domingo, 28 de junho de 2026

Festa junina de rua genuína

A filmagem é mal feita de propósito. Deixei o foco para baixo para não identificar o local. Vi pela vidr inúmeros eventos e festas organizados por comunidades locais acabarem depois que viraram "populares". Há uma monumental diferença entre o que deveria ser cultura popular e o que se faz com está.mesma cultura popular para ganhar escala. 

Infelizmente tive que ir até em casa para pegar o celular para filmar. Quando voltei a festa estava menor, principalmente porque tinha acabado o horário dos menores. Na minha primeira passagem a festa tomava toda rua, com o palco numa ponta e as crianças pequenas noutra. Estava maravilhoso, é um pouco menor seguiu assim. 

Era assim na Festa da Achiropita, San Genaro, São Vito e tantas outras. Era possível andar, parar, conversar, saborear, não ficar surdo... Festas juninas pequenas, com respeito às tradições, som em volume normal...

Infelizmente temos a horrorosa capacidade de estragar a maioria das coisas boas que temos ou tinhamos. E mais triste ainda é que não há qualquer exagero meu nesta afirmação. 

Fato é que fazia muito tempo que não via uma festa junina tão linda e agradável como esta tão mal filmada - de propósito.



Governo vai fazer algo pelos moradores de rua

Está noticiado, o Governo Federal apresentou algo em relação aos moradores de rua deste país, que segundo pesquisas já contam 380 mil, uma tragédia.

Parabéns pela iniciativa. Moradores de rua é uma questão dramática muito particular em todas sociedades, mas que aqui neste Brasil de tantas ditas e convenientes preocupações sociais só agora parece entrar na pauta do dia. Demorou. Mais um vez, a frente de uma eleição. Milagre populista? Realmente espero que não, mas tendo em vista tantos bons projetos desta dita esquerda que nos governa, não acharia estranho que mais uma vez ficasse na intenção ou os resultados acabem pífios.

Faz muito, décadas, que li uma matéria na revista Time sobre a questão dos moradores de rua em NYC. Em tradução raza, o título é "Lenta descida para o inferno". Brutal. A Time liberou um de seus jornalistas para viver seis meses nas ruas. O relato é seco, duro, brutal. Mais brutal ainda foi o artigo complementar sobre o drama da Time para tirar o repórter das ruas, o que ele não queria e lutou para não acontecer, mesmo tendo família e tendo passado o rigorosíssimo inverno congelante nova-iorquino dormindo na calçada, revirando lixo em busca de comida e tendo sido enxotado com frequência, dentre outras. Exatamente como aqui ou em qualquer lugar do planeta.

Mais ou menos na mesma época da matéria da Time, um dos que estudaram na mesma escola que estudei, foi parar na rua. Não se afastou de onde vivia e convivia, rua Augusta e travessas, o dito Jardins, local rico da cidade. Viajado, coisa rara naqueles tempos, falava fluentemente inglês e francês. Cito este caso porque a família lutou mas não conseguiu evitar que morresse como indigente. Em outras palavras, morador de rua é uma questão social muito mais específica e complexa do que parece a princípio. Já foram publicados aqui no Brasil vários textos e entrevistas com especialistas apontando as dificuldades reais no trato e recuperação deles, e não é nada fácil.

Seria interessante a publicação de um outro artigo, sem papas na língua, aprofundando a realidade dos moradores de rua, causas e consequências. E se quiserem ir mais a fundo nas causas se deve entrar na responsabilidade das cidades tanto no que toca ao econômico e pricipalmente sobre a saúde mental da população, toda, não só da periferia ou de favelas, como alguns imaginam ser o ponto de partida. Morador de rua não é uma questão só de pobreza, periferia ou ser periférico, mas uma questão de saúde psicológica coletiva. E o que é a cidade,mde todos, de tudo, tem tudo a ver com isto. 

sexta-feira, 26 de junho de 2026

As bets no Brasil

Sobre o editorial do Estadão 
26 de junho de 2026

A onipresença das bets tem de acabar


'A filha está ficando adolescente, então vende o sofá'. Vale a gozacão, que em outras palavras reflete a forma trivial de pensar como nós resolvemos problemas. Como tudo, a nossa questão é educação, a básica do básico, aquela que rege qual linha não se deve passar, que não é inteligente sequer se aproximar. E a falta de interesse do que acontece lá fora, das referências. E o "você sabe com quem está falando? Eu sei o que estou fazendo" que impera entre nós.

Sempre fiz minha fezinha na Mega Sena, mas confesso que tenho uma 'certa' desconfiança sobre a lisura dos jogos oficiais. Como a cidade que mais aposta no país é tão pouco premiada? Por que a lei da probabilidade tem uma variação tão... estranhamente variável? Quantos políticos já ganharam na loteria oficial? Para onde vai de fato o dinheiro arrecadado? Vai para bens sociais, como deveria? Será?

Tirando meus pensamentos conspiratórios, brasileiros têm razões de sobra para não confiar no 'oficial', o que quer que seja, incluindo jogos. Em quem você confia mais, no governo federal ou num jogador de futebol vencedor mundo afora?

