sábado, 9 de maio de 2026

O que deveríamos aprender com os 20 anos o cortiço na Oscar Freire

20 anos? 20 anos? 20anos! Sim, 20 anos. 20 anos para uma decisão da justiça. Justiça?

Na esquina das ruas Oscar Freire com Haddoc Lobo tem um comércio que está fechando faz sei lá quanto tempo, mas a décadas. Na al. Casa Branca, abaixo da Oscar Freire, um edificio ficou inacabado por mais de 30 anos. Pela cidade são inúmeros os edifícios que estão largados ou invadidos. São inúmeros os casos de disputas judiciais sem fim como o deste pequeno e belo edifício na esquina da Oscar Freire com Peixoto Gomide. Onde está o problema? Nas leis? Desconheço, mas é bem provável. A morosidade de nossa justiça é patente, a probabilidade que as leis existentes ajudem a confusão é grande.

Estas construções abandonadas fazem parte de uma rua, de um bairro, de uma cidade, de uma comunidade, portanto são propriedades privadas dentro de um contexto coletivo. Em NYC os imóveis não podem ficar mais de 6 meses desalugados ou o proprietário sofre sanções pesadas por dano ao coletivo. Em Paris os edifícios são obrigados a restaurar a faixada a cada 10 anos, pelo bem coletivo. Em Detroit a justiça definiu, pela primeira vez na história da humanidae, que a cidade tem prioridade sobre abandonos e disputas judiciais, ou sobre um senso de propriedade nocivo ao interesse,coletivo. Ou seja, pode ser propriedade particular ou o que seja, mas está inserida num contexto coletivo e este contexto coletivo tem prioridade pelo bem de todos.

A cidade não pode ficar refém da vontade de uns e outros, aos interesses particulares, ditos justos ou não. O interesse coletivo tem que estar acima, tem que ser respeitado, ou afetará inclusive o direito individual em questão. Esta é uma posição que interessa e muito inclusive ao capitalista mais aguerrido. Quanto melhor está funcionando, melhor para o social, melhor para a economia, melhor para todos. Um câncer é um câncer e deve ser tratado ou extirpado o quanto antes. É assim que funciona em qualquer cidade do planeta, e é assim que deveria ser aqui.

Convivi com a invasão do pequeno edifício da Oscar Freire. Sujeira, barulho, e outras inconveniências foram um problema, diria gritante numa área nobre de São Paulo. Mas não só lá; pergunte a um funcionário seu que vive numa comunidade se ele está feliz com a sujeira e a barulheira em seu bairro. Se ele gosta de vizinhos que fazem o que querem, não se importando com o coletivo. Que se faça uma entrevista com os funcionários e trabalhadores do entorno do edifício invadido perguntando o que eles acham.

Fato é que o Poder Público é fraco, ineficiente e não raro inexistente, e não é de hoje. O exemplo do edifício invadido na Oscar Freire é piada pronta. Sem trocadilho, drama pronto, e que drama. Grita aos olhos por que envolve pobres. Já os bares que passam as noites ao som altíssimo, que vivem oferecendo aos vizinhos bêbados falando, rindo e brigando alto no meio da rua, manobristas fritando pneus, que no dia seguinte entulham a calçada com lixo mal cheiroso, que geram baratas e ratos... Estes 'passam' por não ser negócio de pobre, por gerar impostos? Pergunte aos vizinhos. Aliás, próximo do edifício invadido na rua Oscar Freire tem exemplos do que digo. Ok, não se vê ratos e baratas, o lixo é recolhido de madrugadapor caminhões barulhentos, mas de resto incomodam tanto quanto os invasores do edifício. Maldito cheiro de carne na brasa! É de e para a elite, se houver reclamação vai acontecer algo? Pergunte aos vizinhos?

Toda e qualquer cidade do planeta que tem boa qualidade de vida respeita a regra básica onde o bem coletivo a prioridade máxima. Urge rever as leis. Urge quema população se faca ouvir. Urge a recuperação de um mínimo de qualidade de vida. Urge que tomemos consciência que é para amanhã e não para daqui 20 anos, ou sabe-se lá quando.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Boa entrevista de Sérgio Avelleda

 





Corrupção generalizada / master

 

Fanatismo é a forma mais fácil de se levar a cegueira. Estamos colhendo os frutos do fanatismo, que no passado era chamado de "inocente util", e hoje virou "nós e eles" ou também "nós e eles", escolha seu lado. Não sentiu o cheiro de queimada quem não quis, o fogo ardendo vermelho e quente está lá faz muito.

Depois que foram descobertos os campos de concentração, os aliados pegaram toda a população de cidades no entorno e os levaram para ver a barbárie in loco. Hoje temos informações de qualidade a disposição, basta ler.

Temos um país com uma riqueza natural sem igual. Como só olhamos para o próprio umbigo destruímos sistematicamente nosso potencial, e com ele nosso futuro. Alguma novidade no que está vindo a tona? Não sei, mas não me surpreende muito, aliás, não me surpreende nada.

Aos "nós e eles", dos dois lados, que tal vocês deixarem de ser fanáticos inocentes úteis para se transformar em brasileiros?

