domingo, 25 de outubro de 2026

A esquerda venceu ou a direita perdeu?

Que tal a direita voltar a ser a direita e não isto que está aí? Eu me lembro de gente comprometida com o país, mesmo quando fazia críticas pesadas às esquerdas, algumas pertinentes, outras nem tanto. Sabiam ser pragmáticos. Foram inteligentes. Contribuíram muito para o bem deste país.

Isto que temos hoje não é direita, é outra coisa, creio que não preciso dizer. Não foi a direita que perdeu a eleição, estejam certos.

O triste é que o outro lado também não é esquerda. É um populismo... coronelista? 

Está mais que claro que o país que se foda nos desejos do "nós ou eles". Aliás, dois extremos tão semelhantes em tantos aspectos... Em tantas ocasiões quase irmãos.

Asquerosas foram todas as campanhas e mais asquerosos ainda os acontecimentos neste dia de eleição. Todos, tudo.

Estes últimos dias foram os piores da minha vida de cidadão brasileiro.

A saber, segundo comentaristas especializados em política, foi a primeira vez na história deste país que todas as lideranças das mais diversas especialidades ficaram no vazio em suas manifestações pró Brasil. Os cinco manifestos criados que tive notícia, lançados com propostas sérias e consistentes para a construção de Brasil futuro, foram desprezadas por todos candidatos. Incluindo os ditos de direita, fato absolutamente inédito. E deprimente.

E daí, o que se faz?

Ainda tenho esperança de ver um Brasil com todas as inteligências representadas com dignidade, o que está eleição definitivamente provou que não temos. 

Se Lula que realmente passar para a posteridade, que tenha neste seu último mandato a dignidade de trazer este país para um mínimo de normalidade social e institucional. Esperança é a última que morre. 

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

A dolorosa tomada de decisão.

Numa das decisões mais importantes de minha vida, na hora 'h' do entra ou sai tive um forte pressentimento "daí desta, que vai dar ruim". Disse sim e fui. Não deu ruim, deu uma merda federal, a pior possível, ventilador ligado a mil espalhando para tudo quanto é lado. Nunca consegui apagar, nem mesmo suavizar a estúpida decisão da cabeça, por mais que eu e ninguém soubesse ou tivesse qualquer notícia do detonador daquele horror. Ainda há quem aponte para a falta de maturidade, vivência, outros tempos... É meu inferno, inferno real, que dói muito e continua me corroendo a cada dia, a cada minuto. Não tem volta.

Nesta época tive um cachorro, um fox terrier de pelo duro, Aramis de Majorca, ou Aramis, que por alguma razão levantava a perna e mijava nas calças de todos fanáticos religiosos que passassem por perto, e só na deles. Era um cachorro muito educado, disciplinado, atendia a meus comandos, uma delícia. Ouvi de várias mães "Quisera meus filhos fossem assim", mas o pipi na bainha das calças de todos que carregavam a bíblia debaixo do braço foi seu desvio de conduta incontrolável. Ou, que sabe, reflexo do dono. Quando penso nos tão religiosos que vejo por aí me vem imediatamente a passagem dos vendilhões do templo, mais específicamente a maravilhosa pintura de El Greco.

Minha provável expulsão do colégio foi causada, dentre outras sutilezas, pela minha recusa em assistir as missas em latim. Que diabo era aquilo que eu, criança, não entendia nada. "Nossa! Que lindo!", assim, sem mais nem menos, "É assim porque é assim", nunca foi meu prato predileto. Quando decidi descobrir sobre o que se tratava aquela coisa que era imposta pelos padres, comecei a ler, ir ver, xeretar, buscar informações e acabei tirando proveito, não da religião, mas de boas regras para vida, que para mim é o que se trata. E a partir deste conhecimento comecei a rir da falta de educação do Aramis. 

Também mais ou menos na mesma época fui atrás do pessoal que falavam sobre proteção aos animais. Passei um tempo entre os 'ecologistas'. Ouvi muita coisa que não entendia, que não fazia muito sentido (mas hoje faz), conheci alguns... digamos radicais, fanáticos, entre eles uma menina em particular que era muito interessante, mas um pouquinho além do que dava para encarar. E foi ela que me levou a uma reunião onde passaram um filme sobre como tratavam o gado nos frigoríficos. O filme nunca saiu da minha cabeça, e de certa forma definiu minhas posições futuras. Li, busquei conhecimento, colhi muitas e importantes assinaturas para a proibição de pesca das baleias, o que até hoje me traz muito orgulho, e acabei na bicicleta, um tema paralelo à ecologia, mas absolutamente pertinente aos anseios do ambientalismo e da preservação.

