quarta-feira, 29 de abril de 2026

Lixo, reciclável

O saco plástico cinza é para lixo comum, úmido, descartável; o verde deve ser usado para o reciclável. Já comecei errado, não é lixo, é... resíduo? Resíduo. Depois procuro, ou lembro.

Nós pegamos muitas e muitas mais destas sacolas plásticas. Eu sou cuidadoso com o meio ambiente, mas de vez em quando esqueço minha sacola em casa, então taca pegar sacolinha plástica (paga) no supermercado. Quantas? Sei lá. A verde é para reciclagem, a cinza para resíduos úmidos. Isto todos sabemos, ou deveríamos saber. 
Resíduos úmidos no verde, é isto? Mas quem se importa? 
Um passo atrás, quem se lembra o que é o que? Não sei qual é o percentual de clientes que na correria do caixa do supermercado vão se lembrar que tipo de lixo tem em casa. Desculpem, quanto resíduo, politicamente ou ambientalmente correto tenho em casa? Quem vai se lembrar se precisa de uma sacolinha cinza ou verde? Faz diferença? O lixeiro, desculpem, o coletor olha e separa por côr? Não tem tempo para tanto. Ele desce do caminhão de lixo correndo, pega os sacos plásticos e o que mais for, correndo, joga tudo no triturador e se pindura na traseira do caminhão para a próxima coleta, correndo. Ele tem tempo para ver a cor da sacola? Alguém fiscaliza?

Chego do supermercado com as benditas, que na realidade são malditas sacolinhas plásticas, tiro tudo delas em cima da mesa, guardo tudo, geladeira, armário, lavanderia, e sento com copo de água gelada para um breve descanso, recuperar as forças do calor fornalha da rua. Dou um gole, pego uma delas para dobrar bonitinho, tipo terapia. UAI? Nunca tinha visto aqueles desenhos estampados na sacola. Ou não prestei atenção. Ou não me lembrava mais. Pego a segunda e vejo que são uma explicação / propaganda de qual uso correto se deve dar a elas.

Não tem nada mais ineficiente que repetir a mesma coisa sempre, principalmente se a informação não for entendida como prioridade. Meio ambiente é prioridade? No Brasil boa parte diz que sim, mas dizer é uma coisa, agir é outra. Em se falando sobre meio ambiente urbano a coisa então fica feia. Coitados dos varredores, coletores de lixo, lixeiros, para muitos cidadãos eles são o fim da linha social. Fim da linha social? Upa! Fim da linha social???? 

Um minuto para nossos comerciais. Esta é a cor da água captada da chuva do telhado de minha casa. O telhado foi lavado na última chuva, faz uns cinco dias, mesmo assim... 

Seguimos com nossa programação.

Toda terça-feira pela manhã passa o caminhão de lixo reciclável. Eu prefiro levar meu reciclável até um centro de coleta aqui próximo. Fato é que cada vez que levo fico espantado com a quantidade de lixo que eu sozinho gero. E olha que me preocupo, tento reduzir. Você já se preocupou em ver quanto lixo gera?

O Brasil recicla muito pouco. Exceto alumínio. O resto, plástico, papel, outros metais e sei lá mais o que, é menos reciclado do que deveria ou poderia. Há técnicas modernas de reciclagem que não sei se são aplicadas por aqui já que nunca vi notícias. Hoje existem máquinas com uma capacidade incrível de separação e preparo do material para reuso. 

Na Holanda estão testando pavimentação com placas modulares feitas de plástico reciclado. Os primeiros resultados são ótimos.


Falando em reciclagem, alguém sabe que fim se está dando para a quantidade absurda de entulho que vem sendo gerada pela demolição de casas e edifícios, mais o entulho das construções? Onde vai parar tudo isto.

Lembrando que há uma política federal sobre destino deesíduos que, como tudo neste país, deveria estar muito mais adiantada do que está. Pelo país lixões pupulam nos lugares mais distantes e escondidos. Já o entulho é frequente de se ver pela cidade, inclusive em bairros ricos. A rua Canada, no Jardim América, bairro para lá de nobre da cidade de São Paulo, que o diga. Alguém reclama? 