Nos falta educação, a social, familiar, e a escolar, o b a ba, nos falta discernimento, capacidade de julgamento, senso pragmático. Nos falta noção de limite. Nosso problemão é o sofá da sala.

Eu gostaria de ver uma entrevista das boas, sem censura, dom jornalista inteligente fazendo perguntas para um bicheiro dos grandes que soltasse o verbo sobre o que de fato foram e são estas bets no Brasil. Eu quero muito saber qual é a história real por trás disto tudo, inclusive os reais vencedores desta história. Pensamentos conspiratórios? Será?

terça-feira, 23 de junho de 2026

De duas coisas (chatas) não se escapa nesta vida. Então, encare.

Funciona deixar passar um problema na família dizendo que vai passar, vai melhorar? Funciona esconder doença? Funciona não falar sobre as dividas? Funciona fazer de conta que algo não existe?

Via de regra deixar passar, não conversar, não se interessar acaba dando problema ou piorando muito a situação.

Não passamos da hora de começar a discutir temas importantes, mesmo os desagradáveis, mas de importância capital para cada um de nós? Eu gosto de entrar de sola nestas chatices? Sou gente como qualquer um, também prefiro sombra e água fresca.

Tem saído cada dia mais matérias, mais entrevistas, mais recomendações, para que assuntos desagradáveis sejam discutidos de forma aberta, seja com familiares, amigos, sócios, empregados, cuidadores, especialistas ou advogados..., com quer que seja. Nada mais sábio.

Toda vez que entro no tema que escrevo abaixo vejo que o número de leituras despenca. Peço encarecidamente que leiam e pensem. Por vocês próprios, encarem o inevitável. E começo com uma piada para amenizar:

Há duas coisas na vida que ninguém escapa, pagar impostos e morrer.

Estes temas são inevitáveis. Sobre imposto de renda a conversa está cada ano mais fácil. Quem é novo não faz ideia do que era entregar tudo para o contador e esperar por notícias, nem sempre boas. O IR atual é uma baba, mesmo assim coisa chata de se falar. Quem morou fora do Brasil diz que lá fora é muito mais complicado.

O tema morte não é só desagradável, o tema morte é simplesmente inevitável, ponto final. Não há escapatória, ponto final. "Nós que aqui estamos por vós esperamos", verdade verdadeira. Qualquer posicionamento contrário é de uma burrice, uma falta de auto respeito sem tamanho. Negar é masoquismo, dos piores, os mais devastadores. Não faça isso consigo.

Repito o que já escrevi várias vezes: quer melhorar e muito sua qualidade de vida? Pois então entenda o que é e deve ser morte. Não é um contrassenso. Simples, prepare-se. Não estou falando de sua morte, mas de mortes que vão acontecer pela vida.

Quer melhorar e muito a vida de todos nós, brasileiros, pois então coloque a conversa e a discussão 'morte' na pauta do dia a dia.



Comentário meu no Estadão:

Abrir a discussão sobre mortes, todas, sem excessão, urge neste país. Temos que começar de alguma forma, e os temas e a forma que Ana Cláudia traz é um ótimo ponto de partida. Brasil é um dos países mais violentos do planeta. Morte violenta não é só as de tiros, assassinatos e acidentes de trânsito, que são um descalabro total, uma vergonha nacional sem tamanho e justificativa, mas também a morte natural sem um pingo de dignidade que acontece em hospitais.

O outro lado da questão é simples de entender. Espero que nós, brasileiros, tentemos acertar esta situação vergonhosa antes que ela venha doer mais ainda em nossos bolsos, que parece ser a única coisa que se entende por aqui. Sou um brasileiro que acompanha finitudes há tempo e afirmo que o que vem acontecendo está errado, muito errado.

Afirmo com todas as letras, nós brasileiros perdemos o sentido da boa humanidade. O bom senso se foi faz muito.


PS.: T W, que está velhinha e doente, teve um treco há quadro dias. Levada para o hospital, horas depois um médico veio conversar sobre a situação, grande probabilidade de óbito em 24 horas, máximo. Pois então, 24 horas após a notícia a médica que está atendendo simplesmente não conseguiu entender a recuperação absurda que ela teve. E eu fritei a cabeça, estou exausto. Toda a equipe que cuida em casa dela, cuidadoras, enfermeira chefe e médica geriátrica, já percebeu que ela não quer morrer num hospital, mas em casa. Segundo vários relatos, são inúmeros os casos assim.

Eu tenho pensado muito no que é ou deveria ser morte. Tenho lido, tenho conversado com médicos e especialistas, tenho buscado informações. A única coisa que para mim está claro, que todas as informações não deixam mais duvidas é que do jeito que a morte vem sendo tratada no Brasil é um erro grotesco, e que se tem que fazer algo para mudar a situação. O tema não é fácil, não tenho dúvidas, mas passamos da hora de encará-lo.