Com o tempo e a maturidade fui ficando de saco cheio dos radicais, fanáticos, extremistas, e hoje até mesmo dos que extrapolam limites sendo adultos, vivenciados e lidos. Todos. São uma minoria dentro da sociedade, muitos são bem interessantes, pessoas de quem se pode aprender algo ou muito, mas são chatos, bem chatos, muitos deles realmente desagradáveis. E são exatamente eles, os extremistas, que estão ditando as regras deste momento crucial para o país. 

Domingo a minha decisão, qualquer que seja, vai ser feita com dor no coração e com vontade de esganar. A vida vai dando instrumentos para que sejamos racionais. É o que espero de mim ao teclar a urna. Por experiência de vida sei, mais que nunca, que terei que lutar contra a tragédia que começará já no final do dia. Triste. 

O pior vai ser, certamente, ter que lidar com os vencedores. Como um dos milhões de perdedores deste país, digo que vai ser um saco insuportável aguentar o que vem pale frente, qualquer que seja o resultado.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

O primeiro debate da mais vergonhosa campanha...

Acredito que os dois grupos, Estadão e Band, sejam grupos jornalísticos, portanto é de supor que já perderam a virgindade, ou, como diz o jargão jornalístico, não são focas. Óbvio ululante que o "primeiro debate entre os candidatos...." iria dar nisto. Até as ostras com paralisia mental tinham boas razões para desconfiar.

Supõe se ou espera se que jornalistas tenham um mínimo de atitude e inteligência para intervir quando o desejado, a informação, começa a ser vergonhosamente contornada. Eu sei que toda uma nova geração nunca teve a experiência de um Maluf pela frente, mas ainda atuam macacos velhos do jornalismo, portanto não deveriam ter sido pegos de calça curta e abaixada.

E não me sai da cabeça o fato que o governo federal é um importante anunciante para a imprensa e jornalismo. Provavelmente não pegaria bem uma intervenção no meio da asquerosa pirraça dos dois mimadinhos. Infelizmente um dos dois será... será... será..., o que é mesmo que um dos dois será? Cruzes, presidente da república? É isso? Termino rapidinho aqui, tenho que sair correndo.


domingo, 18 de outubro de 2026

Futebol, clubes, desmandos e nós

Como não confundir uma entidade com seus mandantes? O resultado final do comando deve ser relegado em nome do espírito da bandeira? Uma espécie de separação das responsabilidades? Continue se fiel mesmo que se tenha consciência que há graves desvios nos caminhos escolhidos? Continue se fiel mesmo que o resultado seja explicitamente ruim, prejudicial além da própria paixão? Problemas que extrapolam a paixão individual e afetam até mesmo quem não tem nada a ver com isto? O que é público que seja pelo bem de minha paixão. A dívida, ora, a dívida...

O outro é o responsável. Sempre! Os meus... Nunca!

Futebol foi para esquerda o ópio do povo. Eles não estavam de todo errados. Aliás, não se pode descartar a influência do fanatismo na construção de um monstro incontrolável destruidor de um país, o dito " nós ou eles". Um país esfacelado em fanatismos. O que se vê nos estádios que o diga.

Futebol, exemplo das massas, esporte dos parças, do exemplo de uma riqueza pobre, de pobres ricos pobres, fútil, inútil, o sonho de muitos país, ter seu filho com salário milionário jogando futebol, festas, carros, apartamentos, sorrisos, agrados... Com que suor, com que responsabilidade?

Sobre qual camiseta devemos nossa fidelidade? Que tal a última que foi colocada a venda? O mesmo espírito em bandeiras da moda? Venda se! É chique. E não compre as falsificadas, as dos camelôs. Aliás, são falsificadas mesmo? Ou... Desconheço uma investigação jornalistica sobre o causo.

