quinta-feira, 27 de agosto de 2026

"Eu não quero metrô aqui!"

Lá vem a briga de sempre, o famoso "Eu quero metrô, mas não deste jeito, não como eles (Metrô) querem".


Não defendo ninguém aqui. Coloco minha profunda irritação com a forma como mais esta questão está sendo discutida. Sim, é óbvio, dentro de um grupo social, como numa cidade, há interesses particulares, interesses coletivos de um determinado grupo e interesses gerais da cidade. Reafirmo mais uma vez: brasileiros não sabem o que é uma cidade. Se soubessem as conversas e discussões estariam nos levando a futuro melhor. O que temos hoje é um futuro incerto, um presente caótico, uma falta de inteligência generalizada. 

A pergunta óbvia e crucial "que cidade queremos?" Nos faz sentido esta pergunta? Entendemos a importância do que ela nos remete?

Começando por um dos comentários publicados numa matéria sobre a nova linha do metrô que passará por baixo dos Jardins: quem já esteve em NYC e Londres, citados no comentário, sabe que são cidades planas, com linhas de metrô correndo em profundidade rasa, uns metros abaixo das ruas. A forma de construção destes metrôs foi em boa parte no sistema de trincheiras, ou seja, abre a rua ou avenida, faz um buracão, constrói o túnel, instala trilhos, sistemas, e tudo mais, e aí fecha. Isto só é possível em terreno plano. O que foi construído nas cidades européias e americanas num passado distante, virada do século XIX para o XX, foi dentro de cidades ainda com baixa população, se comparado a hoje, e com uma carga de trânsito muito muito muito menor que a que temos agora. A brincadeira é outra.

A linha do metrô da Av. Liberdade foi construída na década de 70 neste método de trincheira, o que acompanhei pessoalmente porque a casa de meu bisavô ficava lá, no meio da bagunça que durou anos. Hoje é praticamente impossível repetir o mesmo processo em São Paulo. Imagine só fechar uma rua ou avenida por anos. Aliás, é fácil de imaginar porque há uma gritaria infernal quando há qualquer problema num pequeno trecho de rua e avenida. Fechar por anos ruas ou avenidas levaria a um colapso no trânsito maior do que já temos, se é que é possível piorar o que está aí.

Sim, as estações de lá, nas capitais européias e americanas, são quase invisíveis, mas, de novo, vale perguntar, como e quais as razões para terem sido construídas daquela forma? E o crucial para uma resposta correta: quando foram construídas? Por que não se faz o mesmo aqui? Boa pergunta. Se fez, é há muitas estações que se resumem a quase uma portinhola.

Estação Fradique Coutinho é uma das estações mais ou menos igual as de lá, uma discreta entrada, metrô correndo praticamente no nível da rua. Depois da estação Faria Lima até a Rebouças o metrô corre raso. Quantos anos a rua dos Pinheiros ficou fechada para a construção do metrô? 

Estações do metrô quando passam sob o rio ou o espigão têm que ser profundas. A estação Pinheiros tem 10 andares de profundidade. Como se constrói uma estação tão profunda sem abrir um imenso buraco na profundidade e largura? Largura para subir e descer máquinas, entulho, terra, etc... Moro a uns 100 metros da estação Pinheiros e acompanhei sua construção, aliás apareço numa reportagem sobre o desmoronamento. Há uma resposta razoável para algumas estações serem do tamanho que são. A engenharia de nosso metrô, que se saiba, é respeitada mundo afora. 

De novo, e mais uma vez, há uma gritaria em cima do trajeto da nova linha. Sempre há e é um direito do cidadão. As alegações são as variadas, algumas facílimas de entender e dar todo apoio, outras... Uma delas é a passagem por áreas tombadas.

