sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Selo de qualidade IMETRO?

Nas décadas de 70 e 80 o Brasil foi o terceiro maior fabricante de bicicletas do planeta. A qualidade das bicicletas estava longe de uma qualidade desejável, os defeitos se sucediam, alguns afetando a segurança do ciclista. Foi uma luta para tentar melhorar a qualidade via propostas e projetos de lei, manifestos entregues para políticos, conversas, reuniões, artigos publicados, uns tantos inimigos e muitos não levando a sério. E um dia aprovaram a obrigatoriedade de selo de qualidade IMETRO. A alegria acabou rapidinho quando ficou claro os procedimentos para aprovação e seu controle posterior. Lei brasileira, detalhes mais detalhes, mais detalhes, uma meada de procedimentos e regras sem fim, pelo menos no que se refere ao prático e funcional. 
Lá fora, no mercado de primeiro mundo, a bicicleta, um veículo, não pode apresentar qualquer defeito, ponto final. A qualidade é estabelecida em cima do conjunto, do todo, não nos pequenos detalhes. Aqui, uma bicicleta tem que ser aprovada peça por peça, detalhe por detalhe, tintim por tintim. Mudou o tamanho, modelo, forma ou mesmo detalhe de uma peça que tenha a mesma função mecânica, tem que passar por novo teste para receber o selo IMETRO. 
Para entender a brincadeira. Houve, por exemplo, uma confusão tremenda com a Ferrari, sim os responsáveis carros esportivos, mas pelas leis brasileiras precisariam ser desmontados para testes de cada detalhe, mais um crash teste. Virou piada. Não temos sequer laboratório com capacidade para isto. 
No universo das bicicletas se quis obrigar que pneus Vitória, de altíssimo rendimento, recebessem selo do IMETRO impresso para serem vendidos no Brasil. Enquanto isto alguns pneus e câmaras 'Made in Brazil' que não atendiam a um padrão minimo de qualidade recebiam o selo.
Antes destes exemplos, um modelo de bicicleta de um dos grandes foi recusado no mercado boliviano. Acabei sabendo desta história porque a propaganda da bicicleta foi feita com minha imagem... sem que eu soubesse e muito menos tivesse autorizado. Óbvio que pedalei a dita bicicleta e ela era... vamos deixar pelo "ruinzinha".
Bom, era assim, e não faço ideia de como está agora, mas...

Acabei de ver um vídeo mostrando como é a fabricação de peças com rolamentos para bicicleta da Cris King, uma joia feita em CNC com qualidade muito próxima à Fórmula 1. Parte do maquinário foi fabricado nas décadas de 50 e 60 e ainda produzem peças com precisão de milésimo de milimetro. Tornos e fresas da década de 60? Sim, Cris King fala com orgulho delas.
Já volto a está história. 

Minha briga pela qualidade das bicicletas começou numa época que nossas fábricas ainda trabalhavam no décimo de milímetro, quando tanto. Não só no setor de bicicletas vi muitas destas máquinas funcionando, algumas maravilhosamente bem, outras precariamente, sem qualquer manutenção. Uma das razões para o setor industrial de bicicleta no Brasil ter quase desaparecido do cenário mundial foi, dentre outras, o "temos que produzir, temos que vender, não importa o que". Em outras palavras, ganhar dinheiro até sucatear tudo. Não foi só aqui que fizeram esta burrice. A Raleight, o maior fabricante de bicicletas da Inglaterra e do mundo, sumiu do mapa pela mesma estupidez. Mas as Raleight tiveram algum respeito pela qualidade.

O Brasil de hoje, e o que falam os que conhecem.

Quem administra bem empresas ou dinheiro usa uma regra de ouro que a história ensinou: não colocar todos ovos numa mesma cesta. Nossa economia vai bem (?!?), mas uns poucos alertam que precisamos de um setor industrial mais forte para dividir nossos ganhos e termos mais estabilidade. Fala-se muito, e com toda a razão, na questão das leis e do sistema tributário, um caos. Ia esquecendo: a condição de nosso maquinário. O que nos ensina um Cris King? 
Fala-se pouco sobre educar a população sobre o valor e a importância estratégica da qualidade (de verdade), a melhor possível, em tudo. No final das contas quem de fato define qual qualidade um país terá é o povo. Para terminar, nossos órgãos regulatórios funcionam como deveriam? Como cidadão, digo que não me parece.

