segunda-feira, 16 de março de 2020

Coronavírus, break down da crise e possíveis ações

Brasil
população e relação com velocidade de contaminação:
·        urbana
o   casas
o   favelas
·        rural
·        por clima
o   quente
o   úmido
o   frio
o   ventos
E, que áreas está o coronavírus acontecendo lá fora?

Rio de Janeiro
·        favelas -umidade e pouca ventilação
·        alto índice de tuberculose
·        índice de disseminação
·        tempo / curva de colapso?
·        controle de disseminação para outros Estados e cidades
Outras doenças relativas à pobreza e favelas
Outros locais com situações paralelas aos do Rio de Janeiro

Brasil
·        disponibilidade real de atendimento
o   atendidos hoje
o   fila, espera
o   não atendidos
o   SUS, UPA, outros
o   hospitais públicos
o   centros de excelência (HC SP)
o   hospitais particulares

·        número leitos
o   total
o   total habilitado para coronavírus
o   total em atendimento outros / ocupados
o   curva de ocupação habitual
o   não prontos ou abandonados por falta de verba neste instante
o   total para serem ocupadas curto, médio e longo prazo

·        processo desocupação dos leitos por doentes que lá estão
·        critério de desocupação leitos
·        tempo
·        leitos próprios para corona
·        por área / espaço / local da construção hospitalar

·        números respiradores
·        onde é possível utilizar os respiradores
o   condição de tubulação de ar para respiradores
o   condição de sistema elétrico
o   local de estoque de bujões de ar
o   manómetros e outros para correto uso respirador
o   estoque de máscaras
o   enfermeiros especializados?
o   há necessidades de monitoramento?
o   quantos pacientes por enfermeiros
o   quantos médicos por enfermeiros
o   relação ideal pacientes / por médico

Estrutura hospitalar e médica existente

·        pronta para Coronavírus
·        com necessidade de treinamento específico
o   quem treina
o   tempo de treinamento
o   quantos já estão em treinamento
o   onde realizar os treinamentos
o   de que forma treinar
o   para que nível de profissional da saúde
o   em quantas etapas e prioridades
o   quem não treinar
o   quem vai dar o treinamento
o   forma de treinamento previstas em lei
o   situação de sistema saúde em áreas mais pobres – nível profissionais
o   custo treinamento
o   quem paga – como são as leis serviço público

O que pode ser usado em casos de emergência?
·        ginásios
·        escolas
·        Exército
·        igrejas
·        outros
Como fazer a descontaminação depois de usados?
Qual o critério para usar?

Tratamento caseiro
·        distribuição de remédios
·        farmácias
·        remédios grátis
·        logística de entrega de remédios nas casas dos doentes

Uso do sistema de saúde
Treinamento para atendimento paciente / público
·        para público geral, incluindo não pacientes nem acompanhantes
·        para acompanhantes
·        para funcionários - atendimento
·        enfermeiros / corpo médico
·        segurança dos hospitais
·        controle de fúria coletiva

Quem coordena o processo?

Governo
Estados
Municípios
Legislativos
Judiciários
Segurança pública / Polícias
Sociedade civil
Hospitais particulares
todos juntos

·        central / centro de contingência / coordenação geral
o   quais profissionais envolvidos fora da área médica
o   quais as áreas da medicina ou afins que já estão no sistema de saúde?
§  administradores de hospitais
§  gerentes de área hospitalar
§  gerentes enfermagem
§  estoque
§  compras
·        divisões de responsabilidades
·        área de comunicação
o   poder público
o   sociedade civil
o   empresas de propaganda
o   empresas de comunicação
o   sistemas de telefonia / internet
o   redes sociais
o   outros
o   regionalismos
o   religiões
o   culturas específicas (adolescentes de favelas por exemplo)
o   presidiários e outros

o   recebimento de informações
o   filtragem
o   respostas
o   comunicação
o   informação unificada?
o   informação específica para público específico
·        uso experiencias anteriores
o   desastres brasileiros
o   história mundial
o   Segunda Guerra Mundial