PSG 5 X 4 Bayern



O futebol que se prática por aqui é um bom reflexo do que é o Brasil: arbitragem que lembra o STF, jogadores caindo como que quisessem falar no celular durante o trabalho, visual selfie para se diferenciar, o técnico sempre é o culpado, assim como o empresário, patrocinadores ricos, mas curiosos, assim como os carrões milionários que circulam esnobando pelas ruas...

Vale notar que na Europa futebol é um dos esportes populares, uma das modalidades de grande público, sem esquecer as outras. Em outras palavras, todos importam, todos interessam. Aqui, Futebol, Ponto final. Lá, Europa, ou primeiro mundo, unidos, mesmo que diferentes, num objetivo coletivo, o que se reflete no esporte, nos esportes, na noção de trabalho coletivo, responsável, responsável pelo próprio grupo e consciente da responsabilidade por todos outros. Aqui, nós e eles, o outro é um inimigo, eu sou o único, eu sou o bom, eu sei, o que valida qualquer simulação de dor, o urrar o mal que outro faz, o erro grotesco do juiz em nome de uma "vitória arrasadora sobre o adversário, leia-se inimigo.

Nelson Piquet, o tri campeão de F1, disparou que para o brasileiro o segundo colocado é o primeiro perdedor. Definição correta, brilhante e trágica ao mesmo tempo. Assim trágica que terá quem qualificará ou desqualificará qualquer palavra de Piquet num nós e eles, coisa de país de semi deuses a serem seguidos.

"Perdemos porque ele não estava em campo". Responsabilidade coletiva?

Gostaria de estar da saída do estádio deste PSG 5 x 4 Bayern para ouvir os comentários do público. Duvido que os torcedores franceses tenham pensado de forma tão desrespeitosa dos torcedores alemães. Antes de ser futebol, é a arte de um continente. Por isto são o que são.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Anunciado o fim da Rádio Eldorado

Enviada a Rádio Eldorado 

A notícia é horrorosa, no que mais literal há no termo. E não digo isto de forma emocional, mas racionalmente, sim com uma forte dor emocional. Não sei o que acontece, mas posso imaginar, ou não. O ou não me preocupa mais ainda, a saúde do Estadão.

Um país, um futuro, se constrói sobre o respeito ao passado. Brasil está sendo trucidado faz tempo, em vários sentidos, mas especialmente em sua memória. O que vem acontecendo aqui em São Paulo é deprimente.

A perda de uma rádio de importância histórica, como a da Rádio Eldorado, deveria ser inaceitável, mas não é.

Nasci junto a ela, a Rádio Eldorado. Morro muito se realmente dia 15 de maio ela silenciar.

Ironia do destino, ao qual não tenho como agradecer, trabalhei para a Eldorado por dois anos.

Enfim, estou destruído.

Não tenho como agradecer a todos vocês que estão aí, por trás dos microfones, do aquário (estúdio), na redação e em outros.

Com profunda dor e de longe, estou com vocês neste tétrico velório.


Forte abraço a todos. Muito, muito, muito obrigado



quarta-feira, 22 de abril de 2026

Quem censurou?

Escrevi comentários em jornais sobre textos e artigos publicados. Publiquei e depois descobri que foram despublicados, ou seja, retirados dos comentários. Aconteceu duas vezes. A primeira veio uma explicação que li, mas não tinha nada a ver com meu texto. Não ofendi, não xinguei, não escrevi palavrões. Fiz críticas para alguns dos comentaristas generalizando: "precisamos conversar feito adultos", uma resposta aos que insistem em apontar o dedo para o outro, aquela história de "nós e eles" que trouxe o país, Brasil, onde estamos. Aliás, onde estávamos, a coisa dia a dia fica muito mais feia, coisa de aluno de 5ª série, como acaba de dizer um senador sobre o bate boca dos chefões, os pederosos lá de cima. 

Já entrei em jornal grande, no Estado de São Paulo, na Folha de São Paulo e Diário do Comércio de Recife. Em todos eles, num canto, em uma sala fechada e silenciosa, ficavam (e devem continuar) os revisores, um grupo de experientes leitores que lêem o jornal de cabo a rabo a procura de erros ou impropriedades. (Rindo vou escrever que) A redação é o inferno e os revisores são os santos da casa. Se não é isto, deve ir por aí.

