sexta-feira, 17 de julho de 2026

Deixa de ser criança e joga o jogo

Meu comentário aqui (publicado em outro artigo) sobre o que (nós, brasileiros) deveríamos fazer está na frase publicada no artigo Bisneto de Henry Ford acredita que os EUA não podem deixar os carros chineses de fora para sempre: "Impedir, em algum momento, não será suficiente. É preciso encarar a concorrência e “vencê-los em seu próprio jogo”. É nisso que acredita o atual presidente executivo da Ford sobre a entrada de veículos chineses no mercado estadunidense". Repito o que já escrevi num outro comentário: ter chilique com a postura do outro só prova a inferioridade, a incompetência, a falta de inteligência de quem está negociando. 

"Joga o jogo", simples assim. "Quem só pensa em perigo não tem tempo para ser seguro". "Trate bem seu inimigo". E finalmente, a mais antiga, mais lida, mais discursada, e bem pouco ou nada compreendida: "Se te derem um tapa, ofereça a outra face". São técnicas comprovadas para alcançar resultados positivos. "O outro está errado, é inaceitável" diz quem não tem cabeça, mesmo que a situação seja inaceitável. Há aí uma 'discreta' sutileza, discreta.

Não há nada mais irritante que criança malcriada gritando "eu quero, eu quero, eu quero, é meu, é meu, é meu...". 

Quando vamos criar vergonha na cara e deixar de ser governados por histéricos. Queremos um país ou jardim da infância?

"Tem muito jogador 7 X 1 neste time do Brasil. Não dá para confiar", soltou um comentarista antes da desclassificação de nossa seleção. Mas ele poderia estar facilmente se referindo a nossa política, ao nosso legislativo, executivo e judiciário, um sem parar 7 X 1 contra nós, brasileiros, é o que não falta.

Neto: "Os jogadores da seleção Argentina tem sangue na ponta da chuteira".

Eu: temos muita gente boa que quer dar o sangue por este país. Por favor, não confunda dar o sangue com chupar o sangue.

O que se pode aprender com quem deu o sangue, suou de verdade, colaborou, foi e é de fato vencedor, mas não foi aquele um super herói vencedor desejado pela criançada adulta? 

Eu estou farto de falsos milagreiros. Aliás, não acredito em milagres. Nem em falastrões.

O que se faz com tudo isto?

"Não mexe nisto. Não vai trocar nada! Estou no fim da vida e não tem razão para trocar. Deixa como está". Não precisa ser velhinho para entender bem o que está em jogo. Vivemos no meio de muitíssimo mais coisas que realmente precisamos. E cada dia mais.

Cara, como a gente junta porcariada pela vida! O que se faz com isto tudo? Família vende tudo?

Família vende tudo. Ou doar para entidades beneficentes, o que não é um costume trivial por aqui. Mas é o que tem valor histórico para o país?

Morreu a mulher de um dos mais importantes colecionistas deste país. Ele e seu acervo talvez sejam a melhor memória de um dos setores mais importantes e influentes na história do Brasil. Falo da vida de uns 40 milhões de brasileiros, mais questões urbanas, sociais e econômicas. O impacto da perda repentina da companheira de vida neste caso assusta a todos amigos porque a dependência era enorme. Não sabemos o que vai acontecer daqui para frente, com ele, sua preciosíssima memoria e seu acervo. Se complicar, se sair do controle, desaparece um arquivo importantíssimo sobre a história do Brasil.

É comum que com o desaparecimento de um ente que teve sua importância para o país, desapareça também o acervo. Mesmo que haja boa vontade da família e esta queira preservar, não tem verba, faltam funcionários, há carência de técnicos especializados, não tem espaço, a decisão sobre o recebimento é demorada...

A preocupação normal dos herdeiros é com dinheiro ou com o que tem valor financeiro. Memória afetiva do que foi vivenciado vem depois e é para uma minoria. Valor histórico, o que vale para contar uma realidade maior, coletiva, da existência e trabalho perante e para a sociedade, para o país, para todos, a que extrapola o direito direto e legal dos herdeiros, esta é raríssima, geralmente vira lixo. Sim, vai para o lixo literalmente.

E tem ainda a falta de noção do valor real das coisas. Começa pela ignorância generalizada, na precarissima educação geral, segue em frente em qualquer besteira e termina numa sociedade onde tudo se compra, tudo se usa e abusa e finalmente tudo se descarta no lixo mais próximo.

