quarta-feira, 4 de março de 2026

terça-feira, 3 de março de 2026

Pedágio urbano para frear o uso do carro

NYC não foi a primeira. Muito antes várias cidades européias usaram instrumentos para frear o uso indiscriminado do automóvel nos centros urbanos. Não só pedágio.

Como europeu passou por duas guerras brutais, a forma de pensar é outra, pragmática. Eles até acreditam em milagre, mas meio da boca para fora. Na hora de resolver as coisas, pensam de maneira prática e realista, o que definitivamente não é nosso caso.

Até dá para impor um pedagio urbano em São Paulo, eu até sou a favor, mas há uma série de senãos aí, começando pela questão social, que aí sim é uma questão a ser muito bem pensada. Em NYC, ou em qualquer cidade européia, não há o abismo social que temos por aqui, o que é um fator a se pensar bem. Pedágio urbano gera mudanças significativas no fluxo de dinheiro. Quanto maior a diferença social, maior o impacto na macro economia urbana. 

Temos que resolver o caos que estamos vivendo e que só piora. Para isto precisamos de um planejamento que olhe para a cidade e seu cidadãos, sem imediatismos ou delírios. É mudança de médio longo prazo, mesmo que necessitemos de uma ação dura para sanar gravíssimos problemas ontem.

NYC começou um plano de recuperação e reestruturação da cidade na década de 80, quando disseram um basta a uma violência incontrolável de 82 assassinatos por 100 mil. O primeiro passo foi colocar ordem na questão social, diminuindo a violência brutal, através do Tolerância Zero. O segundo passo foi iniciar o que é conhecido como Cidade Sustentável, que teve Jeanette Sadik Khan e sua reforma da Broadway av inaugurada em 2007. Pedágio urbano faz parte do processo, de certa forma está contabilizado e equacionado pela população.

Em Bogotá, outra cidade que teve uma profunda mudança urbana, o que Penalosa fez só foi possível porque foi preparado o caminho pelo prefeito anterior Antanas Mockus. Ou seja, houve um planejamento de longo prazo que foi seguido.

Não há referência histórica do "faz que dá certo" que tenha realmente dado certo. O melhor exemplo de que o "eu sei, eu faço, vai dar certo..." não funciona está aí e tem nome: Trump. Os próprios americanos estão só començando a pagar o pato.

Outro exemplo deste tipo a não ser seguido chama-se São Paulo, o Município e sua área metropolitana. Desde a década de 70 se faz tudo no "eu sei, vai dar certo..." O resultado está aí. Planejamento? De longo prazo? 

Interessante é que nos dois casos, Bogotá e NYC, o ITDP teve atuação marcante na transformação das mobilidades destas cidades. Na mesma época, o ITDP estive aqui, deixaram muitos ensinamentos, mas parece que não aprendemos nada.

"Nós sabemos, nos somos diferentes, faz isto que vai dar certo..." dito e repetido aqui sem parar parece, repito, parece que não deu certo, só parece. 

Eu definitivamente não quero mais. 

A saber, em plena ditadura, em seus momentos mais duros, houve por parte dos que sabiam o que era uma cidade uma gritaria contra a construção do Minhocão. O sonho destes estudiosos então era a construção de uma cidade em cima de um plano diretor organizado e realista a ser seguido, que tinha como base experiências nacionais e internacionais. Curto, médio e longo prazo. Venceu o "eu sei o que estamos fazendo, nós somos diferentes..." É isto aí, somos diferentes, o resultado está aí, no sonho de boa parte dos brasileiros que todas cidades se transformem em Balneários Camboriu. Que beleza! Igualzinho a Manhattan. 

Que pobreza vergonhosa!

segunda-feira, 2 de março de 2026

A ilusão, a falta de conhecimento, e o fracasso inevitável

Me engana que eu gosto. Ahh, ilusão, doce ilusão. Atender aos mais íntimos desejos de ser leve, livre e solto no planeta de todos os prazeres que se desejar. Como é bom. 


Quer me tirar do sério? Diz "Precisamos pensar na segurança dos ciclistas". 



"Precisamos pensar na segurança dos ciclistas", óbvio que sim, mas isto são palavras, não ações concretas. A pessoa que repetia sem parar este "Precisamos pensar na segurança dos ciclistas" tinha um curriculo mais sujo que puleiro de galinheiro, pior, não fazia ideia do que estava falando porque tinha medo de bicicleta. Mais ainda, era aplaudida por seus iguais num gesto de corporativismo férreo. Um dia caiu a ficha do pessoal e de aplausos partiram para do FDP para baixo, tudo que se pode ouvir. 
 
"Precisamos pensar na segurança dos ciclistas" dito ao peido (expressão típica de porteños que vem bem a calhar) é o caminho mais curto para reduzir a segurança de todos, ciclistas, pedestres, até motoristas.

"Precisamos pensar na segurança dos motociclistas"?

Venho há muito falando sobre a necessidade urgente de nós, brasileiros, termos dados corretos sobre o que acontece para só então estabelecer um plano de ação com prioridades. Alguém se interessa? Bom, creio que não, como apontam inúmeros artigos e textos, de inúmeros especialistas. Não sou eu que digo, um joão ninguém, mas o pessoal reconhecido e respeitado como conhecedores em suas áreas, todas, as mais diversas, não só segurança no trânsito. Exemplo: Marcos Lisboa e outros de primeira linha denunciando que o BC, Banco Central, falhou feio em ter informações para controlar a inacreditável bagunça que há muito vem ocorrendo com o Banco Master e amiginhos deste, uma brincadeirinha de até aqui R$ 60 bi, só isto, até aqui! Ou da inoperância das agências reguladoras, todas. Ou a baderna de dados sobre a criminalidade. Ou dos órgãos coletores de dados estarem em boa parte entregues a partidários. Etc...

Não há estudioso deste país que não afirme com todas as letras que "brasileiro não gosta de dados, estatísticas, de precisão".

O artigo sobre os resultados negativos das faixas azuis para motociclistas vai por aí, a falta de interesse em dados e informações precisos para criar soluções. (Eu quero melhorias imediatas nas perícias e corpo de legistas). Dados existem, excesso de velocidade mata, motoboy com pista livre acelera, cruza sinal vermelho, não respeita nada, quer e precisa entregar o mais mais rápido possível, a pizza não pode chegar fria... Mas com que qualidade de detalhes e como são utilizados?

Estou exausto de repetir o mesmo. Coisa chata!

Segurança, a de verdade, a que traz resultados positivos, não se faz com achismos, mas com dados precisos, o que brasileiro não é muito afeito, todos, sem exceção. Não sou eu quem afirma, um mero cidadão leitor curioso, mas quem conhece.
A pior coisa para a segurança são as soluções mágicas, o que incluí boas ações realizadas pela metade, sem um olhar horizontal, periférico e tangencial, micro e macro, de curto, médio e longo prazo, o que se faz aos montes e sempre, o que é regra. "Eu vou inaugurar em..." Bingo! Sorrisos.
Somos o país da solução mágica, do tiro certo no pé. Mortes aos montes são uma consequência natural.

