segunda-feira, 2 de março de 2026

A ilusão, a falta de conhecimento, e o fracasso inevitável

Me engana que eu gosto. Ahh, ilusão, doce ilusão. Atender aos mais íntimos desejos de ser leve, livre e solto no planeta de todos os prazeres que se desejar. Como é bom. 


Quer me tirar do sério? Diz "Precisamos pensar na segurança dos ciclistas". 



"Precisamos pensar na segurança dos ciclistas", óbvio que sim, mas isto são palavras, não ações concretas. A pessoa que repetia sem parar este "Precisamos pensar na segurança dos ciclistas" tinha um curriculo mais sujo que puleiro de galinheiro, pior, não fazia ideia do que estava falando porque tinha medo de bicicleta. Mais ainda, era aplaudida por seus iguais num gesto de corporativismo férreo. Um dia caiu a ficha do pessoal e de aplausos partiram para do FDP para baixo, tudo que se pode ouvir. 
 
"Precisamos pensar na segurança dos ciclistas" dito ao peido (expressão típica de porteños que vem bem a calhar) é o caminho mais curto para reduzir a segurança de todos, ciclistas, pedestres, até motoristas.

"Precisamos pensar na segurança dos motociclistas"?

Venho há muito falando sobre a necessidade urgente de nós, brasileiros, termos dados corretos sobre o que acontece para só então estabelecer um plano de ação com prioridades. Alguém se interessa? Bom, creio que não, como apontam inúmeros artigos e textos, de inúmeros especialistas. Não sou eu que digo, um joão ninguém, mas o pessoal reconhecido e respeitado como conhecedores em suas áreas, todas, as mais diversas, não só segurança no trânsito. Exemplo: Marcos Lisboa e outros de primeira linha denunciando que o BC, Banco Central, falhou feio em ter informações para controlar a inacreditável bagunça que há muito vem ocorrendo com o Banco Master e amiginhos deste, uma brincadeirinha de até aqui R$ 60 bi, só isto, até aqui! Ou da inoperância das agências reguladoras, todas. Ou a baderna de dados sobre a criminalidade. Ou dos órgãos coletores de dados estarem em boa parte entregues a partidários. Etc...

Não há estudioso deste país que não afirme com todas as letras que "brasileiro não gosta de dados, estatísticas, de precisão".

O artigo sobre os resultados negativos das faixas azuis para motociclistas vai por aí, a falta de interesse em dados e informações precisos para criar soluções. (Eu quero melhorias imediatas nas perícias e corpo de legistas). Dados existem, excesso de velocidade mata, motoboy com pista livre acelera, cruza sinal vermelho, não respeita nada, quer e precisa entregar o mais mais rápido possível, a pizza não pode chegar fria... Mas com que qualidade de detalhes e como são utilizados?

Estou exausto de repetir o mesmo. Coisa chata!

Segurança, a de verdade, a que traz resultados positivos, não se faz com achismos, mas com dados precisos, o que brasileiro não é muito afeito, todos, sem exceção. Não sou eu quem afirma, um mero cidadão leitor curioso, mas quem conhece.
A pior coisa para a segurança são as soluções mágicas, o que incluí boas ações realizadas pela metade, sem um olhar horizontal, periférico e tangencial, micro e macro, de curto, médio e longo prazo, o que se faz aos montes e sempre, o que é regra. "Eu vou inaugurar em..." Bingo! Sorrisos.
Somos o país da solução mágica, do tiro certo no pé. Mortes aos montes são uma consequência natural.

Mais uma vez repito, que chato!

Quando há uma situação aguda, a reversão mais eficiente desta é atravéz do estabelecimento de ações prioritárias, que nem sempre são do agrado de gregos e troianos, muito menos populistas. E menos ainda ideológicos. Aliás, neste país estabelecer prioridades de verdade levanta uma gritaria ensurdecedora de tudo quanto é lado.

Segurança é uma ciência, e como tal deve ser tratada. Viajou na maionese, danou se.

Faixa azul é uma boa solução, está provado. A crítica que se faz está apoiada no comportamento de meia duzia que fazem besteiras, continuam sofrendo acidentes e morrendo. Não era previsível que com pista livre o problema sairia da colisão lateral para os cruzamentos? Vai se melar mais uma boa ideia porque tem idiota que faz o que quer e bem entende em sua moto? "Eu tenho direito..."
  • quando se entra num corredor qualquer, o foco de atenção fica no final deste
  • na aproximação da saida de um corredor, como é o caso dos cruzamentos, para onde se está olhando?
  • no final do corredor quanto se tem que girar a cabeça para olhar primeiro para um lado e depois para o outro. Quanto maior o giro de cabeça, maior o tempo para visualizar o todo, quanto maior este tempo menor o tempo de reação e de segurança.
  • quando alguém que vem pelo corredor tiver uma SUV ou qualquer outro veículo grande formando paredes laterais na aproximação da esquina, qual o tempo de visualização e reação que o motociclista tem para o que vem em diagonal?
  • caso o corredor cruze uma rua, no momento do cruzamento o motociclista tem muito menos rotas de fuga para evitar uma colisão. O caminho natural é seguir pelo corredor.
  • como é realizada a fiscalização da velocidade dos motociclistas? 
  • como sempre foi a fiscalização de velocidade? Como é a lei relativa?
  • como parar um motociclista infrator que vem num corredor estreito no meio de uma avenida? Como deter um motociclista fechado num corredor que tem atrás vários outros motociclistas?
  • como a lei trata este problema?
  • etc...
O advogado do diabo não serve para destruir uma ideia, mas para colocar questões que tem que ser analisadas para se chegar a um bom resultado. Não sou contra a faixa azul, muito pelo contrário. Aproveitando, e repetindo, não sou contra ciclovias. Sou contra não ir atrás de qualidade, de errar o mínimo possível e de efeitos colaterais. 
Quer reduzir a acidentalidade e as ocorrências? Estabeleça prioridades reais e faça cumpri-las.    

A prioridade deste país tem que ser dar um basta a todo e qualquer estúpido. Feito isto entraremos no caminho para o país do futuro de verdade, não esta vergonha que vivemos. A nossa prioridade, a dos seres normais, deve ser estabelecer uma linha da qual não passarão, ponto final. Os que usam a faixa azul, assim como os políticos, os executivos, os judiciários, os vizinhos, conhecidos, reliogiosos,, as empresas, os contraventores..., todos sem exceção. Estou escrevendo besteira? 

O outro, principalmente o desconhecido, morrer de forma estúpida importa para o brasileiro em geral? Responda você.

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