domingo, 12 de julho de 2026

Nossa seleção e o 'exemplo' Neymar

Organizações Tabajara. Seu Creysson. Estaríamos muitíssimo melhor se fossemos por aí. Em tudo. Mas não, queremos ser "ríquio", como dizia o genial Seu Creysson, e aí está o problema. Mas "não pode!", como diz a também genial professora da escolinha do Irmão do Jorel, desenho animado.

Neymar não funciona porque é pobre. (Posso bem imaginar o que está passando pelas cabeças que me lêem aqui). Neymar é um pobre-rico-pobre, ou um coitado cheio da grana que pensa de maneira errada. (Melhorou ou piorou o que aqui coloco?). Neymar foi e segue sendo um péssimo exemplo para o país. É excepcional quando quer jogar, começa por aí; 'quando quer jogar'. Mas é mimado, frágil, infantil, não raro não só inútil, mas prejudicial ao time. Não assume sua dádiva, precisa mostrar quão ríquio e puderosio é. E arrasta com este seu pobre-rico-pobre uma geração de jogadores que querem ser iguais fora de campo, porque dentro de campo se ajoelham ao ídolo e sua ideologia futebolista ríquia. Seu Creysson que o diga, que narre a partida com o 10 nas costas caindo para a torcida. Heresia total, camisa 10. Falta de respeito ao Negão, ao gênio, ao semi deus atleta do século, Pelé. Ao rico rico rico humilde. Obrigado Pelé, obrigado.

Neymar será um reflexo dos Vorcaros do momento? Ou o contrário? Afinal, seus parças são tão parecidos com os Master. Não será o vexame de nossa seleção um simples reflexo do que este país se transformou há muito?

A genial riqueza de nosso futebol, aquele que se perdeu no passado longiquo, foi-se com o sumiço dos campinhos, da várzea, com a destruição de nossas cidades, o brutal empobrecimento de nosso pensar, ver a vida, entender o que realmente é riqueza, cultura, tradição, educação, respeito, respeito ao próximo. Brasil é um pobre-rico-pobre país, ou somos todos, com certeza.

Os últimos momentos de Neymar em campo representando nosso país foi um asco que deveria ser reprimido com veemência. Mas não. Mostra bem no que nos transformamos.

JK pensou 50 anos em 5, e embarcamos nele. Coisas deram certo, coisas deram errado, mas demos um belo salto a frente. E nossa seleção começou então a trazer a Jules Rimet para casa. E aqui, neste Brasil, foi roubada e nunca mais se soube da original. O que está lá é uma cópia, em outras palavras, uma vergonha nacional. Símbolo do país que vinha com força e está aí para quem quiser ou não quiser ver. A roubada deve ter sido transformada em churrasquinho com cerveja para os parças, e nenhum deles deve ter se interessado como aquilo aconteceu. Dane se! Exatamente como agora. Vamos para o próximo churrasquinho.

Tetra e penta foi construído em cima de exemplos que estavam lá, jogando ou treinando. Não me lembro de nenhum deles esnobando suas riquezas para subordinar seus semelhantes e companheiros à sua glória. E aqui chegamos ao "eles e nós", tão brasileiro, tão canarinho. Eu diria, tão canalhinho.

Viva seu Creysson, viva as Organizações Tabajara. Aquele país, aquele Brasil, aquelas nossas seleções eram muitíssimo mais ricas do que isto que temos hoje. Ou se ri da vida ou a vida ri de você. A única saída para esta tragédia anunciada que temos agora é a esculhambação. É muitíssimo mais inteligente do que todos estes imbecis nos estão propondo e prometendo.

Não tenho dúvidas, 7X1 foi pouco. E digo como brasileiro, de família de brasileiros, de tradições brasileiras, de esforços suados, amados, trabalhados para construir um país, o Brasil.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Monotrilho de São Paulo: o que me lembro e algo mais

 Na época que se iniciou a ideia do projeto lembro de ter ouvido de várias fontes de dentro dos governos que não se deveria optar por monotrilho, que por diversas razões seria uma opção problemática, até a pior. Bingo! A questão então era o custo de construção, mais baixo que metro, e tempo para término do projeto, o que imediatamente descartou metro subterrâneo. Houve quem falasse em VLT, que aqui gera zero simpatia, apesar de suas inúmeras qualidades urbanas e ambientais. VLT é mais rápido de implantar, e seus resultados ambientais são comprovadamente positivos. E carrega tanto quanto um monotrilho. O custo é um pouco salgado, mas se pagam com facilidade. Melou a questão de ter ruas e avenidas interditadas por certo tempo. Bingo! Monotrilho! O resultado está aí.

