Estamos mais inteligentes? Sabemos mais? Provavelmente. Mesmo o mais ignorante dos ignorantes de hoje tem muito mais informação que um qualquer do povão de tempos passados, principalmente nestes tempos de celular e internet. Mas ter informação não significa que o sujeito saiba pensar melhor. Conheço uma tonelada de pessoas ditas de elite, econômica e cultural, que sempre tiveram e continuam tendo pleno acesso a informação de qualidade e são umas bestas quadradas ambulantes.
Eu adoro a expressão que um amigo sempre usava para referir-se a estes que se acham inteligentes: "É um ostra com paralisia mental". É o que não falta. Os ou as piores são aquelas / aqueles que se acham um gênio, os famosos ou as famosas que acham a "Última bolacha do pacote".
Na busca pelo Google: Inteligência é a capacidade mental de aprender com a experiência, adaptar-se a novas situações, compreender conceitos abstratos e usar o conhecimento para manipular o ambiente ou resolver problemas. Envolve raciocínio, planejamento, criatividade e memória, sendo descrita tanto como uma habilidade geral quanto por múltiplos tipos (lógico, emocional, social).
No geral, no jargão popular, quem era considerado inteligente num passado não muito distante, uns 40 anos atrás? Quem conseguia decorar as lições, que por conseguinte tirava boas notas, os CDFs. Os que vão na escola, são bons no trabalho, ou para o povão "os que sabem das coisas". Alguns de fato eram e são. Este conceito geral de inteligência ainda vale ainda para a maioria. Boa memória faz muita diferença na venda de quem se é. Pequeno detalhe, memória até pode ajudar na formação da inteligência, mas não é inteligência, é memória.
Tive a sorte de ter conhecido algumas pessoas bem fora da curva, uns de memória excepcional, outros de inteligência excepcional, e os que juntavam as duas. Não tenho dúvidas que conviver com quem tem memória acima da média é muito mais agradável porque eles a usam como ferramenta de poder social relembrando fatos e nomes com uma facilidade invejável.
Já os superdotados..., bem, estes são um pouquinho mais complicados, só um pouquinho. Cito dois, um fechado em sí próprio, arredio, difícil de conversar. O outro expansivo, comunicativo, explosivo, como definia seu filho "Não é se ele vai ou não brigar com alguém, é certeza que num momento ele vai aprontar uma discussão pesada, resta saber quando". Os dois fizeram coisas na vida completamente fora da compreensão dos normais, da família, amigos e os que trabalharam junto.
E há o que a ciência definiu não faz muito, faz uns 30 ou 40 anos, como inteligência específica. Garrincha fora das quatro linhas, o campo de futebol, pensava quase como uma criança. Já jogando um mundial foi 'a' diferença, um gênio, inteligência de jogo e habilidade incomparáveis. Numa partida decisiva para o Brasil, com placar contra, Garrincha entrou sozinho na área, diblou um, diblou dois, ficou de frente para o goleiro sozinho, voltou a diblar os zagueiros, e só então fez o gol. No vestiário os que viram tudo aquilo e quase enfartaram, perguntaram para ele se estava louco, porque não tinha marcado o gol na primeira vez que ficara de frente para o gol. Garrincha respondeu com toda a sinceridade: "O goleiro não abria as pernas".
Voltando: inteligência específica é a capacidade de pensar e resolver bem situações muito específicas. Um favelado criou barracos dobráveis, que permitiam desmontar e montar a pequena favela muito rapidamente, alguém avisava a chegada do rapa, e eles desapareciam. Outro favelado, um velho senhor, criou uma favela com a mesma técnica de castelo de cartas, se tirasse uma parede caia tudo, mas a estrutura era muito firme e estável. Um velho trabalhador de uma tecelagem entrava no setor de produção e sabia qual máquina que estava com qual problema, com um detalhe, um setor de máquinas de tear faz um barulho ensurdecedor, mesmo assim ele não errava. Um pescador, já muito velho, subia num morro e orientava os pescadores onde estavam os peixes, isto a centenas de metros de distância. Inteligências específicas.
Se a sociedade fosse treinada para perceber e aproveitar estas inteligências estaríamos muito mais bem arranjados. Por uma série de razões, inclusive pela venda que todos somos inteligentes e que cada um de nós temos que lutar pela própria inteligência para garantir um lugar ao sol, não interessa reconhecer uma inteligência que seja de fato útil a todos. O outro é uma besta e nós somos inteligentes, ponto final.
Eu sou inteligente? Não! sou invejoso, muito invejoso da inteligência dos outros, as normais e as específicas, e os fora da curva, os superdotados. Adoro conviver com eles, agradeço muito a benção de ter tido vários 'malucos' por perto, da mesma forma agradeço muito não ser um deles.









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