terça-feira, 3 de novembro de 2026

Ciclistas desrespeitados? Esta é a Opinião do Estadão



Ciclistas desrespeitados por motoristas (e motociclistas)? 
Um sério problema deste Brasil é a quantidade de leis disfuncionais ou impossíveis de serem cumpridas. 1.5 metrô de distância?

Primeiro: um fator de segurança do ciclista (ou de qualquer cidadão) está na forma como é realizada a ultrapassagem, ou seja, com o devido cuidado na aproximação, na ultrapassagem e no distanciamento, o que envolve muito mais cuidados que só a distância lateral do ciclista (ou de quem quer que seja). Pela lei do 1.5 metros, o motorista (ou o condutor de qualquer veículo, o que inclui bicicletas) que ultrapassar por completo o ciclista já não se encaixa mais nesta lei dita protetora do ciclista. Ou, pela ideia que se vende, a distância lateral para o ciclista na ultrapassagem é o que realmente importa para sua segurança. Será?

Quais as causas das ocorrências fatais envolvendo ciclistas? Ultrapassagem é o principal fator? Temos dados precisos de perícia e legistas que dêem a causa correta? Os locais são preservados? Em quanto tempo a perícia técnica chegou ao local? O relatório foi corretamente preenchido? A ficha de preenchimento é adequada? Quem preenche tem formação e treinamento específico? Há dados precisos?

Quais são as causas reais para temos 26 ciclistas mortos na cidade de São Paulo? Quantos motoristas foram responsáveis? Quantos ciclistas foram responsáveis, perante a lei, pela ocorrência e a própria fatalidade? Ainda: quantos acidentes foram causados por erros na engenharia de segurança no trânsito? Sobre problemas de engenharia de trânsito nunca ouvi uma palavra sequer. É possivel encher aqui de perguntas que nunca são feitas nem respondidas. Nos falta o "E o que mais?".

Como ciclistas aviso a todos: É muito fácil derrubar num a alegação que o motorista ultrapassou o ciclista a menos de 1.5 metro. Simples: para provar a infração o ciclista tem que estar munido de documentação corretamente colhida, foto ou filme, no momento da ultrapassagem, que deve ser realizada utilizando uma régua aprovada e selada pelo IMETRO, apoiada no ângulo correto, 90° do solo e 90° do longitudinal da bicicleta, a partir do ponto mais largo de um ciclista pedalando, o que está na ponta do guidão ou de sua mão. Não recomendo que ciclistas pedalem com uma régua presa ao guidão. Quem me deu esta explicação foi um senhor ex Conselho Nacional de Trânsito logo após a aprovação desta lei.

Os condutores de automóveis ou motos desrespeitam o ciclista ou não conseguem cumprir uma lei que é 'complicada' de se cumprir? Sim, como ciclista experiente digo, o número de ultrapassagens próximas ao ciclista aumentou um pouco, mas não é regra. Diga-se a verdade, o espaço para todos nas vias públicas vem diminuindo sensivelmente em razão do número de veículos circulantes, que é absurdo e não para de crescer. Em certos horários eu, ciclista com 50 anos de pedal no meio das ruas, não tenho espaço para passar tantos são os automóveis.

E aí vem o discurso sobre mais ciclovias e ciclofaixas para dar segurança aos ciclistas. Até ciclistas do meio da bicicleta concordam que boa parte do sistema cicloviário de São Paulo, 700 e tantos km, é inútil, não serve para nada, não tem ciclista circulando. Não é sobre quantos km a mais, mas sobre como oferecer mais segurança ao ciclista. Há uma enorme diferença aí. Segurança se faz com qualidade, qualidade se faz com dados precisos que serão usados para corrigir erros. Segurança não se faz com formulas mágicas ou populistas. Segurança, a verdadeira, não se apoia em eu acho, nem em pesquisas jogadas para cima que atendem aos medos particulares. 

Fato: sim, nossas cidades poderiam ser mais amigáveis aos ciclistas. Nossos números são ruins? Poderiam ser melhores? Sim, com certeza. Agora, como ciclista afirmo com todas as letras: a imensa maioria dos motoristas não quer se envolver em acidentes ou discussões, o que inclui evitar desrespeitar ciclistas, por mais indisciplinados que estes sejam.  

Confesso que estou de saco cheio de ouvir "A culpa é do outro. Eu estou sendo desrespeitado". Será? Este discurso destrói um olhar aberto para as respostas que precisamos. O que estamos vivendo não será um sempre bater nas mesmas teclas que já se provaram disfuncionais? 


sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Santos, linda cidade, cada dia mais...


Santos, minha querida Santos, cidade portuária que deu a este país tantos bons cidadãos, cidade de personalidade, com seu carater forte, com seus inteligentes canais, ótimo urbanismo, um extenso parque linear entre a avenida e a larga faixa de areia frente ao mar... Ah! minha Santos, que ainda vivenciei seus bondes fechados e abertos circulando no calor úmido soprado do mar..., gente caminhando tranquila, aproveitando o bom da vida.

"Espera, espera, espera... cuidado! Agora!" e consigo cruzar a ciclovia lotada de Lambrettas... Lambrettas? (Lambretta é a bisavó das escooters). Mas lambretas são proibidas de circular em ciclovias. Sim, vá lá e veja, Lambrettas, porque estes trecos que passam para lá e para cá (acredito) bicicletas não são. Zummmm. Lambrettas, lambretinhas, maiores ou menores, elétricas, todas elétricas, passando correndo, voando Que lindo! Que chique! Pobre do que ainda pedala sua bicicleta, operários. Cuidado pedestres. Mata os véio!

Ninguém buzina ou toca campainhas. Para que? O futuro é nosso. O deles..., saia da frente. Na avenida entulhada de um trânsito incessante o pedestre que faça sua corajosa aventura em etapas, o desafio para chegar ao mar e Iemanjá. Ninguém para, ninguém se interessa, deu uma brecha e vamos lá, corre! Uma avenida. Folego. A outra avenida, sentido contrário. Ufa! Toma fôlego, calçada, dá um passo, olha para os dois lados, longa fila de altivos ciclistas nos dois sentidos, metralhadora sobre rodas contra uma mãe empurrando carrinho com bebê e na coleira o pet amado. Foram. Vamos. Enfim, o parque, a vista livre para a areia e o mar. Lindo.

