O turista inglês é assaltado na Estação da Luz. Perde o celular e com ele todas suas referências, todas. Infeliz ocorrência trivial em todas cidades grandes do mundo, até mesmo em Londres. Entra em pânico, perde o controle, dispara a chorar em desespero. É levado a uma delegacia para fazer o boletim de ocorrência, demorado, o que piora mais ainda sua perda de controle emocional. Quanto mais tenso, mais sua memória se perde.
Horas depois do ocorrido eu o encontro na frente do British Council, ou Cultura Inglesa, em Pinheiros, acompanhado de quatro PMs, e passo a servir de interprete. Um dos PM entente bem o inglês, mas não tem prática na fala. E aqui vai meus parabéns e agradecimento, como cidadão, ao paciente, gentil, sensível, inteligente atendimento dos PM para este inglês desesperado e desestabilizado. A resposta das autoridades inglesas ao pedido de ajuda, todas negativas, aumentaram o desespero, descontrole e choro do inglês. O que se seguiu ali foi por parte dos PM uma sequência de ações corretas, humanas, sensatas, que contradiz a imagem que temos destes servidores públicos que vivem entre a espada e a cruz. Enquanto não tiveram certeza que o inglês estaria acomodado num hostel e mais tranquilo, depois de terem trocado contatos com os atendentes do hostel para acompanhar o caso, e ter certeza que ele realmente ficaria bem, só então se foram. O inglês repetiu várias vezes o agradecimento a gentileza do atendimento dos PMs. E eu, um cidadão, também o faço. Parabéns aos quatro e muito obrigado.
O trabalho dos PM, do operacional de rua, poderia ter sido simplificado caso houvesse um órgão interno da PM voltado a inteligência digital que lhes desse apoio. A situação só começou a se acalmar quando chegamos no hostel, e eu e duas jovens iniciamos ações muito básicas em nossos celulares para tentar primeiro entrar em contato com a família do inglês na Inglaterra, depois para localizar o celular roubado, o que as duas meninas rapidamente conseguiram. Eu tenho 71 anos, portanto minha habilidade digital é condizente. As duas meninas eram mais espertas, mas nada pró, mesmo assim fomos cruciais para contornar a situação. Ajudamos e muito trabalho dos PMs. O celular acabou não sendo recuperado, infelizmente, mas poderia ter sido caso já na delegacia fosse acionado um grupo de apoio de inteligência digital. Repito, o trabalho dos quatro PMs merece muitos elogios, mas com uma retaguarda de inteligência digital o trabalho deles teria sido muito simplificado.

















