Fato: somos erráticos. Fato, a história da WWII começa a ser aberta de uns anos para cá. Antes era propaganda ou o que seja. Quem viu os últimos documentários sobre o que aconteceu, mesmo ainda com censura, começa a entender que a história foi outra, e que no meio daquela barbárie decisões foram tomadas sob condições que agora, mais de 80 anos depois, simplesmente não são compreensíveis ou são distorcidas. Mesmo para historiadores é difícil contextualizar e precisar os fatos, imagine para nós, simples mortais que vivemos esta época absurdamente diferente. Outro dia estive com uma brilhante jovem mulher esclarecida e muito vivenciada, Marina, que disse, corretamente, que nós que estamos nos Jardins, na Zona Oeste de São Paulo, fazemos comentários sobre quem vive a uns 20 km de distância sem nunca ter ido lá, sem saber onde fica, só tendo um breve e muito limitado contato com os de lá. Se sequer se faz ideia destas realidades, como julgar decisões tomadas no meio de um massacre generalizado na Europa e Asia dos anos 30 e 40? Telefone a manivela! Máquina de fotos caixote. Telégrafo. Rádio amador. Mata borrão... Cara a cara. Tempo para pensar. A instrução base de tomada de decisões tinha outra carga de veracidade e, mais importante, tinham tempo para serem pensadas, discutidas e definidas. E assumidas. Nada de imediatismos e muito menos distorções na escala que estamos vivendo agora. Fato, parou definitivamente a WWll. Fato, a barbárie generalizada da WWll foi responsabilidade direta de fanatismos de várias espécies, tão parecidos com as dos sabichões que temos agora. Este estúpido fator humano é a única coisa que nos une aquele passado. De resto...
A única coisa que quero é que passemos a conversar feito gente civilizada. O passado serve de referência, ou pelo menos deveria servir.
Massacres, barbáries, monstruosidades foram e seguem sendo fatos corriqueiros da humanidade. O que choca é um ineditismo. Não, não estou reduzindo as duas bombas atômicas ao ineditismo, mas colocando mais um fator de peso no entendimento que temos hoje. Junte-se ao emocional individual e vivido no coletivo.
As imagens do momento são fortes, os depoimentos mais ainda, as imagens do pós então... E foram usadas com determinados fins.
Soube se dos bombardeios na Alemanha muito depois, não faz muito. Foram piores, mais violentos que as duas bombas juntas, mas era história que não interessava, talvez sequer aos perdedores.
A história é a história do vencedor. A versão é feita pelos interesses do indivíduo que as diz. A compreensão está nos olhos e ouvidos que cada consegue assimilar