Arreia. Bandeiras vermelhas, água imprópria para banhistas. Mar lindo, calmo, prateado no reflexo da luz do fim do dia. 

Vamos caminhar, todos, na areia batida. Uns jogam bola, treinam, gente bonita, outros raquete. Os mais velhos e os velhos, notem a diferença, caminham junto ao mar, para lá e para cá. Banhas a vista. Todos nos seus minutos de paz, longe da loucura que virou a cidade. Caminhar até a ponta da praia, ver os pescadores, o canal, os barcos passando, e inacreditaveis navios gigantescos. Sorte ou azar, enquanto eu lá estava nenhum navio passou. 

Venderam boa parte do clube de remo para a construção de torres de apartamentos altíssimas, agridem o bom padrão da cidade. Seus moradores vão ver os imensos navios e o porto de cima, bem acima. Chique. Chique para os chiques, que também tem chiliques.

Linda Santos. Mesmo com a beleza do mar em sua baia cercada por montanhas está como suas águas, cada dia mais imprópria para a vida. 

O que poderia ser?



Nada como usar a inteligência:
 https://www.instagram.com/reel/Dc6da12oI87/?stkn=Njlhc29qMnU3Y3k5

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Parque do Moinho, possibilidades. Sonho? Não.

Eu vou dar uma de meu irmão, Murillo, que em suas aulas pedia para seus alunos "sonhem!". As possibilidades que se abrem com este projeto do Parque do Moinho são muito interessantes, e podem se viabilizar caso haja interesse e ação por parte da população. 

O Parque do Gato é o mais distante pelo Google Maps, uns 2 km a pé, mas há de se lembrar que os caminhos do Maps são os estabelecidos ou usados, e não os possíveis. Há pontos de grande interesse no entorno do Parque do Moinho estão muito próximos, a uns mil metros. Não é só uma questão de distância, mas da criação de um projeto de vida correlacionado por multiplas atividades para uma área urbana, sem olhar de novo no mapa imagino que uns 4 km por 4 km.


 

Pelo quanto se sabe que haverá uma forte intervenção na região dos Campos Elísios. O resto destes 16 km² está praticamente virgem, ainda sem grande ataque do setor imobiliário. Será mais que uma pena deixar passar mais esta boa chance de construir uma urbanização civilizada para São Paulo.

Qual é o teu sonho para ali?

Novo parque, o do Moinho, velhas ideias



Não há uma palavra sobre o desaparecimento do silo, belíssimo, que existia ali. Por parte do jornal (Estadão) e dos comentários. Exatamente da mesma forma que apagaram a história do Largo da Batata, do Clube Tietê, de boa parte do patrimônio histórico de São Paulo, etc..., etc..., etc... e tal. Derrubaram tudo, inclusive o imponente silo, sumiram com mais uma importante referência da história industrial desta cidade. É prova cabal do baixíssimo nível cultural e intelectual que temos neste Brasil. A saber, há documentação farta provando que preservação de memória pública é fator crucial para estabilidade social e construção de um futuro certo e tranquilo. A destruição do silo e de outras possíveis construções históricas existentes ali, se é que ainda haviam, é mais que uma falta de cultura, é um crime. Mas quem se importa?



Não duvido que a alegação para demolir o silo seja algo como estrutura instável ou algo no gênero. Guardo dentro de meu desconhecimento específico o direito a duvidar. Por tudo que sempre vi e sigo vendo, tenho o direito de acreditar em outras razões, incluindo a mediocridade dos que estão encarregados pelo projeto do novo parque e que já provaram completo desprezo pela preservação de patrimônio histórico. E, por que não, vã vaidade, "eu sou o bom". Esta minha afirmação decorre dos exemplos deploráveis pela forma como foram projetados e criados os Largo da Batata, Largo de Pinheiros e Vale do Anhangabaú. 

O conjunto Largo da Batata e Largo de Pinheiros foram pontos urbanos de grande importância na formação da cidade. Surgiu como parada de tropeiros. Transformou-se, como tudo. Mesmo o que havia ali antes da terra arrasada que se fez, guardava a história de um dos centros comerciais e de pequenas indústrias e toda uma referência social, trabalhista, operária e artesã. Aliás, de futebol. Passaram o trator, demoliram tudo, terra arrasada. Fizeram um 'parque' (?) pobre (!), sem graça, com uma estação de metrô mal posicionada que obscurece uma visão importante do espaço e estreita a principal passagem de pedestres local. Plantaram árvores que só agora tomam forma, mas que como paisagismo não faz o mais remoto sentido, demonstra uma pobreza de espírito que remete ao desenho urbanístico de computadores, control C, control V. É de uma falta de inteligência inacreditável. Ou justificável, pelo que se ouve de respeitáveis arquitetos e paisagistas quando estes falam sobre as novas gerações formadas nas faculdades e universidades.

O Anhangabaú é mais absurdo ainda. Virou um chapadão que remete com tudo aos espaços criados pelo fascismo, nazismo e comunismo brutos. De sua história, do pouco de seu passado, restam edifícios no entorno que simplesmente desaparecem frente ao impacto visual do oceano de cimento inóspito. Está lá porque toda sociedade calou, portanto aceitou. Deve ter quem ache "líndiu!, chiquiú!", "mudernu". 

O novo Parque do Moinho nasce com belas imagens criadas no computador que agradam o povão (e cumpre sua função). Será bem vindo numa área carente de parques e áreas verdes. Gerará um potencial imenso para recuperação de bairros que hoje estão abaixo de uma qualidade de vida que se espera duma cidade rica (?!?) como São Paulo. Mas, de novo, será preciso vigilância sobre o que ali acontecerá, ou a selvageria do mercado imobiliário tomará conta. Alguém duvida? Se acontecer "mais uma vez a classe média irá ao paraíso (da ilusão)", e se perderá mais uma ótima oportunidade, aliás, como sempre ocorre nestas pastgens.
 