Comunicação

·        uma voz só?
·        Gov. Est. Mun. Comunicação oficial e unificada
·        usar imediatamente direito a propaganda utilidade pública em TVs e rádios
·        estabelecer regras para mídias
·        punir fake News
·        forma de comunicação – evitar erros de entendimento
·        quem dá diretrizes
·        leis e limites legais

Controle de histeria coletiva

Faixas etárias
·        idosos
·        crianças
·        geral
·        passíveis de pagar coronavírus

Controle de comunicação:
·        resultado esperado – resultado obtido
·        público alcançado
·        público alvo / regionalismos / público específico
·        analfabetos e analfabetos funcionais
·        religiosos
·        fanáticos
·        outros
·        corrigir possíveis erros

Aproveitar oportunidade e corrigir erros e distorções de cultura passados da população



População
·        regionalismos
·        culturas específicas
·        capacidade cultural / educacional
·        civilidade / senso de coletividade
·        estabilidade emocional
·        integração social
·        interação social
·        capacidade de compreensão
·        capacidade de ação
·        14% população brasileira tem alguma deficiência
·        Município de São Paulo tem mais de 500 mil deficientes que não saem de casa
·        acesso a serviços públicos e sistema hospitalar

estrutura urbana / social
·        farmácias
·        centros de distribuição de remédios
o   distância do público alvo
o   horário de funcionamento
o   urgências
o   evolução da pandemia
o   possibilidade de uso / intervenção sobre distribuição empresas

distribuição remédios e outros
·        por áreas afetadas
·        por áreas prováveis
·        por áreas futuras

·        estoques
·        tempo reação indústria farmacêutica
·        capacidade instalada
·        produção atual
·        tempo mudança na linha de produção
·        logística de distribuição
·        segurança distribuição – assaltos
·        nacional

·        importados – tempo de chegada Brasil
·        leis e ANVISA
·        facilidade de trazer outros – mascaras, respiradores...

higiene periféricos - venda
·        supermercados
·        lojas
·        camelôs
·        compra por aplicativos

Esclarecer à população quem é responsável pelo o que.
·        órgãos públicos
·        sociedade civil e poder de ação

Dinheiro – custos

Poder Público
·        disponibilidade de verba
o   por localidade e poder público
o   tempo para dispor
o   questão legal
o   tempo reação funcionários públicos

O que se pode fazer para facilitar / acionar industrias e outros; estímulos financeiros

Impacto social pela disponibilidade / facilidade de conseguir remédios e outros


Policiamento
·        qual a política?



O que fazer na quarentena caseira?
·        cuidados em casa
·        como ficar com crianças
·        como tratar adolescentes
·        velhos
·        doentes
·        deficientes

recomendações vivência caseira
·        ventilação da casa
·        insolação
·        uso banheiro
·        cozinha
·        formas corretas higiene
·        lavar roupas, cama, mesa, banho, etc...

·        por tipo de construção
·        favelas
·        barracos

·        ventiladores
·        ar condicionado

O que fazer em caso de contaminação caseira?

Pets não contaminam

Entretenimento
Esportes e lazer

·        definir etapas de quarentena
·        tempo previsto em cada caso
o   por faixa etária
o   por condição social
o   por facilidade de tratamento

Efeito social futuro
·        pensar com todos, sem distinção
·        como aproveitar a crise para corrigir erros passados
·        acionar professores
·        acionar universidades
·        igrejas
·        outros
·        presidiários

Alimentação
·        particularidades urbanas
·        comprar comida
·        feiras
·        supermercado
·        higiene na compra e manuseio
·        CEASAs e centros de distribuição

·        comer fora de casa

·        restaurantes
·        kilos
·        restaurantes populares
·        distribuição de alimentos
·        aplicativos
·        higiene local e pública

Saúde pública
·        parado piora saúde
·        como fazer exercícios

Trabalho, ganhos, contas...
·        população baixa renda vai perder muito
·        posição empresas e governo pagamento de contas
·        dinheiro circulando
·        orientação oficial para população

operários
·        tipo de trabalho
·        tipo de indústria
·        prestação de serviços
·        proximidade
·        ventilação
·        higienes
·        grau de periculosidade
·        programas de emergência

