sábado, 29 de abril de 2023

Educação

"É uma questão de educação..." é a fórmula mágica para todos os males da humanidade e do planeta. Não resta dúvida que resolve muito, mas nem tudo. A maioria dos educados trazem consigo os vícios do grupo social e ambiente no qual vivem. Se a regra geral for "faz e está feito", sem menção aos cuidados no fazer  e sem preocupação com a qualidade do produto final, como faz muito tem sido regra no Brasil, a educação não chegará a seu fim.

Educação, formação ou treinamento? 

Não, educação não é a solução de todos males. Porquê o resultado final vem de um conjunto de situações ambientais, sociais e individuais. Quando um destes fatores não funciona bem os outros estão fadados a não desenvolver seu pleno potencial.
Educação ou tradição ambiental? 
Educação ou tradição social?
Educação ou caráter pessoal? 
Educação e tradição juntos, creio exceto quando entra o caráter, que no caso individual é genético, portanto imutável. 
É possível disciplinar e limitar os problemas de mal caráter, mas o caráter individual é imutável. Os aditos às ideologias dizem o contrário, mas o resultado que imaginam conseguir vem pela força bruta, não pelas qualidades da educação. 
Para complicar, a tradição é formada pelo conjunto de caráter e a forma como estes interagem. E a formação do caráter por sua vez tem relação direta com o meio ambiente onde vivem. 

"Tem que fazer o ciclo completo (de educação), incluindo faculdade". Desculpem,  mas que puta asneira. Tem que oferecer educação da melhor qualidade possível, principalmente a básica, o b a ba. Não é o topo da pirâmide, mas a base. 

Tenho alguns amigos que são professores universitários. Todos, sem exceção, continuam dando aulas porque precisam ganhar o pão nosso de cada dia. Todos, sem exceção, não aguentam mais o despreparo, o desinteresse, a falta de noção da imensa maioria de seus alunos. A primeira reclamação neste sentido que ouvi foi de meu irmão, morto faz mais de uma década, professor de uma das mais concorridas faculdades de arquitetura do país. Murillo contou um dia ter perdido a paciência em classe com a completa apatia dos alunos. Ele parou a aula e passou a gritar "Sonhem! Sonhem! Sonhem!...". Não serviu para nada, não entenderam nada, não faziam ideia o porque da reação de seu professor, continuaram os mesmos.
Nestes últimos anos é trivial ouvir depoimentos de professores universitários sobre o baixíssimo nível de preparo dos alunos que entram na faculdade. Já ouvi sobre faculdades que optaram por dar reforço de matemática básica para os calouros, do contrário é impossível seguir em frente com a educação. 
Recentemente a imprensa denunciou que algumas matérias não podem ser levadas a frente porque alunos completamente despreparados não querem ou não permitem que se toque em certos assuntos. O terraplanismo neste ponto confunde-se com o politicamente correto ortodoxo. 

"Os alunos não levam mais caneta e papel para anotar a aula. Eles ficam com o celular na mão olhando para a tela e não importa o que você, professor, esteja falando, não prestam atenção. Não dão a mínima. Querem o diploma e só. Saem da faculdade sem saber nada, sem ter noção do que aprenderam ou o que poderiam ter aprendido" diz uma professora exausta de uma das mais conceituadas faculdades do país.
Está feito... (tenho o diploma)

quinta-feira, 27 de abril de 2023

Está feito...

Está tudo cheirosinho, dá para ver que teve o cuidado de lavar, deixar secar bem estendido no sol, e até dobrou, mas sem cuidado com alinhar as pontas, dar um bom acabamento ao trabalho realizado. Do jeito que ficou enfiou no armário, uma massaroca no meio de outras massarocas. Tive que tirar tudo estava socado dentro do armário e dobrar de novo, e enquanto o fazia fiquei pensando se ela repete o mesmo cuidado parcial no seu trabalho. Se sim, pena porque ocupa uma posição profissional invejável.

Claro que tem profissionais de alto gabarito que conseguem realizar seus trabalhos com alta qualidade, mas não tem a mesma habilidade com outras coisas da vida. É muito comum, se não a regra. Não sei ao certo se é resultado da mudança dos tempos onde no passado as tarefas eram divididas e quem colocava a mão na massa sabia o que estava fazendo e por isto tinha prazer de deixar tudo o melhor e mais arrumado possível. Hoje todo mundo faz tudo, ou é obrigado a fazer tudo, e neste novo viver entra a obrigação de fazer coisas que não agradam. Coloco aqui o minha culpa: minha cama é feita o mais esticada possível, mas não tenho o mesmo prazer de tirar poeira, que é uma desgraça. Talvez por ter a mesma preocupação com o armário é que esteja fazendo este comentário sobre o bem lavado, secado, mas dobrado de qualquer jeito em questão.