O Minhocão está por ali, mas esta é uma outra história que ainda vai longe, como tudo por aqui. A recuperação do Praça Princesa Isabel e do entorno também são vizinhos ao novo parque. E um pouco mais adiante a Luz com suas estações. Repito, há um potencial imenso para toda uma área que há décadas foi abandonada pelo poder público e que se diga, pela população paulistana. Aliás, diga-se a verdade, área que foi trucidada pela irresponsabilidade da construção do mesmo Minhocão, como apontam vários estudos realizados.
 
Enfim, caberá ali um mínimo de inteligência, o que infelizmente tenho lá minhas dúvidas.























domingo, 25 de outubro de 2026

A esquerda venceu ou a direita perdeu?

Que tal a direita voltar a ser a direita e não isto que está aí? Eu me lembro de gente comprometida com o país, mesmo quando fazia críticas pesadas às esquerdas, algumas pertinentes, outras nem tanto. Sabiam ser pragmáticos. Foram inteligentes. Contribuíram muito para o bem deste país.

Isto que temos hoje não é direita, é outra coisa, creio que não preciso dizer. Não foi a direita que perdeu a eleição, estejam certos.

O triste é que o outro lado também não é esquerda. É um populismo... coronelista? 

Está mais que claro que o país que se foda nos desejos do "nós ou eles". Aliás, dois extremos tão semelhantes em tantos aspectos... Em tantas ocasiões quase irmãos.

Asquerosas foram todas as campanhas e mais asquerosos ainda os acontecimentos neste dia de eleição. Todos, tudo.

Estes últimos dias foram os piores da minha vida de cidadão brasileiro.

A saber, segundo comentaristas especializados em política, foi a primeira vez na história deste país que todas as lideranças das mais diversas especialidades ficaram no vazio em suas manifestações pró Brasil. Os cinco manifestos criados que tive notícia, lançados com propostas sérias e consistentes para a construção de Brasil futuro, foram desprezadas por todos candidatos. Incluindo os ditos de direita, fato absolutamente inédito. E deprimente.

E daí, o que se faz?

Ainda tenho esperança de ver um Brasil com todas as inteligências representadas com dignidade, o que está eleição definitivamente provou que não temos. 

Se Lula que realmente passar para a posteridade, que tenha neste seu último mandato a dignidade de trazer este país para um mínimo de normalidade social e institucional. Esperança é a última que morre. 

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

A dolorosa tomada de decisão.

Numa das decisões mais importantes de minha vida, na hora 'h' do entra ou sai tive um forte pressentimento "saí desta, que vai dar ruim". Disse sim e fui. Não deu ruim, deu uma merda federal, a pior possível, ventilador ligado a mil espalhando para tudo quanto é lado. Nunca consegui apagar, nem mesmo suavizar a estúpida decisão da cabeça. Ninguém sabia ou tinha noção ou qualquer notícia do detonador daquele horror, muito menos eu. Ainda há quem aponte para a minha falta de maturidade, vivência, outros tempos... É meu inferno, inferno real, que dói muito e continua me corroendo a cada dia, a cada minuto. Não tem volta.

Nesta época tive um cachorro, um fox terrier de pelo duro, Aramis de Majorca, ou Aramis, que por alguma razão levantava a perna e mijava nas calças de todos fanáticos religiosos que passassem por perto, e só na deles. Era um cachorro muito educado, disciplinado, atendia a meus comandos, uma delícia. Ouvi de várias mães "Quisera meus filhos fossem assim", mas o pipi na bainha das calças de todos que carregavam a bíblia debaixo do braço foi seu desvio de conduta incontrolável. Ou, quem sabe, reflexo do dono. Quando penso nos tão religiosos que vejo por aí me vem imediatamente a passagem dos vendilhões do templo, mais específicamente a maravilhosa pintura de El Greco.

Minha provável expulsão do colégio foi causada, dentre outras sutilezas, pela minha recusa em assistir as missas em latim. Que diabo era aquilo que eu, criança, não entendia nada. "Nossa! Que lindo!", assim, sem mais nem menos? "É assim porque é assim", nunca foi meu prato predileto. Quando decidi descobrir sobre o que se tratava aquela coisa que era imposta pelos padres, comecei a ler, ir ver, xeretar, buscar informações e acabei tirando proveito, não da religião, mas de boas regras para vida, que para mim é o que se trata. E a partir deste conhecimento comecei a rir da falta de educação do Aramis. 

Também mais ou menos na mesma época fui atrás do pessoal que falava sobre proteção aos animais. Passei um tempo entre os 'ecologistas'. Ouvi muita coisa que não entendia, que não fazia muito sentido (mas hoje faz), conheci alguns... digamos... radicais, fanáticos, entre eles uma menina em particular que era muito interessante, mas um pouquinho além do que dava para encarar. E foi ela que me levou a uma reunião onde passaram um filme sobre como tratavam o gado nos frigoríficos. O filme nunca saiu da minha cabeça, e de certa forma definiu minhas posições futuras. Li, busquei conhecimento, agi, um pouco depois colhi muitas e importantes assinaturas para a proibição de pesca das baleias, o que até hoje me traz muito orgulho, e acabei na bicicleta, um tema paralelo à ecologia, mas absolutamente pertinente aos anseios do ambientalismo e da preservação.

Com o tempo e a maturidade fui ficando de saco cheio dos radicais, fanáticos, extremistas, e hoje até mesmo dos que extrapolam limites sendo adultos, vivenciados e lidos. Todos. São uma minoria dentro da sociedade, muitos são bem interessantes, pessoas de quem se pode aprender algo ou muito, mas são chatos, bem chatos, muitos deles realmente desagradáveis. E são exatamente eles, os extremistas, que estão ditando as regras deste momento crucial para o país. 

Domingo a minha decisão, qualquer que seja, vai ser feita com dor no coração e com vontade de esganar. A vida vai dando instrumentos para que sejamos racionais. É o que espero de mim ao teclar a urna. Por experiência de vida sei, mais que nunca, que terei que lutar contra a tragédia que começará já no final do dia. Triste. 

O pior vai ser, certamente, ter que lidar com os vencedores. Como um dos milhões de perdedores deste país, que serei por discordar de tudo que estamos vivendo, digo que vai ser um saco insuportável aguentar o que vem pela frente, qualquer que seja o resultado.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

O primeiro debate da mais vergonhosa campanha...

