sexta-feira, 19 de julho de 2019

Fez bem no passado, estará bem no futuro

Comprovei que estava ficando velhinho quando numa largada de prova fui ultrapassado por uma gurizada que mais pareciam foguetes. A princípio não entendi nada, mas caiu minha ficha e comecei a gritar as gargalhadas para aquela massa de foguetes "Vocês não respeitam os mais velhos?" Era o que me restava. Em seguida começou a chuva, ficou escorregadio, e a situação ficou de igual para igual, ou melhor para mim com os guris apanhando do barro ou indo para o chão.
Hoje, até com os pentelhos brancos, me divirto de vez em quando dando chinelada na molecada e em alguns marmanjos com suas bicicletas caras. Ah! a experiência! Lógico que não dá para ir muito longe, brincar por muito tempo, mas dá para perturbar o outro, o que acaba lavando a alma. Tenho meu momento, meu ego sorri, volto para casa leve porque o velhinho ainda está vivo e bem. 
Pedalar é a arte da suavidade, suavidade é técnica em estado de arte, só se chega a arte com disciplina trabalho e trabalho, disciplina é autoconhecimento e autorrespeito, enfim maturidade.
Sou menos disciplinado, ou menos neurótico com disciplina, do que era quando tinha lá meus 30 e poucos anos. Aos 30 olhava demais a técnica de pedal e menos do que deveria para o respeito ao próprio corpo. Abusei, sem dúvidas, e abusar é uma besteira. E algumas vezes fiz menos que poderia por erro de avaliação. Talvez porque ter boas informações disponíveis não era tão fácil na época. Hoje não me resta dúvida que ficar no meio termo, o do bem estar, faz milagres. De qualquer forma só tenho que agradecer por ter sempre procurado pedalar da melhor forma / qualidade possível. Quando se cuida ou faz bem no começo se tem bons resultados no final. Meu corpo agradece os cuidados tomados no passado assim como meu pedal agradece o respeito à técnica que sempre tive.

Do Budismo para o ciclista:
  1. compreenção correta
  2. aspiração correta
  3. fala (comunicação) correta
  4. conduta correta
  5. meio de subsistência correta
  6. esforço correta
  7. atenção correta
  8. contemplação correta

quarta-feira, 17 de julho de 2019

erros de técnica de pedal

O que é conduzir bem um veículo? Para quem teve sempre uma ligação próxima com automobilismo de competição a resposta é relativamente fácil. Envolve uma série de fatores que podem ser resumidos em ter um veículo em prefeito estado de funcionamento e usar de técnicas de condução corretas, o que por sua vez quer dizer respeitar a máquina, sua condição física e psicológica e finalmente o ambiente onde você está. Prever correto, olhar correto, pensar correto, agir correto; parafraseando princípios do Budismo. Quem respeita estas regras dificilmente se envolve ou é responsável por acidentes.

Qualquer veículo mal conduzido é perigoso. E não tenha dúvida que é, principalmente em veículos de equilíbrio precário como bicicletas. No pedal é crucial respeitar regras básicas ou se acaba no chão. O exemplo mais simples: saber parar corretamente a bicicleta; ou seja, frear com suavidade e manter os pés bem apoiados nos pedais até a bicicleta de parar por completo. Segundo médicos de PA (Pronto Atendimento, o antigo Pronto Socorro) o número de crianças acidentadas por não saber parar corretamente a bicicleta é grande. Acaba sendo a mesma situação que quando desce do skate em velocidade. Chão feio!
Amo pedalar e como qualquer ser humano normal prezo não tomar tombo ou sofrer acidentes. Enquanto estou pedalando fico atento a minha qualidade de pedal e a meus erros. Pedalo seguido a 42 anos e sei que tenho muito a aprender. Li muito. Não tive vergonha de ouvir recomendações e até mesmo broncas de ciclistas profissionais respeitados, e de seus técnicos. Por sorte tive uma preciosa base técnica vinda do automobilismo (e motociclismo) que me ajudou muito. Boa parte das técnicas são aplicáveis para todos tipos de veículos. Antecipação, suavidade e respeito aos limites são as mais preciosas.
É impressionante a baixa qualidade de pedal dos ciclistas normais que circulam pela cidade, aqueles que pedalam para se transportar e os que pedalam por lazer. Infelizmente a maioria não aceita que você fale "a" sobre qualquer problema, até mesmo os mais gritantes. Pena. Ou triste, muito triste. 

Quanto mais sei, mais sei que nada sei.
Sou humano, brasileiro, tenho ego como todos, sou um tanto cabeça dura, em parte por minha larga experiência. Mas a cada dia tenho mais certeza que nada sei, e este é o bom caminho para tentar pedalar cada dia com mais qualidade.

