quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Segurança de pedestres (e todos outros modais) em NY e Estados Unidos

No final deste editorial do NY Times é citado que em Chicago se está implantando ruas modernas; leia-se: automóveis, pedestres, pessoas com deficiência, e ciclistas circulam numa via que não tem qualquer tipo de segregação. Nada de meio fio, nada de pinturas, tachas, pequenos obstáculos, e se estão seguindo o que já está implantado na Holanda e Inglaterra, como a Exhibition Road em Londres (fotos abaixo), sequer sinalização. Estão optando pelo que a princípio parece uma loucura, mas não só não é como está provado que aumenta a segurança de todos, incluindo ciclistas. 
Enquanto isto nós...





Primeira ciclovia solar

Os holandeses estão construindo a primeira ciclovia solar da história:
http://blog.velib.paris.fr/blog/2014/10/23/la-premiere-piste-cyclable-solaire-sinstalle/ 

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Cigarro, aspirina, ciclovia e pisca-pisca

Um amigo disse que não entendia minha recomendação sobre usar o farolete ou farol da bicicleta na posição de luz fixa em vez do pisca-pisca recomendado pelos fabricantes dos mesmos. Outro me pediu para explicar porque faço críticas às ciclovias que estão sendo implantadas aqui em São Paulo se uma pesquisa mostra que estas são aprovadas por mais de 80% da população (ou dos usuários, não sei bem ao certo). Minha resposta esta no cigarro e na aspirina.
Pisca-pisca: Porque será que as polícias rodoviárias pedem que com nevoeiro nunca seja acionado o pisca-pisca ou pisca alerta do veículo? Porque os códigos de trânsito de todos países, de todo planeta, até mesmo os bolivarianos, impõe que o veículo circule com luzes dianteira e traseira fixas e definem que pisca-pisca só deve ser usado em casos específicos, como conversões ou algumas emergências? Alguma razão deve haver.
Eu li e não sei onde coloquei, e assim perdi um artigo sobre “efeito vaga-lume”, meio reportagem, meio documento oficial de algum departamento de trânsito da Austrália abordando colisões de motoristas contra ambulâncias, bombeiros e carros de polícia que foram provocados pelas suas luzes piscando. Acho que foi neste mesmo que estava citado o efeito prejudicial destas luzes intermitentes em epiléticos. Na época que li o artigo já havia ciclistas com pisca-pisca, mas não tão fortes como os de agora, e mesmo assim começou a tocar meus sininhos: e o uso destes pisca-pisca por ciclistas, qual o resultado?
Agora fiz uma busca e encontrei muitos artigos falando a favor do uso de pisca-pisca nas bicicletas. Era de se esperar, já que fabricantes têm uma capacidade de lobby e divulgação forte; vide capacetes. Obviamente não encontrei o artigo sobre o efeito vaga-lume, mas encontrei alguns textos interessantes. Algumas autoridades fora do Brasil até recomendam o uso do pisca-pisca, o que dá para pensar. Acredito que estão apostando que pisca-pisca neste momento fará com que o trânsito se acostume a ver o ciclista, o que pode ser um perigo para o futuro da segurança do próprio ciclista. Aceitar uma quebra de regra para resolver um problema temporário é mais que temerário. Exceções costumam ter um posterior custo alto, já cansou de provar a história. Crer em besteira é o maior perigo, o caminho mais rápido para o acidente. Faço uma prévia mea culpa e digo que não há pesquisas, pelo menos nunca vi uma contra ou a favor. Estabeleço minha lógica em cima do passado, da história.
Quero ver até quando vão permitir esta baderna de luzes pelas ruas. Já começa haver reação. Em Portland as ciclofaixas estão sendo pichadas com ofensas aos ciclistas que usam pisca-pisca indiscriminadamente. Uma reação destas aqui não significa muito, mas lá é coisa séria.