Agora, um projeto destes implica em outras questões. Foi gasto muito dinheiro com projetos sobre o que fazer com o impacto direto e no entorno do monotrilho. O impacto em certas ruas ainda é grande e indefinido até hoje, o que implica em ruas que serão ou não afetadas, casas e terrenos que serão ou não desapropriados, impactos de grande vulto em vários bairros, etc... Uma amiga micou com sua casa por 20 anos e só agora consegui vendê-la a preço de banana, um exemplo prático da baderna. Na mesma rua Otávio Mangabeira e nas próximas são inúmeras na mesma situação. Os projetos de acertos em Paraisópolis... E assim vai por todo trajeto, o executado e pronto e o que sabe-se lá quando acontecerá, se acontecer. Que se danem os cidadãos.

Um monotrilho e sua estrutura imensa para suspender a composição, causa um impacto ambiental urbano nada desprezível que está levando em algumas partes do mundo a demolição dos mesmos.

O próprio Alckmin reconheceu em entrevista que o monotrilho foi o maior erro de sua administração.

Agora, como de certa forma acompanhei o início de toda esta coisa, tenho a repetir o que venho repetindo sempre aqui: um projeto desta magnitude afeta toda a população, não só os que serão beneficiados ou afetados. Como sempre só um pequenino grupo de cidadãos se interessou, participou e tomou providências. Em outras palavras: como sempre a maioria calou.

Bem vindo ao Brasil, Ancelotti

 Bem vindo ao Brasil, Ancelotti.

Futebol brasileiro está uma vergonha faz muito, e não falo só de seleção. O pão e circo se transformou há muito em pão e câncer. Bet na cabeça! Pode apostar.

Estou triste pelo que aconteceu, mas muito feliz pela esperança que este seja o começo do fim da era Neymar e seus parças, um péssimo exemplo dentro e fora de campo. Concordo plenamente com os comentários que este resultado é reflexo do que o Brasil se transformou, e estou falando de tudo, de todos, os que mandam e os que aceitam em silêncio o que acontece.

Roberto da Matta afirma, com toda razão e alguma base na ciência, que trânsito é um ótimo reflexo da sociedade. Não me lembro quem afirmou o mesmo do futebol. Torcida única? Pancadaria programada? Patrocinadores sem compromisso com nada, alguns sem quesitos legais? Jogadores nas mãos de quem? Tudo está mais que estampado em toda imprensa e mídia, e não é de hoje. Alguma novidade?

Desclassificados. Perfeito. Desclassificados! Não só a seleção, mas tudo e todos. Desclassificado, literalmente, veja o dicionário. Vai Brasil!

Os 26 foram nada mais que brasileiros. A carnificina de nosso trânsito (mais toda violência diária) que o diga. Vai Brasil!

E aí, o que vamos fazer?


domingo, 5 de julho de 2026

Brasil desclassificado...

Triste pelo Brasil, mas extremamente feliz pelo fim da era Neymar. Neymar foi um dos piores exemplos que este país teve. Vencedor, sim, mas dá forma que foi, que ele aproveitou sua dádiva, que se comporta, prefiro ser perdedor. Ditos perdedores que lutam com dignidade têm vitórias muito mais sólidas e perenes, muito mais válidas como exemplo. "Você sabe com está falando?" de semi deuses que adoramos tem que acabar, aliás já deveria ter acabado há muito. É uma questão de brio, dignidade.

Faço meus votos e preces que com esta desclassificação comece a desmoronar o Brasil dos messias, dos salvadores da pátria, dos ditos "única salvação do país", paus ocos da pior espécie, todos.

O próximo jogo decisivo será nas eleições. Brasileiros, tenham um mínimo de dignidade, um mínimo de autorespeito.