A pergunta que me faço é se os comentários estão sendo revisados por IA. Como no fim de alguns dos textos publicados vem a informação do uso do IA, acredito que a triagem dos comentários também esteja sendo realizada por IA, o que acho muito perigoso. Aliás, depois da entrada em cena do IA nas redações o número de erro crassos, os que até eu pesco, aumentou muito, muito mesmo. De qualquer forma, tendo a acreditar que meus comentários caíram pelo IA. Se for isto, uau!
   

Mata a véia!

"Mata a véia!", dependendo de quem ou porque diz, também pode ser "Não mata a véia não"; sem exclamação.

Algo cai no chão e de bate pronto alguém solta um "Tá vivo. Mata, mata, mata!", e todos riem.

"Morre, morreu, antes ele do que eu", esta acho que não precisa comentários.

Meu cunhado, um piadista incontível, entrou em casa, e para minha mãe começou com uma das suas, "Sogra boa tem que ser como cerveja". Ela, rindo, sabia que vinha besteira da grossa, então pediu, "Vamos, termina", e ele disparou "Gelada e em cima da mesa". A gargalhada foi geral e incontida, inclusive de minha mãe.

Tem a politicamente incorreta, o sempre repetido "Bandido bom é bandido morto". Ditado burro digo eu, porque bandido bom é aquele vivinho da silva que dá com a língua nos dentes, traduzindo para a geração mais nova, dedura, entrega tudo, fornece informações para que outros entrem em cana.

E por aí vamos, mata tudo e todos. Não sobraria ninguém, nem nada. Tudo morto. Sobrariam risadas?

Numa sessão de cinema, os trailers foram todos um banho de sangue, contos de terror, assassinatos, lutas cheias de mortos. Isto antes do filme 'Drama', uma mistura de drama e suspense que tem como ponto de apoio para o seu roteiro uma ação violenta que não se realiza. Tudo gira em torno do quis matar, mas não matou, e da consequente reação coletiva a notícia. O que o banho de sangue dos trailers têm a ver com o filme não faço ideia, mas "mata!", da forma que for, porque é rentável, mui rentável, dindin. 
Nos filmes é ketchup, mas traduzindo, traz o desejo real e profundo da plateia: ver sangue quente jorrando. Se fosse sangue para valer, o de verdade, ia ter um bocado da plateia histérica e vomitando.

Faz um bom tempo Antônio Penteado Mendonça soltou num Crônicas da Cidade da Rádio Eldorado, um texto sobre como resolver a bagunça no legislativo: soltar algumas onças pardas esfomeadas no plenário e trancar as portas. (Enquanto escrevo isto dou risada). Como piada, como delírio libertador (?!?), funciona.

Voltando a coisa séria, que dá vontade, isto dá, mas resolve? Vontade do que? "Eu mato, eu pico, eu ponho no pinico", me dizia minha irmã quando ficava brava com minhas travessuras. 
Bem..., não, a história diz que não, que via de regra piora a situação. Gandhi e Mandela mostraram um caminho muito mais tranquilo, que não resolveu tudo, mas foi bom porque não deixou ou criou ressentimentos duradouros e perigosos.

Um dos mais brutais momentos de revanche, é a história de Vlad II, que ficou conhecido como o Empalador, ou Draculea, ou Conde Dracula (~ 1448) em suas inúmeras versões de grande sucesso. Empalador? Empalar é uma das técnicas de tortura e assassinato mais brutais já praticadas, transpassar um corpo com uma estaca. Não dou mais detalhes porque realmente é de revirar o estômago. Vlad II fez uma floresta de empalados, uns 5 mil, em vingança ao assassinato de sua amada mulher. No cinema, ou na imaginação do povo, um Dracula bem mais romantizado faz sucesso, mas Vlad II faria o mesmo sucesso na vida real?