Mortes no trânsito e seus números

 Recomendo que procurem via Google o número de mortos no trânsito brasileiro. É diferente do publicado aqui, muito menor. Como trabalhei na área, acredito mais no número publicado aqui. Os um pouco mais de 6 mil mortos / ano que encontrei no Google me parece pouco. Que seja, palpites costumam ser errados, mas fatos são fatos, o trânsito brasileiro é violento, principalmente quando se olha nosso PIB, aí é uma vergonha completa. Mas, como está num outro comentário, quem se importa. "Morreu, antes ele do que eu", velho ditado bem brasileiro. Dane se o outro.

Porque meu palpite vai para os mais de 13 mil publicados aqui? Simples. Tenho um amigo que fez uma pesquisa detalhada sobre acidentalidade numa das importantes cidades nordestinas. Acabou descobrindo que a Prefeitura e o órgão de trânsito não faziam ideia dos números nem da esquina mais perigosa da cidade. Um dia ele me ligou dizendo que mais de 80% dos leitos do hospital público da cidade estavam ocupados por acidentes de trânsito, quase todos motos. Não cito nomes para não criar problemas para ele, que já sofre mais que simples pressão. Ou seja, é provável que os números de mortes violentas sejam maiores, por falta de notificação. Por exemplo, não são contadas as mortes ocorridas depois de uns tantos dias pós acidente, dentre outras.

Brasileiros reclamam pesado de multas, a dita 'industria da multa'. A verdade é que o Brasil é um dos países que menos multa. Faz um tempo a CET SP divulgou um dado sobre o número de multas aplicadas X o número de multas que deveriam ser aplicadas com base no CTB. Uma vergonha! 

Sem dúvida, fiscalização e punição. É inaceitável que um nome dito 'importante' provoque uma morte porque estava a 180 km/h e só venha ser julgado anos e anos mais tarde. É inaceitável que um casal escape de condenação mesmo as provas sendo irrefutáveis. É inaceitável que aceitemos a precariedade de trabalho de nossas perícias e legistas. É inaceitável que brasileiro não entenda a importância de pesquisas e dados precisos. Mas é crível que aceite o que temos, afinal, "morreu, morreu, antes ele do que eu", definição trágica de quem somos.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Como sair da enroscada das bets ganhadoras?


Bom texto de Frankito. E alguns bons comentários. Mas e daí?

Educação, sempre educação, educação é a solução. Dutra proibiu os jogos de azar no Brasil, pois então, qual foi o resultado? A sagrada família ficou feliz e mais para frente os bicheiros ficaram muito mais felizes ainda. Bingo!

Lavanderia, provavelmente sem muitas dúvidas. Mas não só o jogo. A fézinha dominical também não cheira forte a lavanderia? Algum controle sobre as dádivas dominicais? Ou seja, vícios que produzem lavanderia neste país é o que não falta. Educação!

Vivemos um tradição, propriedade e família enviesado, tão ruim quanto os expurgados. Nossa tradição, a decente, se desintegra; nossa propriedade, em vários sentidos, ganhou um novo sentido (selfie!) nada produtivo (sorria, selfie!); nossa família, ah! nossa família!, (peguem seus celulares e digitem: 'fica quieto, comporte-se!'). Educação, formal e informal, a caseira, onde foi parar?

Nossa educação virou Master, bet, religião, celular, selfies, euntenho direito, sabe com quem está falando?..., em outras palavras, moralismo, do bem e do mal, nosso e deles, moralismo. Tradição, propriedade e família, simples assim, sem a necessidade de pedir desculpas pelo trocadilho para lá de pesado. Trágico!

Mas nós somos diferentes, como se faz o discurso trivial. As experiências externas não valeram nada para alerta. Nós somos diferentes. Agora que o bicho virou uma espécie de Gozila, mais um, o que se faz? Como resolve (para valer)? "Nós sabemos". Pois então mexam-se.

Mjnha recomendação? Educação. A social já vai ajudar muito. Comece por não apontarmo dedo para os "outros culpados" e passe a buscar saídas, soluções realistas, factíveis. Exiate um pais de futuro se parar de pensar que se ficar o bicho come, se correr o bicho pega. Não aposte nisto, voce e todos nos vamos perder.

domingo, 21 de junho de 2026

Nossa realidade: somos os únicos bobos?

Ótimo texto. Ótimo titulo. Poderia ser extrapolado para infinitas outras situações que nos tornamos como país. Não me lembro qual sociólogo afirmou que o que acontece dentro de um campo de futebol é ótimo reflexo da sociedade que representa, e seu momento. "... reflete nossa realidade: únicos bobos no futebol atual somos nós". Não só no futebol, mas no que se reflete no futebol, e em outros esportes, em outras atividades de nossas vidas, todas, esportivas ou não.

Enquanto o "Você sabe com quem está falando?" não for completamente varrido de nossas vidas brasileiras, enquanto não ficarmos cobrando milagres do santo, do poderoso de ocasião, não vamos chegar onde queremos, pretendemos, desejamos e acima de tudo necessitamos.

Futebol é um jogo coletivo, onze jogadores com o mesmo objetivo. Para o resultado final vale cada suor dos onze, não a importância do brinquinho, de quanto ganha, sua riqueza, uma ostentação doentia, os amiguinhos de ocasião... Resultado se constrói, não vem pelo que se foi no passado, mas pela força da união. Foi assim em todos bons resultados que tivemos nas Copas, o hexa e os vices. AH! Os vices... Ah! Os terceiros e quartos colocados. Estes para os brasileiros não valem nada. Telê foi um perdedor...

