quarta-feira, 27 de maio de 2026

Brasil, o que eu posso ajudar?

Estou feliz. Tem gente da sociedade cívil se mexendo para tentar recolocar este país nos trilhos. O SPIW, São Paulo Innovation Week, foi um grande passo para entender onde estamos e discutirmos o que fazer com o nosso futuro. O 'Brasil Avante', ciclo de debates e propostas para o futuro governo do Brasil é um importante passo para o país corrigir erros crônicos, parar com o desgoverno, a baderna, a maluquice que vivemos. Tenho 71 e nunca vi nada igual ao que esta acontecendo. Deprimente. A sociedade cívil se mexer - civilizadamente - tem tudo para dar bom resultado. É assim que foi feito e assim que se faz em todo lugar e por toda história moderna da humanidade. Sempre foi a alternativa mais acertava para chegar os melhores resultados.

Hoje aconteceu o primeiro debate, que prefiro dizer 'falas'. Foi bom, mas esperava mais, mais tempo, mais respostas... Acredito que eles saibam o que fazem, e tenho certeza do nível de ansiedade que tenho para ver um rumo certo tomado.

Enfim, é um ótimo passo a frente.

Eu cito com frequência a Casa Madre Teodora. Achei no Google uma explicação breve sobre o que foi realizado ali. Sei que o detalhamento do plano de governo Montoro foi muito mais profundo. Lembro do grupo que trabalhou a questão ambiental urbana e que dentre outras coisas já pedia que fossem plantadas árvores frutíferas originárias da Mata Atlântica para trazer de volta a cidade pássaros que se alimentassem de insetos, em particular cupins, um problema ainda hoje sério. Encabeçando o grupo de estudos e propostas estava Aziz Ab'Saber, já então considerado como uma sumidade internacional em geologia.

Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Eduardo Suplício, Orestes Quércia, Walter Feldman, economistas que estruturaram o Plano Real, Miguel Reale, José Carlos Dias, participantes da Constituinte, e inúmeros outros mais nomes de destaque na história do Brasil não só participaram, mas estruturaram o Plano de Governo Montoro, que acabou fazendo muita diferença boa para todos nós.

Da pesquisa no Google:

A "Casa da Madre Teodora" foi a residência paulistana onde intelectuais, técnicos e militantes elaboraram o plano de governo de Franco Montoro para o Estado de São Paulo (1983-1987). O endereço tornou-se o berço da chamada "Turma Sorbonne", grupo que desenhou propostas democráticas fodas na descentralização e participação popular.O Grupo da Madre Teodora localização: A casa servia como um espaço aberto e informal de debate.Integrantes: Reunia jovens acadêmicos, sanitaristas e especialistas, muitos dos quais assumiriam posições de destaque na política nacional.Apelido: Devido ao peso intelectual das discussões, o grupo foi carinhosamente apelidado de "a turma Sorbonne".Pilares do Programa de Governo participação e Descentralização: O programa baseava-se em uma gestão democrática e participativa, buscando descentralizar o poder estadual e valorizar os municípios.Questões Sociais: Houve forte priorização de problemas concretos da sociedade, como educação (municipalização da merenda), saúde pública e agricultura.Legado: As propostas forjadas nessa casa transformaram-se em ações governamentais amplamente debatidas pela sociedade civil.Para aprofundar-se no contexto e nos impactos do plano elaborado, a trajetória e a documentação desse período podem ser exploradas através do acervo histórico do Memorial da América Latina ou do histórico da Fundação ITESP.

domingo, 24 de maio de 2026

'Brasil Adiante", ciclo de debates, propostas para o futuro imediato

Talvez seja a melhor notícia que leio faz um bom tempo. Vivenciei a Casa Madre Teodora, 1982, onde foi feito o projeto de Governo de Franco Montoro para o Estado de São Paulo, e sei o quão importante foi reunir cabeças de ponta para ter um projeto com propostas concretas de recuperação do desastre deixado pelo governo Maluf, que foi um horror, mas fichinha perto da baderna que vivemos agora. Não falo de ideologias, mas da devastadora desordem geral destes dias. Da Casa Madre Teodora saíram projetos que mais tarde ajudaram a organizar e melhorar e muito o Brasil. Participaram ativamente e assinam o projeto de Governo Franco Montoro especialistas de inúmeras áreas, dentre eles alguns que mais tarde ajudariam a criar partidos ligados a diversas ideologias e princípios, de direita, centro e esquerda. O importante ali foi 'como posso ajudar', ou como posso colaborar para melhorar.

