quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Nosso caos nasce na cidade

As notícias bombas vindas de Brasília são resultado de algum desvio social feito a muito tempo atrás, mas de onde? A formação básica vem de casa, da família. A formação social vem de um convívio maior, mais abrangente. É aí que entra a cidade e sua capacidade de formar cidadãos. "O melhor espelho de uma sociedade é seu trânsito", Roberto DaMatta. Trânsito pode ser traduzido como cidade, a relação é praticamente direta.


São raros os cidadãos paulistanos que acham que o que vem acontecendo no desenvolvimento da cidade é bom. Quem tem um mínimo de esclarecimento sobre o que deve ser uma cidade está horrorizado com a selvageria urbana que estamos vivendo. Plano Diretor? O que temos é um abre alas libertino. Algumas das barbáries que vem acontecendo serão prejudiciais até para o mais selvagem dos capitalistas, o que dizer para os cidadãos paulistanos.

Não faltam exemplos sobre qual caminho seguir para a construção e manutenção de uma cidade que proporcione qualidade de vida para seus cidadãos. Assim como não faltam exemplos claríssimos do que não se deve fazer. Infelizmente não damos qualquer atenção aos bons exemplos e achamos lindo absurdos novos-ricos, absolutamente pobres de noção. Infelizmente poucos sabem quem é Jeanette Sadik-Khan e qual o impressionante legado seu trabalho deixou para NYC, mas muitos, muitos mesmo, acham uma maravilha um edifício palito que literalmente arranhe o céu. "Quanto mais alto melhor, mais bonito, mais chique". Quanta pobreza! Provavelmente estes ficariam extasiados frente a um dos edifícios palitos de NYC que provavelmente não sabem que rangem, trincam, fazem sombra, criam turbulências, barulhos, onde seus moradores com vista panorâmica tem que tomar remédio para não vomitar com o balanço. Chiquérrimo! Por isto estão vazios.

O pouco que foi divulgado sobre a liberação de áreas para novos edifícios mostra um completo desinteresse com a cidade, com a vida de seus cidadãos, com o futuro. Um deles tem tudo para ser a ponta de lança para o futuro sumiço da imensa área do Jockey Clube. Faz tempo que querem aquela área para projetos imobiliários. Danem se todos. Para que áreas verdes? De imediato a liberação da ilha entre a avenida Cidade Jardim e o Jockey atende aos interesses de um pequeno grupo de moradores que finalmente se livrarão de suas casas e obviamente aos das construtoras. Será só isto?


Atender a interesses mui particulares vem de longe. A saber, o projeto original do Parque Ibirapuera deveria ter ido até a avenida Ibirapuera. O Parque Dom Pedro... Os poucos luxuosos edifícios a direita da avenida Oscar Americano... São tantos exemplos...

Nunca São Paulo viveu um ciclo tão selvagem, tão depredador, como o que temos agora. Definitivamente isto não é civilizatório, não é urbanismo, não atende a preceitos de cidadania e qualidade de vida. Atende única e exclusivamente a interesses mui mui particulares. E cá para nós, pobres, muito pobres.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

E dai, como tira o cara?

 


Quando eu jogava futebol, daqueles que amigos se reúnem num terrão meio esburacado, um dia apareceu um bonitinho pedindo para jogar. O cara era bom. No primeiro jogo fez uma ou outra reclamação, no segundo reclamou mais ainda e assim foi, até a coisa ficar insuportável. O cara jogava bem, mas virou insuportável com suas grosserias. Mas ninguém falava nada, ninguém pedia que ele baixasse a bola, fosse mais respeituoso. Até um dia que ele passou de todos os limites e um dos jogadores se colocou entre ele o amigo que estava quase sendo agredido. Com mãos para trás e olho no olho no bonitinho, foi empurrado, teve sua camiseta rasgada, enquanto gritava que aquele era o final, que o agressor fosse embora. Ninguém ajudou, ninguém se manifestou, ninguém fez nada. O bonitinho sumiu.

Tempos depois soubemos que estava jogando no campo principal com um grupo que entre eles tinha quem disputava o Desafio ao Galo, um torneio de várzea que fazia os times profissionais suar para valer a camisa.
Não demorou muito o bonitinho colocou as manginhas de fora. E logo veio a notícia que num dos seus ataques de fúria durante a partida os outros 21 dentro de campo, todos do outro time mais todos do próprio, cercaram e lincharam ele. Acabou todo quebrado, quase morto, na UTI de um hospital próximo. Nunca mais se ouviu falar dele.

A história é verdadeira, eu a vivenciei pessoalmente. Aqui serve como um conto, uma referência sobre o que vem acontecendo neste Brasil e que agora explode nesta divulgação de mensagens entre um ente do Supremo e o... 'Master', direi eu.

No campinho de futebol todos calaram por meses. Quando um solitário reagiu dando um basta, todos não só continuaram calados, como se distanciaram, quase como um sinal de "Não importa, deixa como está...", como se os meses insuportáveis passados fossem parte da vida.

No outro campo, a reação foi outra, furia coletiva que quase mata o sujeito. 

