sábado, 3 de janeiro de 2026

Boate Kiss, Constalation: e o que não aprendemos com o Deep Purple

Fórum do Leitor
O Estado de São Paulo 
Rádio Eldorado

Uma das maiores vergonhas de nossa história é como foi e continua sendo tratado o incêndio na Boate Kiss. Deixou claro a falência de nossos três poderes, judiciário, executivo e legislativo em julgar, fiscalizar e tomar providências. O recado é claro: pouco importam os familiares das vítimas, quem manda aqui somos nós.
 
Dói muito saber que famílias e amigos das vítimas da Kiss agora revivem o horror com o incêndio no bar Constellation, em Crans-Montana, Suíça. 
Provavelmente vão sofrer mais ainda com a comparação de como se dão as coisas num país onde o respeito e a dignidade com a população conta.
 
Minha forte dor e revolta e pelo que nós transformamos. 


Repetindo a história:

Smoke on the water, Fire in the sky... é considerado um dos hinos do que melhor o rock & roll oferece. Todo mundo sabe quem é o Deep Purple por causa desta icônica música.  Até quem não gosta de rock gosta da música, uma versão divertida do incêndio que consumiu um teatro na Suíça e espalhou cinzas pelo lago.

Repetiu-se a história, desta vez com um fim nada, zero, divertido, muito pelo contrário, horroroso. Na mesma Suíça, tão organizada e certinha Suíça. Repete-se os horrores da Boate Kiss, que completa 13 anos.

Smoke on the water, música baseada no incêndio do Montreaux Casino causado pelo disparo de um sinalizador de socorro (aquels que emitem uma luz vermelha) dentro do teatro durante um show do Frank Zappa, em 1971, não é lembrada pela tragédia. Os íntegrantes do Deep Purple estavam lá e logo depois compuseram a música.

As primeiras informações sobre a causa do incêndio no tradicional bar Constellation,  em Crans-Montana, Valle, Suíça, a menos de 100 km de Montreaux, dão conta de uma tragédia muito parecida com a ocorrida na boate Kiss. Artefato de fogo iniciando um incêndio no teto feito de material inflamável, falta de rotas de escape, jovens encurralados, mais de 40 mortes e 100 feridos.

Como escrevi para o Estadão e a Rádio Eldorado, vai ser um horror para os familiares e amigos das vítimas da Kiss.

De minha parte, quero ver como vai se desenrolar o processo na Suíça. Tendo estado lá, inclusive em Sierre, pequena cidade no Valle bem próxima de Crans-Montana, acredito que os suíços vão seguir os mesmos passos investigatorios de um pós acidente na aviação. E que medidas vão ser tomadas.

E não me sai da cabeça o duplo sentido da palavra 'tomada', a de tomar, o verbo, e a do elemento de eletricidade. As tomadas que foram implantadas no Brasil, únicas no planeta, têm muito a ver com o sofrimento de quem perdeu seus queridos numa situação como a da Kiss. 
Desculpe, não entendeu?