sábado, 18 de julho de 2015

Capacetes: usar ou não usar, esta é a questão?

Genial texto de Daniel Guth e João Lacerda sobre a besteirada que se fala sobre capacetes;

Segurança é ciência, não é besteirada; Por favor, dá uma lida nestes links:
http://escoladebicicleta.com.br/dicascapacetes.html

http://escoladebicicleta.com.br/dicascapacetes.html - Este o link para a leitura de uma série de estudos, pesquisas e documentos sobre capacetes para ciclistas, todos com base em procedimentos científicos, ou seja, com o menor grau de erro possível.
O que me deixa muito triste é que praticamente não adianta falar, conversar, mostrar, provar. As pessoas por aqui, Brasil, seguram suas verdades, tiradas sabe-se lá de onde, com unhas e dentes. 
Incrível que tantos tenham comprado a verdade vendida pelos fabricantes de capacetes. É absolutamente incrível que tenham aceito como verdade palavras de quem sempre foi apoiado ou patrocinado pelo fabricante de capacete. É deprimente que nunca tenham se perguntado se o que estava sendo dito pelos interessados na venda de capacetes era mesmo verdade. 
Pior mesmo é não respeitar a diversidade, aproveitando que o tema está na moda do politicamente correto, desrespeitando quem não usa capacete. Eu cansei de ser desrespeitado em público até mesmo por amigos. Na mais patética das situações, saindo de uma reunião na SVMA e voltando pela Paulista, fui insultado e proibido de continuar pelando ali por que estava sem capacete.
O mais grave desta história é o tempo e a força perdida pelo movimento da bicicleta. Se o pessoal falasse menos besteira, mas muito menos besteira, poderíamos estar muito mais avançados. Mas a opção foi usar montanhas de tempo brigando por capacete, pintura vermelha, ciclovias... Ciclovias... ora ciclovias... continuem a falar sobre ciclovias. Igualzinho ao capacete. Daqui uns vinte anos vocês talvez percebam que o caminho poderia ter sido mais curto e menos acidentado. Poderíamos hoje já ter uma cidade muito mais humana, muito melhor para ciclistas, pedestres, deficientes e até motoristas. Mas, fazer o que? Ciclovia é único caminho para a segurança, dizem todos. Por favor, pelo menos um pouco de dúvida, de questionamento, de incerteza. Por favor, um pouco de inteligência!
O Brasil do nunca antes está ai para todos nós engolirmos a seco. Valeu a pena? 
Vocês aceitam sem questionar. Vamos mal, muito mal.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Brasil, país de vira-latas

Onde você errou? Qual foi sua responsabilidade no que aconteceu? Qual a responsabilidade de todos?
Brasil tem várias definições, mas nestes dias vale as futebolísticas, de lembranças certeiras que nos trazem este dia 16 de Julho de 2015, após 65 anos da derrota por 2X1 em pleno Maracanã, e os 7X1 de um ano atrás. Os dois resultados são reflexo inconteste de quem somos. Não, não é o que o Brasil é, é de quem nós somos. Brasil não é uma entidade externa, alheia a nossas ações, a quem se deve descarregar nossas mazelas. Nós somos o Brasil, não o contrário. 
Já dizia Nelson Rodrigues:
— temos dons em excesso. E só uma coisa nos atrapalha e, por vezes, invalida as nossas qualidades. Quero aludir ao que eu poderia chamar de “complexo de vira-latas”.
O que teria escrito Nelson Rodrigues sobre o Brasil de hoje, o país do nunca antes fomos tão 7X1? 
Ontem morreu Ghiggia, o jogador uruguaio que fez o gol decisivo do que chamamos de Maracanaço. Patético; comemoramos antecipadamente; deu no que deu. Igualzinho aos dias de hoje. Elevamos Ghiggia à condição de carrasco. Patético! Coisa de vira-lata.
Interessante esta comparação. Quem conhece cachorros sabe que vira-latas são eternamente gratos a seus salvadores. Nelson Rodrigues estava absolutamente correto.
Não foram os uruguaios que jogaram melhor e por isto venceram, foi Barbosa que falhou no gol. 
Não os outros, aqueles de Brasília, dos palácios, dos poderes, que destroem este país; é a mentira que está dentro de nós que nos derrota.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Saia, com bicicleta.