Internet  e telefonia
·        % que está sendo usado
·        % com pessoas em casa
·        capacidade
·        plano contra colapso – São Paulo já está tendo variações sensíveis

·        home office

·        uso aplicativos
·        aplicativo de tomada de temperatura pelo celular
·        aplicativo controle casos e outros

Mapeamento
·        uso intensivo de inteligência artificial
·        sociedade civil e órgãos públicos


sábado, 14 de março de 2020

Acidentes de trânsito e a falta de leitos para o coronavírus

O Estado de São Paulo
Fórum do Leitor

Acidentes de trânsito e a falta de leitos para o coronavírus

As autoridades preveem uma provável falta de leitos hospitalares e UTIs nesta crise de coronavírus. É momento para lembrar que boa parte dos leitos hospitalares estão ocupados por vítimas de acidentes de trânsito. O Hospital das Clinicas já chegou a ter 33% dos leitos de PA (Pronto Atendimento) ocupados por acidentes de trânsito, muitos 

deles acabando na UTI. Mossoró, uma das cidades mais ricas do nordeste, chegou ater 78% de todos leitos hospitalares ocupados por acidentes de trânsito, a maioria motociclistas; e Brasil afora a situação é de calamidade com algo como 40.000 mortes/ano no trânsito, mais 400.000 sequelados/ano, ou seja, só ai algo em torno de 440.000 que necessitaram de atendimento emergencial, fora os que passaram por PAs e UTIs e não estão nesta conta. Acabei de ficar 15 dias viajando de carro no Paraná e Santa Catarina e fiquei impressionado com a quantidade de motoristas e motociclistas bem acima da velocidade permitida, uma diferença grande para a última vez que estive lá, muito provavelmente resultado das falas irresponsáveis de Bolsonaro. Espero que agora, com a necessidade de leitos e UTIs, os brasileiros se deem conta que não podemos continuar assim. Coronavírus não é a primeira pandemia brasileira e provavelmente nem será a mais mortal.

Desafio da Serra do Rio do Rastro, as paisagens e turismo



Não só a Serra do Rio do Rastro é linda, melhor maravilhosa. Fiz uma extravagância e fui de carro, 2100 km ida e volta. Cheguei por baixo, pela BR101, Tubarão, Orleans e Lauro Miller, e subi a serra para fazer o primeiro reconhecimento. A serra é imponente tanto pela beleza quando pela subida em si. Suba com janela aberta e sem som para ouvir a buzina dos caminhões que descem e que só fazem os cotovelos em duas ou três etapas. Tem que esperar um tempinho as manobras e é uma ótima oportunidade para ver a indescritível paisagem. Dá para abrir a porta do carro e olhar com calma. E há os pontos de parada, mas não raro estão cheios.
Me hospedei na Pousada Tafona em Bom Jardim da Serra, no topo da serra, um lugar simples, novo, muito charmoso e melhor que muito hotel considerado bom. Os donos construíram com as próprias mãos, muito carinho e estão lá para tudo. O café da manhã é caseiro, ótimo. Vale a pena ver o pôr de sol de lá.
No dia seguinte acordamos às 4:00 h para tomar café da manha da pousada e descer a serra. Paulo, o proprietário, nos serviu, uma gentileza que só temos a agradecer. Rone e Gerusa, que me receberam bem em Rio do Sul e ajudaram estar na prova, conhecem o esquema. Rone nos deixou, eu, Gerusa, mais a Andreia que também correu, lá em baixo, uns 4 km antes de Lauro Miller, onde foi a largada do Desafio da Serra do Rastro. "Assim vocês dão uma aquecida". Boa Rone! Decisão para lá de acertada. Ele deu meia volta e subiu para nos pegar lá em cima, depois da chegada. A serra fica fechada entre 6:00 e 10:00 h. Gerusa e Andreia ganharam em suas categorias. Eu terminei e não fiquei em último. Festa geral.
Sempre fui apaixonado pela beleza de Santa Catarina e ainda guardo muito vivo o impacto que tive quando em 1967, do parabrisa de uma Vemaguete, vi pela primeira vez a maravilhosa paisagem verde que se abre no fim da serra que desce de Curitiba para Joinville. Agora não tenho como descrever a beleza das estradas no platô no entorno de Bom Jardim da Serra. Tenho que voltar, desta vez pedalando, com toda calma do mundo.  Sempre me falaram do divino que é pedalar no Vale Europeu, um pouco mais ao norte da Serra do Rio do Rastro; agora posso imaginar. Bernardo e Silvia contam com brilho nos olhos suas pedaladas em Urubici. Lá, perto da imensa igreja ou catedral, tem um posto Ipiranga com uma lanchonete temática para motociclistas que merece uma parada. Poucos são tão bem montados. O caixa é um Ford Falcon 1964, que por si só justifica a parada. Café expresso, doces, e música são ótimos, e só não fui para os lanches pelo horário.
As estradas do Interior de Santa Catarina via de regra são muito boas, com pouco movimento, mas é preciso ir devagar porque há alguns erros de sinalização em curvas acentuadas e locais de ultrapassagem. Os catarinenses correm muito e é sábio como turista não acompanhá-los, tanto por desconhecer as curvas, quanto e principalmente para não perder a belíssima paisagem.

