sexta-feira, 12 de abril de 2013

Qualidade e conhecimento

Comentário publicado em http://escoladebicicletacorreio.blogspot.com.br/ sobre o texto ‘bicicletaria recusa o serviço’:

Carlos S. Akamatsu - 9 de abril de 2013 09:15
Caveat Emptor ! Alcorta !
Interessante este assunto. Veja a diferença entre o conhecimento entre o Mr. T e o Mr. Bike Repairman.
Como muitos gostam de uma pechincha, e, na hora da compra só pensam em economia ... Dá para fazer paralelos com a vida política ... em várias obras, como as ciclovias ... barata sai ... caro obviamente, mas o custo não é monetário é o tempo perdido, retrabalho. Que é uma das preocupações de sistemas de qualidade.
Ha, acabamos de novo naquele artigo não "Pelo menos fez algo" ...
O que leva ao problema de educação ...
Bem temos profissionais da área de qualidade ... que aplica nas empresas mas não na vida pública. Aí está uma das omissões e falta de participação de pessoas na vida pública.




Carlos

Vou mais longe. Infelizmente o brasileiro está fazendo mais uma vez a opção pela comodidade, o que se contrapõe à qualidade. Não é só na vida pública, mas em todos setores. A desintegração da indústria nacional, de praticamente todos setores, da economia nacional, de nosso futuro, se deve não só a uma questão de preço, ou de custo, nem só de educação. Há uma questão de carácter nesta opção pela comodidade, pela leniência. Há uma questão de inteligência, de vontade, que infelizmente não tem a ver com educação. Educação é simplesmente básica e primordial, concordo com você e todos, mas por si só não basta.

Conto uma historinha, real, de dentro de umas das grandes fábricas de bicicletas do passado recente brasileiro:
Havia um senhor, que se já não estava aposentado deveria se aposentar bem em breve. Ele havia passado a vida dentro da fábrica, no meio das estamparias, tornos, fresas, soldas... Amava aquilo. Era sua vida, sua alma. Conversamos rapidamente no meio do barulho ensurdecedor do chão de fábrica. O velho baixinho, em seu macacão azul sujo de um cinza graxa típico, voz meio rouca de tanto gritar para ser ouvido, apontou a grande falha da marca de bicicletas para a qual trabalhava:

- Eu já falei lá em cima (na Diretoria) que eles tem que corrigir a diferença de cimentação entre o cone e a bacia (dos rolamentos). Se o cone está menos cimentado (que a bacia) ele desgasta muito rápido e ai o pessoal (compradores da marca) reclamam, falam mal, e com razão. Esta é a diferença (para a outra marca, a competição). No resto somos melhores.

O resumo da ópera é que esta sempre foi de fato a razão da preferência pela outra marca, o que acabou causando a quebra comercial da fabrica. Anos depois, num encontro informal, um dos donos confessou que faltou a eles “ouvir”...

O velhinho é símbolo de uma época de vontade, de sonho de construir. É um dos heróis que fizeram este nosso país; heróis mesmo!

Estes heróis viraram trouxas, o trabalho tornou-se obrigação, a cerveja o símbolo da festa constante e obrigatória.... “Inteligência e esforço para que?”

Hoje o sonho é viver, seja lá o que isto signifique. A maioria não consegue sequer usar a inteligência para pensar que viver com plena qualidade é infinitamente melhor que viver. Viver qualquer um, até qualquer imbecil, vive. Pensar é outra história...

Vejo com profunda preocupação a destruição de valores que vem sendo levada a cabo no Brasil, principalmente causada por um populismo aparentemente barato, mas perigosíssimo.

Riqueza só se constrói com inteligência e esforço, geralmente muito esforço.
(Parafraseando Margareth Thatcher: Populismo só dura até acabar o dinheiro dos outros. (e ai não há mais retorno, digo eu))

Comprar qualquer coisa, aceitar qualquer coisa, antes de um tiro no próprio pé é um ato de uma burrice que não tem tamanho. E aqui entra, de novo, o ótimo comentário do Carlos.
Moto perpétuo.


quarta-feira, 27 de março de 2013

terror nosso de cada dia

Ótimo trabalho de coleta de notícias feito por Alexandre P. Casado, de Maceio, AL. Os links abaixo, um conto de terror sobre a bicicleta no Brasil, foi enviado numa troca de mensagens dos membros da UCB, União dos Ciclistas do Brasil.

Associe-se a UCB.