Viva Cabo Verde!

Brasil desclassificado? Com certeza absoluta: Brasil desclassificado, e triste dizer, não só no futebol, mas em tudo. Brasil desclassificado!


Explica o que afirmo?

Estradas virtuosas: manifestos, manifestar-se

Mais um manifesto com propostas para tirar o Brasil desta loucura, desta vez um grupo coordenado por Michel Temer. Mais um grupo de pessoas trabalha para propor saídas, mudança, transformações. É assim que se faz. Vamos lá, vamos pensar.


Todo meu apoio a toda e qualquer proposta que ajude a reconstruir o que resta de nossa sociedade. E apoio por que no passado pensei, escrevi e distribuí, junto Sergio Luis Bianco, manifestos que demoraram, mas vingaram ideias práticas e construtivas. Na época procurava atender às necessidades de mais de um terço da população brasileira (IBGE 1981), algo em torno de 40 milhões de Brasileiros, tentar organizar um setor industrial que então era o terceiro maior do mundo, e que se provava ser uma ferramenta importantíssima na reorganização das cidades e sua população. Muitas vezes fomos recebidos com sorrisos irônicos, outras com desprezo, e até com irritação, mas entregamos o manifesto e mesmo com demora conseguimos resultados.

Interessa as ideias positivas, construtivas, interessa o bom trabalho, interessa o trabalho. Há uma imensa diferença entre as ideias, o trabalho, e quem as produz. O que interessa, de fato e em última instância, é o resultado que causará.

Um bom historiador prova com facilidade que muito do que de bom foi construído pela humanidade partiu de pessoas que tinham lá seus defeitos, não eram boazinhas ou foram execradas em suas épocas. Galileu! dentre milhares.

Interessa o resultado final do trabalho ou a Santa Inquisição? Ah! a Santa Inquisição... quantos resultados maravilhosos deram à humanidade... Pelo jeito, muitos ainda estão nesta, e como estão. Viva a cegueira da ideologia, viva os santos de pau oco, viva as fogueiras, mando eu! Minhas críticas são imponentes, transformadoras, essenciais. Queime-se quem de mim discordar. Que ardam no inferno, no inferno que lhes desejo.

(Meus caros, não sei se perceberam, mas o inferno se instalou aqui. E que inferninho caprichado!)

Pelo que se lê aqui nos comentários, o único poder que nós, brasileiros, temos é o da crítica. Deprimente.

Uma das sabedorias é fazer críticas que possam ser construtivas a uma ideia. A crítica pela crítica, pelo "você sabe com quem está falando?" é o criador deste Brasil "nós e eles" absolutamente disfuncional.

Um dos comentários diz que estamos desorientadas com o que acontece na política faz décadas. Sim, estamos. Está claro, fica patente quando se lê os comentários aqui. O trágico é estarmos desorientados há tanto tempo e simplesmente não reagirmos. Empacamos quendo o outro pirou de vez, virou uma coisa inaceitável. E aí? abaixa a cabeça, aceita, não faz nada, sequer vai procurar construir sua própria vida, a vida dos seus, a vida dos que querem um futuro melhor? Você senta e em silêncio vê a loucura enlouquecer e destruir todos e tudo? Uau!


Sobre o que era o manifesto? Sobre o artigo de primeira necessidade para boa parte da população, como declarava o IBGE de 1981, sobre o transporte de uns 40 milhões de trabalhadores, sobre um setor que gerava uma quantidade imensa de trabalhos, sobre a construção de cidades amigáveis, sobre diminuiçãode mortes no trânsito, sobre diminuiçãode custos previdenciários... O manifesto falava sobre 'bicicletas' e tudomque ela envolve, que émuito mais que pedalar em segurança.

Valeu a pena cada linha. Valeu a pena cada crítica. Valeu a pena cada sorrisinho irônico. Não só pela bicicleta, mas pelo país, por todos.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Caco de vidro na água da professora. Novidade?

Antes de qualquer coisa digo: esta história é um absurdo, literalmente, mas não tem qualquer novidade. Como está em vários comentários, só reflete o país que vivemos. Ou quem somos.


