terça-feira, 15 de setembro de 2026

Privacidade está ruça

Privacidade? Quando, onde? Se tiver a indicação de um livro sobre a história da privacidade, que escrevendo aqui acho que lembrei que tem, quero ler. É claro que atualmente mesmo antes do IA já se estava acelerando muito a invasão de privacidade de todos. Em se falando da Rússia, deve ser mais ainda. Lá não é novidade, que o diga a dita 'maravilhosa' (para alguns) União Soviética. Ou o macartismo. Ou..., enfim, escolha o sua invasão de privacidade predileta.

A qualidade da privacidade está intimamente relacionada a integridade e inteligência de quem temos por perto ou no comando. A escolha é de cada um.

Um esquizofrênico ou um louco no poder e a qualidade da privacidade de todos acabará sendo um pouco estranha, por assim dizer ou dizer o mínimo.

Privacidade, privacidade, a deliciosa privacidade, esta infelizmente está esvanecendo, ou acabando paft puft. Quando votar escolha a sua e depois não reclame.

('Alexa...' . ...no meu banheiro não.)

Vale uma historinha: em 1973 eu e um amigo tomamos um 'discreto' puxão de orelha. Foi assustador descobrir que eles sabiam minúcias da besteira que tinhamos feito, incluindo todos locais e nomes. E não foi política.

Se quiserem ir atrás da informação e tiverem um mínimo de bestunto, vão chegar aos fatos. Não é novidade, nunca foi.

Agora, o que a Rússia vive é uma nova versão da Santa Inquisição, muito mais sofisticada. E não só na Rússia, tenham certeza. Pior, vota se nos santos inquisidores, de todos tipos, acreditando que eles são o caminho.

Fato: a estupidez está em moda. E a privacidade está ruça.

sábado, 12 de setembro de 2026

A Rede Globo, a transmissão de jogos, e nós

Sim, infelizmente esta compra dos direitos sobre transmissão de futebol terá uma influência enorme no futuro do país que queremos. Ou alguém acha aí que o que vem acontecendo no futebol é completamente desconectado com a baderna generalizada que vivemos? Futebol, o esporte das massas, a conversa sagrada do botequim. Não estou falando que a Globo é culpada de todos os males, o que é repetido aos quatro ventos pelos torcedores mais fanáticos, políticos no caso. "A Globo é a culpada, ponto final", afirmam categoricamente, outro encontrar um eterno e inevitável culpado útil para os próprios erros. Não resta dúvida, o outro é culpado, sempre! Falo sobre futebol, aquele de glórias passadas e fracassos embaraçosos presentes que terminam nunca. Pode apostar!

Falando de futebol, aquele esporte das massas, do pão e circo do passado, virou sócio majoritário do espetáculo deprimente que está aí, nos campos, nas ruas e no Planalto. Qual a diferença entre a arbitragem desastrosa que temos no nosso futebol com o STF? Qual a diferença nos resultados? No que eles, juízes, todos, de todas áreas, influenciam o comportamento da população?

Particularmente não gosto das transmissões esportivas da Globo, superficiais, bobas, algumas irritantes, mas quem mantém aquilo em pé somos nós, o povo, a audiência, os votantes. Sem nós, acabou. Ou eles mudam o caminho. Caso tivéssemos tirado nosso apoio a todos os que fazem o futebol ou Brasília que temos agora o que você acha que aconteceria?

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Horário eleitoral obrigatório

Decidi tomar coragem e deixar a TV ligada no horário eleitoral obrigatório. Como definir esta mesmíssima coisa que temos todas eleições faz décadas. Um show de mediocridade. Não estou falando dos candidatos que, como humanos, tem de tudo e acaba se não sabendo quem é o que. Estou falando do formato, da inexistência de comunicação, de uma desinformação total que este horário eleitoral obrigatório nos remete. "Vote em mim..." é a maior imbecilidade possível. Alguém ainda tem alguma dúvida que este formato de campanha política tem responsabilidade inequívoca e direta na baderna, neste caos que o país está atolado? "Sou... Fiz.... Vou.... Vote em mim..." é literalmente inaceitável. Chega! Queremos saber de fato e por direito em quem se pode votar. O horário eleitoral obrigatório só manda um recado: E aí, trouxa, escolhe um e cala a boca!" E nós aceitamos, quietos 

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Educação no Brasil


A maioria dos brasileiros não conhece a história da educação no Brasil, que num passado distante foi de ótima qualidade. Desandou pesado. De fato, estes políticos e seus partidos já provaram que o interesse real pela educação se resume no poder eleitoral da palavra eleição, ponto final. Até onde sei, as escolas que estão apresentando resultados bons são fruto do trabalho de pessoas, não de uma política mais ampla e abrangente. Meu máximo respeito a elas. Não se pode deixar de apontar que a participação de país e responsáveis na qualidade da educação é crucial, e aí, como em tudo, há um silêncio, uma omissão macabra. Aliás, nem sempre. Histórias de país enfurecidos culpando a escola e os professores é o que não falta. 
Recomendo a leitura do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, de 1932. 