A comida é muito barata e boa. Os hotéis e pousadas custam mais ou menos o mesmo que pelo interior de São Paulo, isto se quiser ficar algo melhor. Em Rio do Sul fiquei no Hotel Bergozza, que fica do outro lado da estrada BR 470, fora do centro, mas tem uma vista maravilhosa. Recomendo o quarto 77 (ou outro qualquer com vista) no canto do edifício de cima, novo e com quartos grandes que dão a sensação de estar nos Estados Unidos. O café da manha é ótimo, recomendando o creme de nata típico da região que fica ao lado da manteiga, também ótima e da região. Se gosta de tomar um chopp no fim da tarde vai até o Boteco Seu Fulano, muito simpático e com uma polenta frita de ajoelhar. A Catedral de Rio do Sul é imponente e vale a visita. Os vitrais são maravilhosos. Visitei outras igrejas na região, todas bem cuidadas, e tenho curiosidade de saber quem foi o autor dos vitrais que são, repito, maravilhosos.




Gerusa, a quem não tenho como agradecer a recepção.

quinta-feira, 12 de março de 2020

Desafio da Serra do Rio do Rastro 2020 (e outras subidas)

Foram dias de ansiedade e as mais diversas imagens passaram pela minha cabeça. A cada conversa sobre subir a Serra do Rio do Rastro ouvia uma coisa diferente, todas elas assustadoras, umas mais, outras apavorantes.
Sempre gostei de cross-country, mas o tempo fez com que minha visão não consiga mais acompanhar a trilha vibrante nas descidas, pelo menos da forma que gostava de desce-las, despencando. Então subidas, uma lição constante de controle da ansiedade, controle cardio respiratório, concentração e resistência.
A primeira serra que subi foi a que leva a Visconde de Mauá, então ainda em terrão. Quando cheguei ao topo e vi as nuvens brancas passando sob meus pés me senti o próprio Super Homem. De Caloi 10 e levando as bagagens dos dois que estavam viajando comigo! Sensação boa inesquecível! Ali aprendi a nunca pensar “quando acaba?”, pois depois da cada curva sempre tinha mais subida.
Muito lá atrás fiz uma vez o Pico do Jaraguá e duas a Dona Francisca, a subida de serra de Joinville para Campo Alegre, duas das boas, subidas quero dizer. O Pico do Jaraguá subi com uma bicicleta de estrada Kettler na base da força bruta, totalmente errado, colocando meu batimento cardíaco muito alto, para lá de perigoso. Tomei uma bronca sem tamanho do mestre de todos Eduardo Puertolano; ouvi o que ele disse com vergonha e muita atenção e nunca mais repeti. A Dona Francisca subi girando redondo com mountain bike, um raro prazer. Eu estava bem e lá em cima me perguntei "Ué? Já acabou?".
Dentro de São Paulo sempre se sobe, algumas fortes, nenhuma longa e trabalhosa como uma serra ou montanha, e este sempre é meu treino. Treino não, necessidade de um usuário da bicicleta como modo de transporte. Já cheguei a subir a Ministro Rocha Azevedo, não mais. Como diz minha família, "velho não se mete a besta". Pode-se parafrasear: despreparado não se mete a besta. Aos 65 os dois tem validade, dentre outros.
E aí veio o Caminho da Fé um, dois, três, quatro, com seu sobe e desce que não para e só piora, e não tenho vergonha de dizer que algumas empurrei. Mesmo tendo feito quatro vezes ainda nunca cheguei na Limosa, a serra mito, a destruidora de ciclistas, conto de terror, 11 km com 17 % ou mais de terra e pedras que faz sofrer até jipe. Toda vez que cheguei perto algo dá errado. A última tive que voltar de Consolação para uma reunião de trabalho que foi remarcada. Eu queria matar o maldito. Ainda chego lá, olho para cima e empurro só de birra. Provavelmente não conseguirei subi-la pedalando, como não consegue a maioria. Segundo Caio “história de ciclista é como de pescador: a maioria diz que sobe pedalando sem parar...”   
Das subidas asfaltadas a mais falada é a Serra do Rio do Rastro, uma das mais difíceis do Brasil, segundo uns poucos só perdendo da Paraty - Cunha. É uma linda paulada, 25 km com uns 1.250 metros de altimetria subindo quase constante, força no pedal sem parar. Acabei de fazer o Desafio da Serra do Rio do Rastro e digo que se não experimentou não sabe o que está perdendo. Os 5 km finais são o filé. Chegar lá em cima mais que um feito é um aprendizado de vida. 

