segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Caixa de reteção para ciclistas em avenidas

av. Rebouças com av. Brasil, sentido Centro
para:
São Paulo Reclama
O Estado de São Paulo


“Precisamos ver bem a segurança dos ciclistas” – com esta reza, repetida a exaustão pela maioria dos técnicos da CET SP, foi descartada boa parte das propostas de melhorias para ciclistas apresentadas nestas últimas décadas para o Município de São Paulo. Ouvi pessoalmente a ladainha inúmeras vezes.

É de estarrecer que a mesma CET que precisa ver bem a segurança dos ciclistas esteja pintando o pictograma da bicicleta nas caixas de retenção de avenidas de trânsito pesadíssimo como Francisco Morato e Rebouças. Acredito que a CET saiba que pedalar no meio do trânsito intenso, pesado, rápido, em especial no meio de veículos grandes, típico de avenidas e vias expressas, é a situação de perigo mais intenso para ciclistas. Pois é o que vem acontecendo exatamente neste momento que a Prefeitura da mesma CET vem a público com uma necessária, bem vinda, mas infelizmente muito tardia campanha de segurança para o uso da bicicleta. Fica um pouco confuso, se não perigoso, muito perigoso.

Pegando estes mesmos dois exemplos, vale lembrar que em paralelo à av. Francisco Morato corre a av. Eliseu de Almeida, também perigosa, mas mais adequada ao uso da bicicleta. A Eliseu conta com um projeto cicloviário, provavelmente o mais abrangente do país. Ninguém explica bem por que a ciclovia Eliseu de Almeida não sai do papel; e muito menos o que foi feito do projeto de sistema cicloviário interno de bairro que serve de alimentação para ciclovia Eliseu apresentada oficialmente pelo ITDP (Institute for Transportation & Developmet Policy - ONG).

No caso da av. Rebouças recomendo aos técnicos da CET irem até o local. A maioria dos ciclistas está circulando pelas largas e pouco usadas calçadas e, creio, seria mais inteligente ordenar o uso estabelecido do que induzi-los a circular o meio do trânsito pesado do asfalto. Descer pedalando a Rebouças no corredor de ônibus ou meio do trânsito com os motoboys por perto é quase a definição mais pura de loucura.

Caixa de retenção para motos e bicicletas é velha, conhecida e reconhecida medida de segurança para ciclistas e motociclistas, aplicada em várias cidades do mundo. Aqui chegou agora como novidade. Só se for para leigos e desavisados. Funciona, como toda outra técnica de segurança, quando usada com sensatez. Como velho usuário da bicicleta como modo de transporte me arrepia ver qualquer estímulo à circulação de bicicletas em avenidas muito saturadas, que é o que sinaliza a CET com estas novas caixas de retenção.

av. Brasil com av. Rebouças, sentido Henrique Schawman, sinalização vertical indicando caixa de retenção, ou área de espera, posicionada à esquerda, no canteiro central.
 

Mendigos e desabrigados do Centro de São Paulo

para:
São Paulo Reclama
O Estado de São Paulo

 
O passeio de bicicleta noturno predileto dos paulistanos sempre foi ir para o Centro. Foi. Hoje não dá mais. O ambiente é muito desagradável e inseguro. A bem da verdade, dependendo onde você esteja, ninguém se sente seguro no Centro, independente da hora do dia. Como está tudo de pernas para o ar hoje é politicamente incorreto comentar estas coisas. Caso você diga que não pode continuar assim é acusado de querer higienizar, sumir com os pobres coitados (coitado não pode mais?), de discriminação social, e outros mais. Ok, eu vou vestir esta carapuça. Para começar vou usar matemática básica: segundo li são aproximadamente 14 mil mendigos (mendigo pode?) e desabrigados no Município de São Paulo. Não sei quantos destes vivem no Centro da cidade. A população paulistana é de um pouco mais de 11 milhões. Não sei ao certo qual é a população residente, circulante e trabalhadora no Centro, nem qual o potencial não realizado em razão da presença destes mendigos, mas é fácil crer que o problema criado por estes coitados deve ser de grande ordem, principalmente em termos financeiros, portanto geração de impostos, portanto dinheiro para investimento no social, inclusive para eles.

Higienizar? Sim higienizar! Até para o bem estar e a saúde dos próprios mendigos e desabrigados. Salve Oswaldo Cruz e todo e qualquer sanitarista. Higienizar, sem a mais remota sombra de dúvida. É inteligente, não é hipócrita, é socialmente honesto. Mendigos e desabrigados são encontrados em todas as grandes capitais do mundo. A diferença é que em qualquer parte do planeta eles, mendigos, desabrigados e desajustados, tem consciência que vivem numa sociedade e que por isto devem respeitar regras, ter limites. E respeitam. Aqui situações degradantes são usadas como massa de manobra que facilmente acusam toda a sociedade, mas, como prova a história, não conseguem ou não tem qualquer interesse em dar solução para valer para o gravíssimo drama destes verdadeiramente coitados que empesteiam nossas ruas. Neste contexto o resto da população que se dane. Somos todos malvados! Se fossemos mesmo muito provavelmente o drama deles seria muito menor: teríamos acabado com os aproveitadores. Estes nos custam absurdamente caro.
O volume marrom escuro no meio do caminho é merda humana, bem fedorenta, das insuperáveis, verdadeiras, cheias de mosquinhas... As duas escadas da passarela estão todas cagadas, mijadas, etc... Uma maravilha! O verdadeiro step cross shit
 

sábado, 17 de agosto de 2013

antigas engenhocas, de patins com rodas de bicicleta a própria bicicleta (?!?)

