segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Pinheiros como exemplo de obras públicas: mediocridade

para:
Fórum do Leitor

O Estado de São Paulo

Operação Faria Lima - Pinheiros
Não há quem nos possa ajudar para evitar a péssima qualidade de projeto e execução de obras públicas, como o que vem acontecendo em Pinheiros, que não é nenhuma novidade? Ministério Público não pode fazer nada?
Aquilo que se transformou o Largo da Batata e Largo de Pinheiros pode ser chamado de melhoria urbana? Mesmo quando o paisagismo estiver terminado e as árvores estiverem crescidas o que é aquilo? Nada. O projeto apresentado a público antes da obra não é o que foi realizado, o que por si sinaliza falta de respeito para com a população. As duas novas praças, a que uniu o Largo da Batata e Largo de Pinheiros e a nova praça que fica do outro lado da av. Faria Lima, são desconectados por um desnivelamento na própria av. Faria Lima inexistente antes da obra. A sensação é que este desnível foi pensado para dificultar a circulação dos pedestres entre as duas grandes praças. Não é só ai que o pedestre foi minimamente relegado ao segundo, terceiro plano, mas em várias ruas, como a Sumidouro, Teodoro Sampaio, Cardeal Arco Verde, Butantã, dos Pinheiros, Paes Leme,... Não há um sistema cicloviário o que faz que a ciclovia Faria Lima sirva de engana bobo. Foi apagada qualquer referência da importância histórica de Pinheiros para o surgimento de São Paulo. O que tanto se falou que o objetivo final de toda intervenção, preparar a área para a chegada de novos empreendimentos imobiliários, está realizado. Vide o posicionamento do Terminal Pinheiros de Ônibus, bem longe da área de maior movimentação, justamente onde estão as novas praças.

Além da miserável inteligência urbanística é notável a péssima qualidade das obras em toda a região afetada pela Operação Faria Lima. Mal terminou o essencial das obras e já estão fazendo buracos para correções e consertos. Nota zero para o acabamento. Está tudo largado, como se a obra estivesse concluída. Deprimente!
O que se vê é deprimente, mas não é único nem novidade. Acompanhei a construção do túnel da av. Rebouças sob a av. Faria Lima, dentre outras obras, e a qualidade geral, do projeto à execução, é um desastre. É mais deprimente ainda quando se tem a oportunidade de comparar a transformação de grandes cidades do mundo, que normalmente são feitas com inteligência e alta qualidade, como deve ser normal em qualquer obra pública
  

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

mordomo, black panters, black blocks, neo nazistas

Tenho 58 anos e nunca vivi uma época tão estranha, tão complicada, tão sem futuro quanto a que vivemos hoje. A publicação deste texto quer brincar de subversivo a tudo e a todos brasileiros deste país do nunca antes.
Venho pensando num texto, que ainda pretendo publicar, e que será mais trabalhado, mas por um acidente acabei de assistir ao "O mordomo", que veio como um taco de baseball estourando uma vitrine de ideias. Não percam.
 
O que tem tudo isto a ver com a bicicleta e os ciclistas? A resposta está ao gosto do freguês. Ego, superego ou alterego?
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Fórum do Leitor
O Estado de São Paulo

neo nazistas
A sensação que dá é que a dita esquerda está bancando o surgimento do neo nazismo no Brasil. Não seria de se estranhar, afinal, para este pessoal que tomou o poder todos os meios justificam o fim, palavras ou expressões que, de alguma forma e em viva voz, já foram ditas e escritas.
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Van der Graaf Generator