Mais uma vez repito, que chato!

Quando há uma situação aguda, a reversão mais eficiente desta é atravéz do estabelecimento de ações prioritárias, que nem sempre são do agrado de gregos e troianos, muito menos populistas. E menos ainda ideológicos. Aliás, neste país estabelecer prioridades de verdade levanta uma gritaria ensurdecedora de tudo quanto é lado.

Segurança é uma ciência, e como tal deve ser tratada. Viajou na maionese, danou se.

Faixa azul é uma boa solução, está provado. A crítica que se faz está apoiada no comportamento de meia duzia que fazem besteiras, continuam sofrendo acidentes e morrendo. Não era previsível que com pista livre o problema sairia da colisão lateral para os cruzamentos? Vai se melar mais uma boa ideia porque tem idiota que faz o que quer e bem entende em sua moto? "Eu tenho direito..."
  • quando se entra num corredor qualquer, o foco de atenção fica no final deste
  • na aproximação da saida de um corredor, como é o caso dos cruzamentos, para onde se está olhando?
  • no final do corredor quanto se tem que girar a cabeça para olhar primeiro para um lado e depois para o outro. Quanto maior o giro de cabeça, maior o tempo para visualizar o todo, quanto maior este tempo menor o tempo de reação e de segurança.
  • quando alguém que vem pelo corredor tiver uma SUV ou qualquer outro veículo grande formando paredes laterais na aproximação da esquina, qual o tempo de visualização e reação que o motociclista tem para o que vem em diagonal?
  • caso o corredor cruze uma rua, no momento do cruzamento o motociclista tem muito menos rotas de fuga para evitar uma colisão. O caminho natural é seguir pelo corredor.
  • como é realizada a fiscalização da velocidade dos motociclistas? 
  • como sempre foi a fiscalização de velocidade? Como é a lei relativa?
  • como parar um motociclista infrator que vem num corredor estreito no meio de uma avenida? Como deter um motociclista fechado num corredor que tem atrás vários outros motociclistas?
  • como a lei trata este problema?
  • etc...
O advogado do diabo não serve para destruir uma ideia, mas para colocar questões que tem que ser analisadas para se chegar a um bom resultado. Não sou contra a faixa azul, muito pelo contrário. Aproveitando, e repetindo, não sou contra ciclovias. Sou contra não ir atrás de qualidade, de errar o mínimo possível e de efeitos colaterais. 
Quer reduzir a acidentalidade e as ocorrências? Estabeleça prioridades reais e faça cumpri-las.    

A prioridade deste país tem que ser dar um basta a todo e qualquer estúpido. Feito isto entraremos no caminho para o país do futuro de verdade, não esta vergonha que vivemos. A nossa prioridade, a dos seres normais, deve ser estabelecer uma linha da qual não passarão, ponto final. Os que usam a faixa azul, assim como os políticos, os executivos, os judiciários, os vizinhos, conhecidos, reliogiosos,, as empresas, os contraventores..., todos sem exceção. Estou escrevendo besteira? 

O outro, principalmente o desconhecido, morrer de forma estúpida importa para o brasileiro em geral? Responda você.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

O paralelo entre um ciclista e este país

Fui (ou sou, sei lá) guia de passeio urbano de bicicleta, daqui a pouco fará 40 anos. Frase estranha tanto pela forma do portugues escrito quanto, para mim, os 40 anos corridos. Tempus fugit. 
Ser guia de passeio é uma boa escola de vida, passa por você um farto zoológico e situações cidadãs as mais variadas possível. Entre os ciclistas passam alguns, uns poucos, que foram marcantes pelo bem e pelo mal. Os pelo bem eu os saldo com a cabeça curvada em reverência, agradecimento e respeito. Os do mal, de todo tipo e grau, criaram os problemas mais vairados possíveis, alguns destrutivos para o próprio grupo. Incluo aqui a fofoca invejosa, uma praga maldita até bem aceita, como faz parte, vai arrasando o que estiver pela frente. "Espelho, espelho meu, tem alguém mais mais que eu?"

O mesmo acontece no ambiente de trabalho, com a diferença que num pedal o pessoal solta a franga, deixa rolar, o que pode não ser conveniente quando o salário está em jogo; aí o corno fica manso. Num passeio um chilique de vez em quando escapa e não raro é absorvido até com brincadeiras.

Em tudo nesta vida há uma forte ligação entre o micro e o macro. Não é diferente no caso do micro cosmos de um grupo de ciclistas pedalando juntos e o que acontece na vida dos ditos cidadãos. Como tudo, a organização de um simples passeio segue o básico da macro organização social.

Um destes passeios que se vê passando por aí tem um guia, responsável pelo trajeto e como o grupo vai pedalar, alguns apoiadores, que vão orientando a boiada, e a boiada, os ciclistas que estão lá para passear, fugir de casa, conversar, estar com os amigos e pedalar; via de regra nesta ordem, com fugir e casa em primeiro lugar.

Um pelotão de ciclistas profissionais de competição de alto nivel, como os de um Tour, Giro ou Vuelta, as provas mais importantes do mundo, tem uma estrutura semelhante, mas objetiva. Cada equipe tem 8 ciclistas, que são divididos em gregários, os que pedalam para ajudar os bons da equipe, e pelo menos um sprinter, o que é bom de chegada, um escalador, que é bom de subida, e um novato de futuro. Por trás destes tem os que não pedalam, chefe de equipe, treinador, mecânicos, massagistas, médicos, nutricionistas, motoristas... A hierarquia predeterminada é clara e praticamente inquebrável, tanto entre os ciclistas, quanto em relação à estrutura de suporte, identico a uma empresa rentável e vencedora.

O objetivo final é fazer certo, errar o minimo possivel, e ganhar, no final das contas uma copia do que é, ou melhor, deveria ser o objetivo final de qualquer ser humano, de qualquer sociedade ou união. 

Os passeios de bicicleta também seguem uma regra bem humana: diversão, ou, como dizem rindo, foda-se o mundo!  Aliás,  nada mais natural e esperado,  reflexo do que vivemos nesta sociedade.

Pulo para os simples mortais, nós os ciclistas urbanos, individuais e indivíduos, os que pedalam por lazer, esporte, treino e os usuários da bicicleta como modo de transporte. Entre estes, que tanto reclamam da segurança no trânsito, deveriam valer as mesmas regras estabelecidas pelo CTB, ou pelo menos comportar-se sob o básico do bom convívio social, ou cidadania.