Antes do que escrevo a seguir tenho a dizer que sou, aliás, sempre fui favorável ao tombamento do patrimônio histórico e cultural da cidade. É farta a documentação que prova que sem preservação da memória os problemas sociais se seguem. Deve haver um problema com as leis de preservação, talvez precisem de alguma atualização. Não paramos de perder patrimônio histórico. A memória de nossas cidades está sendo varrida, melhor, já foi varrida. Sou contra. Acho que toda a sociedade já deveria ter sentado e conversado séria e abertamente sobre o tema. 

Tombadas? Tombamento? "O metrô vai passar por áreas tombadas..." Se passa em toda e qualquer cidade européia tombada, por que não poderá passar aqui? 

Estão destombando alguns (muitos) patrimônios históricos da cidade, demolindo na calada da noite, roubando bronze, descaracterizando acintosamente tudo, e vão falar sobre tombamento para tentar frear o metrô? O silêncio geral em relação a estes crimes contra a história é completo. Sim, concordo, também acho uma maluquice mandar abaixo casas numa área tombada, mas para quem passa no dia a dia por lá sabe que falar agora sobre tombamento fica estranho. Pois se quiserem falar sobre tombamento, que falem, mas falem de verdade, falem sobre o que vale de fato, falem sobre manter nossa história viva, sobre respeito ao bem coletivo. Eu sei que tem gente que fala e fala bem, sabe o que está falando, mas e os gritantes de ocasião que estão vencendo de goleada? Por favor, não usem a palavra 'tombamento' para benefícios e interesses particulares, o que há décadas vem acontecendo. De minha parte, sou totalmente a favor da manutenção não só de nossa memória, mas de um urbanismo civilizatório, ou preservação de patrimônio histórico. Mas... volto, faz tempo que se tem muita gritaria em prol de interesses muito particulares, um profundo desinteresse ao bem coletivo futuro.

Sei exatamente onde ficam as desapropriações propostas para a Sampaio Vidal e Praça Morungaba. A da Sampaio Vidal é exatamente em frente ao portão de um amigo. A da Morungaba, fica a alguns metros da casa de uma amiga. Confesso que não sei como ou por que não se encontrou outras técnicas construtivas para evitar as demolições, mas afirmo que na Sampaio Vidal uma das casas a serem demolidas é obra que nunca termina, mais parece abandonada. A casinha que existia ali, tombada, foi-se para dar lugar a mais uma caixa de sapatos abandona. 

Eu não gostaria que mudassem mais ainda aquelas áreas que faz tempo estão sendo degradadas. 

Como se pode ter uma conversa civilizada? Quem não se interessou ou  acompanhou as histórias das 'ex futuras' estações Metrô USP Butantã e Higienópolis, sabe o que digo. Conversa civilizada exige um mínimo de inteligência. "Não quero porque não quero", "Não quero pobre descendo de metrô aqui" (fato real), "Metrô não tem que passar pela universidade" (publicado em jornal), ou qualquer (?) semelhante... acho que não vale. 

Uma dos pedidos dos que protestam é que a nova linha do metrô que cortará os Jardins deveria passar por toda a av. Faria Lima, e não só na Faria Lima para lá da av. Cidade Jardim sentido Brooklin. A princípio faz sentido, mas o Metrô alega que tem dados que demonstram que não é viável mais estações nan Faria Lima pela saturação das linhas existentes. Quando ainda trabalhava vi uma planilha de definição de trajeto e, como leigo, me pareceu trabalho sério, bem feito. E, como morador visinho da Estação Terminal Pinheiros e Faria Lima, Linha 4, faço o depoimento que estão muito próximas do limite. Em outras palavras, fazer uma nova linha carregando mais ainda as da CPTM e Linha Amarela mui provavelmente não vai dar certo.

