sexta-feira, 24 de julho de 2026

Manisfesto pela qualidade de vida nas cidades - croqui

Manifesto pela qualidade de vida nas Cidades Brasileiras

POR UMA POLÍTICA MUNICIPAL CIVILIZATÓRIA

POR CIDADES COM QUALIDADE DE VIDA

POR UMA CIDADE INCLUSIVA E PACÍFICA

 

Sobre as cidades brasileiras

5.568 cidades

Brasil 213 milhões de habitantes

87% em áreas urbanas; 84% na pesquisa passada - IBGE 

População urbana continuará em crescimento?

15 cidades com mais de 1 milhão de habitantes, aproximadamente 20% da população, 43 milhões

São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador e Belo Horizonte, 28 milhões

25 municípios correspondem a 34,2% PIB nacional 

Custo da violência urbana ao redor dos 10% PIB nacional

47% da população aponta crime como maior problema

60 milhões dos brasileiros são vizinhos do crime

 

Diagnóstico, e 4 prioridades para frear a violência

Assisti inteiro o evento de ontem. Já vi e ouvi muitas histórias assustadoras, mas nada na escala do que foi dito ontem. Dar uma palestra para funcionários de concessionária de rodovia, ficar no mesmo alojamento que os que atendem acidentes, ouvir de um deles que "pesado mesmo é ter que raspar um corpo do asfalto com pá porque depois de atropelado ninguém parou", e outras barbaridades do gênero, é difícil, mas a perspectiva clara de onde está o Brasil em relação a violência apresentada neste Brasil Adiante de ontem foi apavorante ou deprimente, ou os dois juntos, ou ainda é pouco. O diagnóstico apresentado... Quem não viu, por favor veja na íntegra. Divulgue, coloque na roda de conversas.

https://youtube.com/playlist?list=PLY0j3fVIJp7i2wEdp6BTvtek4eWX-sIXZ&si=LWtSdED51T9DIoy_

O que vamos fazer para sair desta insanidade? Como nós, brasileiros interessados, podemos nos movimentar para frear esta loucura? Qual Brasil você quer? O que vamos deixar para as futuras gerações? Temos que reverter esta violência toda. É absolutamente inaceitável.



quarta-feira, 22 de julho de 2026

A telinha diminui a capacidade do ver

Sai para pedalar com um dos netos e numa das passarelas para a ciclovia do Pinheiros parei para olhar a bela vista. Chamei a atenção dele e para meu espanto descobri que ele está com problemas para ver. Não, não é uma questão de óculos, mas de funcionamento do cérebro de quem usa demais o celular. Não é besteira, é ciência, está amplamente provado, documentado e publicado em revistas científicas. Tem tanta notícia, tantos artigos científicos, foi tão noticiado, que não preciso colocar um link. Relato o que vi pessoalmente. Triste.

Parei, chamei a atenção dele, inclusive apontando, e mesmo assim ele teve dificuldade para ver o que eu apontava. Foi claro, tanto pelo girar a cabeça procurando algo, como pela expressão que fez. 

Olhos nos olhos, quero ver o que você diz... acho que esta é a letra da belíssima música. Olhos nos olhos? Também é certo que perdemos muito esta capacidade que deveria ser natural. Olhar, ver, dar tempo para deixar o cérebro entender o que se está olhando e vendo, um processo que a telinha transforma, ou deforma em seu foco fechado a uma área muito restrita, pré programada. Começa por aí. Uma paisagem é um campo aberto, amplo, com um grau de leitura e compreensão cheio de detalhes e sutilezas.

Estou apaixonado pela Stela Cole, uma jovem, 27 anos, linda e com uma maravilhosa voz. E estou preocupado com ela. Como venho seguindo sua trajetória, e como tenho por hábito olhar com atenção as pessoas, alguns movimentos de seu lindo rosto apontam que Stela andou tomando umas chacoalhadas brabas da vida. Tem quem não consiga ver. É treinamento. Falei sobre isto com pessoas que conhecem o trabalho dela, mas ficam mais tempo na telinha, e tive como resposta "Não percebi nada". Uau! 

Faz muito que se sabe que o uso excessivo das telinhas afetam o foco do olho. Agora está claro que também afeta a forma do pensar, do entender o que se vê, e a percepção da realidade, da vida.

Fala-se muito sobre os perigos do celular no trânsito. Dirigir demanda uma adaptação da conexão olho - cérebro. Uma série de informações vão sendo vistas, lidas e transmitidas ao cérebro que sequer realizamos. Incluem o que se vê no foco e o que passa pela visão periférica. O cérebro vai limpando o que não é essencial, o que não causa perigo, o que não é interessante, assim não fica sobre carregado. Há um fluxo de informação pré estabelecido, uma série de regras fáceis de serem cumpridas, uma previsibilidade de ações, o que facilita e permite que o olho viaje na 'paisagem' aberta.