O Desafio da Serra do Rio do Rastro é realizado duas vezes por ano, uma em Março e a outra em Novembro. Esta que participei foi a 13° edição patrocinada pela Soul. Teve 541 inscritos, largaram 535 de Lauro Miller e chegaram 478. São várias categorias, dividas por idade e tipo de bicicleta, largam divididos em três grupos, às 6:40 h, às 6:50 h e os mais fortes, incluindo elite, às 7:00 h. Uma festa com premiação para todo mundo, como deve ser um evento não profissional. Eu bem devagarzinho cheguei em 2:52 h, 433º, um pouco à frente do fundão, mas cheguei, e por si é um feito. Os pró fizeram em 1:17 h, a média do povão em torno de 2:00 h e alguma coisa. Eu... eu... continuo pulando de felicidade por ter pedalado lá.
Antes da largada o speaker contou a história de uma bicicleta que caiu do rack no meio da estrada e o motorista / ciclista só foi perceber muito depois. Quando voltou a bicicleta não estava mais lá. Esqueceu de passar a cinta nas rodas. Um outro participante que vinha de carro pegou a bicicleta, nova e das caras, e a devolveu. Por incrível que pareça a bicicleta estava sem um arranhão. Triste foi ouvir o pedido da organização para que não se fizesse trapaças durante a corrida.
A estrutura da prova foi muito boa, bem organizada. Tem três (ou quatro) pontos com água, bananas e no km 15 banheiro. A premiação foi longa por conta do número de categorias premiadas e teve gente irritada meio que sem razão. Era Dia da Mulher e queriam que elas fossem premiadas primeiro, o que concordo, mas em uma das categorias femininas o último pódio demorou para chegar. A gozação ficou por conta do sorteio de duas bicicletas para as meninas e uma delas acabou saindo para a primeira no geral, Lisiane Boff com 1:31:10 h. "Marmelada, marmelada, marmelada...." gritava o povo rindo, mas foi realmente sorteado e mais que merecido.