Como resolver tudo isto? Conversando como adultos paulistanos, não como quem olha para seus interesses mais particulares. Perdemos todos.


https://youtu.be/tZHSOH7cWEM?is=RvsAVs6UcNjDYhte.    Como localizar estações 

https://youtu.be/CG3lOXGx_vk?is=j6wLFtp3-XaNVO0i.   Melhores cidades

terça-feira, 25 de agosto de 2026

O assassinato do ciclista e outros linchamentos

Passados alguns dias do assassinato do ciclista a cena se repete. O primeiro foi morto a pauladas, o segundo estrangulado. E assim caminha a humanidade... Desculpem minha falha, corrigindo, assim caminha o Brasil.

O primeiro pegou a bicicleta da irmã e no meio da rua foi tido como um ladrão de bicicletas, pelo menos foi o que alegaram os dois primeiros que o atacaram e lhe tiraram a bicicleta. Depois convidaram mais dois entregadores de bicicleta que estavam de passagem para acertar as contas com o "ladrão de bicicletas" e juntos encheram o "ladrão de bicicletas" de pauladas até ele apagar. Justiça feita, foram embora abandonando o corpo no meio da rua, que minutos depois foi pego pelo SAMU já sem vida. Como esta história horrorosa é mais ou menos conhecida por todas não entro em detalhes, mas não vou deixar de dar o gran finale, a sutileza no capricho: um dos que fez justiça voltou à delegacia para dar depoimento pedalando a bicicleta do "ladrão". Assim caminha o Brasil varonil.

No segundo caso, um jovem teve um surto no meio da rua, tentou esganar uma palmeirinha num vaso (literalmente), largou a coitada da palmeirinha e seu vaso, colocou a mão na cabeça, urrou aos céus, e aí chegaram os heróis para normalizar a situação e dar paz a todos. Um deu um mata leão, o outro subiu em cima no corpo que estrebuchava na calçada, e quando a rua voltou a calma e o silêncio  devidos abandonaram o corpo estendido no chão e se foram. 

Pergunta: qual a diferença destes dois absurdos com a forma como os "nós" vêem e tratam os "eles"; e os "eles" vêem e tratam os "nós"? "Vai de retro Satanás! Sai deste corpo!" Haverá alguma correlação entre estas duas barbáries e os exemplos dados pelos que servem de exemplo público? "Eu sou o bem e o outro, aquele diferente, aquele que tem o mal em si, aquele que não crê no eu creio, o que nós, os bons cremos, tem que arder no inferno". "Torcedor do outro time tem que morrer!" "Intrigas..."

Não sei como estará agora, mas não faz muito Brasil era um dos campeões mundiais em lixamento. E, convenhamos, profusão de linchamentos, os mais diversos tipos e modos, os públicos, os coletivos, os ao livre, os nas mídias, os dos tribunais do crime, e os das frequentes desvirtuações da coisa pública, aquela que está fazendo e andando para os brasileiros, aquela que está hoje, esteve ontem, e mui provavelmente estará amanhã nos jornais em meio a notícias 'deliciosas' de se ler. Não escapa um. Aquele maravilhoso exemplo que vem de cima, aquele que nos dá pauladas, mata leões, que são donos do poder de fazer o que bem entenderem, nos deixam largados em frangalhos e se vão para suas casas, seus lares, suas famílias, seus amigos com certeza de dever cumprido.

Caprichei nas tintas? O quadro geral saiu bom? Ou poderia seu um pouco mais..., mais... Não tenho palavras para expressar me. (Burro!)  


O primeiro, o rapaz da bicicleta, tinha alguma deficiência, era tímido, quieto, e a única reação foi tentar não perder a bicicleta da irmã que o amava e ama. O segundo tinha acabado de receber a notícia da morte do pai. Quem se importa? Quem se interessa?

Estes e tantas outras barbáries que vivemos há tempo... (que chatice de texto repetitivo)

Enfim, em quem você vai votar nas próximas eleições? "Nossa, que coisa chata! Que coisa fora do contexto! Que absurdo! O que tem a ver uma coisa com outra?" Boa pergunta!: o que tem a ver uma coisa com outra? Responda você.

Quanto vale uma vida no Brasil? 