A maluquice é que nosso cérebro está se adaptando a fazer tudo junto, o dirigir e olhar para o celular que o diga. Sim, é um perigo, mas o número de acidentes per capita de motoristas olhando o celular diminuiu. Por outro lado, aumenta e muito o nível de stress e consequente desconexão com a realidade. 

Faz uns dias vi uma reportagem sobre um movimento que surgiu na Europa para ficar longe do celular, tipo 'slow food'. Slow Ford? Sim, movimento nascido na Itália contrário ao fast food. Estão certos. Engolir macarronada? Não! Sente o cheiro, rala o parmesão, enrola na borda o espaguete, coloca na boca, saboreia, mastiga, engole, limpa a boca, um gole de vinho tinto da Sicília...

Eu desaprendi o olhar e ver. E não sou fã de celular. Mas acabei descobrindo que tenho que me controlar para menos, bem menos. E preciso pesquisar para ver o que faço com o neto. Minha ideia era matar o moleque, fritar o rabo dele no selim pedalando até Aparecida. Vai ver que de dor no olho de trás ele arregava os olhos e enxergava a paisagem.  Não deu certo, travei a coluna. 

Minha telinha a mais vem da curiosidade,  da facidade de busca de informações que no passado eram chatas para conseguir ou impossíveis. De qualquer forma, menos.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Deixa de ser criança e joga o jogo

Meu comentário aqui (publicado em outro artigo) sobre o que (nós, brasileiros) deveríamos fazer está na frase publicada no artigo Bisneto de Henry Ford acredita que os EUA não podem deixar os carros chineses de fora para sempre: "Impedir, em algum momento, não será suficiente. É preciso encarar a concorrência e “vencê-los em seu próprio jogo”. É nisso que acredita o atual presidente executivo da Ford sobre a entrada de veículos chineses no mercado estadunidense". Repito o que já escrevi num outro comentário: ter chilique com a postura do outro só prova a inferioridade, a incompetência, a falta de inteligência de quem está negociando. 

"Joga o jogo", simples assim. "Quem só pensa em perigo não tem tempo para ser seguro". "Trate bem seu inimigo". E finalmente, a mais antiga, mais lida, mais discursada, e bem pouco ou nada compreendida: "Se te derem um tapa, ofereça a outra face". São técnicas comprovadas para alcançar resultados positivos. "O outro está errado, é inaceitável" diz quem não tem cabeça, mesmo que a situação seja inaceitável. Há aí uma 'discreta' sutileza, discreta.

Não há nada mais irritante que criança malcriada gritando "eu quero, eu quero, eu quero, é meu, é meu, é meu...". 

Quando vamos criar vergonha na cara e deixar de ser governados por histéricos. Queremos um país ou jardim da infância?

"Tem muito jogador 7 X 1 neste time do Brasil. Não dá para confiar", soltou um comentarista antes da desclassificação de nossa seleção. Mas ele poderia estar facilmente se referindo a nossa política, ao nosso legislativo, executivo e judiciário, um sem parar 7 X 1 contra nós, brasileiros, é o que não falta.

Neto: "Os jogadores da seleção Argentina tem sangue na ponta da chuteira".

Eu: temos muita gente boa que quer dar o sangue por este país. Por favor, não confunda dar o sangue com chupar o sangue.

O que se pode aprender com quem deu o sangue, suou de verdade, colaborou, foi e é de fato vencedor, mas não foi aquele um super herói vencedor desejado pela criançada adulta? 

Eu estou farto de falsos milagreiros. Aliás, não acredito em milagres. Nem em falastrões.

O que se faz com tudo isto?

"Não mexe nisto. Não vai trocar nada! Estou no fim da vida e não tem razão para trocar. Deixa como está". Não precisa ser velhinho para entender bem o que está em jogo. Vivemos no meio de muitíssimo mais coisas que realmente precisamos. E cada dia mais.

Cara, como a gente junta porcariada pela vida! O que se faz com isto tudo? Família vende tudo?

Família vende tudo. Ou doar para entidades beneficentes, o que não é um costume trivial por aqui. Mas é o que tem valor histórico para o país?

Morreu a mulher de um dos mais importantes colecionistas deste país. Ele e seu acervo talvez sejam a melhor memória de um dos setores mais importantes e influentes na história do Brasil. Falo da vida de uns 40 milhões de brasileiros, mais questões urbanas, sociais e econômicas. O impacto da perda repentina da companheira de vida neste caso assusta a todos amigos porque a dependência era enorme. Não sabemos o que vai acontecer daqui para frente, com ele, sua preciosíssima memoria e seu acervo. Se complicar, se sair do controle, desaparece um arquivo importantíssimo sobre a história do Brasil.

