terça-feira, 23 de junho de 2026

De duas coisas (chatas) não se escapa nesta vida. Então, encare.

Funciona deixar passar um problema na família dizendo que vai passar, vai melhorar? Funciona esconder doença? Funciona não falar sobre as dividas? Funciona fazer de conta que algo não existe?

Via de regra deixar passar, não conversar, não se interessar acaba dando problema ou piorando muito a situação.

Não passamos da hora de começar a discutir temas importantes, mesmo os desagradáveis, mas de importância capital para cada um de nós? Eu gosto de entrar de sola nestas chatices? Sou gente como qualquer um, também prefiro sombra e água fresca.

Tem saído cada dia mais matérias, mais entrevistas, mais recomendações, para que assuntos desagradáveis sejam discutidos de forma aberta, seja com familiares, amigos, sócios, empregados, cuidadores, especialistas ou advogados..., com quer que seja. Nada mais sábio.

Toda vez que entro no tema que escrevo abaixo vejo que o número de leituras despenca. Peço encarecidamente que leiam e pensem. Por vocês próprios, encarem o inevitável. E começo com uma piada para amenizar:

Há duas coisas na vida que ninguém escapa, pagar impostos e morrer.

Estes temas são inevitáveis. Sobre imposto de renda a conversa está cada ano mais fácil. Quem é novo não faz ideia do que era entregar tudo para o contador e esperar por notícias, nem sempre boas. O IR atual é uma baba, mesmo assim coisa chata de se falar. Quem morou fora do Brasil diz que lá fora é muito mais complicado.

O tema morte não é só desagradável, o tema morte é simplesmente inevitável, ponto final. Não há escapatória, ponto final. "Nós que aqui estamos por vós esperamos", verdade verdadeira. Qualquer posicionamento contrário é de uma burrice, uma falta de auto respeito sem tamanho. Negar é masoquismo, dos piores, os mais devastadores. Não faça isso consigo.

Repito o que já escrevi várias vezes: quer melhorar e muito sua qualidade de vida? Pois então entenda o que é e deve ser morte. Não é um contrassenso. Simples, prepare-se. Não estou falando de sua morte, mas de mortes que vão acontecer pela vida.

Quer melhorar e muito a vida de todos nós, brasileiros, pois então coloque a conversa e a discussão 'morte' na pauta do dia a dia.



Comentário meu no Estadão:

Abrir a discussão sobre mortes, todas, sem excessão, urge neste país. Temos que começar de alguma forma, e os temas e a forma que Ana Cláudia traz é um ótimo ponto de partida. Brasil é um dos países mais violentos do planeta. Morte violenta não é só as de tiros, assassinatos e acidentes de trânsito, que são um descalabro total, uma vergonha nacional sem tamanho e justificativa, mas também a morte natural sem um pingo de dignidade que acontece em hospitais.

O outro lado da questão é simples de entender. Espero que nós, brasileiros, tentemos acertar esta situação vergonhosa antes que ela venha doer mais ainda em nossos bolsos, que parece ser a única coisa que se entende por aqui. Sou um brasileiro que acompanha finitudes há tempo e afirmo que o que vem acontecendo está errado, muito errado.

Afirmo com todas as letras, nós brasileiros perdemos o sentido da boa humanidade. O bom senso se foi faz muito.


PS.: T W, que está velhinha e doente, teve um treco há quadro dias. Levada para o hospital, horas depois um médico veio conversar sobre a situação, grande probabilidade de óbito em 24 horas, máximo. Pois então, 24 horas após a notícia a médica que está atendendo simplesmente não conseguiu entender a recuperação absurda que ela teve. E eu fritei a cabeça, estou exausto. Toda a equipe que cuida em casa dela, cuidadoras, enfermeira chefe e médica geriátrica, já percebeu que ela não quer morrer num hospital, mas em casa. Segundo vários relatos, são inúmeros os casos assim.

Eu tenho pensado muito no que é ou deveria ser morte. Tenho lido, tenho conversado com médicos e especialistas, tenho buscado informações. A única coisa que para mim está claro, que todas as informações não deixam mais duvidas é que do jeito que a morte vem sendo tratada no Brasil é um erro grotesco, e que se tem que fazer algo para mudar a situação. O tema não é fácil, não tenho dúvidas, mas passamos da hora de encará-lo.