Sobre ciclovias:
Interessante, o pessoal pede ciclovia por que se sente mais seguro. Interessante, tanto pediram, mas não saem para pedalar, mesmo com as benditas ciclovias implantadas. Interessante também, mas este mesmo pessoal que sente mais seguro na ciclovia não consegue perceber que nestas ciclovias pintadas de vermelho e segregadas do trânsito por simples tachões os carros passam tão ou mais raspando que quanto estão pedalando numa rua sem ciclovia, de trânsito partilhado. Mais interessante ainda é que o ciclista desce da bicicleta, vira pedestre, vai cruzar uma avenida e os carros passam raspando o nariz e o espelho do ônibus quase arranca o escalpo, o que naquela situação, de pedestre, é normal, não causa medo, sequer merece reclamação.
No exato momento em que as cidades do mundo afora estão sofrendo mudanças para integrar todos modais, nós, brasileiros, estamos segregando a bicicleta do resto do trânsito, pior, na porrada, goela abaixo. Não falam tanto sobre os capetas da ditadura? (Que ditadura, de direita ou esquerda? Ah! de direita, é lógico.) Que diferença há? Porque é em nome do bem? De boas intenções o inferno está cheio. E nossas pobres cidades também.

Cigarro já foi inofensivo à saúde. Aspirina fazia milagres contra infarto e outras mazelas do envelhecimento. Margarina foi mais saudável que manteiga. Como prova a população da China e Índia, selim causa impotência. E assim por diante. O que será a ciclovia? E o pisca-pisca?

O que está acontecendo com os ciclistas é que eles refletem o admirável mundo novo e seu individualismo extremo. Que se foda o próximo! Dedo no olho do outro não dói.

Há uma verdade histórica: Ou todos temos segurança ou ninguém realmente tem.

Protestos contra o uso de pisca-pisca em Portland:

Posicionamento do Governo Inglês

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

bicicletas comunitárias em Boston, Washington e NY

Boston


NY

Washington

Londres
Bicicletas públicas estão se espalhando pelos Estados Unidos. Em Boston, Washington e NY o sistema é o mesmo, com a mesma estação e bicicleta. O funcionamento é simples e eficiente, bastando ter um cartão de crédito e seguir as instruções da telinha da estação, respondendo algumas perguntas, deixando o número do telefone (para brasileiros 55 11 (SP) e número), lendo breves recomendações, e finalmente recebendo o código de liberação. Caso fique mais de um dia recomendo pagar os US$25,00 e ter direito por uma semana. Em poucos minutos você sai pedalando. Na próxima retirada de bicicleta é só pedir o código de liberação e sair pedalando. Raro, mas houve algum tipo de problema, principalmente no desbloqueio e bloqueio da bicicleta na estação. Nos fins de semana pode ser difícil encontrar bicicleta disponível, foto comum em todas partes.
Em NY só há estações no sul de Manhattan, da 59th Street, início do Central Park para baixo, e no Brooklin. As laterais do Central Park são das áreas mais ricas e sofisticadas de NY, mesmo assim, pelo que se vê, são ainda inviáveis pelo custo operacional. Em São Paulo houve e talvez continue havendo uma guerra ideológica para implantação de bicicletas comunitárias na periferia. Lembro que no mundo inteiro mesmo com as bicicletas comunitárias implantadas só em área de uso mais intenso, os operadores do sistema não estão tendo dificuldades de equalizar o balanço financeiro, que sem propaganda não subsiste.
O interessante é que as cidades vizinhas a NY estão também implantando seus sistemas de bicicletas coletivas, a maioria igual a de Manhattan e Brooklin, mas uma das cidades decidiu optar por um sistema diferente por causa dos custos. Buscaram uma alternativa no sistema alemão que não precisa de estações fixas para estacionamento das bicicletas. Cada bicicleta tem seu próprio cadeado que trava ou destrava a bicicleta através do celular ou por código. A desvantagem é que você tem que ficar caçando bicicleta. A vantagem é o custo muito menor no modelo alemão, US$ 1.200,00 contra US$ 5.000,00, por bicicleta. A diferença está exatamente no custo embutido das estações. Vide link abaixo.
Quando estive no Velo City de Munich nos entregaram estas bicicletas. O sistema funciona perfeitamente, pelo menos num local onde os celulares funcionam também com perfeição, o que definitivamente não é o caso daqui, Brasil. 
Tanto a bicicleta usada nos Estados Unidos, que é a mesma de Londres e muito parecida com a Velib de Paris, como a bicicleta alemã são uns tanques de guerra. Elas andam bem no plano depois que embalam, mas mostram todo seu peso na menor subidinha. Para mim a melhor bicicleta continua sendo a Samba, do sistema da Serttel (Bike Samba - Rio, Bike Sampa - São Paulo, Bike Santos...): básica, simples, sem frescura, a mais leve... Não gosto do critério de manutenção e gosto menos ainda da opção de pneus, errados para o uso, o que prejudica muito a imagem da bicicleta. 
Manutenção é um problema, em todas as partes. Sempre tem uma ou outra bicicleta meia boca ou funcionando mal, principalmente entre as mais velhas. A dica é fazer uma rápida checagem nos pneus, freios, câmbio e blocagem de selim antes de soltar a bicicleta. Infelizmente o pessoal que usa não cuida como deveria. É um bem público, de todos, incluindo de quem usa. 
PS.: Ontem pedalei pela primeira vez uma bicicleta do Ciclo Sampa, o sistema de bicicletas comunitárias concorrente do Bike Sampa aqui em São Paulo. Não entendo por que dois sistemas de bicicletas comunitárias concorrentes e independentes, mas isto é uma outra história. As bicicletas do Bike Sampa são parecidas com as de NY, mas tem câmbio de três marchas Sturmey-Acher e transmissão por eixo cardam. Sturmey-Acher é tradicional, de qualidade praticamente inquestionável, mas muitas bicicletas estão com passadores de marchas Shimano, o que é ridículo. Não funciona. O patrocinador do Bike Sampa é o Bradesco e é patético que eles permitam um erro tão primário; erro este que pode colocar em cheque todo investimento. Se os passadores quebraram, o que duvido, quanto custa trazer novos? Para uma potência como o Bradesco zero. É lógico que há um contrato entre o Bradesco e o operador do sistema, mas ai... Não vou ensinar o pai nosso para o padre. Como disse as bicicletas vem com eixo cardam, que não tem a elasticidade de uma corrente. A sensação do pedalar não me agrada. A Ciclo Sampa é muito bonita, mas um caminhão.

