Num artigo científico saiu que envelhecemos aos trancos. Está provado que o envelhecimento é uma escadinha que vamos descendo com o passar dos anos não condiz com a realidade. Até se pode usar a escadinha como metáfora, mas não uma continua, degrau pós degrau. No meio da descida tem uns platôs, tempos onde há uma estabilização clínica até a próxima escadinha, ou penhasco. Desculpem, não aguentei com o penhasco, mas, vocês sabem, é verdade.
Mesmo antes deste artigo publicado sobre como envelhecemos, eu tinha vivenciado uma mudança muito rápida da condição física de um querido amigo. Uma bela pessoa, figura atraente, cuidadoso consigo, não sei porque em poucos meses passou de um adulto chamativo para a aparência de um velhinho ainda plenamente ativo. Me assustou e muito.
Não foi o único. Estou numa fase da vida onde qualquer tombo é perigoso e deve ser evitado, mas os tombos que a vida traz consigo se transformam em normais, regra inquebrantável.
Voltando de viagem sentei junto com uma menina de 49 anos, rápida, inteligente, antenada. A conversa foi para minhas pedaladas e as caminhadas dela. Quando perguntei se ela já tinha lido ou estudado técnicas de caminhada, ela se assustou. Nunca tinha pensado nisto. Disse a ela que não me assustava sua reação porque o que se dá nas escolas como 'educação física' não é educação física, mas recreio esportivo.
Brasileiro, no geral, não sabe se cuidar, não sabe o que é seu corpo, o corpo, um corpo, saúde. Incluo aqui a imensa maioria dos frequentadores de academias e esportistas amadores (mais uns tantos profissionais). Melhorar a condição física e a saúde vai muito além do olhar para o corpo. A prova disto é que aqui, Brasil, o negócio é ficar bem, de preferência bonito. "As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental" - Vinícius de Moraes. Colou!
Saúde, incluí condição física, corpo, mas muito mais que isto. O primeiro passo é tomar consciência, o que concordo, eta coisa 'cumplicada'.
Neste contexto vem o seu bolso. Sim, minha cara, sim meu caro, o seu bolso. Ou você acha que quem vai pagar a conta do envelhecimento de toda uma população com problemas de saúde? E, ouça bem, o custo da brincadeira não vai ser só no seu bolso, esteja certo, espere para ver, ou levante as orelhas para saber as maravilhas que virão com o envelhecimento dos outros, todos outros, sem exceção.
Evitar certos temas é de uma burrice sem tamanho. A conta virá, líquido e certo. O seguro morreu de velho.
– Como é que você vive sem medo com a morte por perto?
O velho riu, sarcástico:
– Todos nós temos a morte em nós, seu merdinha. Desculpe chamá-lo assim, mas, se você acha que existe alguma garantia para viver, você virou um idiota de um ministro do Supremo que é capaz de promulgar uma lei isentando-o da morte e da responsabilidade de ser imparcial. Pois a morte, meu caro, tem uma imparcialidade absoluta. Como diz a rima: ninguém escapa, nem o rei, nem a rainha e nem o papa. Ela é comunista.
Roberto DaMatta
Um ponto fundamental levantado pelo : o modelo atual remunera os procedimentos realizados e não o resultado final. Mudar isso exigiria renegociar contratos com prestadores, revisar instrumentos regulatórios e de incentivos e criar sistemas de monitoramento inexistentes no SUS atual. É difícil? Sim. Mas com vontade política dá para fazer. Seria um ganha-ganha: redução de custo do sistema e melhora de qualidade de vida da população.
Frankito, o curioso
Caneta mágica? É mesmo. Vai esperando. Toda magia tem uma enganação por trás.
Aleluia!
Enfim, "Nós que aqui estamos por vós esperamos".