Mortes no trânsito e seus números

 Recomendo que procurem via Google o número de mortos no trânsito brasileiro. É diferente do publicado aqui, muito menor. Como trabalhei na área, acredito mais no número publicado aqui. Os um pouco mais de 6 mil mortos / ano que encontrei no Google me parece pouco. Que seja, palpites costumam ser errados, mas fatos são fatos, o trânsito brasileiro é violento, principalmente quando se olha nosso PIB, aí é uma vergonha completa. Mas, como está num outro comentário, quem se importa. "Morreu, antes ele do que eu", velho ditado bem brasileiro. Dane se o outro.

Porque meu palpite vai para os mais de 13 mil publicados aqui? Simples. Tenho um amigo que fez uma pesquisa detalhada sobre acidentalidade numa das importantes cidades nordestinas. Acabou descobrindo que a Prefeitura e o órgão de trânsito não faziam ideia dos números nem da esquina mais perigosa da cidade. Um dia ele me ligou dizendo que mais de 80% dos leitos do hospital público da cidade estavam ocupados por acidentes de trânsito, quase todos motos. Não cito nomes para não criar problemas para ele, que já sofre mais que simples pressão. Ou seja, é provável que os números de mortes violentas sejam maiores, por falta de notificação. Por exemplo, não são contadas as mortes ocorridas depois de uns tantos dias pós acidente, dentre outras.

Brasileiros reclamam pesado de multas, a dita 'industria da multa'. A verdade é que o Brasil é um dos países que menos multa. Faz um tempo a CET SP divulgou um dado sobre o número de multas aplicadas X o número de multas que deveriam ser aplicadas com base no CTB. Uma vergonha! 

Sem dúvida, fiscalização e punição. É inaceitável que um nome dito 'importante' provoque uma morte porque estava a 180 km/h e só venha ser julgado anos e anos mais tarde. É inaceitável que um casal escape de condenação mesmo as provas sendo irrefutáveis. É inaceitável que aceitemos a precariedade de trabalho de nossas perícias e legistas. É inaceitável que brasileiro não entenda a importância de pesquisas e dados precisos. Mas é crível que aceite o que temos, afinal, "morreu, morreu, antes ele do que eu", definição trágica de quem somos.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Como sair da enroscada das bets ganhadoras?


Bom texto de Frankito. E alguns bons comentários. Mas e daí?

Educação, sempre educação, educação é a solução. Dutra proibiu os jogos de azar no Brasil, pois então, qual foi o resultado? A sagrada família ficou feliz e mais para frente os bicheiros ficaram muito mais felizes ainda. Bingo!

Lavanderia, provavelmente sem muitas dúvidas. Mas não só o jogo. A fézinha dominical também não cheira forte a lavanderia? Algum controle sobre as dádivas dominicais? Ou seja, vícios que produzem lavanderia neste país é o que não falta. Educação!

Vivemos um tradição, propriedade e família enviesado, tão ruim quanto os expurgados. Nossa tradição, a decente, se desintegra; nossa propriedade, em vários sentidos, ganhou um novo sentido (selfie!) nada produtivo (sorria, selfie!); nossa família, ah! nossa família!, (peguem seus celulares e digitem: 'fica quieto, comporte-se!'). Educação, formal e informal, a caseira, onde foi parar?

Nossa educação virou Master, bet, religião, celular, selfies, euntenho direito, sabe com quem está falando?..., em outras palavras, moralismo, do bem e do mal, nosso e deles, moralismo. Tradição, propriedade e família, simples assim, sem a necessidade de pedir desculpas pelo trocadilho para lá de pesado. Trágico!

Mas nós somos diferentes, como se faz o discurso trivial. As experiências externas não valeram nada para alerta. Nós somos diferentes. Agora que o bicho virou uma espécie de Gozila, mais um, o que se faz? Como resolve (para valer)? "Nós sabemos". Pois então mexam-se.

Mjnha recomendação? Educação. A social já vai ajudar muito. Comece por não apontarmo dedo para os "outros culpados" e passe a buscar saídas, soluções realistas, factíveis. Exiate um pais de futuro se parar de pensar que se ficar o bicho come, se correr o bicho pega. Não aposte nisto, voce e todos nos vamos perder.

domingo, 21 de junho de 2026

Nossa realidade: somos os únicos bobos?

Ótimo texto. Ótimo titulo. Poderia ser extrapolado para infinitas outras situações que nos tornamos como país. Não me lembro qual sociólogo afirmou que o que acontece dentro de um campo de futebol é ótimo reflexo da sociedade que representa, e seu momento. "... reflete nossa realidade: únicos bobos no futebol atual somos nós". Não só no futebol, mas no que se reflete no futebol, e em outros esportes, em outras atividades de nossas vidas, todas, esportivas ou não.