É imensa a quantidade de engenhocas, como estes patins com rodas de bicicleta, que foram criadas e que hoje pouco conhecemos.

E um pouco de história da bicicleta

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

My generation

Passamos pelo grupo de ciclistas paramentados, encapacetados, iluminados, piscantes, falantes, que ficou preso no semáforo da Estados Unidos com Nove de Julho. Fiquei curtindo em silêncio. Abriu o sinal e dei um “boa noite”. Do grupo, mais de cinquenta ciclistas, só um respondeu. Elogiei a resposta solitária. O resto do pessoal simplesmente ignorou seguindo em frente pedalando e conversando, mas era assim como motoristas que dirigem trancados em suas verdades, vidinha e pressa, e levam um passageiro ao lado que até pode ser o viva voz do celular.

Confesso que tenho sentido saudades da época que éramos uma meia dúzia de gente pedalando nesta São Paulo de classe média e alta, o muito extenso e conhecido Centro Expandido. Antes do mountain bike era muito raro cruzar com uma bicicleta. A maioria de nós, que não nos dizíamos ciclistas (“Ciclista é esportista”), quando se cruzava soltava algumas palavras cordiais, brincalhonas ou simpáticas, acabou se conhecendo e tendo algum grau de amizade. Quando ao acaso nos encontrava era o mínimo emparelhar os caminhos por um trecho, que facilmente se perdia, e colocar as fofocas em dia. Sempre dava tempo; sempre havia tempo; sempre havia vida, prazer. Éramos espécie rara, um tanto diferentes dos outros, mais livres, livres, completamente livres. Eles não entendiam, mas quem se importava.

A bicicleta oferecia uma liberdade impressionante de caminhos, paisagens e de espírito. O dia que vi fotos e soube que muitos chegaram pedalando ao Festival de Woodstock, o original, em 1969, percebi que estávamos vivendo com a bicicleta o nosso próprio paz e amor paulistano. Era maravilhoso.

Aquela era a era da inocência. Revolução bicicleteira? Até passava pela cabeça alguma coisa, mas em uma forma leve, utópica, divertida, sem os dramalhões de hoje. Não precisava. Era difícil ter problema com o trânsito ou de roubo; ou outro qualquer. O maior problema eram as bicicletas de baixa qualidade, mas achávamos normal carregar muitas ferramentas, cola, remendo, tesoura... Pneu furado? “Faz tempo que não fura”. “Quanto tempo?”. “Ah, uns dias...” A vida era agradável, mais ainda para nós, os usuários da bicicleta.

O grande momento da bicicleta era o Passeio Ciclístico da Primavera, criado por Caio Pompeu, que uma vez por ano enchia as ruas de ciclistas no entorno do Ibirapuera. Também havia a Prova Nove de Julho, no mesmo local, mas era para outro público. Só nas proximidades ou dentro de bicicletarias especializadas via-se um ciclista. “Nossa! Olha lá! Um ciclista!” Já havia conflitos, mas com os entregadores em bicicleta ou nos imensos triciclos, principalmente no Centro, onde estes achavam-se donos do pedaço e eram odiados por todos pedestres, sem exceção.

Nos primeiros dois anos do mountain bike o ambiente seguiu mais ou menos o mesmo, mas mais amigável, mais divertido ainda, cheio de festas, a maioria se conhecendo bem. Época de ouro! Em 1988 Renata Falzoni organizou o primeiro Night Biker, o primeiro passeio noturno organizado da história do Brasil. Saímos da Praça Charles Miller, Pacaembu, e fomos para o Centro. Não acredito que alguém, mesmo a Renata, fizesse a mais remota ideia do que aquela noite maravilhosa iria gerar. Aquilo deu nisto.

Um pouco depois veio o status e com ele o início do fim da era da inocência. Fomos incrivelmente felizes e não sabíamos.

Infelizmente não conheço mais ninguém. Sou mais um. Estou um pouco cansado de cumprimenta-los e passar por bobo. Conversar? Quem quer? Quem tem tempo? Quem se interessa? O celular quase diz tudo. Pode até ser normal (ou parecer normal), mas para mim é estranho e um tanto dolorido. Não consigo olhar para trás e ver o que imaginávamos para estes tempos, mas tenho certeza que esperávamos algo mais amigável, familiar, parecido com o que estávamos vivendo então. A sensação que dá é que hoje a maioria é motorista pedalando.