Acredito que os dois grupos, Estadão e Band, sejam grupos jornalísticos, portanto é de supor que já perderam a virgindade, ou, como diz o jargão jornalístico, não são focas. Óbvio ululante que o "primeiro debate entre os candidatos...." iria dar nisto. Até as ostras com paralisia mental tinham boas razões para desconfiar.

Supõe se ou espera se que jornalistas tenham um mínimo de atitude e inteligência para intervir quando o desejado, a informação, começa a ser vergonhosamente contornada. Eu sei que toda uma nova geração nunca teve a experiência de um Maluf pela frente, mas ainda atuam macacos velhos do jornalismo, portanto não deveriam ter sido pegos de calça curta e abaixada.

E não me sai da cabeça o fato que o governo federal é um importante anunciante para a imprensa e jornalismo. Provavelmente não pegaria bem uma intervenção no meio da asquerosa pirraça dos dois mimadinhos. Infelizmente um dos dois será... será... será..., o que é mesmo que um dos dois será? Cruzes, presidente da república? É isso? Termino rapidinho aqui, tenho que sair correndo.


domingo, 18 de outubro de 2026

Futebol, clubes, desmandos e nós

Como não confundir uma entidade com seus mandantes? O resultado final do comando deve ser relegado em nome do espírito da bandeira? Uma espécie de separação das responsabilidades? Continue se fiel mesmo que se tenha consciência que há graves desvios nos caminhos escolhidos? Continue se fiel mesmo que o resultado seja explicitamente ruim, prejudicial além da própria paixão? Problemas que extrapolam a paixão individual e afetam até mesmo quem não tem nada a ver com isto? O que é público que seja pelo bem de minha paixão. A dívida, ora, a dívida...

O outro é o responsável. Sempre! Os meus... Nunca!

Futebol foi para esquerda o ópio do povo. Eles não estavam de todo errados. Aliás, não se pode descartar a influência do fanatismo na construção de um monstro incontrolável destruidor de um país, o dito " nós ou eles". Um país esfacelado em fanatismos. O que se vê nos estádios que o diga.

Futebol, exemplo das massas, esporte dos parças, do exemplo de uma riqueza pobre, de pobres ricos pobres, fútil, inútil, o sonho de muitos país, ter seu filho com salário milionário jogando futebol, festas, carros, apartamentos, sorrisos, agrados... Com que suor, com que responsabilidade?

Sobre qual camiseta devemos nossa fidelidade? Que tal a última que foi colocada a venda? O mesmo espírito em bandeiras da moda? Venda se! É chique. E não compre as falsificadas, as dos camelôs. Aliás, são falsificadas mesmo? Ou... Desconheço uma investigação jornalistica sobre o causo.

O técnico é sempre o responsável, o diretor é o responsável, se possível não o ídolo, nunca o clube. O clube é o clube, o resto é o resto, não confundir. 

Ah! o exemplo! O salvador da pátria, da nação, fomentado e protegido pelos comunicadores. "Fale mal, mas fale de mim". Separe uma coisa doutra. Separe! Os que 'conhecem' pedem.

E agora as bets. Apostem! Sustentem seu clube, seus jogadores, seus exemplos, ... sustentem o sistema, os que trabalham pelo esporte, os que fazem 'ricas' as conversas de boteco. O clube, o glorioso espírito do clube deve ser investido de qualquer forma. Apostem nele!

De fato, "Opinião | Clubes não devem ser confundidos com quem (des)manda." Então o que? Viva o jabá!

E sigamos assim.

Aliás, nesta deplorável eleição, em que time você vai votar? Sim, time. Há alguma incorreção aqui?

Futebol é um esporte, maravilhoso, mas o uso que se vem fazendo dele tem, sim, responsabilidade, e muita, sobre o que estamos vivendo. E neste sentido é inegável a responsabilidade dos que vivem de comentar e divulgar, leia-se receber salários, do que deveria ser um esporte, mas a tanto tempo se desintegra e nos tem envergonhado. Brasil, este Brasil do 7x1. Bravo!

Salve os gloriosos do passado, todos, incluindo os ditos pernetas. Todos!. Obrigado pelas suas dignidades, seus maravilhosos exemplos, o legado deixado ao povo deste país. O Brasil era outro e vocês ajudaram muito na sua construção. Muito obrigado. 

Obrigado Gerson, Canhotinha de Ouro, por meter a boca no trombone. 

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Parque Joia e parque linear Córrego Esmeralda









Choveu 3 meses em uma hora e deu enchente

Choveu três meses em uma hora e encheu o túnel do Anhangabau. Vários carros e ônibus ficaram submersos. Parou tudo. Prejuízo para todos.

A solução que se apresenta? Uma série de ações, alguns piscinões nos corregos da Nove de Julho e da 23 de Maio e outras obras. Piscinões, a obra predileta entre politicos e população para controlar as enxurradas enfurecidas. Única solução? É grande, é visível, dá voto, o povo gosta, o povo acredita, o povo apoia.

Quais são as prioridades máximas da cidade? Alguém sabe? Não falo sobre as que cada um de nós tem na cabeça, mas prioridades, urgências urgentíssimas vitais para o futuro de todos? Prioridades, primeiro passo, segundo passo, terceiro....

De uma maneira muito fria: quanto custa postergar prioridades prioritárias que beneficiarão milhões de cidadãos comparado com evitar que algumas dezenas ou mesmo centenas de carros naufraguem algumas poucas vezes por ano? Sim 'prioridades prioritárias', um erro de linguagem ou uma hipérbole para denunciar a nossa despreocupação, desinteresse, com o que realmente é prioridade?

Como evitar naufrágios generalizados e previsíveis pela cidade que por mais que se faça continuam acontecer? Será a repetição do mesmo a solução? E daí, o que mais?

Deveriam ser divulgados a público estes projetos de contenção de enchentes, pelo menos o funcional, que é o primeiro estágio de qualquer projeto público. É nosso dinheiro que paga e temos o direito de palpitar. Aliás, deveriam ser colocados a público todos projetos e ideias de como resolver a situação, esta e todas outras, sem exceção.