É comum que com o desaparecimento de um ente que teve sua importância para o país, desapareça também o acervo. Mesmo que haja boa vontade da família e esta queira preservar, não tem verba, faltam funcionários, há carência de técnicos especializados, não tem espaço, a decisão sobre o recebimento é demorada...

A preocupação normal dos herdeiros é com dinheiro ou com o que tem valor financeiro. Memória afetiva do que foi vivenciado vem depois e é para uma minoria. Valor histórico, o que vale para contar uma realidade maior, coletiva, da existência e trabalho perante e para a sociedade, para o país, para todos, a que extrapola o direito direto e legal dos herdeiros, esta é raríssima, geralmente vira lixo. Sim, vai para o lixo literalmente.

E tem ainda a falta de noção do valor real das coisas. Começa pela ignorância generalizada, na precarissima educação geral, segue em frente em qualquer besteira e termina numa sociedade onde tudo se compra, tudo se usa e abusa e finalmente tudo se descarta no lixo mais próximo.

"O que acaba tendo valor é o que tem significado para o indivíduo e sua vida insignificante". Uma espécie de valor selfie. É meu, vale uma fortuna!

E o que tem valor histórico? A situação da maioria de nossos museus e acervos que o diga.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Lenta descida para o inferno

Slow descend into hell; Time Magazine.

Foi um dos artigos mais impactantes que li na vida. Eu tinha então 27 anos, rapaz sonhador, vida pronta, classe média vai ao paraíso. Mais que a realidade brutal, mais esclarecedor do que está nesta lenta descida para o inferno, foi o texto complementar sobre o drama da revista Time para conseguir tirar o seu repórter da vida das ruas, da mendicância, fazê-lo voltar a seu lar, sua família, seu trabalho, ao seu destino. (Seu destino?) 

Meu querido amigo Eric Ferreira, uma das cabeças (desperdiçadas) deste país, um dia, faz muito tempo, disparou: "Nós nos acostumamos com o ruim". Falava ele sobre a questão do trânsito, transporte e qualidade de vida urbana, sobre os caminhos que nós, cidadãos brasileiros, estávamos tomando (pior, seguimos nele). Infelizmente, na mosca! A degradação da qualidade de vida em nossas cidades é gritante. Mais que nos acostumarmos com o ruim, parece que temos um prazer em caminhar a passos largos sempre para um pior previsível.

Junto com Eric, ou sob sua batuta, (e mais um recém formado arquiteto que não lembro o nome), fizemos um projeto para a intervenção urbana na região do Butantã, via implantação de um sistema cicloviário nos padrões europeus, ou seja, muito além de só ciclovias e ciclofaixas. Propunhamos o acalmamento dos bairros, recuperação de córregos, criação de parques lineares, e só quando necessário, só quando não houvesse alternativa, só então ciclovias e ciclofaixas. Ou seja, olhando a correta implementação da bicicleta no meio urbano, o projeto prentendia a recuperação da qualidade de vida de todos, não só ciclistas. Todos. Cidadãos. Bancado por uma forte entidade americana, o ITDP, a proposta simplesmente sumiu, desapareceu, ninguém sabe, ninguém viu. Hoje os bairros continuam largados, os córregos não foram recuperados, os parques estão como estavam ou não surgiram, e o trânsito virou um inferno. Fora a violência, ah! a violência!

O trânsito virou um inferno. Poderia ficar repetindo esta frase sem parar porque ela diz a mais pura verdade, verdade nua e cruel sobre o nosso infernal dia a dia. E aí me vem a cabeça os dois brutais textos publicados há 40 anos pela Time, o que é viver num inferno e principalmente a imensa dificuldade que é sair dele, desacostumar-se com o ruim, no caso, com o que é péssimo.

Segundo o Governo Federal, temos algo em torno de 380 mil moradores de rua no Brasil, um drama. O que tem a ver uma coisa com a outra? Muito, mas vale explicar que mesmo as melhores cidades do planeta têm que lidar com este e outros problemas humanos. Voltando ao Brasil, quantas cidades temos com uma qualidade de vida abaixo do desejável? Só o morador de rua está abandonado a própria sorte?

O Brasil que se apresenta hoje vai pelo mesmo caminho dos cidadãos que perderam o norte de suas vidas e pararam ao relento da miséria das ruas. O chegar a esta situação começou muito antes da miséria da rua em si. Começa na incapacidade de ver uma cachoeira de erros grotescos que inundam nossas próprias vidas que se sucedem sem parar, e que vão dar no que são as cidades, exatamente como a falta de coleta de esgoto. O que somos, o que dejetamos, depois que se aperta a descarga vai parar onde ninguém quer saber. Em outras palavras, saiu de perto não é mais problema nosso, o que é um absurdo. A questão é que tudo dá voltas e volta para o cidadão. A cidade é reflexo perfeito de seus cidadãos, os bairros bonitinhos e os horrorosos incluídos, tudo, absolutamente tudo. 