O técnico é sempre o responsável, o diretor é o responsável, se possível não o ídolo, nunca o clube. O clube é o clube, o resto é o resto, não confundir. 

Ah! o exemplo! O salvador da pátria, da nação, fomentado e protegido pelos comunicadores. "Fale mal, mas fale de mim". Separe uma coisa doutra. Separe! Os que 'conhecem' pedem.

E agora as bets. Apostem! Sustentem seu clube, seus jogadores, seus exemplos, ... sustentem o sistema, os que trabalham pelo esporte, os que fazem 'ricas' as conversas de boteco. O clube, o glorioso espírito do clube deve ser investido de qualquer forma. Apostem nele!

De fato, "Opinião | Clubes não devem ser confundidos com quem (des)manda." Então o que? Viva o jabá!

E sigamos assim.

Aliás, nesta deplorável eleição, em que time você vai votar? Sim, time. Há alguma incorreção aqui?

Futebol é um esporte, maravilhoso, mas o uso que se vem fazendo dele tem, sim, responsabilidade, e muita, sobre o que estamos vivendo. E neste sentido é inegável a responsabilidade dos que vivem de comentar e divulgar, leia-se receber salários, do que deveria ser um esporte, mas a tanto tempo se desintegra e nos tem envergonhado. Brasil, este Brasil do 7x1. Bravo!

Salve os gloriosos do passado, todos, incluindo os ditos pernetas. Todos!. Obrigado pelas suas dignidades, seus maravilhosos exemplos, o legado deixado ao povo deste país. O Brasil era outro e vocês ajudaram muito na sua construção. Muito obrigado. 

Obrigado Gerson, Canhotinha de Ouro, por meter a boca no trombone. 

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Parque Joia e parque linear Córrego Esmeralda









Choveu 3 meses em uma hora e deu enchente

Choveu três meses em uma hora e encheu o túnel do Anhangabau. Vários carros e ônibus ficaram submersos. Parou tudo. Prejuízo para todos.

A solução que se apresenta? Uma série de ações, alguns piscinões nos corregos da Nove de Julho e da 23 de Maio e outras obras. Piscinões, a obra predileta entre politicos e população para controlar as enxurradas enfurecidas. Única solução? É grande, é visível, dá voto, o povo gosta, o povo acredita, o povo apoia.

Quais são as prioridades máximas da cidade? Alguém sabe? Não falo sobre as que cada um de nós tem na cabeça, mas prioridades, urgências urgentíssimas vitais para o futuro de todos? Prioridades, primeiro passo, segundo passo, terceiro....

De uma maneira muito fria: quanto custa postergar prioridades prioritárias que beneficiarão milhões de cidadãos comparado com evitar que algumas dezenas ou mesmo centenas de carros naufraguem algumas poucas vezes por ano? Sim 'prioridades prioritárias', um erro de linguagem ou uma hipérbole para denunciar a nossa despreocupação, desinteresse, com o que realmente é prioridade?

Como evitar naufrágios generalizados e previsíveis pela cidade que por mais que se faça continuam acontecer? Será a repetição do mesmo a solução? E daí, o que mais?

Deveriam ser divulgados a público estes projetos de contenção de enchentes, pelo menos o funcional, que é o primeiro estágio de qualquer projeto público. É nosso dinheiro que paga e temos o direito de palpitar. Aliás, deveriam ser colocados a público todos projetos e ideias de como resolver a situação, esta e todas outras, sem exceção.

Ter que lidar com um clima tão imprevisível é um grave problema para qualquer administração. Uma chuva de três meses em uma hora é um absurdo que dificilmente será resolvido definitivamente, esta é a verdade. Nada é projetado sob a ótica do excepcional. Tudo é projetado dentro de uma tolerância, de um nível de excepcionalidade, mas não absurdos.

Seria interessante os jornais e meios de comunicação publicar matérias sobre como se constrói os custos / benefícios de uma cidade, de seus projetos e obras. Quais são os desvios e tolerâncias estabelecidas por lei?

A pergunta que deve ser respondida é 'vale a pena deslocar uma montanha de dinheiro para uma obra que terá uso uma ou duas vezes por ano, ou mesmo em anos? Não haverá outras soluções?'