Arturo Alcorta
Presidente UCB






Em 27 de março de 2013 10:27, Vinícius Mundim Zucheratto e Figueiredo <viniciusmundimz@gmail.com> escreveu:
Costumo utilizar o Google Alertas para receber indicações sobre temas de interesse. http://www.google.com/alerts?hl=pt-PT
Se for marcar um alerta com Bicicleta e Ciclista, vem noticia de vários acidentes todo dia :(



Bom dia Arturo,
É uma satisfação compartilhar informações com esse grupo. Realmente, temos mais coisas ruins do que boas, mas vamos em frente, acredito que o resultado de todas essas lutas será um futuro mais amigável para a bicicleta. Não teremos direito a esse futuro (está muito distante), mas consola saber que nossos descendentes poderão vivenciá-lo.

Grande abraço,
Alexandre
Maceió/AL
De: Alexandre C
Data: terça-feira, 19 de março de 2013 19:07
Para: associados-ucb@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: [ASS-UCB] Danos causados ao cidadão – responsabilidade do poder público, código de trânsito

Prezados amigos do pedal,
Disponibilizo abaixo algumas decisões favoráveis (e desfavoráveis) em relação a nós ciclistas.
Caso algum advogado resolva pesquisar e possível encontrar a fundamentação das petições e sentenças.


Abraço a todos,
Alexandre.
Maceió/AL


Motorista de ônibus é demitido por justa causa por desrespeito ao Código de Trânsito brasileiro – CTB (20/01/2012)
http://olhonotransito.blogspot.com/2012/01/motorista-de-onibus-e-demitido-por.html

Massa Crítica é alvo de inquérito do MP do Rio Grande do Sul (27/12/2011)http://sul21.com.br/jornal/2011/12/massa-critica-e-alvo-de-inquerito-do-mp-audiencia-e-na-quinta-feira/
Ciclista é condenado a pagar R$ 12 mil por atropelar criança (26/10/2011)
http://www.viaciclo.org.br/portal/noticias/46-noticias/742-ciclista-condenado

Justiça ordena incluir ciclovia na SC 405 (01/05/2011)
http://www.viaciclo.org.br/portal/noticias/46-noticias/709-justica-sc405

Motorista que provocou acidente com morte na Rodosol é condenado por homicídio (04/04/2011)
http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2011/04/a_gazeta/minuto_a_minuto/818862-motorista-que-provocou-acidente-com-morte-na-rodosol-e-condenado-por-homicidio.html

Bancário acusado de atropelar ciclistas é solto depois de obter habeas corpus - 27 dias no presídio (09/04/2011)
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110409/not_imp703956,0.php

Atropelador de ciclistas é denunciado pelo MP do RS (21/03/2011)
http://www.estadao.com.br/noticias/geral,atropelador-de-ciclistas-e-denunciado-pelo-mp-do-rs,695203,0.htm

Condenado a seis anos em regime semi aberto, acusado de atropelamento poderá recorrer em liberdade (11/02/2010)
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/02/11/cidades,i=172980/CONDENADO+A+SEIS+ANOS+DE+PRISAO+EM+REGIME+SEMIABERTO+O+ACUSADO+PODERA+RECORRER+EM+LIBERDADE.shtml

Detran é condenado em primeira instância a indenizar ciclista por acidente (14/01/2010)
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/01/14/cidades,i=166436/DETRAN+E+CONDENADO+EM+PRIMEIRA+INSTANCIA+A+INDENIZAR+CICLISTA+POR+ACIDENTE.shtml

Município do Rio de Janeiro indeniza ciclista que caiu em buraco (22/07/2009)
http://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2009/07/22/ult5772u4716.jhtm

Dano moral e estético para ciclista colhido no acostamento (07/04/2009)
http://www.direito2.com.br/tjsc/2009/abr/7/dano-moral-e-estetico-para-ciclista-colhido-no-acostamento

Justiça indeniza ciclista ferido em lombada não sinalizada (11/03/2009)
http://www.viaciclo.org.br/portal/noticias/46-noticias/247-ferido

Prefeitura de São Carlos/SP indeniza família de ciclista que morreu ao cair em buraco (07/01/2009)
http://www.viaciclo.org.br/portal/noticias/46-noticias/187-prefeitura-indeniza

Empresa de ônibus indeniza família de ciclista (17/12/2008)
http://www.jusbrasil.com.br/noticias/409350/empresa-de-onibus-pagara-r-240-mil-aos-pais-de-jovem-morta-em-acidente-de-transito

Em 16 de março de 2013 21:14, Uirá Lourenço <uiradebelem@yahoo.com.br> escreveu:

Com base no CTB, entendo que daria claramente para responsabilizar o Estado, o órgão de trânsito competente, pelo “acidente” na avenida Paulista, o atropelamento do ciclista David Souza. Para citar o caso mais recente e de grande repercussão.
Com o devido apoio jurídico, vejo grande possibilidade de responsabilização pelos equívocos na política de trânsito, que visa à fluidez motorizada, em detrimento da segurança (“direito do trânsito seguro”, nos termos do código). É interessante notar que o código de trânsito é bem amplo nesse sentido de responsabilização. Não abrange apenas ação e omissão, mas também erro na execução e manutenção de programas.