Numa das apresentações do movimento Brasil Adiante uma debatedora colocou que urge entender a situação não só com os dados (estatísticas) de mortes, mas com os dados que apontam a realidade das ocorrências. 

Pergunta final: será que é necessário estar morto para estar morto?

Que vida você quer? Eu não tenho duvida: civilidade, respeito, diálogo, bom senso, união para a construção de qualidade de vida para todos. 

Chega de barbárie, todas, de todos! 

Lito Souza e a divulgação da qualidade

A importância do trabalho realizado por Lito extrapola muitíssimo a aviação. Lito abriu um canal para falar sobre 'qualidade' e como alcançá-la através de investigação que não busque culpados, mas que vá atrás das causas que evitem a repetição futura do erro.

Outro dia fiquei surpreso quando descobri que um improvável está seguindo o Músicas e Aviões faz tempo, o que deve estar acontecendo aos montes, já que o canal criado por Lito tem uma audiência grande. E aí entra um maravilhoso efeito colateral das ótimas falas de Lito: fazer entender o que realmente é qualidade, o que num país como o nosso, Brasil, onde a baderna generalizada impera, acende uma luz direcional na cabeça de muitos, o que pode e deve dar ótimos frutos futuros.

Poucas vezes na minha vida uma notícia pegou tão pesado. Fui educado para buscar constantemente qualidade e evitar o máximo possivel deslizes e erros. O que aprendi com o Musicas e Aviões e o fantástico contador de histórias Lito foi e seguirá sendo uma preciosidade. Tenho certeza que o legado para o Brasil já é imenso. Como brasileiro não tenho como agradecer.

Ainda muito atordoado com as notícias, faço todos os votos possíveis para que se recupere. Obrigado Lito e a todos envolvidos no Músicas e Aviões

(publicado nos comentários do Estadão)

Aqui:

Poucas vezes uma notícia me pegou tão pesado. Primeiro porque a qualidade do trabalho do Lito e equipe é ótimo, depois porque mesmo antes de ter descoberto o Músicas e Aviões já vinha escrevendo que a única saída para todos é qualidade porque acredito piamente que só qualidade salvam qualidade é o caminho. Mesmo antes de ter trabalhado para a Specialized Bicycle Components, que na época buscava a qualidade total, mas muito antes mesmo, venho de uma família onde o tema qualidade, em praticamente tudo, sempre esteve presente, do colocar a mesa para as refeições, do fazer a cama, dos pequenos detalhes, até ter o carro e a bicicleta em perfeita condições mecânicas para o uso com a melhor técnicade condução possível. Sem neuroses, sem loucuras, só buscando fazer o melhor possível, buscando o que se pode fazer na tradução das palavras repetidas por minha mãe - "não seja medíocre". E no espírito de minha família: faça o melhor possível para todos. 

Músicas e Aviões e Lito se encaixam na mosca com o que desejo para todos, para este país. 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Conflito de gerações

Escrevi e participei de vários manifestos, isto num passado que agora parece distante. Em todos eles, uns 10, fui o redator da base, passei para quem se interessava, eles revisavam, e saíamos para entregar aos candidatos ou partidos, que então eram poucos. Hoje são 27, se não me engano. 

O pessoal que colaborava e assinava o fazia por pura civilidade, vontade de melhorar as coisas para todos. A bem da verdade e puxando da memória, não me lembro que os manifestos levassem nossa assinatura ou mesmo nossos nomes. Acabamos conhecidos por que a entrega era feita na mão, pessoalmente. O Manifesto pelas bicicletas e ciclistas foi o mais trabalhado e entregue. Demorou para dar algum resultado, nem tudo aconteceu como propúnhamos, mas no fim das contas valeu e muito. Entre os que estiveram envolvidos no processo alguns se beneficiaram depois, bem depois, porque passaram a ser reconhecidos pela boa vontade e seriedade.