Nenhuma cidade do planeta está preparada para uma mudança climática radical. As cidades brasileiras contam com um problema extra: o que está debaixo da rua é invisível e não dá votos. Em outras palavras, a cidade explodiu, cresceu uma barbaridade, e as obras de suporte para este crescimento são raramente vistas.

Como pensar prioridades? Temos que pensar com pragmatismo o que queremos como prioridades. Se fizermos, com conhecimento de causa e efeito, provavelmente algumas obras mágicas (eleitoreiros) vão desaparecer do mapa.

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Envelhecer, saúde, SUS e... o seu bolso

Num artigo científico saiu que envelhecemos aos trancos. Está provado que o envelhecimento é uma escadinha que vamos descendo com o passar dos anos não condiz com a realidade. Até se pode usar a escadinha como metáfora, mas não uma continua, degrau pós degrau. No meio da descida tem uns platôs, tempos onde há uma estabilização clínica até a próxima escadinha, ou penhasco. Desculpem, não aguentei com o penhasco, mas, vocês sabem, é verdade.

Mesmo antes deste artigo publicado sobre como envelhecemos, eu tinha vivenciado uma mudança muito rápida da condição física de um querido amigo. Uma bela pessoa, figura atraente, cuidadoso consigo, não sei porque em poucos meses passou de um adulto chamativo para a aparência de um velhinho ainda plenamente ativo. Me assustou e muito. 

Não foi o único. Estou numa fase da vida onde qualquer tombo é perigoso e deve ser evitado, mas os tombos que a vida traz consigo se transformam em normais, regra inquebrantável. 

Voltando de viagem sentei junto com uma menina de 49 anos, rápida, inteligente, antenada. A conversa foi para minhas pedaladas e as caminhadas dela. Quando perguntei se ela já tinha lido ou estudado técnicas de caminhada, ela se assustou. Nunca tinha pensado nisto. Disse a ela que não me assustava sua reação porque o que se dá nas escolas como 'educação física' não é educação física, mas recreio esportivo. 

Brasileiro, no geral, não sabe se cuidar, não sabe o que é seu corpo, o corpo, um corpo, saúde. Incluo aqui a imensa maioria dos frequentadores de academias e esportistas amadores (mais uns tantos profissionais). Melhorar a condição física e a saúde vai muito além do olhar para o corpo. A prova disto é que aqui, Brasil, o negócio é ficar bem, de preferência bonito. "As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental" - Vinícius de Moraes. Colou!

Saúde, incluí condição física, corpo, mas muito mais que isto. O primeiro passo é tomar consciência, o que concordo, eta coisa 'cumplicada'.

Neste contexto vem o seu bolso. Sim, minha cara, sim meu caro, o seu bolso. Ou você acha que quem vai pagar a conta do envelhecimento de toda uma população com problemas de saúde? E, ouça bem, o custo da brincadeira não vai ser só no seu bolso, esteja certo, espere para ver, ou levante as orelhas para saber as maravilhas que virão com o envelhecimento dos outros, todos outros, sem exceção.

Evitar certos temas é de uma burrice sem tamanho. A conta virá, líquido e certo. O seguro morreu de velho.


– Como é que você vive sem medo com a morte por perto?

O velho riu, sarcástico:

– Todos nós temos a morte em nós, seu merdinha. Desculpe chamá-lo assim, mas, se você acha que existe alguma garantia para viver, você virou um idiota de um ministro do Supremo que é capaz de promulgar uma lei isentando-o da morte e da responsabilidade de ser imparcial. Pois a morte, meu caro, tem uma imparcialidade absoluta. Como diz a rima: ninguém escapa, nem o rei, nem a rainha e nem o papa. Ela é comunista.

Roberto DaMatta


Um ponto fundamental levantado pelo : o modelo atual remunera os procedimentos realizados e não o resultado final. Mudar isso exigiria renegociar contratos com prestadores, revisar instrumentos regulatórios e de incentivos e criar sistemas de monitoramento inexistentes no SUS atual. É difícil? Sim. Mas com vontade política dá para fazer. Seria um ganha-ganha: redução de custo do sistema e melhora de qualidade de vida da população.

Frankito, o curioso 


Caneta mágica? É mesmo. Vai esperando. Toda magia tem uma enganação por trás.

Aleluia!

Enfim, "Nós que aqui estamos por vós esperamos".