segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Manifesto aos candidatos para manter o SeMob

Venho por meio desta reforçar meu pedido aos dois candidatos deste segundo turno à Presidência da República, José Serra e Dilma Rouseff, para que o SeMob - Secretaria Nacional de Transportes e Mobilidade Urbana, ligado ao Ministério das Cidades, não só seja mantido como ampliado. No primeiro turno entrei em contato com nomes das principais campanhas e apresentei uma pauta de reivindicações referentes a questão da bicicleta, dentre elas a importância da continuidade do corpo que hoje trabalha no SeMob. Como em campanhas passadas tive a palavra de reconhecimento da situação por parte de PSDB e PV, mas infelizmente não obtive retorno do pessoal do PT, talvez por falha minha. A palavra dos que normalmente falo sempre valeu no passado porque vi resultados.
Para entender a importância do SeMob, é a Secretaria que cuida, dentre outros assuntos, da questão da bicicleta e dos deficientes de mobilidade, o que inclui deficientes físicos. Trata-se pelo menos de algo em torno de 14% da população brasileira só contando os deficientes; mais a massa usuária de bicicletas, a qual o IBGE estranhamente mais uma vez não contou, mas calcula-se que esteja em torno de 45 milhões de usuários/dia. Para cuidar desta imensa população está trabalhando numa sala de um edifício do setor de autarquias de Brasília um mínimo grupo de abnegados que devem ter seus trabalhos reconhecidos, aproveitados e continuados. De minha parte considero inaceitável a possibilidade perda do trabalho de qualquer destes funcionários, como Claudia Oliveira da Silva, responsável pela bicicleta, porque o conhecimento até aqui adquirido é novo, específico e política de estado.

Minha preocupação tem razão de ser já que Dilma tem sido sistematicamente questionada por Serra sobre a questão dos deficientes e nunca citou uma única palavra sobre o SeMob.

Este texto foi enviado para o Forum do Leitor do Estadão e para leitor@ da Folha de São Paulo.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

eu, ator da vida

Aqui vale uma valiosa explicação. Todos nós representamos constantemente vários papéis em nossas vidas. Para sobreviver temos que viver em grupo, em sociedade, portanto temos interações com outros seres, com outras vidas. Somos biologicamente masculinos ou femininos, mas em relação ao social, fomos bebês, crianças, adolescentes, adultos, e quando adultos, continuamos a ser filhos, mesmo sendo pais. Somos também amigos, companheiros, solteiros, casados, pais, tios, avós, idosos, conhecidos, amantes, trabalhadores, etc... Cada uma dessas funções tem vida própria, o que estabelece uma condição de relacionamento específico.

Uma criança necessariamente tem pais e sua relação com eles é de filho para pai e mãe, mesmo que esta não seja biológica, mas social. A relação ideal dos pais, portanto seres adultos, com esta criança deve ser de pai ou mãe para filho. Um pai pode eventualmente ser companheiro, pode e deve ser amigável, mas não deve assumir o papel de amigo ou concorrente do filho ou haverá uma distorção de papeis o que irá criar problemas de relacionamento. Assim como o papel de companheiro é diferente do de amigo, que é diferente de ser amigável. As razões que estabelecem estas configurações vão desde a maturidade biológica (leia-se idade), responsabilidades inerentes até a diferença de vivência que define forma de pensar e capacidade de ação. Pai é pai, filho é filho, amigo é amigo.

Uma mulher adulta e casada é sempre mulher, principalmente quando dá tempo e cuida de si mesma e de sua biologia específica; mas também pode ser companheira ou esposa; se tiver filhos será mãe, com as amigas é amiga, com os irmãos é irmã, com os pais segue sendo filha, com os avós sempre será neta, e no trabalho será sempre parte de uma equipe de trabalho, uma operária, gerente, diretora, etc... O mesmo vale para homens, adolescentes, crianças, e até mesmo para animais caseiros que normalmente são tratados erroneamente como humanos. Qualquer inversão ou mudança de atitudes nas relações provavelmente trará problemas para si ou para os outros, ou pior, para todos. O coitado do cachorro vestido de Fred Astaire passeando na rua que o diga.

Praticamente todos nós misturamos os papéis. Vivemos numa sociedade imatura, confusa, mistificada. Quem já não considerou o melhor amigo um irmão? Quem não teve uma companheira de trabalho que foi uma verdadeira mãe? Quem não esqueceu sua função e posição social, confundiu sentimentos, fatos e momentos? É absolutamente normal fazer confusões, mas inapropriado porque o resultado final, muitas vezes ou quase sempre, costuma não ser o melhor. Fazer o que? Somos todos humanos, o que quer que isto signifique finalmente.

