domingo, 3 de maio de 2026

Zanardi; renascer, reinventar, renascer, reinventar, renascer....

 


Sem mais palavras. Aliás, muito obrigado, muito obrigado 

Inaugurada a terceira maior ponte marítima do Brasil

Quarenta anos de projeto? Aos brasileiros, assistam os capítulos sobre a China atual que está passando no JN da Globo para entender onde nós, brasileiros, estamos. E o que significa estes 40 anos de projeto. Me faz lembrar a Serra do Café na Regis Bitencourt.

Sobre o ambiental, óbvio que uma nova obra cria problemas. A questão é que nós, brasileiros, riscamos do dicionário "contornar com inteligência", que vai ou deveria ir mais ou menos pelo mitigar. Em outras palavras, como mitigar, como transformar um problema em uma alavanca para a solução prática, eficiente e inteligente? Sem números, muitos números, dados precisos sobre todos ângulos, fica difícil saber. 

Números, dados, pesquisas, ciência? Não é nosso forte. Planejamento bem estruturado, de curto, médio e longo prazo? Também não.

O que me assusta nesta história é alavancar o turismo. Este sim poderá ser o pior problema ambiental. Pior mesmo! Os exemplos, inúmeros, quase todos, não deixam dúvidas. 

Valor agregado? Aqui? O que é isso? O Brasil que funciona para valer, e como funciona bem, só nos dá prazer porque trabalha sob os sistemas ISO e outros de qualidade. Quando chegamos a coisa pública... ah! a coisa pública! caímos num populismo Balneário Camboriú. 

Medo do turismo? Lógico que tenho. É para menos?

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Lixo, reciclável

O saco plástico cinza é para lixo comum, úmido, descartável; o verde deve ser usado para o reciclável. Já comecei errado, não é lixo, é... resíduo? Resíduo. Depois procuro, ou lembro.

Nós pegamos muitas e muitas mais destas sacolas plásticas. Eu sou cuidadoso com o meio ambiente, mas de vez em quando esqueço minha sacola em casa, então taca pegar sacolinha plástica (paga) no supermercado. Quantas? Sei lá. A verde é para reciclagem, a cinza para resíduos úmidos. Isto todos sabemos, ou deveríamos saber. 
Resíduos úmidos no verde, é isto? Mas quem se importa? 
Um passo atrás, quem se lembra o que é o que? Não sei qual é o percentual de clientes que na correria do caixa do supermercado vão se lembrar que tipo de lixo tem em casa. Desculpem, quanto resíduo, politicamente ou ambientalmente correto tenho em casa? Quem vai se lembrar se precisa de uma sacolinha cinza ou verde? Faz diferença? O lixeiro, desculpem, o coletor olha e separa por côr? Não tem tempo para tanto. Ele desce do caminhão de lixo correndo, pega os sacos plásticos e o que mais for, correndo, joga tudo no triturador e se pindura na traseira do caminhão para a próxima coleta, correndo. Ele tem tempo para ver a cor da sacola? Alguém fiscaliza?

Chego do supermercado com as benditas, que na realidade são malditas sacolinhas plásticas, tiro tudo delas em cima da mesa, guardo tudo, geladeira, armário, lavanderia, e sento com copo de água gelada para um breve descanso, recuperar as forças do calor fornalha da rua. Dou um gole, pego uma delas para dobrar bonitinho, tipo terapia. UAI? Nunca tinha visto aqueles desenhos estampados na sacola. Ou não prestei atenção. Ou não me lembrava mais. Pego a segunda e vejo que são uma explicação / propaganda de qual uso correto se deve dar a elas.

Não tem nada mais ineficiente que repetir a mesma coisa sempre, principalmente se a informação não for entendida como prioridade. Meio ambiente é prioridade? No Brasil boa parte diz que sim, mas dizer é uma coisa, agir é outra. Em se falando sobre meio ambiente urbano a coisa então fica feia. Coitados dos varredores, coletores de lixo, lixeiros, para muitos cidadãos eles são o fim da linha social. Fim da linha social? Upa! Fim da linha social???? 

Um minuto para nossos comerciais. Esta é a cor da água captada da chuva do telhado de minha casa. O telhado foi lavado na última chuva, faz uns cinco dias, mesmo assim... 

Seguimos com nossa programação.

Toda terça-feira pela manhã passa o caminhão de lixo reciclável. Eu prefiro levar meu reciclável até um centro de coleta aqui próximo. Fato é que cada vez que levo fico espantado com a quantidade de lixo que eu sozinho gero. E olha que me preocupo, tento reduzir. Você já se preocupou em ver quanto lixo gera?

O Brasil recicla muito pouco. Exceto alumínio. O resto, plástico, papel, outros metais e sei lá mais o que, é menos reciclado do que deveria ou poderia. Há técnicas modernas de reciclagem que não sei se são aplicadas por aqui já que nunca vi notícias. Hoje existem máquinas com uma capacidade incrível de separação e preparo do material para reuso. 