"Para o brasileiro o segundo colocado é o primeiro perdedor" - Nelson Piquet. Brilhantemente preciso. Em todo planeta Emerson Fittipaldi é chamado com todo respeito de "campeão mundial". Aqui ele é "ex-campeão mundial". Resume tudo.

Senhores e senhoras, haja "complexo de vira-latas", diria Nelson Rodrigues. Acho que passamos e muito da hora de mudar.

De minha parte, boa sorte seleção.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Acreditar na ciência


Este vídeo é difícil de seguir. A menina fala rápido num inglês claro, mas traz muita informação. O que ela diz está baseado em dados e ciência, é para se pensar, e muito. Fala sobre a questão da poluição causada pelos plásticos nos oceanos, e a partir daí vai questionando uma série de informações que eu tinha como certas, mas não eram. Além de trazer novas informações, com dados, sobre o que realmente está acontecendo.

Quanto mais eu leio, mas me sinto um imbecil funcional em relação a realidade que vivemos. E quanto mais imbecil me descubro, mais quero me aprofundar em informações que provavelmente vão me fazer sentir mais imbecil ainda. Deprimente? Não, não mesmo. Nunca me senti tão forte. Não faz sentido? Faz, se faz.

(Significado de Imbecil adjetivo Desprovido de inteligência; que é tolo ou idiota. Que expressa imbecilidade; que não tem sentido; banal. Que não possui forças; fraco.)

(Significado de Ignorante substantivo masculino e feminino Quem não sabe algo, geralmente por não estudado nem praticado. Pessoa sem instrução; quem não tem conhecimento)

Melhor seria ignorante? Eu diria que não, porque com toda a imensa possibilidade de ter informações corretas e de qualidade que dispomos só minha imbecilidade ainda não foi atrás. Sempre fui curioso, mas limitado. Confesso que tinha horror de entrar em bibliotecas, por diversas razões, mas lia, procurava me informar.

Talvez o primeiro desejo que tive de mudar as coisas, ainda bem jovem, foi comprar um dos muitos morros carecas e cheios de cupim que via pela rodovia Fernão Dias e conseguir reflorestá-lo. A informação existente sobre cupins é que era dificílimo combatê-lo, que era praticamente impossível reflorestar uma área devastada.
Não faz muito saiu uma matéria justamente sobre recuperação de áreas cheias de cupinzeiros, e para minha completa surpresa o biólogo simplesmente desmontou tudo que eu sabia sobre o assunto. Reflorestar estas áreas é muitíssimo mais simples do que poderia sonhar. Primeiro, cupins 'adubam' o subsolo, depois basta plantar mudas nativas corretas... Usar o cupinzeiro como adubo..., queria fosse tão simples como o milagre das respostas da internet. De qualquer forma, não é o bicho de sete cabeças que foi dito.

Ou seja, aquele conto de terror que falavam no passado, dentre eles "ou nós acabamos com o cupim, ou o cupim acaba com o Brasil" ou era baboseira, ou era ignorância, ou ainda não havia conhecimento científico. Talvez um pouco dos três, em especial falta de pesquisa, desconhecimento ou desinteresse pela ciência.

Não tenho a mais remota dúvida que a saída mais fácil para todos nossos problemas está no conhecimento, na ciência. Tenho lido os comentários sobre matérias publicadas no Estadão e confesso que estou pasmado com algumas coisas lá escritas. Tem gente que de fato pensa que 2+2=69 (chupa!), ou 7 (pra dar sorte na bet), ou 987xx544 (um celular qualquer), ou... estocar ventos, ou... sei lá, qualquer coisa relacionada a alguma ideologia ou religião (esdrúxula ou não tanto). Terra plana?

Só sei que nada sei. E estou apavorado por descobrir minha ignorância. Apavorado e feliz. Agora sei quem sou e como crescer e posso ajudar.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

100 dias entre céu e mar, o filme. Entrevista de Amyr Klink

Amyr deveria ser uma das referências para os brasileiros. Deveria, mas infelizmente não é. É pouco conhecido, pior, pouco compreendido até por quem tem tudo na vida para raciocinar. Referências humanas como Amyr por aqui são peixes fora d'água. Triste.

O Brasil virou um oceano de espertalhões que fazem a população remar rumo ao canto das sereias, muitas delas plastificadas, com botox, preenchimento e sei, lá mais o que. Deprimente. É um país de naufrágio certo.

Se a tempestade está brava, se o barco chacoalha para valer, se começa a fazer água, é bom manter a calma, ouvir, se entender e trabalhar em conjunto para a coisa não piorar. Ou o trabalho é coletivo, ou a coisa vai piorar. Enfiar o dedo em riste no nariz do outro responsabilizando a tempestade a ele para depois se trancar na cabine blasfemando não costuma dar certo, diz a experiência secular. Amyr diz este tipo de coisas, e sabe o que fala. Do contrário não falaria porque estaria morto.