Enquanto o "Você sabe com quem está falando?" não for completamente varrido de nossas vidas brasileiras, enquanto não ficarmos cobrando milagres do santo, do poderoso de ocasião, não vamos chegar onde queremos, pretendemos, desejamos e acima de tudo necessitamos.

Futebol é um jogo coletivo, onze jogadores com o mesmo objetivo. Para o resultado final vale cada suor dos onze, não a importância do brinquinho, de quanto ganha, sua riqueza, uma ostentação doentia, os amiguinhos de ocasião... Resultado se constrói, não vem pelo que se foi no passado, mas pela força da união. Foi assim em todos bons resultados que tivemos nas Copas, o hexa e os vices. AH! Os vices... Ah! Os terceiros e quartos colocados. Estes para os brasileiros não valem nada. Telê foi um perdedor...

"Para o brasileiro o segundo colocado é o primeiro perdedor" - Nelson Piquet. Brilhantemente preciso. Em todo planeta Emerson Fittipaldi é chamado com todo respeito de "campeão mundial". Aqui ele é "ex-campeão mundial". Resume tudo.

Senhores e senhoras, haja "complexo de vira-latas", diria Nelson Rodrigues. Acho que passamos e muito da hora de mudar.

De minha parte, boa sorte seleção.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Acreditar na ciência


Este vídeo é difícil de seguir. A menina fala rápido num inglês claro, mas traz muita informação. O que ela diz está baseado em dados e ciência, é para se pensar, e muito. Fala sobre a questão da poluição causada pelos plásticos nos oceanos, e a partir daí vai questionando uma série de informações que eu tinha como certas, mas não eram. Além de trazer novas informações, com dados, sobre o que realmente está acontecendo.

Quanto mais eu leio, mas me sinto um imbecil funcional em relação a realidade que vivemos. E quanto mais imbecil me descubro, mais quero me aprofundar em informações que provavelmente vão me fazer sentir mais imbecil ainda. Deprimente? Não, não mesmo. Nunca me senti tão forte. Não faz sentido? Faz, se faz.

(Significado de Imbecil adjetivo Desprovido de inteligência; que é tolo ou idiota. Que expressa imbecilidade; que não tem sentido; banal. Que não possui forças; fraco.)

(Significado de Ignorante substantivo masculino e feminino Quem não sabe algo, geralmente por não estudado nem praticado. Pessoa sem instrução; quem não tem conhecimento)

Melhor seria ignorante? Eu diria que não, porque com toda a imensa possibilidade de ter informações corretas e de qualidade que dispomos só minha imbecilidade ainda não foi atrás. Sempre fui curioso, mas limitado. Confesso que tinha horror de entrar em bibliotecas, por diversas razões, mas lia, procurava me informar.

Talvez o primeiro desejo que tive de mudar as coisas, ainda bem jovem, foi comprar um dos muitos morros carecas e cheios de cupim que via pela rodovia Fernão Dias e conseguir reflorestá-lo. A informação existente sobre cupins é que era dificílimo combatê-lo, que era praticamente impossível reflorestar uma área devastada.
Não faz muito saiu uma matéria justamente sobre recuperação de áreas cheias de cupinzeiros, e para minha completa surpresa o biólogo simplesmente desmontou tudo que eu sabia sobre o assunto. Reflorestar estas áreas é muitíssimo mais simples do que poderia sonhar. Primeiro, cupins 'adubam' o subsolo, depois basta plantar mudas nativas corretas... Usar o cupinzeiro como adubo..., queria fosse tão simples como o milagre das respostas da internet. De qualquer forma, não é o bicho de sete cabeças que foi dito.

Ou seja, aquele conto de terror que falavam no passado, dentre eles "ou nós acabamos com o cupim, ou o cupim acaba com o Brasil" ou era baboseira, ou era ignorância, ou ainda não havia conhecimento científico. Talvez um pouco dos três, em especial falta de pesquisa, desconhecimento ou desinteresse pela ciência.

Não tenho a mais remota dúvida que a saída mais fácil para todos nossos problemas está no conhecimento, na ciência. Tenho lido os comentários sobre matérias publicadas no Estadão e confesso que estou pasmado com algumas coisas lá escritas. Tem gente que de fato pensa que 2+2=69 (chupa!), ou 7 (pra dar sorte na bet), ou 987xx544 (um celular qualquer), ou... estocar ventos, ou... sei lá, qualquer coisa relacionada a alguma ideologia ou religião (esdrúxula ou não tanto). Terra plana?

