Como já disse, o imposto vai subir 30%, ou para 30%, a bem da verdade não sei bem. O mercado já começa sentir os efeitos da alta, justamente num momento que parece que a bicicleta está tomando o espaço que todos nós lutamos há tanto tempo. A maioria que veio dar as más notícias afirma que este aumento saiu novamente de dentro da Caloi.
De quem quer que tenha saído esta ideia de jerico, a meu ver é de uma burrice sem tamanho. Ou má fé. Com a escala de produção que as indústrias brasileiras têm para bicicletas com preço venda público acima de US$ 250,00 é praticamente impossível conseguir preencher o mercado das grandes marcas internacionais, a não ser que conte com um protecionismo descarado. Mesmo assim um dia o bicho pega. Não dá para concorrer com a escala de produção e dumping de uma China. A não ser que os fabricantes importem bicicletas e montem aqui naquela maravilha chamada Zona Franca de Manaus. Maravilha para os abençoados. Neste sentido o aumento de imposto não protege a produção e o trabalhador brasileiro, mas o importador dito fabricante nacional. Vão sentar no protecionismo, aproveitando que o mercado brasileiro é patético e aceita qualquer coisa, e continuar vendendo bicicletas com problemas inadmissíveis em qualquer lugar civilizado. Aliás, inadmissíveis pelas leis brasileiras, CTB e Código Consumidor incluídos ai. Bom exemplo é uma mountain bike 21 marchas dita de qualidade produzida com as forquilhas traseiras com abertura própria para 24 marchas, a versão mais sofisticada. Obviamente uma redução de custos patética. Ou será ignorância sobre tolerâncias do alumínio usado? Se houvesse boa fé a indústria nacional teria pressionado o Governo Federal pela diminuição dos impostos para bicicletas fabricadas no Brasil, principalmente as básicas. Com esta ação equilibrariam o mercado interno, que dizem ser de uma produção interna de 5 milhões de bicicletas/ano, sendo que pelo menos metade destas vem de fabricantes “informais”, piratas, e até literalmente inexistentes. Sim, fabricantes de bicicletas inexistentes, ou seja, sem ter registro em qualquer órgão regulatório. Este é realmente o problema, aliás, um puta problema! Por que não há interesse em diminuir os impostos sobre bicicletas? Por que não conseguimos ser global players?
Se houvesse boa fé com o Brasil teria sido apresentado um plano de reestruturação para todo setor de bicicletas no Brasil, com investimento em pesquisa, desenvolvimento e melhoria de qualidade geral. Não dá para comparar uma bicicleta básica brasileira da faixa de US$ 150,00 com qualquer do mercado americano, europeu ou internacional sério. As nacionais começam a desmontar em poucas semanas enquanto a similar distribuída no mercado internacional irá durar anos sem apresentar defeitos. Há quem afirme que uns 35% dos ciclistas morrem por falha mecânica da bicicleta. Vá até qualquer lugar onde a bicicleta seja usada para valer pela população e converse com os mecânicos locais. Revire o lixo das bicicletarias. “Irresponsabilidade do ciclista” – afirmam alguns cara de pau. Parte desta baderna é responsabilidade direta do consumidor. Eu apontaria em especial o dedo no sentido do pessoal dito ciclo-ativista, que ainda se recusa entender que para ter ciclistas circulando nas cidades precisa uma coisa a mais que ciclovias e respeito. Para ter ciclistas nas ruas precisa de bicicleta, meus caros. E bicicleta é por lei, CTB, um veículo, portanto tem que ter qualidade. Bom, enfim, a classe média vai ao paraíso e quer que se dane o resto. E nossa maravilhosa esquerda está ai para dar carros para o povo. As cidades que se danem. Bom, melhor não entrar nesta confusão porque a história vai longe, bem longe, para o Brasil de nunca antes. Aliás, não me lembro de ter visto operários e sindicatos em manifestações pró bicicleta.
O setor da bicicleta no Brasil evoluiu, está um pouco mais organizado que há umas décadas, mas muita coisa que ainda acontece de forma patética e a prova disto é este aumento dos impostos sobre as importadas. Triste.