"O que acaba tendo valor é o que tem significado para o indivíduo e sua vida insignificante". Uma espécie de valor selfie. É meu, vale uma fortuna!

E o que tem valor histórico? A situação da maioria de nossos museus e acervos que o diga.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Lenta descida para o inferno

Slow descend into hell; Time Magazine.

Foi um dos artigos mais impactantes que li na vida. Eu tinha então 27 anos, rapaz sonhador, vida pronta, classe média vai ao paraíso. Mais que a realidade brutal, mais esclarecedor do que está nesta lenta descida para o inferno, foi o texto complementar sobre o drama da revista Time para conseguir tirar o seu repórter da vida das ruas, da mendicância, fazê-lo voltar a seu lar, sua família, seu trabalho, ao seu destino. (Seu destino?) 

Meu querido amigo Eric Ferreira, uma das cabeças (desperdiçadas) deste país, um dia, faz muito tempo, disparou: "Nós nos acostumamos com o ruim". Falava ele sobre a questão do trânsito, transporte e qualidade de vida urbana, sobre os caminhos que nós, cidadãos brasileiros, estávamos tomando (pior, seguimos nele). Infelizmente, na mosca! A degradação da qualidade de vida em nossas cidades é gritante. Mais que nos acostumarmos com o ruim, parece que temos um prazer em caminhar a passos largos sempre para um pior previsível.

Junto com Eric, ou sob sua batuta, (e mais um recém formado arquiteto que não lembro o nome), fizemos um projeto para a intervenção urbana na região do Butantã, via implantação de um sistema cicloviário nos padrões europeus, ou seja, muito além de só ciclovias e ciclofaixas. Propunhamos o acalmamento dos bairros, recuperação de córregos, criação de parques lineares, e só quando necessário, só quando não houvesse alternativa, só então ciclovias e ciclofaixas. Ou seja, olhando a correta implementação da bicicleta no meio urbano, o projeto prentendia a recuperação da qualidade de vida de todos, não só ciclistas. Todos. Cidadãos. Bancado por uma forte entidade americana, o ITDP, a proposta simplesmente sumiu, desapareceu, ninguém sabe, ninguém viu. Hoje os bairros continuam largados, os córregos não foram recuperados, os parques estão como estavam ou não surgiram, e o trânsito virou um inferno. Fora a violência, ah! a violência!

O trânsito virou um inferno. Poderia ficar repetindo esta frase sem parar porque ela diz a mais pura verdade, verdade nua e cruel sobre o nosso infernal dia a dia. E aí me vem a cabeça os dois brutais textos publicados há 40 anos pela Time, o que é viver num inferno e principalmente a imensa dificuldade que é sair dele, desacostumar-se com o ruim, no caso, com o que é péssimo.

Segundo o Governo Federal, temos algo em torno de 380 mil moradores de rua no Brasil, um drama. O que tem a ver uma coisa com a outra? Muito, mas vale explicar que mesmo as melhores cidades do planeta têm que lidar com este e outros problemas humanos. Voltando ao Brasil, quantas cidades temos com uma qualidade de vida abaixo do desejável? Só o morador de rua está abandonado a própria sorte?

O Brasil que se apresenta hoje vai pelo mesmo caminho dos cidadãos que perderam o norte de suas vidas e pararam ao relento da miséria das ruas. O chegar a esta situação começou muito antes da miséria da rua em si. Começa na incapacidade de ver uma cachoeira de erros grotescos que inundam nossas próprias vidas que se sucedem sem parar, e que vão dar no que são as cidades, exatamente como a falta de coleta de esgoto. O que somos, o que dejetamos, depois que se aperta a descarga vai parar onde ninguém quer saber. Em outras palavras, saiu de perto não é mais problema nosso, o que é um absurdo. A questão é que tudo dá voltas e volta para o cidadão. A cidade é reflexo perfeito de seus cidadãos, os bairros bonitinhos e os horrorosos incluídos, tudo, absolutamente tudo. 

