domingo, 26 de julho de 2026

O que é a Argentina, por um argentino

Recebi de um argentino, um querido portenho, este Whatsapp exatamente após a derrota para a Espanha e o comportamento vergonhoso da seleção Argentina depois do apito final. 

Sou filho de um meio argentino, pai argentino e mãe brasileira, meus avós. Meu pai acabou no Brasil aos 18 anos e cá ficou como argentino, mas falando um português casto sem qualquer sotaque, absolutamente brasileiro em praticamente tudo, menos quando olhava para as saladas.

Fui inúmeras vezes para Buenos Aires, praticamente todos anos entre 1969 e 1986, portanto vi in loco a loucura da brutal ditadura argentina. E, talvez pior, o inacreditável estrago que o peronismo fez àquele rico país. Tenho horror a populismos, todos, por que vi, senti e vivenciei ali. Tenho horror a opções radicais porque acompanhei ali. 

A imagem que muitos Brasileiros têm da Argentina é completamente distorcida. São realidades completamente diferentes. Brasileiro não sabe o que fala, não faz ideia do que é a Argentina, simplesmente delira em cima de nosso complexo de vira latas. 

Não publiquei antes porque me pegou na veia. Como o texto diz, e as piadas também, argentino peca pela soberba. É um país maravilhoso que caminha para trás faz mais de 50 anos, a partir do retorno do exílio e eleição de JDP, Juan Dominguez Peron, o que consolidou os populismos peronistas, sim, os populismos, que fizeram refém todo um país e toda sua população, de esquerda, de direita (brutal) e todos demais. Quem não é argentino não sabe o que fala sobre a Argentina. Brasileiro deslumbrado muito menos ainda.

Sou brasileiro, paulista, paulistano e nasci na Maternidade São Paulo. Falo sobre o que vi, vivi e vivenciei. Não quero o mesmo para nós.

Segue o texto que recebi:

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Manisfesto pela qualidade de vida nas cidades - segundo croqui

Manifesto pela qualidade de vida nas Cidades Brasileiras

POR UMA POLÍTICA MUNICIPAL CIVILIZATÓRIA
POR CIDADES COM QUALIDADE DE VIDA
POR UMA CIDADE INCLUSIVA E PACÍFICA


Diagnóstico, e 4 prioridades para frear a violência

Assisti inteiro o evento de ontem. Já vi e ouvi muitas histórias assustadoras, mas nada na escala do que foi dito ontem. Dar uma palestra para funcionários de concessionária de rodovia, ficar no mesmo alojamento que os que atendem acidentes, ouvir de um deles que "pesado mesmo é ter que raspar um corpo do asfalto com pá porque depois de atropelado ninguém parou", e outras barbaridades do gênero, é difícil, mas a perspectiva clara de onde está o Brasil em relação a violência apresentada neste Brasil Adiante de ontem foi apavorante ou deprimente, ou os dois juntos, ou ainda é pouco. O diagnóstico apresentado... Quem não viu, por favor veja na íntegra. Divulgue, coloque na roda de conversas.

https://youtube.com/playlist?list=PLY0j3fVIJp7i2wEdp6BTvtek4eWX-sIXZ&si=LWtSdED51T9DIoy_

O que vamos fazer para sair desta insanidade? Como nós, brasileiros interessados, podemos nos movimentar para frear esta loucura? Qual Brasil você quer? O que vamos deixar para as futuras gerações? Temos que reverter esta violência toda. É absolutamente inaceitável.



quarta-feira, 22 de julho de 2026

A telinha diminui a capacidade do ver

Sai para pedalar com um dos netos e numa das passarelas para a ciclovia do Pinheiros parei para olhar a bela vista. Chamei a atenção dele e para meu espanto descobri que ele está com problemas para ver. Não, não é uma questão de óculos, mas de funcionamento do cérebro de quem usa demais o celular. Não é besteira, é ciência, está amplamente provado, documentado e publicado em revistas científicas. Tem tanta notícia, tantos artigos científicos, foi tão noticiado, que não preciso colocar um link. Relato o que vi pessoalmente. Triste.

Parei, chamei a atenção dele, inclusive apontando, e mesmo assim ele teve dificuldade para ver o que eu apontava. Foi claro, tanto pelo girar a cabeça procurando algo, como pela expressão que fez. 

Olhos nos olhos, quero ver o que você diz... acho que esta é a letra da belíssima música. Olhos nos olhos? Também é certo que perdemos muito esta capacidade que deveria ser natural. Olhar, ver, dar tempo para deixar o cérebro entender o que se está olhando e vendo, um processo que a telinha transforma, ou deforma em seu foco fechado a uma área muito restrita, pré programada. Começa por aí. Uma paisagem é um campo aberto, amplo, com um grau de leitura e compreensão cheio de detalhes e sutilezas.

Estou apaixonado pela Stela Cole, uma jovem, 27 anos, linda e com uma maravilhosa voz. E estou preocupado com ela. Como venho seguindo sua trajetória, e como tenho por hábito olhar com atenção as pessoas, alguns movimentos de seu lindo rosto apontam que Stela andou tomando umas chacoalhadas brabas da vida. Tem quem não consiga ver. É treinamento. Falei sobre isto com pessoas que conhecem o trabalho dela, mas ficam mais tempo na telinha, e tive como resposta "Não percebi nada". Uau! 

Faz muito que se sabe que o uso excessivo das telinhas afetam o foco do olho. Agora está claro que também afeta a forma do pensar, do entender o que se vê, e a percepção da realidade, da vida.

Fala-se muito sobre os perigos do celular no trânsito. Dirigir demanda uma adaptação da conexão olho - cérebro. Uma série de informações vão sendo vistas, lidas e transmitidas ao cérebro que sequer realizamos. Incluem o que se vê no foco e o que passa pela visão periférica. O cérebro vai limpando o que não é essencial, o que não causa perigo, o que não é interessante, assim não fica sobre carregado. Há um fluxo de informação pré estabelecido, uma série de regras fáceis de serem cumpridas, uma previsibilidade de ações, o que facilita e permite que o olho viaje na 'paisagem' aberta.

A maluquice é que nosso cérebro está se adaptando a fazer tudo junto, o dirigir e olhar para o celular que o diga. Sim, é um perigo, mas o número de acidentes per capita de motoristas olhando o celular diminuiu. Por outro lado, aumenta e muito o nível de stress e consequente desconexão com a realidade. 

Faz uns dias vi uma reportagem sobre um movimento que surgiu na Europa para ficar longe do celular, tipo 'slow food'. Slow Ford? Sim, movimento nascido na Itália contrário ao fast food. Estão certos. Engolir macarronada? Não! Sente o cheiro, rala o parmesão, enrola na borda o espaguete, coloca na boca, saboreia, mastiga, engole, limpa a boca, um gole de vinho tinto da Sicília...

Eu desaprendi o olhar e ver. E não sou fã de celular. Mas acabei descobrindo que tenho que me controlar para menos, bem menos. E preciso pesquisar para ver o que faço com o neto. Minha ideia era matar o moleque, fritar o rabo dele no selim pedalando até Aparecida. Vai ver que de dor no olho de trás ele arregava os olhos e enxergava a paisagem.  Não deu certo, travei a coluna. 