Artigo 1° do CTB, parágrafo 3°:
“Os órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional de Trânsito respondem, no âmbito das respectivas competências, objetivamente, por danos causados aos cidadãos em virtude de ação, omissão ou erro na execução e manutenção de programas, projetos e serviços que garantam o exercício do direito do trânsito seguro.”

E ainda o parágrafo 5°, do mesmo artigo:
“Os órgãos e entidades de trânsito pertencentes ao Sistema Nacional de Trânsito darão prioridade em suas ações à defesa da vida, nela incluída a preservação da saúde e do meio-ambiente.”


Existiria alguma possibilidade de assistência jurídica e de ação de responsabilização do Estado nesse caso escabroso, pela UCB ou por alguma entidade associada? Espero que o pessoal de Sampa esteja atento para a possibilidade.

Uirá Lourenço
Diretor UCB

segunda-feira, 25 de março de 2013

ECF - European Cyclists' Federation e burrice do capacete

Espanha pretende tornar obrigatório o uso de capacete. Veja a reação da Federação dos Ciclistas Europeus: http://www.ecf.com/news/the-pain-in-spain-helmet-laws-in-the-making/

Como sempre digo nas palestras: "Acreditar em bobagem é o maior perigo". Bobagem mata!

Repetindo pela enésima vez: Segurança real vem de pesquisa, dados, saber interpretar os resultados para chegar aos procedimentos de qualidade ideal para a situação apresentada. Segurança é ciência exata; não é falácia.
Capacete para uso da bicicleta como modo de transporte não funciona como o lobby do capacete vende. Os dados divulgados pelo lobby, e repetidos por fanáticos, normalmente são relativos a competição e não valem para uso urbano. Para mim há má fé.

Não sou contra o capacete, mas sou contra burrice e principalmente gente chata. Quer usar? Usa. É uma ótima proteção contra os raios de sol. Eu deveria usar. Meu primo Ricardo Falzoni, ótimo cirurgião plástico que cuida de minha pele branca (que volta e meia perde um pedaço), pede que eu use capacete como chapéu; o que deveria fazer.

Enfim, "Quem só pensa em perigo não tem tempo para ser seguro".

The Pain in Spain: Revisited

Road safety,
News,
12.03.2013

ECF_Julian

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Spain is proposing some rather nasty legislation, which includes a compulsory helmet law. ECF’s Road Safety Officer, Ceri Woolsgrove, explains why this is bad news.
We spoke last year about Spain looking to implement a helmet law.
Well it looks as though it may become a reality. News is filtering through that the draft of new traffic legislation will include compulsory wearing of helmets for cyclists. There’s also more bad news, such as:
  • Cyclists must preferably use the right side of the road – cyclist must explain why they were not on the right side of the road after an accident
  • Bicycle trailers will not be permitted in certain cases on urban roads and bike paths
  • Possibly even a law requiring Children under 14 to be accompanied by an adult when cycling
If I were looking to introduce cheap and easy laws to devastate cycling in a country with a growing number of cyclists, I think that would do the job nicely. Not cycling in the gutter? Then it’s your fault you got hit. Thought it was safer on the left or middle? Think again. As for the Children under 14, even if the rumours that this has been dropped are true, it shows the level of understanding.
“If I were looking to introduce cheap and easy laws to devastate cycling in a country with a growing number of cyclists, I think that would do the job nicely.”
And bicycle helmet laws are also making a return.
Need it be said again that in Australia, New Zealand, Canada and wherever helmet laws have been brought in there has been a clearance of cyclists from the streets. For example cycle hours in New Zealand has dropped 55% since 1989/90. Cycling in Australia has also significantly declined with 37.5% fewer Australians riding bikes in 2011 than in 1985-86; all this with no discernible benefit for road safety. In fact there is evidence that these laws may unintentionally make cycling more dangerous; figures show that less people cycling means riskier cycling. This has been shown over and over again as a consequence of the ‘safety in numbers’ principle.
If these regulations cause the cycling numbers to drop like this in cities like Seville it will be even more of a shame. Seville has managed, through painstaking hard work on behalf of activists and good work by the authorities, to increase from under 2% a few years ago to about 6% modal share now. With those sorts of figures Seville is at the forefront of the cycling vanguard in Europe; that will be a thing of the past.
Want more?
For more information on helmets, see our Road Safety Page which outlines our position on helmets as well as this fact sheet on the Australian experience.
Similarly, not one bike sharing scheme has been a success in a city where helmet laws exist. Compare Dublin and Melbourne. Melbourne’s bike hire has been crippled by the helmet law, the scheme is costing taxpayers $5.5 million over four years and Melbournians are taking only 140 rides a day on the 600 bikes. Compare this with Dublin’s 450 bikes – used about 2720 times per day. No wonder the Spanish city authorities are getting a bit twitchy.
It is not only with the loss of bike sharing schemes that Spanish authorities could be shooting themselves in the foot. Apart from the usual benefits lost, the health benefits, the clean air benefits, CO2 reductions, congestion reductions, in Spain it is estimated that €1.5 – 2 billion every year is spent by cycling tourists, helmet compulsion could threaten this amount and would certainly arrest any cycling tourism growth in Spain. Most cycling tourists coming to Spain originate from countries such as France, Germany, Ireland, Netherlands, Switzerland and the UK; no helmet laws there, and there are grumblings and rumblings of dissent from abroad about this. It could turn out to be a very expensive piece of legislation.
We will keep you updated, so make sure you watch ECF’s website for updates.

