Fazendo uma análise fria:
Como estão as investigações dos crimes ocorridos nas romarias passadas? Quais resultados? O que faltou?
Como a inteligência da polícia trabalhou a segurança dos romeiros nos meses anteriores a romaria? Sim, a polícia trabalhou, disto tenho certeza porque ouvi vários depoimentos, inclusive de pessoas ligadas a organização dos pontos de apoio.
Conversei com polícias durante a romaria. Todos responderam que em vários aspectos têm as mãos atadas, o que não duvido. Aliás, em Pindamonhangaba presenciei romeiros simplesmente desprezando as orientações de um Rodoviário Federal e seguindo em frente, para meu espanto. "Não posso fazer nada", reclamou resignado o Federal.
É fato que os limites sociais deste país derreteram. Todos. "Que se dane o outro" impera impiedosamente.
Mesmo os bandidos num passado distante tinham um código de conduta, uma noção de dignidade, de limites. Foi-se. "Perdeu! Perdeu! Dá ou mato!". Hoje impera a estupidez generalizada.
Segurança no trânsito? Alguém realmente se importa? Quantos pensam no próximo?
Mobilidade:
Muito se fala em segregar, criar um espaço específico para os romeiros, 134 km segregados. A ideia corrente é retirá-los da Rodovia Dutra.
Como trabalhei com mobilidade, deixo o recado: segregar nem sempre é a melhor solução. Segregar simplesmente tem tudo para gerar outros problemas, alguns tão ou mais graves quanto os que se tem agora. Segregação feita pela metade ou segregar para tirar eles da frente, uma eterna regra brasileira. Temos inúmeros exemplos de segregação mágica realizada de qualquer forma que deu bem errado.
Pois então...
Pergunta que não quer calar: vão construir passarelas em todos cruzamentos de estradas? Tem verba? Tem verba para romeiros e nunca teve verba para os trabalhadores que circunlam a pé ou pedalando no dia a dia, na mesma rodovia, durante todo ano?
"A Dutra virou uma avenida", afirmação corrente entre autoridades. Se virou uma avenida, se corta cidades ao meio, será que não tem que ser tratada como trecho urbano, portanto levando em consideração pedestres, ciclistas e mobilidades eletricas que há muito circulam ali?
Outra pergunta: a segregação vai ser larga o suficiente para segregar os ciclistas dos pedestres? E o que vão fazer o que com os ciclistas que recusarem entrar na ciclovia? Ciclistas esportistas que treinam serão obrigados a usar o novo espaço segregado, então pedestres conviverão com ciclistas pedalando a 30, 40, 50 km/h, quando não mais rápido, é isto? Como fica, bicicleta é de fato um veículo, como está no CTB, ou deve ser visto como o que? E com o estouro da boiada das eletricas, todas, como fica a segregação? Etc...
Segregar é uma palavra linda, mágica, a dita solução inteligente de tudo, até a realidade bater na porta. E estejam certos, bate. Mobilidade segura se constrói com conhecimento e inteligência, muitas vezes com soluções que não parecem lógicas. Segregação para dar os resultados esperados custa caro, bem caro, tem que ser um trabalho multi disciplinar, uma mudança de comportamento coletivo. Mudança de comportamento no meio deste "nós ou eles"?
Fora a questão legal envolvida, que como todos sabemos, estácomo fralda de bebe: você nunca sabe o que vai acontecer. Tem fralda que..., despulpem, tem lei que cola e lei que não cola. O que vai sair disto?
Não haverão outras alternativas? Outras soluções? O que diz a experiência internacional? O que se pode fazer dentro da lei? Afirmo com todas as letras: muito! E não precisa pensar fora da própria lei. Basta sair da caixinha.
Para sustentar a minha preocupação com esta obseção por segregar, poderia encher aqui de perguntas pertinentes.
A que mais me pega é: "Vão destruir uma importante tradição do povo?"
O que eu faria? Já escrevi; eu acalmaria a via Dutra durante os 10 dias da romaria de Aparecida.



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