Ter que lidar com um clima tão imprevisível é um grave problema para qualquer administração. Uma chuva de três meses em uma hora é um absurdo que dificilmente será resolvido definitivamente, esta é a verdade. Nada é projetado sob a ótica do excepcional. Tudo é projetado dentro de uma tolerância, de um nível de excepcionalidade, mas não absurdos.

Seria interessante os jornais e meios de comunicação publicar matérias sobre como se constrói os custos / benefícios de uma cidade, de seus projetos e obras. Quais são os desvios e tolerâncias estabelecidas por lei?

A pergunta que deve ser respondida é 'vale a pena deslocar uma montanha de dinheiro para uma obra que terá uso uma ou duas vezes por ano, ou mesmo em anos? Não haverá outras soluções?'

Nenhuma cidade do planeta está preparada para uma mudança climática radical. As cidades brasileiras contam com um problema extra: o que está debaixo da rua é invisível e não dá votos. Em outras palavras, a cidade explodiu, cresceu uma barbaridade, e as obras de suporte para este crescimento são raramente vistas.

Como pensar prioridades? Temos que pensar com pragmatismo o que queremos como prioridades. Se fizermos, com conhecimento de causa e efeito, provavelmente algumas obras mágicas (eleitoreiros) vão desaparecer do mapa.

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Envelhecer, saúde, SUS e... o seu bolso

Num artigo científico saiu que envelhecemos aos trancos. Está provado que o envelhecimento é uma escadinha que vamos descendo com o passar dos anos não condiz com a realidade. Até se pode usar a escadinha como metáfora, mas não uma continua, degrau pós degrau. No meio da descida tem uns platôs, tempos onde há uma estabilização clínica até a próxima escadinha, ou penhasco. Desculpem, não aguentei com o penhasco, mas, vocês sabem, é verdade.

Mesmo antes deste artigo publicado sobre como envelhecemos, eu tinha vivenciado uma mudança muito rápida da condição física de um querido amigo. Uma bela pessoa, figura atraente, cuidadoso consigo, não sei porque em poucos meses passou de um adulto chamativo para a aparência de um velhinho ainda plenamente ativo. Me assustou e muito. 

Não foi o único. Estou numa fase da vida onde qualquer tombo é perigoso e deve ser evitado, mas os tombos que a vida traz consigo se transformam em normais, regra inquebrantável. 

Voltando de viagem sentei junto com uma menina de 49 anos, rápida, inteligente, antenada. A conversa foi para minhas pedaladas e as caminhadas dela. Quando perguntei se ela já tinha lido ou estudado técnicas de caminhada, ela se assustou. Nunca tinha pensado nisto. Disse a ela que não me assustava sua reação porque o que se dá nas escolas como 'educação física' não é educação física, mas recreio esportivo. 

Brasileiro, no geral, não sabe se cuidar, não sabe o que é seu corpo, o corpo, um corpo, saúde. Incluo aqui a imensa maioria dos frequentadores de academias e esportistas amadores (mais uns tantos profissionais). Melhorar a condição física e a saúde vai muito além do olhar para o corpo. A prova disto é que aqui, Brasil, o negócio é ficar bem, de preferência bonito. "As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental" - Vinícius de Moraes. Colou!

Saúde, incluí condição física, corpo, mas muito mais que isto. O primeiro passo é tomar consciência, o que concordo, eta coisa 'cumplicada'.

Neste contexto vem o seu bolso. Sim, minha cara, sim meu caro, o seu bolso. Ou você acha que quem vai pagar a conta do envelhecimento de toda uma população com problemas de saúde? E, ouça bem, o custo da brincadeira não vai ser só no seu bolso, esteja certo, espere para ver, ou levante as orelhas para saber as maravilhas que virão com o envelhecimento dos outros, todos outros, sem exceção.

Evitar certos temas é de uma burrice sem tamanho. A conta virá, líquido e certo. O seguro morreu de velho.


– Como é que você vive sem medo com a morte por perto?

O velho riu, sarcástico:

– Todos nós temos a morte em nós, seu merdinha. Desculpe chamá-lo assim, mas, se você acha que existe alguma garantia para viver, você virou um idiota de um ministro do Supremo que é capaz de promulgar uma lei isentando-o da morte e da responsabilidade de ser imparcial. Pois a morte, meu caro, tem uma imparcialidade absoluta. Como diz a rima: ninguém escapa, nem o rei, nem a rainha e nem o papa. Ela é comunista.

Roberto DaMatta


Um ponto fundamental levantado pelo : o modelo atual remunera os procedimentos realizados e não o resultado final. Mudar isso exigiria renegociar contratos com prestadores, revisar instrumentos regulatórios e de incentivos e criar sistemas de monitoramento inexistentes no SUS atual. É difícil? Sim. Mas com vontade política dá para fazer. Seria um ganha-ganha: redução de custo do sistema e melhora de qualidade de vida da população.

Frankito, o curioso 


Caneta mágica? É mesmo. Vai esperando. Toda magia tem uma enganação por trás.

Aleluia!

Enfim, "Nós que aqui estamos por vós esperamos".

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Romaria para Aparecida, perigosa?

Comecemos pelas más notícias, que é o que mais cola. A Romaria para Aparecida teve três mortos, sendo dois assassinatos e um atropelamento. E, mais uma vez, o consenso geral é que a romaria pela Rodovia Dutra é um perigo para os romeiros. 



Fazendo uma análise fria:

O santuário de Aparecida recebeu 494,6 mil devotos de Nossa Senhora entre os dias 3 e 12 de outubro. O aumento é de 54% em relação ao ano passado, quando 320,6 mil fiéis foram ao santuário no mesmo período. Este ano, cerca de 40 mil devotos fizeram a peregrinação a pé, segundo a Polícia Rodoviária Federal. Só neste domingo, 12, cerca de 152 mil pessoas assistiram às sete missas e outras atividades religiosas desenvolvidas no santuário. Fonte e texto: Estadão 

Oficialmente foram 40 mil na estrada com três mortes violentas, ou seja, 7.5 / 100 mil mortes violentas, o que está um pouco abaixo e não muito longe dos números da violência no Estado de São Paulo. Tem quem vá ler este meu início como uma forma horrorosa, desumana, de pensar. Desculpem, mas muito pelo contrário. Resolve-se problemas graves com frieza, não com emoções. Colocou emoção vira emocional, não racional, lógico, sensato, o verdadeiro caminho para se chegar ao resultado desejado, correto, positivo.
Eu truco que foram 40 mil fazendo a peregrinação a pé. A diferença que se viu na estrada, o que o pessoal dos PAP, Ponto de Apoio ao Peregrino, mais todos romeiros experientes afirmaram, é que o número de romeiros na estrada, de São Paulo a Aparecida, dobrou. A diferença para o ano passado foi gritante. Duvido que todos nós estejamos errados.

