segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Uma Opinião no Estadão imperdível: menino Ney e o Brasil

Quem puder, por favor, leiam este Opinião. Absolutamente na mosca, absolutamente um comentário acertado e terrível para minha geração, absolutamente fiel aos acontecimentos. Publico printes como se fosse minha palavra, e é, como um pedido de desculpas, vergonhoso, dolorido, agora inútil, aquele Brasil virou isto. Deprimente. 

E agora, o que se faz? Como saímos desta? 














domingo, 2 de agosto de 2026

Montesuma's Revenge

- Senhor e senhora ..., por favor, me acompanhem.

Levanta-se ela é vai até ele, explica que o marido está num número dois.

- Número dois? Minha senhora, que número dois? Os próximos são vocês, esta é a ordem dos números. Que número dois?

- Olha lá. Ele está chegando. E a passos largos e sorrindo lá vem ele

- Me acompanhem, por favor. Sentem-se. Quem vai ser o primeiro. Ele aponta para ela.

- Nome, data de nascimento, naturalidade... e é interrompido pelo marido.

- Desculpe, mas o senhor pode prosseguir com o passaporte dela que eu já volto.

E no meio da fuga, ouve-se um - O senhor não pode sair daqui!, mas não adianta, a passos curtos e rápidos o marido some.

- Por favor, tenha um pouco de paciência com ele. É o número dois.

- Minha senhora, de uma vez por todas, que número dois?

- Montezuma's revende, responde ela com cara consternada

- Montezumas Revenge? Quem é este Montesumas? O que ele tem a ver com o número dois? Ele é o número dois? Minha senhora, esclareça!

- Meu senhor, número dois, Montezuma's Revenge, piripiri, dor de barriga.... Ontem fomos convidados para um almoço mexicano... E reaparece o marido sorrindo meio amarelo, mas com expressão feliz.

- Acho que está resolvido, diz ele.

- Ok. Vou deixar passar. Vamos recomeçar. O senhor está bem? Se sair de novo vou ter que parar e vocês vão ter que remarcar.

- Estou bem. Por favor, temos viagem marcada, não temos tempo, não dá para remarcar, peço desculpas.

- Ok. Então vamos recomeçar, desta vez pelo senhor. Nome, data de nascimento... E ouve-se um peido alto, forte e em pouco tempo a sala fede terrivelmente. - Dá para o senhor se controlar? pede o federal levantando a voz.

- Dá. Peço desculpas, não vai acontecer novamente.

- Está bem, vamos lá, nome... e mais uma vez ouve-se um peido alto. A mulher não se aguenta e dispara a rir.

- Se o senhor soltar outro peido vou dar ordem de prisão. Remarquem... e ouve-se mais outro peido, agora com os dois caem às gargalhadas. O federal pasmado fica mudo, respira fundo e decreta,

- Vocês estão presos por desrespeito à autoridade.

A mulher consegue se controlar um pouco e no meio de suas gargalhadas e lágrimas nos olhos diz para o federal

- Com todo respeito, se eu fosse o senhor não faria isto. Com todo respeito e com idade para ser seus avós, a nossa experiência de vida diz que se o senhor nos prender por - e cai na gargalhada, lágrimas escorrem e molham a blusa, mas toma fôlego, consegue controlar se e termina, - se o senhor prender dois velhinhos por soltarem peidos numa entrevista - e cai na gargalhada de novo - o senhor vai virar o meme de toda PF. Por favor pense bem.

O federal, pasmado, cabeça baixa, olhos na mesa, mãos na testa, pergunta: - Pelo menos o senhor tem condições de terminar a entrevista sem cagar na minha cadeira? Aí os três caem num incontivel acesso de gargalhada.

Entra o chefe na sala e pergunta se está tudo bem?

Ouve-se mais um barulho, diferente agora, vindo do marido que para de gargalhar e responde - Ops!

O futebol de ídolos ou voltar a ganhar?

Vivemos num país que para a turba apedeuta só há felicidade quando se faz um selfie onanista, ou no onanismo, de preferência com corretor de imagem para o foco da foto, leia-se selfie, a escolher a cabeça em questão, ou o capô de fusca, ou ainda o 'x' da questão (para ser politicamente correto).

Nosso futebol e nossos jogadores refletem o que somos, brasileiros. O país dos muros, o país de uma farmácia a cada esquina, o país das festas, dos selfies, um dos campeões mundiais de selfies, de uso de redes sociais, de plásticas, preenchimentos, de gastos com cosméticos e maquiagens... Que jogador de futebol esperar disto? Que resultados esperar disto?

As entrevistas que Gerson, o Canhotinha de Ouro, tem dado são geniais. Ele não tem papas na língua. As entrevistas de velhos jogadores falando sobre Pelé são elucidativas sobre o que é que somos hoje. Elucidativas sobre que país é este. 

Futebol é um ótimo reflexo de sua sociedade, parafraseando o brilhante Roberto Da Matta nos seus 90 anos de sabedoria e serviços prestados a todos nós. Mas quem conhece? Quem se interessa pelos que falam sobre um Brasil, o coletivo, o unidos venceremos, tal qual arroz japonês? (Perdão, mas só um momento para o selfie). 

Talvez um dia a nova geração de brasileiros venha um dia entender a devastação que um Neymar fez para este país, e aí não falo sobre futebol, mas sobre a construção de um futuro melhor para todos. Sem dúvida, a opção da maioria é por um país menino, festivo, irresponsável, narcisista. Nós contra eles em estado de arte bruta e profundamente mediocre.

Unidos venceremos. Que um dia olhemos com mais carinho para os Mirassol de nossa história. "Ou nós ou eles" é um nojo, um asco, uma estupidez sem tamanho. 

Foi a nossa pior Copa? É mesmo? Não? Você jura?


Eu não li ainda este artigo "O menino Ney e o Brasil que não cresce", mas este comentário bate exatamente com o que penso. É literalmente inaceitável o que vivemos