segunda-feira, 1 de junho de 2026

Por uma discussão honesta sobre a velhice

Velho, idoso, a melhor idade, preferencial, ou a PQP. Vamos começar pelo o que as pessoas melhor entendem, dinheiro.
O que é ser velho? Quem é velho? Velho para sí? Velho para a sociedade? 
Velho. 

Qual é o lado da finitude que praticamente ninguém quer ver? Velhice não é um passo da finitude? O que o idoso é aqui no Brasil? Faço aqui um olhar para o que está fora do prumo, e quem está no meio do pântano sabe bem como é. 
Uma coisa é a propaganda, outra é a realidade crua de boa parte dos idosos.

Quanto custa um velho ou velha? Quem tem um velho doente em casa sabe. Custa dindim, custa trabalho, custa desgaste, custa, custa, custa, custa...
 
"Velho não pode!" Idoso? Melhor idade? É a mesma coisa que velho. Politicamente correto? É  mesmo? A designação deve ser correta, o resto é o resto? Fila preferencial? "Vai mais rápido..." Vai mesmo, então entra nela.
Então volto ao ponto que interessa mesmo: quanto custa um velho? Óbvio que custa, para todos, disto não se escapa.

Ok, ela ou ele tem aposentadoria, então não custa nada, muito pelo contrário, responderá. Ok. (Errou!!!) Então vamos ao outro lado das aposentadorias, aquele quando ela ou ele, a ou o aposentada/o, sustenta a família. Bom, e daí é moleza, até quando acabar a aposentadoria, portanto o aposentado morrer, ou seja, a fonte de renda acabar. "O vleho não pode morrer!" E então, como ficam os 'dependentes'? (Dependentes ou chupins?)
Quem paga a aposentadoria? De onde no final das contas sai o dinheiro? Dinheiro público, portanto todos cidadãos estão pagando.

Aposentadoria acaba, a entrada de dinheiro acaba, e um pequeno detalhe que não se fala: é um problema que afeta e afetará a macro economia. Uma série de negócios vão perder um cliente, o dinheiro do aposentado, principalmente o negócio da velhice, que começa na farmácia e termina no sistema hospitalar. Velho dá lucro? Upa! e como! 
Em quanto por cento as aposentadorias ativam a estrutura econômica da comunidade, do bairro, da cidade? E do país? Você já viu os dados? Eu não. Sabe o impacto na estabilidade econômica e social que a falta da entrada da aposentadoria causará no macro?

Não faz muito saiu um artigo fazendo uma análise exatamente sobre esta questão macro economia, e é pior do que eu próprio imaginava. Toda uma estrutura imobiliária está pensada para os idosos aposentados, estrutura esta que no futuro não estará ano alcance das gerações mais novas. E é só um lado da questão. 

Entre família, com quem sobra o idoso dependente?
"Você é o responsável...". Vamos à verdade, na maioria dos casos a pessoa entra num processo irreversível natural à velhice e todos se afastam, saem correndo. O idiota que sobrar que se vire. Agora, morreu, tem dinheiro na jogada, aparece tudo de volta e começa o salseiro, todos foram bons filhos, netos, sobrinhos, amigos... Estou sendo cruel? Uai, pergunte a qualquer advogado de família e ele vai contar muitas historinhas interessantes. Criminalista acha muito mais leve que (advocacia de) família.
Apoio, presença, uma ligação, saber notícias? Nicas. "Vai mané, vai que a bola é sua!" Você já teve que cuidar de um idoso disfuncional? Já conversou abertamente com quem sobrou com um idoso na mão?

"Bom, se o idoso é uma bomba, o que se pode fazer com ele?"

Você já entrou numa casa de repouso? Já entrou num asilo? Sabe quanto custa?

Uma das melhores respostas que tive foi: "Você já teve uma conversa aberta e honesta com um idoso que está consciente sobre sua situação? Já ouviu de um idoso que é consciente dizer que seu tempo acabou?" Já ouviu "Quero que acabe"? 

Morrer em casa ou ser ressuscitado sem parar numa casa de repouso? Morrer ou virar fonte de renda para terceiros? Pelas informações que estou tendo, velhice é muito rentável, para muitos, se não para todo um setor montado para 'acolher e dar uma boa vida ao idoso'.

Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência:
"Eu não sou o que vai decidir (sobre entrar nos cuidados paliativos ou deixar ir)". 
"Se não fizermos a intervenção (absurdamente cara), morre" - Conversa entre parentes sobre um paciente já praticamente morto. Intervenção realizada, paciente morto em seguida. Óbvio que a intervenção teve que ser paga pela família.