Como sair desta? Arrumar uma coisa por vez. Primeiro o quarto, a sala, depois varrer a calçada, conhecer os vizinhos, acertar a rua, interessar-se pelo bairro..., olhar com um mínimo de humanidade os outros, os diferentes. Digo, sabendo o que estou dizendo: a saída está na cidade, no construir uma cidade com qualidade de vida. E digo mais, a cidade é a saída para praticamente todos nossos males, os pessoais, os micro, os médios e os macro. Populações que entenderam isto reconstruíram suas cidades, e com isto suas vidas. Os desajustes e os desajustados acabaram? Não. 


domingo, 12 de julho de 2026

Nossa seleção e o 'exemplo' Neymar

Organizações Tabajara. Seu Creysson. Estaríamos muitíssimo melhor se fossemos por aí. Em tudo. Mas não, queremos ser "ríquio", como dizia o genial Seu Creysson, e aí está o problema. Mas "não pode!", como diz a também genial professora da escolinha do Irmão do Jorel, desenho animado.

Neymar não funciona porque é pobre. (Posso bem imaginar o que está passando pelas cabeças que me lêem aqui). Neymar é um pobre-rico-pobre, ou um coitado cheio da grana que pensa de maneira errada. (Melhorou ou piorou o que aqui coloco?). Neymar foi e segue sendo um péssimo exemplo para o país. É excepcional quando quer jogar, começa por aí; 'quando quer jogar'. Mas é mimado, frágil, infantil, não raro não só inútil, mas prejudicial ao time. Não assume sua dádiva, precisa mostrar quão ríquio e puderosio é. E arrasta com este seu pobre-rico-pobre uma geração de jogadores que querem ser iguais fora de campo, porque dentro de campo se ajoelham ao ídolo e sua ideologia futebolista ríquia. Seu Creysson que o diga, que narre a partida com o 10 nas costas caindo para a torcida. Heresia total, camisa 10. Falta de respeito ao Negão, ao gênio, ao semi deus atleta do século, Pelé. Ao rico rico rico humilde. Obrigado Pelé, obrigado.

Neymar será um reflexo dos Vorcaros do momento? Ou o contrário? Afinal, seus parças são tão parecidos com os Master. Não será o vexame de nossa seleção um simples reflexo do que este país se transformou há muito?

A genial riqueza de nosso futebol, aquele que se perdeu no passado longiquo, foi-se com o sumiço dos campinhos, da várzea, com a destruição de nossas cidades, o brutal empobrecimento de nosso pensar, ver a vida, entender o que realmente é riqueza, cultura, tradição, educação, respeito, respeito ao próximo. Brasil é um pobre-rico-pobre país, ou somos todos, com certeza.

Os últimos momentos de Neymar em campo representando nosso país foi um asco que deveria ser reprimido com veemência. Mas não. Mostra bem no que nos transformamos.

JK pensou 50 anos em 5, e embarcamos nele. Coisas deram certo, coisas deram errado, mas demos um belo salto a frente. E nossa seleção começou então a trazer a Jules Rimet para casa. E aqui, neste Brasil, foi roubada e nunca mais se soube da original. O que está lá é uma cópia, em outras palavras, uma vergonha nacional. Símbolo do país que vinha com força e está aí para quem quiser ou não quiser ver. A roubada deve ter sido transformada em churrasquinho com cerveja para os parças, e nenhum deles deve ter se interessado como aquilo aconteceu. Dane se! Exatamente como agora. Vamos para o próximo churrasquinho.

Tetra e penta foi construído em cima de exemplos que estavam lá, jogando ou treinando. Não me lembro de nenhum deles esnobando suas riquezas para subordinar seus semelhantes e companheiros à sua glória. E aqui chegamos ao "eles e nós", tão brasileiro, tão canarinho. Eu diria, tão canalhinho.

Viva seu Creysson, viva as Organizações Tabajara. Aquele país, aquele Brasil, aquelas nossas seleções eram muitíssimo mais ricas do que isto que temos hoje. Ou se ri da vida ou a vida ri de você. A única saída para esta tragédia anunciada que temos agora é a esculhambação. É muitíssimo mais inteligente do que todos estes imbecis nos estão propondo e prometendo.

Não tenho dúvidas, 7X1 foi pouco. E digo como brasileiro, de família de brasileiros, de tradições brasileiras, de esforços suados, amados, trabalhados para construir um país, o Brasil.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Monotrilho de São Paulo: o que me lembro e algo mais

 Na época que se iniciou a ideia do projeto lembro de ter ouvido de várias fontes de dentro dos governos que não se deveria optar por monotrilho, que por diversas razões seria uma opção problemática, até a pior. Bingo! A questão então era o custo de construção, mais baixo que metro, e tempo para término do projeto, o que imediatamente descartou metro subterrâneo. Houve quem falasse em VLT, que aqui gera zero simpatia, apesar de suas inúmeras qualidades urbanas e ambientais. VLT é mais rápido de implantar, e seus resultados ambientais são comprovadamente positivos. E carrega tanto quanto um monotrilho. O custo é um pouco salgado, mas se pagam com facilidade. Melou a questão de ter ruas e avenidas interditadas por certo tempo. Bingo! Monotrilho! O resultado está aí.