Aqui entramos numa comparação entre micro e macro interessante: boa parte dos ciclistas se comporta civilizadamente, ou pelo menos dentro do que se está jogando como civilizado, mas uma minoria, maior e mais influente que o desejável, joga pesado com suas próprias regras, e é aceita em silêncio, mesmo prejudicando o coletivo. É um empoderamento para si próprio das regras de convivência civilizada,  as reais,  funcionais,  as que produzem resultados desejados por todos. E aí, no permitir, dar liberdade para estes usurpadores é que está o nosso problemão, e bota problemão nisto. Começa no passeio de bicicleta e termina em Brasília. Só em Brasília?

Pesquisas do governo Alemão e da CETSP sobre comportamento social apresentam resultados praticamente iguais: 90% procura ou se comporta civilizadamente, evitando cometer erros; 7% fazem lá suas besteiras, mas sabem de qual linha social não devem passar, 3% se acham donos do mundo com todos direitos e que se dane o próximo. Finalmente tem o traço dos sociopatas, um número infimo, o pior só pior dentro de um grupo social.  

"Trânsito é o melhor reflexo de uma sociedade" - Roberto da Matta, antropólogo. Não tenham dúvidas que o uso da bicicleta, e seu ciclista, reflete com precisão o que somos como sociedade.

Eu tenho medo de pedalar nas ciclovias. Tenho medo de ciclista, muito mais que de motorista. Me sinto bem desconfortável ao circular na ciclovia Capivara nos horários que os bonitinhos e bonitinhas estão "treinando".
Por que estes meus medos? Conhecimento de causa.

Como ciclista posso definir o Brasil como a ciclovia da Avenida Faria Lima. Quem pedala e já pedalou nesta ciclovia em horário de pico sabe sobre o que estou falando. Salve-se quem puder. Hoje menos, mas ainda "sai da frente, pedestre". "Motorista FDP!" E, "... o outro é culpado!", esta uma especie de hino nacional. Definitivamente este não foi o Brasil dos meus sonhos. Quase esquecendo, tudo é responsabilidade dos políticos e autoridades, nunca do ciclista (ou do cidadão).
Será?

A humanidade sempre se curvou a alguma autoridade, sempre caminhou dentro de uma hierarquia, quem manda, quem é mandado. É assim por natureza, é assim na natureza. Deveria ser assim neste país. A questão é que autoridades, quais predicados devem ter para serem considerados autoridades.

Mesmo com uns prováveis 40 milhões de ciclistas o Brasil não consegue ter um ciclista de destaque nas grandes provas de ciclismo mundial. Por que será? 
Mesmo sendo um dos territórios mais propensos a gerar riquezas no planeta, o que deveria ser terra do mais alto PIB e IDH do mesmo planeta, continuamos na mesma lenga-lenga sem resolver o básico do básico que nos maltrata e atraza.

Eu não aguento mais o silêncio dos 90%. Desculpem, mas não consigo aceitar os 3%. Sobre os do traço, filhotes dos 3%, o que dizer?
E você? 
Então, o que fazer? Vamos continuar nesta?
No passeio que sou guia estou me esforçando para por ordem no galinheiro. Chega!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

A república do rabo preso. E os que abanam o rabo.


O aplicativo do Estadão sofreu uma atualização profunda no dia que tentei publicar meu comentário.

O texto de Luiz Felipe D'Ávila é um dos mais incisivos e precisos sobre o que estamos vivendo. Não dá para seguir desta forma, será muito mais que um tiro no pé. Segue o link do mesmo texto publicado no Brasilagro.

Tanto quanto A república do rabo preso, somos A república presa numa comunicação errada, ineficiente, a bem da verdade, imbecil. Os fatos, estarrecedores, estão aí faz muito e não fizemos absolutamente nada, a não ser continuar numa conversa de compadres num botequim ou a não parar de apontar o dedo no nariz do diferente enquanto vomita seu fanático posicionamento envenenado contra os que não rezam a mesma cartilha messiânica/populista. No meio do embate estupido destes ineptos, para dizer o mínimo, como que delirando o quanto o silêncio e a falta de ação é o único a se fazer, está a maioria, tão inocentes úteis e devastadores quanto os fanáticos mais cegos. Quem vomita verdades está doente, contaminado por mentiras, mais mentiras, mais mentiras. Goebbels venceu, e venceu sem saber que os ditos de direita e esquerda, tão iguais, tão gêmeos siameses em seus propósitos, embarcaram e remam o mesmo populismo devastador para o país, acreditando que não para eles próprios. 

Quem cala e se abstém deve ser encaixado no "a ignorância é uma benção" ou numa covardia suicida?

O Brasil está muito doente, doença que se agrava a cada dia, praga coletiva. E nós, brasileiros, estamos ao lado do moribundo num silêncio macabro.

A república do rabo preso, não é uma denuncia, mas descreve fatos que só podem ser descritos como psicopatia generalizada, coletiva. 

Um mínimo de leitura sobre pacientes psiquiátricos aponta o básico do básico para obter resultados no tratamento: ter uma comunicação correta entre os familiares e amigos. Ou, informar se e conscientizar se sobre o que realmente se trata e quais caminhos seguir. E principalmente comunicar se com o próximo de maneira apropriada, respeitosa. Respeitosa! Do contrário se vira refém da situação descontrolada, que é exatamente o que está acontecendo neste país.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Eu não consigo? Não consegue?

O que eu teria feito de tivesse parado com minhas frescuras tipo "não dá" há muito tempo?
Não quero pensar. Aliás, é bom não pensar mesmo, mas estou num momento no qual tudo que faço é revisar meu passado. Devia ter feito muito antes.

Esta baboseira que depois da aposentadoria vou fazer é de uma desinteligência sem tamanho. Se não faltar dinheiro, se sobrar tempo, se o corpo ainda estiver azeitado, se você não estiver preso por esganar aquele filho, neto ou qualquer outro fdp da família... Se, se, se, se... é muita condicional para ter alguma possibilidade de dar certo. 
Já que estamos nos condicionais, porque não usar o 'se' positivamente? E se eu pensar diferente? E se eu agir diferente? E se eu mandar a pqp todos estes fdp? Mas vai com calma, mande, mas sabendo o que você vai fazer com sua liberdade.

O mais importante. E se eu colocar a cara no espelho e tomar vergonha na cara? "Meu nego, você merece, você pode, você vai fazer". Nossa! Como você é fuderoso! Quero ver se vai continuar com toda esta inteligência depois que apagar a luz do banheiro. Miau! Miou. 

Como se escreve "foda-se" em letrinhas, da mesma forma que fdp ou... ou... ou... Que merda! Fiquei velho, já não me lembro mais qual é o outro palavrão que num texto educado, como este, devo me referir em código alfabético. Ah! claro, pqp! Então, puta que o pariu, não deixe para depois.
 
Tá vendo, a vida passou, não me permiti usar o bom condicional 'se', agora...
Velho repete as coisas. Cá vou eu de novo, vamos lá. 
- Não existe liberdade sem disciplina.
Fácil dizer... 