Na Holanda estão testando pavimentação com placas modulares feitas de plástico reciclado. Os primeiros resultados são ótimos.


Falando em reciclagem, alguém sabe que fim se está dando para a quantidade absurda de entulho que vem sendo gerada pela demolição de casas e edifícios, mais o entulho das construções? Onde vai parar tudo isto.

Lembrando que há uma política federal sobre destino deesíduos que, como tudo neste país, deveria estar muito mais adiantada do que está. Pelo país lixões pupulam nos lugares mais distantes e escondidos. Já o entulho é frequente de se ver pela cidade, inclusive em bairros ricos. A rua Canada, no Jardim América, bairro para lá de nobre da cidade de São Paulo, que o diga. Alguém reclama? 

PSG 5 X 4 Bayern



O futebol que se prática por aqui é um bom reflexo do que é o Brasil: arbitragem que lembra o STF, jogadores caindo como que quisessem falar no celular durante o trabalho, visual selfie para se diferenciar, o técnico sempre é o culpado, assim como o empresário, patrocinadores ricos, mas curiosos, assim como os carrões milionários que circulam esnobando pelas ruas...

Vale notar que na Europa futebol é um dos esportes populares, uma das modalidades de grande público, sem esquecer as outras. Em outras palavras, todos importam, todos interessam. Aqui, Futebol, Ponto final. Lá, Europa, ou primeiro mundo, unidos, mesmo que diferentes, num objetivo coletivo, o que se reflete no esporte, nos esportes, na noção de trabalho coletivo, responsável, responsável pelo próprio grupo e consciente da responsabilidade por todos outros. Aqui, nós e eles, o outro é um inimigo, eu sou o único, eu sou o bom, eu sei, o que valida qualquer simulação de dor, o urrar o mal que outro faz, o erro grotesco do juiz em nome de uma "vitória arrasadora sobre o adversário, leia-se inimigo.

Nelson Piquet, o tri campeão de F1, disparou que para o brasileiro o segundo colocado é o primeiro perdedor. Definição correta, brilhante e trágica ao mesmo tempo. Assim trágica que terá quem qualificará ou desqualificará qualquer palavra de Piquet num nós e eles, coisa de país de semi deuses a serem seguidos.

"Perdemos porque ele não estava em campo". Responsabilidade coletiva?

Gostaria de estar da saída do estádio deste PSG 5 x 4 Bayern para ouvir os comentários do público. Duvido que os torcedores franceses tenham pensado de forma tão desrespeitosa dos torcedores alemães. Antes de ser futebol, é a arte de um continente. Por isto são o que são.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Anunciado o fim da Rádio Eldorado

Enviada a Rádio Eldorado 

A notícia é horrorosa, no que mais literal há no termo. E não digo isto de forma emocional, mas racionalmente, sim com uma forte dor emocional. Não sei o que acontece, mas posso imaginar, ou não. O ou não me preocupa mais ainda, a saúde do Estadão.

Um país, um futuro, se constrói sobre o respeito ao passado. Brasil está sendo trucidado faz tempo, em vários sentidos, mas especialmente em sua memória. O que vem acontecendo aqui em São Paulo é deprimente.

A perda de uma rádio de importância histórica, como a da Rádio Eldorado, deveria ser inaceitável, mas não é.

Nasci junto a ela, a Rádio Eldorado. Morro muito se realmente dia 15 de maio ela silenciar.

Ironia do destino, ao qual não tenho como agradecer, trabalhei para a Eldorado por dois anos.

Enfim, estou destruído.

Não tenho como agradecer a todos vocês que estão aí, por trás dos microfones, do aquário (estúdio), na redação e em outros.

Com profunda dor e de longe, estou com vocês neste tétrico velório.


Forte abraço a todos. Muito, muito, muito obrigado



quarta-feira, 22 de abril de 2026

Quem censurou?

Escrevi comentários em jornais sobre textos e artigos publicados. Publiquei e depois descobri que foram despublicados, ou seja, retirados dos comentários. Aconteceu duas vezes. A primeira veio uma explicação que li, mas não tinha nada a ver com meu texto. Não ofendi, não xinguei, não escrevi palavrões. Fiz críticas para alguns dos comentaristas generalizando: "precisamos conversar feito adultos", uma resposta aos que insistem em apontar o dedo para o outro, aquela história de "nós e eles" que trouxe o país, Brasil, onde estamos. Aliás, onde estávamos, a coisa dia a dia fica muito mais feia, coisa de aluno de 5ª série, como acaba de dizer um senador sobre o bate boca dos chefões, os pederosos lá de cima. 

Já entrei em jornal grande, no Estado de São Paulo, na Folha de São Paulo e Diário do Comércio de Recife. Em todos eles, num canto, em uma sala fechada e silenciosa, ficavam (e devem continuar) os revisores, um grupo de experientes leitores que lêem o jornal de cabo a rabo a procura de erros ou impropriedades. (Rindo vou escrever que) A redação é o inferno e os revisores são os santos da casa. Se não é isto, deve ir por aí.