Pergunto: quanto se pode confiar num selo IMETRO? Vale alguma coisa fora do Brasil? Serve como referência para exportações? Ou o problema interno da qualidade de nossos produtos com selo IMETRO se dá pela falta de fiscalização? Ou seja, "vai, mané, que o selo garante" (que vai demorar um pouco mais para dar defeito). Qual o índice de burla ou falsificação?

IMETRO? Tive que trocar o garfo rígido de minha bicicleta 26 pela terceira vez. Imperícia minha? Não. Falta de confiança no material, não há outra opção no mercado. Ou é este ou é este, ponto. Óbvio que se fosse rico traria de fora, mas não é meu caso. Todos vieram com selo IMETRO e todos vieram desalinhados de fábrica. O que consegui trazer para o alinhamento veio com o suporte de freio a disco desalinhado e... mesmo sem ter feito um teste mecânico padrão IMETRO, afirmo que sua flexão lateral, ou torção, está fora do que deveria ser padrão de segurança. Como sei? Macaco velho que sou, 50 anos de história no meio e tendo tido umas 50 bicicletas ou mais, nacionais e importadas, baratas e caras, acho que sei quanto um garfo pode torcer.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Foi ele, foi ele, o meu não fez nada!

O inacreditável desta e de histórias passadas é boa parte dos comentários feitos aqui - nos comentários das matérias publicadas pelo Estadão, mas não só.

Aparece a criançada toda manchada de chocolate. Você pergunta se mexeram nos brigadeiros antes da festa. Ninguém mexeu. Então, onde foram parar os brigadeiros? Silêncio. Vem as mães dos meninos e gritam defendendo seus filhos lambuzados. Meu filho não faz isto! O único que aparece sem manchas, aquele que diz que nunca fez nada e que a culpa é sempre dos outros, deixou o fogo ligado, queimou a panela, quase toca fogo no apartamento e mata todo mundo, é defendido pelos pais, irmãos e primos porque, diz, não entrou no brigadeiro, mesmo com a toalha da pia da cozinha estando jogada no chão ensopada e pisoteada, e tendo as mãos úmidas e os pés lavadinhos.

A gritaria está armada. Os pais quase saem no tapa. O que menos interessa neste momento é ter uma festa que comemore o futuro feliz do aniversariante, de todas as crianças, de todas as famílias, a união de todos. A única coisa que interessa é cada um defender com unhas e dentes seus filhos da acusação dita injusta. Ninguém tocou nos brigadeiros, afinal o que provam as manchas, o que prova todo brigadeiro ter desaparecido, as paredes sujas de chocolate? Enquanto a guerra está armada, a tropa do que destruiu a cozinha foge discretamente para não arcar com os prejuízos deixados. No elevador os pais se vangloriam que o filho foi o único que não tinha manchas, um exemplo para os outros.

Como está num dos comentários, se fizer uma série do Netflix com o enredo deste Brasil, será um fracasso porque não será crível, vão dizer "os carinhas exageraram".

Um dos maiores problemas em nossas escolas é a quantidade de pais de alunos que entram furiosos gritando "eu pago, vocês não tem o direito de fazer isto com meu filho".

Em outras palavras, não interessa o Brasil, a nação, seu povo, nosso futuro. Interessa defender com unhas e dentes suas posições, mesmo com um forte cheiro de queimado se espalhando por todos lados.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Ciclovia Faria Lima. Só ela virou uma bagunça?


No meio de 4 amigos, ex ciclistas profissionais com respeitáveis currículos, inclusive internacionais, ouvi deles sobre o medo, ou pavor, de pedalar nas ciclovias de São Paulo. "Prefiro peladar no meio dos carros, que é muito mais seguro. Este pessoal que pedala na ciclovia não faz ideia do que faz, além de serem grosseiros" soltou um deles seguido da concordância dos outros, e risos de todos. Não dou nomes aqui, mas digo que são reconhecidos e bem respeitados fora do Brasil, venceram provas e campeonatos do calendário internacional. Aqui são desconhecidos, por isto não servem de exemplo, não podem deixar um legado social que gostariam. Aos que os ouvem, ensinam regras importantissimas de tecnica, convivência, condução e respeito ao próximo, básico para qualquer ciclista.