Estou em Santos. Ontem desci pedalando a estrada de manutenção da Rodovia dos Imigrantes junto com um grupo de ciclistas guiado, 50 ao todo.

"Não consigo fazer a curva". "Não consigo descer rápido". Não consegue por que? perguntei às duas que desceram também. Uma delas respondeu com tranquilidade e plena consciência: "Não sei", e está certa, não sabem mesmo. É uma maldição escondida na cabeça dela e todos nós. Não fazemos ideia de como resolver. A única coisa liquida e certa é o maldito condicional "... e se...?", e não é frescura, não consegue mesmo.

Bom, e daí, e se?
Pensa que para este aqui não teve o drama "e se eu não conseguir?" acompanhar o grupo, se cair, se... Lidar com os mosquitos de casa passando pela orelha é muito mais fácil de lidar que com o som do "se" zunindo sem cessar dentro da cabeça. 

Tive a benção de ajudar pessoas que não simplesmente não conseguiam. Todas conseguiram. Como eu fiz? Tirei o foco de cada uma delas usando as técnicas mais absurdas, nonsense puro individualizado. Tudo que não usei foi o "e se...", expressão proibida.

Como sempre, não me lembro quem, mas um dos maiores pintores de nossa história, Picasso talvez, negou que fosse um gênio, respondendo com todas as letras que era um insistente, que conseguira atravéz do trabalho, ou da repetição consciente, o caminho para cruzar as cordilheiras do "eu não consigo". 

Fórmulas prontas dão certo? "Se ele conseguiu, eu também consigo", é estimulante, mas, como tudo nesta vida tem seus limites, não é bem assim. Cada qual com o seu. 
Passo a passo, e 'se' em passos curtos, respirando fundo, mas decisivos. 

Martha Suplicy um dia disparou um "Se o estrupo for inevitável, relaxa e goza". Óbvio que deu uma puta repercussão negativa, caíram de pau nela, mas pensando bem, a analogia é ótima, um ensinamento para se guardar para toda vida como referência. 

Em qualquer situação, por pior que se imagine ser ou seja se, calma é a melhor opção. Relaxa e goza! Caiu, levanta e anda, letra de música, regra de sobrevivência, regra sobre a vivência. Viva a vida.

E se você der um passo (cuidadoso) no sentido do foda-se tudo? O que pode acontecer do outro lado da cortina? De gênio e louco todo mundo tem um pouco. Mas tenha inteligência para aproveitar o maravilhoso passeio de bicicleta na Serra do Mar sem tatuar a canela como eu fiz.

A bem da verdade, o que eu não estou conseguindo é aceitar esta normalidade. Ô coisa chata!
- Disciplina, meu caro, disciplina!

Como eu posso ajudar as duas? Está é a pergunta que me queima agora? O ... e se... que roda na minha cabeça é na busca de alternativas. Bom ... e se...
Se elas chegarem em casa felizes porque conseguiram é tudo que interessa. Se você pensar bem, interessa também a você e a todos. O bem comum sempre foi construído por quem fez sem ficar enredado em malditas inúteis incertezas incompreensíveis resumidas no ...e se...


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Selo de qualidade IMETRO?

Nas décadas de 70 e 80 o Brasil foi o terceiro maior fabricante de bicicletas do planeta. A qualidade das bicicletas estava longe de uma qualidade desejável, os defeitos se sucediam, alguns afetando a segurança do ciclista. Foi uma luta para tentar melhorar a qualidade via propostas e projetos de lei, manifestos entregues para políticos, conversas, reuniões, artigos publicados, uns tantos inimigos e muitos não levando a sério. E um dia aprovaram a obrigatoriedade de selo de qualidade IMETRO. A alegria acabou rapidinho quando ficou claro os procedimentos para aprovação e seu controle posterior. Lei brasileira, detalhes mais detalhes, mais detalhes, uma meada de procedimentos e regras sem fim, pelo menos no que se refere ao prático e funcional. 
Lá fora, no mercado de primeiro mundo, a bicicleta, um veículo, não pode apresentar qualquer defeito, ponto final. A qualidade é estabelecida em cima do conjunto, do todo, não nos pequenos detalhes. Aqui, uma bicicleta tem que ser aprovada peça por peça, detalhe por detalhe, tintim por tintim. Mudou o tamanho, modelo, forma ou mesmo detalhe de uma peça que tenha a mesma função mecânica, tem que passar por novo teste para receber o selo IMETRO. 
Para entender a brincadeira. Houve, por exemplo, uma confusão tremenda com a Ferrari, sim os responsáveis carros esportivos, mas pelas leis brasileiras precisariam ser desmontados para testes de cada detalhe, mais um crash teste. Virou piada. Não temos sequer laboratório com capacidade para isto. 
No universo das bicicletas se quis obrigar que pneus Vitória, de altíssimo rendimento, recebessem selo do IMETRO impresso para serem vendidos no Brasil. Enquanto isto alguns pneus e câmaras 'Made in Brazil' que não atendiam a um padrão minimo de qualidade recebiam o selo.
Antes destes exemplos, um modelo de bicicleta de um dos grandes foi recusado no mercado boliviano. Acabei sabendo desta história porque a propaganda da bicicleta foi feita com minha imagem... sem que eu soubesse e muito menos tivesse autorizado. Óbvio que pedalei a dita bicicleta e ela era... vamos deixar pelo "ruinzinha".
Bom, era assim, e não faço ideia de como está agora, mas...

Acabei de ver um vídeo mostrando como é a fabricação de peças com rolamentos para bicicleta da Cris King, uma joia feita em CNC com qualidade muito próxima à Fórmula 1. Parte do maquinário foi fabricado nas décadas de 50 e 60 e ainda produzem peças com precisão de milésimo de milimetro. Tornos e fresas da década de 60? Sim, Cris King fala com orgulho delas.
Já volto a está história. 

Minha briga pela qualidade das bicicletas começou numa época que nossas fábricas ainda trabalhavam no décimo de milímetro, quando tanto. Não só no setor de bicicletas vi muitas destas máquinas funcionando, algumas maravilhosamente bem, outras precariamente, sem qualquer manutenção. Uma das razões para o setor industrial de bicicleta no Brasil ter quase desaparecido do cenário mundial foi, dentre outras, o "temos que produzir, temos que vender, não importa o que". Em outras palavras, ganhar dinheiro até sucatear tudo. Não foi só aqui que fizeram esta burrice. A Raleight, o maior fabricante de bicicletas da Inglaterra e do mundo, sumiu do mapa pela mesma estupidez. Mas as Raleight tiveram algum respeito pela qualidade.

O Brasil de hoje, e o que falam os que conhecem.