Está claro que a humanidade quer dar um basta ao que incomoda. Vide os malucos que estão por aí em todas partes. Eu concordo em grau, gênero e número que o que temos hoje não está funcionando para grande parte do povo, mas daí partirmos para um banho de sangue banalizado é uma outra história.  
Incomodar é uma coisa, estar errado é outra. Estamos fazendo uma tremenda confusão aí. Segundo historiadores, nunca na história da humanidade os incômodos foram tão poucos, mesmo para os que tem maiores dificuldades.
Errar é humano,  as concordo que deve haver limites, e tem gente indo muito além, mas muito além...
Banalizar a morte, como está acontecendo aqui, é inaceitável. Como sabem que dificilmente serão pegos, então matam, fácil assim. É o viés inaceitável do "tá vivo? então mata!", aqui não falo sobre politicamente correto, mas o asquerosamente inaceitável.

Queremos soluções fáceis e rápidas. Mata! Será? Qual a dos filmes? De nossa imaginação fértil?
Uma coisa é certa: até ketchup espirada na blusa do outro cria confusão.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Obsolência programada? E se obtarmos pela durabilidade?

O carro teve um chileque e decidiu por conta própria que ia ficar com luzes e parte elétrica toda ligada. Bom, se deve dar um desconto a ele, velhinho, já com uns 20 anos de uso constante. E lá vai a dona à concessionária. A troca da peça sai por R$ 30 mil. O carro vale R$ 35 mil. A dona já sabia que a coisa estava ficando cara. Uma troca de lâmpada do farol tinha custado a bagatela de R$ 1.500,00, sim a "lampida", nada mais. Achou caro? Naquele modelo ainda se troca só a lambada, nos mais novos a lambada queimou só é possível a troca do conjunto ótico inteiro, ou seja, mais de R$ 5 mil, isto nos modelos mais simples. Nos de luxo? Não quero nem saber.

Se na década de 60 ou 70 dissesse que um dia as coisas ou não teriam conserto ou sairia uma fortuna, ninguém iria acreditar. Já sabíamos que tudo tinha vida útil, mas não que chegaríamos onde estamos. 

Em tempos passados não se falava em colapso do planeta. Já haviam sinais que a coisa não ia muito bem, como por exemplo na época das chuvas e de férias os bueiros começavam a vomitar água podre, isto onde havia esgoto, coisa rara então. Mas colapso estava fora de nossa imaginação. 

Naquele passado distante, uns 50 ou mais anos atrás, bateu o carro? Funileiro. Os caras eram mágicos, puxavam aqui, desentortavam ali, e o carro voltava a funcionar. Hoje se troca as peças tortas por novas, desmonta, joga no lixo, peça nova, encaixa, pintar, ponto final. Em tudo, quando compensa. "Deu PT". Como assim? "Perda total" Como assim??? "Não compensa consertar". Uau!

Você já viu o que se transformou um reparo de válvula de privada? Ou o courinho de torneira? Aquele que para parar o pinga pinga. Virou uma peça plástica sofisticada de alta tecnologia que acabou, descarta, compra e põe outra igual. Meio ambiente? Quem? Quanto tempo durava um courinho? Quanto dura um reparo destes novos? Qual o impacto ambiental? "Quem?" Mais, cadê o sujeito que faz o reparo? Quanto ele cobra? Quando ele vem! "O que?" Conversa de loucos.

Como criança sabia que se quebrasse a bicicleta não teria outra. Tinha que cuidar de tudo, porque era único, custava caro e não dava para comprar outro. Aliás, não fazíamos ideia do que era cultura do desperdício pela simples razão que era impensável desperdiçar. Coca-Cola? Uma garrafa, das de vidro, aos domingos, ou no aniversário, ponto final, sem mais conversa.

Sim, sabíamos o que era obediência programada... 

Corrigindo, sabíamos o que era obsolescência programada, ou pelo menos tínhamos uma noção do que era, mas nada como a loucura que vivemos hoje. 

Já obediência, a programada pelos pais, tios, avós, era para ser obedecida, ponto final, sem mais conversa... mesmo. Fez besteira? A insolência estava bem programada para a surra e o castigo. Quebrou, pagou! Ponto final.