Como diz Amyr: eu estudei os erros para encontrar saídas viáveis. E assim Amyr cruzou o Oceano Atlântico. E assim navegou onde é como praticamente ninguém conseguiu. Não será um exemplo?

Esta entrevista dada pelo Amyr ao Estadão sobre o filme vale a pena ser vista. Não sei como não assinantes conseguirão abrir, mas quem puder, veja, esta o qualquer entrevista dele.



quarta-feira, 10 de junho de 2026

Construa sua vida. Não se autodestruindo

Eu bem sei quando e quanto errei pela vida, e sei que não tem volta atrás para corrigir o que foi feito. Meu potencial como pessoa e de trabalho foi bem acima do que alcansei e uma das principais razões sei bem: comunicação. Vivo escrevendo que se tenha cuidado com a comunicação porque sei de causa própria a diferença que faz não deslisar nas palavras. Sinceramente espero que eu consiga deixar um pouco da minha experiência para que não repitam a mesma besteira que fiz aos montes.

"Ou você ri da vida ou a vida vai rir de você". Não tenho a mais remota dúvida que levar qualquer situação pelo lado divertido traz melhores resultados, mas também carrega riscos, aliás, como tudo. 

Desbocado tem momento e lugar certo para valer a pena. Senso de humor só funciona com desbocamento inteligente, apropriado, não necessariamente chulo. Eu invejo os bons comediantes por sua inteligência e capacidade de dozar o que o pensamente despeja na lingua. Agora, o desbocado que é desbocado pelo simples fato de achar que ser desbocado funciona, este é um idiota, e digo, cara, muitas vezes fui idiota. O mesmo para aquele que acha que fazer piada é estabelecer um poder, ser mais inteligente que o outro. Demorei muito para controlar a boca, pelo menos os ataques e críticas que num passado distante acreditei que valiam algo. Como se diz na Argentina, "não vale um peido".

Vale aqui uma história. Num determinado momento de minha vida senti que tinha alguma coisa enroscando meu trabalho. Não fazia ideia do que estava acontecendo, até o dia que uma pessoa que eu havia contratado fez o seguinte comentário, "Foi ótimo ter trabalhado com você. Não foi nada do que dizem..." Upa! E acabei descobrindo quem estava fazendo comentários, que até hoje não sei se foram brincadeiras ou maledicência. Fato é que prejudicou.

Já magoei e já fui magoado. De minha parte, sinto vergonha por ter magoado. O que me fizeram procurei aproveitar e aprender. Revidar é burrice. Ouça!

O mundo dá voltas, tenha certeza disto. Cuidado com o que faz e diz, uma hora volta. Aliás, é interessante o que o Budismo diz sobre a necessidade de 'fala correta'.

A história contada neste vídeo a seguir é lugar comum em nossas vidas. Eu ouvi a história e tive um nó na garganta lembrando do meu passado, de quanto perdi por inconveniente, não só com comentários jocosos inapropriados, mas pelas maledicentes, ou ainda, pior, falar fora de hora. "Cala a boca!", que conselho sábio, afinal, em boca fechada não entra mosca.

O sábio que mora no cume da sabedoria tem a resposta: "O silêncio vale ouro". Aprenda. Faça!

terça-feira, 9 de junho de 2026

Manifesto contra a PEC 5x2

Este manifesto está publicado no Estadão de hoje, 09 de junho de 2026, e creio que também esteja em outros jornais. Vem com três páginas de jornal de assinaturas em letras pequeninas, da primeira a última de associações e sindicatos. É impressionante. Eu nunca vi um manifesto desta magnitude publicado em jornal. Aliás, volto a repetir, mesmo nos piores momentos da ditadura não me lembro de tanta loucura junta, de tanto desgoverno,  de todos poderes e de tudo. Mesmo os mais malucos daquela época tinham um limite, tinham uma linha que não cruzavam. Agora cruzam todas em nome da manutenção do poder. Pior, esquerda, direita, centrão, tudo populismo puro, da pior espécie.

Óbvio que se tem que melhorar um monte de coisa, mas só se melhora ouvindo, conversando, afinando a orquestra. 
Quem apoia esta mudança, da forma como está sendo proposta, por favor leiam a história da GM de São José dos Campos, que é muito simbólica, boa referência para esta discussão.

O Brasil só entrará nos trilhos quando todos nós começarmos a conversar como adultos. 

De minha parte assino o manifesto. Não sou contra melhorar condições de trabalho e de vida de todos, mas não desta forma.

No Estadão estão quase 3.000 assinaturas. 







sábado, 6 de junho de 2026

Dia D

 


A água do estado de São Paulo está secando

 

Desculpem, senhoras e senhores, mas a responsabilidade não é só do governo, seja municipal, estadual ou federal. A responsabilidade deste e de outros descalabros é de todos. Silenciamos perante absurdos. Alguém aí já viu o rio Tietê ou quase seco ou inteirinho branco de espuma? Alguém aí já viu um vizinho lavando a calçada com esguicho e ensaboando o quintal com muita espuma para ficar limpinho? O que isto terá a ver com a condição do Tiete lá na frente, de Santana do Parnaíba para o oeste? Alguém aí já viu as invasões nos córregos que dão na Billings e Guarapiranga? Alguém se lembra do Projeto Córrego Limpo Sabesp/PMSP? Alguém aí deu bronca quando a água da pia ficou aberta sem parar no lavar dos pratos? Alguém tomou alguma providência para evitar o que temos hoje? 