Quem administra bem empresas ou dinheiro usa uma regra de ouro que a história ensinou: não colocar todos ovos numa mesma cesta. Nossa economia vai bem (?!?), mas uns poucos alertam que precisamos de um setor industrial mais forte para dividir nossos ganhos e termos mais estabilidade. Fala-se muito, e com toda a razão, na questão das leis e do sistema tributário, um caos. Ia esquecendo: a condição de nosso maquinário. O que nos ensina um Cris King? 
Fala-se pouco sobre educar a população sobre o valor e a importância estratégica da qualidade (de verdade), a melhor possível, em tudo. No final das contas quem de fato define qual qualidade um país terá é o povo. Para terminar, nossos órgãos regulatórios funcionam como deveriam? Como cidadão, digo que não me parece.

Pergunto: quanto se pode confiar num selo IMETRO? Vale alguma coisa fora do Brasil? Serve como referência para exportações? Ou o problema interno da qualidade de nossos produtos com selo IMETRO se dá pela falta de fiscalização? Ou seja, "vai, mané, que o selo garante" (que vai demorar um pouco mais para dar defeito). Qual o índice de burla ou falsificação?

IMETRO? Tive que trocar o garfo rígido de minha bicicleta 26 pela terceira vez. Imperícia minha? Não. Falta de confiança no material, não há outra opção no mercado. Ou é este ou é este, ponto. Óbvio que se fosse rico traria de fora, mas não é meu caso. Todos vieram com selo IMETRO e todos vieram desalinhados de fábrica. O que consegui trazer para o alinhamento veio com o suporte de freio a disco desalinhado e... mesmo sem ter feito um teste mecânico padrão IMETRO, afirmo que sua flexão lateral, ou torção, está fora do que deveria ser padrão de segurança. Como sei? Macaco velho que sou, 50 anos de história no meio e tendo tido umas 50 bicicletas ou mais, nacionais e importadas, baratas e caras, acho que sei quanto um garfo pode torcer.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Foi ele, foi ele, o meu não fez nada!

O inacreditável desta e de histórias passadas é boa parte dos comentários feitos aqui - nos comentários das matérias publicadas pelo Estadão, mas não só.

Aparece a criançada toda manchada de chocolate. Você pergunta se mexeram nos brigadeiros antes da festa. Ninguém mexeu. Então, onde foram parar os brigadeiros? Silêncio. Vem as mães dos meninos e gritam defendendo seus filhos lambuzados. Meu filho não faz isto! O único que aparece sem manchas, aquele que diz que nunca fez nada e que a culpa é sempre dos outros, deixou o fogo ligado, queimou a panela, quase toca fogo no apartamento e mata todo mundo, é defendido pelos pais, irmãos e primos porque, diz, não entrou no brigadeiro, mesmo com a toalha da pia da cozinha estando jogada no chão ensopada e pisoteada, e tendo as mãos úmidas e os pés lavadinhos.

A gritaria está armada. Os pais quase saem no tapa. O que menos interessa neste momento é ter uma festa que comemore o futuro feliz do aniversariante, de todas as crianças, de todas as famílias, a união de todos. A única coisa que interessa é cada um defender com unhas e dentes seus filhos da acusação dita injusta. Ninguém tocou nos brigadeiros, afinal o que provam as manchas, o que prova todo brigadeiro ter desaparecido, as paredes sujas de chocolate? Enquanto a guerra está armada, a tropa do que destruiu a cozinha foge discretamente para não arcar com os prejuízos deixados. No elevador os pais se vangloriam que o filho foi o único que não tinha manchas, um exemplo para os outros.

Como está num dos comentários, se fizer uma série do Netflix com o enredo deste Brasil, será um fracasso porque não será crível, vão dizer "os carinhas exageraram".

Um dos maiores problemas em nossas escolas é a quantidade de pais de alunos que entram furiosos gritando "eu pago, vocês não tem o direito de fazer isto com meu filho".

Em outras palavras, não interessa o Brasil, a nação, seu povo, nosso futuro. Interessa defender com unhas e dentes suas posições, mesmo com um forte cheiro de queimado se espalhando por todos lados.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Ciclovia Faria Lima. Só ela virou uma bagunça?


No meio de 4 amigos, ex ciclistas profissionais com respeitáveis currículos, inclusive internacionais, ouvi deles sobre o medo, ou pavor, de pedalar nas ciclovias de São Paulo. "Prefiro peladar no meio dos carros, que é muito mais seguro. Este pessoal que pedala na ciclovia não faz ideia do que faz, além de serem grosseiros" soltou um deles seguido da concordância dos outros, e risos de todos. Não dou nomes aqui, mas digo que são reconhecidos e bem respeitados fora do Brasil, venceram provas e campeonatos do calendário internacional. Aqui são desconhecidos, por isto não servem de exemplo, não podem deixar um legado social que gostariam. Aos que os ouvem, ensinam regras importantissimas de tecnica, convivência, condução e respeito ao próximo, básico para qualquer ciclista.

Como está num dos comentários feitos aqui (no artigo do Estadão), falta educação, com certeza. Falta não só educação, a básica, aliás, a básica do básico, mas falta um minimo de civilidade, ou pior, civilidade.

A introdução da bicicleta ganhou importância mundo afora, não só pela questão da mobilidade, mas muito mais pelas transformações individuais, sociais e na qualidade de vida urbana que sua presença e uso trouxe e traz. Diminuição da violência, melhora da qualidade de vida do usuário, com acréscimo de 7 anos de vida, redução dos custos com saúde pública, melhora da micro economia local, melhora dos indices escolares dos filhos, melhora da produção no trabalho, melhora da percepção ambiental com consequente melhora do ambiente em geral, melhora do verde e qualidade da água, etc..., é o que mostram pesquisas internacionais sobre o ocorrido mundo afora.

Mesmo num centro urbano tão saturado e confuso como NYC, a introdução bem realizada da bicicleta (no cidade sustentável de Janette Sadik Khan) trouxe e segue trazendo benefícios muito além da mobilidade. Ganharam todos, ganhou toda população, ganhou a economia, ganhou a cidade, ganhou os Estados Unidos. Bicicleta bem introduzida é um ganha ganha, o que já não resta dúvidas desde 1972 quando Amsterdam e outras cidades decidiram implantá-la como parte de um extenso programa de recuperação social e urbana.

O problema que temos aqui é que Brasileiro não faz ideia do que é ou deveria ser uma cidade. Nossa noção de civilidade para no selfie, fenômeno social que nos tornamos campeões mundiais. Salve-se quem puder. Eu tenho direito. "Eu tenho direito" vem sendo discurso recorrente, se pode dizer doutrinação. Esperar o que dos usuários das ciclovias implantadas, incluindo aí os que treinam na Ciclovia do Rio Pinheiros e que não fazem ideia sequer do que é etiqueta esportiva?

No geral, como é de se esperar, "você sabe com quem está falando?". Este é nosso problema.