Só sei que nada sei. E estou apavorado por descobrir minha ignorância. Apavorado e feliz. Agora sei quem sou e como crescer e posso ajudar.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

100 dias entre céu e mar, o filme. Entrevista de Amyr Klink

Amyr deveria ser uma das referências para os brasileiros. Deveria, mas infelizmente não é. É pouco conhecido, pior, pouco compreendido até por quem tem tudo na vida para raciocinar. Referências humanas como Amyr por aqui são peixes fora d'água. Triste.

O Brasil virou um oceano de espertalhões que fazem a população remar rumo ao canto das sereias, muitas delas plastificadas, com botox, preenchimento e sei, lá mais o que. Deprimente. É um país de naufrágio certo.

Se a tempestade está brava, se o barco chacoalha para valer, se começa a fazer água, é bom manter a calma, ouvir, se entender e trabalhar em conjunto para a coisa não piorar. Ou o trabalho é coletivo, ou a coisa vai piorar. Enfiar o dedo em riste no nariz do outro responsabilizando a tempestade a ele para depois se trancar na cabine blasfemando não costuma dar certo, diz a experiência secular. Amyr diz este tipo de coisas, e sabe o que fala. Do contrário não falaria porque estaria morto.

Como diz Amyr: eu estudei os erros para encontrar saídas viáveis. E assim Amyr cruzou o Oceano Atlântico. E assim navegou onde é como praticamente ninguém conseguiu. Não será um exemplo?

Esta entrevista dada pelo Amyr ao Estadão sobre o filme vale a pena ser vista. Não sei como não assinantes conseguirão abrir, mas quem puder, veja, esta o qualquer entrevista dele.



quarta-feira, 10 de junho de 2026

Construa sua vida. Não se autodestruindo

Eu bem sei quando e quanto errei pela vida, e sei que não tem volta atrás para corrigir o que foi feito. Meu potencial como pessoa e de trabalho foi bem acima do que alcansei e uma das principais razões sei bem: comunicação. Vivo escrevendo que se tenha cuidado com a comunicação porque sei de causa própria a diferença que faz não deslisar nas palavras. Sinceramente espero que eu consiga deixar um pouco da minha experiência para que não repitam a mesma besteira que fiz aos montes.

"Ou você ri da vida ou a vida vai rir de você". Não tenho a mais remota dúvida que levar qualquer situação pelo lado divertido traz melhores resultados, mas também carrega riscos, aliás, como tudo. 

Desbocado tem momento e lugar certo para valer a pena. Senso de humor só funciona com desbocamento inteligente, apropriado, não necessariamente chulo. Eu invejo os bons comediantes por sua inteligência e capacidade de dozar o que o pensamente despeja na lingua. Agora, o desbocado que é desbocado pelo simples fato de achar que ser desbocado funciona, este é um idiota, e digo, cara, muitas vezes fui idiota. O mesmo para aquele que acha que fazer piada é estabelecer um poder, ser mais inteligente que o outro. Demorei muito para controlar a boca, pelo menos os ataques e críticas que num passado distante acreditei que valiam algo. Como se diz na Argentina, "não vale um peido".

Vale aqui uma história. Num determinado momento de minha vida senti que tinha alguma coisa enroscando meu trabalho. Não fazia ideia do que estava acontecendo, até o dia que uma pessoa que eu havia contratado fez o seguinte comentário, "Foi ótimo ter trabalhado com você. Não foi nada do que dizem..." Upa! E acabei descobrindo quem estava fazendo comentários, que até hoje não sei se foram brincadeiras ou maledicência. Fato é que prejudicou.

Já magoei e já fui magoado. De minha parte, sinto vergonha por ter magoado. O que me fizeram procurei aproveitar e aprender. Revidar é burrice. Ouça!

O mundo dá voltas, tenha certeza disto. Cuidado com o que faz e diz, uma hora volta. Aliás, é interessante o que o Budismo diz sobre a necessidade de 'fala correta'.

A história contada neste vídeo a seguir é lugar comum em nossas vidas. Eu ouvi a história e tive um nó na garganta lembrando do meu passado, de quanto perdi por inconveniente, não só com comentários jocosos inapropriados, mas pelas maledicentes, ou ainda, pior, falar fora de hora. "Cala a boca!", que conselho sábio, afinal, em boca fechada não entra mosca.

O sábio que mora no cume da sabedoria tem a resposta: "O silêncio vale ouro". Aprenda. Faça!