Bom pedal

terça-feira, 9 de julho de 2019

Vergonha! A Prova 9 de Julho de 2019 não foi realizada.


Fórum do Leitor
O Estado de São Paulo

Hoje pela manha bem cedo deveria ter acontecido mais uma etapa da Prova 9 de Julho, uma das mais tradicionais provas de ciclismo do Brasil. Não aconteceu. É uma vergonha, e não só para o esporte ou para o ciclismo. Os organizadores da tradicional prova alegaram que não tiveram condição de realizar a edição deste ano e ponto final, mais um ano sem 9 de Julho. Para quem não sabe ou nunca esteve lá para ver, não é uma prova de ciclismo qualquer, mas um evento público tradicional que faz parte da história não só do ciclismo, mas de São Paulo. Já foi primeira página de jornal, já foi transmitida por rádio e TV, teve grande público, como de final de futebol, quase morreu, mas vinha crescendo firme nestes últimos anos, com um número para lá de expressivo de participantes profissionais e amadores, e um público assistente nas ruas a cada ano mais presente e entusiasmado. Os custos para realização de uma prova destas não é pequeno e envolve entidades privadas e a Prefeitura. Agora, os custos de não realizar uma 9 de Julho ou qualquer outro evento de cunho social e histórico é imenso. Só se tem uma estrutura social estável, que vive em paz e constrói bom futuro, quando suas tradições são respeitadas. Mais ainda, no exato momento que se discute o futuro das mobilidades ativas em São Paulo, suspender "o" evento ciclístico do ano é um contra-senso sem tamanho. A bem dizer é uma burrice inominável.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

O ciclista trabalhador na contramão não tem outro caminho

Fórum do Leitor
O Estado de São Paulo

É impressionante a quantidade de ciclistas passando pela contramão e na estreita calçada na av. Cidade Jardim esquina com a rua Dr. Mário Ferraz, a maioria trabalhadores de baixa renda voltando para casa. Moram do outro lado do rio e só conseguem ter acesso ao Centro Expandido, onde está a maioria dos empregos, por ai e assim. A enorme ponte estaiada, orgulho paulistano, está exatamente em frente a grande favela Real Parque, poderia dar acesso ao corredor de ônibus e ciclovia Berrini, mas simplesmente não permite a passagem de pedestres e ciclistas. A ciclovia do rio Pinheiros que passa sob a ponte também é inacessível ai. O número de ciclistas indo ao trabalho pela contramão da Marginal Pinheiros entre a favela e ponte Cidade Jardim também impressiona. Para os pedestres resta ou longa caminhada até a ponte mais próxima que está longe ou encarar lotados ônibus. CPTM também está do outro lado do rio. É assim para boa parte dos moradores do lado de lá do rio Pinheiros. O problema é mais ou menos igual em todo São Paulo, mas quem se interessa? A mobilidade paulistana é tratada pontualmente, como no caso recente dos patinetes, e não com uma visão séria, realista, para todos, que vise resolver problemas macro que são ou vão se tornar crônicos.


A ciclovia rio Pinheiros não só poderia, como deveria, ter acessos em todas as pontes para evitar que ciclistas se lancem ao perigo da Marginal, o que fazem hoje e é fácil de comprovar. Várias questões dificultam a instalação destes acessos: custo e falta de espaço talvez sejam os principais O poder decisório olha qualquer projeto pelo lado custo / benefício. Não temos ainda a cultura do custo hoje / benefício futuro no que diz respeito a mobilidade. As demandas imediatas são enormes, como a dos transportes de massa, e no meio da crise brutal que vivemos a decisão cai sobre o prioritário urgentíssimo e nada mais. Acessos e pontes para ciclistas custam muito e são difíceis de justificar para o povão. "Vão gastar com bicicleta e não vão consertar buracos no corredor de ônibus", para citar um mínimo exemplo.

Alguns acessos poderiam ser resolvidos de maneira não convencionais, sem grandes gastos ou obras, o que o poder público não costuma aceitar por razões legais e outras mais. Infelizmente há um forte corporativismo em torno da mesmice, e bota mesmice nisso. Bom exemplo pode ser do acesso a ponte e avenida João Dias, hoje uma realidade criada pelos ciclistas. Eles abriram um buraco na cerca, passam por estreito espaço entre as paredes da ponte, pulam esta parede e cruzam dois acessos de alta velocidade da marginal para bairros de baixa renda: Jardim São Luís, Jardim Ângela, Capão Redondo, Campo Limpo, Taboão... O número de ciclistas aí só faz crescer. Houvesse flexibilidade por parte do poder público seria possível oficializar este acesso com obras e ações de engenharia de trânsito, mas não há, e estamos a um ano luz disto. Os ciclistas continuarão a se arriscar muito neste local para seguir viagem com segurança e rapidez pela ciclovia, que é a maior parte de seus trajetos, num cálculo próprio de custo / benefício bem sensato. Situações como esta se repetem por toda cidade, com diversos graus de periculosidade. 