Perdemos uma oportunidade de ouro com a forma como a bicicleta foi e continua sendo estimulada.  Não é "a bicicleta, pela bicicleta, para a bicicleta" como foi (im)posto, mas sobre a cidade, sobre os cidadãos e no que a bicicleta pode auxiliar na mudança para uma melhora geral, para tudo, para todos, sem exceção.

Sim, "quantos km a mais melhor" foi ideologia, populismo eleitoral. Aliás não foi exceção, mas atendeu a regra geral de como se programa este país. Jogou-se dinheiro público no lixo com kms e kms de segregações que praticamente ninguém usa. Os próprios envolvidos no processo confessam que foram uns 25%. Hoje tem quem fale em bem mais.

Não só daria, como deveria ter sido feito diferente. Importantes ONGs internacionais estiveram aqui trazendo expertise sobre como introduzir a bicicleta da melhor forma. Esforço inútil. "Nós somos diferentes e fazemos do nosso jeito". O desastre está aí. Transformar uma cidade não se faz com libertinagem imobiliária, de transporte e mobilidade, como a que estamos vivendo. A experiência dos outros é preciosa, mas quem de nós se interessa? "Eu quero o meu. Eu tenho direito". E... Selfie!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Corporativismo perverso geral e irrestrito

A melhor definição sobre o Brasil é 'corporativo'. A melhor definição sobre quem somos está no "Você sabe com quem está falando?", aplicável a todos, de todas camadas sociais, sem exceção.  Por que não mudar o lema da  bandeira brasileira, de Ordem e Progresso para Você sabe com quem está falando?, seria mais honesto.

Corporativismo perverso geral e irrestrito, sempre fomos ou nos tornamos? Corporativismo perverso geral e irrestrito estamos, e não há qualquer sinal de interesse para uma mudança. Leia os jornais. "Eu não sou assim!", dirão indignados a esta minha afirmação. Numa sociedade tão corporativa, se não for corporativo dificilmente se sobrevive, social e ou financeiramente.

Virá o discurso que corporativismo e prepotência é coisa da elite, qualquer que seja, a que manda ou do dinheiro. Besteira pura. Nas favelas ou você cala a boca ou vai se dar muito mal; exatamente como na elite. Corporativismo de sobrevivência.  Pobre não é imbecil, sabe as regras do jogo, ou você imagina que na cabeça deles o celular comprado de um garoto que custa tão baratinho veio de onde? Celular e outras muitas coisas. Aliás, sejamos honestos, a mesma regra de compra se aplica a todas camadas sociais.  

Sabe com quem está falando? É discurso só dos poderosos? Quando o pedreiro, encanador, funcionário qualquer simplesmente some, e você não pode fazer nada, e não faz, é o que? Ele sabe que está protegido por uma forte rede corporativa, copiada com inteligência e qualidade daqueles que cantaram de galo no passado. 

Os três Poderes deste país tem certeza que atos absurdos não terão consequência. Nós calamos. Nós, a mortadela, os que estão entre os religiosos, crentes nos dois milagreiros que estão aí. Calamos por telhado de vidro, ou medo do corporativismo? Ou os dois juntos?

E aí vem a pergunta: que país você quer? Melhor, como nós brasileiros perdemos a noção do que é um país, o que é um macro coletivo, pior, o que ou quem é o outro, a pergunta correta é "Que vida você quer?". Selfie! 

Um corporativismo suicida só existe quando o medo da transformação impera. Melhor, o medo de agir, de se posicionar, de pensar. "Se eu for diferente fico sozinho". Que medão!

Todo ato tem uma consequência. O que acontece quando ninguém entende que todo ato tem consequência? O que acontece quando todos acreditam piamente que tem poder, que são o poder, que são a autoridade?

Muito obrigado Camila Farani pelo ótimo texto e pela coragem. 



terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Sutiãs como exemplo. Nós, os consumidores, e funcionalidade, aparência e manufatura.

Fazer simples, fazer bem, fazer barato. Se é o que todo mundo quer, por que continuar comprando o que é cheio de detalhes inúteis, mal feito e caro?


"Why everything you buy is worse now?" - Por que tudo que você compra agora é pior (do que era antes)?.  É sobre sutiã, mas poderia ser sobre tudo, não só sobre todos produtos industrializados, mas também sobre serviços, e porque não dizer qualidade de pensamento e qualidade de vida. Não, não desvie sua atenção, não aparecem peitos, seios maravilhosos, modelos de beleza, tentação. 
 
Falando em tentação e o que parece mas não é, lá vai história. A saber: comecei a entender o que são ilusões criadas para os consumidores, as mais perversas (?!?), quando estava no Rio de Janeiro, na área de concentração da Marques de Sapucaí, ajudando o pessoal que ia desfilar vestir suas fantasias. Parei meu trabalho quando vi uma tentação, um mulherão linda de morrer que quando aparecia na TV eu me arrepiava todo. Estava sendo preparada para subir no carro alegórico. Fui até lá ver meu sonho de consumo (?) de perto. Imagem, sonho, realidade. A imagem que tinha já contei. O sonho deixo para lá. Agora vamos à realidade: no tete a tete, ou pelo menos na distância que me permitiram chegar, perto o suficiente, a realidade se fez: umas duas meia-calças para formatar as pernas e o culote que na TV não se via; um sutiã bem armado para manter no lugar aqueles seios fartos, lindos, que tentavam na pequena tela da TV (das velhas, de tubo); não sei quanta maquiagem, a carnavalesca, mais a disfarçante, verdadeira camuflagem. Fiquei parado vendo o guincho elevar aos céus meus sonhos, que ali, imediatamente, morte súbita, desvaneciam nos fatos reais. Simples, bem normal. Na TV, o bom caminho para a paixão, a mais enganosa possível. 
Propaganda bem feita é a alma do negócio, e das tentações também, quanto mais pecaminosa, melhor. 

Começando pela peça principal deste sistema que temos hoje, ou seja, o comprador, o consumidor, ou nós, eu incluído. Nós compramos, simples assim, e nesta bagunça que vivemos pode-se dizer 'ponto final'. Consumimos, aos borbotões, desnecessariamente, tudo. "Viva a tentação!" Prova irrefutável? Seu lixo, o reciclável mais o outro, e a frenquência que você tem que descartar os sacos cheios.

Não era assim, não consumíamos tanto, até porque as opções eram muito menores. Infelizmente não consigo encontrar as fotos comparativas que foram publicadas pela revista Life nas décadas de 60, 70 e 80, onde faziam a comparação entre o então 'glorioso' consumo de uma família de classe média americana com outras, americanas e mais pobres ou de outros países. O consumo já era alto, mas não esta barbaridade que temos hoje em dia. 
Como são estas fotos comparativas? Simples: a família sorrindo atrás de tudo que eles consumiam de alimentos por mês! Era coisa paca!

