terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Bang bang anuncia a festa

Bang bang! Nós estamos mortos.

Na padaria do supermercado é necessário pagar o pão num caixa instalado na própria padaria, que fica no meio de todas outras mercadorias, longe das portas e caixas. Tiveram que fazer assim por que há muita gente que come tudo entre a padaria e o caixa, joga o saco fora e não paga. Outro dia estava o gerente ali e começamos a conversar. “Porque não levam para a Delegacia os que não pagam? Quanto são? Uns 20%; 30% ?” Ele continuou arrumando a prateleira até tomar folego para a resposta. Levantou-se e disse com uma infeliz calma: “Esta padaria fazia R$ 20,00 reais por dia. Hoje, quando faz pouco, faz R$ 1.200,00”.

O “assalto” da moto na av. dos Bandeirantes dá bem o tom dos dias de hoje. O casal para no semáforo com sua supermoto zero; vem dois noutra moto, anuncia o assalto, o dono da supermoto tenta fugir, toma um primeiro tiro, bate num carro que está cruzando a avenida, cai no chão com a garupa, sua mulher. E aqui começa a verdade de nosso Brasil: os assaltantes aceleram, param ao lado dos dois caídos, executam os dois no chão e vão embora. Bang bang!

Que diferença faz numa cidade que tem uns 10 mortos por noite? (Mesmo com esta crise São Paulo continua sendo dos lugares mais seguros deste país). Que diferença faz no país do nunca antes houve violência igual? Que diferença faz comer dentro do supermercado e não pagar? Belo socialismo! Meus parabéns!

Façamos justiça: Brasil sempre foi um país violento. Não é de hoje, nem culpa exclusiva dos donos do nunca antes. O que faz diferença é que o “nunca antes” é pretensão grosseira, prepotência burra, mediocridade sem fim. É um exemplo altamente destrutivo. Quais são os números do militares mesmo? Quais são os números atuais? “Quem matou mais?”, usando a pergunta que a pseudo-esquerda tanto repete.  Deprimente!

“Ao socialismo se vai em bicicleta”. Gosto de repetir sempre por que é a pura verdade. A construção de uma nova sociedade, mais justa, menos violenta, se faz usando experiências que deram certo, como a da bicicleta. Só ela resolve tudo? Obviamente não, mas a bicicleta traz consigo uma “cultura de paz”, induz a maioria dos seus usuários para o bem. Assim como o caminhar, o conviver, o falar, o respeitar...., enfim: viver e deixar viver.

No próximo domingo vai acontecer a Rota Márcia Prado 2012 e uma multidão vai descer pedalando para Santos. Já deve ter algo próximo a 6 mil inscritos. Eu torço para que chegue aos 10 mil ou mais. Que seja o caos. Abriram a caixa de pandora, pois que aguentem com as consequências. Não acho responsável mudar da água poluída para a cachaça do dia para noite, por que a festa vai descambar para o pó, ou as pedras, a escolha. Mas se  caixa de pandora da liberdade está aberta, vamos nesta.

Felicidade coletiva é a melhor coisa do mundo, mesmo que se tenha que passar por cima de uma série de leis que vão contra. Das mais variadas, mas vide o Código de Trânsito Brasileiro, que lendo calmamente mostra seu lado “código de trânsito para fluidez de veículos em vias”. Ups! Esqueceram do resto: pedestres, ciclistas e deficientes? Não esqueceram, mas... , pegaria mal. Amassa capô. Que chato!

Que seja! O medo de muitos que vão participar da Rota Márcia Prado é a passagem pela estrada de manutenção, onde sempre há assaltantes. Sim, eles estão lá faz tempo e como ninguém faz absolutamente nada lá ficarão. Espero que ninguém tome tiros. Talvez algumas bicicletas sejam roubadas, mas faz parte. Sempre há o nunca antes. Parafraseando o Maluf, aquele que apoiou o Haddad lado a lado com o também honestíssimo Lula: “roubar pode, mas matar não”.

Bang bang!

Veja o Roda Viva com o Claudio Beato - Professor da UFMG. Coordenador do CRISP - Centro de Estudos em Criminalidade e Segurança Pública. Imperdível e de arrepiar:
http://tvcultura.cmais.com.br/rodaviva/claudio-beato

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Rota Marcia Prado 2012

Mesmo estando meio fora de combate devo participar da Rota Márcia Prado 2012. Tomem como um rito de iniciação - ao prazer de pedalar grandes e lindas distâncias. Vale cada metro. Paticipem.
Mais informações e inscrição em: http://www.ciclobr.org.br/noticias/4o-passeio-cicloturistico-rota-marcia-prado.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Políticas públicas para além de um mandato