Na outra ponta da ciclovia do rio Pinheiros, ao lado da ponte Jaguaré, uma passarela que ligaria ao Parque Villa Lobos e ao Jaguaré e Osasco, caminho de vários trabalhadores, permanece desmontada e jogada ao relento faz muito. Está debaixo do viaduto que cedeu faz uns meses, em frente ao Parque Villa Lobos, por onde acessariam os ciclistas. Talvez quando for consumida pela ferrugem digam que não serve mais e abram uma nova licitação para um novo acesso, o que não seria o primeiro caso do gênero.

"Todos somos pedestres", sempre diz Reginaldo Paiva

Mesmo todos sendo pedestres o poder público não foi e continua não sendo capaz de resolver problemas crônicos dos pedestres, que são inúmeros, dos mais diversos tipos, alguns graves.
As calçadas que ligam a Estação Vila Olímpia CPTM, que está na Marginal Pinheiros, ao interior do bairro são muito estreitas e obrigam os pedestres trabalhadores a caminhar no meio das também estreitas ruas. Em horário de pico o que se vê é um absurdo que demandaria medidas urgentes, mas nada. Ao lado da estação há um acesso à ciclovia do rio Pinheiros por meio de uma perigosa escada que já causou vários acidentes com ciclistas usando sapatilha com taco. Também é óbvio que os ciclistas entram em conflito com os pedestres. O detalhe é que a rua é indicada como um dos acessos dos carros à marginal. Enfim, viva o caos. Que se dane os pedestres.

Pedestres e ciclistas têm seus caminhos naturais que na medida do possível devem ser respeitados. Normalmente é o caminho mais curto e sensato. As cidades onde a mobilidade ativa está sendo construída com bons resultados dá prioridade a pedestres e ciclistas, nesta ordem. Aqui não. O fato é que nossa engenharia de trânsito ainda é obsoleta, rodoviarista, muitas vezes perigosa, muito perigosa. E estou sendo bonzinho.

domingo, 23 de junho de 2019

Crianças pequenas vendendo balas no sinal


Fórum do Leitor
O Estado de São Paulo

Faz muito tempo que crianças pequenas, todas com menos de 7 ou 8 anos, algumas com 4 anos, se tanto, vem colocando sacos de balas nos espelhos dos carros que esperam abrir o sinal da av. Nove de Julho esquina com av. Brasil. A situação é completo absurda por si só, mais absurda ainda quando este cruzamento é um dos caminhos preferenciais para a Câmara dos Vereadores, a Prefeitura de São Paulo, e pela av. Brasil para a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. É impossível acreditar que nenhum político, o próprio Prefeito, seus assessores, e ou Deputados Estaduais nunca tenham visto a situação que já vem de anos. A sede de um dos principais partidos políticos do Brasil (PTB) fica a menos de 50 metros da esquina. Com tanta autoridade passando por lá precisa denunciar? O "pai" das crianças outro dias colocou mais alguns para também trabalhar na esquina da rua Venezuela com av. Brasil, todos muito pequenos. O negócio deve ser lucrativo. É fácil identificar o "pai", só não o viu quem não se interessa pelas crianças. Hoje é domingo e lá estão 5 deles "trabalhando" no meio dos carros. Pelo jeito esta situação só se resolverá quando um deles for atropelado e morrer. Aí vira uma gritaria e a culpa será do motorista ou motociclista.