Minha telinha a mais vem da curiosidade,  da facidade de busca de informações que no passado eram chatas para conseguir ou impossíveis. De qualquer forma, menos.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Deixa de ser criança e joga o jogo

Meu comentário aqui (publicado em outro artigo) sobre o que (nós, brasileiros) deveríamos fazer está na frase publicada no artigo Bisneto de Henry Ford acredita que os EUA não podem deixar os carros chineses de fora para sempre: "Impedir, em algum momento, não será suficiente. É preciso encarar a concorrência e “vencê-los em seu próprio jogo”. É nisso que acredita o atual presidente executivo da Ford sobre a entrada de veículos chineses no mercado estadunidense". Repito o que já escrevi num outro comentário: ter chilique com a postura do outro só prova a inferioridade, a incompetência, a falta de inteligência de quem está negociando. 

"Joga o jogo", simples assim. "Quem só pensa em perigo não tem tempo para ser seguro". "Trate bem seu inimigo". E finalmente, a mais antiga, mais lida, mais discursada, e bem pouco ou nada compreendida: "Se te derem um tapa, ofereça a outra face". São técnicas comprovadas para alcançar resultados positivos. "O outro está errado, é inaceitável" diz quem não tem cabeça, mesmo que a situação seja inaceitável. Há aí uma 'discreta' sutileza, discreta.

Não há nada mais irritante que criança malcriada gritando "eu quero, eu quero, eu quero, é meu, é meu, é meu...". 

Quando vamos criar vergonha na cara e deixar de ser governados por histéricos. Queremos um país ou jardim da infância?

"Tem muito jogador 7 X 1 neste time do Brasil. Não dá para confiar", soltou um comentarista antes da desclassificação de nossa seleção. Mas ele poderia estar facilmente se referindo a nossa política, ao nosso legislativo, executivo e judiciário, um sem parar 7 X 1 contra nós, brasileiros, é o que não falta.

Neto: "Os jogadores da seleção Argentina tem sangue na ponta da chuteira".

Eu: temos muita gente boa que quer dar o sangue por este país. Por favor, não confunda dar o sangue com chupar o sangue.

O que se pode aprender com quem deu o sangue, suou de verdade, colaborou, foi e é de fato vencedor, mas não foi aquele um super herói vencedor desejado pela criançada adulta? 

Eu estou farto de falsos milagreiros. Aliás, não acredito em milagres. Nem em falastrões.

O que se faz com tudo isto?

"Não mexe nisto. Não vai trocar nada! Estou no fim da vida e não tem razão para trocar. Deixa como está". Não precisa ser velhinho para entender bem o que está em jogo. Vivemos no meio de muitíssimo mais coisas que realmente precisamos. E cada dia mais.

Cara, como a gente junta porcariada pela vida! O que se faz com isto tudo? Família vende tudo?

Família vende tudo. Ou doar para entidades beneficentes, o que não é um costume trivial por aqui. Mas é o que tem valor histórico para o país?

Morreu a mulher de um dos mais importantes colecionistas deste país. Ele e seu acervo talvez sejam a melhor memória de um dos setores mais importantes e influentes na história do Brasil. Falo da vida de uns 40 milhões de brasileiros, mais questões urbanas, sociais e econômicas. O impacto da perda repentina da companheira de vida neste caso assusta a todos amigos porque a dependência era enorme. Não sabemos o que vai acontecer daqui para frente, com ele, sua preciosíssima memoria e seu acervo. Se complicar, se sair do controle, desaparece um arquivo importantíssimo sobre a história do Brasil.

É comum que com o desaparecimento de um ente que teve sua importância para o país, desapareça também o acervo. Mesmo que haja boa vontade da família e esta queira preservar, não tem verba, faltam funcionários, há carência de técnicos especializados, não tem espaço, a decisão sobre o recebimento é demorada...

A preocupação normal dos herdeiros é com dinheiro ou com o que tem valor financeiro. Memória afetiva do que foi vivenciado vem depois e é para uma minoria. Valor histórico, o que vale para contar uma realidade maior, coletiva, da existência e trabalho perante e para a sociedade, para o país, para todos, a que extrapola o direito direto e legal dos herdeiros, esta é raríssima, geralmente vira lixo. Sim, vai para o lixo literalmente.

E tem ainda a falta de noção do valor real das coisas. Começa pela ignorância generalizada, na precarissima educação geral, segue em frente em qualquer besteira e termina numa sociedade onde tudo se compra, tudo se usa e abusa e finalmente tudo se descarta no lixo mais próximo.

"O que acaba tendo valor é o que tem significado para o indivíduo e sua vida insignificante". Uma espécie de valor selfie. É meu, vale uma fortuna!

E o que tem valor histórico? A situação da maioria de nossos museus e acervos que o diga.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Lenta descida para o inferno

Slow descend into hell; Time Magazine.

Foi um dos artigos mais impactantes que li na vida. Eu tinha então 27 anos, rapaz sonhador, vida pronta, classe média vai ao paraíso. Mais que a realidade brutal, mais esclarecedor do que está nesta lenta descida para o inferno, foi o texto complementar sobre o drama da revista Time para conseguir tirar o seu repórter da vida das ruas, da mendicância, fazê-lo voltar a seu lar, sua família, seu trabalho, ao seu destino. (Seu destino?) 

Meu querido amigo Eric Ferreira, uma das cabeças (desperdiçadas) deste país, um dia, faz muito tempo, disparou: "Nós nos acostumamos com o ruim". Falava ele sobre a questão do trânsito, transporte e qualidade de vida urbana, sobre os caminhos que nós, cidadãos brasileiros, estávamos tomando (pior, seguimos nele). Infelizmente, na mosca! A degradação da qualidade de vida em nossas cidades é gritante. Mais que nos acostumarmos com o ruim, parece que temos um prazer em caminhar a passos largos sempre para um pior previsível.

Junto com Eric, ou sob sua batuta, (e mais um recém formado arquiteto que não lembro o nome), fizemos um projeto para a intervenção urbana na região do Butantã, via implantação de um sistema cicloviário nos padrões europeus, ou seja, muito além de só ciclovias e ciclofaixas. Propunhamos o acalmamento dos bairros, recuperação de córregos, criação de parques lineares, e só quando necessário, só quando não houvesse alternativa, só então ciclovias e ciclofaixas. Ou seja, olhando a correta implementação da bicicleta no meio urbano, o projeto prentendia a recuperação da qualidade de vida de todos, não só ciclistas. Todos. Cidadãos. Bancado por uma forte entidade americana, o ITDP, a proposta simplesmente sumiu, desapareceu, ninguém sabe, ninguém viu. Hoje os bairros continuam largados, os córregos não foram recuperados, os parques estão como estavam ou não surgiram, e o trânsito virou um inferno. Fora a violência, ah! a violência!

