É simplesmente inacreditável a quantidade de notícias péssimas que estamos tendo todos dias, dia após dia, neste país. Pior, já deixamos o dia após dia para entrar no a cada hora. O fundo do poço, virou abismo, o abismo virou buraco negro, aquele fenômeno astronômico que suga impiedosamente tudo que está em volta, não se sabe para onde.
E ontem foi um dia particularmente deprimente, péssimo. Recebi as notícias da morte de Lito e que não seria realizado o debate dos candidatos a presidente na Globo quase ao mesmo tempo. Que perda, que horror, que nojo, que asco! E não demorou muito vieram as razões para a suspensão do debate. Sem palavras.
Nasci em 1955. Em 1964 estava na casa de uma vizinha quando ouvimos pelo rádio que os militares estavam nas ruas... Voltei para casa aos prantos, apavorado.
Em 1975 um amigo, o Pancho, e mais dois conhecidos, Diniz e Noronha, foram brutalmente assassinados pela Rota 66. No mesmo ano Wladimir Herzog foi assassinado pelas forças de segurança. Ainda neste mesmo ano, um pouco depois destes assassinatos, ouvi de Lúcia, que fazia faculdade comigo, que Geisel tinha sido derrubado. Uns dias depois ela me contou que ele tinha voltado ao poder, uma história que só chegou a público anos depois.
Já em 1975 começaram as articulações para dar um basta àquela situação, que aos olhos de muitos era inaceitável. Em 1982 acabei como ouvinte na Casa Madre Teodora. Alguns anos depois as passeatas e o grande comício no Anhangabaú, aquele que uns imbecis chacoalharam o caminhãozinho da Globo na tentativa de joga-lo de cima do Viaduto do Chá.
Em 1986 chorei a não poder com o Sarney assumindo no lugar de Tancredo doente. Anos depois, sentado ao lado de minha mãe, vi a imbecil da Zélia anunciar o confisco geral...
Enfim, tenho alguma vivência para dizer que nunca antes neste país tivemos uma merda tão grande, mole, fedida, escorregadia, pegajosa, contaminante, como a que temos agora. Absolutamente nada se compara ao que temos hoje, nada, até porque a diarréia virou pandemica e afetou o cérebro da maioria. Merda na cabeça de muitos não é novidade, mas nesta escala, não tenho referência.
Esfacelamos de tal forma que fica difícil saber por onde buscar uma saída.
Aos de bem, respirem fundo, soltem o ar contaminado devagar, respirem de novo. Temos que pensar com calma. Temos que olhar este desastre total como uma janela de oportunidade. Como? Não faço ideia, ainda.
Aliás, um segundo depois desta publicação caiu a ficha: sei sim, a união da maioria que agora olha de fora todo este absurdo, aquela que considera inaceitável tudo isto. A única saída estará aí.