Sim, fazer a pé ou pedalando a romaria de Aparecida não é algo que se possa dizer seguro, mas os números de certa forma apontam uma outra realidade. Gostaria de ter números atualizados sobre a segurança de pedestres em meio urbano para fazer uma comparação. 
Vamos lá. As avenidas paulistanas têm limite de velocidade de 50 km/h. Tem várias cidades que o limite de velocidade é mais alto. Quando você espera o sinal abrir para cruzar não fica próximo ao meio fio? Os ônibus não passam muito perto? Mas aí ninguém fala que se sente inseguro. Ok, 50 km/h é bem diferente de 100 km/h, ônibus é diferente de carreta.

Mas uma coisa é fato: a cultura do medo é muito interessante para muitos, de ativistas às autoridades. E afirmo que tem gente que lucra com a venda do medo, do sentir-se inseguro, e lucram muito.

Eu, Arturo, não tenho medos e receios de pedalar na Dutra, de fazer a romaria? Óbvio que tenho. Alguns tem fundamentos, outros definitivamente são produto de indução. Meu maior medo? Assalto. Segurança no trânsito? Muito menos. Óbvio que seria muito melhor se não tivesse todo aquele trânsito zuando na orelha.

O que fazer?  
Ponderações:

Como estão as investigações dos crimes ocorridos nas romarias passadas? Quais resultados? O que faltou?

Como a inteligência da polícia trabalhou a segurança dos romeiros nos meses anteriores a romaria? Sim, a polícia trabalhou, disto tenho certeza porque ouvi vários depoimentos, inclusive de pessoas ligadas a organização dos pontos de apoio.

Conversei com polícias durante a romaria. Todos responderam que em vários aspectos têm as mãos atadas, o que não duvido. Aliás, em Pindamonhangaba presenciei romeiros simplesmente desprezando as orientações de um Rodoviário Federal e seguindo em frente, para meu espanto. "Não posso fazer nada", reclamou resignado o Federal.

É fato que os limites sociais deste país derreteram. Todos. "Que se dane o outro" impera impiedosamente.

Mesmo os bandidos num passado distante tinham um código de conduta, uma noção de dignidade, de limites. Foi-se. "Perdeu! Perdeu! Dá ou mato!". Hoje impera a estupidez generalizada.

Segurança no trânsito? Alguém realmente se importa? Quantos pensam no próximo?

Mobilidade:

Muito se fala em segregar, criar um espaço específico para os romeiros, 134 km segregados. A ideia corrente é retirá-los da Rodovia Dutra.

Como trabalhei com mobilidade, deixo o recado: segregar nem sempre é a melhor solução. Segregar simplesmente tem tudo para gerar outros problemas, alguns tão ou mais graves quanto os que se tem agora. Segregação feita pela metade ou segregar para tirar eles da frente, uma eterna regra brasileira. Temos inúmeros exemplos de segregação mágica realizada de qualquer forma que deu bem errado.

Pois então...

Pergunta que não quer calar: vão construir passarelas em todos cruzamentos de estradas? Tem verba? Tem verba para romeiros e nunca teve verba para os trabalhadores que circunlam a pé ou pedalando no dia a dia, na mesma rodovia, durante todo ano?

"A Dutra virou uma avenida", afirmação corrente entre autoridades. Se virou uma avenida, se corta cidades ao meio, será que não tem que ser tratada como trecho urbano, portanto levando em consideração pedestres, ciclistas e mobilidades eletricas que há muito circulam ali?

Outra pergunta: a segregação vai ser larga o suficiente para segregar os ciclistas dos pedestres? E o que vão fazer o que com os ciclistas que recusarem entrar na ciclovia? Ciclistas esportistas que treinam serão obrigados a usar o novo espaço segregado, então pedestres conviverão com ciclistas pedalando a 30, 40, 50 km/h, quando não mais rápido, é isto? Como fica, bicicleta é de fato um veículo, como está no CTB, ou deve ser visto como o que? E com o estouro da boiada das eletricas, todas, como fica a segregação? Etc...

Segregar é uma palavra linda, mágica, a dita solução inteligente de tudo, até a realidade bater na porta. E estejam certos, bate. Mobilidade segura se constrói com conhecimento e inteligência, muitas vezes com soluções que não parecem lógicas. Segregação para dar os resultados esperados custa caro, bem caro, tem que ser um trabalho multi disciplinar, uma mudança de comportamento coletivo. Mudança de comportamento no meio deste "nós ou eles"?

Fora a questão legal envolvida, que como todos sabemos, estácomo fralda de bebe: você nunca sabe o que vai acontecer. Tem fralda que..., despulpem, tem lei que cola e lei que não cola. O que vai sair disto?

Não haverão outras alternativas? Outras soluções? O que diz a experiência internacional? O que se pode fazer dentro da lei? Afirmo com todas as letras: muito! E não precisa pensar fora da própria lei. Basta sair da caixinha.

Para sustentar a minha preocupação com esta obseção por segregar, poderia encher aqui de perguntas pertinentes.

A que mais me pega é: "Vão destruir uma importante tradição do povo?"

O que eu faria? Já escrevi; eu acalmaria a via Dutra durante os 10 dias da romaria de Aparecida.


Ponte Estaiada

Olha só que divertido, no título digitei Estaiada e o corretor mudou para Ensaiada. Olha só, acertou em cheio.

Minha irritação com a Ponte Estaiada vem desde a época de sua construção. A razão é simples: tendo uma favela em frente, tendo uma população, que vai além muito desta favela, que depende de transporte coletivo, sendo um projeto de uma administração dita socialista, favela de um lado do rio, CPTM / metrô do outro, a nova ponte estava sendo construída quase que exclusivamente para automóveis e motos. Aliás, desculpem meu erro, duas favelas, a outro fica um pouco mais a frente. Pedestres, ciclistas? Chico Anísio deveria ter criado um personagem de esquerda e ligado aos movimentos sindicalistas que repetisse o "eu quero que pobre se exploda!"