Acompanhar, vivenciar, tratar, organizar, segurar as pontas. Sim, com certeza, mas de que forma. O que temos agora é mais uma distorção social e econômica que precisa ser discutida se chiliques.


Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência:
A senhora está vegetando faz anos. O filho não consegue aceitar seu fim e gasta fortunas para tê-la maquiada, penteada, bem vestida com roupas que ela teria usado quando tinha lá seus 60 anos ou menos. Hoje está perto dos 100. O filho faz questão de sentá-la na cadeira ao lado, pegar um braço semi morto dela para jogá-lo por trás do seu pescoço, deitar a cabeça no ombro dela. A cabeça da senhora não se sustenta mais. Nada se sustenta. A cuidadora sempre sentada atrás da idosa atenta no teatro de mantê-la 'viva'. 

Quantas mulheres deram suas vidas para cuidar dos outros e estão terminando largadas? Homens costumam ir mais cedo, as estatísticas apontam.

Afetuoso não é sinônimo de respeitoso. Cuidadoso não significa respeitoso. 
Afeto a que, a quem, por que, com que fim?
Cuidadoso por que, para que?
Quem ganha, quem perde neste jogo de afeto e respeito? Sim, jogo de respeito, por que envolve um forte emocional socialmente bem estruturado e porque não dizer doutrinado pelos mais variados interesses, ou jogos sociais.  

A quem interessa o que está aí em relação à velhice? Quem leva vantagem? Quem perde? 
Não tenha dúvida que os grandes perdedores são os idosos, até mesmo aqueles que dizem serem tratados com "afeto e respeito". 

Escrevo este como um idoso de classe média alta que acompanhou de perto a velhice até seu fim de avô, avó, mãe, pai, amigos e agora prima, além de outros. Escrevo este como alguém que esteva junto a adultos próximos à dita velhice e que viveram aqueles anos com angústia da aposentadoria ou pior, do cancelamento social, sim cancelamento social, e é este o termo correto para a imensa maioria dos que cruzam os 60. Melhor e mais justo, ou muito pior, com as imposições do mercado de trabalho a partir dos 50 anos. Virou velho, "está acabado" ouve-se em sussurros discretos.

Entregar uma boa aposentadoria? Prêmio de consolação? 



Olhar a rua, ver a cidade

No vídeo é citado o absurdo Minhocão do Maluf. Primeiro, foram pouquíssimos os que se manifestaram contra o projeto e sua construção, mesmo entre urbanistas e arquitetos. Uma reportagem publicada faz muito levantou o nível de degradação que o Minhocão causou até bem além das redondezas. No entorno direto a degradação é absolutamente clara e inegável. Segundo, o longo tempo de discussão sobre o que fazer com aquele aborto urbano diz muito sobre nossa total falta de compreensão do que deveria ser a dinâmica organizacional e de crescimento de uma cidade. Terceiro, a luta para transformar aquilo em um parque é triste, porque não se importa se alguns problemas crônicos causados pelo viaduto permanecerão, e estejam certos, permanecerão.

A luta deveria ser por colocar aquilo no chão, seja por uma questão de qualidade de vida nas avenidas e ruas que estão debaixo ou ao redor dele, como pelo custo de médio e longo prazo para sua manutenção. Estudos mostram que desmontar e aproveitar as vigas é a saída mais barata em vários sentidos. 

Digo que o Minhocão foi e continua sendo um simbolo da ignorância brasileira sobre o que deveria ser uma cidade. Não é sobre a criação de um parque para um número de cidadãos, mas sobre a vida de todos cidadãos, incluindo os moradores do entorno. Não é sobre o desejo de um determinado grupo, é sobre a cidade.

Querem um parque ali? Acho mais que justo, acho necessário. Pois então que lutem para transformar algumas ruas em vias livres de veículos motorizados, incluo aí as malditas auto propelidas. 