...While the Citi Bike system relied on docking stations that sometimes malfunctioned, Hoboken’s shared bikes could be locked to standard bicycle racks, lampposts or street signs with an integrated lock activated by either a smartphone app or a keypad mounted over the rear wheel. Users located available bikes, all of which were equipped with GPS, through the app....

Mapa da distribuição das bicicletas em NY:
https://www.citibikenyc.com/stations

Inteligência salva vidas

Smart!

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O que fazer com o velódromo da USP SP?

É triste ver a situação do velódromo da Cidade Universitária da USP de São Paulo. Abandonado, como várias outras construções dentro do próprio Campus, e a bem dizer em todas partes de São Paulo e Brasil, o velódromo está deteriorado, neste momento imprestável. 
O que fazer para recupera-lo? "É a inteligência, imbecil!" lembrando do slogan da campanha de Bill Clinton. "É a inteligência, imbecil!". Pensa! Age! Faz! Preserva! Talvez seja pedir muito neste Brasil do nunca antes.
Enfim; deprimente!
Matéria na UOL:

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Ciclovias de São Paulo: tantas críticas porque?

Reinaldo Azevedo: "Haddad, o maníaco da ciclofaixa, conta com jornalismo biciclopetista para atacar os conservadores e anuncia pistas para bicicletas em 12 pontes da Marginal do Pinheiros"
 
