Funciona deixar passar um problema na família dizendo que vai passar, vai melhorar? Funciona esconder doença? Funciona não falar sobre as dividas? Funciona fazer de conta que algo não existe?
Via de regra deixar passar, não conversar, não se interessar acaba dando problema ou piorando muito a situação.
Não passamos da hora de começar a discutir temas importantes, mesmo os desagradáveis, mas de importância capital para cada um de nós? Eu gosto de entrar de sola nestas chatices? Sou gente como qualquer um, também prefiro sombra e água fresca.
Tem saído cada dia mais matérias, mais entrevistas, mais recomendações, para que assuntos desagradáveis sejam discutidos de forma aberta, seja com familiares, amigos, sócios, empregados, cuidadores, especialistas ou advogados..., com quer que seja. Nada mais sábio.
Toda vez que entro no tema que escrevo abaixo vejo que o número de leituras despenca. Peço encarecidamente que leiam e pensem. Por vocês próprios, encarem o inevitável. E começo com uma piada para amenizar:
Há duas coisas na vida que ninguém escapa, pagar impostos e morrer.
Estes temas são inevitáveis. Sobre imposto de renda a conversa está cada ano mais fácil. Quem é novo não faz ideia do que era entregar tudo para o contador e esperar por notícias, nem sempre boas. O IR atual é uma baba, mesmo assim coisa chata de se falar. Quem morou fora do Brasil diz que lá fora é muito mais complicado.
O tema morte não é só desagradável, o tema morte é simplesmente inevitável, ponto final. Não há escapatória, ponto final. "Nós que aqui estamos por vós esperamos", verdade verdadeira. Qualquer posicionamento contrário é de uma burrice, uma falta de auto respeito sem tamanho. Negar é masoquismo, dos piores, os mais devastadores. Não faça isso consigo.
Repito o que já escrevi várias vezes: quer melhorar e muito sua qualidade de vida? Pois então entenda o que é e deve ser morte. Não é um contrassenso. Simples, prepare-se. Não estou falando de sua morte, mas de mortes que vão acontecer pela vida.
Quer melhorar e muito a vida de todos nós, brasileiros, pois então coloque a conversa e a discussão 'morte' na pauta do dia a dia.
Comentário meu no Estadão:
Abrir a discussão sobre mortes, todas, sem excessão, urge neste país. Temos que começar de alguma forma, e os temas e a forma que Ana Cláudia traz é um ótimo ponto de partida. Brasil é um dos países mais violentos do planeta. Morte violenta não é só as de tiros, assassinatos e acidentes de trânsito, que são um descalabro total, uma vergonha nacional sem tamanho e justificativa, mas também a morte natural sem um pingo de dignidade que acontece em hospitais.
O outro lado da questão é simples de entender. Espero que nós, brasileiros, tentemos acertar esta situação vergonhosa antes que ela venha doer mais ainda em nossos bolsos, que parece ser a única coisa que se entende por aqui. Sou um brasileiro que acompanha finitudes há tempo e afirmo que o que vem acontecendo está errado, muito errado.
Afirmo com todas as letras, nós brasileiros perdemos o sentido da boa humanidade. O bom senso se foi faz muito.
PS.: T W, que está velhinha e doente, teve um treco há quadro dias. Levada para o hospital, horas depois um médico veio conversar sobre a situação, grande probabilidade de óbito em 24 horas, máximo. Pois então, 24 horas após a notícia a médica que está atendendo simplesmente não conseguiu entender a recuperação absurda que ela teve. E eu fritei a cabeça, estou exausto. Toda a equipe que cuida em casa dela, cuidadoras, enfermeira chefe e médica geriátrica, já percebeu que ela não quer morrer num hospital, mas em casa. Segundo vários relatos, são inúmeros os casos assim.
Eu tenho pensado muito no que é ou deveria ser morte. Tenho lido, tenho conversado com médicos e especialistas, tenho buscado informações. A única coisa que para mim está claro, que todas as informações não deixam mais duvidas é que do jeito que a morte vem sendo tratada no Brasil é um erro grotesco, e que se tem que fazer algo para mudar a situação. O tema não é fácil, não tenho dúvidas, mas passamos da hora de encará-lo.


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