O trânsito virou um inferno. Poderia ficar repetindo esta frase sem parar porque ela diz a mais pura verdade, verdade nua e cruel sobre o nosso infernal dia a dia. E aí me vem a cabeça os dois brutais textos publicados há 40 anos pela Time, o que é viver num inferno e principalmente a imensa dificuldade que é sair dele, desacostumar-se com o ruim, no caso, com o que é péssimo.

Segundo o Governo Federal, temos algo em torno de 380 mil moradores de rua no Brasil, um drama. O que tem a ver uma coisa com a outra? Muito, mas vale explicar que mesmo as melhores cidades do planeta têm que lidar com este e outros problemas humanos. Voltando ao Brasil, quantas cidades temos com uma qualidade de vida abaixo do desejável? Só o morador de rua está abandonado a própria sorte?

O Brasil que se apresenta hoje vai pelo mesmo caminho dos cidadãos que perderam o norte de suas vidas e pararam ao relento da miséria das ruas. O chegar a esta situação começou muito antes da miséria da rua em si. Começa na incapacidade de ver uma cachoeira de erros grotescos que inundam nossas próprias vidas que se sucedem sem parar, e que vão dar no que são as cidades, exatamente como a falta de coleta de esgoto. O que somos, o que dejetamos, depois que se aperta a descarga vai parar onde ninguém quer saber. Em outras palavras, saiu de perto não é mais problema nosso, o que é um absurdo. A questão é que tudo dá voltas e volta para o cidadão. A cidade é reflexo perfeito de seus cidadãos, os bairros bonitinhos e os horrorosos incluídos, tudo, absolutamente tudo. 

Como sair desta? Arrumar uma coisa por vez. Primeiro o quarto, a sala, depois varrer a calçada, conhecer os vizinhos, acertar a rua, interessar-se pelo bairro..., olhar com um mínimo de humanidade os outros, os diferentes. Digo, sabendo o que estou dizendo: a saída está na cidade, no construir uma cidade com qualidade de vida. E digo mais, a cidade é a saída para praticamente todos nossos males, os pessoais, os micro, os médios e os macro. Populações que entenderam isto reconstruíram suas cidades, e com isto suas vidas. Os desajustes e os desajustados acabaram? Não. 


domingo, 12 de julho de 2026

Nossa seleção e o 'exemplo' Neymar

Organizações Tabajara. Seu Creysson. Estaríamos muitíssimo melhor se fossemos por aí. Em tudo. Mas não, queremos ser "ríquio", como dizia o genial Seu Creysson, e aí está o problema. Mas "não pode!", como diz a também genial professora da escolinha do Irmão do Jorel, desenho animado.

Neymar não funciona porque é pobre. (Posso bem imaginar o que está passando pelas cabeças que me lêem aqui). Neymar é um pobre-rico-pobre, ou um coitado cheio da grana que pensa de maneira errada. (Melhorou ou piorou o que aqui coloco?). Neymar foi e segue sendo um péssimo exemplo para o país. É excepcional quando quer jogar, começa por aí; 'quando quer jogar'. Mas é mimado, frágil, infantil, não raro não só inútil, mas prejudicial ao time. Não assume sua dádiva, precisa mostrar quão ríquio e puderosio é. E arrasta com este seu pobre-rico-pobre uma geração de jogadores que querem ser iguais fora de campo, porque dentro de campo se ajoelham ao ídolo e sua ideologia futebolista ríquia. Seu Creysson que o diga, que narre a partida com o 10 nas costas caindo para a torcida. Heresia total, camisa 10. Falta de respeito ao Negão, ao gênio, ao semi deus atleta do século, Pelé. Ao rico rico rico humilde. Obrigado Pelé, obrigado.

Neymar será um reflexo dos Vorcaros do momento? Ou o contrário? Afinal, seus parças são tão parecidos com os Master. Não será o vexame de nossa seleção um simples reflexo do que este país se transformou há muito?

A genial riqueza de nosso futebol, aquele que se perdeu no passado longiquo, foi-se com o sumiço dos campinhos, da várzea, com a destruição de nossas cidades, o brutal empobrecimento de nosso pensar, ver a vida, entender o que realmente é riqueza, cultura, tradição, educação, respeito, respeito ao próximo. Brasil é um pobre-rico-pobre país, ou somos todos, com certeza.

Os últimos momentos de Neymar em campo representando nosso país foi um asco que deveria ser reprimido com veemência. Mas não. Mostra bem no que nos transformamos.

JK pensou 50 anos em 5, e embarcamos nele. Coisas deram certo, coisas deram errado, mas demos um belo salto a frente. E nossa seleção começou então a trazer a Jules Rimet para casa. E aqui, neste Brasil, foi roubada e nunca mais se soube da original. O que está lá é uma cópia, em outras palavras, uma vergonha nacional. Símbolo do país que vinha com força e está aí para quem quiser ou não quiser ver. A roubada deve ter sido transformada em churrasquinho com cerveja para os parças, e nenhum deles deve ter se interessado como aquilo aconteceu. Dane se! Exatamente como agora. Vamos para o próximo churrasquinho.

Tetra e penta foi construído em cima de exemplos que estavam lá, jogando ou treinando. Não me lembro de nenhum deles esnobando suas riquezas para subordinar seus semelhantes e companheiros à sua glória. E aqui chegamos ao "eles e nós", tão brasileiro, tão canarinho. Eu diria, tão canalhinho.

Viva seu Creysson, viva as Organizações Tabajara. Aquele país, aquele Brasil, aquelas nossas seleções eram muitíssimo mais ricas do que isto que temos hoje. Ou se ri da vida ou a vida ri de você. A única saída para esta tragédia anunciada que temos agora é a esculhambação. É muitíssimo mais inteligente do que todos estes imbecis nos estão propondo e prometendo.

Não tenho dúvidas, 7X1 foi pouco. E digo como brasileiro, de família de brasileiros, de tradições brasileiras, de esforços suados, amados, trabalhados para construir um país, o Brasil.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Monotrilho de São Paulo: o que me lembro e algo mais

 Na época que se iniciou a ideia do projeto lembro de ter ouvido de várias fontes de dentro dos governos que não se deveria optar por monotrilho, que por diversas razões seria uma opção problemática, até a pior. Bingo! A questão então era o custo de construção, mais baixo que metro, e tempo para término do projeto, o que imediatamente descartou metro subterrâneo. Houve quem falasse em VLT, que aqui gera zero simpatia, apesar de suas inúmeras qualidades urbanas e ambientais. VLT é mais rápido de implantar, e seus resultados ambientais são comprovadamente positivos. E carrega tanto quanto um monotrilho. O custo é um pouco salgado, mas se pagam com facilidade. Melou a questão de ter ruas e avenidas interditadas por certo tempo. Bingo! Monotrilho! O resultado está aí.

