A escola, a bicicleta e a vida
Arturo Alcorta, Escola de Bicicleta, sobre a vida, rodando um pouco por tudo
segunda-feira, 15 de junho de 2026
Acreditar na ciência
sexta-feira, 12 de junho de 2026
100 dias entre céu e mar, o filme. Entrevista de Amyr Klink
Amyr deveria ser uma das referências para os brasileiros. Deveria, mas infelizmente não é. É pouco conhecido, pior, pouco compreendido até por quem tem tudo na vida para raciocinar. Referências humanas como Amyr por aqui são peixes fora d'água. Triste.
O Brasil virou um oceano de espertalhões que fazem a população remar rumo ao canto das sereias, muitas delas plastificadas, com botox, preenchimento e sei,lámais o que. Deprimente. É um país de naufrágio certo.
Se a tempestade está brava, se o barco chacoalha para valer, se começa a fazer água, é bom manter a calma, ouvir, se entender e trabalhar em conjunto para a coisa não piorar. Ou o trabalho é coletivo, ou a coisa vai piorar. Enfiar o dedo em riste no nariz do outro responsabilizando a tempestade a ele para depois se trancar na cabine blasfemando não costuma dar certo, diz a experiência secular. Amyr diz este tipo de coisas, e sabe o que fala. Do contrário não falaria porque estaria morto.
Como diz Amyr: eu estudei os erros para encontrar saídas viáveis. É assim Amyr cruzou o Oceano Atlântico. É assim navegou onde praticamente ninguém conseguiu. Não será um exemplo?
Esta entrevista dada pelo Amyr ao Estadão sobre o filme vale a pena ser vista. Não sei como não assinantes conseguirão abrir, mas quem puder, veja.
quarta-feira, 10 de junho de 2026
Construa sua vida. Não se autodestruindo
Eu bem sei quando e quanto errei pela vida, e sei que não tem volta atrás para corrigir o que foi feito. Meu potencial como pessoa e de trabalho foi bem acima do que alcansei e uma das principais razões sei bem: comunicação. Vivo escrevendo que se tenha cuidado com a comunicação porque sei de causa própria a diferença que faz não deslisar nas palavras. Sinceramente espero que eu consiga deixar um pouco da minha experiência para que não repitam a mesma besteira que fiz aos montes.
"Ou você ri da vida ou a vida vai rir de você". Não tenho a mais remota dúvida que levar qualquer situação pelo lado divertido traz melhores resultados, mas também carrega riscos, aliás, como tudo.
Desbocado tem momento e lugar certo para valer a pena. Senso de humor só funciona com desbocamento inteligente, apropriado, não necessariamente chulo. Eu invejo os bons comediantes por sua inteligência e capacidade de dozar o que o pensamente despeja na lingua. Agora, o desbocado que é desbocado pelo simples fato de achar que ser desbocado funciona, este é um idiota, e digo, cara, muitas vezes fui idiota. O mesmo para aquele que acha que fazer piada é estabelecer um poder, ser mais inteligente que o outro. Demorei muito para controlar a boca, pelo menos os ataques e críticas que num passado distante acreditei que valiam algo. Como se diz na Argentina, "não vale um peido".
Vale aqui uma história. Num determinado momento de minha vida senti que tinha alguma coisa enroscando meu trabalho. Não fazia ideia do que estava acontecendo, até o dia que uma pessoa que eu havia contratado fez o seguinte comentário, "Foi ótimo ter trabalhado com você. Não foi nada do que dizem..." Upa! E acabei descobrindo quem estava fazendo comentários, que até hoje não sei se foram brincadeiras ou maledicência. Fato é que prejudicou.
Já magoei e já fui magoado. De minha parte, sinto vergonha por ter magoado. O que me fizeram procurei aproveitar e aprender. Revidar é burrice. Ouça!
O mundo dá voltas, tenha certeza disto. Cuidado com o que faz e diz, uma hora volta. Aliás, é interessante o que o Budismo diz sobre a necessidade de 'fala correta'.
A história contada neste vídeo a seguir é lugar comum em nossas vidas. Eu ouvi a história e tive um nó na garganta lembrando do meu passado, de quanto perdi por inconveniente, não só com comentários jocosos inapropriados, mas pelas maledicentes, ou ainda, pior, falar fora de hora. "Cala a boca!", que conselho sábio, afinal, em boca fechada não entra mosca.
O sábio que mora no cume da sabedoria tem a resposta: "O silêncio vale ouro". Aprenda. Faça!
Committing Career Suicide With Two Words
terça-feira, 9 de junho de 2026
Manifesto contra a PEC 5x2
sábado, 6 de junho de 2026
A água do estado de São Paulo está secando
Desculpem, senhoras e senhores, mas a responsabilidade não é só do governo, seja municipal, estadual ou federal. A responsabilidade deste e de outros descalabros é de todos. Silenciamos perante absurdos. Alguém aí já viu o rio Tietê ou quase seco ou inteirinho branco de espuma? Alguém aí já viu um vizinho lavando a calçada com esguicho e ensaboando o quintal com muita espuma para ficar limpinho? O que isto terá a ver com a condição do Tiete lá na frente, de Santana do Parnaíba para o oeste? Alguém aí já viu as invasões nos córregos que dão na Billings e Guarapiranga? Alguém se lembra do Projeto Córrego Limpo Sabesp/PMSP? Alguém aí deu bronca quando a água da pia ficou aberta sem parar no lavar dos pratos? Alguém tomou alguma providência para evitar o que temos hoje?