Tenho perguntado em meus posts e comentários como se resolve a baderna que vivemos. Uma coisa tenho certeza, nem é esperar que alguém resolva por todos, muito menos entrar dentro da fúria coletiva e linchar. Sempre há uma saída que realmente dê bons resultados, sem consequências futuras. Via de regra é acalmar, juntar forças, pensar, ouvir, ponderar e agir de forma produtiva. 
Eu sei, numa situação como a que vivemos manter a calma está bem difícil, mas é a única saída real para isto tudo. E concordo, que dá vontade de esganar, isto dá, mas repito, não funciona.

Só a inteligência nos salvará, a nossa, não dos outros ou do IA.

Aos fieis de 'los el savadores de la patria' (Brasil)

A maioria dos que falam sobre El Salvador Bukele não faz ideia sobre o que está falando. Sim, estão exaustos com a violência absurda que vivemos, mas desconhecem o que pode ser um regime autoritário sem freios. Eu vivenciei a vida de Buenos Aires, meses por ano, todos anos entre 1969 e 1986, portanto a dos militares e de Isabelita (peronismo raiz) com seu El Brujo, Jose Lopes Rega, no fim das contas a mesma coisa com roupa diferente. Eu vi a barbárie, escapei dela sem ter feito nada, só pelo cabelo comprido, falando português. Tenho família e amigos lá, falava fluentemente porteño, sem sotaque, não fui tido como brasileiro ou turista. Falar português talvez tenha salvo minha vida. Cabelo comprido era delegacia, sem saber se havia volta. A maioria do meu pessoal de lá, queridos, é de direita e mesmo os mais ferozes um dia deram um basta na estupidez. Aqueles tempos foram um desastre para o futuro da Argentina, os números provam, inclusive para a piora da segurança.

Repito, quem apoia uma loucura destas não sabe o que fala. Uma coisa é querer viver em segurança, outra é ter 'segurança' a qualquer custo, o que via de regra não resulta em segurança. A história da humanidade prova que no hay el salvador para a segurança, mas trabalho inteligente e persistência. Tolerância Zero foi isto, inteligência e persistência, não a besteira do "senta porrada" que repetem por aí.

Quem quer segurança, e todos queremos, está falando em eleger um dos dois lados que já mais que provaram que têm muita responsabilidade em toda a barbárie que vivemos. Os dois lados, um por longa omissão e por fazer ideológica vista grossa, outro por milíciar na cara dura. Qual a diferença entre os dois para nossa segurança futura? Pergunte a quem está no meio do fogo cruzado entre os traficantes e as milicias. Pergunte qual dois traz mais segurança. Quem cobra menos, quem ameaça menos. Quem melhorou as coisas, de segurança a todos. Vai lá, pergunte. E ouça. E não esqueça de perguntar sobre a presença do Estado para protegê-los. Ouça, e pergunte se por que o Estado é ausente.

Pergunta que não quer calar: os assaltos que temos com frequência são frutos do tráfico ou das milicias? Como você sabe que são do tráfico? Quem disse? Vorcaro? Quem então? Disseram? Todo mundo sabe? Estas respostas, tão óbvias, nos tem melhorado a segurança?

"NÓS OU ELES", esta será sua escolha para resolver a violência do Brasil? Sob este prisma, resta saber quem será o "el salvador" do Brasil. Sem dúvida, inteligentíssimo!

Os números que temos depois de décadas da esquerda PT estão ai, ponto final. São péssimos. A incompetência do PT e de suas esquerdas na segurança é notória, inegável. Mais, dados um discreto "Petrolão" (sumiço de 64 bi Euros), um Lava Jato (?), e outras 'cuecas' mais não serão uma razão para pensar? Tudo mentiras? Alguém se lembra dos famosos acordos da esquerda de Brisola com os 'donos' dos morros (publicados nos jornais da época)? O eterno apoio às ditaduras de esquerda nada democráticas, com vastos históricos de corrupção e violência de milícias, inclusive tráfico internacional? São incontáveis posturas e falas de apoio a estes. Não está totalmente errado quem 'imagina' que este governo, por diversas razões, falhou no quesito segurança pública.

Pelo outro lado, Bolsonaro e sua tropa carregam inúmeras 'suspeitas' sobre envolvimento com as milícias e outros 'exterminadores do futuro'. No âmbito pessoal da família, o poleiro também 'parece' estar bem sujo, aliás, e mal preso (entre as telas). A pátria mãe dos bolsonaristas é um estado que tem quantos ex governadores presos? Cinco? Seis? O estado onde mandam e desmandam é o que as maledicências 'dizem' exportar crime organizado, negócio altamente rentável e quase intocável. Que maravilha! Como sequer conseguem resolver a própria segurança correm para baixo das asas de Trump. 'El Salvador' é fiel, nos trará a segurança. Você realmente acredita nisso? Vai continuar acreditando quando seu filho for sumido sem razão, ou, pelo bem da segurança? "Não vai acontecer com os meus". É mesmo? Boa sorte.

De novo, estas são as opções? O mundo acaba aí?