Agora, um projeto destes implica em outras questões. Foi gasto muito dinheiro com projetos sobre o que fazer com o impacto direto e no entorno do monotrilho. O impacto em certas ruas ainda é grande e indefinido até hoje, o que implica em ruas que serão ou não afetadas, casas e terrenos que serão ou não desapropriados, impactos de grande vulto em vários bairros, etc... Uma amiga micou com sua casa por 20 anos e só agora consegui vendê-la a preço de banana, um exemplo prático da baderna. Na mesma rua Otávio Mangabeira e nas próximas são inúmeras na mesma situação. Os projetos de acertos em Paraisópolis... E assim vai por todo trajeto, o executado e pronto e o que sabe-se lá quando acontecerá, se acontecer. Que se danem os cidadãos.

Um monotrilho e sua estrutura imensa para suspender a composição, causa um impacto ambiental urbano nada desprezível que está levando em algumas partes do mundo a demolição dos mesmos.

O próprio Alckmin reconheceu em entrevista que o monotrilho foi o maior erro de sua administração.

Agora, como de certa forma acompanhei o início de toda esta coisa, tenho a repetir o que venho repetindo sempre aqui: um projeto desta magnitude afeta toda a população, não só os que serão beneficiados ou afetados. Como sempre só um pequenino grupo de cidadãos se interessou, participou e tomou providências. Em outras palavras: como sempre a maioria calou.

Bem vindo ao Brasil, Ancelotti

 Bem vindo ao Brasil, Ancelotti.

Futebol brasileiro está uma vergonha faz muito, e não falo só de seleção. O pão e circo se transformou há muito em pão e câncer. Bet na cabeça! Pode apostar.

Estou triste pelo que aconteceu, mas muito feliz pela esperança que este seja o começo do fim da era Neymar e seus parças, um péssimo exemplo dentro e fora de campo. Concordo plenamente com os comentários que este resultado é reflexo do que o Brasil se transformou, e estou falando de tudo, de todos, os que mandam e os que aceitam em silêncio o que acontece.

Roberto da Matta afirma, com toda razão e alguma base na ciência, que trânsito é um ótimo reflexo da sociedade. Não me lembro quem afirmou o mesmo do futebol. Torcida única? Pancadaria programada? Patrocinadores sem compromisso com nada, alguns sem quesitos legais? Jogadores nas mãos de quem? Tudo está mais que estampado em toda imprensa e mídia, e não é de hoje. Alguma novidade?

Desclassificados. Perfeito. Desclassificados! Não só a seleção, mas tudo e todos. Desclassificado, literalmente, veja o dicionário. Vai Brasil!

Os 26 foram nada mais que brasileiros. A carnificina de nosso trânsito (mais toda violência diária) que o diga. Vai Brasil!

E aí, o que vamos fazer?


domingo, 5 de julho de 2026

Brasil desclassificado...

Triste pelo Brasil, mas extremamente feliz pelo fim da era Neymar. Neymar foi um dos piores exemplos que este país teve. Vencedor, sim, mas dá forma que foi, que ele aproveitou sua dádiva, que se comporta, prefiro ser perdedor. Ditos perdedores que lutam com dignidade têm vitórias muito mais sólidas e perenes, muito mais válidas como exemplo. "Você sabe com está falando?" de semi deuses que adoramos tem que acabar, aliás já deveria ter acabado há muito. É uma questão de brio, dignidade.

Faço meus votos e preces que com esta desclassificação comece a desmoronar o Brasil dos messias, dos salvadores da pátria, dos ditos "única salvação do país", paus ocos da pior espécie, todos.

O próximo jogo decisivo será nas eleições. Brasileiros, tenham um mínimo de dignidade, um mínimo de autorespeito.

Viva Cabo Verde!

Brasil desclassificado? Com certeza absoluta: Brasil desclassificado, e triste dizer, não só no futebol, mas em tudo. Brasil desclassificado!


Explica o que afirmo?

Estradas virtuosas: manifestos, manifestar-se

Mais um manifesto com propostas para tirar o Brasil desta loucura, desta vez um grupo coordenado por Michel Temer. Mais um grupo de pessoas trabalha para propor saídas, mudança, transformações. É assim que se faz. Vamos lá, vamos pensar.


Todo meu apoio a toda e qualquer proposta que ajude a reconstruir o que resta de nossa sociedade. E apoio por que no passado pensei, escrevi e distribuí, junto Sergio Luis Bianco, manifestos que demoraram, mas vingaram ideias práticas e construtivas. Na época procurava atender às necessidades de mais de um terço da população brasileira (IBGE 1981), algo em torno de 40 milhões de Brasileiros, tentar organizar um setor industrial que então era o terceiro maior do mundo, e que se provava ser uma ferramenta importantíssima na reorganização das cidades e sua população. Muitas vezes fomos recebidos com sorrisos irônicos, outras com desprezo, e até com irritação, mas entregamos o manifesto e mesmo com demora conseguimos resultados.

Interessa as ideias positivas, construtivas, interessa o bom trabalho, interessa o trabalho. Há uma imensa diferença entre as ideias, o trabalho, e quem as produz. O que interessa, de fato e em última instância, é o resultado que causará.

Um bom historiador prova com facilidade que muito do que de bom foi construído pela humanidade partiu de pessoas que tinham lá seus defeitos, não eram boazinhas ou foram execradas em suas épocas. Galileu! dentre milhares.

Interessa o resultado final do trabalho ou a Santa Inquisição? Ah! a Santa Inquisição... quantos resultados maravilhosos deram à humanidade... Pelo jeito, muitos ainda estão nesta, e como estão. Viva a cegueira da ideologia, viva os santos de pau oco, viva as fogueiras, mando eu! Minhas críticas são imponentes, transformadoras, essenciais. Queime-se quem de mim discordar. Que ardam no inferno, no inferno que lhes desejo.

(Meus caros, não sei se perceberam, mas o inferno se instalou aqui. E que inferninho caprichado!)

Pelo que se lê aqui nos comentários, o único poder que nós, brasileiros, temos é o da crítica. Deprimente.

Uma das sabedorias é fazer críticas que possam ser construtivas a uma ideia. A crítica pela crítica, pelo "você sabe com quem está falando?" é o criador deste Brasil "nós e eles" absolutamente disfuncional.

Um dos comentários diz que estamos desorientadas com o que acontece na política faz décadas. Sim, estamos. Está claro, fica patente quando se lê os comentários aqui. O trágico é estarmos desorientados há tanto tempo e simplesmente não reagirmos. Empacamos quendo o outro pirou de vez, virou uma coisa inaceitável. E aí? abaixa a cabeça, aceita, não faz nada, sequer vai procurar construir sua própria vida, a vida dos seus, a vida dos que querem um futuro melhor? Você senta e em silêncio vê a loucura enlouquecer e destruir todos e tudo? Uau!


Sobre o que era o manifesto? Sobre o artigo de primeira necessidade para boa parte da população, como declarava o IBGE de 1981, sobre o transporte de uns 40 milhões de trabalhadores, sobre um setor que gerava uma quantidade imensa de trabalhos, sobre a construção de cidades amigáveis, sobre diminuiçãode mortes no trânsito, sobre diminuiçãode custos previdenciários... O manifesto falava sobre 'bicicletas' e tudomque ela envolve, que émuito mais que pedalar em segurança.