Enfim, se tiver um mínimo de rodagem, boa técnica de pedal, bicicleta com redução correta, pedalar com calma, principalmente sair com calma, termina; que é o que vale. A saber, três semanas antes tive uma das piores crises de coluna de minha vida e praticamente não consegui pedalar, correr e até mesmo nadar durante este tempo, o que faço só para manter a saúde, não como treinamento esportivo. Ou seja, quem quiser sobe. É uma experiência maravilhosa para a cabeça que deve ser colocada na agenda da vida.

quinta-feira, 5 de março de 2020

A perda de identidade de Joinville

Numa das vezes que tive que trazer novas bicicletas para o Museu das Bicicletas de Joinville dei uma entrevista para uma das principais rádios da cidade e no meio dela fiz um pedido para que os joinvilenses não deixassem que sua maravilhosa cidade, uma das belas e singelas do país, fosse mandada abaixo repetindo o absurdo que acontecera em São Paulo. A conversa sobre a importância de se preservar o patrimônio histórico arquitetônico se estendeu e no meio dela eu, de frente para a janela do aquário (traduzindo: estúdio da rádio) vi um funcionário vindo com cara preocupada, abrindo a porta, entrando, esperando os anúncios que entraram logo em seguida, momento quando se corta o som dos microfones, e dizendo em alto e bom som: "O que você (eu) disse sobre preservar a cidade causou uma série de telefonemas e ameaças. O pessoal está muito bravo. Estão dizendo que quem sabe sobre Joinville é o povo daqui e que paulista não tem que dar palpite. É melhor parar". Tivemos que checar se não havia ninguém me esperando do lado de fora da rádio para ir embora.

Nos primeiros anos que passei por Joinville fiquei fascinado com as casinhas e construções de época que faziam da cidade uma delicada poesia sobre a colonização alemã. Em poucos anos vi uma trágica transformação na cidade, com demolições e deformações as mais diversas. O conjunto de casinhas de meia parede em frente ao posto de gasolina foram mandadas abaixo para a construção de um imenso supermercado tipicamente americano, o primeiro de outros monstrengos sem alma, mas muito lucrativos, que pipocaram com total apoio da população. Joinville estava fadada a perder sua alma, e perdeu.

Não conheci a Joinville cidade das bicicletas, quando ao apito das indústrias as ruas ficavam congestionadas de operários ciclistas. Seguramente era mais linda e delicada, quem conheceu não esquece.

Estive em Joinville nestes primeiros dias de Março de 2020 e saio de lá com uma imagem muito triste. Destruíram a cidade. Modernizaram a cidade, e dizer isto é mais ou menos dizer que houve um atentado terrorista que transformou a cidade em um nada, em mais uma cidade tipicamente brasileira, sem nenhuma alma, cheia de vitrines, fachadas com grandes nomes, propagandas de todos tipos e formas, quanto maiores melhor, um visual sujo, grosseiro, medíocre, um ambiente pesado, um nada. O trânsito é simplesmente horroroso. As calçadas nem digo. Mesmo descontando a severa crise que estamos passando o que está lá é muito negativo.

A maluquice é que em São Paulo se começa a dar prioridade para manter e restaurar construções de época, o que é regra na maioria dos países. Quando a novidade se espalhar por aqui no Brasil nosso passado já terá sido desintegrado. Infelizmente mais uma vez os bons exemplos deste país são desconhecidos, desprezados ou repudiados em nome de interesses menores, mesquinhos, sacanas ou muito medíocres.

Curitiba dá incentivos interessantes aos que preservam ou mesmo mantém a fachada original. Curitiba evoluiu e continua sendo Curitiba. Eu fico nos Ibis que construíram os edifícios atrás da casa de época, mantendo-as originais, que nos dois casos são usadas como restaurante e sala de eventos, numa delas também como recepção. Há vários exemplos de edifícios novos construídos preservando só as paredes da fachada original. É uma forma de manter a identidade e memória local.

Não pensem que por trás das antigas fachadas históricas que se vê em belas fotos da Europa tudo está preservado como na época da construção. Em Bern, Suíça, fiquei numa casa construída literalmente em 1500, sim, no ano do descobrimento do Brasil. É óbvio que trocaram o piso original, instalaram um banheiro interno, e fizeram outras muitas melhorias, mas o espírito da casa e sua história está lá.