Brasileiro aceita corrupção

Brasileiro aceita corrupção? Que é isso? Você jura? Todos, sem exceção, e não estou falando dos que estão lá, mas cada um de nós, todos. Quem aí não joga lixo no chão? Quem aí se comporta com civilidade no trânsito? Quem aí não pagou um guardador de vaga, um segurança particular? Quem aí deixou de fazer algum B.O. que por lei seria obrigatório? Quem aí não silenciou perante uma ilegalidade, uma contravenção? Quem aí não se fez de guardião da lei e dos bons costumes passando por cima da lei e dos poderes constituídos? Quantos estão se movendo para frear este país indescritível? Faz mais de duas décadas que o que acontece neste país é mais que incompreensível, é absolutamente inaceitável em todos termos. Faz mais de duas décadas que o pais vem degringolando pesado, com sucessivos escândalos de cá, de lá, de acolá, dos grandes, dos médios e dos pequenos, de todos, de todo mundo. Quem se mexeu para dar um basta? Quem teve coragem? Agora, quando está escancarado que nada mais escapa da vergonha, vai faltar coragem, vai faltar bom senso, hombridade, para buscar uma saída. Vamos apostar numa solução, num caminho que nós levará a três décadas de escândalos, corrupção, roubos, assaltos, mortes, insegurança, analfabetismo funcional generalizado, nem-nem... É isto? Este será nosso marco civilizatório que deixaremos para o futuro de nosso filhos e netos? É com isto que você quer viver o resto de sua vida? Uau! Parabéns, você merece!

https://www.instagram.com/reel/DZAapGkxVZb/?igsh=Ym45aHlldWo3bm9z

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Brasil, o que eu posso ajudar?

Estou feliz. Tem gente da sociedade cívil se mexendo para tentar recolocar este país nos trilhos. O SPIW, São Paulo Innovation Week, foi um grande passo para entender onde estamos e discutirmos o que fazer com o nosso futuro. O 'Brasil Avante', ciclo de debates e propostas para o futuro governo do Brasil é um importante passo para o país corrigir erros crônicos, parar com o desgoverno, a baderna, a maluquice que vivemos. Tenho 71 e nunca vi nada igual ao que esta acontecendo. Deprimente. A sociedade cívil se mexer - civilizadamente - tem tudo para dar bom resultado. É assim que foi feito e assim que se faz em todo lugar e por toda história moderna da humanidade. Sempre foi a alternativa mais acertava para chegar os melhores resultados.

Hoje aconteceu o primeiro debate, que prefiro dizer 'falas'. Foi bom, mas esperava mais, mais tempo, mais respostas... Acredito que eles saibam o que fazem, e tenho certeza do nível de ansiedade que tenho para ver um rumo certo tomado.

Enfim, é um ótimo passo a frente.

Eu cito com frequência a Casa Madre Teodora. Achei no Google uma explicação breve sobre o que foi realizado ali. Sei que o detalhamento do plano de governo Montoro foi muito mais profundo. Lembro do grupo que trabalhou a questão ambiental urbana e que dentre outras coisas já pedia que fossem plantadas árvores frutíferas originárias da Mata Atlântica para trazer de volta a cidade pássaros que se alimentassem de insetos, em particular cupins, um problema ainda hoje sério. Encabeçando o grupo de estudos e propostas estava Aziz Ab'Saber, já então considerado como uma sumidade internacional em geologia.

Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Eduardo Suplício, Orestes Quércia, Walter Feldman, economistas que estruturaram o Plano Real, Miguel Reale, José Carlos Dias, participantes da Constituinte, e inúmeros outros mais nomes de destaque na história do Brasil não só participaram, mas estruturaram o Plano de Governo Montoro, que acabou fazendo muita diferença boa para todos nós.

Da pesquisa no Google:

A "Casa da Madre Teodora" foi a residência paulistana onde intelectuais, técnicos e militantes elaboraram o plano de governo de Franco Montoro para o Estado de São Paulo (1983-1987). O endereço tornou-se o berço da chamada "Turma Sorbonne", grupo que desenhou propostas democráticas fodas na descentralização e participação popular.O Grupo da Madre Teodora localização: A casa servia como um espaço aberto e informal de debate.Integrantes: Reunia jovens acadêmicos, sanitaristas e especialistas, muitos dos quais assumiriam posições de destaque na política nacional.Apelido: Devido ao peso intelectual das discussões, o grupo foi carinhosamente apelidado de "a turma Sorbonne".Pilares do Programa de Governo participação e Descentralização: O programa baseava-se em uma gestão democrática e participativa, buscando descentralizar o poder estadual e valorizar os municípios.Questões Sociais: Houve forte priorização de problemas concretos da sociedade, como educação (municipalização da merenda), saúde pública e agricultura.Legado: As propostas forjadas nessa casa transformaram-se em ações governamentais amplamente debatidas pela sociedade civil.Para aprofundar-se no contexto e nos impactos do plano elaborado, a trajetória e a documentação desse período podem ser exploradas através do acervo histórico do Memorial da América Latina ou do histórico da Fundação ITESP.