quarta-feira, 19 de junho de 2019

"obra de arte" brasileiro


O sonho de todo brasileiro é ter um ponte estaiada na sua cidade. São José dos Campos é o exemplo mais recente deste desejo tupiniquim e terá a sua em breve no meio da área rica da cidade, justo ao lado do mais chic shopping center. Bingo! São Paulo é muito importante e tem duas pontes estaiadas, a mais famosa e publicitada, o grande X da questão na Marginal Pinheiros com av. Roberto Marinho, ex Águas Espraiadas, e outra bem menor e mais simples, mas ainda assim estaiada, na Marginal Tiete com av. do Estado, pertinho da ponte das Bandeiras. 
Não gosto de pontes estaiadas, prefiro ver o horizonte, o que as pontes tradicionais permitem por serem baixas, ao contrário das estaiadas. A vista de cima das tradicionais é livre, roda-se o corpo e é possível ver em 360º, horizonte completo.
Dá para entender esta paixão nacional estaiada. As ditas obras de arte, seja lá o que isto queria dizer, incluem pontes, e convenhamos que as pontes tradicionais que temos por aqui só podem ser arte para engenheiros de prancheta. Provavelmente sonharam em fazer arquitetura, voar livre, virar artista plástico famoso formado pela FAU, mas acabaram bons artistas em cálculos e desenhos pranchetas. Nada contra, mas falta ousadia, mas muita ousadia mesmo, desbunde. Os projetos de engenharia brasileiros são muito respeitados lá fora, mas aqui falta muito para poderem ser chamados de interessantes, agradáveis. Talvez a Lei de Licitação , a famosa 8.666, a lei do infinito apocalipse, como diz seu número, atrapalhe um tanto, mas de resto estamos a um ano luz para nossa engenharia produzir "obra de arte". Mas como eles são os donos da bola, nós cá ou chamamos de obra de arte ou não tem jogo. E concluída a obra de arte, leia-se ponte, esquece manutenção, palavra inexistente no dicionário da administração pública. Aí algumas "obras de arte" que até são bacanas, bem projetadas, delicadas, esteticamente equilibradas, com um que de arte, mas de tão descuidadas que só podem ser chamadas de engenharia. 

E nesta toada, a dos donos da bola, agora outros, os da bicicleta, foram pintados caminhos no asfalto ou no cimento que um dia cobriu jardins e gramados. Eu quero pedalar, o resto que se dane. A ironia é que são ambientalistas, mesmo quando o canteiro central verde dá lugar ao cimento vermelho da ciclovia. 
Não era para ser assim. Teve gente por aqui que sonhou. 
O link acima, na primeira linha, é sobre a Bienal de Arquitetura para Bicicletas (tradução porca). Não custa sonhar. Ou ficar com raiva.

sábado, 15 de junho de 2019

Pequeno histórico paulistano dos descaminhos do transporte e mobilidades:

Patinete ou no patinete, eis a questão. Minhocão ou não minhocão, eis a questão. Quadro viagens ou duas viagens, eis a questão. Monotrilho ou não monotrilho, eis a questão. Indecisão, eis a questão. 
Não decide quem não sabe sobre o que está falando nem para onde está indo.

Ponto de partida para tentar entender a baderna que vivemos no transporte e mobilidades: A lei diz que a qualidade e manutenção das calçadas é responsabilidade direta do proprietário do lote lindeiro; ou seja, o poder público não está nem aí e calçada é de ninguém. Como definir o que queremos no transporte e mobilidades se sequer entendemos a importância capital de ter calçadas por onde seguir um caminho tranquilo e seguro?

A verdade definitiva é que não temos políticas de estado, aquela que é estabelecida como norte do futuro de nossas vidas. Vamos ao bel prazer dos ventos, sem rumo, sem destino, ao sabor das ondas e marés. No transporte não é diferente, e agora também nas mobilidades. Onde estamos e para onde queremos ir, eis a questão fácil de responder: deste jeito para lugar nenhum. Ou para o abismo. Escolha.

Transporte e principalmente mobilidade depende integralmente do que é e se pretende com a cidade, ou seja, com a vida coletiva. Se inexiste sentido claro sobre o que cada um de nós, como indivíduos, desejamos do coletivo, inexiste uma noção clara e proveitosa sobre o que é rua, bairro, cidade. "A calçada é minha (individual) e faço o que quiser (como o coletivo). O vizinho faça o que quiser, não é meu problema e nem vou falar nada. O poder público não fiscaliza mesmo". Resumo: a cidade não existe.
A reboque da calçada de ninguém vem o direito de ir e vir, liberdade, justiça social, educação e saúde, pontos pacíficos para a construção de um futuro melhor. Vocês tem filhos, netos, sobrinhos...?

Pequeno histórico paulistano dos descaminhos do transporte e mobilidades:

1933 Prestes Maia cria o Plano de Avenidas de São Paulo, propondo derrubar todo Centro e reconstruí-lo com grandes avenidas radiais, um delírio sob inspiração da renovação de Paris de Haussmann em 1852. O projeto de Prestes Maia incluía metro na cidade, que só se tornou realidade a partir de 1968 no Governo Abreu Sodré com início da construção da primeira linha de Metro, ou seja, 35 anos depois. Como detalhe, a estação Sé na época foi considerada um absurdo de grande. Pouco tempo depois de sua inauguração a Sé já estava saturada.
Veja desenhos e explicações em:

1971 Paulo Maluf, que vendia elevados como solução para o trânsito, inaugura o Minhocão. Na época um grupo de urbanistas fez pesadas críticas ao projeto tendo como referências o que estava acontecendo em outras cidades do mundo, mas nem mesmo eles poderiam imaginar o nível de degradação que o Minhocão causaria não só em seu entorno, mas em todo Centro de São Paulo. Maluf até hoje é elogiado por suas obras, mesmo que boa parte delas tenha problemas e se sabe muito dinheiro...