A única verdade na história da humanidade é "unidos venceremos". Fraticidio é para os doentes. A maluquice que vivemos só irá parar quando nós quisermos - todos, unidos, mesmo discordantes. Não há outra saída. O problema não são diferenças, mas a cegueira que não deixa ver a realidade. E a realidade não está no proprio umbigo, ou dos iguais.

Diferenças, com o uso da inteligência, aponta caminhos e soluções novas. Não sabe disto quem não quer ou não tem capacidade.


PS.: a cegueira, o desinteresse, o olhar só o próprio umbigo, é fato corriqueiro deste Brasil desde sempre, em tudo, em todos setores da sociedade e economia. Os erros que cometemos em tudo beiram o absurdo. "O Brasil não é para iniciantes", dito lá pelos anos 60 ou 70, já deveria ter acabado há muito, mas muito tempo mesmo. O que nos destrói é uma soberba altamente destrutiva embutida no "nós somos diferentes, fazemos do nosso jeito". O jeitinho Brasileiro é mágico quando olha para a eficiência, o contexto, o futuro, o que os outros fazem e nós podemos melhorar. 

Nós e eles é de uma mediocridade sem tamanho. Remete a falência de inúmeras sociedades, a História prova de maneira farta.


Olha só que boa coincidência. O segundo Opinião do Estadão traz o seguinte. 

Meu comentário, ainda no Opinião "O ecossistema da corrupção"

Recomendo a leitura do outro Opinião de hoje, "Um grito de socorro pelas universidades", pricipalmente os três últimos parágrafos. Não se faz necessário lembrar que o mesmo texto poderia ter sido escrito como um olhar sobre a outra face do " nós e eles". Infelizmente, não terá a universidade se transformado numa nova religião? Que diferença há?





quarta-feira, 6 de maio de 2026

Resposta a Miguel Reale Junior

 


Excelentíssimo Senhor Miguel Reale Junior
Antes de mais nada, agradeço e muito suas falas e ações em prol da construção de um país mais justo.

O que respondo aqui tem como ponto de partida uma conversa que quis ter com o senhor durante um jantar em apartamento de um amigo comum.

Na época, por volta de 2005, o senhor teve uma reação imediata e furiosa quando iniciei uma explicação sobre a questão legal da bicicleta. Não tive tempo, aliás, sequer me foi permitido evoluir dada a reação as minhas primeiras palavras. Não pude argumentar que na época o transporte de uns 40 milhões de brasileiros se fazia praticamente só por bicicleta, ou seja, era uma questão de amplo impacto social.

Aziz Ab'Saber, geógrafo brasileiro reconhecido por sua importância mundo afora, um dia declarou que a cidade de São Paulo não tinha topografia própria para o uso de bicicletas. Alertado sobre o erro de sua fala, o sábio, tranquilo e querido Aziz veio a público corrigir sua fala. São Paulo está assentada sobre vastas áreas de várzeas, Tiete, Pinheiros, Tamanduateí, Aricanduva, etc...  

Interessante ver uma eminência se interessando agora por temas, digo eu, mundanos e populares, como a segurança no trânsito de pedestres e motociclistas. Entendo que o desconhecimento sobre bicicletas foi, naqueles anos geral. Bicicletas eram, como continuam a ser para boa parte, um brinquedo, lazer ou esporte de elite, dita sem muita importância no contexto dos temas prioritários ou do social. Mesmo que esta miopia tenha melhorado, ainda representa uma visão de classe média e alta sobre a realidade, aliás, não só sobre bicicletas.

A motocicleta vem substituindo a bicicleta, mesmo assim o número de usuários da bicicleta como meio de transporte nas classes menos abastadas é relevante. Quando tive a infeliz tentativa de conversa, um pedido de orientação, com Miguel Reale Junior, quase um terço dos brasileiros faziam uso intenso da bicicleta no dia a dia, mas eram, como continuam sendo, invisíveis por simples razão: onde circulam e horários de uso constitui um universo fora da realidade das classes média e alta motorizadas.

Interessante o interesse pela segurança de pedestres, outro cidadão praticamente invisível aos olhos de usuários de veículos motorizados.

Por fim, é sabido que temos uma intelectualidade um tanto fechada, restrita a suas áreas específicas de atuação, o que prejudica muito a perspectiva de um Brasil mais funcional e justo.
Devemos e muito a sábios do calibre de Miguel Reale Junior. Ninguém, nem os que tem notório saber, tem obrigação de conhecer a fundo todo o universo. Mas ouvir não faz mal a ninguém, afinal, o mundo não acaba no que se vê.

domingo, 3 de maio de 2026

Zanardi; renascer, reinventar, renascer, reinventar, renascer....

 


Sem mais palavras. Aliás, muito obrigado, muito obrigado 

Inaugurada a terceira maior ponte marítima do Brasil

Quarenta anos de projeto? Aos brasileiros, assistam os capítulos sobre a China atual que está passando no JN da Globo para entender onde nós, brasileiros, estamos. E o que significa estes 40 anos de projeto. Me faz lembrar a Serra do Café na Regis Bitencourt.

