Recebi de um argentino, um querido portenho, este Whatsapp exatamente após a derrota para a Espanha e o comportamento vergonhoso da seleção Argentina depois do apito final.
Sou filho de um meio argentino, pai argentino e mãe brasileira, meus avós. Meu pai acabou no Brasil aos 18 anos e cá ficou como argentino, mas falando um português casto sem qualquer sotaque, absolutamente brasileiro em praticamente tudo, menos quando olhava para as saladas.
Fui inúmeras vezes para Buenos Aires, praticamente todos anos entre 1969 e 1986, portanto vi in loco a loucura da brutal ditadura argentina. E, talvez pior, o inacreditável estrago que o peronismo fez àquele rico país. Tenho horror a populismos, todos, por que vi, senti e vivenciei ali. Tenho horror a opções radicais porque acompanhei ali.
A imagem que muitos Brasileiros têm da Argentina é completamente distorcida. São realidades completamente diferentes. Brasileiro não sabe o que fala, não faz ideia do que é a Argentina, simplesmente delira em cima de nosso complexo de vira latas.
Não publiquei antes porque me pegou na veia. Como o texto diz, e as piadas também, argentino peca pela soberba. É um país maravilhoso que caminha para trás faz mais de 50 anos, a partir do retorno do exílio e eleição de JDP, Juan Dominguez Peron, o que consolidou os populismos peronistas, sim, os populismos, que fizeram refém todo um país e toda sua população, de esquerda, de direita (brutal) e todos demais. Quem não é argentino não sabe o que fala sobre a Argentina. Brasileiro deslumbrado muito menos ainda.
Sou brasileiro, paulista, paulistano e nasci na Maternidade São Paulo. Falo sobre o que vi, vivi e vivenciei. Não quero o mesmo para nós.
Segue o texto que recebi:
Sabe, vocês conhecem alguém que saiba perder com dignidade? A vida é assim: você ganha e perde, sofre e aproveita, ri e chora. É preciso encarar as coisas como elas são; ninguém gosta de sofrer, chorar ou perder. As razões pelas quais os argentinos geralmente não são queridos são profundas e estão enraizadas na nossa história. Nós éramos — e somos — um povo singular. Por sermos tão europeus e tão pouco "americanos", não apenas não demos a vida pela Europa, como, quando os ajudamos, o fizemos como quem distribui esmola; guerreamos contra britânicos, franceses e espanhóis, vangloriando-nos de tê-los derrotado. Agíamos como *nouveaux riches*, desfrutando da companhia deles; quanto aos americanos, competíamos com os do Norte e olhávamos com desdém para o restante. Vale ressaltar que recebíamos a todos calorosamente — mas sempre como donos da casa. Somos um povo peculiar; nunca nos faltou comida e esbanjávamos dinheiro, achando que ele nunca acabaria. Dizemos que somos um desastre — e, internamente, somos mesmo —, mas, para fora, exibimos orgulho. Faz todo o sentido que não gostem de nós. Na Copa do Mundo, tomamos conta dos estádios, cantando sobre nosso poder e grandeza, e no entanto somos os campeões mundiais da inflação; pegamos dinheiro emprestado e não pagamos, e acabamos sempre com governos comandados por incompetentes e ladrões. É isso que nós, argentinos, somos; *você* gostaria de um país como o nosso? Como dizia aquele filho da puta do JDP, a única verdade é a realidade. Nós somos a ARGENTINA. 🇦🇷 Viva a pátria.
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