terça-feira, 1 de setembro de 2026

E dai, como tira o cara?

 


Quando eu jogava futebol, daqueles que amigos se reúnem num terrão meio esburacado, um dia apareceu um bonitinho pedindo para jogar. O cara era bom. No primeiro jogo fez uma ou outra reclamação, no segundo reclamou mais ainda e assim foi, até a coisa ficar insuportável. O cara jogava bem, mas virou insuportável com suas grosserias. Mas ninguém falava nada, ninguém pedia que ele baixasse a bola, fosse mais respeituoso. Até um dia que ele passou de todos os limites e um dos jogadores se colocou entre ele o amigo que estava quase sendo agredido. Com mãos para trás e olho no olho no bonitinho, foi empurrado, teve sua camiseta rasgada, enquanto gritava que aquele era o final, que o agressor fosse embora. Ninguém ajudou, ninguém se manifestou, ninguém fez nada. O bonitinho sumiu.

Tempos depois soubemos que estava jogando no campo principal com um grupo que entre eles tinha quem disputava o Desafio ao Galo, um torneio de várzea que fazia os times profissionais suar para valer a camisa.
Não demorou muito o bonitinho colocou as manginhas de fora. E logo veio a notícia que num dos seus ataques de fúria durante a partida os outros 21 dentro de campo, todos do outro time mais todos do próprio, cercaram e lincharam ele. Acabou todo quebrado, quase morto, na UTI de um hospital próximo. Nunca mais se ouviu falar dele.

A história é verdadeira, eu a vivenciei pessoalmente. Aqui serve como um conto, uma referência sobre o que vem acontecendo neste Brasil e que agora explode nesta divulgação de mensagens entre um ente do Supremo e o... 'Master', direi eu.

No campinho de futebol todos calaram por meses. Quando um solitário reagiu dando um basta, todos não só continuaram calados, como se distanciaram, quase como um sinal de "Não importa, deixa como está...", como se os meses insuportáveis passados fossem parte da vida.

No outro campo, a reação foi outra, furia coletiva que quase mata o sujeito. 

Tenho perguntado em meus posts e comentários como se resolve a baderna que vivemos. Uma coisa tenho certeza, nem é esperar que alguém resolva por todos, muito menos entrar dentro da fúria coletiva e linchar. Sempre há uma saída que realmente dê bons resultados, sem consequências futuras. Via de regra é acalmar, juntar forças, pensar, ouvir, ponderar e agir de forma produtiva. 
Eu sei, numa situação como a que vivemos manter a calma está bem difícil, mas é a única saída real para isto tudo. E concordo, que dá vontade de esganar, isto dá, mas repito, não funciona.

Só a inteligência nos salvará, a nossa, não dos outros ou do IA.

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