Valeu a pena cada linha. Valeu a pena cada crítica. Valeu a pena cada sorrisinho irônico. Não só pela bicicleta, mas pelo país, por todos.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Caco de vidro na água da professora. Novidade?

Antes de qualquer coisa digo: esta história é um absurdo, literalmente, mas não tem qualquer novidade. Como está em vários comentários, só reflete o país que vivemos. Ou quem somos.


Não fui um bom aluno. Sempre fui da turma do fundão. Tive um currículo escolar nada abonador, com inumeras suspensões e algumas expulsões. Na última acabei em um colégio que acolhia indisciplinados, por assim dizer. Colégio de expulsos era uma outra coisa, e as histórias que se ouvia de lá eram completamente absurdas, inaceitáveis (, mas eram aceitas por uma parcela da sociedade). Eu fazia parte de um grupo que aprontou, mas tinha noção clara de que linha não deveria passar. A bem da verdade, todos aprontaram, fazia parte das bênçãos da adolescência. Infelizmente conheci os que se sentiam livres para fazer a merda que bem entendessem, muitos deles com uma espécie de conivência das próprias famílias e da sociedade. Alguns destes mesmos viraram figuras proeminentes em suas áreas, a maioria se dando bem principalmente num mercado de trabalho tão difícil, selvagem, como o nosso, do Brasil. Os bonzinhos sobreviveram pela vida. Isto é fato. O ambiente de vida no Brasil não é para inocentes.

Quase no fim de meus estudos básicos, 1959 - 1973, pedi autorização para ter um dia de aula com os colegas de classe do colégio que tinha sido expulso. Eles eram os bons alunos, eu era o expulso. Saí de lá assustadíssimo como que vi. Muitos dos "bons alunos" tinham um comportamento muito pior que os expulsos que eu tinha convivido, comportamentos durante as aulas que seriam inaceitáveis entre os expulsos. Descobri que a regra é saber fazer para não ser pego. Sim, hoje está claro, a regra no Brasil, em tudo, é saber fazer para não ser pego. A baderna jurídica nos leva a isto. Nós três níveis, federal, estadual e municipal, temos a bagatela de 2.740.000 leis vigentes, muitas sobrepostas. O número de leis dos códigos criminal e civil é outra loucura inexplicável. Não sei como estamos agora, mas até ontem tínhamos algo como 54 impostos (é isto? Nãoestou louco? ), muitos imposto sobre imposto, o que é ou deveria ser ilegal. Ilegal? Aqui? Piada! E para completar, como afirma Marcos Lisboa, algo em torno de 800 normas comerciais novas por semana...

Temos dois problemas graves, um é da educação escolar, outro da educação social e familiar. O Brasil que temos nas escolas é fruto inequívoco do Brasil social. O que não falta neste Brasil é santo do pau oco. A lavanderia é literalmente generalizada, financeira e jurídica. Sem isto é praticamente impossível sobreviver aqui. Que exemplo damos aos nossos filhos e netos? O que vai da boca para fora? É coerente com os pequenos pecados que fazemos com toda naturalidade no dia a dia?

Não é só repensar a educação escolar. É repensar quem somos. Ou fica muito confuso para nossos filhos, netos, sobrinhos...

Senhoras e senhores, o pior crime é o silêncio, a falta de ação para corrigir o errado, o "não posso fazer nada".

domingo, 28 de junho de 2026

Festa junina de rua genuína

A filmagem é mal feita de propósito. Deixei o foco para baixo para não identificar o local. Vi pela vidr inúmeros eventos e festas organizados por comunidades locais acabarem depois que viraram "populares". Há uma monumental diferença entre o que deveria ser cultura popular e o que se faz com está.mesma cultura popular para ganhar escala. 

Infelizmente tive que ir até em casa para pegar o celular para filmar. Quando voltei a festa estava menor, principalmente porque tinha acabado o horário dos menores. Na minha primeira passagem a festa tomava toda rua, com o palco numa ponta e as crianças pequenas noutra. Estava maravilhoso, é um pouco menor seguiu assim. 

Era assim na Festa da Achiropita, San Genaro, São Vito e tantas outras. Era possível andar, parar, conversar, saborear, não ficar surdo... Festas juninas pequenas, com respeito às tradições, som em volume normal...

Infelizmente temos a horrorosa capacidade de estragar a maioria das coisas boas que temos ou tinhamos. E mais triste ainda é que não há qualquer exagero meu nesta afirmação. 

Fato é que fazia muito tempo que não via uma festa junina tão linda e agradável como esta tão mal filmada - de propósito.



Governo vai fazer algo pelos moradores de rua

Está noticiado, o Governo Federal apresentou algo em relação aos moradores de rua deste país, que segundo pesquisas já contam 380 mil, uma tragédia.

Parabéns pela iniciativa. Moradores de rua é uma questão dramática muito particular em todas sociedades, mas que aqui neste Brasil de tantas ditas e convenientes preocupações sociais só agora parece entrar na pauta do dia. Demorou. Mais um vez, a frente de uma eleição. Milagre populista? Realmente espero que não, mas tendo em vista tantos bons projetos desta dita esquerda que nos governa, não acharia estranho que mais uma vez ficasse na intenção ou os resultados acabem pífios.

Faz muito, décadas, que li uma matéria na revista Time sobre a questão dos moradores de rua em NYC. Em tradução raza, o título é "Lenta descida para o inferno". Brutal. A Time liberou um de seus jornalistas para viver seis meses nas ruas. O relato é seco, duro, brutal. Mais brutal ainda foi o artigo complementar sobre o drama da Time para tirar o repórter das ruas, o que ele não queria e lutou para não acontecer, mesmo tendo família e tendo passado o rigorosíssimo inverno congelante nova-iorquino dormindo na calçada, revirando lixo em busca de comida e tendo sido enxotado com frequência, dentre outras. Exatamente como aqui ou em qualquer lugar do planeta.

Mais ou menos na mesma época da matéria da Time, um dos que estudaram na mesma escola que estudei, foi parar na rua. Não se afastou de onde vivia e convivia, rua Augusta e travessas, o dito Jardins, local rico da cidade. Viajado, coisa rara naqueles tempos, falava fluentemente inglês e francês. Cito este caso porque a família lutou mas não conseguiu evitar que morresse como indigente. Em outras palavras, morador de rua é uma questão social muito mais específica e complexa do que parece a princípio. Já foram publicados aqui no Brasil vários textos e entrevistas com especialistas apontando as dificuldades reais no trato e recuperação deles, e não é nada fácil.

