Fez uma ponte, que maravilha. Fez uma ciclovia, que maravilha. Construiram um edifício novo e bonito, que maravilha. Ajeitaram a calçada, que maravilha. Uma praça nova, que maravilha. Reformaram, que maravilha..
Pergunta: qual o problema com todas estas maravilhas citadas acima?
Cidade é a união de tudo, bem entendido, uma cidade com boa qualidade de vida para todos é formada pelo conjunto de tudo que funciona harmoniamente em conjunto (explicação horrosa, mas compreensiva). Não é a ponte nova, a ciclovia, a praça, o edifício novo, a calçada, as reformas, manutenções, as árvores, o transporte público.. tudo separado, não raro até sem nexo. Deveria ser tudo junto e unido de forma a trazer qualidades que melhorem a vida de todos e tudo. É exatamente isto que não acontece em nossas cidades.
Mas não é assim (como acontece nas nossas cidades) lá fora? De certa forma, é. O que acontece é que é difícil para uma pessoa que vive fora da realidade, trancada dentro de muros, cercada de seguranças, dentro de shoppings estéreis, perceber as 'sutilezas'. E não deveriam ser, porque muitas delas de sutil não tem nada.
Comecemos pelo que liga tudo a tudo, as calçadas
Milton Santos dizia, em A Natureza do Espaço (1996), que o espaço é “um sistema de objetos e um sistema de ações”, nunca um cenário neutro. Maravilhoso.
O budismo coloca que não há liberdade sem disciplina. E não há. Há uma enorme diferença entregar liberdade e libertinagem, o que neste momento nós, brasileiros, temos uma profunda dificuldade em diferenciar.
Liberdade, ora liberdade, o que é e o que nos oferece. A "História da Felicidade", Peter N. Stearns. A relação da liberdade com a felicidade, as formas de pensá-las, vivê-las. Trabalhei, penso e escrevo ou deliro um pouco sobre cidades e melhoria da qualidade de vida de seus cidadãos. O maravilhoso texto deste livro enfiou boa parte do que pensava no liquidificador. Agora "estou viajando na maionese". Li, reli, rerreli e relerei o texto para dar o tempo certo da confusão divina que se formou e não desandar a maionese.
Um texto publicado por Karnal colocou mais ingredientes na. Inha maionese.
Milton Santos dizia, em A Natureza do Espaço (1996), que o espaço é “um sistema de objetos e um sistema de ações”, nunca um cenário neutro, cita Karnal.
"Nem prisioneiros do solo, nem deuses sobre ele: somos seres abaixo da onipotência divina e acima da impotência da pedra. Apenas humanos, isto é, seres que, diante de cada paisagem, ainda precisam decidir o que fazer com ela. E essa decisão, precária e cotidiana, é talvez o único território em que a liberdade ainda faz morada", termina Karnal.
Quem somos? O que somos como indivíduos e cidadãos nesta discreta, sutil bagunça que vivemos? Somos a cidade ou a cidade é quem somos? Liberdade perante o coletivo ou coletivo perante a liberdade? Que liberdade? Quem ou que determina? Liberdade ou libertinagem? Nossa, como cidadãos, ou deles como empreiteiros, construtores, encorporadores, e transformadores de nossas cidades, portanto de nossas vidas?
Vale a pena dar uma lida em: https://jornal.usp.br/atualidades/da-polis-grega-a-transformacao-das-metropoles-uma-reflexao-sobre-o-processo-de-urbanizacao/


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