(Creio que tenha sido numa matéria na Bicycling sobre os que foram ao Woodstock pedalando, alguns fazendo longas viagens, cicloturismo paz e amor. Fiz uma pesquisa para ver se encontrava fotos, mas não consegui. Só quem viveu aquela época consegue dimensionar a real dimensão da esperança que se abriu com o que aconteceu no festival. Não qualquer termo de comparação.)
 

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Seu Oliveira, padeiro e ciclista

Oliveira vinha entregar os pães em casa muito cedo numa bicicleta que tinha uma imensa cesta de vime na frente. Eu era muito pequeno, não me lembro se era ou não uma bicicleta cargueira preta com roda pequena na frente, mas lembro muito bem do pão doce recheado com creme que algumas vezes chegava ainda quentinho e muito de vez em quando minha mãe autorizava que eu pegasse.

Oliveira continuou servindo minha família por muitos anos. Progrediu, comprou uma VW Variant vermelha nova. Certa vez conversamos sobre a época que ele pedalava para entregar os pães, que agora iam e quantidade muito maior e mais organizada no porta-malas da sempre bem cuidada perua. Foi nesta época que eu havia tirado a carta e a bicicleta ficou completamente fora de minha vida. Normalmente encontrava o seu Oliveira quando chegava da namorada. Desligava o carro, ia até o porta-malas dele, pegava um pãozinho e ou deixava o dinheiro ali mesmo ou pagava depois. Subia, entrava em casa, dava uma rápida cochilada, tomava um banho e saia para a faculdade com minha Variant Azul calcinha, que judiei a não poder mais. No princípio era fácil estacionar, algumas vezes até dentro do terreno da faculdade. Com o tempo fui estacionando mais longe, mais longe, mais longe, não tão longe e difícil como estacionamos hoje, mas o suficiente para começa a me deixar irritado. E ai meu irmão comprou uma bicicleta para ele, uma Caloi SS 1977.

Quando seu Oliveira me viu com a bicicleta pediu para relembrar os velhos tempos. Não pedalava fazia anos. Entreguei a bicicleta vendo o sorriso nostálgico de seu Oliveira. Ela a segurou com o braço estendido, rosto baixo e em silencio. Passou a perna por trás, ficou um bom tempo em pé com o olhar baixo e perdido. Sentou-se no selim, olhou para baixo verificando cada detalhe da bicicleta de tubos finos e cor prata, colocou o pé no pedal, empurrou com o outro pé a bicicleta para frente e retomou seus muitos anos de ciclista padeiro furando a fria neblina nas madrugas paulistanas. “Era muito frio”, disse enquanto se distanciava. Ficou um bom tempo girando no estacionamento, mostrando intimidade com os pedais, passando raspando entre os carros, pelo corredor do elevador, subindo a rampa para rua e voltando, como uma criança. A partir deste dia nos fizemos mais amigos do que já éramos. Ele passou a contar, sempre com forte sotaque, a sua vida de português imigrante, o trabalho dos pães, a bicicleta, sobre a mínima e delicada furgoneta Ford Prefect que sucedeu a bicicleta e que eu não me lembrava mais; casamento, família, o profundo amor pela mulher e filhos... e falta que sentia da bicicleta, de pedalar...

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Bicicletario subterrâneo no Japão

 
"Minha bicicleta vai ficar segura no subsolo", diz o repórter.
Roubo de bicicletas em cidades grandes é um problema sério e comum a praticamente todas elas. Em Amsterdam, talvez o pior dos casos, aproximadamente 1/5 de toda a frota de bicicletas é roubada por ano, umas 150 mil/ano. Ademais, as bicicletas ficam entulhadas nos espaços públicos causando transtorno para todos, principalmente pedestres e pessoas com deficiência, e incluindo os próprios ciclistas. Encontrar sua bicicleta num mar de bicicletas estacionadas é um inferno.




 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Veja - ASSASSINOS AO VOLANTE























Fica aqui a recomendação da leitura da revista Veja desta semana, que traz a matéria de capa: Assassinos ao Volante / As mortes no trânsito no Brasil já superam os crimes de homicídio.
Vamos fazer uma continha:
+ 60 mil mortos em acidentes de trânsito
+ 55 mil mortos por homicídio
= 115 mil mortes violentas / ano
Os números apresentados na matéria, todos oficiais, são por si só uma insanidade completa, mas é necessário lembrar que a realidade deve ser ainda pior, já que não se faz ideia do número de mortes violentas não oficializadas em B.O.s. Sempre repito, especialistas dizem que deve bater na casa dos 35% a mais.
Nesta brincadeira temos mais de 350 mil inválidos permanentes, só do trânsito. Mais algumas centenas de milhares de inválidos por violência. Deve-se adicionar também os órfãos, famílias desfeitas...
Aproveitando a ocasião, hoje foi divulgado que o Brasil produz 43 mil crianças abandonadas / ano, a maioria resultado da pandemia das drogas. Parabéns a todos.
Parabéns em especial aos responsáveis pelo Brasil do antes. Isto é que é justiça social!