Esta Opinião do Estadão, "O valor da preservação da memória", foi publicada horas depois que escrevi e subi meu último texto, Portal de governo apagado, onde toco exatamente no mesmo ponto, a memória pública. Sobre preservação de memória sei muito bem o que escrevo e falo porque convivi com meu irmão, Murillo de Azevedo Marx, que fez toda sua vida, ou luta, no sentido de preservar a memória não só da arquitetura, sua área específica de atuação, mas de tudo.
A noite li o último texto, crônica, publicado de Leandro Karnal sobre colapso de poder dos USA, e como geralmente faço, terminando nos comentários. No meio do texto, Karnal conta que é professor de história dos Estados Unidos, o que sabendo quem ele é não deve ser de pouco conhecimento, portanto ele deve saber o que está falando ou ponderando. Como é comum em comentários, sempre aparece quem se apresente como sendo a história em si, sem cuidados respeitosos tanto pelo que escreve quanto por fatos inegáveis. Não estranho, até porque agora o chique, o must, é o eu; eu selfie, eu sei, eu estou absolutamente correto, todos os outros são uns imbecis, só eu tenho a verdade...
História. Preservação de memória. Quem sou eu? Quem eres tu? Quem somos nós? Ou isto ou navega se a deriva num mar de esperanças vãs sob o canto das sereias.
BRASIL, UM PAÍS SEM MEMÓRIA, dito e repetido, verdade incontestável, e simplesmente deprimente. Ainda teremos futuro? Sem memória, eu duvido.
Fica aqui o meu mais sincero agradecimento a Carlos Barcellar e a todos que lutaram e continuam lutando para preservar o que ainda resta da memória deste país. Fica aqui meu agradecimento a quem estava e está no poder e deu guarida ao trabalho de Carlos Barcellar, e de qualquer um que quis e quer preservar história.
Não preservar serve, dentre outras coisas, a dar passos largos e rápidos para, no mínimo, livrar histórias indesejáveis de conhecimento e julgamento. Ou coisa pior, muito pior.
Quem tem medo da verdade?




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