quinta-feira, 21 de março de 2013

sistemas cicloviários na periferia

Enrique Penalosa disse que é crucial que a bicicleta passe de forma marcante pelo principal marco da cidade, o que é considerada regra para o sucesso da implantação de qualquer sistema cicloviário e do surgimento de uma cidade mais humana em qualquer parte do mundo.

Segundo quem conhece bem a periferia, eles querem é melhorias para o uso livre e sem trânsito do carro imposto zero novinho. Quando muito querem ciclo-faixa de domingo. Mas serem atrapalhados por ciclistas... nem pensar.

Quanto aos trabalhadores ciclistas... urge melhorias na segurança, mas como eles normalmente circulam fora do do horário de pico do trânsito de automóveis (imposto zero) são invisíveis, portanto sem retorno publicitário e político. E os problemas, graves e urgentes, são pontuais. Dá para resolver, em muitos casos sem grandes intervenções

Brincando com a questão: (No Brasil) “bicicleta (ainda) é coisa de pobre”. E como dizia Joãozinho Trinta (Santo Genial Joãozinho!) “Quem gosta de pobreza é intelectual. Pobre gosta mesmo é de riqueza” (e símbolo de riqueza no Brasil do IPI zero é carrinho novo).

Fazer rolar a questão da bicicleta no Centro Expandido é um trabalho imenso, que já está em andamento, um tanto azeitado. É muito trabalho, que se perder o foco vai acabar não saindo.

Quem quizer fazer algo realmente socialmente correto, por que não luta pelo pedestre da periferia, que não tem sequer calçada e morre ou fica aleijado as pencas? Por que não brigar pelos deficientes físicos e de mobilidade (em torno de 17% da população) dos quais muitos sequer conseguem sair de casa; são eternos presidiários? Esta é uma briga politicamente correta e para cachorro grande, estrategicamente mais importante que a própria questão da bicicleta. Ajeita esta situação que pedalar vira moleza

segunda-feira, 18 de março de 2013

jornalismo descobre o óbvio

São Paulo Reclama
O Estado de São Paulo
sobre:
Até vias próprias para bicicleta são inseguras, reclamam ciclistas
Metrópole 
C1 | Domingo, 17 de Março de 2013