domingo, 24 de maio de 2026

'Brasil Adiante", ciclo de debates, propostas para o futuro imediato

Talvez seja a melhor notícia que leio faz um bom tempo. Vivenciei a Casa Madre Teodora, 1982, onde foi feito o projeto de Governo de Franco Montoro para o Estado de São Paulo, e sei o quão importante foi reunir cabeças de ponta para ter um projeto com propostas concretas de recuperação do desastre deixado pelo governo Maluf, que foi um horror, mas fichinha perto da baderna que vivemos agora. Não falo de ideologias, mas da devastadora desordem geral destes dias. Da Casa Madre Teodora saíram projetos que mais tarde ajudaram a organizar e melhorar e muito o Brasil. Participaram ativamente e assinam o projeto de Governo Franco Montoro especialistas de inúmeras áreas, dentre eles alguns que mais tarde ajudariam a criar partidos ligados a diversas ideologias e princípios, de direita, centro e esquerda. O importante ali foi 'como posso ajudar', ou como posso colaborar para melhorar.

O ciclo de debates 'Brasil Adiante' começa bem, com Fabio Barbosa encabeçando. Conheço histórias da capacidade de Fabio através de pessoas que trabalharam com ele ou foram concorrentes, e só ouvi coisas boas. Uma das histórias sobre Fábio Barbosa me marcou muito: a forma como ajudou amigos vizinhos de infância relatada com emoção por um deles, meu amigo que já se foi.       

'Propostas concretas', claras, acima de tudo factíveis, é disto que o Brasil precisa urgentemente. Como diz Fábio, não havendo dúvidas sobre o diagnóstico e o objetivo final, que se possa divergir sobre o caminho - e ter um plano exequível entregue em mãos do futuro governante para os dois primeiros anos de governo do Brasil. Vamos lá.






quarta-feira, 20 de maio de 2026

A história do Renault Teimoso. (Quem? O que?) Lixo ou luxo

"Tá maluco? História do Renault Teimoso? Que porra é esta?". Este questionamento fiz a mim mesmo, e a ideia do texto ficou nos rascunhos por um bom tempo.

Ok, fiquei maluco, ou sou maluco, pelo menos um pouquinho com certeza, mas, contudo, entretanto, agora, teimoso, consigui fechar o que pensei apoiado em entrevistas / chamamentos para a SP Innovation Week sobre luxo.

Preciso procurar de novo um artigo muito bom comparando o gasto energético dos automóveis de 1960 para os de hoje, o ponto de partida para o que tínhamos em tempos passados e o que temos hoje, e aí não falo sobre automóveis, mas sobre forma, função, e sustentabilidade. Como disse um dos cientistas que participaram para a SPIW: 


‘Não há saída para crise climática dentro dos marcos do capitalismo’
Emergência climática é uma realidade. Não temos planeta B. Não há segunda chance quando se trata de corrigir a rota que estamos percorrendo

Prof. Josemar Carvalho



A história do Renault Teimoso

Luxo e inteligência, ou a íntima ligação do luxo - real - com o melhor da inteligência humana.

E aí vem uma enorme confusão sobre o que é luxo. Os gênios, os que têm uma inteligência acima do normal, os que sabem exatamente o que é luxo, que conhecem o público, que criam luxo, estes olham com muito respeito para algumas coisas - as verdadeiramente geniais - até as que vem da pobreza, que fazem parte da pobreza. Inteligência é inteligência, não é aparência. Em outras palavras, luxo extrapola e muito o conceito rasteiro, e pobre, muito pobre, sobre o que é luxo, e ou sua ligação íntima com custo, dinheiro, riqueza. 
Aliás, o que é riqueza, a real?


Renault Teimoso? Um luxo? Estou louco? Não. Renault Teimoso, VW Pé de Boi, Citroen 2CV, Renault 4, Mini Morris, Fiat Panda, e outros carros extremamente básicos, funcionais, econômicos, eficientes, e principalmente de impacto ambiental baixo na produção e uso. Funcionariam hoje? Aposto que seriam um fracasso. Mas o conceito básico deles é um luxo total, alguns são coisa de gênios, basta colocar na perspectiva correta.

O que é luxo? O que é luxo hoje? O que deveria ser luxo?