Conseguir entender cada um dos papeis e as funções decorrentes deles, facilita demais a vida. Na verdade exercer o papel correto para o momento nos oferece uma base segura para evitar conflitos, portanto desgastes. Para o ciclista é importante, quase vital, pelo menos entender que a bicicleta é uma bicicleta, o que muita gente tem uma dificuldade imensa de sacar. Bicicleta é uma máquina, maravilhosa, mas é uma máquina, um veículo, divertido e que traz bem estar; mas um veículo, e que qualquer extrapolação pode fazer mal ao usuário. E como há ciclista que extrapola! Somos humanos!

Muitos pedalam como estivesse conduzindo um carro, com a cabeça de um motorista, o que talvez seja de fato o maior perigo. Basta olhar um e outro para ver que há diferenças. Daí sempre repetirmos na Escola de Bicicleta: ciclista é ciclista, motorista é motorista. A rua da bicicleta é uma, a do carro é outra, as duas podem ser a mesma, mas as dinâmicas envolvidas são completamente diferentes. Até ai vamos praticamente todos. O que é difícil é chegar a maturidade de conseguir interagir com o trânsito geral como ciclista, sem conflitos, sem faniquitos, sem ficar exposto desnecessariamente ao perigo, sem confundir tensão com perigo, sem julgar, sem reagir. Pedalar no meio do trânsito com naturalidade e segurança. A culpa, como mostra todas as pesquisas, normalmente é do próprio condutor, incluindo ai ciclista.

Quem sabe jogar o jogo, posicionar-se e agir corretamente, não culpa os outros. A vida não é um jogo só de poderes. Não me lembro quem disse isto, mas é brilhante: a vida gosta de quem gosta da vida. Viva. Viva!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Helio Bicudo fala sobre Lula

Veja o que Hélio Bicudo, uma das referências nacionais de luta pela justiça, um dos fundadores do PT e Vice-Prefeito de Marta Suplicy, fala sobre Lula e seu governo:
http://www.youtube.com/watch?v=WoaUYi4Rf6E .

Considero que aqueles que querem fazer a questão da bicicleta caminhar e com isto ajudar a reconstrução de nossas cidades e mobilidades são de alguma boa forma socialistas, não no sentido pobre e subvertido que se faz hoje do termo, mas no seu sentido literal. Equidade, esta é uma palavra para definir nossa busca. Bicicleta leva a este caminho naturalmente, nós que pedalamos sabemos.
No meio da bicicleta há muitos que, por falta de mautridade, acreditam nesta "coisa" que está ai. Sempre repito que vi praticamente ao vivo, entre 1969 e 90, o que é o "peronismo" e sei dos estragos que causaram e seguem causando à Argentina. Basta ler para crer. Desde o primeiro momento do governo Lula achei que o Brasil havia entrado num peronismo brasileiro, o que agora reconhecem como "lulismo", (leia-se fascimo) o que há quem ainda não se dê conta. Há uma diferença brutal entre o populismo sindicalista de um paizão só, facismo que já se repetiu muitas vezes na história, e socialismo até dos vagabundos. Socialismo busca o bem comum, a equidade. Já Lula e sua tropa...  Hélio Bicudo que o diga. Obrigado Hélio

sábado, 9 de outubro de 2010

Marcelo Madureira fala sobre Lula

Dê uma olhada na fala de Marcelo Moreira, do Casseta e Planeta, no Manhattan Connection, que foi censurada:
http://www.youtube.com/watch?v=XajuL1zT7TM&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=uHxENREHRl0&feature=related
Aliás, censura que é cada dia mais comum. Quem terá sido o responsável? Advinha!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Eleições sem debate real

O Estado de São Paulo
Fórum dos Leitores

Espero que não se repita esta falta de debate real nas próximas eleições. Não podemos nos dar ao luxo de ver os candidatos tratando de forma “marketeira” assuntos que são de importância vital para nosso futuro. Desculpe, mas quem não tem condições de acompanhar que aprenda, que se aprofunde, que estude, para conseguir acompanhar um debate de fato, onde números, dados, e outros instrumentos da vida real da administração pública possam de fato ser comparados. O que se viu foi de uma superficialidade ridícula para o porte da economia e do futuro que construímos até aqui. Não se enganem porque qualquer que seja o resultado destas eleições o que se tira é nada, o desconhecimento quase pleno sobre todos candidatos. Infelizmente falo só sobre os majoritários porque inexistiu debate entre federais e estaduais. Ai vira torcida de futebol: ou gosta deste ou daquele time, sem a menor racionalidade e objetividade. Desculpem, mas este processo é de uma falta de maturidade sem tamanho e muito provavelmente não irá continuar dando certo. É absolutamente crucial discutir que país é este e o que queremos. Meus caros, o sonho acabou há muito. E sonho não é uma TV de plasma grande. Ou o pessoal só vai se dar conta quando faltar luz?