Ótima iniciativa do jornal Estado de São Paulo em abrir um canal de reclamação para ciclistas no ‘estado.com.br’. Com isto ficou claro para o jornal uma série de problemas que até então o mesmo parecia se recusar ver. Infelizmente o tema ‘trânsito’ é tratado por toda a imprensa de maneira pouco investigativa, quase oficiosa, deixando de lado questões importantes, como critério de aplicação da lei, geometria da pista e sinalização, o que em vários casos é a causa real dos incidentes e acidentes. Isto se dá por que as matérias quase sempre foram apoiadas em dados oficiais e entrevistas com os órgãos responsáveis, ex-funcionários, consultores, o que está correto, mas que obviamente defendem seus próprios interesses ou procuram acobertar sua incapacidade ou inépcia. Infelizmente não tiveram a preocupação em buscar outras fontes ou mesmo simplesmente observar os fatos. Pior ainda no caso da bicicleta, que até recentemente era vista por jornalistas como brinquedo, esporte ou lazer. Há uma visão distorcida da realidade. A sensação que se tem é que matérias sobre a questão da bicicleta foram passadas para ‘focas’ (jornalistas novos e inexperientes) ou para jornalistas menos capacitados. O jornalismo se ateve a clichês como ‘pedalar é perigoso’; ‘a cidade não tem ciclovias’, ‘ciclista morto’... Em meus mais de 30 anos de ativismo pela bicicleta, pedestres, pessoas com deficiência e uma cidade menos violenta, cito um único jornalista com o bom viés jornalístico, Caio do Valle, que é uns dos que assina a matéria citada acima. Esta iniciativa do O Estado de São Paulo, abrindo um canal através de seu ‘estado.com.br’ é um excelente primeiro passo para o entendimento real das causas de nosso trânsito sanguinário, que estão muito além da análise simplista, por que não dizer simplória, que vem sendo feita sobre um tema crucial, porque não dizer ‘vital’.

 

sexta-feira, 15 de março de 2013

Fazer Justiça

Ozires Silva, (ex) Presidente da Embraer, deu uma entrevista no Jornal da Cultura onde falava sobre os progressos da segurança na aviação civil, que é o modo de transporte mais seguro que existe. O ponto principal é que nos acidentes de aviação não se procura um culpado, mas a compreensão de absolutamente todos os fatos diretos e indiretos que causaram o acidente, sem buscar culpados. Quando se busca um culpado e depois se vai para os fatos há uma distorção da verdade, e com isto não seja às causas reais do ocorrido. Segurança é a busca contínua da qualidade, de evitar repetir erros cometidos. Culpado é outra história. O que nos interessa: achar culpados ou evitar acidentes?

Infelizmente temos, brasileiros, a deprimente mania de primeiro apontar culpados, deixando para segundo plano a lógica dos fatos e a busca da verdade. Feito isto lavamos a mão.

No deprimente caso do ciclista que teve o braço amputado na Paulista as circunstâncias do acidente vão além do que a imprensa divulgou. A história é mais complicada do que parece. A favor do ciclista está o fato de ele ter ido para a contramão da avenida por que esta já estava conificada para a Ciclo Faixa de Lazer de Domingo, portanto segregada para a circulação de ciclistas. Mesmo assim, perante a lei ele estava na contramão. Ou talvez não. Vai depender do entendimento de detalhes legais. O julgamento deste detalhe vai ser uma complicação.

O fato mais importante é a total falta de... ética(?), moral(?), caráter do motorista, que por ter bebido deve ser responsabilizado pelo acidente e por ser estudante de ciência médica não ter prestado socorro. Se analisar a ação e comportamento motorista, situação social tão comum nos dias atuais, se vê um espelho do Brasil de hoje, sem ética, moral, caráter, irresponsabilidade, individualista, consumista, mal informado, tendencioso. O que aconteceu na Paulista provavelmente se repete Brasil afora sem a mesma divulgação. Vide os brutais números de mortes no trânsito e mortes violentas.

A meu ver é muito interessante que a UCB tenha um papel de orientação em casos jurídicos. Precisaríamos de um advogado ou bacharel para ajudar. Tenho receio em ver leigo falando sobre justiça. Tenho receio em ver julgamentos sem conhecimento neutro dos fatos reais. Mas acredito que a UCB deva fazer este exercício e se posicionar, se possível ajudar.

Para quem não sabe, segundo documento de órgão da ONU o Brasil é um dos campeões mundiais de linchamento. Físico, moral e legal. Quem se lembra, por exemplo, da história horrorosa da Escola de Base? O que foi feito da vida dos então imediatamente acusados?

Adoro a ideia da UCB realizar assessoria ou orientação jurídica, mas com critérios bastante claros, e acima de tudo justos. Quando digo justos, falo em justiça de verdade, sem tendências.

Só com Justiça se dará a segurança de fato para ciclistas, e principalmente pedestres, deficientes (17% da população), motociclistas, motoristas....

OU TODOS TEM JUSTIÇA, OU NINGUÉM TEM A VERDADEIRA JUSTIÇA

OU TODOS TEM SEGURANÇA, OU NINGUÉM TEM SEGURANÇA DE FATO

Arturo Alcorta

Presidente da UCB