Mais um manifesto com propostas para tirar o Brasil desta loucura, desta vez um grupo coordenado por Michel Temer. Mais um grupo de pessoas trabalha para propor saídas, mudança, transformações. É assim que se faz. Vamos lá, vamos pensar.
Todo meu apoio a toda e qualquer proposta que ajude a reconstruir o que resta de nossa sociedade. E apoio por que no passado pensei, escrevi e distribuí, junto Sergio Luis Bianco, manifestos que demoraram, mas vingaram ideias práticas e construtivas. Na época procurava atender às necessidades de mais de um terço da população brasileira (IBGE 1981), algo em torno de 40 milhões de Brasileiros, tentar organizar um setor industrial que então era o terceiro maior do mundo, e que se provava ser uma ferramenta importantíssima na reorganização das cidades e sua população. Muitas vezes fomos recebidos com sorrisos irônicos, outras com desprezo, e até com irritação, mas entregamos o manifesto e mesmo com demora conseguimos resultados.
Interessa as ideias positivas, construtivas, interessa o bom trabalho, interessa o trabalho. Há uma imensa diferença entre as ideias, o trabalho, e quem as produz. O que interessa, de fato e em última instância, é o resultado que causará.
Um bom historiador prova com facilidade que muito do que de bom foi construído pela humanidade partiu de pessoas que tinham lá seus defeitos, não eram boazinhas ou foram execradas em suas épocas. Galileu! dentre milhares.
Interessa o resultado final do trabalho ou a Santa Inquisição? Ah! a Santa Inquisição... quantos resultados maravilhosos deram à humanidade... Pelo jeito, muitos ainda estão nesta, e como estão. Viva a cegueira da ideologia, viva os santos de pau oco, viva as fogueiras, mando eu! Minhas críticas são imponentes, transformadoras, essenciais. Queime-se quem de mim discordar. Que ardam no inferno, no inferno que lhes desejo.
(Meus caros, não sei se perceberam, mas o inferno se instalou aqui. E que inferninho caprichado!)
Pelo que se lê aqui nos comentários, o único poder que nós, brasileiros, temos é o da crítica. Deprimente.
Uma das sabedorias é fazer críticas que possam ser construtivas a uma ideia. A crítica pela crítica, pelo "você sabe com quem está falando?" é o criador deste Brasil "nós e eles" absolutamente disfuncional.
Um dos comentários diz que estamos desorientadas com o que acontece na política faz décadas. Sim, estamos. Está claro, fica patente quando se lê os comentários aqui. O trágico é estarmos desorientados há tanto tempo e simplesmente não reagirmos. Empacamos quendo o outro pirou de vez, virou uma coisa inaceitável. E aí? abaixa a cabeça, aceita, não faz nada, sequer vai procurar construir sua própria vida, a vida dos seus, a vida dos que querem um futuro melhor? Você senta e em silêncio vê a loucura enlouquecer e destruir todos e tudo? Uau!
Sobre o que era o manifesto? Sobre o artigo de primeira necessidade para boa parte da população, como declarava o IBGE de 1981, sobre o transporte de uns 40 milhões de trabalhadores, sobre um setor que gerava uma quantidade imensa de trabalhos, sobre a construção de cidades amigáveis, sobre diminuiçãode mortes no trânsito, sobre diminuiçãode custos previdenciários... O manifesto falava sobre 'bicicletas' e tudomque ela envolve, que émuito mais que pedalar em segurança.
Valeu a pena cada linha. Valeu a pena cada crítica. Valeu a pena cada sorrisinho irônico. Não só pela bicicleta, mas pelo país, por todos.
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