Para terminar, como nós, brasileiros, aceitamos as escolas que temos? Como aceitar um forno de alunos, banheiros precários, falta de material didático e esportivo, merenda.... Não há verba? Não há verba? Como assim?

O resultado do Pisa divulgado ontem que o diga.




Aliás, recomendo também a leitura da história, real, do Oldsmobile que não funcionava quando seu dono comprava sorvete de chocolate. 
Você impõe qualidade quando tem a devida atenção às pequenas falhas e erros. Não há outro caminho 

 

A guerra das distintas senhoras, e os master acontecimentos

Vim morar nesta casinha em 1987. Naquele tempo a rua era muito tranquila, não ligava nada a nada, crianças brincavam e as velhas fofocavam, todos no meio da rua sem qualquer preocupação. Claro que tinham dois partidos de fofocas, não importava sobre o que, fofoca é fofoca, e as que tendo alguma fofoca estavam lá, juntavam se rapidamente os dois lados mais uma espécie de centrão, as ouvintes que só queriam aproveitar. 

As duas alas eram capitaneadas por duas senhoras que eram vizinhas de muro, uma mais ativa e outra mais na dela. As duas não se bicavam. Uma reclamava dos cachorros da outra, viviam as turras.

E um dia, não se sabe como, por que ou quem, voou merda por cima do muro, o que não demorou muito para ser retaliado na mesma moeda, leia-se merda. E pegou fogo, ou, melhor, deu merda - literalmente. As duas deixaram de aparecer para suas fofocas, mas é lógico que a merda espalhou em fofocas que eram notícias de última hora. "Urgente! Última notícia! Urgente! Voou merda!"

E os policiais foram chamados, não se sabe por quem. Pararam a viatura na frente das casas, chamaram as duas, ouviram até perder a paciência, e mantendo uma calma que quem estava em volta ficou espantado, disseram que elas tinham que parar e que se não parassem iriam as duas para a delegacia. 

Dia seguinte a.mesma merda para tudo quanto era lado. Da rua era possível sentir o cheiro de merda no ar, não era preciso vê-las voando para saber o clima de merda que ali reinava. E mais uma vez foi chamada a polícia, que mais uma vez apareceu, deu uma bronca nas velhas, que aparentemente colocaram o rabo entre as pernas. Que nada! Não tardou e merda voando para tudo quanto era canto.

A terceira chegada da polícia foi apoteótica. Dobraram a esquina sirene ligada, frearam cantando pneu, abriram as portas da viatura antes mesmo de parar, perfilaram se e gritaram para que as velhas aparecessem. Para surpresa do público presente só apareceu a velhinha que era mais mansa na fofoca. Ouviu de cabeça baixa e jurou que se comportaria, que pararia com a guerra. E de fato, para o espanto geral da rua, parou.

Dia seguinte de novo o espalhafato do carro de polícia e seus policiais, os mesmos, pressionados pelo delegado e.muito mais pela vontade de matar as 'véias'. Param na frente da casa da velhinha de língua afiada, tocam a campainha uma vez, duas, três, e tendo sido avisados pelas outras velhinhas da rua que ela estava em casa, urraram que se ela não saisse iriam invadir a casa. E lá vem a velha. "O delegado mandou avisar que ou a senhora para de ligar para encher nosso saco ou vai presa, vai ser colocada na jaula com as outras presas, as bandidas, as ladras, as putas, as bêbadas, e... as assassinas. Ai vamos ver se a senhora sossega". Ela ainda tentou argumentar, talvez para manter sua moral frente ao povo e as velhinhas da fofoca, mas o policial levantou um dedo e gritou a pleno pulmão "Calada!". E ela calou. Foi assim o fim da guerra da merda, que tantas lembranças de merda deixaram para esta pacata rua. 