E cá estou eu novamente envolvido com um manifesto. Exatamente como nas outras vezes escrevi o básico e passei a chamar pessoas interessantes para revisar e ou incluir algo novo. Aos do meu passado não precisei avisar porque a maioria foi-se, morreu. Mas tem gente nova com boa cabeça. Avisei-os que para funcionar bem é crucial a neutralidade do documento. Diferente do passado, dos já se foram, a alguns da nova geração parece não poder ou conseguir ficar neutros, ou ainda, não entendem o que é. Outros tempos. 

Outra diferença, e esta me deixou impressionado, foi os que simplesmente não deram sequer retorno. Simplesmente sumiram. E pela primeira vez um dos que contatei não entendeu o espírito da coisa, construir um manifesto, e perguntou literalmente "quanto eu levo?". Confesso que errei ao reagir de bate pronto e ficar muito irritado. Um pouco depois, mais calmo, pedi desculpas pela minha reação no meio de muita confusão na cabeça. Não faço ideia do que realmente aconteceu, se foi erro de comunicação ou se as coisas mudaram tanto daquela velha época de sonhos de um Brasil melhor que agora, para esta jovem geração cheia de selfies, um manifesto só faz sentido caso tenha no jogo um algo mais.

Estou sendo bem sarcástico, até sacana. Fato é que há uma enorme diferença entre como nós, os velhinhos, víamos o Brasil, e estes jovens vêem. Espero que eu esteja complemente errado e que esta molecada (40 anos ou menos) vá mostrar sua cara e fazer isto aqui melhorar. Infelizmente, minha sensação é que o "eu selfie" uniu se ao "nós ou eles" e encrustou para valer um individualismo libertário populista igualzinho para direita como esquerda. "Que se dane tudo, eu quero o meu" perece que colou colado.

Tesão de dia!

Hoje, depois de muito tempo, mas muito tempo mesmo, acabei de olhar para o relógio e vi que trabalhei praticamente 14 horas, um prazer que, repito com prazer, não sentia faz muito. Que dia maravilhoso! Vocês não fazem a mais remota ideia de como foram divinos meus anos de trabalho. De quantas vezes tomei bronca, "Larga isto e vem dormir!"
Sim, mesmo sem trabalho remunerado, aposentado como se diz, continuo fazendo minhas coisas, mas com menos tempo para mim mesmo, para meu trabalho, para meus trabalhos, para mim. A vida vai atropelando, ou, eu fui permitindo que me atropelassem, melhor dito.
Não faz muito separei um dia da semana para mim. Uau! que delícia. Me acalmou muito, eu próprio não podia imaginar quanto.
Ócio, hoje foi meu dia do ócio. Se pudesse continuaria no trabalho, mas amanhã será outro dia. 

Cara, que dia!

Bom dia. Acordei. Agora pela manhã percebi o que aconteceu ontem. Abri o celular para ler as notícias, cada dia mais desconfortáveis, e depois vi algumas besteiras, e o tempo passa. Estamos todos vivendo uma fábrica de dispersões que me parece vai muito além de uma simples teoria da conspiração. Nunca foi tão significativa a expressão "recuperar o tempo perdido", no caso o tempo imediato, o que passa agora. Tive um dia para lá de feliz no meu ócio do tempo perdido, estranho dizer, mas ócio realizado no trabalho, uma inversão do velho sentido de ócio, mas sem qualquer dúvida um ócio literal. 

Estou lendo "História da Felicidade". Maravilhoso. Recomendo. Reposiciona muito do que pensamos sobre quem somos e nossa época. 


Manifesto pelas cidades; revisado e corrigido

Eu me sinto envergonhado de ter entregue para algumas pessoas este manifesto sem ter realizado uma revisão cuidadosa. Mais uma vez fui estabanado, o que não é legal. Agora foi. A revisão mais cuidadosa está aqui.