 


A bicicleta a viagem para a América moderna

A crítica sobre a exposição "Bicycles=Liberation" montada no National Museum of American History do Smithsonian Institute, Washington D.C. , fez que o jornal New York Times publicar um dos melhores textos sobre a história da bicicleta nos Estados Unidos que já li. Um pouco apaixonado, mas não piegas, mostra algumas das pequenas notáveis revoluções sociais e técnicas que a bicicleta introduziu na sociedade americana e quais foram as influências destas na América dos dias de hoje.
Resultado de imagem para marshall major taylor movie
Major Taylor - ciclista e primeiro campeão negro dos USA
















The Bicycle and the Ride to Modern America: http://www.nytimes.com/2015/07/14/science/the-bicycle-and-the-ride-to-modern-america.html?emc=eta1&_r=0  
Ver também How Bicycles Geve us Freedom:
http://cyclistsinternational.com/how-bicycles-gave-us-freedom/
Triste é que o Brasil não tenha uma referência mais detalhada sobre nossa história da bicicleta. Temos um trabalho aqui, outro ali, uma ótima coleção particular de bicicletas deste, outra daquele, a maravilhosa coleção do Perassolo que algumas vezes comparece com algumas peças numa exposição, o Museu da Bicicleta de Joinville..., mas definitivamente não temos um estudo detalhado da importância social da bicicleta no Brasil. Pior, algumas das peças mais importantes desta história estão se perdendo e outras morrendo. Brasil, país sem memória! Deprimente!

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Os buracos da Prova Ciclística Nove de Julho


São Paulo Reclama
O Estado de São Paulo


Depois de três anos sem ser realizada, ontem aconteceu a tradicional Prova Ciclística Nove de Julho. Voltou a ser corrida em ruas e avenidas, como sempre foi e deve ser. Mais de 500 ciclistas largaram. A administração Haddad, que se diz tão preocupada com os ciclistas, não teve o mínimo cuidado de tapar os buracos espalhados pelo circuito, perigosíssimos numa prova onde ciclistas pedalam em pelotão a uma velocidade média superior aos 45 km/h. É praticamente impossível desviar de qualquer irregularidade na pista. A queda de um ciclista, sempre violenta, leva a queda de tantos quantos vierem atrás.
Foram realizadas reuniões preparatórias, onde estiveram presentes os três Subprefeitos, de Pinheiros, Butantã e Vila Mariana, responsáveis pelo circuito, e outras autoridades. Foi alertado sobre problemas, alguns graves, no pavimento do circuito e foi prometida pelas autoridades solução. A única providência foi cobrir as grades de escoamento de água do Túnel Sebastião Camargo.
No Túnel Dr. Euricledes de Jesus Zerbini, no cruzamento da av. Lineu de Paula Machado com a av. Francisco Morato foram deixadas abertas quatro crateras (fotos) das que por milagre ainda não arrebentaram um motociclista ou um ciclista usuário da Ciclo Faixa de Domingo. Na Praça Panamericana, Alto de Pinheiros, e na av. Professor Fonseca Rodrigues o asfalto está deformado pelos ônibus, o que a Haddad diz ser uma de suas prioridades.
O horário da largada, cedo, 7:45 h, reduziu muito o público provavelmente para não atrapalhar o trânsito. Triste. A recuperação das cidades só é possível trazendo a população para socializar vias e espaços públicos, e aproveitando com inteligência a força de grandes eventos. Definitivamente não é o que acontece aqui em São Paulo onde eventos esportivos são tratados como incômodos necessários. Vide a Maratona de São Paulo, cada dia mais segregada do público para não atrapalhar o trânsito. Estranha dicotomia ideológica.
Eu sei que Haddad e sua turma acha que ciclista esportivo é tudo “coxinha”, riquinho desprezível, mas também não precisa tentar matar. 
Fotos tiradas no Túnel Dr. Euricledes de Jesus Zerbini após o fim da Prova Ciclística Nove de Julho e logo depois da montagem da Ciclo Faixa de Lazer.