Sobre o ambiental, óbvio que uma nova obra cria problemas. A questão é que nós, brasileiros, riscamos do dicionário "contornar com inteligência", que vai ou deveria ir mais ou menos pelo mitigar. Em outras palavras, como mitigar, como transformar um problema em uma alavanca para a solução prática, eficiente e inteligente? Sem números, muitos números, dados precisos sobre todos ângulos, fica difícil saber. 

Números, dados, pesquisas, ciência? Não é nosso forte. Planejamento bem estruturado, de curto, médio e longo prazo? Também não.

O que me assusta nesta história é alavancar o turismo. Este sim poderá ser o pior problema ambiental. Pior mesmo! Os exemplos, inúmeros, quase todos, não deixam dúvidas. 

Valor agregado? Aqui? O que é isso? O Brasil que funciona para valer, e como funciona bem, só nos dá prazer porque trabalha sob os sistemas ISO e outros de qualidade. Quando chegamos a coisa pública... ah! a coisa pública! caímos num populismo Balneário Camboriú. 

Medo do turismo? Lógico que tenho. É para menos?

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Lixo, reciclável

O saco plástico cinza é para lixo comum, úmido, descartável; o verde deve ser usado para o reciclável. Já comecei errado, não é lixo, é... resíduo? Resíduo. Depois procuro, ou lembro.

Nós pegamos muitas e muitas mais destas sacolas plásticas. Eu sou cuidadoso com o meio ambiente, mas de vez em quando esqueço minha sacola em casa, então taca pegar sacolinha plástica (paga) no supermercado. Quantas? Sei lá. A verde é para reciclagem, a cinza para resíduos úmidos. Isto todos sabemos, ou deveríamos saber. 
Resíduos úmidos no verde, é isto? Mas quem se importa? 
Um passo atrás, quem se lembra o que é o que? Não sei qual é o percentual de clientes que na correria do caixa do supermercado vão se lembrar que tipo de lixo tem em casa. Desculpem, quanto resíduo, politicamente ou ambientalmente correto tenho em casa? Quem vai se lembrar se precisa de uma sacolinha cinza ou verde? Faz diferença? O lixeiro, desculpem, o coletor olha e separa por côr? Não tem tempo para tanto. Ele desce do caminhão de lixo correndo, pega os sacos plásticos e o que mais for, correndo, joga tudo no triturador e se pindura na traseira do caminhão para a próxima coleta, correndo. Ele tem tempo para ver a cor da sacola? Alguém fiscaliza?

Chego do supermercado com as benditas, que na realidade são malditas sacolinhas plásticas, tiro tudo delas em cima da mesa, guardo tudo, geladeira, armário, lavanderia, e sento com copo de água gelada para um breve descanso, recuperar as forças do calor fornalha da rua. Dou um gole, pego uma delas para dobrar bonitinho, tipo terapia. UAI? Nunca tinha visto aqueles desenhos estampados na sacola. Ou não prestei atenção. Ou não me lembrava mais. Pego a segunda e vejo que são uma explicação / propaganda de qual uso correto se deve dar a elas.

Não tem nada mais ineficiente que repetir a mesma coisa sempre, principalmente se a informação não for entendida como prioridade. Meio ambiente é prioridade? No Brasil boa parte diz que sim, mas dizer é uma coisa, agir é outra. Em se falando sobre meio ambiente urbano a coisa então fica feia. Coitados dos varredores, coletores de lixo, lixeiros, para muitos cidadãos eles são o fim da linha social. Fim da linha social? Upa! Fim da linha social???? 

Um minuto para nossos comerciais. Esta é a cor da água captada da chuva do telhado de minha casa. O telhado foi lavado na última chuva, faz uns cinco dias, mesmo assim... 

Seguimos com nossa programação.

Toda terça-feira pela manhã passa o caminhão de lixo reciclável. Eu prefiro levar meu reciclável até um centro de coleta aqui próximo. Fato é que cada vez que levo fico espantado com a quantidade de lixo que eu sozinho gero. E olha que me preocupo, tento reduzir. Você já se preocupou em ver quanto lixo gera?

O Brasil recicla muito pouco. Exceto alumínio. O resto, plástico, papel, outros metais e sei lá mais o que, é menos reciclado do que deveria ou poderia. Há técnicas modernas de reciclagem que não sei se são aplicadas por aqui já que nunca vi notícias. Hoje existem máquinas com uma capacidade incrível de separação e preparo do material para reuso. 

Na Holanda estão testando pavimentação com placas modulares feitas de plástico reciclado. Os primeiros resultados são ótimos.


Falando em reciclagem, alguém sabe que fim se está dando para a quantidade absurda de entulho que vem sendo gerada pela demolição de casas e edifícios, mais o entulho das construções? Onde vai parar tudo isto.

Lembrando que há uma política federal sobre destino deesíduos que, como tudo neste país, deveria estar muito mais adiantada do que está. Pelo país lixões pupulam nos lugares mais distantes e escondidos. Já o entulho é frequente de se ver pela cidade, inclusive em bairros ricos. A rua Canada, no Jardim América, bairro para lá de nobre da cidade de São Paulo, que o diga. Alguém reclama?