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Entre a proposta, o projeto e a realidade pública e civil

Antes de começar: como funciona a realização de uma melhoria que necessite obras neste país? Aqui, este caso, o viário. Por lei é obrigatório iniciar todo trabalho por um Termo de Referência, que orienta sobre o que se trata, o que se pretende, cronograma de trabalho, qual deve ser o resultado final desta ação. Depois de redigido, revisado e aprovado por especialistas da coisa pública, o que demanda tempo, o Termo de Referência é aberto à concorrência pública. Quem ganha a concorrência terá que fazer, por ordem: (proposta) Funcional, que é um primeiro croqui de todo o futuro projeto, serve como norte de discussão sobre o proposto e sobre modificações necessárias, caso haja alguma. Ao Funcional segue-se o (projeto) Básico que refina mais ainda o que virá a ser o (projeto) Executivo, que será o projeto final entregue para quem irá executar a obra em si. Cada uma destas etapas tem tempo de feitura estabelecida por um cronograma implícito no Termo de Referência. Terminada esta segunda etapa – Funcional, Básico, Executivo – é lançada outra concorrência pública, ou licitação (lei 8.666), para a execução da obra em si. Há um tempo previsto em lei para a concorrência. Há ainda a possibilidade de alguém ir para justiça no meio ou final do processo, o que normalmente atrasa tudo. Já me disseram que o tempo mínimo para vencer todo processo, da feitura do Termo de Referência até a entrega da obra ao público vai aproximadamente 2 anos; mas outro dia ouvi uma entrevista da Dilma sobre suas propostas de campanha e o PAC onde ela afirmou que o processo demora 5 anos ou um pouco mais. Justificativa para os atrasos do PAC ou realidade? Infelizmente deve estar mais para a realidade. Estamos fodidos e mal pagos.
Mas há mais problemas do que simplesmente a lerdeza deste processo todo, que são as decisões e até vontades individuais dos que detém o poder das assinaturas técnicas necessárias, como a mais conhecida liberação ambiental, dentre outras. Projeto de implantação de melhorias para pedestres, ciclistas e deficientes de mobilidade leva irremediavelmente a uma mudança no trânsito existente, aquela beleza que vemos no nosso dia a dia. Dependendo da escala de mudança proposta os efeitos serão sensíveis no local e nos arredores um pouco mais distantes que os simples mortais conseguem imaginar. É o efeito de uma pedra atirada em água parada de lago. É uma questão física: dois corpos, veículos rápidos e ciclistas lentos, veículos rápidos e pedestres e deficientes mais lentos ainda (para quem?), não ocupam o mesmo lugar no espaço e tempo. Mexer no estabelecido faz com que a decisão seja técnica e política ao mesmo tempo. A meu ver, mais política do que técnica. Com um rápido e desordenado inchaço no uso de veículos motorizados nas cidades, que é uma decisão política, a decisão de mudança para o bem de todos e o surgimento de uma cidade viva é quase que puramente política. Não se pode esquecer que o técnico, aquela figura escondida atrás de uma mesa que decide com pleno poder sobre sua decisão (lei Federal) sofre uma pressão grande não só do chefe, mas da família e não tão indiretamente de toda sociedade, portanto sua decisão não é pura e simplesmente técnica.
Mesmo quando a implantação de uma melhoria para ciclistas e pedestres (aparentemente) não influi direta e imediatamente no fluxo de veículos, hoje um fator muito sensível para todos, até para atropelados, em seu devido tempo influenciará de alguma forma. Bom e simples exemplo é a ciclovia das praias de Leme –Copacabana – Ipanema – Leblon que fez aumentar sensivelmente o número de ciclistas e com isto durante um bom tempo foi gerador de inúmeros acidentes, principalmente atropelamentos de pedestres. Se a decisão foi técnica as conseqüências foram políticas e neste caso foram assumidas e levadas adiante, hoje com bons resultados. Um deles é criação das ruas com velocidade limitada para 30 km/h, o que melhora muito a segurança de quem está vivo e usa a via. Hoje, Dia Mundial sem Carro 2010, soltaram algumas entrevistas que já fala sobre duplicação de todo sistema de ciclovias cariocas. Pedra no lago.
Não é raro que o Termo de Referência seja a base de um grande erro. Na caso questão da bicicleta sonha com soluções perfeitas para a segurança do ciclista no trânsito, principalmente ciclovias. Todos sabem que inexiste ciclovia sem cruzamento. O óbvio é chato. Delirar é muito mais divertido. A verdade é que se há cruzamento há conflito, se há conflito este deve ser resolvido e isto só acontece com diferença no fluxo, com alguma perda para um dos lados, ou melhor, os dois lados. No caso, o ideal seria uso de semaforização em cada esquina de cruzamento da ciclovia com o resto do trânsito, de motorizados e pedestres. No mínimo estamos falando de um sensibilíssimo aumento nos custos da obra. E no ter que mexer em todo projeto de trafego de uma vasta área no entorno da ciclovia. Com ciclofaixa é um pouco menos crítico, mas o problema também é difícil de resolver porque acredita-se que todo o motorista é uma assassino em potencial e que todo ciclista é suicida. Bom mesmo é segregar, quanto mais distante dos carros melhor. De fato é, mas na realidade não funciona assim. E isto leva a um jogo de interesses e princípios pertinentes entre técnicos, gerentes, secretários, e governante. E tem ainda a consulta pública... Como praticamente todos são só motoristas...
Tenho pouca prática com Termos de Referência, mas tenho vivência suficiente para saber que praticamente inexiste técnicos de trânsito e transporte, urbanistas, advogados neste país que usem de fato a bicicleta como modo de transporte diário, que tenham larga vivência para conhecer a realidade do ciclista médio e que sejam capazes de redigir um Termo de Referência realista. Ademais, sempre repito, vivemos em cidades com desenho urbano europeu, quando não medieval, se medieval, queremos ter um sistema viário com o fluxo americano que só se vê em filmes românticos, e o pedestre praticamente não existe, ou pelo menos não deveria existir porque atrapalha. E ainda sonhamos que poderemos construir no meio desta baderna ridícula ciclovias iguaiszinhas às da Holanda. Genial, não é? Não sei não, mas eu acho, só acho, que não dá certo.
A questão toda é que pedestres, ciclistas e deficientes foram, continuam e seguirão sendo praticamente esquecidos, quando não desprezados, e que dar-lhes o que é seu direito irrefutável é enfrentar o estabelecido; o que todos nós sabemos. Mas negamos a ver o quanto isto é profundo, arraigado e literalmente lesivo às nossas urgências e sonhos, às nossas vidas. Pelo menos descobriram que a bicicleta é simpática, mas ainda não se sabe o que fazer com ela, apesar da boa vontade de alguns tantos. As propagandas de carros, condomínios e outros ficam mais bonitas com ciclistas. Pedestres e deficientes? Ops! se assustam até os próprios ciclistas.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

