A brincadeira das escolhas que temos na vida começa pelo avatar que se vê aqui (nos comentários do Estadão). Sem minha autorização eu virei um avatar loira. Nada contra as loiras, muito pelo contrário, mas mudei, e não tenho opção de ter uma foto minha. Se sequer podemos escolher que imagem nos representa (sorria para o selfie! Sorria!), imagine só quando se fala no direito a própria morte dentro de uma cultura enraizada em misticismos religiosos.
Nesta vida só duas coisas são absolutamente certas: pagar impostos e morrer. Em relação aos impostos se pode (e deve) discutir uma reforma tributária ou coisa que o valha. Sobre a morte não há discussão, e deveria haver. Urge que a sociedade inicie uma conversa aberta e honesta sobre "morte", toda e qualquer. Num país, Brasil, onde se morre indignamente das formas mais absurdas, das violentas (que somos um dos campeões mundiais), às desnecessárias, das estúpidas e finalmente das que se vive morto em nome de um ótimo negócio dito medicina, não abrir honestamente o assunto 'morte' é uma completa insensatez. De todas, a mais brutal é a vida-morta em nome da moralidade, religiosidade, e principalmente de um busines que tudo indica altamente lucrativo. "Morrer é pecado!" foi uma invenção para manter a rentabilidade dos negócios, e falo sobre muitos séculos passados. Igualzinho a hoje.
Aproveito para deixar a recomendação: leiam "A história da morte no Ocidente", de Phillipe Airès. Desmonta as verdades que vivemos. E se quiserem fechar o círculo, leiam "História da Felicidade", de Peter N. Stearns. Os dois juntos não deixam pedra sobre pedra.
Como sempre, obrigado Karnal.
PS.: Desde que me conheço por gente exijo que respeitem o meu direito a morte. Como cuidei e cuido de muitos que estão na reta final, afirmo com todas as letras que 'a forma como nós, brasileiros, tratamos a morte é canalha. Não há outra palavra para definir.

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