O vídeo a seguir fala sobre algo que não tinha me lembrado: pela Ponte Estaiada não passa nenhum ônibus de transporte coletivo. Nossa! Como é simbólico! Ora, vejam, projeto de uma administração socialista. O X da questão, sem dúvida, e que Xizão!

Os 'pobre' que se virem. Que caminhem até a Ponte Cidade Jardim para ir ao trabalho. Faz bem para saúde, só uns 3 km. Ou que peguem um ônibus que vai pro terminal João Dias e de lá peguem um outro para ir pro trabalho. E não faltem ao trabalho! Podem também pegar um ônibus das maravilhosas linhas que passam pela avenida Morumbi, onde o trânsito flui que é uma maravilha. Não, ainda não temos aí ônibus leito. Os gênios que governam pelo povo, os mesmos que deram ok a Ponte Estaiada, estão estudando a ideia.

Que cidade vocês querem? A do Minhocão ou da Estaiada? Qual a mágica há por trás destas obras tão icônicas para o povo? No fundo, as duas têm muito em comum.


Estou em São José dos Campos, de frente para sua ponte estaiada. Orgulho da cidade. Orgulho? Sim, orgulho. Agora, quando começam os congestionamentos que deveriam ser evitados pela ponte, talvez este orgulho comece a ser posto a prova. 




segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Raquel Lyra, entrevistada pelo Estadão

Bravo menina, bravo! Minha Presidente da República do Brasil, em meus sonhos já eleita, é Raquel Lira.

Como Raquel diz no começo desta ótima entrevista, não é sobre política, não é sobre manter o povo divido, é sobre entregar o que o país e o povo precisam, é sobre trabalhar para que estas entregas aconteçam de fato e de direito, é sobre resultados comprovaveis, é sobre construir o bem. Parabéns menina, parabéns Excelentíssima Senhora Governadora do Estado de Pernambuco, mulher, nova, e eleita no primeiro turno, com louvor.

Quanto à repórter, eu não teria sido tão paciente quando da insistência na pergunta sobre em quem Raquel Lyra dará apoio. A resposta de Raquel foi de uma inteligência inequívoca: agradeceu o que recebeu para seu estado, Pernambuco, mas ela reeleita responde pelo Estado de Pernambuco. Nas meias palavras, unir um povo, lutar contra a divisão estúpida que temos. Em outras palavras, aos que não entenderam: um mínimo de inteligência para não começar o novo governo com pé errado. À jornalista, neutralidade, minha cara, neutralidade, uma forma de pensar de uma inteligência louvável.



A romaria, a estrada os automóveis

Estou em Aparecida e fiz a romaria partindo de São Paulo. Todos estão afirmando que o número de romeiros dobrou este ano. O que quer que seja, explodiu. Venho fazendo romarias todos anos e afirmo que o que acabei de ver é assustador. Se continuar neste crescente, o que deve acontecer, não sei como será ano que vem e nos próximos.

Sim, há um problema de segurança; sim, houveram ocorrências. E sim, as autoridades estão pensando a situação dentro do estrito da lei e dos manuais de segurança no trânsito. Em outras palavras, os romeiros, pedestres, tem que se encaixar no CTB que ainda é escrito priorizando a fluidez do trânsito motorizado. Isto, em qualquer país civilizado, tem se provado um erro.

A romaria é um fenômeno social. Duvido que se consiga descaracteriza-lo mudando seu trajeto original.

Como está CTB de maneira clara e inequívoca, a prioridade máxima é do pedestre.

Recomendo que as autoridades pensem fora da caixinha. Não estou falando fora da lei. A Romaria para Aparecida é um case que oferece oportunidades únicas para se pensar sobre o futuro das mobilidades. E de movimentação de massas.



Para quem não entendeu o que escrevi aqui, por favor, vejam o que está acontecendo em todo mundo. Há uma mudança em andamento que não vai parar, é irreversível, simples assim.


Ou procure outras publicações sobre o que Michael King fala, e que ouvido em todas partes. Aqui? Numa palestra na Universidade Mackenzie ouvi uma das principais autoridades (?) sobre pedestres soltar algo como 'este cara não sabe o que fala, é um imbecil'. Detalhe o dito veio da boca de alguém que tinha no momento daquela palestra de King um currículo de momento 750 ocorrências fatais com pedestres / ano. Sim, é isto mesmo, está publicado, número oficial. A responsabilidade foi só de um? Não, mas o número insiste em ficar grudado na chefia. E aqui era uma respeitada como autoridade. 

Faça sua escolha.



sexta-feira, 9 de outubro de 2026

A dificuldade de comecar

E por uma ironia do destino vou calibrar o pneu de minha bicicleta, vem um sujeito em direção ao carro estacionado ao lado, pergunto se estou atrapalhando ele entrar no carro, e a figura é um mentor. Começamos a conversar sobre besteiras, minha vinda de São Paulo pedalando, a romaria... E não faço ideia de onde ele tirou que aquela viagem era um recomeço. Sim, ele dá mentorias, eu sei. E a conversa mudou de canal e bateu no que ele provavelmente deve fazer bem. Não sei porque, mas ficamos exatos 45 minutos conversando no cimento de um posto de gasolina, de baixo de um racha coco.

45 minutos exatos. Depois de uma pedalada para relaxar as pernas dos 100 km exatos do dia anterior, primeiro trecho de mais uma romaria. A 20 km do hotel de São José dos Campos veio surgindo em direção a todos romeiros uma nuvem preta, pesada, e em fuga dela disparei com quase tudo que me restava das pernas e forças. 
Feliz por não ter tido cãibras, acordei, tomei café e saí pedalando bem de leve para relaxar e comprar mais uma câmara de reserva. Pernas cansadas, pedal perdido pela cidade, sei lá onde fui e que horas são. Relaxa. Entro no restaurante, estão no começo da arrumação para o almoço. "Desculpe, atrasou o almoço?" "Não, o almoço é a partir das 11:30 h." "Ué, que horas são?" "10:45". Agradeci, disse que voltaria, o que não pretendia, estava muito cansado, queria voltar para meu quarto do hotel, e fui calibrar o pneu.