O ciclo de debates 'Brasil Adiante' começa bem, com Fabio Barbosa encabeçando. Conheço histórias da capacidade de Fabio através de pessoas que trabalharam com ele ou foram concorrentes, e só ouvi coisas boas. Uma das histórias sobre Fábio Barbosa me marcou muito: a forma como ajudou amigos vizinhos de infância relatada com emoção por um deles, meu amigo que já se foi.       

'Propostas concretas', claras, acima de tudo factíveis, é disto que o Brasil precisa urgentemente. Como diz Fábio, não havendo dúvidas sobre o diagnóstico e o objetivo final, que se possa divergir sobre o caminho - e ter um plano exequível entregue em mãos do futuro governante para os dois primeiros anos de governo do Brasil. Vamos lá.






quarta-feira, 20 de maio de 2026

A história do Renault Teimoso. (Quem? O que?) Lixo ou luxo

"Tá maluco? História do Renault Teimoso? Que porra é esta?". Este questionamento fiz a mim mesmo, e a ideia do texto ficou nos rascunhos por um bom tempo.

Ok, fiquei maluco, ou sou maluco, pelo menos um pouquinho com certeza, mas, contudo, entretanto, agora, teimoso, consigui fechar o que pensei apoiado em entrevistas / chamamentos para a SP Innovation Week sobre luxo.

Preciso procurar de novo um artigo muito bom comparando o gasto energético dos automóveis de 1960 para os de hoje, o ponto de partida para o que tínhamos em tempos passados e o que temos hoje, e aí não falo sobre automóveis, mas sobre forma, função, e sustentabilidade. Como disse um dos cientistas que participaram para a SPIW: 


‘Não há saída para crise climática dentro dos marcos do capitalismo’
Emergência climática é uma realidade. Não temos planeta B. Não há segunda chance quando se trata de corrigir a rota que estamos percorrendo

Prof. Josemar Carvalho



A história do Renault Teimoso

Luxo e inteligência, ou a íntima ligação do luxo - real - com o melhor da inteligência humana.

E aí vem uma enorme confusão sobre o que é luxo. Os gênios, os que têm uma inteligência acima do normal, os que sabem exatamente o que é luxo, que conhecem o público, que criam luxo, estes olham com muito respeito para algumas coisas - as verdadeiramente geniais - até as que vem da pobreza, que fazem parte da pobreza. Inteligência é inteligência, não é aparência. Em outras palavras, luxo extrapola e muito o conceito rasteiro, e pobre, muito pobre, sobre o que é luxo, e ou sua ligação íntima com custo, dinheiro, riqueza. 
Aliás, o que é riqueza, a real?


Renault Teimoso? Um luxo? Estou louco? Não. Renault Teimoso, VW Pé de Boi, Citroen 2CV, Renault 4, Mini Morris, Fiat Panda, e outros carros extremamente básicos, funcionais, econômicos, eficientes, e principalmente de impacto ambiental baixo na produção e uso. Funcionariam hoje? Aposto que seriam um fracasso. Mas o conceito básico deles é um luxo total, alguns são coisa de gênios, basta colocar na perspectiva correta.

O que é luxo? O que é luxo hoje? O que deveria ser luxo?

Trabant 601 se encaixa aí? A meu ver não, pelo menos no sentido mais amplo. A ideia básica é boa, a qualidade é ruim, o bichinho foi muito mal fabricado, tipo o povo precisa, não tem outra opção, que se danem. Estes são elementos básicos do luxo - da inteligência? Não. Luxo tem uma relação muito forte com qualidade. E qualidade com inteligência.