Trabant 601 se encaixa aí? A meu ver não, pelo menos no sentido mais amplo. A ideia básica é boa, a qualidade é ruim, o bichinho foi muito mal fabricado, tipo o povo precisa, não tem outra opção, que se danem. Estes são elementos básicos do luxo - da inteligência? Não. Luxo tem uma relação muito forte com qualidade. E qualidade com inteligência.

No meio de um bate papo com uma executiva de primeira linha que tem olhos bem abertos para o que ela considera luxo, veio a baila a importancia de ensinar o que é qualidade para os filhos e mais jovens, quando fui bruscamente interrompido por um "Como assim, qualidade?" disparado por ela. Eu e a senhora ao meu lado ficamos desnorteados com o questionamento, mas não deveríamos, é só mais um sinal claro do porque de nossa pobreza, e aí entenda o que seu luxo de cabeça quiser. 

O Renault Teimoso é um Renault Dophine / Gordini rapado de toda e qualquer coisa não essencial para a função mais básica de um automóvel, ou seja, transportar pessoas e cargas de lá para cá . Dophine é um projeto muito inteligente, revolucionário para sua época. Não teve o sucesso devido por problemas de qualidade,  não de projeto. O Teimoso é tão espartano, tão limpo, tão cru, que caiu no "tá de gozacão?". 
Agora, Teimoso, Pé de Boi, e outros extremamente básicos são hoje o máximo do luxo ambiental.  Ou seriam caso seus conceitos básicos fossem a base para automóveis modernos que incorporassem tecnologias funcionais que surgiram nestes anos. Nada de vidro elétrico ou de confortos exagerados. Economia, racionalidade, eficiência, isto sim. Para que serve um monte de opcionais que nunca serão usados? São um luxo? Isto é luxo? O meio ambiente que se dane?

Acho que o primeiro Gol, o quadradinho, pesava em torno de 700 kg. Um Teimoso pesava menos. O mais básico dos básicos de hoje pesa uns 300 kg a mais, muito em razão de um montão de coisas dispensáveis. Quanto é o gasto energético por quilo? A resposta mais direta e facil de entender está num comparativo com base científica feito entre ciclistas profissionais de diferentes pesos, e afirmo, é muito. 

Automóvel, luxo, bicicleta, energia? Enlouqueceu de vez?
Básico: quanto mais pesado, maior o gasto de energia para se movimentar; física pura e inequívoca.

No país onde o luxo extravagante surgiu, França, a história dos automóveis que foram criados no pré e pós WWII,  são um luxo de inteligência. Forma e função levados ao mais alto grau de responsabilidade social. Ok, a fabricação foi francesa. "Life is too short to drive a french car", diziam os americanos, lá com suas boas razões. O Daphini vendido no mercado americano derretia - literalmente - em uns dois anos.
 


Este vídeo conta a história do Honda CVCC de 1969, o carrinho que mudou a história da indústria mundial: simples, funcional, durável, economico. Como tudo realmente deveria ser.


E chegam os japoneses, olham, entendem, copiam tudo que aprenderam das melhores ideias e projetos, com uma grande diferença: o fazem com uma qualidade apurada, da correção dos erros, detalhes, ao processo de produção e produto entregue ao consumidor.

Eu teria um Renault Teimoso? Não, por uma simples razão, eu sou muito grande para conseguir dirigi-lo. Mas um Renault 4, um pouco menos básico e bem mais espaçoso por dentro, com certeza. Ou um Fiat Panda, o da primeira geração. Minha dúvida aí é cruel. Hoje dirijo um Honda Fit primeira geração, no final das contas tão genial, tão funcional,  inteligente, tão luxo quanto um destes carrinhos que citei.

Escrever sobre o Teimoso? Não, sobre o luxo que é pensar com qualidade o que é luxo de verdade. Quem não entendeu agora provavelmente entenderá num futuro não muito distante.

‘Não há saída para crise climática dentro dos marcos do capitalismo’
Emergência climática é uma realidade. Não temos planeta B. Não há segunda chance quando se trata de corrigir a rota que estamos percorrendo
Prof. Josemar Carvalho

domingo, 17 de maio de 2026

"Se não fizer o que eu quero, eu me mato..."

- Eu me mato! ela disse pelo telefone.
De saco cheio com as constantes ameaças, não tive dúvidas - Estou almoçando. Faça o que bem entender. 
Nunca mais tive notícias, mas como dizem os franceses, "sem notícias, boas notícias". Ela está viva.
De minha parte, segui meu almoço sem qualquer remorso ou sentido de culpa. Aliás, que alívio!