A pergunta que me faço é se os comentários estão sendo revisados por IA. Como no fim de alguns dos textos publicados vem a informação do uso do IA, acredito que a triagem dos comentários também esteja sendo realizada por IA, o que acho muito perigoso. Aliás, depois da entrada em cena do IA nas redações o número de erro crassos, os que até eu pesco, aumentou muito, muito mesmo. De qualquer forma, tendo a acreditar que meus comentários caíram pelo IA. Se for isto, uau!
   

Mata a véia!

"Mata a véia!", dependendo de quem ou porque diz, também pode ser "Não mata a véia não"; sem exclamação.

Algo cai no chão e de bate pronto alguém solta um "Tá vivo. Mata, mata, mata!", e todos riem.

"Morre, morreu, antes ele do que eu", esta acho que não precisa comentários.

Meu cunhado, um piadista incontível, entrou em casa, e para minha mãe começou com uma das suas, "Sogra boa tem que ser como cerveja". Ela, rindo, sabia que vinha besteira da grossa, então pediu, "Vamos, termina", e ele disparou "Gelada e em cima da mesa". A gargalhada foi geral e incontida, inclusive de minha mãe.

Tem a politicamente incorreta, o sempre repetido "Bandido bom é bandido morto". Ditado burro digo eu, porque bandido bom é aquele vivinho da silva que dá com a língua nos dentes, traduzindo para a geração mais nova, dedura, entrega tudo, fornece informações para que outros entrem em cana.

E por aí vamos, mata tudo e todos. Não sobraria ninguém, nem nada. Tudo morto. Sobrariam risadas?

Numa sessão de cinema, os trailers foram todos um banho de sangue, contos de terror, assassinatos, lutas cheias de mortos. Isto antes do filme 'Drama', uma mistura de drama e suspense que tem como ponto de apoio para o seu roteiro uma ação violenta que não se realiza. Tudo gira em torno do quis matar, mas não matou, e da consequente reação coletiva a notícia. O que o banho de sangue dos trailers têm a ver com o filme não faço ideia, mas "mata!", da forma que for, porque é rentável, mui rentável, dindin. 
Nos filmes é ketchup, mas traduzindo, traz o desejo real e profundo da plateia: ver sangue quente jorrando. Se fosse sangue para valer, o de verdade, ia ter um bocado da plateia histérica e vomitando.

Faz um bom tempo Antônio Penteado Mendonça soltou num Crônicas da Cidade da Rádio Eldorado, um texto sobre como resolver a bagunça no legislativo: soltar algumas onças pardas esfomeadas no plenário e trancar as portas. (Enquanto escrevo isto dou risada). Como piada, como delírio libertador (?!?), funciona.

Voltando a coisa séria, que dá vontade, isto dá, mas resolve? Vontade do que? "Eu mato, eu pico, eu ponho no pinico", me dizia minha irmã quando ficava brava com minhas travessuras. 
Bem..., não, a história diz que não, que via de regra piora a situação. Gandhi e Mandela mostraram um caminho muito mais tranquilo, que não resolveu tudo, mas foi bom porque não deixou ou criou ressentimentos duradouros e perigosos.

Um dos mais brutais momentos de revanche, é a história de Vlad II, que ficou conhecido como o Empalador, ou Draculea, ou Conde Dracula (~ 1448) em suas inúmeras versões de grande sucesso. Empalador? Empalar é uma das técnicas de tortura e assassinato mais brutais já praticadas, transpassar um corpo com uma estaca. Não dou mais detalhes porque realmente é de revirar o estômago. Vlad II fez uma floresta de empalados, uns 5 mil, em vingança ao assassinato de sua amada mulher. No cinema, ou na imaginação do povo, um Dracula bem mais romantizado faz sucesso, mas Vlad II faria o mesmo sucesso na vida real?

Está claro que a humanidade quer dar um basta ao que incomoda. Vide os malucos que estão por aí em todas partes. Eu concordo em grau, gênero e número que o que temos hoje não está funcionando para grande parte do povo, mas daí partirmos para um banho de sangue banalizado é uma outra história.  
Incomodar é uma coisa, estar errado é outra. Estamos fazendo uma tremenda confusão aí. Segundo historiadores, nunca na história da humanidade os incômodos foram tão poucos, mesmo para os que tem maiores dificuldades.
Errar é humano,  as concordo que deve haver limites, e tem gente indo muito além, mas muito além...
Banalizar a morte, como está acontecendo aqui, é inaceitável. Como sabem que dificilmente serão pegos, então matam, fácil assim. É o viés inaceitável do "tá vivo? então mata!", aqui não falo sobre politicamente correto, mas o asquerosamente inaceitável.

Queremos soluções fáceis e rápidas. Mata! Será? Qual a dos filmes? De nossa imaginação fértil?
Uma coisa é certa: até ketchup espirada na blusa do outro cria confusão.