No meio de um bate papo com uma executiva de primeira linha que tem olhos bem abertos para o que ela considera luxo, veio a baila a importancia de ensinar o que é qualidade para os filhos e mais jovens, quando fui bruscamente interrompido por um "Como assim, qualidade?" disparado por ela. Eu e a senhora ao meu lado ficamos desnorteados com o questionamento, mas não deveríamos, é só mais um sinal claro do porque de nossa pobreza, e aí entenda o que seu luxo de cabeça quiser. 

O Renault Teimoso é um Renault Dophine / Gordini rapado de toda e qualquer coisa não essencial para a função mais básica de um automóvel, ou seja, transportar pessoas e cargas de lá para cá . Dophine é um projeto muito inteligente, revolucionário para sua época. Não teve o sucesso devido por problemas de qualidade,  não de projeto. O Teimoso é tão espartano, tão limpo, tão cru, que caiu no "tá de gozacão?". 
Agora, Teimoso, Pé de Boi, e outros extremamente básicos são hoje o máximo do luxo ambiental.  Ou seriam caso seus conceitos básicos fossem a base para automóveis modernos que incorporassem tecnologias funcionais que surgiram nestes anos. Nada de vidro elétrico ou de confortos exagerados. Economia, racionalidade, eficiência, isto sim. Para que serve um monte de opcionais que nunca serão usados? São um luxo? Isto é luxo? O meio ambiente que se dane?

Acho que o primeiro Gol, o quadradinho, pesava em torno de 700 kg. Um Teimoso pesava menos. O mais básico dos básicos de hoje pesa uns 300 kg a mais, muito em razão de um montão de coisas dispensáveis. Quanto é o gasto energético por quilo? A resposta mais direta e facil de entender está num comparativo com base científica feito entre ciclistas profissionais de diferentes pesos, e afirmo, é muito. 

Automóvel, luxo, bicicleta, energia? Enlouqueceu de vez?
Básico: quanto mais pesado, maior o gasto de energia para se movimentar; física pura e inequívoca.

No país onde o luxo extravagante surgiu, França, a história dos automóveis que foram criados no pré e pós WWII,  são um luxo de inteligência. Forma e função levados ao mais alto grau de responsabilidade social. Ok, a fabricação foi francesa. "Life is too short to drive a french car", diziam os americanos, lá com suas boas razões. O Daphini vendido no mercado americano derretia - literalmente - em uns dois anos.
 


Este vídeo conta a história do Honda CVCC de 1969, o carrinho que mudou a história da indústria mundial: simples, funcional, durável, economico. Como tudo realmente deveria ser.


E chegam os japoneses, olham, entendem, copiam tudo que aprenderam das melhores ideias e projetos, com uma grande diferença: o fazem com uma qualidade apurada, da correção dos erros, detalhes, ao processo de produção e produto entregue ao consumidor.

Eu teria um Renault Teimoso? Não, por uma simples razão, eu sou muito grande para conseguir dirigi-lo. Mas um Renault 4, um pouco menos básico e bem mais espaçoso por dentro, com certeza. Ou um Fiat Panda, o da primeira geração. Minha dúvida aí é cruel. Hoje dirijo um Honda Fit primeira geração, no final das contas tão genial, tão funcional,  inteligente, tão luxo quanto um destes carrinhos que citei.

Escrever sobre o Teimoso? Não, sobre o luxo que é pensar com qualidade o que é luxo de verdade. Quem não entendeu agora provavelmente entenderá num futuro não muito distante.

‘Não há saída para crise climática dentro dos marcos do capitalismo’
Emergência climática é uma realidade. Não temos planeta B. Não há segunda chance quando se trata de corrigir a rota que estamos percorrendo
Prof. Josemar Carvalho

domingo, 17 de maio de 2026

"Se não fizer o que eu quero, eu me mato..."

- Eu me mato! ela disse pelo telefone.
De saco cheio com as constantes ameaças, não tive dúvidas - Estou almoçando. Faça o que bem entender. 
Nunca mais tive notícias, mas como dizem os franceses, "sem notícias, boas notícias". Ela está viva.
De minha parte, segui meu almoço sem qualquer remorso ou sentido de culpa. Aliás, que alívio!

