domingo, 2 de agosto de 2026

O futebol de ídolos ou voltar a ganhar?

Vivemos num país que para a turba apedeuta só há felicidade quando se faz um selfie onanista, ou no onanismo, de preferência com corretor de imagem para o foco da foto, leia-se selfie, a escolher a cabeça em questão, ou o capô de fusca, ou ainda o 'x' da questão (para ser politicamente correto).

Nosso futebol e nossos jogadores refletem o que somos, brasileiros. O país dos muros, o país de uma farmácia a cada esquina, o país das festas, dos selfies, um dos campeões mundiais de selfies, de uso de redes sociais, de plásticas, preenchimentos, de gastos com cosméticos e maquiagens... Que jogador de futebol esperar disto? Que resultados esperar disto?

As entrevistas que Gerson, o Canhotinha de Ouro, tem dado são geniais. Ele não tem papas na língua. As entrevistas de velhos jogadores falando sobre Pelé são elucidativas sobre o que é que somos hoje. Elucidativas sobre que país é este. 

Futebol é um ótimo reflexo de sua sociedade, parafraseando o brilhante Roberto Da Matta nos seus 90 anos de sabedoria e serviços prestados a todos nós. Mas quem conhece? Quem se interessa pelos que falam sobre um Brasil, o coletivo, o unidos venceremos, tal qual arroz japonês? (Perdão, mas só um momento para o selfie). 

Talvez um dia a nova geração de brasileiros venha um dia entender a devastação que um Neymar fez para este país, e aí não falo sobre futebol, mas sobre a construção de um futuro melhor para todos. Sem dúvida, a opção da maioria é por um país menino, festivo, irresponsável, narcisista. Nós contra eles em estado de arte bruta e profundamente mediocre.

Unidos venceremos. Que um dia olhemos com mais carinho para os Mirassol de nossa história. "Ou nós ou eles" é um nojo, um asco, uma estupidez sem tamanho. 

Foi a nossa pior Copa? É mesmo? Não? Você jura?


Eu não li ainda este artigo "O menino Ney e o Brasil que não cresce", mas este comentário bate exatamente com o que penso. É literalmente inaceitável o que vivemos




quinta-feira, 30 de julho de 2026

Churrasco holandês

Churrasco holandês? O que é isso? 

A bem da verdade nunca tinha pensado num churrasco holandês. Deve até ter. Eles gostam de carne, gostam muito. Sei porque trabalhei com e para eles, e invariavelmente quando estavam aqui, no Brasil, bastava ouvirem a palavra mágica 'rodízio' para abrirem um vasto sorriso ou acabar com qualquer mal humor. A bem da verdade 'rodízio' faz milagres com qualquer gringo, até argentinos. 

Numa desta idas a um rodízio com os holandeses, que são uns gozadores de marca maior, um deles ficou impressionado com o garçom retirando os pratos, montanhas deles numa tacada só. Chamou o gerente e disse que pagaria o que fosse para ver quantos pratos o garçom conseguiria retirar de uma única vez. A churrasqueira não estava cheia, final de horário de almoço, mesas ainda por limpar, o gerente olhou em volta, chamou o franzino garçom e lançou o desafio. Ele sorriu e saiu com sua bandeja para mostrar quem era. Colocou 54 pratos na bandeja aos gritos de mais um e foi-se para a cozinha sob aplausos. E... quase um desastre. De dentro da cozinha saiu outro garçom que quase manda tudo para o chão. Mais urros, mais aplausos, entram o franzino garçom e os 54 pratos na cozinha sem querer se ouvisse barulho que quebras. Volta o garçom para a sala aos fortes aplausos de toda a churrascaria. E os holandeses felizes, rindo, e obviamente comentando em holandês.

Churrasco holandês? Segundo este Instagram, é horrível. Bem, pode até ser, mas não tão horroroso como o sanduíche de arenque cru com cebola, a única comida que após a primeira dentada mandei pro lixo.

Minha recomendação na Holanda e nos Países Baixos? O cachorro quente do supermercado é . E sair de lá sem comer batatas fritas é um crime. Todas batatas fritas são iguais? Não são, definitivamente não são. As holandesas....

Um aparte: o centro de Amsterdã é um dos lugares mais perigosos do planeta para se pedalar. Acredite, dica de ciclista profissional que conhece aquilo na palma da mão. A saber, o povo de Amsterdã acha o mesmo. Eles não aguentam mais os malditos turistas em bicicleta.

https://www.instagram.com/reel/DbViPQqFxRO/?igsh=cGxzanB1MXdxNnFx

Amsterdã é maravilhosa. Descubra a cidade, vá além do centro histórico. Atrás do Museu Van Gogh tem um bairro art deco que é maravilhoso, único, imperdível.