Um rádio custava o que um rádio devia custar e uma escovinha de unha custava o que devia custar, pelo menos o custo fazia algum sentido. Hoje? A escovinha pode custar bem mais que um pequeno aparelho eletrônico fabricado dentro de um complexo processo industrial de alta tecnologia. É a escala de produção, está certo, mas não faz sentido que um pedaço de plástico com cerdas encaixadas, um processo industrial básico, de poucas etapas, possa custar mais que algo altamente tecnológico. As escovinhas já não duram tanto, o mesmo para as porcarias eletrônicas. 

Tive um celular Nokia, dos antigos, que caiu 10 andares, ficou submerso por uns 15 minutos, foi seco e voltou a funcionar. Uma amiga comprou um celular de última geração que deu defeito ainda novo. Recebeu um novo e o velho foi descartado, lixo, ponto final. Obsolescência programada?

Outra amiga levou sua bicicleta, uma 29, das básicas,  baratas, para trocar os pneus e fazer uma manutenção geral preventiva. O orçamento veio com R$ 2.600,00. Roubo? Não. O orçamento feito pela bicicletaria, tradicional e séria, foi padrão dentro do mercado: troca tudo por novo. Ou joga fora a antiga e compra uma bicicleta nova que vai custar uns trocados a mais em suaves prestações. Os pneus, estes sim tinham que ser trocados, mas o resto? Pelo que recomenda o manual do fabricante da corrente,  desgastou,  sim troca tudo, todo sistema de marchas. O jogo é este, se quiser joga, se não quiser dá o fora. 

Uma outra amiga trocou sua bicicleta depois que também levou a uma outra bicicletaria e o orçamento veio algo próximo de R$ 5.000,00, quase o preço de uma bicicleta nova. Roubo? Não, de novo, gente séria, com anos de mercado e montes de clientes. O que explica? Filosofia comercial, digo eu. Troca tudo, simples assim, e troca em nome da segurança do ciclista. Segurança do ciclista? A bicicleta estava funcionando perfeitamente, só tinha a quilometragem que o fabricante recomenda a troca da corrente. E o povo paga, seja porque não entende nada, seja porque não quer fazer feio na roda dos amigos ciclistas. 

Pausa para os comerciais 


De volta à programação 

Conta a história que a Phillips, uma marca inglesa impecável de bicicletas, que não dava defeito nunca, quase indestrutível, faliu na decada de 80, se não me falha a memória, por não querer baixar a qualidade.

Quer entender melhor o que 'foi' qualidade? Um dia, faz tempo, comprei uma bicicleta para levar para o museu de bicicleta. Detalhe: ela tinha rodado 50 anos sem fazer qualquer manutenção, só tendo trocado os pneus e câmaras. A corrente? Óbvio, muito gasta, mas rodando.

Em 1992 a Specialized deu um salto no mercado quando passou a entregar na caixa as bicicletas básicas já praticamente prontas para rodar. Era só tirar da caixa, encaixar e apertar alguns parafusos e sair rodando com segurança. Qualquer idiota conseguia, e a bicicleta funcionava bem, segura. Fizeram isto até porque a qualidade de serviço de boa parte das bicicletarias não atendia um padrão mínimo de qualidade. Ainda na fábrica as bicicletas recebiam ajustes básicos, o que fazia toda diferença no pedalar e na durabilidade do produto. 
Mike Sinyard, fundador da Specialized, recomendou ao Luiz que nunca desfazer-se das bicicletas do início dos anos 90. Ele estava certo. Naquela época obsolescência programada tinha um outro parâmetro. As velhinhas continuam por aí, deliciosas, impecáveis.


Ineptocracia



Ineptocracia, termo muito interessante, que calha bem para o largo momento que estamos vivendo neste país chamado Brasil. Aliás, eu digo, vivemos uma inepto-larapiocracia.