Parabéns pelo projeto de recuperação das águas, mesmo que tarde. Nós, todos, sem excessão, nunca, jamais em sã consciência poderíamos ter abandonado tudo, principalmente a água vital.



O exemplo que dou a seguir é sobre como o poder público é lento, o que já sabemos, mas vale a pena repetir. Acompanhei o projeto de criação da ciclovia do Rio Pinheiros desde sei início. A ideia do projeto remete a 1980, com Sérgio Luis Bianco. Dos anos 80 até José Serra ter ordenado a implantação da ciclovia, passando por cima de muitos, foram 40 anos de reuniões e desacordos e sabotagens de cinco órgãos governamentais que tinham, e talvez ainda tenham, pleno poder sobre o rio, suas águas e margens. Foi dentro do processo que entendi o emaranhado descabido e inútil para o interesse público, mas próprio de vaidades. Pouco depois da inauguração da ciclovia encontrei Fabio Bueno, que por alguma razão estava metido no meio do processo,. Falei sobre o sucesso, o número de ciclistas, e ele disse que o que estava impressionando as autoridades era o aumento assustador das reclamações sobre a condição da água e das margens do rio. Ou seja, 1: chega de morosidade para agir, 2: quem vê se interessa, quem se interessa se mexe, 3: não é o parece, é o que é. Sem informação correta fica difícil.

Pelo que me lembro, responsáveis pelo rio Pinheiros: CETESB, Emae, Enel, PMSP, Governo do Estado de São Paulo, SVMA, Secretaria de Obras, CPTM, STSP, etc... Sem assinatura de todos, não vai. Posso ter errado os nomes e siglas, mas dá uma noção da baderna. Outro exemplo, as pontes velhas e desativadas no Morumbi e Jaguaré tem projeto para servir para cruzar ciclistas entre margens. O projeto tem décadas....






sexta-feira, 5 de junho de 2026

Revolução industrial? Sabe quanto o Brasil está atrasado?

Já escrevi sobre a decadência da indústria brasileira de bicicletas, que chegou a ser a segunda ou terceira maior do mundo nos anos 80 e praticamente desapareceu. A razão é simples de entender: obsolescência industrial e mental de seus proprietários. A mental foi a mais crítica. O "sabe com quem está falando", tão brasileiro e típico de quem tem o mercado na mão e faz o que bem entende com ele. Aí entra o industrial, com máquinas obsoletas produzindo componentes com tolerâncias inaceitáveis em material de segunda linha, em outras palavras, baixíssima qualidade. Soberba para dar e vender e comemorar. Óbvio que subestimaram os usuários da bicicleta, que no exato momento que descobriram o que era uma bicicleta de verdade... tchau, prazer em conhecê-los.

Hoje num almoço entre ciclistas, se falou sobre porque o Brasil não tem uma indústria de automóveis totalmente nacional? Sacanagem das grandes? Falta de apoio do governo? Não, respondi eu, incompetência. A Embraer não está aí para todo o planeta ver? Então não dá para buscar justificativas em cima de teorias da conspiração.

Voltando às bicicletas, fora os erros grotescos que aconteceram que não estavam restritos ao setor industrial, não tínhamos escala de produção, não tínhamos nome lá fora, o Brasil está longe de todos mercados..., e a questão fiscal, baderna de 54 impostos, burocracia. Enfim, problemas existem para serem contornando - se houver interesse.

Bom, enfim, agora, tempo de campanha eleitoral, é que se discute o que fazer com o atraso da indústria nacional. Só agora? É muito perigoso o Brasil não ter um setor industrial que funcione com um mínimo de qualidade e produtividade rentável. Já era claro que para voltar a ser minimamente competitivo tem que acertar muita coisa para chegar na indústria que se tem lá fora, automatizada, eficiente, precisa, produtiva, competitiva. 

Mas e se o nosso buraco for infinitamente mais embaixo? E se a diferença para a indústria de ponta agora for muitíssimo maior do que o mais eloquente dos delírios de um leigo interessado, aliás até de gente da área possa pensar? Quanto? Um automóvel fabricado, pronto para venda a cada 72 segundos, sim 72 segundos, da injeção da matéria em prensas até o carro completamente finalizado, pronto para venda. Se o vídeo que está ai é fato, e parece que é, não é a indústria brasileira que dançou, é o planeta que vai dançar rapidinho. Tudo indica que não é fake, portanto nós estamos na idade da pedra.

Pequeno estúpido detalhe, a versão esportiva deste treco fabricado em segundos é o carro com volta mais rápida em Nuburbring, o que em outras palavras significa uma inacreditável "estupidez" de tecnologia. 

Prestem atenção nos fatores macro econômicos. É assustador. 