Bom, e daí, e se tivesse dado ruim? 

Blefe! 

Comparar uma mama iídiche com uma italiana é boa piada;
- Se você não fizer o que eu digo eu me mato! diz a mama iídiche.
- Se você não comer a pasta que eu fiz eu te mato! diz a italiana.
Bom, mais que ameaça, palavras de mãe. Mãe é mãe. Comporte-se!

Mas... e se o mate ou morra pudesse se realizar sem a consequência definitiva? 

Morte: definitivo. Morreu, acabou, ponto final sem retorno. Os espíritas dizem que não é assim, mas isto é outra história.
Suicídio, o mesmo, acabou, ponto final sem retorno.

Aí chegamos às metáforas. E aqui estamos no literal. (Não estendeu?) Vale uma história sobre...

Caminhado com o amigo nascido naquela cidade, o recém chegado foi apresentado para um outro conhecido cidadão da mesma cidade. 
- Vem cá. Deixa te apresentar o seu João. Figura respeitada por aqui.
- Prazer, seu João 
- Prazer, meu filho
- Se alguém criar problema para você, chama seu João que ele resolve.
- Obrigado...
- Seu João é a melhor peixeira da cidade, e custa baratinho. Se o caso precisar de algo mais, ele também resolve.
- Não precisa de tanto elogio, meu filho, a gente faz o que pode.
(Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência)
Literatura de cordel? Ou motoboy com mochila de delivery? Ou pescador que limpa o peixe numa única peixeirada? Mais para a última alternativa.

Suicídio, é tido como um ato de desespero, uma forma de chamar atenção, ou uma forma de vingança que deixa o outro marcado a ferro e fogo. Ou os outros. Ou pode ser um ato silencioso de auto respeito. Ou pode ser ameaça de mãe-mãe, esta a mais assustadora.

O suicídio do comediante Robin Williams chocou a todos. Como pode uma pessoa tão divertida fazer uma coisa destas? Faz pouco soltaram a história verdadeira por trás da tragédia. Robin Williams estava sofrendo com uma doença degenerativa que demencía muito rapidamente e gera uma profunda depressão. Robin Williams optou por parar o processo.

Na vida só duas coisas são certas: pagar impostos e a morte. 
Bom, e daí, e se você decidisse e conseguisse não pagar impostos? É uma hipótese, ou uma alternativa factível, tem quem consiga fazer. E tem volta, afinal, pelo sim ou pelo não brigar contra o fisco é pior que sair no braço com o capeta. O capeta ainda se pode vencer, já os impostos..., nem o próprio demo arrisca entrar nesta briga.

Bom, e se você conseguisse enganar a morte? Hipótese muito pouco provável, mas vamos brincar. As mamas morrem todos dias e sempre voltam para dar bronca e ameaçar, não é  mesmo? No cinema não dá certo? Vamos supor que a medicina reverta a morte? E daí? Você se mataria para castigar o outro?


Vale a pena e muito a leitura.

Voltando aos impostos, se não resolverem esta baderna que vivemos aqu8 no Brasil nos matamos ou nos suicidamos? Bom, sem dúvida, a não aprovação de uma reforma tributária que diminuía a baderna dos mais de 50 impostos e racionalize nossas vidas será um suicídio coletivo, figurado,  tenho a dizer.

De qualquer forma, morte, assim como impostos, é sobre dinheiro, lucro. Tem muita gente ganhando e muito em cima da morte e do sofrimento de milhares. Quem pensa o contrário que se informe. A história da morte no ocidente é uma ótima leitura esclarecedora.

- Antes de minha mãe ficar doente (está há 10 anos numa cama vegetando) eu tinha horror de falar sobre morte. Agora eu tenho certeza que se deve falar e discutir o tema. Do jeito que está não dá
Sabia constatação de uma conhecida que vive o drama de ter alguém amado caindo aos pedaços e mesmo assim sem o direito a uma morte natural.


Eu sei que este é um tema que não é do agrado geral. Tenho repetido porque é inevitável. Um dia todos morremos. 
Semana passada ouvi pela primeira vez uma materia na grande imprensa exatamente sobre o direito das pessoas morrerem naturalmente, e o busines fortíssimo por trás cujo lucro depende de manter o "paciente" vivo. Quanto mais tempo, mais lucro. Morra com esta!