Fiz uma brincadeira sobre desperdício, uma experiência boba: quis saber quantos palitos de fósforo consigueria riscar e acender numa única caixa. Cada caixa tem em média 40 palitos. Numa única caixa consigo riscar e acender algo em torno de 8 caixas de palitos, ou seja, é possível riscar e acender 320 palitos por caixa. A questão é que a cada 40 acendidos jogamos tudo no lixo, mesmo com muito mais espaço para riscar outros fósforos. Detalhe, a gaveta, onde ficam os palitos de fósforo, é feita de papel, portanto reciclável,  mas vai para o lixo junto. Parece brincadeira, uma tolice, afinal o que significa uma caixa de fósforo para o meio ambiente e o nosso bem estar? Uma pouco significa, mas as milhões de caixas de fósforo vendidas e usadas, mais sua produção, isto sim é um problema ambiental.

Voltemos ao sutiã em questão descrito no Youtube. Ela, a narradora, faz uma comparação entre os velhos e novos suitãs, identicos em forma e aparência, mas não em qualidade e durabilidade. Os novos tem uma qualidade e durabilidade bem menor. 
Sutiã no lixo só me incomoda pela questão ambiental. De resto, é um prazer.

Como funciona o processo industrial? Sobre três bases: funcionalidade, aparência e manufatura, e se tudo estiver bem, direto para as vendas, para o consumidor.
A questão é que no processo de produção a manufatura ganhou importância, a aparência mais ou menos se manteve, e funcionalidade / durabilidade diminuiu de importância. Razão? Custos de produção, concorrência e principalmente aceitação dos consumidores.

Minha mãe sempre dizia "Já viu coisa barata ser boa?" Pura verdade. O que dura custa menos.
 
A questão é que todos nós aceitamos o que se chama de obsolência programada. Deixei linkado porque vale a pena ler a respeito. As 'coisa d'hoje in'dia são feita pr'acabá", e acabando, comprar uma nova, e outra, e outra, e outra. A novidade, de uns tempos para cá, é que ninguém mais se pergunta se dá para consertar e continuar usando. Perguntas como estas perderam o sentido, até porque tudo conspira para não se consertar ou reaproveitar. No caso do sutiã, e da alça solta, onde encontrar um armarinho para comprar agulha e linha? Linha branca, um outro exemplo bem caseiro, quebrou, a maioria simplesmente não tem conserto, nem nas autorizadas; ou o conserto custa mais que a maquina inteira. Pior, mesmo alguém habil no gambiarra não consegue consertar porque as peças não são padrão. 
Enfim, tem data para acabar, quebrar, descartar, jogar no lixo, ou a lógica da 'obsolência programada'. 

Tudo deveria ser feito para o nosso bem e não para o bem da indústria, mas mudar o que está aí é muito mais complexo do que se possa imaginar.

Muito do progresso social que tivemos no passado se deve à obsolência programada. Simples: gerar e manter empregos. Japão saiu do buraco copiando produtos, oferencendo preços mais baixos, mas com menor durabilidade. China cresceu assim. Foram processos tanto macro econômicos quanto de reoganização social. A questão é que não dá mais, o planeta Terra não 'guenta mais'. Mas quem se importa? Quem entre a população, o povão.
    
O mercado usa a mesma técnica que da propaganda política: repita mil vezes que o que você disse se transformará em verdade (Goegels). No mercado: ofereça um milhão de opções que alguma venda se fará, mais ainda agora com a Internet. A piora da qualidade se deve em parte pelas compras on line. Quanto por cento não é devolvido e vai para o lixo? Não sei, mas pela vivência do dia a dia entre conhecidos, sei que não é desprezivel.

E chegamos no que eu chamaria de obsolescência social programada, ou moda. Moda, acelerou o processo de obsolescência, e o comprar mais e mais! O que induz a outras compras de produtos que até não tem nada a ver com moda. O mesmo para supermercados e suas gondolas lotadas com variedades sem fim.

Equilíbrio das três bases de produção mudou. Manufatura aumentou. Funcionalidade diminuiu. Uma coisa continua a mesma: quem paga é o consumidor. Se ele aceita o que comprou o problema é dele, simples assim. 


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Facilitar a CNH é tão parecido com cloroquina!  


Quando se tem uma situação de emergência, como a que temos com a segurança no trânsito, enfrentar o problema demanda estabelecer prioridades, ou seja, o que atacar primeiro, qual segunda ação, terceira e assim por diante. Em qualquer emergência populismo só agrava a situação. Aliás, para piorar tudo basta populismo e autoridades que querem ser autoridades, mas se recusam a olhar a realidade, os fatos, quem é o outro, entender o que realmente causa o problema. Motociclistas e pedestres morrem às pencas muito porque as autoridades só olham a lei e normas técnicas como verdades absolutas. Serão para os motociclistas e pedestres? E o que mais? Por que eles não entendem e cumprem? Sim, são verdades funcionais em ambientes ideais, e aí começa o vergonhoso desastre que temos na nossa segurança. Ideal, funcional, aqui? Na baderna que vivemos, onde autoridade é vista como um potencial inimigo, impor regras ou arrotar "verdades" é fazer o outro se distanciar mais ainda do que deveria beneficia-lo. Exatamente como uma conversa com o filho adolescente, e rebelde. Quer que ele faça o contrário, vá lá e dite as regras a seguir.

Por onde começar? Em qualquer situação grave e de emergência, começa se por analisar dados o mais precisos possível, o que não temos no Brasil. Brasileiro não é afeito a dados e informações de qualidade, principalmente porque põe em cheque tanto a autoridade e mais ainda o populismo. Em qualquer sistema de segurança a precisão de dados é o único caminho para se chegar à segurança. Simples, os dados que temos sobre acidentalidade no Brasil são rasos, pouco servem para de fato controlar a barbárie que vivemos. A estrutura de coleta de dados, perícia e legistas, é precária, para dizer o mínimo, os B.O.s têm diferenças de um lugar para o outro, e sei lá como é feita a coleta e análise dos dados existentes. Isto sem contar com interferências corporativas ou políticas.

A meu ver, o primeiro passo seria saber com quem se está falando, o que guardo meu direito de acreditar que as autoridades não sabem bem. Sem isto a comunicação fica difícil ou literalmente impossível, e resolver o problema mais ainda.


Finalmente, o populismo de facilitar a CNH é tão parecido com cloroquina!  


Aliás, tem mais um detalhe que ia esquecendo: não haverá um business lucrativo aí? Sim, business, negócio, dindin, dinheiro rolando. Mas isto é uma outra história que fica para uma outra vez.



quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Não ficar quieto. Não ficar só nas críticas durante a cervejinha

para
Rádio Eldorado FM
entrevista sobre o crescimento do número de casos declarados de saúde mental, stress e outros:

Meu comentário via Whatsapp 
Sobre saúde, no Brasil a população fica doente de segunda a sexta-feira, como provam todos dados oficiais.