Esta maluquice apavorante, um carro novo a cada 72 segundos, me faz lembrar a história da GM de São José dos Campos. E outras histórias mais de lutas sindicais..


https://youtu.be/kfpRz_GXe1A?si=hARQ4s4Yb4Jg2MKq


segunda-feira, 1 de junho de 2026

Por uma discussão honesta sobre a velhice

Velho, idoso, a melhor idade, preferencial, ou a PQP. Vamos começar pelo o que as pessoas melhor entendem, dinheiro.
O que é ser velho? Quem é velho? Velho para sí? Velho para a sociedade? 
Velho. 

Qual é o lado da finitude que praticamente ninguém quer ver? Velhice não é um passo da finitude? O que o idoso é aqui no Brasil? Faço aqui um olhar para o que está fora do prumo, e quem está no meio do pântano sabe bem como é. 
Uma coisa é a propaganda, outra é a realidade crua de boa parte dos idosos.

Quanto custa um velho ou velha? Quem tem um velho doente em casa sabe. Custa dindim, custa trabalho, custa desgaste, custa, custa, custa, custa...
 
"Velho não pode!" Idoso? Melhor idade? É a mesma coisa que velho. Politicamente correto? É  mesmo? A designação deve ser correta, o resto é o resto? Fila preferencial? "Vai mais rápido..." Vai mesmo, então entra nela.
Então volto ao ponto que interessa mesmo: quanto custa um velho? Óbvio que custa, para todos, disto não se escapa.

Ok, ela ou ele tem aposentadoria, então não custa nada, muito pelo contrário, responderá. Ok. (Errou!!!) Então vamos ao outro lado das aposentadorias, aquele quando ela ou ele, a ou o aposentada/o, sustenta a família. Bom, e daí é moleza, até quando acabar a aposentadoria, portanto o aposentado morrer, ou seja, a fonte de renda acabar. "O vleho não pode morrer!" E então, como ficam os 'dependentes'? (Dependentes ou chupins?)
Quem paga a aposentadoria? De onde no final das contas sai o dinheiro? Dinheiro público, portanto todos cidadãos estão pagando.

Aposentadoria acaba, a entrada de dinheiro acaba, e um pequeno detalhe que não se fala: é um problema que afeta e afetará a macro economia. Uma série de negócios vão perder um cliente, o dinheiro do aposentado, principalmente o negócio da velhice, que começa na farmácia e termina no sistema hospitalar. Velho dá lucro? Upa! e como! 
Em quanto por cento as aposentadorias ativam a estrutura econômica da comunidade, do bairro, da cidade? E do país? Você já viu os dados? Eu não. Sabe o impacto na estabilidade econômica e social que a falta da entrada da aposentadoria causará no macro?

Não faz muito saiu um artigo fazendo uma análise exatamente sobre esta questão macro economia, e é pior do que eu próprio imaginava. Toda uma estrutura imobiliária está pensada para os idosos aposentados, estrutura esta que no futuro não estará ano alcance das gerações mais novas. E é só um lado da questão. 

Entre família, com quem sobra o idoso dependente?
"Você é o responsável...". Vamos à verdade, na maioria dos casos a pessoa entra num processo irreversível natural à velhice e todos se afastam, saem correndo. O idiota que sobrar que se vire. Agora, morreu, tem dinheiro na jogada, aparece tudo de volta e começa o salseiro, todos foram bons filhos, netos, sobrinhos, amigos... Estou sendo cruel? Uai, pergunte a qualquer advogado de família e ele vai contar muitas historinhas interessantes. Criminalista acha muito mais leve que (advocacia de) família.
Apoio, presença, uma ligação, saber notícias? Nicas. "Vai mané, vai que a bola é sua!" Você já teve que cuidar de um idoso disfuncional? Já conversou abertamente com quem sobrou com um idoso na mão?

"Bom, se o idoso é uma bomba, o que se pode fazer com ele?"

Você já entrou numa casa de repouso? Já entrou num asilo? Sabe quanto custa?

Uma das melhores respostas que tive foi: "Você já teve uma conversa aberta e honesta com um idoso que está consciente sobre sua situação? Já ouviu de um idoso que é consciente dizer que seu tempo acabou?" Já ouviu "Quero que acabe"? 

Morrer em casa ou ser ressuscitado sem parar numa casa de repouso? Morrer ou virar fonte de renda para terceiros? Pelas informações que estou tendo, velhice é muito rentável, para muitos, se não para todo um setor montado para 'acolher e dar uma boa vida ao idoso'.

Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência:
"Eu não sou o que vai decidir (sobre entrar nos cuidados paliativos ou deixar ir)". 
"Se não fizermos a intervenção (absurdamente cara), morre" - Conversa entre parentes sobre um paciente já praticamente morto. Intervenção realizada, paciente morto em seguida. Óbvio que a intervenção teve que ser paga pela família.

Acompanhar, vivenciar, tratar, organizar, segurar as pontas. Sim, com certeza, mas de que forma. O que temos agora é mais uma distorção social e econômica que precisa ser discutida se chiliques.


Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência:
A senhora está vegetando faz anos. O filho não consegue aceitar seu fim e gasta fortunas para tê-la maquiada, penteada, bem vestida com roupas que ela teria usado quando tinha lá seus 60 anos ou menos. Hoje está perto dos 100. O filho faz questão de sentá-la na cadeira ao lado, pegar um braço semi morto dela para jogá-lo por trás do seu pescoço, deitar a cabeça no ombro dela. A cabeça da senhora não se sustenta mais. Nada se sustenta. A cuidadora sempre sentada atrás da idosa atenta no teatro de mantê-la 'viva'. 

Quantas mulheres deram suas vidas para cuidar dos outros e estão terminando largadas? Homens costumam ir mais cedo, as estatísticas apontam.

Afetuoso não é sinônimo de respeitoso. Cuidadoso não significa respeitoso. 
Afeto a que, a quem, por que, com que fim?
Cuidadoso por que, para que?
Quem ganha, quem perde neste jogo de afeto e respeito? Sim, jogo de respeito, por que envolve um forte emocional socialmente bem estruturado e porque não dizer doutrinado pelos mais variados interesses, ou jogos sociais.  

A quem interessa o que está aí em relação à velhice? Quem leva vantagem? Quem perde? 
Não tenha dúvida que os grandes perdedores são os idosos, até mesmo aqueles que dizem serem tratados com "afeto e respeito". 

Escrevo este como um idoso de classe média alta que acompanhou de perto a velhice até seu fim de avô, avó, mãe, pai, amigos e agora prima, além de outros. Escrevo este como alguém que esteva junto a adultos próximos à dita velhice e que viveram aqueles anos com angústia da aposentadoria ou pior, do cancelamento social, sim cancelamento social, e é este o termo correto para a imensa maioria dos que cruzam os 60. Melhor e mais justo, ou muito pior, com as imposições do mercado de trabalho a partir dos 50 anos. Virou velho, "está acabado" ouve-se em sussurros discretos.

Entregar uma boa aposentadoria? Prêmio de consolação? 



Olhar a rua, ver a cidade

No vídeo é citado o absurdo Minhocão do Maluf. Primeiro, foram pouquíssimos os que se manifestaram contra o projeto e sua construção, mesmo entre urbanistas e arquitetos. Uma reportagem publicada faz muito levantou o nível de degradação que o Minhocão causou até bem além das redondezas. No entorno direto a degradação é absolutamente clara e inegável. Segundo, o longo tempo de discussão sobre o que fazer com aquele aborto urbano diz muito sobre nossa total falta de compreensão do que deveria ser a dinâmica organizacional e de crescimento de uma cidade. Terceiro, a luta para transformar aquilo em um parque é triste, porque não se importa se alguns problemas crônicos causados pelo viaduto permanecerão, e estejam certos, permanecerão.

A luta deveria ser por colocar aquilo no chão, seja por uma questão de qualidade de vida nas avenidas e ruas que estão debaixo ou ao redor dele, como pelo custo de médio e longo prazo para sua manutenção. Estudos mostram que desmontar e aproveitar as vigas é a saída mais barata em vários sentidos. 

Digo que o Minhocão foi e continua sendo um simbolo da ignorância brasileira sobre o que deveria ser uma cidade. Não é sobre a criação de um parque para um número de cidadãos, mas sobre a vida de todos cidadãos, incluindo os moradores do entorno. Não é sobre o desejo de um determinado grupo, é sobre a cidade.

Querem um parque ali? Acho mais que justo, acho necessário. Pois então que lutem para transformar algumas ruas em vias livres de veículos motorizados, incluo aí as malditas auto propelidas. 





Brasileiro aceita corrupção

Brasileiro aceita corrupção? Que é isso? Você jura? Todos, sem exceção, e não estou falando dos que estão lá, mas cada um de nós, todos. Quem aí não joga lixo no chão? Quem aí se comporta com civilidade no trânsito? Quem aí não pagou um guardador de vaga, um segurança particular? Quem aí deixou de fazer algum B.O. que por lei seria obrigatório? Quem aí não silenciou perante uma ilegalidade, uma contravenção? Quem aí não se fez de guardião da lei e dos bons costumes passando por cima da lei e dos poderes constituídos? Quantos estão se movendo para frear este país indescritível? Faz mais de duas décadas que o que acontece neste país é mais que incompreensível, é absolutamente inaceitável em todos termos. Faz mais de duas décadas que o pais vem degringolando pesado, com sucessivos escândalos de cá, de lá, de acolá, dos grandes, dos médios e dos pequenos, de todos, de todo mundo. Quem se mexeu para dar um basta? Quem teve coragem? Agora, quando está escancarado que nada mais escapa da vergonha, vai faltar coragem, vai faltar bom senso, hombridade, para buscar uma saída. Vamos apostar numa solução, num caminho que nós levará a três décadas de escândalos, corrupção, roubos, assaltos, mortes, insegurança, analfabetismo funcional generalizado, nem-nem... É isto? Este será nosso marco civilizatório que deixaremos para o futuro de nosso filhos e netos? É com isto que você quer viver o resto de sua vida? Uau! Parabéns, você merece!

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