Qualidade! Este deveria ser a meta de toda e qualquer política pública porque não há outra forma. Qualidade estabelece a perenidade. Como imaginar que se vai conseguir qualidade quando ainda é necessário um carimbo para validar um documento? Como se pode acreditar em seriedade quando a placa lapidar: “Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar – Lei Estadual nº 9502/97” nos é esfregada na cara? Ironia do destino a lei de Licitação tem por número 8.666; ou seja infinito (8) apocalipse (666). A piada fica mais sem graça quando se observa os resultados desta lei que em teoria é bem intencionada.
O povo brasileiro sabe o que quer; é muito mais esperto e inteligente do que nós todos, ‘zelites’ de todas classes sociais pensantes e econômicas, acreditamos que seja. A prova está nos resultados desta eleição, que prova que o povo sabe bem distinguir falácia de realidade, esmola de futuro, e outras mais.  
Projeto político não é política pública. Muito menos vontade pessoal. Quem se outorga o direito de ser o dono da política pública precisa de um psiquiatra para cuidar do ego e também do alter-ego. Ou precisa de uns anos de cadeia. Provavelmente a última.
Infelizmente passamos mais esta campanha sem uma discussão minimamente séria sobre propostas e projetos. As pinceladas de bravata dadas por todos partidos são publicidade enganosa, que tem que ser feita ou não se recebe voto. Quem é o verdadeiro culpado? Quem engana ou quem sabe que é enganado e gosta? Eu responsabilizo quem elege.
Thiago Benicchio respondeu a uma pergunta minha dizendo que a nova geração vive de mudanças contínuas e cada vez mais rápidas. Digite duas palavras e coloque uma foto e você faz parte do agito. Como construir políticas públicas num terreno de inconstâncias tão rápidas e fugazes?
Políticas públicas de verdade, eficazes, perenes, deve ser calçadas em bases mais sólidas possível. Como construir uma política pública para um setor tão primário, precário, imaturo, onde o elemento básico, essencial, a bicicleta, quebra, arrebenta, machuca e mata com frequência por simples falta de qualidade? Qual é o ponto de partida então?
O complica o futuro da economia do Brasil é que o setor da indústria automobilista já apresenta sinais de saturação, ou até mais que isto, e o da construção civil vai entrar num processo de desaceleração irreversível. São boas notícias, pelo menos para o futuro da bicicleta. Para o resto quem viver verá. A questão agora é os interessados na bicicleta aprender a comer pelas bordas – com inteligência. E isto se dá quando há qualidade na mastigação, degustação, digestão e defecação. Hoje a papinha nos é jogada na cara. Nos lambuzamos e emporcalhados aceitamos felizes. Triste
Vale a leitura deste trabalho sobre Políticas Públicas:  http://www.fit.br/home/link/texto/politicas_publicas.pdf

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Opção pela dignidade

O Estado de São Paulo
Fórum do Leitor:


Entra no supermercado um homem jovem, vestido com roupas simples e bem postas, vem até o caixa onde estou e diz para a caixa: “Quero pegar um brinquedo para uma criança e não posso pagar”. A caixa olha para ele e explica com calma e delicadeza que “Isto é um supermercado, não uma entidade social, e para o senhor levar terá que pagar”. E a resposta do homem vem direta e sem contornos: “Sou pobre, favelado e tenho direito (de pegar e não pagar)”. A caixa, agora com espanto, educadamente repete o que já havia dito, e o homem dá a volta e se vai. Se sucedem com uma triste frequência histórias reais de estudantes e trabalhadores não comprometidos, irresponsáveis, arrogantes. O Brasil é a cada dia mais violento, brutal, socialmente desajustado. Este é o Brasil do nunca antes de Lula, da construção de um populismo vulgar e barato que se utiliza da fraqueza sem escrúpulos.

 O discurso do “sou pobre e tenho direito” é a desconstrução desrespeitosa da história de cada um de nós e deste país. Partir do zero e se fazer é lugar comum à história desta brava gente brasileira. O que guiou a todos estes foi dignidade, responsabilidade, retidão, tentar fazer o melhor de si, construir um futuro melhor. Ou seja: uma forte determinação. “Sou pobre e tenho direito” pode parecer lógico e justo para os ingênuos, mas é corrosivo, devastador para a construção de qualquer espírito vencedor. O Brasil que vem desconstruindo a pobreza antecede décadas a Lula e sua pseudo esquerda inconsequente e oportunista. É desonesto negar a história.

Ordem e Progresso. Leia-se “direitos, deveres e responsabilidade para Ordem; e seriedade e qualidade de trabalho para Progresso”. Sem isto não existe equilíbrio social. Aliás, sem isto não sobrevive um país.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Brasil Cycle Fair 2012 e a nova preocupação do setor

