terça-feira, 25 de agosto de 2026

O assassinato do ciclista e outros linchamentos

Passados alguns dias do assassinato do ciclista a cena se repete. O primeiro foi morto a pauladas, o segundo estrangulado. E assim caminha a humanidade... Desculpem minha falha, corrigindo, assim caminha o Brasil.

O primeiro pegou a bicicleta da irmã e no meio da rua foi tido como um ladrão de bicicletas, pelo menos foi o que alegaram os dois primeiros que o atacaram e lhe tiraram a bicicleta. Depois convidaram mais dois entregadores de bicicleta que estavam de passagem para acertar as contas com o "ladrão de bicicletas" e juntos encheram o "ladrão de bicicletas" de pauladas até ele apagar. Justiça feita, foram embora abandonando o corpo no meio da rua, que minutos depois foi pego pelo SAMU já sem vida. Como esta história horrorosa é mais ou menos conhecida por todas não entro em detalhes, mas não vou deixar de dar o gran finale, a sutileza no capricho: um dos que fez justiça voltou à delegacia para dar depoimento pedalando a bicicleta do "ladrão". Assim caminha o Brasil varonil.

No segundo caso, um jovem teve um surto no meio da rua, tentou esganar uma palmeirinha num vaso (literalmente), largou a coitada da palmeirinha e seu vaso, colocou a mão na cabeça, urrou aos céus, e aí chegaram os heróis para normalizar a situação e dar paz a todos. Um deu um mata leão, o outro subiu em cima no corpo que estrebuchava na calçada, e quando a rua voltou a calma e o silêncio  devidos abandonaram o corpo estendido no chão e se foram. 

Pergunta: qual a diferença destes dois absurdos com a forma como os "nós" vêem e tratam os "eles"; e os "eles" vêem e tratam os "nós"? "Vai de retro Satanás! Sai deste corpo!" Haverá alguma correlação entre estas duas barbáries e os exemplos dados pelos que servem de exemplo público? "Eu sou o bem e o outro, aquele diferente, aquele que tem o mal em si, aquele que não crê no eu creio, o que nós, os bons cremos, tem que arder no inferno". "Torcedor do outro time tem que morrer!" "Intrigas..."

Não sei como estará agora, mas não faz muito Brasil era um dos campeões mundiais em lixamento. E, convenhamos, profusão de linchamentos, os mais diversos tipos e modos, os públicos, os coletivos, os ao livre, os nas mídias, os dos tribunais do crime, e os das frequentes desvirtuações da coisa pública, aquela que está fazendo e andando para os brasileiros, aquela que está hoje, esteve ontem, e mui provavelmente estará amanhã nos jornais em meio a notícias 'deliciosas' de se ler. Não escapa um. Aquele maravilhoso exemplo que vem de cima, aquele que nos dá pauladas, mata leões, que são donos do poder de fazer o que bem entenderem, nos deixam largados em frangalhos e se vão para suas casas, seus lares, suas famílias, seus amigos com certeza de dever cumprido.

Caprichei nas tintas? O quadro geral saiu bom? Ou poderia seu um pouco mais..., mais... Não tenho palavras para expressar me. (Burro!)  


O primeiro, o rapaz da bicicleta, tinha alguma deficiência, era tímido, quieto, e a única reação foi tentar não perder a bicicleta da irmã que o amava e ama. O segundo tinha acabado de receber a notícia da morte do pai. Quem se importa? Quem se interessa?

Estes e tantas outras barbáries que vivemos há tempo... (que chatice de texto repetitivo)

Enfim, em quem você vai votar nas próximas eleições? "Nossa, que coisa chata! Que coisa fora do contexto! Que absurdo! O que tem a ver uma coisa com outra?" Boa pergunta!: o que tem a ver uma coisa com outra? Responda você.

Quanto vale uma vida no Brasil? 

Numa das apresentações do movimento Brasil Adiante uma debatedora colocou que urge entender a situação não só com os dados (estatísticas) de mortes, mas com os dados que apontam a realidade das ocorrências. 

Pergunta final: será que é necessário estar morto para estar morto?

Que vida você quer? Eu não tenho duvida: civilidade, respeito, diálogo, bom senso, união para a construção de qualidade de vida para todos. 

Chega de barbárie, todas, de todos! 

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