Seria interessante a publicação de um outro artigo, sem papas na língua, aprofundando a realidade dos moradores de rua, causas e consequências. E se quiserem ir mais a fundo nas causas se deve entrar na responsabilidade das cidades tanto no que toca ao econômico e pricipalmente sobre a saúde mental da população, toda, não só da periferia ou de favelas, como alguns imaginam ser o ponto de partida. Morador de rua não é uma questão só de pobreza, periferia ou ser periférico, mas uma questão de saúde psicológica coletiva. E o que é a cidade,mde todos, de tudo, tem tudo a ver com isto. 

sexta-feira, 26 de junho de 2026

As bets no Brasil

Sobre o editorial do Estadão 
26 de junho de 2026

A onipresença das bets tem de acabar


'A filha está ficando adolescente, então vende o sofá'. Vale a gozacão, que em outras palavras reflete a forma trivial de pensar como nós resolvemos problemas. Como tudo, a nossa questão é educação, a básica do básico, aquela que rege qual linha não se deve passar, que não é inteligente sequer se aproximar. E a falta de interesse do que acontece lá fora, das referências. E o "você sabe com quem está falando? Eu sei o que estou fazendo" que impera entre nós.

Sempre fiz minha fezinha na Mega Sena, mas confesso que tenho uma 'certa' desconfiança sobre a lisura dos jogos oficiais. Como a cidade que mais aposta no país é tão pouco premiada? Por que a lei da probabilidade tem uma variação tão... estranhamente variável? Quantos políticos já ganharam na loteria oficial? Para onde vai de fato o dinheiro arrecadado? Vai para bens sociais, como deveria? Será?

Tirando meus pensamentos conspiratórios, brasileiros têm razões de sobra para não confiar no 'oficial', o que quer que seja, incluindo jogos. Em quem você confia mais, no governo federal ou num jogador de futebol vencedor mundo afora?

Nos falta educação, a social, familiar, e a escolar, o b a ba, nos falta discernimento, capacidade de julgamento, senso pragmático. Nos falta noção de limite. Nosso problemão é o sofá da sala.

Eu gostaria de ver uma entrevista das boas, sem censura, dom jornalista inteligente fazendo perguntas para um bicheiro dos grandes que soltasse o verbo sobre o que de fato foram e são estas bets no Brasil. Eu quero muito saber qual é a história real por trás disto tudo, inclusive os reais vencedores desta história. Pensamentos conspiratórios? Será?

terça-feira, 23 de junho de 2026

De duas coisas (chatas) não se escapa nesta vida. Então, encare.

Funciona deixar passar um problema na família dizendo que vai passar, vai melhorar? Funciona esconder doença? Funciona não falar sobre as dividas? Funciona fazer de conta que algo não existe?

Via de regra deixar passar, não conversar, não se interessar acaba dando problema ou piorando muito a situação.

Não passamos da hora de começar a discutir temas importantes, mesmo os desagradáveis, mas de importância capital para cada um de nós? Eu gosto de entrar de sola nestas chatices? Sou gente como qualquer um, também prefiro sombra e água fresca.

Tem saído cada dia mais matérias, mais entrevistas, mais recomendações, para que assuntos desagradáveis sejam discutidos de forma aberta, seja com familiares, amigos, sócios, empregados, cuidadores, especialistas ou advogados..., com quer que seja. Nada mais sábio.

Toda vez que entro no tema que escrevo abaixo vejo que o número de leituras despenca. Peço encarecidamente que leiam e pensem. Por vocês próprios, encarem o inevitável. E começo com uma piada para amenizar:

Há duas coisas na vida que ninguém escapa, pagar impostos e morrer.

Estes temas são inevitáveis. Sobre imposto de renda a conversa está cada ano mais fácil. Quem é novo não faz ideia do que era entregar tudo para o contador e esperar por notícias, nem sempre boas. O IR atual é uma baba, mesmo assim coisa chata de se falar. Quem morou fora do Brasil diz que lá fora é muito mais complicado.

O tema morte não é só desagradável, o tema morte é simplesmente inevitável, ponto final. Não há escapatória, ponto final. "Nós que aqui estamos por vós esperamos", verdade verdadeira. Qualquer posicionamento contrário é de uma burrice, uma falta de auto respeito sem tamanho. Negar é masoquismo, dos piores, os mais devastadores. Não faça isso consigo.

Repito o que já escrevi várias vezes: quer melhorar e muito sua qualidade de vida? Pois então entenda o que é e deve ser morte. Não é um contrassenso. Simples, prepare-se. Não estou falando de sua morte, mas de mortes que vão acontecer pela vida.

Quer melhorar e muito a vida de todos nós, brasileiros, pois então coloque a conversa e a discussão 'morte' na pauta do dia a dia.



Comentário meu no Estadão:

Abrir a discussão sobre mortes, todas, sem excessão, urge neste país. Temos que começar de alguma forma, e os temas e a forma que Ana Cláudia traz é um ótimo ponto de partida. Brasil é um dos países mais violentos do planeta. Morte violenta não é só as de tiros, assassinatos e acidentes de trânsito, que são um descalabro total, uma vergonha nacional sem tamanho e justificativa, mas também a morte natural sem um pingo de dignidade que acontece em hospitais.

O outro lado da questão é simples de entender. Espero que nós, brasileiros, tentemos acertar esta situação vergonhosa antes que ela venha doer mais ainda em nossos bolsos, que parece ser a única coisa que se entende por aqui. Sou um brasileiro que acompanha finitudes há tempo e afirmo que o que vem acontecendo está errado, muito errado.

Afirmo com todas as letras, nós brasileiros perdemos o sentido da boa humanidade. O bom senso se foi faz muito.


PS.: T W, que está velhinha e doente, teve um treco há quadro dias. Levada para o hospital, horas depois um médico veio conversar sobre a situação, grande probabilidade de óbito em 24 horas, máximo. Pois então, 24 horas após a notícia a médica que está atendendo simplesmente não conseguiu entender a recuperação absurda que ela teve. E eu fritei a cabeça, estou exausto. Toda a equipe que cuida em casa dela, cuidadoras, enfermeira chefe e médica geriátrica, já percebeu que ela não quer morrer num hospital, mas em casa. Segundo vários relatos, são inúmeros os casos assim.

Eu tenho pensado muito no que é ou deveria ser morte. Tenho lido, tenho conversado com médicos e especialistas, tenho buscado informações. A única coisa que para mim está claro, que todas as informações não deixam mais duvidas é que do jeito que a morte vem sendo tratada no Brasil é um erro grotesco, e que se tem que fazer algo para mudar a situação. O tema não é fácil, não tenho dúvidas, mas passamos da hora de encará-lo.

Mortes no trânsito e seus números

 Recomendo que procurem via Google o número de mortos no trânsito brasileiro. É diferente do publicado aqui, muito menor. Como trabalhei na área, acredito mais no número publicado aqui. Os um pouco mais de 6 mil mortos / ano que encontrei no Google me parece pouco. Que seja, palpites costumam ser errados, mas fatos são fatos, o trânsito brasileiro é violento, principalmente quando se olha nosso PIB, aí é uma vergonha completa. Mas, como está num outro comentário, quem se importa. "Morreu, antes ele do que eu", velho ditado bem brasileiro. Dane se o outro.