Agora, um projeto destes implica em outras questões. Foi gasto muito dinheiro com projetos sobre o que fazer com o impacto direto e no entorno do monotrilho. O impacto em certas ruas ainda é grande e indefinido até hoje, o que implica em ruas que serão ou não afetadas, casas e terrenos que serão ou não desapropriados, impactos de grande vulto em vários bairros, etc... Uma amiga micou com sua casa por 20 anos e só agora consegui vendê-la a preço de banana, um exemplo prático da baderna. Na mesma rua Otávio Mangabeira e nas próximas são inúmeras na mesma situação. Os projetos de acertos em Paraisópolis... E assim vai por todo trajeto, o executado e pronto e o que sabe-se lá quando acontecerá, se acontecer. Que se danem os cidadãos.

Um monotrilho e sua estrutura imensa para suspender a composição, causa um impacto ambiental urbano nada desprezível que está levando em algumas partes do mundo a demolição dos mesmos.

O próprio Alckmin reconheceu em entrevista que o monotrilho foi o maior erro de sua administração.

Agora, como de certa forma acompanhei o início de toda esta coisa, tenho a repetir o que venho repetindo sempre aqui: um projeto desta magnitude afeta toda a população, não só os que serão beneficiados ou afetados. Como sempre só um pequenino grupo de cidadãos se interessou, participou e tomou providências. Em outras palavras: como sempre a maioria calou.

Bem vindo ao Brasil, Ancelotti

 Bem vindo ao Brasil, Ancelotti.

Futebol brasileiro está uma vergonha faz muito, e não falo só de seleção. O pão e circo se transformou há muito em pão e câncer. Bet na cabeça! Pode apostar.

Estou triste pelo que aconteceu, mas muito feliz pela esperança que este seja o começo do fim da era Neymar e seus parças, um péssimo exemplo dentro e fora de campo. Concordo plenamente com os comentários que este resultado é reflexo do que o Brasil se transformou, e estou falando de tudo, de todos, os que mandam e os que aceitam em silêncio o que acontece.

Roberto da Matta afirma, com toda razão e alguma base na ciência, que trânsito é um ótimo reflexo da sociedade. Não me lembro quem afirmou o mesmo do futebol. Torcida única? Pancadaria programada? Patrocinadores sem compromisso com nada, alguns sem quesitos legais? Jogadores nas mãos de quem? Tudo está mais que estampado em toda imprensa e mídia, e não é de hoje. Alguma novidade?

Desclassificados. Perfeito. Desclassificados! Não só a seleção, mas tudo e todos. Desclassificado, literalmente, veja o dicionário. Vai Brasil!

Os 26 foram nada mais que brasileiros. A carnificina de nosso trânsito (mais toda violência diária) que o diga. Vai Brasil!

E aí, o que vamos fazer?


domingo, 5 de julho de 2026

Brasil desclassificado...

Triste pelo Brasil, mas extremamente feliz pelo fim da era Neymar. Neymar foi um dos piores exemplos que este país teve. Vencedor, sim, mas dá forma que foi, que ele aproveitou sua dádiva, que se comporta, prefiro ser perdedor. Ditos perdedores que lutam com dignidade têm vitórias muito mais sólidas e perenes, muito mais válidas como exemplo. "Você sabe com está falando?" de semi deuses que adoramos tem que acabar, aliás já deveria ter acabado há muito. É uma questão de brio, dignidade.

Faço meus votos e preces que com esta desclassificação comece a desmoronar o Brasil dos messias, dos salvadores da pátria, dos ditos "única salvação do país", paus ocos da pior espécie, todos.

O próximo jogo decisivo será nas eleições. Brasileiros, tenham um mínimo de dignidade, um mínimo de autorespeito.

Viva Cabo Verde!

Brasil desclassificado? Com certeza absoluta: Brasil desclassificado, e triste dizer, não só no futebol, mas em tudo. Brasil desclassificado!


Explica o que afirmo?