Parabéns pelo projeto de recuperação das águas, mesmo que tarde. Nós, todos, sem excessão, nunca, jamais em sã consciência poderíamos ter abandonado tudo, principalmente a água vital.
O exemplo que dou a seguir é sobre como o poder público é lento, o que já sabemos, mas vale a pena repetir. Acompanhei o projeto de criação da ciclovia do Rio Pinheiros desde sei início. A ideia do projeto remete a 1980, com Sérgio Luis Bianco. Dos anos 80 até José Serra ter ordenado a implantação da ciclovia, passando por cima de muitos, foram 40 anos de reuniões e desacordos e sabotagens de cinco órgãos governamentais que tinham, e talvez ainda tenham, pleno poder sobre o rio, suas águas e margens. Foi dentro do processo que entendi o emaranhado descabido e inútil para o interesse público, mas próprio de vaidades. Pouco depois da inauguração da ciclovia encontrei Fabio Bueno, que por alguma razão estava metido no meio do processo,. Falei sobre o sucesso, o número de ciclistas, e ele disse que o que estava impressionando as autoridades era o aumento assustador das reclamações sobre a condição da água e das margens do rio. Ou seja, 1: chega de morosidade para agir, 2: quem vê se interessa, quem se interessa se mexe, 3: não é o parece, é o que é. Sem informação correta fica difícil.
Pelo que me lembro, responsáveis pelo rio Pinheiros: CETESB, Emae, Enel, PMSP, Governo do Estado de São Paulo, SVMA, Secretaria de Obras, CPTM, STSP, etc... Sem assinatura de todos, não vai. Posso ter errado os nomes e siglas, mas dá uma noção da baderna. Outro exemplo, as pontes velhas e desativadas no Morumbi e Jaguaré tem projeto para servir para cruzar ciclistas entre margens. O projeto tem décadas....
sexta-feira, 5 de junho de 2026
Revolução industrial? Sabe quanto o Brasil está atrasado?
Já escrevi sobre a decadência da indústria brasileira de bicicletas, que chegou a ser a segunda ou terceira maior do mundo nos anos 80 e praticamente desapareceu. A razão é simples de entender: obsolescência industrial e mental de seus proprietários. A mental foi a mais crítica. O "sabe com quem está falando", tão brasileiro e típico de quem tem o mercado na mão e faz o que bem entende com ele. Aí entra o industrial, com máquinas obsoletas produzindo componentes com tolerâncias inaceitáveis em material de segunda linha, em outras palavras, baixíssima qualidade. Soberba para dar e vender e comemorar. Óbvio que subestimaram os usuários da bicicleta, que no exato momento que descobriram o que era uma bicicleta de verdade... tchau, prazer em conhecê-los.
Hoje num almoço entre ciclistas, se falou sobre porque o Brasil não tem uma indústria de automóveis totalmente nacional? Sacanagem das grandes? Falta de apoio do governo? Não, respondi eu, incompetência. A Embraer não está aí para todo o planeta ver? Então não dá para buscar justificativas em cima de teorias da conspiração.
Voltando às bicicletas, fora os erros grotescos que aconteceram que não estavam restritos ao setor industrial, não tínhamos escala de produção, não tínhamos nome lá fora, o Brasil está longe de todos mercados..., e a questão fiscal, baderna de 54 impostos, burocracia. Enfim, problemas existem para serem contornando - se houver interesse.
Bom, enfim, agora, tempo de campanha eleitoral, é que se discute o que fazer com o atraso da indústria nacional. Só agora? É muito perigoso o Brasil não ter um setor industrial que funcione com um mínimo de qualidade e produtividade rentável. Já era claro que para voltar a ser minimamente competitivo tem que acertar muita coisa para chegar na indústria que se tem lá fora, automatizada, eficiente, precisa, produtiva, competitiva.
Mas e se o nosso buraco for infinitamente mais embaixo? E se a diferença para a indústria de ponta agora for muitíssimo maior do que o mais eloquente dos delírios de um leigo interessado, aliás até de gente da área possa pensar? Quanto? Um automóvel fabricado, pronto para venda a cada 72 segundos, sim 72 segundos, da injeção da matéria em prensas até o carro completamente finalizado, pronto para venda. Se o vídeo que está ai é fato, e parece que é, não é a indústria brasileira que dançou, é o planeta que vai dançar rapidinho. Tudo indica que não é fake, portanto nós estamos na idade da pedra.
Pequeno estúpido detalhe, a versão esportiva deste treco fabricado em segundos é o carro com volta mais rápida em Nuburbring, o que em outras palavras significa uma inacreditável "estupidez" de tecnologia.
Prestem atenção nos fatores macro econômicos. É assustador.
Esta maluquice apavorante, um carro novo a cada 72 segundos, me faz lembrar a história da GM de São José dos Campos. E outras histórias mais de lutas sindicais..