Snake Oil

Snake Oil

Best of intentions, fresh-faced devotees display,Melhor das intenções, fresco-enfrentado devotos de exibição,
Sat at the feet of the master,Sentou-se aos pés do mestre,
Hoping that this is the one true way.Na esperança de que este é o único caminho verdadeiro.
Eager awareness,Consciência ansioso,
Picking the wood from the trees,Escolhendo a madeira das árvores,
Only belief is important,Crença só é importante,
Only obedience can set them free.Somente a obediência pode libertá-los.
Here come the paraphernalia,Aqui vem a parafernália,
Here come the catch-all refrains,Aí vêm os pega-tudo se abstém,
Repeat ad infinitum.Repita ad infinitum.
Slavish devotion, that's how it usually presents,Devoção servil, é assim que geralmente se apresenta,
In an impossibly pompousEm um impossivelmente pomposo
Addiction to doctrines that make no sense.Dependência de doutrinas que não fazem sentido.
Anal retention to an astounding degree,Retenção anal a um grau surpreendente,
Self-absorption is total,Auto-absorção é total,
Making obedience compulsoryTornar obrigatória a obediência
If they want to reach the inner mystery.Se eles querem alcançar o mistério interior.
Welcome to the bats in the belfry,Bem-vindo aos morcegos no campanário,
The buzz-words echo around,As palavras de ordem ecoar,
Repeated ad infinitum.Repetido ad infinitum.
Brainwashed and bound to believe inLavagem cerebral e obrigado a acreditar em
The orthodox text, slogans on t-shirts,O texto ortodoxo, slogans em camisetas,
The punters can't wait to be toldOs apostadores não pode esperar para ser contada
What to think of next...O que pensar da seguinte ...
Oh, what's coming next?Oh, o que está por vir?
Well, nothing is coming and nobody here goesBem, nada está chegando e ninguém aqui vai
In search of the questions posterity might pose.Em busca da posteridade perguntas podem pose.
There's only one answer the believers can allow...Há apenas uma resposta dos crentes pode permitir que ...
Yes, teacher knows best, teacher knows best.Sim, o professor sabe melhor, o professor sabe melhor.
Let's put the teacher to the test.Vamos colocar o professor para o teste.
There's only one answer the disciples will allow out.Há apenas uma resposta dos discípulos permitirá fora.
Cultish convention repeated again and againCultish convenção repetida uma e outra vez
Until the words have no meaning,Até que as palavras não têm significado,
Until the means have become the end.Até que o meio tornou-se a extremidade.
What starts with self-obsession ends up in self-denial,O que começa com a auto-obsessão acaba em auto-negação,
They just so want to believe...Eles só assim quero acreditar ...
Slaves to the snake oil of this particular world,Escravos para o óleo de cobra do mundo particular,
Elitist and self-referential,Elitista e auto-referencial,
The comfort's in sharing the secret wordO conforto está em compartilhar a palavra secreta
With the picture blurred...Com a imagem borrada ...
The companionship of the herd.A companhia do rebanho.



quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Ciclovia da Eliseu, assim como qualquer outra...
















 
Ciclovia fica para o próximo ano

créditos: Reprodução

Após muitos protestos e reuniões, o subprefeito do Butantã, Luiz Felippe de Moares, havia prometido que a tão esperada ciclovia da Av. Eliseu de Almeida ficaria pronta este ano. Pois bem, já estamos quase em novembro e nada de obras.

As obras eram para ter começado no fim de setembro porém o canteiro da avenida permanece intacto. O motivo dado foi a rejeição do projeto pela CET (Companhia de Engenharia e Tráfego).

Segundo Moraes, a CET alegou que o projeto elaborado pela empresa não apresentava as altimetrias, marcações necessárias para a construção de rampas e travessias. Ele ainda afirmou que a escolha da JBA foi feita durante a gestão anterior da subprefeitura e por meio de um acordo.

“Partindo desse problema, nós contratamos a empresa Tecnotrans para fazer um projeto de sinalização somente em três cruzamentos, que estão compreendidos entre a rua Camargo e o Shopping Butantã. Não sabemos se esse trecho ficará pronto ainda esse ano”, disse. A execução ficará a cargo da subprefeitura.

As obras de sinalização dos outros trechos da ciclovia também serão elaborados pela Tecnotrans, mas não serão executados neste ano.

http://www.mobilize.org.br/noticias/5252/ciclovia-da-av-eliseu-de-almeida-nao-ficara-pronta-este-ano.html

Não é só a ciclovia que não ficará pronta, mas a ciclovia de ligação da favela Paraisópolis com a Ciclovia Eliseu de Almeida, prevista no primeiro projeto, e todo sistema de alimentação interno aos bairros, com recuperação urbana, recuperação das águas com o Projeto Córrego Limpo, interligação da bicicleta com metro e sistema de ônibus, sistema completo de sinalização e orientação.... Projeto apresentado pelo ITDP em... acho que foi 2006. Este sim sumiu... desapareceu... puft... ninguém sabe, ninguém viu...
Situação como esta é regra no Brasil e não vai mudar enquanto nós, população, não pressionarmos para que se coloque ordem na coisa pública e nas leis que regem projetos e obras, principalmente a Lei 8.666, a lei das licitações, que é um absurdo: parece  correta, mas de boa intensão o inferno está cheio.






sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Miami e Miami Beach

Miami e Miami Beach, que são condados (cidades) diferentes, estão muito diferentes do que vi na virada para 1991. Já na chegada, indo do aeroporto para o hotel, deu para perceber uma grande mudança no centro de Miami, hoje muito mais construído. É natural, mas mesmo assim impressiona. Cruzamos a ponte para Miami Beach, vi de longe a parede de edifícios altos e modernos e ai caiu de vez a ficha que se passaram 20 anos.
Aquela primeira viagem foi presente do meu velho. Passei as festas com ele e voltei para São Paulo para começar meu trabalho com a Specialized, na época sob a responsabilidade dos irmãos Beto e Luiz Dränger. No dia seguinte a minha chegada em Key Biscayne, onde fiquei, entregaram no apartamento uma Specialized  M2 na caixa, novidade ainda desconhecida no mercado, que eu usei para fugir um pouco da família e conhecer o pedaço.
A experiência de pedalar por Miami foi fantástica, tanto pela delícia da M2 como pelo asfalto impecável, sem um buraco, lisinho, lisinho. Pedalar ali era como se estivesse sentado no meio do teatro, só, e a filarmônica tocasse Clair de Lune do Debussy só para mim. Rodei bastante por Miami, de dia, de noite, sul, norte e oeste, bairros ricos, médios e áreas consideradas barra pesada por eles, tranquilidade total comparado a nossa loucura. Foi divino.
Naquela vez eu só passei mui rapidamente por Miami Beach, e ainda de carro. Pouco vi, mas estava tudo meio deprê, caído. Recuperaram o patrimônio histórico art deco, que não é muita coisa, mas vale a pena, e fizeram da área central um ótimo local para caminhar ou encarrar uma bagunça noturna, que não é o meu pedaço. Bicicleta, que pode ser a comunitária, vale mesmo a pena para conhecer as ricas ilhas que estão entre Miami Beach e Miami. Numa rua da primeira destas ilhotas as pequenas casas da década de 50 me remeteram cheio de boas emoções às minhas férias na praia de infância no entorno do Morro do Maluf, Guarujá, e todos meus tios e primos Falzoni, os Bellotti, a boa vida com simplicidade. Outros tempos, bons tempos...

Como já contei, o calor era infernal e eu não aguentaria sair pedalando a esmo. A bem da verdade o calor e estes vinte anos a mais nas costas são infernais. Repeti de carro por boa parte de onde eu pedalei à vinte anos. A mudança na cidade é grande, como disse. E deprimente quando se faz uma comparação com o que fizemos com nossas cidades. Miami cresceu ordenadamente, dá sensação de segurança, com gente na rua, ciclistas por todo lado inclusive nas calçadas, vida produtiva e tranquila. Talvez mais prazerosa para viver que antes. Quanto a nós? Guarujá foi estraçalhada e hoje é uma baderna cheia de assaltantes. Santos, que é das raríssimas cidades brasileiras com personalidade, melhorou um pouco. São Paulo? O que você acha?

Miami, que muita gente diz que nem Estados Unidos é.... vale a pena. Vale, mesmo!

Futuro dos beagles na terra dos homicídios

para:
São Paulo Reclama
Fórum do Leitor

O Estado de São Paulo

Futuro dos beagles na terra dos homicídios

Leonardo Araujo dos Anjos, filho de Myrian, morreu atropelado a mais de dois anos depois de uma festa de calouros da FEA USP. A história, muito estranha, poderia ser esclarecida caso os alunos, três pelo que se sabe, que ao que tudo indica estavam com Leonardo se apresentassem para dar depoimento. O rastro deles se perdeu, ninguém sabe, ninguém viu... A mesma lei do silêncio que impera neste Brasil de nunca antes tantos morreram tão violentamente.

Se há um silêncio macabro com pessoas, imaginem o que acontecerá com os beagles. Para se retirar da reta neste país de Macunaíma vale qualquer coisa, inclusive queima de arquivo. Aposto que muitos destes beagles não estão saindo para passear, não estão vivendo em matilha em espaços abertos, crucial para o bem estar da raça, estão sendo controlados para não latir (latido de beagle é inconfundível),... E por medo dos vizinhos e da polícia, descartados...

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Silêncio - por Lúcia Guimarães

Minha opção pela bicicleta se deu muito pelo seu silêncio. A possibilidade de passar pelas situações e lugares e ouvi-los plenamente foi importantíssimo para meu crescimento, minha vivência e sobrevivência. Para ouvir é necessário silêncio. Neste momento estou ouvindo Concert for George (Harison), com o Paul McCartney abrindo com um uma espécie de cavaquinho, e agora vai entrar á tropa convidada, com o Eric Clapton solando e cantando; impossível de continuar escrevendo. Eles precisam do silêncio do teclado e de minha cabeça, principalmente pelo mais puro respeito.

O dia que li Sidarta pela primeira vez, que pensando bem talvez seja a mesma época que comecei a caminhar longas distâncias e depois a pedalar, foi quando percebi o como uma das melhores riquezas.

Sinto muita falta do silêncio. É muito pior quando se volta de viagem, de lugares longínquos que funcionam bem justamente pela inteligência do silêncio. A cada volta para nosso batuque de bateria de escola de samba no recuo da avenida lembro da funcionária do aeroporto de Miami (1991) que me indicou o caminho do gate do voo de volta para o Brasil: “Siga os berros das crianças (brasileiras)”, disse ela sem apontar. Não teve erro.

O texto da coluna de Lucia Guimarães no O Estado de São Paulo sobre o silêncio é brilhante e recomendo a leitura com atenção. De fato, uma das prerrogativas da democracia é o silêncio.

 
Depois de ler ouçam no mais profundo silêncio