Fiquemos com a ineptocracia 'brasa', como tentaram emplacar como apelido na seleção brasileira. Faz sentido quando se olha para os últimos incêndios, o do prédio histórico no Paraná e o velódromo no Rio. Qual será o próximo. Aguardem que vira. Cultura? Cultura no Brasil? Esportes? Faça sua bet! Aposte que o número de endividados crescerá. Barbada.
Ineptos. Faz quantos anos que não temos um macro projeto de estado de longo prazo para o país? Remendos temos aos montes, em todos setores. As mudanças necessárias demoram anos, décadas para virem, e não raro quando vem chegam pela metade. Vide a reforma fiscal, décadas atrasada. Vide a segurança pública. Vide...

30 março de 2026, foi inaugurado o monotrilho que deveria ter ligado o Aeroporto de Congonhas com o estádio do São Paulo F. C., como obra para a Copa do Mundo de Futebol aqui, Brasil. Iniciada em 2010, deveria ser entregue em 2014, antes da Copa. Finito pela metade, ok, um terço, ok, pequena parte, ok, foi inaugurado, Thanks Gold!, doze anos depois. Uma das desculpas é que mudaram o estádio da Copa por vontade e desejo do Exce. Presidente. Saiu do Morumbi de ricos e foi para Itaquera de gente bem mais simples,  estádio novinho, dívida também... Não qualquer dívida, mas uma senhora dívida que ninguém sabe quando paga, isto se paga. E a torcida achou lindo. 
Nada fora do normal, o atraso, aumento de custo, obra abandonada por anos, transtornos, votos no candidato que ajudou na realização do sonho Corinthiano, mesmo que tenha sobrado uma dívida que não se sabe quem e quando será paga... Onde está e de quem é esse dinheiro? Sei lá? Duvido que alguém consiga contabilizar de forma que se entenda. UAI, se tem uma dívida monumental, quem segura a bronca?
Pelo menos os custos da obra parada se sabe. Como sempre custava tanto no projeto e custou tanto a n potência no final, dinheiro público, meu, teu, nosso, deles...Dinheiro público, portanto nas bundas de quem vai sobrar sabemos. Já o custo gerado pela mudança de projetos da Copa, quem sabe?

E a confusão no Oriente Médio vai rolando, vai rolando, vai rolando..., e se transformou num drama planetário. Vai sobrar para todo mundo. Alguém lá em Brasília pensou nesta possibilidade? Alguém estudou o que fazer com as possíveis (possíveis???) dificuldades e oportunidades que se apresentam com esta guerra? Qualquer um minimamente esclarecido ficaria com uma pulga na orelha, mas os 'inteligente', os 'eficiente', do Planalto não, eles sabem o que fazem. Sabem? 
Que o barril de pólvora que o instável (instável??, só isto?) presidente dos USA está armando acho que os inteligentes de Brasília já tenham sacado, mas daí a terem noção do que fazer, vai longo caminho a deriva.
Precisa de 'pobrema' vindo de fora? Não, não, não, mas servem bem como cortina de fumaça para a baderna caseira. Nada melhor que notícias sobre a viagem a lua para esquecer por um tempo os lunáticos caseiros.

Vamos para o que nos afeta diretamente. São Paulo está tendo com frequência congestionamentos de mais de 1.000 km. Tem solução? Sim, mas...
Ontem foi mais um dia de caos completo. Mesmo pedalando tive dificuldade para chegar onde devia. Estou cansado de repetir isto. Cada dia mais frequente e cada vez pior. Responsabilidade de um acidente? Não. Sem razão aparente. Que loucura. Alguma palavra sobre o que fazer? Sim, magias, milagres momentâneos, soluções. Soluções: qual é o plural e o aumentativo de soluço? Sim, soluções, tentativas de resolver aos soluços. IP! IP! IP! A médio longo prazo, alguma idéia inteligente? Qual? Desculpem, não ouvi ou não consigo entender.

Ineptocracia.

Aliás, olhando as primeiras páginas de jornais, vendo as notícias na TV, ouvindo rádio, melhor inepto-larapiocracia.

Temo fú! Ou vamos colocar a caixola para funcionar. E agir

Nunca na história deste país o nível geral foi tão baixo. O país caminha, mas como?
Nestes últimos dias tem ficado claro que o que mais se tem é inepto e larápio. Um país se faz de exemplos. Os nossos exemplos neste momento são Brasília e Rio de Janeiro. Vai dizer que não, que estou exagerando?