E estando lá, este Wok to Walk é imperdível, minha paixão. Aliás, a rua onde está também. Estica as pernas até o American Café, umas três quadras 


domingo, 26 de julho de 2026

O que é a Argentina, por um argentino

Recebi de um argentino, um querido portenho, este Whatsapp exatamente após a derrota para a Espanha e o comportamento vergonhoso da seleção Argentina depois do apito final. 

Sou filho de um meio argentino, pai argentino e mãe brasileira, meus avós. Meu pai acabou no Brasil aos 18 anos e cá ficou como argentino, mas falando um português casto sem qualquer sotaque, absolutamente brasileiro em praticamente tudo, menos quando olhava para as saladas.

Fui inúmeras vezes para Buenos Aires, praticamente todos anos entre 1969 e 1986, portanto vi in loco a loucura da brutal ditadura argentina. E, talvez pior, o inacreditável estrago que o peronismo fez àquele rico país. Tenho horror a populismos, todos, por que vi, senti e vivenciei ali. Tenho horror a opções radicais porque acompanhei ali. 

A imagem que muitos Brasileiros têm da Argentina é completamente distorcida. São realidades completamente diferentes. Brasileiro não sabe o que fala, não faz ideia do que é a Argentina, simplesmente delira em cima de nosso complexo de vira latas. 

Não publiquei antes porque me pegou na veia. Como o texto diz, e as piadas também, argentino peca pela soberba. É um país maravilhoso que caminha para trás faz mais de 50 anos, a partir do retorno do exílio e eleição de JDP, Juan Dominguez Peron, o que consolidou os populismos peronistas, sim, os populismos, que fizeram refém todo um país e toda sua população, de esquerda, de direita (brutal) e todos demais. Quem não é argentino não sabe o que fala sobre a Argentina. Brasileiro deslumbrado muito menos ainda.

Sou brasileiro, paulista, paulistano e nasci na Maternidade São Paulo. Falo sobre o que vi, vivi e vivenciei. Não quero o mesmo para nós.

Segue o texto que recebi:

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Manisfesto pela qualidade de vida nas cidades - ainda croqui

Manifesto pela qualidade de vida nas Cidades Brasileiras

POR UMA POLÍTICA MUNICIPAL CIVILIZATÓRIA
POR CIDADES COM QUALIDADE DE VIDA
POR UMA CIDADE INCLUSIVA E PACÍFICA


Diagnóstico, e 4 prioridades para frear a violência

Assisti inteiro o evento de ontem. Já vi e ouvi muitas histórias assustadoras, mas nada na escala do que foi dito ontem. Dar uma palestra para funcionários de concessionária de rodovia, ficar no mesmo alojamento que os que atendem acidentes, ouvir de um deles que "pesado mesmo é ter que raspar um corpo do asfalto com pá porque depois de atropelado ninguém parou", e outras barbaridades do gênero, é difícil, mas a perspectiva clara de onde está o Brasil em relação a violência apresentada neste Brasil Adiante de ontem foi apavorante ou deprimente, ou os dois juntos, ou ainda é pouco. O diagnóstico apresentado... Quem não viu, por favor veja na íntegra. Divulgue, coloque na roda de conversas.

https://youtube.com/playlist?list=PLY0j3fVIJp7i2wEdp6BTvtek4eWX-sIXZ&si=LWtSdED51T9DIoy_

O que vamos fazer para sair desta insanidade? Como nós, brasileiros interessados, podemos nos movimentar para frear esta loucura? Qual Brasil você quer? O que vamos deixar para as futuras gerações? Temos que reverter esta violência toda. É absolutamente inaceitável.



quarta-feira, 22 de julho de 2026

A telinha diminui a capacidade do ver

Sai para pedalar com um dos netos e numa das passarelas para a ciclovia do Pinheiros parei para olhar a bela vista. Chamei a atenção dele e para meu espanto descobri que ele está com problemas para ver. Não, não é uma questão de óculos, mas de funcionamento do cérebro de quem usa demais o celular. Não é besteira, é ciência, está amplamente provado, documentado e publicado em revistas científicas. Tem tanta notícia, tantos artigos científicos, foi tão noticiado, que não preciso colocar um link. Relato o que vi pessoalmente. Triste.

Parei, chamei a atenção dele, inclusive apontando, e mesmo assim ele teve dificuldade para ver o que eu apontava. Foi claro, tanto pelo girar a cabeça procurando algo, como pela expressão que fez. 

Olhos nos olhos, quero ver o que você diz... acho que esta é a letra da belíssima música. Olhos nos olhos? Também é certo que perdemos muito esta capacidade que deveria ser natural. Olhar, ver, dar tempo para deixar o cérebro entender o que se está olhando e vendo, um processo que a telinha transforma, ou deforma em seu foco fechado a uma área muito restrita, pré programada. Começa por aí. Uma paisagem é um campo aberto, amplo, com um grau de leitura e compreensão cheio de detalhes e sutilezas.