O primeiro choque de cultura urbana que tive foi em Palm Beach, Florida, uma das cidades mais chiques e ricas do Estados Unidos. Nunca vi tanto carro caríssimo junto circulando pelas ruas. Depois, e mais chocante, foi o caminhar na rua das lojas mais sofisticadas e caras, todas sinalizadas com pequenas placas de um metro por cinquenta, se tanto, discretamente penduradas na frente de casas de época com suas fachadas cuidadosamente preservadas. O contraste foi chocante com o que eu estava acostumado, imensas janelas em fachadas completamente deformadas só para chamar atenção nos produtos expostos e iluminados. Palm Beach que eu vi era zero shopping center e nota dez respeito pela alma da cidade. Uma questão de cultura, educação. 

Entrei no The Plaza, hotel então seis estrelas na 59th com 5°Ave. de NY, esquina em frente ao Central Park, vestindo como um meio termo entre um hippie e mendigo, com o porteiro em impecável uniforme desejando um bom dia. Aqui seria barrado na porta, como ouvi mais uma história ontem. Ou seja, não tem nada a ver com riqueza, mas com cultura e o respeito que esta traz para todos, inclusive pobres. 

Não sei como vamos para esta violência generalizada. Uma coisa é certa, não será com cidades degradadas. Infelizmente copiamos modelos de evolução que são completamente obsoletos. A filosofia "shopping center" está entrando em colapso em todo planeta. Aqui seguimos nela.

Como nossas leis de preservação são mais espertas que o rei fica difícil preservar e acaba não sendo rentável. O resultado é sabotar, quebrar umas telhas, deixar entrar água, ficar deteriorada, ser invadida, pegar fogo e daí obter autorização para a demolição, isto quando necessária.

O gran finale desta história é a geração de entulho, que é um dos maiores problemas ambientais que temos.

A perda de identidade de nossas cidades, portanto de nosso país, é rentável a curto prazo, mas já vem apresentando seus altos custos, que devem ser maiores ainda num futuro próximo. "Que país é este?" diz a música. Que país será?

quarta-feira, 4 de março de 2020

Acervo do ex MUBI - mais um resultado da cultura brasileira

Em 23 de Março de 2017 subi o texto e fotos sobre o Fechamento do MuBI: Brasil, um país sem memória . Valter Busto, proprietário da imensa coleção e responsável pelo então MuBI, Museu da Bicicleta de Joinville, teve retirar todo seu acervo da Estação Ferroviária de Joinville e ajeitá-la como pode em sua casa. A história é bem mais complicada, mas não cabe aqui. 
Não sei exatamente o número de bicicletas, mas no MuBI eram mais de 100 expostas, mais a reserva técnica pronta para exposição, e todos os pequenos objetos, pinturas, tapete, etc... Isto sem contar com a reserva técnica que tinha em sua casa, mais de uma centena de bicicletas prontas para exposição, outra centena para serem restauradas, e um imenso e precioso acervo de peças, pequenos objetos, livros, revistas, roupas e outros mais. Quem acompanhou sabe o drama que foi manter tudo debaixo de um teto.

Nestes quase três anos houveram algumas tentativas de se recolocar o acervo em outra localidade, infelizmente sem sucesso. Valter continua trabalhando para reabrir um museu. 
As fotos abaixo mostram como está a coleção hoje. Absurdo? Não! Tipicamente brasileiro. Muitos museus oficiais têm acervos na mesma condição, ou pior, muito pior. Não precisa ser especialista ou interessado em cultura para saber como anda a coisa. Fácil e trágico: Museu da Língua Portuguesa (queimado); Museu Nacional (queimado); Museu da Revolução de 1932 (?); Museu da Tecnologia (?), Museu da Aeronáutica (?),... Quem fizer uma rápida pesquisa vai dar com uma vergonha sem tamanho de como é tratada a cultura e memória nacional. Repito, o brasileiro, faz e anda, está pouco se importando.  

Para entender as fotos, o melhor do acervo está dentro de uma pequena casa e dentro de uma garagem de um vizinho. Na área externa, coberta por telhas e fechada por lonas, está a coleção secundária. Ainda tem muita coisa está guardada em condições precárias. Não posso dar a localização por uma questão de segurança, nem mostrar o caminhão que foi depósito de uma parte da coleção. Acabei de remover a foto.
Fato é que Valter Busto juntou por esforço próprio, heroico até, a mais importante memória da bicicleta no Brasil; mas parece que ninguém se importa.