Bom, e daí, e se tivesse dado ruim? 

Blefe! 

Comparar uma mama iídiche com uma italiana é boa piada;
- Se você não fizer o que eu digo eu me mato! diz a mama iídiche.
- Se você não comer a pasta que eu fiz eu te mato! diz a italiana.
Bom, mais que ameaça, palavras de mãe. Mãe é mãe. Comporte-se!

Mas... e se o mate ou morra pudesse se realizar sem a consequência definitiva? 

Morte: definitivo. Morreu, acabou, ponto final sem retorno. Os espíritas dizem que não é assim, mas isto é outra história.
Suicídio, o mesmo, acabou, ponto final sem retorno.

Aí chegamos às metáforas. E aqui estamos no literal. (Não estendeu?) Vale uma história sobre...

Caminhado com o amigo nascido naquela cidade, o recém chegado foi apresentado para um outro conhecido cidadão da mesma cidade. 
- Vem cá. Deixa te apresentar o seu João. Figura respeitada por aqui.
- Prazer, seu João 
- Prazer, meu filho
- Se alguém criar problema para você, chama seu João que ele resolve.
- Obrigado...
- Seu João é a melhor peixeira da cidade, e custa baratinho. Se o caso precisar de algo mais, ele também resolve.
- Não precisa de tanto elogio, meu filho, a gente faz o que pode.
(Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência)
Literatura de cordel? Ou motoboy com mochila de delivery? Ou pescador que limpa o peixe numa única peixeirada? Mais para a última alternativa.

Suicídio, é tido como um ato de desespero, uma forma de chamar atenção, ou uma forma de vingança que deixa o outro marcado a ferro e fogo. Ou os outros. Ou pode ser um ato silencioso de auto respeito. Ou pode ser ameaça de mãe-mãe, esta a mais assustadora.

O suicídio do comediante Robin Williams chocou a todos. Como pode uma pessoa tão divertida fazer uma coisa destas? Faz pouco soltaram a história verdadeira por trás da tragédia. Robin Williams estava sofrendo com uma doença degenerativa que demencía muito rapidamente e gera uma profunda depressão. Robin Williams optou por parar o processo.

Na vida só duas coisas são certas: pagar impostos e a morte. 
Bom, e daí, e se você decidisse e conseguisse não pagar impostos? É uma hipótese, ou uma alternativa factível, tem quem consiga fazer. E tem volta, afinal, pelo sim ou pelo não brigar contra o fisco é pior que sair no braço com o capeta. O capeta ainda se pode vencer, já os impostos..., nem o próprio demo arrisca entrar nesta briga.

Bom, e se você conseguisse enganar a morte? Hipótese muito pouco provável, mas vamos brincar. As mamas morrem todos dias e sempre voltam para dar bronca e ameaçar, não é  mesmo? No cinema não dá certo? Vamos supor que a medicina reverta a morte? E daí? Você se mataria para castigar o outro?


Vale a pena e muito a leitura.

Voltando aos impostos, se não resolverem esta baderna que vivemos aqu8 no Brasil nos matamos ou nos suicidamos? Bom, sem dúvida, a não aprovação de uma reforma tributária que diminuía a baderna dos mais de 50 impostos e racionalize nossas vidas será um suicídio coletivo, figurado,  tenho a dizer.

De qualquer forma, morte, assim como impostos, é sobre dinheiro, lucro. Tem muita gente ganhando e muito em cima da morte e do sofrimento de milhares. Quem pensa o contrário que se informe. A história da morte no ocidente é uma ótima leitura esclarecedora.

- Antes de minha mãe ficar doente (está há 10 anos numa cama vegetando) eu tinha horror de falar sobre morte. Agora eu tenho certeza que se deve falar e discutir o tema. Do jeito que está não dá
Sabia constatação de uma conhecida que vive o drama de ter alguém amado caindo aos pedaços e mesmo assim sem o direito a uma morte natural.