Porque meu palpite vai para os mais de 13 mil publicados aqui? Simples. Tenho um amigo que fez uma pesquisa detalhada sobre acidentalidade numa das importantes cidades nordestinas. Acabou descobrindo que a Prefeitura e o órgão de trânsito não faziam ideia dos números nem da esquina mais perigosa da cidade. Um dia ele me ligou dizendo que mais de 80% dos leitos do hospital público da cidade estavam ocupados por acidentes de trânsito, quase todos motos. Não cito nomes para não criar problemas para ele, que já sofre mais que simples pressão. Ou seja, é provável que os números de mortes violentas sejam maiores, por falta de notificação. Por exemplo, não são contadas as mortes ocorridas depois de uns tantos dias pós acidente, dentre outras.

Brasileiros reclamam pesado de multas, a dita 'industria da multa'. A verdade é que o Brasil é um dos países que menos multa. Faz um tempo a CET SP divulgou um dado sobre o número de multas aplicadas X o número de multas que deveriam ser aplicadas com base no CTB. Uma vergonha! 

Sem dúvida, fiscalização e punição. É inaceitável que um nome dito 'importante' provoque uma morte porque estava a 180 km/h e só venha ser julgado anos e anos mais tarde. É inaceitável que um casal escape de condenação mesmo as provas sendo irrefutáveis. É inaceitável que aceitemos a precariedade de trabalho de nossas perícias e legistas. É inaceitável que brasileiro não entenda a importância de pesquisas e dados precisos. Mas é crível que aceite o que temos, afinal, "morreu, morreu, antes ele do que eu", definição trágica de quem somos.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Como sair da enroscada das bets ganhadoras?


Bom texto de Frankito. E alguns bons comentários. Mas e daí?

Educação, sempre educação, educação é a solução. Dutra proibiu os jogos de azar no Brasil, pois então, qual foi o resultado? A sagrada família ficou feliz e mais para frente os bicheiros ficaram muito mais felizes ainda. Bingo!

Lavanderia, provavelmente sem muitas dúvidas. Mas não só o jogo. A fézinha dominical também não cheira forte a lavanderia? Algum controle sobre as dádivas dominicais? Ou seja, vícios que produzem lavanderia neste país é o que não falta. Educação!

Vivemos um tradição, propriedade e família enviesado, tão ruim quanto os expurgados. Nossa tradição, a decente, se desintegra; nossa propriedade, em vários sentidos, ganhou um novo sentido (selfie!) nada produtivo (sorria, selfie!); nossa família, ah! nossa família!, (peguem seus celulares e digitem: 'fica quieto, comporte-se!'). Educação, formal e informal, a caseira, onde foi parar?

Nossa educação virou Master, bet, religião, celular, selfies, euntenho direito, sabe com quem está falando?..., em outras palavras, moralismo, do bem e do mal, nosso e deles, moralismo. Tradição, propriedade e família, simples assim, sem a necessidade de pedir desculpas pelo trocadilho para lá de pesado. Trágico!

Mas nós somos diferentes, como se faz o discurso trivial. As experiências externas não valeram nada para alerta. Nós somos diferentes. Agora que o bicho virou uma espécie de Gozila, mais um, o que se faz? Como resolve (para valer)? "Nós sabemos". Pois então mexam-se.

Mjnha recomendação? Educação. A social já vai ajudar muito. Comece por não apontarmo dedo para os "outros culpados" e passe a buscar saídas, soluções realistas, factíveis. Exiate um pais de futuro se parar de pensar que se ficar o bicho come, se correr o bicho pega. Não aposte nisto, voce e todos nos vamos perder.

domingo, 21 de junho de 2026

Nossa realidade: somos os únicos bobos?

Ótimo texto. Ótimo titulo. Poderia ser extrapolado para infinitas outras situações que nos tornamos como país. Não me lembro qual sociólogo afirmou que o que acontece dentro de um campo de futebol é ótimo reflexo da sociedade que representa, e seu momento. "... reflete nossa realidade: únicos bobos no futebol atual somos nós". Não só no futebol, mas no que se reflete no futebol, e em outros esportes, em outras atividades de nossas vidas, todas, esportivas ou não.

Enquanto o "Você sabe com quem está falando?" não for completamente varrido de nossas vidas brasileiras, enquanto não ficarmos cobrando milagres do santo, do poderoso de ocasião, não vamos chegar onde queremos, pretendemos, desejamos e acima de tudo necessitamos.

Futebol é um jogo coletivo, onze jogadores com o mesmo objetivo. Para o resultado final vale cada suor dos onze, não a importância do brinquinho, de quanto ganha, sua riqueza, uma ostentação doentia, os amiguinhos de ocasião... Resultado se constrói, não vem pelo que se foi no passado, mas pela força da união. Foi assim em todos bons resultados que tivemos nas Copas, o hexa e os vices. AH! Os vices... Ah! Os terceiros e quartos colocados. Estes para os brasileiros não valem nada. Telê foi um perdedor...

"Para o brasileiro o segundo colocado é o primeiro perdedor" - Nelson Piquet. Brilhantemente preciso. Em todo planeta Emerson Fittipaldi é chamado com todo respeito de "campeão mundial". Aqui ele é "ex-campeão mundial". Resume tudo.

Senhores e senhoras, haja "complexo de vira-latas", diria Nelson Rodrigues. Acho que passamos e muito da hora de mudar.

De minha parte, boa sorte seleção.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Acreditar na ciência


Este vídeo é difícil de seguir. A menina fala rápido num inglês claro, mas traz muita informação. O que ela diz está baseado em dados e ciência, é para se pensar, e muito. Fala sobre a questão da poluição causada pelos plásticos nos oceanos, e a partir daí vai questionando uma série de informações que eu tinha como certas, mas não eram. Além de trazer novas informações, com dados, sobre o que realmente está acontecendo.

Quanto mais eu leio, mas me sinto um imbecil funcional em relação a realidade que vivemos. E quanto mais imbecil me descubro, mais quero me aprofundar em informações que provavelmente vão me fazer sentir mais imbecil ainda. Deprimente? Não, não mesmo. Nunca me senti tão forte. Não faz sentido? Faz, se faz.

(Significado de Imbecil adjetivo Desprovido de inteligência; que é tolo ou idiota. Que expressa imbecilidade; que não tem sentido; banal. Que não possui forças; fraco.)

(Significado de Ignorante substantivo masculino e feminino Quem não sabe algo, geralmente por não estudado nem praticado. Pessoa sem instrução; quem não tem conhecimento)

Melhor seria ignorante? Eu diria que não, porque com toda a imensa possibilidade de ter informações corretas e de qualidade que dispomos só minha imbecilidade ainda não foi atrás. Sempre fui curioso, mas limitado. Confesso que tinha horror de entrar em bibliotecas, por diversas razões, mas lia, procurava me informar.