Como está num dos comentários feitos aqui (no artigo do Estadão), falta educação, com certeza. Falta não só educação, a básica, aliás, a básica do básico, mas falta um minimo de civilidade, ou pior, civilidade.

A introdução da bicicleta ganhou importância mundo afora, não só pela questão da mobilidade, mas muito mais pelas transformações individuais, sociais e na qualidade de vida urbana que sua presença e uso trouxe e traz. Diminuição da violência, melhora da qualidade de vida do usuário, com acréscimo de 7 anos de vida, redução dos custos com saúde pública, melhora da micro economia local, melhora dos indices escolares dos filhos, melhora da produção no trabalho, melhora da percepção ambiental com consequente melhora do ambiente em geral, melhora do verde e qualidade da água, etc..., é o que mostram pesquisas internacionais sobre o ocorrido mundo afora.

Mesmo num centro urbano tão saturado e confuso como NYC, a introdução bem realizada da bicicleta (no cidade sustentável de Janette Sadik Khan) trouxe e segue trazendo benefícios muito além da mobilidade. Ganharam todos, ganhou toda população, ganhou a economia, ganhou a cidade, ganhou os Estados Unidos. Bicicleta bem introduzida é um ganha ganha, o que já não resta dúvidas desde 1972 quando Amsterdam e outras cidades decidiram implantá-la como parte de um extenso programa de recuperação social e urbana.

O problema que temos aqui é que Brasileiro não faz ideia do que é ou deveria ser uma cidade. Nossa noção de civilidade para no selfie, fenômeno social que nos tornamos campeões mundiais. Salve-se quem puder. Eu tenho direito. "Eu tenho direito" vem sendo discurso recorrente, se pode dizer doutrinação. Esperar o que dos usuários das ciclovias implantadas, incluindo aí os que treinam na Ciclovia do Rio Pinheiros e que não fazem ideia sequer do que é etiqueta esportiva?

No geral, como é de se esperar, "você sabe com quem está falando?". Este é nosso problema.

Perdemos uma oportunidade de ouro com a forma como a bicicleta foi e continua sendo estimulada.  Não é "a bicicleta, pela bicicleta, para a bicicleta" como foi (im)posto, mas sobre a cidade, sobre os cidadãos e no que a bicicleta pode auxiliar na mudança para uma melhora geral, para tudo, para todos, sem exceção.

Sim, "quantos km a mais melhor" foi ideologia, populismo eleitoral. Aliás não foi exceção, mas atendeu a regra geral de como se programa este país. Jogou-se dinheiro público no lixo com kms e kms de segregações que praticamente ninguém usa. Os próprios envolvidos no processo confessam que foram uns 25%. Hoje tem quem fale em bem mais.

Não só daria, como deveria ter sido feito diferente. Importantes ONGs internacionais estiveram aqui trazendo expertise sobre como introduzir a bicicleta da melhor forma. Esforço inútil. "Nós somos diferentes e fazemos do nosso jeito". O desastre está aí. Transformar uma cidade não se faz com libertinagem imobiliária, de transporte e mobilidade, como a que estamos vivendo. A experiência dos outros é preciosa, mas quem de nós se interessa? "Eu quero o meu. Eu tenho direito". E... Selfie!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Corporativismo perverso geral e irrestrito

A melhor definição sobre o Brasil é 'corporativo'. A melhor definição sobre quem somos está no "Você sabe com quem está falando?", aplicável a todos, de todas camadas sociais, sem exceção.  Por que não mudar o lema da  bandeira brasileira, de Ordem e Progresso para Você sabe com quem está falando?, seria mais honesto.

Corporativismo perverso geral e irrestrito, sempre fomos ou nos tornamos? Corporativismo perverso geral e irrestrito estamos, e não há qualquer sinal de interesse para uma mudança. Leia os jornais. "Eu não sou assim!", dirão indignados a esta minha afirmação. Numa sociedade tão corporativa, se não for corporativo dificilmente se sobrevive, social e ou financeiramente.