declaro meu voto em vídeo

Em vídeo, sem meias palavras, declaro meu voto pelo http://www.youtube.com/watchv=KzXO18M_6FQ .
Só fazendo alguns esclarecimentos: tudo o que não está explícito nas palavras é relacionado à questão da bicicleta e dos ciclistas, propostas e projetos cicloviários, e algo mais relacionado a pedestres e deficientes físicos.
  1. Walter Feldman tem lei que obriga a construção de ciclovias no Estado e no Município de São Paulo.
  2. Fábio Feldman (que não tem nenhum parentesco com o Walter) foi quem levou, através de uma de suas assessoras / advogadas, um conjunto de leis para inclusão no que hoje é o novo Código Brasileiro de Trânsito.
  3. Sobre a questão do governo Marta Suplicy na Prefeitura de São Paulo, me refiro à proposta São Paulo dá Pedal para o São Paulo 450 anos, e a inclusão da bicicleta no Plano Diretor, que posso explicar com  mais calma (gostaria que Sérgio Luiz Bianco estive vivo para contar ele, filiado ao PT de carteirinha, sobre as reuniões que tivemos). A conversa com Marta se deu antes de um passeio noturno que aconteceu na Praça Patriarca, porque nunca se conseguiu uma agenda com ela no gabinete. Nem por intermédio de Sérgio.
  4. sobre a questão do Peronismo, que vi em minhas férias com a família, avós e tios, na Argentina entre 1969 e 1990. Aprendi lá que populismo o quanto populismo é destrutivo para um país. É estranho, mas ler sobre a história de populismos pelo mundo é uma coisa, ver pessoalmente dá outro tom a este cancer. No caso da Argentina é ver os números e perceber que a entrada do peronismo desequilibra um país que teria tudo para ir para frente. O resultado é mais de 50 anos andando para trás por causa de problemas patéticos. Desde o primeiro dia de Lula no governo venho dizendo que rezo para o Brasil não caia num Lulismo, que é bom só para Lula e seus mais próximos. Como sempre afirmo: há uma diferença abismal entre socialismo e populismo sindicalista. O Brasil precisa diminuir suas diferenças sociais, que são acima de tudo burras, mas não o fará com falácias e factóides. Já passamos por isto no passado. Espero que não se repita.