A questão de fato é que tenho a sensação que a geração dela e a mais nova conceitua o fazer em geral de uma forma completamente diferente da minha e de nossos antepassados. A geração de meus avós tinha muita preocupação com entregar o produto final com o máximo de qualidade que pudessem alcançar. Talvez fosse muito mais fácil porque as pessoas tinham muito mais tempo disponível e viviam com muitíssimo menos bens que se vive hoje, não sei quanto a menos, mas uma diferença enorme de itens. Basta assistir qualquer filme rodado dentro de uma casa ou até palácio antes dos anos 70 para ver que não era atulhado como são nossas casas, salas, quartos, armários ou até o chão. Lidamos diariamente com um absurdo de coisas, muitas delas absolutamente inúteis, dispensáveis. Cuidar de uma unidade que lhe importa e faz bem é uma coisa, cuidar de muitas unidades fruto de compulsão, que você acredita que sejam (todas) muito importantes, é outra. É uma questão de tempo e estado mental.

Como será a qualidade dela no trabalho? Como será o nível de aceitação de seu chefe? Com afeta o produto final que chega para o grande público? Qual os impactos sociais e ambientais?
 
A minha geração continuou com os mesmos princípios de fazer e acabar, um pouco mais relaxado, mas ainda tendo disciplina para o princípio, meio e fim. Havia muita cobrança em tudo, da caligrafia ao sair engomado, do escovar os dentes ao tomar o banho e ter atrás da orelha limpo. Engomado, para quem não sabe, é estar com as roupas limpas e passadas. Ontem lendo dei com "senti o cheiro do ferro quente de passar roupa..." algo que a maioria não faz ideia do que seja. Não que passar roupa seja ambientalmente correto, muito pelo contrário, mas foi socialmente correto, e este é o ponto aqui.

O que será a essência de fazer bem para estas novas gerações? Qual o conceito de acabamento, da qualidade do produto final? Guardo o direito, e tenho muitas razões para tanto, de achar que está um tanto esculhambado, um tanto do jeito que está está bom, um enfia aí e fecha. Virou uma festa.
Está feito...

terça-feira, 25 de abril de 2023

Lula e os parafuso mucho loco

Fórum do Leitor
O Estado de São Paulo

Lula, do PT, afirmou que na humanidade deve haver 15% de pessoas com algum problema de deficiência mental e pessoas que possuem problemas mentais tem “desequilíbrio de parafuso”. Ouvindo a fala me lembrei imediatamente da vez que fui levado ao Ministério das Cidades, Governo Lula, para dar uma palestra sobre segurança no trânsito para ciclistas. Entusiasmado com o avanço social, fui convidado a conhecer o SEMOB, Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana, exatamente quem deveria cuidar da inclusão destes 15%, na época mais, na vida urbana. Para meu profundo espanto e desgosto trabalhavam lá uma dúzia de pessoas para atender e dar futuro digno a uns 30 milhões de brasileiros, dentre eles os com "desequilíbrio de parafuso". As inúmeras besteiras que Lula tem dito, e não é de hoje, é que podem levar este país "a uma hora acontecer uma desgraça". Dos piores problemas mentais que afetam uma sociedade se deve incluir o "eu sou dono da verdade", esta sim uma sociopatia, e a construção de políticas sociais para burguês ver, ou seja, populistas, uma desgraça inerente há muito na falas e ações do PT. Mudanças sociais sim, urgem, continuar pensando e nos tratando como idiotas não, basta! 

A saber, naquele momento, por volta de 2006, Brasil contava com algo próximo 40 milhões de bicicletas e 30 milhões de usuários no dia a dia, a quase totalidade população de baixa renda (ABRACICLO). Em 1981 IBGE, última vez que foi pesquisada a situação da bicicleta, contou 33% de bicicletas como modo de transporte e bem de primeira necessidade para os mais necessitados. Foi uma luta fazer o PT entender o que era e para que servia uma bicicleta e quando conseguimos em nome da transformação social implantou-se um sistema cicloviário em São Paulo que atende preferencialmente aos "coxinhas", como os próprios petistas chamam ou pelo menos chamavam os ciclistas de classe média. Resolver os problemas de mobilidade dos trabalhadores de periferia, que não são poucos? Zero. falo besteira? Vide projeto GEF - Banco Mundial PMSP 2007 que morreu e foi enterrado, dentre outros. Aliás, a coisa da bicicleta só andou quando o PT (Martha Suplicy) saiu da Prefeitura. 