Virá o discurso que corporativismo e prepotência é coisa da elite, qualquer que seja, a que manda ou do dinheiro. Besteira pura. Nas favelas ou você cala a boca ou vai se dar muito mal; exatamente como na elite. Corporativismo de sobrevivência.  Pobre não é imbecil, sabe as regras do jogo, ou você imagina que na cabeça deles o celular comprado de um garoto que custa tão baratinho veio de onde? Celular e outras muitas coisas. Aliás, sejamos honestos, a mesma regra de compra se aplica a todas camadas sociais.  

Sabe com quem está falando? É discurso só dos poderosos? Quando o pedreiro, encanador, funcionário qualquer simplesmente some, e você não pode fazer nada, e não faz, é o que? Ele sabe que está protegido por uma forte rede corporativa, copiada com inteligência e qualidade daqueles que cantaram de galo no passado. 

Os três Poderes deste país tem certeza que atos absurdos não terão consequência. Nós calamos. Nós, a mortadela, os que estão entre os religiosos, crentes nos dois milagreiros que estão aí. Calamos por telhado de vidro, ou medo do corporativismo? Ou os dois juntos?

E aí vem a pergunta: que país você quer? Melhor, como nós brasileiros perdemos a noção do que é um país, o que é um macro coletivo, pior, o que ou quem é o outro, a pergunta correta é "Que vida você quer?". Selfie! 

Um corporativismo suicida só existe quando o medo da transformação impera. Melhor, o medo de agir, de se posicionar, de pensar. "Se eu for diferente fico sozinho". Que medão!

Todo ato tem uma consequência. O que acontece quando ninguém entende que todo ato tem consequência? O que acontece quando todos acreditam piamente que tem poder, que são o poder, que são a autoridade?

Muito obrigado Camila Farani pelo ótimo texto e pela coragem. 



terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Sutiãs como exemplo. Nós, os consumidores, e funcionalidade, aparência e manufatura.

Fazer simples, fazer bem, fazer barato. Se é o que todo mundo quer, por que continuar comprando o que é cheio de detalhes inúteis, mal feito e caro?


"Why everything you buy is worse now?" - Por que tudo que você compra agora é pior (do que era antes)?.  É sobre sutiã, mas poderia ser sobre tudo, não só sobre todos produtos industrializados, mas também sobre serviços, e porque não dizer qualidade de pensamento e qualidade de vida. Não, não desvie sua atenção, não aparecem peitos, seios maravilhosos, modelos de beleza, tentação. 
 
Falando em tentação e o que parece mas não é, lá vai história. A saber: comecei a entender o que são ilusões criadas para os consumidores, as mais perversas (?!?), quando estava no Rio de Janeiro, na área de concentração da Marques de Sapucaí, ajudando o pessoal que ia desfilar vestir suas fantasias. Parei meu trabalho quando vi uma tentação, um mulherão linda de morrer que quando aparecia na TV eu me arrepiava todo. Estava sendo preparada para subir no carro alegórico. Fui até lá ver meu sonho de consumo (?) de perto. Imagem, sonho, realidade. A imagem que tinha já contei. O sonho deixo para lá. Agora vamos à realidade: no tete a tete, ou pelo menos na distância que me permitiram chegar, perto o suficiente, a realidade se fez: umas duas meia-calças para formatar as pernas e o culote que na TV não se via; um sutiã bem armado para manter no lugar aqueles seios fartos, lindos, que tentavam na pequena tela da TV (das velhas, de tubo); não sei quanta maquiagem, a carnavalesca, mais a disfarçante, verdadeira camuflagem. Fiquei parado vendo o guincho elevar aos céus meus sonhos, que ali, imediatamente, morte súbita, desvaneciam nos fatos reais. Simples, bem normal. Na TV, o bom caminho para a paixão, a mais enganosa possível. 
Propaganda bem feita é a alma do negócio, e das tentações também, quanto mais pecaminosa, melhor. 

Começando pela peça principal deste sistema que temos hoje, ou seja, o comprador, o consumidor, ou nós, eu incluído. Nós compramos, simples assim, e nesta bagunça que vivemos pode-se dizer 'ponto final'. Consumimos, aos borbotões, desnecessariamente, tudo. "Viva a tentação!" Prova irrefutável? Seu lixo, o reciclável mais o outro, e a frenquência que você tem que descartar os sacos cheios.