Eu sei que este é um tema que não é do agrado geral. Tenho repetido porque é inevitável. Um dia todos morremos. 
Semana passada ouvi pela primeira vez uma materia na grande imprensa exatamente sobre o direito das pessoas morrerem naturalmente, e o busines fortíssimo por trás cujo lucro depende de manter o "paciente" vivo. Quanto mais tempo, mais lucro. Morra com esta!








sexta-feira, 15 de maio de 2026

Eu sou inteligente. O outro é ignorante. Cuma?


Estamos mais inteligentes? Sabemos mais? Provavelmente. Mesmo o mais ignorante dos ignorantes de hoje tem muito mais informação que um qualquer do povão de tempos passados, principalmente nestes tempos de celular e internet. Mas ter informação não significa que o sujeito saiba pensar melhor. Conheço uma tonelada de pessoas ditas de elite, econômica e cultural, que sempre tiveram e continuam tendo pleno acesso a informação de qualidade e são umas bestas quadradas ambulantes.

Eu adoro a expressão que um amigo sempre usava para referir-se a estes que se acham inteligentes: "É um ostra com paralisia mental". É o que não falta. Os ou as piores são aquelas / aqueles que se acham um gênio, os famosos ou as famosas que acham a "Última bolacha do pacote".

Na busca pelo Google: Inteligência é a capacidade mental de aprender com a experiência, adaptar-se a novas situações, compreender conceitos abstratos e usar o conhecimento para manipular o ambiente ou resolver problemas. Envolve raciocínio, planejamento, criatividade e memória, sendo descrita tanto como uma habilidade geral quanto por múltiplos tipos (lógico, emocional, social).

No geral, no jargão popular, quem era considerado inteligente num passado não muito distante, uns 40 anos atrás? Quem conseguia decorar as lições, que por conseguinte tirava boas notas, os CDFs. Os que vão na escola, são bons no trabalho, ou para o povão "os que sabem das coisas". Alguns de fato eram e são. Este conceito geral de inteligência ainda vale ainda para a maioria. Boa memória faz muita diferença na venda de quem se é. Pequeno detalhe, memória até pode ajudar na formação da inteligência, mas não é inteligência, é memória.

Tive a sorte de ter conhecido algumas pessoas bem fora da curva, uns de memória excepcional, outros de inteligência excepcional, e os que juntavam as duas. Não tenho dúvidas que conviver com quem tem memória acima da média é muito mais agradável porque eles a usam como ferramenta de poder social relembrando fatos e nomes com uma facilidade invejável. 
Já os superdotados..., bem, estes são um pouquinho mais complicados, só um pouquinho. Cito dois, um fechado em sí próprio, arredio, difícil de conversar. O outro expansivo, comunicativo, explosivo, como definia seu filho "Não é se ele vai ou não brigar com alguém, é certeza que num momento ele vai aprontar uma discussão pesada, resta saber quando". Os dois fizeram coisas na vida completamente fora da compreensão dos normais, da família, amigos e os que trabalharam junto.

E há o que a ciência definiu não faz muito, faz uns 30 ou 40 anos, como inteligência específica. Garrincha fora das quatro linhas, o campo de futebol, pensava quase como uma criança. Já  jogando um mundial foi 'a' diferença, um gênio, inteligência de jogo e habilidade incomparáveis. Numa partida decisiva para o Brasil, com placar contra, Garrincha entrou sozinho na área, diblou um, diblou dois, ficou de frente para o goleiro sozinho, voltou a diblar os zagueiros, e só então fez o gol. No vestiário os que viram tudo aquilo e quase enfartaram, perguntaram para ele se estava louco, porque não tinha marcado o gol na primeira vez que ficara de frente para o gol. Garrincha respondeu com toda a sinceridade: "O goleiro não abria as pernas".

Voltando: inteligência específica é a capacidade de pensar e resolver bem situações muito específicas. Um favelado criou barracos dobráveis, que permitiam desmontar e montar a pequena favela muito rapidamente, alguém avisava a chegada do rapa, e eles desapareciam. Outro favelado, um velho senhor, criou uma favela com a mesma técnica de castelo de cartas, se tirasse uma parede caia tudo, mas a estrutura era muito firme e estável. Um velho trabalhador de uma tecelagem entrava no setor de produção e sabia qual máquina que estava com qual problema, com um detalhe, um setor de máquinas de tear faz um barulho ensurdecedor, mesmo assim ele não errava. Um pescador, já muito velho, subia num morro e orientava os pescadores onde estavam os peixes, isto a centenas de metros de distância. Inteligências específicas. 
  