Não fui um bom aluno. Sempre fui da turma do fundão. Tive um currículo escolar nada abonador, com inumeras suspensões e algumas expulsões. Na última acabei em um colégio que acolhia indisciplinados, por assim dizer. Colégio de expulsos era uma outra coisa, e as histórias que se ouvia de lá eram completamente absurdas, inaceitáveis (, mas eram aceitas por uma parcela da sociedade). Eu fazia parte de um grupo que aprontou, mas tinha noção clara de que linha não deveria passar. A bem da verdade, todos aprontaram, fazia parte das bênçãos da adolescência. Infelizmente conheci os que se sentiam livres para fazer a merda que bem entendessem, muitos deles com uma espécie de conivência das próprias famílias e da sociedade. Alguns destes mesmos viraram figuras proeminentes em suas áreas, a maioria se dando bem principalmente num mercado de trabalho tão difícil, selvagem, como o nosso, do Brasil. Os bonzinhos sobreviveram pela vida. Isto é fato. O ambiente de vida no Brasil não é para inocentes.

Quase no fim de meus estudos básicos, 1959 - 1973, pedi autorização para ter um dia de aula com os colegas de classe do colégio que tinha sido expulso. Eles eram os bons alunos, eu era o expulso. Saí de lá assustadíssimo como que vi. Muitos dos "bons alunos" tinham um comportamento muito pior que os expulsos que eu tinha convivido, comportamentos durante as aulas que seriam inaceitáveis entre os expulsos. Descobri que a regra é saber fazer para não ser pego. Sim, hoje está claro, a regra no Brasil, em tudo, é saber fazer para não ser pego. A baderna jurídica nos leva a isto. Nós três níveis, federal, estadual e municipal, temos a bagatela de 2.740.000 leis vigentes, muitas sobrepostas. O número de leis dos códigos criminal e civil é outra loucura inexplicável. Não sei como estamos agora, mas até ontem tínhamos algo como 54 impostos (é isto? Nãoestou louco? ), muitos imposto sobre imposto, o que é ou deveria ser ilegal. Ilegal? Aqui? Piada! E para completar, como afirma Marcos Lisboa, algo em torno de 800 normas comerciais novas por semana...

Temos dois problemas graves, um é da educação escolar, outro da educação social e familiar. O Brasil que temos nas escolas é fruto inequívoco do Brasil social. O que não falta neste Brasil é santo do pau oco. A lavanderia é literalmente generalizada, financeira e jurídica. Sem isto é praticamente impossível sobreviver aqui. Que exemplo damos aos nossos filhos e netos? O que vai da boca para fora? É coerente com os pequenos pecados que fazemos com toda naturalidade no dia a dia?

Não é só repensar a educação escolar. É repensar quem somos. Ou fica muito confuso para nossos filhos, netos, sobrinhos...

Senhoras e senhores, o pior crime é o silêncio, a falta de ação para corrigir o errado, o "não posso fazer nada".

domingo, 28 de junho de 2026

Festa junina de rua genuína

A filmagem é mal feita de propósito. Deixei o foco para baixo para não identificar o local. Vi pela vidr inúmeros eventos e festas organizados por comunidades locais acabarem depois que viraram "populares". Há uma monumental diferença entre o que deveria ser cultura popular e o que se faz com está.mesma cultura popular para ganhar escala. 

Infelizmente tive que ir até em casa para pegar o celular para filmar. Quando voltei a festa estava menor, principalmente porque tinha acabado o horário dos menores. Na minha primeira passagem a festa tomava toda rua, com o palco numa ponta e as crianças pequenas noutra. Estava maravilhoso, é um pouco menor seguiu assim. 

Era assim na Festa da Achiropita, San Genaro, São Vito e tantas outras. Era possível andar, parar, conversar, saborear, não ficar surdo... Festas juninas pequenas, com respeito às tradições, som em volume normal...

Infelizmente temos a horrorosa capacidade de estragar a maioria das coisas boas que temos ou tinhamos. E mais triste ainda é que não há qualquer exagero meu nesta afirmação. 

Fato é que fazia muito tempo que não via uma festa junina tão linda e agradável como esta tão mal filmada - de propósito.