Não era assim, não consumíamos tanto, até porque as opções eram muito menores. Infelizmente não consigo encontrar as fotos comparativas que foram publicadas pela revista Life nas décadas de 60, 70 e 80, onde faziam a comparação entre o então 'glorioso' consumo de uma família de classe média americana com outras, americanas e mais pobres ou de outros países. O consumo já era alto, mas não esta barbaridade que temos hoje em dia. 
Como são estas fotos comparativas? Simples: a família sorrindo atrás de tudo que eles consumiam de alimentos por mês! Era coisa paca!

Fiz uma brincadeira sobre desperdício, uma experiência boba: quis saber quantos palitos de fósforo consigueria riscar e acender numa única caixa. Cada caixa tem em média 40 palitos. Numa única caixa consigo riscar e acender algo em torno de 8 caixas de palitos, ou seja, é possível riscar e acender 320 palitos por caixa. A questão é que a cada 40 acendidos jogamos tudo no lixo, mesmo com muito mais espaço para riscar outros fósforos. Detalhe, a gaveta, onde ficam os palitos de fósforo, é feita de papel, portanto reciclável,  mas vai para o lixo junto. Parece brincadeira, uma tolice, afinal o que significa uma caixa de fósforo para o meio ambiente e o nosso bem estar? Uma pouco significa, mas as milhões de caixas de fósforo vendidas e usadas, mais sua produção, isto sim é um problema ambiental.

Voltemos ao sutiã em questão descrito no Youtube. Ela, a narradora, faz uma comparação entre os velhos e novos suitãs, identicos em forma e aparência, mas não em qualidade e durabilidade. Os novos tem uma qualidade e durabilidade bem menor. 
Sutiã no lixo só me incomoda pela questão ambiental. De resto, é um prazer.

Como funciona o processo industrial? Sobre três bases: funcionalidade, aparência e manufatura, e se tudo estiver bem, direto para as vendas, para o consumidor.
A questão é que no processo de produção a manufatura ganhou importância, a aparência mais ou menos se manteve, e funcionalidade / durabilidade diminuiu de importância. Razão? Custos de produção, concorrência e principalmente aceitação dos consumidores.

Minha mãe sempre dizia "Já viu coisa barata ser boa?" Pura verdade. O que dura custa menos.
 
A questão é que todos nós aceitamos o que se chama de obsolência programada. Deixei linkado porque vale a pena ler a respeito. As 'coisa d'hoje in'dia são feita pr'acabá", e acabando, comprar uma nova, e outra, e outra, e outra. A novidade, de uns tempos para cá, é que ninguém mais se pergunta se dá para consertar e continuar usando. Perguntas como estas perderam o sentido, até porque tudo conspira para não se consertar ou reaproveitar. No caso do sutiã, e da alça solta, onde encontrar um armarinho para comprar agulha e linha? Linha branca, um outro exemplo bem caseiro, quebrou, a maioria simplesmente não tem conserto, nem nas autorizadas; ou o conserto custa mais que a maquina inteira. Pior, mesmo alguém habil no gambiarra não consegue consertar porque as peças não são padrão. 
Enfim, tem data para acabar, quebrar, descartar, jogar no lixo, ou a lógica da 'obsolência programada'. 

Tudo deveria ser feito para o nosso bem e não para o bem da indústria, mas mudar o que está aí é muito mais complexo do que se possa imaginar.

Muito do progresso social que tivemos no passado se deve à obsolência programada. Simples: gerar e manter empregos. Japão saiu do buraco copiando produtos, oferencendo preços mais baixos, mas com menor durabilidade. China cresceu assim. Foram processos tanto macro econômicos quanto de reoganização social. A questão é que não dá mais, o planeta Terra não 'guenta mais'. Mas quem se importa? Quem entre a população, o povão.
    
O mercado usa a mesma técnica que da propaganda política: repita mil vezes que o que você disse se transformará em verdade (Goegels). No mercado: ofereça um milhão de opções que alguma venda se fará, mais ainda agora com a Internet. A piora da qualidade se deve em parte pelas compras on line. Quanto por cento não é devolvido e vai para o lixo? Não sei, mas pela vivência do dia a dia entre conhecidos, sei que não é desprezivel.