Como sair desta? Arrumar uma coisa por vez. Primeiro o quarto, a sala, depois varrer a calçada, conhecer os vizinhos, acertar a rua, interessar-se pelo bairro..., olhar com um mínimo de humanidade os outros, os diferentes. Digo, sabendo o que estou dizendo: a saída está na cidade, no construir uma cidade com qualidade de vida. E digo mais, a cidade é a saída para praticamente todos nossos males, os pessoais, os micro, os médios e os macro. Populações que entenderam isto reconstruíram suas cidades, e com isto suas vidas. Os desajustes e os desajustados acabaram? Não. 


domingo, 12 de julho de 2026

Nossa seleção e o 'exemplo' Neymar

Organizações Tabajara. Seu Creysson. Estaríamos muitíssimo melhor se fossemos por aí. Em tudo. Mas não, queremos ser "ríquio", como dizia o genial Seu Creysson, e aí está o problema. Mas "não pode!", como diz a também genial professora da escolinha do Irmão do Jorel, desenho animado.

Neymar não funciona porque é pobre. (Posso bem imaginar o que está passando pelas cabeças que me lêem aqui). Neymar é um pobre-rico-pobre, ou um coitado cheio da grana que pensa de maneira errada. (Melhorou ou piorou o que aqui coloco?). Neymar foi e segue sendo um péssimo exemplo para o país. É excepcional quando quer jogar, começa por aí; 'quando quer jogar'. Mas é mimado, frágil, infantil, não raro não só inútil, mas prejudicial ao time. Não assume sua dádiva, precisa mostrar quão ríquio e puderosio é. E arrasta com este seu pobre-rico-pobre uma geração de jogadores que querem ser iguais fora de campo, porque dentro de campo se ajoelham ao ídolo e sua ideologia futebolista ríquia. Seu Creysson que o diga, que narre a partida com o 10 nas costas caindo para a torcida. Heresia total, camisa 10. Falta de respeito ao Negão, ao gênio, ao semi deus atleta do século, Pelé. Ao rico rico rico humilde. Obrigado Pelé, obrigado.

Neymar será um reflexo dos Vorcaros do momento? Ou o contrário? Afinal, seus parças são tão parecidos com os Master. Não será o vexame de nossa seleção um simples reflexo do que este país se transformou há muito?

A genial riqueza de nosso futebol, aquele que se perdeu no passado longiquo, foi-se com o sumiço dos campinhos, da várzea, com a destruição de nossas cidades, o brutal empobrecimento de nosso pensar, ver a vida, entender o que realmente é riqueza, cultura, tradição, educação, respeito, respeito ao próximo. Brasil é um pobre-rico-pobre país, ou somos todos, com certeza.

Os últimos momentos de Neymar em campo representando nosso país foi um asco que deveria ser reprimido com veemência. Mas não. Mostra bem no que nos transformamos.

JK pensou 50 anos em 5, e embarcamos nele. Coisas deram certo, coisas deram errado, mas demos um belo salto a frente. E nossa seleção começou então a trazer a Jules Rimet para casa. E aqui, neste Brasil, foi roubada e nunca mais se soube da original. O que está lá é uma cópia, em outras palavras, uma vergonha nacional. Símbolo do país que vinha com força e está aí para quem quiser ou não quiser ver. A roubada deve ter sido transformada em churrasquinho com cerveja para os parças, e nenhum deles deve ter se interessado como aquilo aconteceu. Dane se! Exatamente como agora. Vamos para o próximo churrasquinho.

Tetra e penta foi construído em cima de exemplos que estavam lá, jogando ou treinando. Não me lembro de nenhum deles esnobando suas riquezas para subordinar seus semelhantes e companheiros à sua glória. E aqui chegamos ao "eles e nós", tão brasileiro, tão canarinho. Eu diria, tão canalhinho.

Viva seu Creysson, viva as Organizações Tabajara. Aquele país, aquele Brasil, aquelas nossas seleções eram muitíssimo mais ricas do que isto que temos hoje. Ou se ri da vida ou a vida ri de você. A única saída para esta tragédia anunciada que temos agora é a esculhambação. É muitíssimo mais inteligente do que todos estes imbecis nos estão propondo e prometendo.

Não tenho dúvidas, 7X1 foi pouco. E digo como brasileiro, de família de brasileiros, de tradições brasileiras, de esforços suados, amados, trabalhados para construir um país, o Brasil.