Talvez o primeiro desejo que tive de mudar as coisas, ainda bem jovem, foi comprar um dos muitos morros carecas e cheios de cupim que via pela rodovia Fernão Dias e conseguir reflorestá-lo. A informação existente sobre cupins é que era dificílimo combatê-lo, que era praticamente impossível reflorestar uma área devastada.
Não faz muito saiu uma matéria justamente sobre recuperação de áreas cheias de cupinzeiros, e para minha completa surpresa o biólogo simplesmente desmontou tudo que eu sabia sobre o assunto. Reflorestar estas áreas é muitíssimo mais simples do que poderia sonhar. Primeiro, cupins 'adubam' o subsolo, depois basta plantar mudas nativas corretas... Usar o cupinzeiro como adubo..., queria fosse tão simples como o milagre das respostas da internet. De qualquer forma, não é o bicho de sete cabeças que foi dito.

Ou seja, aquele conto de terror que falavam no passado, dentre eles "ou nós acabamos com o cupim, ou o cupim acaba com o Brasil" ou era baboseira, ou era ignorância, ou ainda não havia conhecimento científico. Talvez um pouco dos três, em especial falta de pesquisa, desconhecimento ou desinteresse pela ciência.

Não tenho a mais remota dúvida que a saída mais fácil para todos nossos problemas está no conhecimento, na ciência. Tenho lido os comentários sobre matérias publicadas no Estadão e confesso que estou pasmado com algumas coisas lá escritas. Tem gente que de fato pensa que 2+2=69 (chupa!), ou 7 (pra dar sorte na bet), ou 987xx544 (um celular qualquer), ou... estocar ventos, ou... sei lá, qualquer coisa relacionada a alguma ideologia ou religião (esdrúxula ou não tanto). Terra plana?

Só sei que nada sei. E estou apavorado por descobrir minha ignorância. Apavorado e feliz. Agora sei quem sou e como crescer e posso ajudar.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

100 dias entre céu e mar, o filme. Entrevista de Amyr Klink

Amyr deveria ser uma das referências para os brasileiros. Deveria, mas infelizmente não é. É pouco conhecido, pior, pouco compreendido até por quem tem tudo na vida para raciocinar. Referências humanas como Amyr por aqui são peixes fora d'água. Triste.

O Brasil virou um oceano de espertalhões que fazem a população remar rumo ao canto das sereias, muitas delas plastificadas, com botox, preenchimento e sei, lá mais o que. Deprimente. É um país de naufrágio certo.

Se a tempestade está brava, se o barco chacoalha para valer, se começa a fazer água, é bom manter a calma, ouvir, se entender e trabalhar em conjunto para a coisa não piorar. Ou o trabalho é coletivo, ou a coisa vai piorar. Enfiar o dedo em riste no nariz do outro responsabilizando a tempestade a ele para depois se trancar na cabine blasfemando não costuma dar certo, diz a experiência secular. Amyr diz este tipo de coisas, e sabe o que fala. Do contrário não falaria porque estaria morto.

Como diz Amyr: eu estudei os erros para encontrar saídas viáveis. E assim Amyr cruzou o Oceano Atlântico. E assim navegou onde é como praticamente ninguém conseguiu. Não será um exemplo?

Esta entrevista dada pelo Amyr ao Estadão sobre o filme vale a pena ser vista. Não sei como não assinantes conseguirão abrir, mas quem puder, veja, esta o qualquer entrevista dele.



quarta-feira, 10 de junho de 2026

Construa sua vida. Não se autodestruindo

Eu bem sei quando e quanto errei pela vida, e sei que não tem volta atrás para corrigir o que foi feito. Meu potencial como pessoa e de trabalho foi bem acima do que alcansei e uma das principais razões sei bem: comunicação. Vivo escrevendo que se tenha cuidado com a comunicação porque sei de causa própria a diferença que faz não deslisar nas palavras. Sinceramente espero que eu consiga deixar um pouco da minha experiência para que não repitam a mesma besteira que fiz aos montes.

"Ou você ri da vida ou a vida vai rir de você". Não tenho a mais remota dúvida que levar qualquer situação pelo lado divertido traz melhores resultados, mas também carrega riscos, aliás, como tudo. 

Desbocado tem momento e lugar certo para valer a pena. Senso de humor só funciona com desbocamento inteligente, apropriado, não necessariamente chulo. Eu invejo os bons comediantes por sua inteligência e capacidade de dozar o que o pensamente despeja na lingua. Agora, o desbocado que é desbocado pelo simples fato de achar que ser desbocado funciona, este é um idiota, e digo, cara, muitas vezes fui idiota. O mesmo para aquele que acha que fazer piada é estabelecer um poder, ser mais inteligente que o outro. Demorei muito para controlar a boca, pelo menos os ataques e críticas que num passado distante acreditei que valiam algo. Como se diz na Argentina, "não vale um peido".

Vale aqui uma história. Num determinado momento de minha vida senti que tinha alguma coisa enroscando meu trabalho. Não fazia ideia do que estava acontecendo, até o dia que uma pessoa que eu havia contratado fez o seguinte comentário, "Foi ótimo ter trabalhado com você. Não foi nada do que dizem..." Upa! E acabei descobrindo quem estava fazendo comentários, que até hoje não sei se foram brincadeiras ou maledicência. Fato é que prejudicou.

Já magoei e já fui magoado. De minha parte, sinto vergonha por ter magoado. O que me fizeram procurei aproveitar e aprender. Revidar é burrice. Ouça!

O mundo dá voltas, tenha certeza disto. Cuidado com o que faz e diz, uma hora volta. Aliás, é interessante o que o Budismo diz sobre a necessidade de 'fala correta'.

A história contada neste vídeo a seguir é lugar comum em nossas vidas. Eu ouvi a história e tive um nó na garganta lembrando do meu passado, de quanto perdi por inconveniente, não só com comentários jocosos inapropriados, mas pelas maledicentes, ou ainda, pior, falar fora de hora. "Cala a boca!", que conselho sábio, afinal, em boca fechada não entra mosca.

O sábio que mora no cume da sabedoria tem a resposta: "O silêncio vale ouro". Aprenda. Faça!

terça-feira, 9 de junho de 2026

Manifesto contra a PEC 5x2

Este manifesto está publicado no Estadão de hoje, 09 de junho de 2026, e creio que também esteja em outros jornais. Vem com três páginas de jornal de assinaturas em letras pequeninas, da primeira a última de associações e sindicatos. É impressionante. Eu nunca vi um manifesto desta magnitude publicado em jornal. Aliás, volto a repetir, mesmo nos piores momentos da ditadura não me lembro de tanta loucura junta, de tanto desgoverno,  de todos poderes e de tudo. Mesmo os mais malucos daquela época tinham um limite, tinham uma linha que não cruzavam. Agora cruzam todas em nome da manutenção do poder. Pior, esquerda, direita, centrão, tudo populismo puro, da pior espécie.

Óbvio que se tem que melhorar um monte de coisa, mas só se melhora ouvindo, conversando, afinando a orquestra. 
Quem apoia esta mudança, da forma como está sendo proposta, por favor leiam a história da GM de São José dos Campos, que é muito simbólica, boa referência para esta discussão.

O Brasil só entrará nos trilhos quando todos nós começarmos a conversar como adultos. 

De minha parte assino o manifesto. Não sou contra melhorar condições de trabalho e de vida de todos, mas não desta forma.

No Estadão estão quase 3.000 assinaturas.