E chegamos no que eu chamaria de obsolescência social programada, ou moda. Moda, acelerou o processo de obsolescência, e o comprar mais e mais! O que induz a outras compras de produtos que até não tem nada a ver com moda. O mesmo para supermercados e suas gondolas lotadas com variedades sem fim.

Equilíbrio das três bases de produção mudou. Manufatura aumentou. Funcionalidade diminuiu. Uma coisa continua a mesma: quem paga é o consumidor. Se ele aceita o que comprou o problema é dele, simples assim. 


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Facilitar a CNH é tão parecido com cloroquina!  


Quando se tem uma situação de emergência, como a que temos com a segurança no trânsito, enfrentar o problema demanda estabelecer prioridades, ou seja, o que atacar primeiro, qual segunda ação, terceira e assim por diante. Em qualquer emergência populismo só agrava a situação. Aliás, para piorar tudo basta populismo e autoridades que querem ser autoridades, mas se recusam a olhar a realidade, os fatos, quem é o outro, entender o que realmente causa o problema. Motociclistas e pedestres morrem às pencas muito porque as autoridades só olham a lei e normas técnicas como verdades absolutas. Serão para os motociclistas e pedestres? E o que mais? Por que eles não entendem e cumprem? Sim, são verdades funcionais em ambientes ideais, e aí começa o vergonhoso desastre que temos na nossa segurança. Ideal, funcional, aqui? Na baderna que vivemos, onde autoridade é vista como um potencial inimigo, impor regras ou arrotar "verdades" é fazer o outro se distanciar mais ainda do que deveria beneficia-lo. Exatamente como uma conversa com o filho adolescente, e rebelde. Quer que ele faça o contrário, vá lá e dite as regras a seguir.

Por onde começar? Em qualquer situação grave e de emergência, começa se por analisar dados o mais precisos possível, o que não temos no Brasil. Brasileiro não é afeito a dados e informações de qualidade, principalmente porque põe em cheque tanto a autoridade e mais ainda o populismo. Em qualquer sistema de segurança a precisão de dados é o único caminho para se chegar à segurança. Simples, os dados que temos sobre acidentalidade no Brasil são rasos, pouco servem para de fato controlar a barbárie que vivemos. A estrutura de coleta de dados, perícia e legistas, é precária, para dizer o mínimo, os B.O.s têm diferenças de um lugar para o outro, e sei lá como é feita a coleta e análise dos dados existentes. Isto sem contar com interferências corporativas ou políticas.

A meu ver, o primeiro passo seria saber com quem se está falando, o que guardo meu direito de acreditar que as autoridades não sabem bem. Sem isto a comunicação fica difícil ou literalmente impossível, e resolver o problema mais ainda.


Finalmente, o populismo de facilitar a CNH é tão parecido com cloroquina!  


Aliás, tem mais um detalhe que ia esquecendo: não haverá um business lucrativo aí? Sim, business, negócio, dindin, dinheiro rolando. Mas isto é uma outra história que fica para uma outra vez.



quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Não ficar quieto. Não ficar só nas críticas durante a cervejinha

para
Rádio Eldorado FM
entrevista sobre o crescimento do número de casos declarados de saúde mental, stress e outros:

Meu comentário via Whatsapp 
Sobre saúde, no Brasil a população fica doente de segunda a sexta-feira, como provam todos dados oficiais.

Sim, o que vivemos aqui, neste Brasil desvairado, está muito longe do que se pode considerar tranquilo, sadio. Sim, é visível o stress geral, que vem aumentando rapidamente.

Agora, quanto dos números apresentados sobre saúde mental são um novo meio de conseguir atestado médico para ficar longe do trabalho?


para
Rádio Eldorado
sobre o envio de recomendações da OAB para o STF

Meu comentário via Whatsapp
Por décadas a OAB manteve-se em absoluto silêncio sobre a precariedade e as irregularidades no sistema judiciário. Vez ou outra uma manifestação, mas limitada, muito limitada. É impossível escapar da pergunta: por que? E: a quem interessou e segue interessando esta baderna que agora sobe a tona, e que não é nenhuma novidade. Quem ganhou? diga-se de passagem muito, muito mesmo.