Sempre se diz "esta eleição é a mais importante da história", e não resta dúvida que a que teremos dentro de uns dias terá um peso no nosso futuro que nenhuma outra teve. Vide a baderna institucional generalizada que estamos vivendo. Nunca o Brasil viveu um caos igual, isto é líquido e certo.

Eu acredito que para começar arrumar a casa os votos mais importantes serão os dos deputados estaduais, federais e senadores, muito mais decisivos que os dos governadores e presidente da República.  

Por outro lado, acredito que mingau quente se come pelas bordas, ou seja, sem a vontade popular, sem um tomar de consciência coletivo, entre quem entrar a coisa vai ficar mais ou menos igual, ou pior, bem pior, acredito eu. Sem pressão pública não saímos desta.

O Manifesto pela Cidade quer propor mudanças na forma como nos comportamos como cidadãos. Sem esta mudança continuaremos a merce dos outros. Com uma melhora da qualidade de vida urbana diminui tensões e coloca as ideias mais claras, o que está provado pela história e principalmente pela evolução de 'n' cidades mundo afora no sentido da qualidade de vida de todos cidadãos.

Se acharem pertinente façam bom uso deste manifesto - proposta. 

 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

O ganho do turismo

Sou turista e concordo em grau gênero e número que se coloque um freio no que está acontecendo, principalmente quando entra álcool na história. Alcoolizado e bêbado é um porre, literal e mataforicamente. Álcool aliado ao comum pensamento "estou fora de casa então vale qualquer coisa", muito comum entre alguns tantos turistas, causa problemas em todas as partes, aliás, neste estado de espírito com ou sem álcool. Reprimir turista que acha que tudo aquilo é seu e pode fazer o que quiser é crucial para a saúde pública de curto, médio e longo prazo.

Infelizmente somos uma espécie com uma grande capacidade de adaptabilidade, o que faz com que alguns desvios que não parecem daninhos ganhem uma escala não desejada e prejudicial ao coletivo. Nada a ver com moralismo barato, politicamente correto, ideologias, ou religiões, mas com um sadio controle de limite social, que deve ser pensado com inteligência. Contam histórias maravilhosas da Croácia e esta notícia do Estadão dá mais vontade de conhecer.

Saúde pública começa na qualidade de vida coletiva sadia. Permitir perturbar muitos porque uns têm o direito de ganhar seu dinheiro é um tiro no pé futuro. Vila Madalena e Pinheiros que o digam, e a cidade que o pague. Sim, os custos da festança geral é paga por todos nós, e não deve ser barata. Gera empregos, impostos, o povo precisa se divertir, com certeza, mas a que custo/benefício? É isto que está sendo repensado em vários destinos turísticos.

Brasil tem números pífios no receptivo de turistas estrangeiros vindos do hemisfério norte, os que podem mais, portanto gastam mais. As razões são várias, mas tudo que vi publicado não cita uma vergonhosa inversão de valores bem a la brasileira. Aqui quem incomoda e muito, mas muito mesmo, começa nos prestadores de serviço de baixa qualidade de atendimento, e outros 'pobreminha', e termina (ou passa por) em muita barulheira e sujeira. Maldito som alto! Aliás, não raro vira uma baderna generalizada envolvendo comportamentos nada civilizados dos clientes. São poucos os restaurantes onde se pode conversar em voz baixa.

Sobre os beubos... falar o que?

Turismo vem se transformando em algo tenso. Você sai para descansar e dá com situações desagradáveis, exaustivas, desnecessárias. Não é legal para quem viaja e está se tornando um pesadelo para os moradores locais. Mesmo como negócio está começando a não valer a pena.

Brasil tem um potencial imenso, mas desperdiçamos. No turismo não poderia ser diferente.

Como se pode chegar a um meio termo? Turismo, festas, eventos, todo tipo de reunião popular é importantíssimo tanto para o equilíbrio social quanto para a economia. Deve haver um jeito para frear o desequilíbrio que estamos tendo em todas as partes do planeta.