Já vi muita coisa nesta vida e sei que certas mudanças, por menor que sejam, dificilmente acontecem sem algum desconforto, mesmo que seja trocar o sofá velho e incomodo da casa. Foi nele que você viu televisão, leu jornal de domingo, conversou com os irmãos, segurou a mão de mamãe, comeu pipoca, deu uns pegas na namorada, tomou uma puta bronca da velha que pegou o casal no pulo... Mesmo que o sofá esteja caindo aos pedaços, dando dores na coluna, cheio de pulgas, furado, desbotado, ele tem história, faz parte de sua vida, vai deixar saudades.
No mundo inteiro a inclusão da bicicleta como modo de transporte foi, é ou até mesmo continua sendo traumática em menor ou maior grau. Vide NY e Londres, para ficar nos exemplos de problemas mais agudos. Mesmo em Amsterdã o uso da bicicleta cresceu tanto que ela deixou de ser uma maravilhosa solução para ser um dos problemas urgentes a serem resolvidos, principalmente no que se refere a estacionamento. 
Quem já teve que fazer uma reforma na casa sabe o tamanho da confusão e desgaste. Eu sei e pago para não ter pião aqui dentro, mesmo que minha casa necessite urgentemente de alguns consertos. 
No caso de São Paulo, que vinha em crise faz décadas, o IPI Zero não deixou alternativa que fazer mudanças rápidas, algumas radicais; daí os corredores de ônibus e a necessidade de melhorias para ciclistas, com o que concordo. Mas não da forma que vem sendo feita. De simplório para simplórios.
O drama do Brasil é que tudo é realizado na base do improviso, mal feito, aparentemente sem projeto. Tudo, não só as ciclovias e ciclofaixas. Mais ainda, vamos progredindo, se é que isto é progresso, pontualmente. "Mais pior ainda", com segundas intenções, ...eleitoreiras. O pedestre que se foda! Agora é a vez do ciclista. Pinta de vermelho, coloca obstáculos, sinaliza e pronto, feita a revolução da noite para o dia. A meu ver definitivamente não, isto não é revolução; só é se for estilo estado islâmico, com o qual não concordo, mas faz o estilo de muita gente do partido.
Quando sonhei com o Projeto de Viabilização de Bicicletas como Modo de Transporte, Esporte, Lazer, e Cicloturismo para São Paulo, sonhei com uma mudança lenta e gradual, o menos conflituosa possível. Sonhei em agregar, paz, conforto, segurança, prazer e vida, com qualidade, a melhor possível. Estruturar passo a passo, com inteligência, crucial para um futuro perene. Não foi possível.
Não tenho absolutamente nada a ver com o que está sendo feito, como não tive nada a ver e fui absolutamente contra os que agrediram em nome da bicicleta. A verdadeira revolução da bicicleta é outra, no caminho oposto. Bicicleta é da paz, cultura da paz como diz Walter Feldman. 
São Paulo sempre teve um restrito grupo de ciclistas batalhando pela bicicleta. Felizmente hoje temos uma nova geração, garotada gente fina, de qualidade, que procura fazer as coisas bem feitas. Já expressei minha preocupação, pessoalmente e aqui, que eles estejam sendo usados como massa de manobra. Espero que não, mas tendo em vista o pessoal que está na Prefeitura de São Paulo, não é difícil que esteja acontecendo. 
Sejamos justos: não é hoje que se faz porcaria para a bicicleta. As ciclofaixas de Moema foram implantadas pela CET SP, Governo Kassab, da mesma forma que estão implantando o sistema cicloviário hoje, ou seja, pinta de vermelho em cima da buraqueira e pronto. 
Espero que eu esteja errado. Alguma coisa vai restar disto, mas a que custo? Este é o ponto? Buenos Aires refez boa parte do que havia sido implantado. Não foi o único caso. 
Reinaldo Azevedo, colunista da Veja, é anti-petista, mas ninguém duvida que escreve com linhas que atiram direto nos fatos reais da mosca. O texto "Haddad, o maníaco da ciclofaixa, conta com jornalismo biciclopetista para atacar os conservadores e anuncia pistas para bicicletas em 12 pontes da Marginal do Pinheiros" fala o que se ouve nas ruas, nada mais. Pena que o mesmo Haddad, protetor dos pobres e oprimidos, não tenha feito desde o primeiro minuto de sua administração as mesmas pontes, do rio Pinheiros e também Tiete, mais amigáveis para pedestres, que somos todos nós e fazem mais de um terço dos deslocamentos (modais) da cidade. Estes sim merecem atenção.