É inacreditável o que se lê, principalmente em alguns comentários. Minúcias técnicas? O jornalismo é o culpado? Tal ministro tem que ser fortalecido porque atende aos meus interesses? Os juristas são uns imbecis (o que não está escrito, mas subentendido)? 

Senhores, não importa de que lado vocês estão, o que está aí não interessa a absolutamente ninguém. Estamos dentro de um salão, com luzes apagadas, quebrando tudo que está a frente, achando que esta baderna nos vai dar futuro, ou vai dar o futuro que um ou outro lado sonham. Não vai, esta é a única verdade, não vai. Mesmo que um lado vença, o resultado final será muito frágil. Mais, a casa vai estar em ruínas, o que não atende a nenhum interesse, nenhum.

A casa já está em ruínas, não dá para perceber? Que tal acalmar um pouco e começar a colocar as coisas numa ordem minima para que se possa sentar e conversar feito gente grande, como adultos?

Os manifestos e suas muitas assinaturas apontam que tem cada dia mais gente tentando acender uma luz. É minha esperança. 

Aos que estão encostados nas paredes ouvindo a pancadaria, por favor, vão para o meio do salão e acalmem a situação sem se importar de receberão cadeiradas pelas costas. 

Há uma verdade incontestável na história: Trate com respeito deus inimigos. Toda e qualquer forma de tratamento só diferente sempre deu errado. É História com H maiúsculo. 

Dúvida cruel

O que fazer quando você está sentado no trono e passa leve e faceira uma barata pelos pés? 

  1. Esmaga-la com os pés descalços e ficar olhando o nojento creme e os restos mortais da cena do crime enquanto resolve suas pendências intestinais?
  2. Gritar histérica e desesperadamente pedindo socorro a sua mulher arriscando se a mata-la de infarto?
  3. Levantar se, abrir a porta e sair correndo da barata sem as devidas precauções com a higiene?
  4. Deixa-la passar para longe da vista e fazer uma meditação transcendental Hare Krishna para cancela-la de sua consciência? 
  5. Continuar olhando para ela evacuando seu ódio a tudo que está acontecendo em Brasília?
  6. Esticar a mão e pegar o 'Metamorfose' de Kafka para ter compaixão pela barata?
  7. Pegar o celular, ler os editais dos jornais, ir aos comentários e escrever com emoção?
  8. Começar a cantar 'Que tudo mais vá para o inferno' lembrando dos cabelos ralos de Roberto Carlos?
  9. Ter uma crise depressiva de inveja do sangue de barata da barata? "Como ela é zen!"
  10. Será uma barata ou um barato? Tenho que ter uma atitude politicamente correta?
  11. Será que ela tem uma rede social com muitos seguidores?
  12. Pegar a barata com a mão, com cuidado para deixar as anteninhas abanando entre os dedos, levantar se do trono bunda de fora, abrir a porta, espalhar o maravilhoso odor pelo quarto, e com a barata viva entre os dedos, anteninhas se movendo para confirmar, ir até sua mulher que acaba de acordar, ainda de cara torta, e dizer com carinho "Benzinho, olha o que achei no banheiro". Se ela disparar a correr aos gritos "Sai de mim, tira isto daqui", recomendo que corra atrás pedindo que ela tome providências. Costuma dar certo.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

A nova geração tem menos vida social (aliás, como eu tive na juventude). É um erro

Uma pesquisa nos Estados Unidos mostra que a geração mais nova está participando de menos festas que as mais velhas. Mais, tem bebido menos, se preocupado muito mais com sua própria segurança, com seu bem estar, o que a jornalista diz que é uma boa coisa. Mas também tem convivido menos, feito muito menos trocas sociais tete a tete, e menos interação social reflete diretamente na saúde cardíaca, como provam inúmeras pesquisas.

A entrevista da BBC que publico aqui fala sobre uma série que questões que eu vivi e vivo, e sei muito bem o que dá. 

Olha só que chique, eu sou filho do Jardim Europa, área nobre de São Paulo e Brasil. Nasci e tive toda minha infância numa linda casa, com um belo jardim, bastante espaço, vários luxos de classe média alta, como carros, barcos, até o prazer de voar nos fins de semana. Chiquérrimo, não é? Pois bem, trocaria tudo para ter um grupo de moleques para brincar no meio da rua. 