Se a sociedade fosse treinada para perceber e aproveitar estas inteligências estaríamos muito mais bem arranjados. Por uma série de razões, inclusive pela venda que todos somos inteligentes e que cada um de nós temos que lutar pela própria inteligência para garantir um lugar ao sol, não interessa reconhecer uma inteligência que seja de fato útil a todos. O outro é uma besta e nós somos inteligentes, ponto final.



Eu sou inteligente? Não! sou invejoso, muito invejoso da inteligência dos outros, as normais e as específicas, e os fora da curva, os superdotados. Adoro conviver com eles, agradeço muito a benção de ter tido vários 'malucos' por perto, da mesma forma agradeço muito não ser um deles.



E não é que a Eldorado silenciou

 Ouvi os últimos minutos de transmissão da Rádio Eldorado. E não é que um pouco antes da meia noite ela silenciou. Confesso que não sei o que pensar. Mais uma perda em minha vida. Mais uma perda em nossas vidas, perda incalculável. Mas quantos saberão calcular, quantos tem a ciência e a consciência para avaliar?

Vivemos uma época de terra arrasada, da vulgarização do passar por cima a qualquer custo para abrir caminhos incertos. O passado é a bússola para o futuro. Cultura!

A vida é como nuvens que passam, não voltam e nunca serão as mesmas. A bússola do passado ensina o saber olhar o caminho das nuvens, as que vem e as que somem no horizonte. Nada será como antes amanhã. Mesmo assim é sábio viver a vida bem, acordar, comer, andar, pensar, trabalhar, descansar, acordar... Moto continuo. Aí entra a bússola, agulha do passado que aponta para o norte do futuro seguro.

Algumas coisas não se deve deixar estragar, acabar. Inteligência é uma delas, talvez a principal. Rádio Eldorado silenciou. Que horror. Silenciou de verdade. Pode?

Nós silenciamos. Há momento para tudo, para o silêncio e para a manifestação. Onde eu errei? Quando troquei de momento certo meu silêncio? Com certeza agora foi. Melhor, foi-se. Deprimente.


quarta-feira, 13 de maio de 2026

O absurdo fim da Rádio Eldorado FM

Fórum do Leitor, O Estado de São Paulo

Quinta-feira, dia 14 de Maio de 2026, se derá a última transmissão da Rádio Eldorado FM, o que é mais um absurdo dentre os inúmeros que este país está vivendo. Pertencente ao Grupo O Estado de São Paulo, a Rádio Eldorado completa 68 anos no ar não só como uma simples rádio, mas como uma emissora que realmente cumpriu o dever civilizatório de informar e transformar para o bem não só a cidade de São Paulo, mas o Estado de São Paulo e o Brasil. Emitiu uma programação musical diferenciada em todo país, muito inteligente, desde seus primeiros dias. Lançou vários artistas de alta qualidade no mercado. Encampou inúmeras ações de melhoria da qualidade de vida da população, como o da recuperação das águas do rio Tiete, o que influenciou em ações semelhantes por todo país. Falando sobre vários esportes, de grande público ou não, dentre eles a vela, se pode dizer que teve uma participação, discreta e pouco conhecida, na conquista até de medalhas Olímpicas.

Sendo leitor do Estadão desde sempre, 71 anos de vida, confesso não entender como foi permitido o fim da Rádio Eldorado. Conhecendo a história deste jornal, simplesmente não consigo entender o que está acontecendo. 

Novamente, por mais que tente, não consigo entender a posição do Grupo Estado de São Paulo.

A todos que fizeram e fazem a Rádio Eldorado, muito, muito, muito obrigado.

Agradeço muitíssimo a oportunidade que me deram para participar desta rádio sensacional com o Bike Repórter Rádio Eldorado. 


Renata gravou está gravado: eu vergonhosamente pedalando nas calçadas. Mea culpa!