Que drama foi construir esta romaria na minha cabeça! Quantos dias de repetir as mesmas perguntas, procurar as mesmas respostas, fazer um planejamento que qualquer um com um mínimo de capacidade de organização jamais chamaria de planejamento. Uma ansiedade que não é só minha, que a cada um toma sua forma. Ótima desculpa esfarrapada, os outros fazem igual, pesa menos. Ansiedade do sair, sim sair, o começar algo, o que seja. Quebrar uma regra. A mesma viagem, as mesmas situações já bem conhecidas, mas neste mundo tão acelerado, velocidade única, fibra ótica digital, desligar, desconectar, a mesma viagem anseia medos. Partir. Nada de mais, a não ser abrir o portão, sair, trancar e ir. Ir, que começo mais ansioso.

Amyr Klink confessa sempre que a partida é um dos momentos mais difíceis de qualquer viagem. A diferença é que partir é simplesmente uma ação que parte de si próprio. Os outros momentos difíceis são ocorrências, imprevistos, situações externas. 
Cruzar o oceano a remo? Assustador. Soltar as amaras? 
Permanecer num trabalho formal? Manter as amarras no  8h/dia X 4 dias/semana ou largar tudo ou ir ao mar? Invejo Amyr; ir ao mar.

A piscina do hotel é ótima. Relaxa. Sento na borda, coloco os pés na água fria. Entro ou não entro. Nadar me faz bem. Fico na indecisão por um tempo, indecisão imbecil, o que mais gosto é nadar. Sair. Começar. O scripte é o mesmo. A água está fria, as primeiras braçadas são desagradavelmente agradáveis. Toda santa vez que caio numa piscina me perguto:

Por que toda esta frescura para começar algo de bom?

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Romaria 2026 e o absurdo de romeiros na estrada

 

A romaria de 300 anos de Nossa Senhora Aparecida foi de arrepiar. A quantidade de romeiros em peregrinação na Rodovia Dutra foi impressionante, uma fila praticamente continua se movimentando pelo acostamento de São Paulo a Aparecida, 180 km. 

Pois então..., acabei de fazer pedalando o trecho entre São Paulo e São José dos Campos e o que vi desta romaria 2026 é mais impressionante do que a dos 300 anos. Muito mais romeiros, grandes grupos organizados, um continuo de blocos de gente mais compacto, com menos e menores buracos entre eles. De certa forma o 'de arrepiar' passou para um 'assustador'. 

Todos com quem conversei dizem que esta romaria está crescendo ano após ano. Ironia do destino, meu único furo de pneu aconteceu uns 10 km depois de minha parada para um café e gravar o vídeo com cabelo xuxuquinha, e a poucos metros de uma viatura da Polícia Rodoviária Federal. A conversa com os policiais rodoviarios comecou pela confirmação que a cada ano cresce, e que faz tempo virou um problemão para eles.

- O que está vindo para cá é assustador. Eu sei que com isto vocês acabam ficando entre a cruz e a espada. Tem alguma coisa que se possa fazer....?

- Nós já fomos até ao Ministério Público, não tem o que fazer. Nós orientamos os pedestres, mas... olha ali (vinham quatro romeiros conversando animados já dentro da pista). Nós não podemos fazer nada. Estamos trabalhando (para a romaria) desde de março. Mapeamos cada pedacinho, cada problema... Sinalizamos a estrada, você viu. Fora isto não podemos fazer nada.

- Vocês pensaram alguma ideia fora da caixinha?

- Nós já até tentamos tirar a romaria da Dutra. Não deu. Fez um breve pausa, e apontando para mim - O pior são os ciclistas. Ano passado morreu um atingido na cabeça pela caçamba de um caminhão. Vocês invadem a pista sem a menor responsabilidade...

- Eu sei, sou contra....

- É! Vocês todos falam a mesma coisa. Mas não é só na romaria. O pessoal vem pedalar com estas bicicletas de R$ 100 mil todo fim fim de semana. Pode? Nós não podemos fazer nada. Nós queríamos e pedimos que os romeiros caminhassem no contra fluxo para melhorar a segurança dos ciclistas. Eles vão (os pedestres para o contra fluxo)? Olha aí.

Não vou identificar, mas os dois eram graduados, o mais velho alta patente, homem com experiência, autoridade e um saco cheio sem tamanho. 

Não só entendo o saco cheio com tudo, como não queria estar na pele deles. Numa situação destas fica difícil pensar em algo que fuja do trivial. Como exemplo de ações fora das convencionais, mas dentro da lei, contei a história do adesivamento das bicicletas de operários com restos de material refleivo das placas de sinalização que aconteceuna decada de 90 na Ayrton Senna, no trecho de Guarulhos.  Ação simples,  fora da caixinha,  com ótimo resultado. O mais graduado cortou no meio, e terminou nossa conversa com um pouco convincente "nós já fizemos isto". Entrou na viatura e se foi.

Almoçando em São José dos Campos não parei de pensar. A única certeza é que a romaria é vontade popular, um fenômeno social sem retorno. E vai crescer. A Dutra virou patrimônio social, assim como várias rodovias viraram patrimôniode ciclistas. O que acontece na Dutra é um fenômeno humano e mundial, creio eu irreversível. Tem que ver com fé, religiosidade, mas definitivamente não só. É uma espécie de contra cultura. Inclusive contra a cultura do automóvel, ou o que ele se transformou.

Num país onde as autoridades simplesmente derreteram o que restava de suas credibilidades, no país cheio de lei não cola, continuar pensando e trabalhando no estrito da lei, muitas delas anacronicas ou disfuncionais, é incorrer em mais que um erro grave, é aprofundar crises e dramas.

Nós só vamos sair deste caos brasileiro, generalizado, quando pararmos de cacarejar soluções obsoletas para buscar saídas criativas.

Terminando, quero lembrar que a instituição com melhor conceito no Brasil é a Polícia Federal. Se tem alguém com cacife para pensar soluções fora da casinha são eles.