A linda casa estava encravada num bairro chique, vazio de crianças e vida infantil nas ruas. Minha diversão na infância foi ver carros importados fazendo a longa e aberta curva da esquina cantando pneus a 'mil por hora', motos berrando em acelerações disparadas, e sonhando com uma bicicleta a motor dois tempos, barulhenta, fedorenta, que algum visinho desconhecido tinha. Ouvindo histórias de adultos que fascinam crianças. Mas outra criança para brincar... não. Ah! e TV, desde meus mais tenros aninhos, TV com regras e horário para ligar e desligar. E rádio, que ficava ligado boa parte do dia. A noite, jantar e cama. Meu irmão e minha irmã eram mais velhos, meus primos não apareciam, até tive um único amigo, Edu, que não durou muito. 

Enfim, tive uma infância isolada não muito diferente da vida das novas gerações que é descrita nesta entrevista da BBC. A diferença para hoje, e enorme, era que a estupidez paranóica dos muros transformando as casas e as vidas dentro deles ainda era bem rara. A idade média não tinha aterrissado por aqui. Fato, brincadeiras de rua com outras crianças não tive. 

A casa afundou junto com o casamento de meus pais, no fim das contas uma benção para todos. 

Quando nos mudamos para um edifício na antiga e desaparecida rua Iguatemi, hoje av. Faria Lima, comecei a descobrir a vida. Lá viviam famílias judias com filhos da mesma idade que eu. Não tenho como agradecer a eles. Ali comecei a descobrir a vida. Juntando mais alguns amigos deles, também judeus, nos divertimos muito no fundo do edifício. Quebramos sei lá quantas janelas jogando bola, e não sei como não fomos esganados. 

Não demorou muito foi construído o Shopping Center Iguatemi praticamente em frente do nosso edifício. Eu já estava na pré adolescência e tinha liberdade para sair sozinho. Repito: sozinho. Os garotos do edifício tinham lá suas vidas e boa parte do meu dia eu ficava só, vendo televisão e um pouco mais tarde ouvindo música. 

E aos 14 anos fui expulso e tive que trocar de colégio. Que benção! Começando por ser misto. Descobri que eu era gente ou que poderia ser gente. Vamos ficar com o 'poderia ser gente'. Ok, colégio novo, muito mais liberal, quase fui expulso uma semana depois porque mandei a merda a Marcia, coisa que definitivamente não se fazia naqueles tempos. Marcia virou uma grande amiga. Os anos seguintes de escola foram de um precioso aprendizado social, mas não uma vivência social. No meio de todos, mas não dentro do todo. Socializar só dentro da escola, e mais ou menos, mais para menos. Fora, eu estava fora. 

Meu aniversário de 15 anos acabou sendo um desastre. Minha mãe fez um vatapá maravilhoso (ela cozinhava divinamente bem) para todos os convidados, não sei quantos, mas minha classe do velho colégio, e o único que apareceu foi um primo. Até hoje não sei o que houve, mas ali foi marcado o jogo de minha vida. 

Meu núcleo familiar foi ótimo, de uma qualidade que hoje sei ser de rara qualidade. Uma mãe com uma inteligência familiar muito acima do normal, uma casa onde circulava todo tipo de gente, todos amigos de minha mãe ou de meus irmãos, mas gente para lá de inteligente, preparada e divertida. Meus amigos? Poucos, se tantoEm toda vida de minha mãe só houve uma briga entre os irmãos, uma única vez com meu irmão, aos berros, num jantar, no final da vida dela. Nos arrependemos brutalmente mais tarde. Depois, já com nossa mãe morta, meu irmão veio pedir desculpas. 

Minha formação acabou sendo diferente da convencional. Virei uma coisa que não se encaixava socialmente. Um outsider, introspectivo, fora das regras triviais, com interesses pouco comuns. Eu não me encaixava, e tenho certeza que os 'amigos' também não queriam que eu me encaixasse nos grupos sociais que eles viviam. Dou razão a eles. Eu não tinha prática comportamental para me integrar em festas e reuniões, o que para mim dificultava muito qualquer iniciativa. A bem da verdade fui um chato de galochas. Mais ou menos a mesma coisa que um jovem que só sabe se comunicar com o celular.

Enfim, olho para meus netos e a geração mais nova e fico angustiado com o que eles estão fazendo de suas vidas. De certa forma não há grande diferença em isolar-se frente a uma telinha com o que vivi. Não funciona. Socialização tete a tete é crucial para uma saúde mental e física, a ciência prova e comprova, não há qualquer sombra de dúvida.  

O entrevistado fala rápido. Vá até as configurações, aquele símbolo em forma de engrenagem, e reduza a velocidade do vídeo para 90%.