Sim, o que vivemos aqui, neste Brasil desvairado, está muito longe do que se pode considerar tranquilo, sadio. Sim, é visível o stress geral, que vem aumentando rapidamente.

Agora, quanto dos números apresentados sobre saúde mental são um novo meio de conseguir atestado médico para ficar longe do trabalho?


para
Rádio Eldorado
sobre o envio de recomendações da OAB para o STF

Meu comentário via Whatsapp
Por décadas a OAB manteve-se em absoluto silêncio sobre a precariedade e as irregularidades no sistema judiciário. Vez ou outra uma manifestação, mas limitada, muito limitada. É impossível escapar da pergunta: por que? E: a quem interessou e segue interessando esta baderna que agora sobe a tona, e que não é nenhuma novidade. Quem ganhou? diga-se de passagem muito, muito mesmo.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

As leis brasileiras, o 'advogues', e a enganação legal

O Estado de São Paulo
Comentários 


O
 que está neste artigo do Estadão diz respeito ao que vem acontecendo no setor imobiliário, mas contratos, melhor, a aplicação da lei vivente da melhor forma - para o interesse unilateral - é regra. É fato amplamente divulgado, normalmente dá muita confusão, e ninguém faz nada para dar um basta definitivo. Obras atrasadas, paradas, perdidas, processos que nunca terminam. A quem interessa? Óbvio que tem gente ganhando muito, muito, mas muito dinheiro mesmo neste andar das coisas, principalmente os defensores do status quo jurídico. Lei? 

Dou um exemplo simples. Nosso trânsito é um horror, afeta a todos paulistanos, sem exceção. Qual é o conjunto de leis que dá sustentação jurídica ao que acontece? CTB? E o que mais? No 'o que mais' está a razão de você ficar horas engarrafado. No 'o que mais' está a reclamação geral da existência de ciclofaixas que ninguém usa, por exemplo. No 'o que mais' está a justificativa legal para o absurdo número de mortes no trânsito. Alguém aí se interessa pelo 'o que mais?'.

Ontem, mais uma vez li um matéria onde o entrevistado afirma que "brasileiros não se interessam por pesquisas, estatísticas e dados". É fato. As leis que temos servem para advogados e juízes, não para servir ao povo. Aliás, não servem só ao povo, diga-se de passagem. 
A quem interessa o que temos hoje? Sim, tem gente que fará de tudo e mais um pouco para não perder o seu quinhão, e não falo de políticos, que são mais uma vez a distração.

José Serra, quando prefeito, tentou limpar as leis do Município de São Paulo, que na época eram umas 17 mil, se não me falha a memória. Estava lá como amarrar um burro em via pública, por exemplo, dentre outras que empacavam o bom funcionamento da coisa pública. 

Contrato que cidadão não consegue entender? A quem interessa? Não estou perguntando a que interessa de imediato, mas a quem interessa por trás dos panos, por trás dos camarins, aliás, a quem interessa que sequer aparece no teatro? Quem são 'os salvadores da pátria'?
Finalmente, que pátria? De quem?

As leis brasileiras são para iniciados, não para leigos. Não saber ou não entender um contrato não é exclusividade da nova geração, mas uma realidade perene neste país. O famoso 'advogues', ou escrever para que só os próprios entendam ou até que nem eles realmente entendam, mas afirmem que entenderam, é uma realidade incontestável. Além do mais, é trivial deixar o que interessa na incerteza contando que a morosidade,ou, melhor, a baderna do judiciário tardará ou nunca chegará a um veredito.

Cair numa cilada jurídica neste Brasil é trivial. Neste caso em específico, o que aconteceu deveria ser investigado a fundo. Os contratos duvidosos são só um pequeno detalhe frente a deformação urbana e suas consequências sociais que vem causando. Acredito que os que deram a largada a esta baderna vão sair sem sequer bater a poeira de suas roupas de grife.

O interessante é que mais uma vez os que entendem de fato do recado calaram. Por que será? Quem não entendeu que se vire.


sábado, 17 de janeiro de 2026

As imagens dos tiros do agente da ICE em Ms. Good

 Quem está seguindo a investigação sobre a abordagem do ICE, seguida de tiros que mataram Ms. Good, tem tido a oportunidade de ver e ouvir várias versões sobre o que aconteceu vindas de todo tipo de gente, de políticos, militantes, especialistas, cidadãos e aproveitadores de todo tipo. No meio desta enxurrada vi defensores da ação do ICE usando vídeos que aposto foram reeditados, talvez até por inteligência artificial. Num deles, a SUV de MS. Good atropela o policial e quase o derruba. Ilusão ótica induzida pela narrativa? Pode ser.

Achei estranho porque desequilibrado o policial, como parece ser em algumas entrevistas que relatam que ela jogou o carro em cima, provavelmente não teria condição de disparar três tiros tão precisos.

Não sou especialista, não estou tirando conclusões. Acho muito estranho o mesmo ponto de filmagem gerar imagens, sequências tão diferentes, ou pelo menos levar o público a chegar a esta conclusão.

Acho deprimente que uma pessoa tão calma, como fica claro no momento que ela diz sorrindo para um policial algo como "não tenho nada contra você", tenha acerado para matar, e acabado morta da forma como foi. Mas não é  meu ponto aqui.

Eu já vi uma meia dúzia ou mais de entrevistas e comentaristas. Ou estou completamente gaga, louco, cego, ou a mesma coisa é diferente conforme o interesse de quem fala. Sim, eu sei que é, sempre foi, mas não me lembro de tamanha diferença entre o que foi divulgado. Filmagens diferentes? A princípio pensei, mas depois gritou em mim que era o mesmo, mas diferente.

O que realmente me assusta é que tenho a nitida sensação que imagens retrabalhadas estejam servindo como base de defesa de pontos de vista, e que estas possam chegar aos tribunais. Pior, muito pior, que emissoras de grande poder de divulgação, com grande público, estejam colocando no ar versões diferentes criadas ou editadas a partir de uma gravação original. Mais, é muito mais que um absurdo (literal) que as editorias não tenham checado a originalidade do material divulgado. Ou, a veracidade do fato divulgado. Sim, eu sei, acontece cada vez com mais frequência 

Esta entrevista na CNN, mostrando e explicando frame a frame, joga luz no que realmente aconteceu. 

Que loucura estamos vivendo? Vai ao gosto do freguês, não importa as consequências? Pelo jeito, vai! Ou, vai mesmo, eu que sou um tônho. Do fundo da alma, espero que eu esteja completamente gaga e que a sensação que tive nesta enxurrada de notícias esteja errada, mas provavelmente será uma questão de tempo para o IA ir mais fundo do que as atuais fake news. 

Sobre edição da verdade, sempre aconteceu. O que assusta é a entrada de um novo player, o mesmo que já não perde mais no poker e jogo de xadrez. O que será do judiciário?