Aqui repito, todas ações sociais tem meu pleno apoio, mas que não sejam palavras, mas ações; e que não sejam feitas de qualquer forma, a qualquer custo, mas com com inteligência, equilíbrio, visando respeito a todas as partes. Por isto na eleição tiramos a tropa de malucos do poder.

segunda-feira, 24 de abril de 2023

Participe, proponha Leis

Quer mudar este país, seu estado ou sua cidade, a vida das pessoas para o que você acha que será melhor? Coloque no papel suas ideias e leve para um ou mais políticos de confiança. Se o ou os políticos forem realmente sérios, e é óbvio ululante que há políticos sérios (somos todos humanos), sua proposta será estudada, pensada, revista, redigida na forma da lei e se couber será levada a frente num processo que pode parecer chato, demorado, burocrático, mas que faz parte do jogo civilizado.
Sim, apresentar propostas realistas, porque mesmo até quem tem prática de vez quando acha, sonha, delira que é viável propor mudanças que são impossíveis naquele momento histórico, ou por que só funcionará quando se mudar outras leis relacionadas, ou porque atendem a um desejo particular que só atende a uma pessoa ou a um grupo muito fechado de pessoas, o que, diga-se de passagem, é bem comum. Pensou no "eu quero..." costuma não funcionar. Pensou no "será melhor para todos..." costuma dar melhores resultados.
Quando pensar e escrever o projeto de lei não esqueça da parte mais importante: escrever a justificativa do que se está propondo.

Mesmo que seu anteprojeto de lei não dê em nada, pelo menos no que diz respeito à criação de uma Lei e sua aplicação, fará o pessoal que tem poder pensar, o que uma hora ou outra ará diferença, disto não tenho a mais remota sombra de dúvida, foi assim que evoluiu a humanidade, foi assim que melhoraram as coisas. Propostas de lei, que são uma forma civilizada de diálogo, abrem caminhos que podem ser demorados, mas de qualquer forma terão um fim positivo.

Ainda sobre desejos, sua vida, o que você acha correto para você e os teus, o que você queira para sua cidade, seu estado, seu país, NÃO SEJA BURRO: participe, se interesse, e principalmente VOTE.

Hoje há um pandemia mundial pelo não votar. As justificativas são as mais diversas, mas todas elas têm um forte cheiro de "não brinco mais", de infantilidade, imaturidade. 
É absolutamente certo, como provam dados vindos da França, dentre outros países, que uma das razões para a extrema direita e o terraplanismo estarem avançando é exatamente o "eu não voto porque meu voto não vai dar em nada", claramente um "não brinco mais, não gosto do jogo, eu nunca ganho..." 


domingo, 16 de abril de 2023

A medicina da ética da salvação

Às 3:00 h da manhã fui avisado sobre a morte de um velho amigo, com quem convivi desde os 4 anos de idade. Estou, melhor, estamos todos aliviados. Cabeça dura e durão escondeu uma série de problemas que vinha tendo até ter passado longe do limite. Logo operado ficou claro para os médicos que ali estava um caso muito mais grave que os que eles até então consideravam como grave. Seguindo os ditames da medicina ele recebeu todos cuidados possíveis, várias operações nas quais lhe extirparam tudo o estivesse contaminado por uma septicemia, e não foi pouco. Poupo-os de detalhes. Isolado numa UTI especial recebeu sangue, hemodiálise, ficou ligado a mais cinco máquinas de remédios, dentre outras que não faço ideia para que servem. Os familiares foram avisados que caso sobrevivesse, praticamente um milagre e não força de expressão, meu amigo teria que sofrer várias cirurgias plásticas reconstrutivas e que depois destas provavelmente entraria num pesado tratamento de quimioterapia. 
A vida quis que eu passasse por sete anos convivendo com a morte de parentes e amigos, uma atrás do outra, por isso digo que lido relativamente bem com a questão. Vi muita situação pesada no pessoal e profissional. A verdade da brutalidade da morte veio em um fim de semana ouvindo histórias vividas por socorristas rodoviários e algumas vezes vendo fotos tiradas pela perícia em acidentes de trânsito. Na dor pessoal tive que acompanhar minha avó e minha mãe pedirem ao corpo médico que pelo amor de Deus não as ressuscitasse mais,  um familiar vegetando durante intermináveis sete anos para a família e amigos, saber como morreu atropelada a filha de uma amiga, dentre outros pesadelos, mas nada sequer parecido com o que vivemos todos nesta tentativa inútil de manter meu amigo vivo. O que aconteceu impressionou meu médico. Foi indescritível. Como previsto há duas semanas, hoje ele foi-se, felizmente. 
Escrevo este desabafo porque desde muito acredito que os limites da medicina perante a vida e a morte têm que ser revistos, o que vem acontecendo nos países mais adiantados. A ética médica atende a princípios que podem e devem ser colocados em discussão para o bem até da própria medicina. Vida e morte não podem ser mantidos sob uma conversa tão carola.
Aquele corpo que foi sendo lentamente esquartejado, desculpem os médicos meu sentimento, era de homem superdotado. Se estivesse ciente do que lhe estavam fazendo provavelmente teria pensado em dar uma última colaboração à ciência e ao futuro do planeta, mas não estava, e era líquido e certo que nunca mais estaria. A decisão sobre quanto prolongar o irremediável deveria ser dos familiares, mas nossa arcaica lei não os dá este direito.
Todos recursos e todas tentativas foram em nome da salvação, não sei se do paciente, naquele estado não mais que um corpo, ou a salvação dos médicos. Mesmo que para o deleite e a segurança legal dos médicos ele tivesse sobrevivido à barbárie, para familiares e amigos o futuro seria um suplício lento e massacrante sobre o qual parece não haver qualquer interesse da medicina. O problema a partir da salvação não é mais deles, médicos, simples assim. Coisas do negócio.