Estou apaixonado pela Stela Cole, uma jovem, 27 anos, linda e com uma maravilhosa voz. E estou preocupado com ela. Como venho seguindo sua trajetória, e como tenho por hábito olhar com atenção as pessoas, alguns movimentos de seu lindo rosto apontam que Stela andou tomando umas chacoalhadas brabas da vida. Tem quem não consiga ver. É treinamento. Falei sobre isto com pessoas que conhecem o trabalho dela, mas ficam mais tempo na telinha, e tive como resposta "Não percebi nada". Uau! 

Faz muito que se sabe que o uso excessivo das telinhas afetam o foco do olho. Agora está claro que também afeta a forma do pensar, do entender o que se vê, e a percepção da realidade, da vida.

Fala-se muito sobre os perigos do celular no trânsito. Dirigir demanda uma adaptação da conexão olho - cérebro. Uma série de informações vão sendo vistas, lidas e transmitidas ao cérebro que sequer realizamos. Incluem o que se vê no foco e o que passa pela visão periférica. O cérebro vai limpando o que não é essencial, o que não causa perigo, o que não é interessante, assim não fica sobre carregado. Há um fluxo de informação pré estabelecido, uma série de regras fáceis de serem cumpridas, uma previsibilidade de ações, o que facilita e permite que o olho viaje na 'paisagem' aberta.

A maluquice é que nosso cérebro está se adaptando a fazer tudo junto, o dirigir e olhar para o celular que o diga. Sim, é um perigo, mas o número de acidentes per capita de motoristas olhando o celular diminuiu. Por outro lado, aumenta e muito o nível de stress e consequente desconexão com a realidade. 

Faz uns dias vi uma reportagem sobre um movimento que surgiu na Europa para ficar longe do celular, tipo 'slow food'. Slow Ford? Sim, movimento nascido na Itália contrário ao fast food. Estão certos. Engolir macarronada? Não! Sente o cheiro, rala o parmesão, enrola na borda o espaguete, coloca na boca, saboreia, mastiga, engole, limpa a boca, um gole de vinho tinto da Sicília...

Eu desaprendi o olhar e ver. E não sou fã de celular. Mas acabei descobrindo que tenho que me controlar para menos, bem menos. E preciso pesquisar para ver o que faço com o neto. Minha ideia era matar o moleque, fritar o rabo dele no selim pedalando até Aparecida. Vai ver que de dor no olho de trás ele arregava os olhos e enxergava a paisagem.  Não deu certo, travei a coluna. 

Minha telinha a mais vem da curiosidade,  da facidade de busca de informações que no passado eram chatas para conseguir ou impossíveis. De qualquer forma, menos.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Deixa de ser criança e joga o jogo

Meu comentário aqui (publicado em outro artigo) sobre o que (nós, brasileiros) deveríamos fazer está na frase publicada no artigo Bisneto de Henry Ford acredita que os EUA não podem deixar os carros chineses de fora para sempre: "Impedir, em algum momento, não será suficiente. É preciso encarar a concorrência e “vencê-los em seu próprio jogo”. É nisso que acredita o atual presidente executivo da Ford sobre a entrada de veículos chineses no mercado estadunidense". Repito o que já escrevi num outro comentário: ter chilique com a postura do outro só prova a inferioridade, a incompetência, a falta de inteligência de quem está negociando. 

"Joga o jogo", simples assim. "Quem só pensa em perigo não tem tempo para ser seguro". "Trate bem seu inimigo". E finalmente, a mais antiga, mais lida, mais discursada, e bem pouco ou nada compreendida: "Se te derem um tapa, ofereça a outra face". São técnicas comprovadas para alcançar resultados positivos. "O outro está errado, é inaceitável" diz quem não tem cabeça, mesmo que a situação seja inaceitável. Há aí uma 'discreta' sutileza, discreta.

Não há nada mais irritante que criança malcriada gritando "eu quero, eu quero, eu quero, é meu, é meu, é meu...". 

Quando vamos criar vergonha na cara e deixar de ser governados por histéricos. Queremos um país ou jardim da infância?

"Tem muito jogador 7 X 1 neste time do Brasil. Não dá para confiar", soltou um comentarista antes da desclassificação de nossa seleção. Mas ele poderia estar facilmente se referindo a nossa política, ao nosso legislativo, executivo e judiciário, um sem parar 7 X 1 contra nós, brasileiros, é o que não falta.

Neto: "Os jogadores da seleção Argentina tem sangue na ponta da chuteira".

Eu: temos muita gente boa que quer dar o sangue por este país. Por favor, não confunda dar o sangue com chupar o sangue.

O que se pode aprender com quem deu o sangue, suou de verdade, colaborou, foi e é de fato vencedor, mas não foi aquele um super herói vencedor desejado pela criançada adulta? 

Eu estou farto de falsos milagreiros. Aliás, não acredito em milagres. Nem em falastrões.