1974 Figueiredo Feraz inicia a construção da "Nova (av) Paulista" criando um boulevard que faria que veículos cruzassem a avenida numa via expressa subterrânea. Também prevista ali a construção de uma linha de metro. Do projeto só restam dois quarteirões mais o cruzamento por baixo da av. Consolação. Tivessem terminado o projeto a interdição da Paulista para a população teria acontecido faz décadas. Mais, o boulevard estimularia mais vida que temos hoje neste ponto central da vida paulistana. http://www.saopauloinfoco.com.br/a-nova-paulista-e-o-calcadao-que-nao-deu-certo/

1974 - 1992 Alguns projetos de ciclovias são criados, mas o único colocado em prática foi o da av. Juscelino Kubistchek que ligava nada a lugar nenhum. Dos projetos que mereceram mais atenção e o único que quase saiu do papel foi a ciclovia de ligação entre o Parque do Ibirapuera e Cidade Universitária da USP passando pela JK. Tanto o alto custo da ponte sobre o rio Pinheiros quanto a confusão jurídica do então Parque do Povo, por onde a ciclovia teria que passar, derrubaram o projeto. Provavelmente na mesma época surgiu a ideia de uma ciclovia acompanhando o rio Pinheiros, mas também pela confusão jurídica de quem manda na área o projeto se arrastou até morrer com a inauguração da ciclovia na outra margem do rio.

1982 Projeto de Viabilização de Bicicletas como Modo de Transporte, Esporte e Lazer para o Estado de São Paulo entra no Programa de Governo Franco Montoro. A proposta prevê desde a reorganização do setor da bicicleta até a melhor forma de fomentar o uso da bicicleta nas cidades, com preocupação com a melhora da qualidade de vida no interno de bairros. Propõe uma base legal tanto no CTB quanto para as questões urbanas e de qualidade da bicicleta. Propõe também um projeto completo para a cidade de São Paulo baseado em longa pesquisa de campo, não só o sistema cicloviário, mas a educação dos ciclistas, correções no setor, leis, metodologia...

1993 é apresentado para a Prefeitura de São Paulo o Projeto de Viabilização com um desenho básico de mais de 250 km de sistema cicloviário que incluiria ciclovias, ciclofaixas e acalmamento de trânsito, sinalização completa, educação dos ciclistas e leis. Covas, o Prefeito, aprova, mas o projeto é duramente rejeitado pela CET SP
1986 Jânio Quadros deforma os corredores de ônibus, projetos e iniciados na gestão Mário Covas, o que causa a completa deterioração das avenidas Santo Amaro e Celso Garcia. O projeto original, aos moldes do bem sucedido sistema de ônibus de Curitiba, previa quatro terminais de integração e a circulação exclusiva de ônibus articulados nestas avenidas. 

1990 Luiza Erundina manda aterrar as obras do boulevard Juscelino Kubistchek iniciadas pelo Prefeito Jânio Quadros. Hoje teríamos duas avenidas importantes abertas para a população, a Paulista e a JK. Enrundina reconhece em entrevista que este foi seu maior erro como Prefeita.

1994 Maluf cria o Projeto Ciclista dentro da Secretaria de Verde e Meio Ambiente comandada por Werner Zulauf. Gunter Bantel é o responsável por tocar o Projeto

2005 Projeto GEF - Banco Mundial para fomento do uso de bicicletas na periferia, para transporte de população trabalhadora de baixa renda. 

2007 Walter Feldman da Secretaria de Esporte e Lazer de São Paulo cria a Ciclo Faixa de Domingo  São Paulo com apoio de Eduardo Jorge da SVMA. O sucesso é imediato.

2007 José Serra, Governador do Estado, cria da ciclovia do rio Pinheiros  

2012 Haddad propõe e entrega mais de 400 km de ciclovias, que na realidade são ciclovias, ciclofaixas e rotas para ciclistas

2017 Dória para todo processo de construção das ciclovias e ciclofaixas para avaliar e reorganizar o processo. Ciclovias ou ciclofaixas ou urgência de um plano diretor para mobilidades?

Planos diretores? Quantos? No que resultaram? Foram respeitados?