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Qualidade? Vivo

Tenho um técnico da Vivo faz 7 horas tentando instalar um novo modem. Não conseguem sincronizar. Tive que mudar de plano porque meu telefone fixo ainda funcionava por fio metálico e sempre quebrava, melhor dizendo, estava quebrado, absolutamente mudo, fazia uns quatro meses. Depois de seguidos pedidos de manutenção, nenhum atendido, em nome de minha saúde mental decidi encerrar a vida do número que tinha desde 1987. Já podia prever que a troca de modem seria demorada porque toda maldita vez que o moldem teve que ser trocado foi o mesmo inferno. Ok, desta vez bem pior. Tenho todas as razões do mundo para acreditar nos funcionários, técnicos, atendentes e vendedores, como tenho todas as razões do mundo para acreditar na baixa qualidade geral da Vivo. Não conto a história dos problemas da minha linha fixa porque se os contasse seria um achincalhe total com a Vivo. 
Qualquer país desenvolvido sabe, sem menor sombra de dúvida, que o futuro depende completamente de um sistema de comunicação confiável, rápido e seguro. A brincadeira de mau gosto que estou vivendo agora com a Vivo prova mais uma vez que a coisa aqui neste Brasil vai muito mal. Não deve ser por menos que as operadoras de comunicação estão sempre dentro das campeãs de reclamações do público.

quarta-feira, 12 de abril de 2023

Violência nas escolas: fato previsível

Fórum do Leitor 
O Estado de São Paulo

Violência nas escolas: fato previsível

Alguém tem dúvida que "escola é local sagrado onde se constrói um futuro certo para todos e para tudo"? Neste Brasil que vivemos esta afirmação tão repetida sem dúvida tem pouco valor. Faz muito vem sendo relegado a um problema menor inúmeros atos de violência contra as escolas, principalmente as públicas, sem que a sociedade tenha uma reação imediata, inequívoca, forte e definitiva para freia-las. Depredação, roubos, tocar fogo, e porque não lembrar das abandonadas e precárias; desrespeito, desacato, ameaças e agressões contra diretores, professores e funcionários por parte de alunos e pais, o que é pior (Eu pago a escola!), desprestígio aos profissionais da educação, desinteresse pela diminuição do orçamento, são situações simplesmente comuns e absolutamente inaceitáveis para qualquer grupo social que tenha um remoto interesse real no futuro, para não dizer na civilidade. A escola está sendo vitima da violência endêmica deste país, gravíssimo problema de longa data de responsabilidade que não se pode imputar exclusivamente ao Poder Público; todos temos nossa parte aí, isto é líquido e certo. Violência se freia com pequenos atos de respeito ao próximo, como jogar lixo no lixo e não acreditar que só você tem direitos, por exemplo. Violência se freia com educação, cultura, civilidade. O que não vai resolver mais esta crise é histeria generalizada. "O filho é meu" é fato, mas a criança vive e viverá numa sociedade, portanto o filho, a criança, de certa forma é de todos, fruto de todos, fruto do ambiente, sem exceção. Passamos e faz muito o momento de entender, de fato respeitar e fazer cumprir o "Escola é local sagrado" e tem que ser cuidado como tal".