Hoje é o último dia da Brasil Cycle Fair que acontece no Centro de Exposições Imigrantes. É também o único dia aberto ao público, só a partir de 18 horas. A feira é voltada para o próprio setor, distribuidores e lojistas, principalmente no que se refere ao topo de linha. No material distribuído pela assessoria de imprensa da feira está que “o objetivo (é) de reunir o mercado brasileiro de bicicletas e torna-lo único”. São “400 marcas expostas..., importadores, fabricantes, indústrias e distribuidores”. É, sem dúvida, uma feira significativa, a melhor que presenciei. Mas falta ao setor dar um passo além e ter as duas feiras, esta e a que ocorreu no Center Norte, juntas. Vai ser complicado para boa parte dos fabricantes nacionais porque há um abismo de qualidade entre as nacionais e importadas.
Na feira ouvi de várias pessoas uma conversa assustadora para a bicicleta no Brasil. Está em andamento a criação de uma obrigatoriedade de certificação de toda e qualquer peça, componente e bicicletas, incluindo acessórios, pelo padrão IMETRO, o que pode complicar mais ainda todo o setor, em especial a vida dos importadores. A questão é a forma como querem fazer esta certificação, num processo nada prático e caro, bem brasileiro. Como praticamente não há como fazer testes e certificar aqui no Brasil, o processo terá que ser realizado no país de origem, nas fábricas. Todas as fontes falaram a mesma língua e a preocupação com o futuro é muito grande. A intenção inicial da certificação teria sido frear produtos de procedência para lá de duvidosa e de baixíssima qualidade, o que procede. Tudo indica que a boa intenção está prestes a virar um monstro em nome da proteção da indústria nacional. Conhecendo bem a história recente do aumento do imposto sobre as importadas para 35%, dá para imaginar um interessado em especial numa certificação bem burocrática, demorada, e principalmente cara. Ou é coisa do país de nunca mais. Ou os dois juntos. Vai saber. O fato é que mesmo com o aumento do custo final das importadas as vendas continuaram a crescer, o que aponta a desconfiança dos consumidores com o produto nacional, procedente aliás. O triste é que os nacionais não se dão conta que tem que melhorar a qualidade geral ou não haverá o que vá parar o crescimento das importadas. E mais triste ainda é a falta de interesse do Governo Federal em fazer um plano de reestruturação do setor da bicicleta no Brasil. Morre muita gente por falta de qualidade das bicicletas básicas vendidas no mercado, o que responde por 95% do mercado (se não for mais).
Um dos expositores disse que a saída é fazer como se faz com motos: produtos de qualidade comprovada no mercado internacional não precisariam passar pela besteirada. Do contrário um pneu, por exemplo, dos que são usados no Tour de France, Giro d’Italia, Vuelta de España, e outras, vai ter que vir com um selo do IMETRO, ou não entra no Brasil, o que só pode ser piada. Faz lembrar que na época dos militares alguém inventou que bicicletas de competição (na época só existiam as de estrada) eram feitas de um aço especial (cromo-molibdênio) que se derretido poderia se transformar em armas para terroristas. Risível. Uma bicicleta de ponta custava mais que um carregamento de armas. Só algumas pessoas conseguiam entrar com as bicicletas, normalmente amigos do então oligopólio. Felizmente depois de certo tempo a Polícia Federal passou a ter bom senso e a história da bicicleta no Brasil deu um imenso salto adiante. Infelizmente ainda tem gente que pensa como então.
Felizmente a questão da qualidade virou realidade. O melhor exemplo é trabalho fantástico de treinamento de mecânicos que está sendo realizado pelo Shimano, que tem reflexos imediatos nos procedimentos das bicicletarias que fizeram o curso. Eu, pessoalmente, fico muito feliz porque gritei quanto pude pela qualidade. Lembro o começo da Specialized aqui no Brasil onde o cuidado com todos detalhes era orientação da matriz e norma dos irmãos Dranger, então responsáveis pela marca. Na época assustava. Sim, boa qualidade já assustou muita gente.
Na feira eu só olhei as bicicletas de transporte, que aos poucos ganham um espaço cada dia mais significativo. Ótimo para as cidades. 


sábado, 13 de outubro de 2012

A circulação de pedestres em obras (Operação Urbana Faria Lima)

O Estado de São Paulo
São Paulo Reclama:


Moro no meio das obras da Operação Urbana Faria Lima, em Pinheiros. Chama a atenção o descuido geral com os pedestres. É grande a área onde se está aterrando fios e cabos, reconstruindo o sistema de águas pluviais e trocando todo pavimento, o que será ótimo para o bairro. Isto fez com que os caminhos da massa que ali circula fossem alterados, o que é natural numa obra deste porte. Mas isto não justifica alguns descuidos, até desrespeitosos, com quem por ali passa. Não acredito que exista acompanhamento de um especialista em circulação de pedestres que conheça o andamento das obras e com isto vá facilitando a circulação geral. Cuidados pouco onerosos com pequenos detalhes, começando pela limpeza, fariam grande diferença. Pedestres que passam pela obra e não podem ser obrigados a ficar sujos como um operário.

É necessário que a cidade de São Paulo tenha lei ou código (e consequente fiscalização) que obrigue a manutenção da qualidade de circulação de todos, em qualquer situação. Pouco cuidado com o pedestre e principalmente com pessoas com deficiência de mobilidade não é exclusividade de obras. Muito pelo contrário.

Infelizmente não se compreendeu ainda (o óbvio) que pedestres buscam sempre um caminho natural, normalmente o mais curto, e que lutar contra este instinto é tarefa difícil e, dependendo da situação, até mesmo impossível. Se não houver sensibilidade e inteligência no conduzir a massa é praticamente certo que algo irá acabar estragado, o que frequentemente acontece.

Também é triste ver a falta de esmero nos trabalhos, seja por conhecimento tosco do que está sendo executado ou por puro desdém ao bem comum.