalhada.
Entra o chefe na sala e pergunta se está tudo bem?
Ouve-se mais um barulho, diferente agora, vindo do marido que para de gargalhar e responde - Ops!